Questões de Concurso
Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português
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Prof. Boris Fausto - Existe um consenso básico a
respeito do que seja democracia: é o regime em que aqueles
4 que dirigem a nação recebem, por meio de eleição, um
mandato popular. A idéia de que a soberania reside no povo
e é ele que elege seus representantes distingue a democracia
7 de qualquer regime autoritário, totalitário. Ela também
significa a garantia da livre expressão das idéias - não
existe democracia onde existe, por exemplo, censura à
10 imprensa. A discussão maior consiste em saber se os
aspectos sociais se incluem na definição de democracia.
Há quem entenda o conceito e diga: não, democracia sem
13 igualdade, sem maior acesso da população a todos os direitos
de educação, saúde etc. não chega a ser democracia.
Internet: . Acesso em 16/7/2004 (com adaptações).
A partir do trecho de entrevista transcrito acima, julgue os itens
subseqüentes.
conceito de democracia, mas que existem também algumas
divergências quanto ao que se deve entender por
democracia.
no mundo grego não havia ambigüidades: cidadãos eram
aqueles liberados do reino da necessidade, portadores de
4 direitos e cumpridores de deveres, agindo no mundo por
meio do discurso e da ação e gozando da liberdade. No
entanto, a sociedade grega não conhecia a noção de
7 indivíduo, que emerge com a modernidade, pois havia uma
certa homogeneidade entre os cidadãos, na medida em que
estavam excluídos da esfera pública e do exercício da
10 cidadania as mulheres, os estrangeiros e os escravos.
João B. A. da Costa. Democracia, cidadania e atores políticos de
esquerda. Internet: . Acesso em 16/7/2004 (com adaptações).
Julgue os itens seguintes, a respeito das idéias e da organização
do texto acima.
a noção de indivíduo se manifesta apenas com as
características da modernidade.
sociedade e o responsável pelo rumo que ela venha a tomar.
Tornamo-nos seres humanos na dialética mesma da
4 hominização, ao produzirmos e transformarmos
coletivamente a cultura e nos construirmos como sujeitos.
A nossa cultura atual, eivada de violências físicas e
7 simbólicas, tem levado os seres humanos à massificação, à
desumanização e à autodestruição. Fazendo frente a essa
crise, a Cultura da Paz surge como uma proposta da ONU
10 que tem por objetivo conscientizar a todos - governos e
sociedades civis - para que se unam em busca da superação
da falência do nosso paradigma atual, conclamando para a
13 construção de um novo modelo substitutivo, assentado em
ações, valores e princípios calcados em uma nova ética
social, no respeito à diversidade cultural e na diminuição das
16 desigualdades e injustiças.
Editorial. Revista da Faculdade de Educação do Estado
da Bahia. Ano 10, n.º 14, jan./jun., 2001 (com adaptações).
Julgue os itens seguintes, acerca do texto acima.
razões das características de homem que o período sintático
apresenta a seguir.
1 Assinale a afirmação correta a respeito dos elementos lingüísticos do trecho abaixo.
Na virada do século XX ao XXI os Estados vão deixando de ser nacionais e plurinacionais e tornandose, os que para isso dispõem de poder econômico e científico-tecnológico portanto militar e político, Estados transnacionais: seu poder econômico lhes é dado por suas empresas também transnacionais, no sentido, antes definido, de sediadas num Estado-nação e dele projetadas em outros. Empresa transnacional e Estado transnacional acompanham-se, braços da mesma cultura-civilização que os gerou e mantém, cultura significando o que são os seus homens, e civilização o que fazem, aquela enquanto seiva desta.
(Vamireh Chacon, "A divisão do mundo pelos Estados transnacionais")
Os gregos não possuíam textos sagrados
nem castas sacerdotais. Graças à literatura de
Homero, produzida oito séculos antes de
Cristo, os gregos se apropriaram de uma fer-
5 ramenta epistemológica que, ainda hoje, nos
dá a impressão de que eles intuíram todos os
conhecimentos que a ciência moderna viria a
descobrir. O que seria de nossa cultura sem a
matemática de Pitágoras, a geometria de Eu-
10 clides, a filosofia de Sócrates, Platão e Aristó-
teles? O que seria da teoria de Freud sem o
teatro de Sófocles, Eurípedes e Ésquilo?
Os hebreus imprimiram ao tempo, graças
aos persas, um caráter histórico e uma natu-
15 reza divina. E produziram uma literatura mo-
numental – a Bíblia –, que inspira três grandes
religiões: o judaísmo, o cristianismo e o isla-
mismo. Tira-se o livro dessas tradições religio-
sas e elas perdem toda a identidade e o pro-
20 pósito.
(Frei Beto)
Livro tem começo, meio e fim. Como a
vida. As grandes narrativas favorecem a nossa
visão histórica e criam o caldo de cultura no
qual brotam as utopias. Sem utopia não há
ideal - sem ideal não há valores nem projetos.
A vida reduz-se a um joguete nas oscilações
do mercado.
A literatura é a arte da palavra. E, como
toda arte, recria a realidade, subvertendo-a,
transfigurando-a, revelando o seu avesso. Por
isso, todo artista é um clone de Deus, já que
imprime ao real um caráter ético e um sabor
estético, superando a linguagem usual e refletindo,
de modo surpreendente, a imaginação
criadora.
Sem literatura, corremos o risco de resvalarmos
para a mesquinhez dos jargões burocráticos,
a farsa do "economês", que tudo explica
e quase nada justifica, a palilalia estéril
da linguagem televisiva, a logorréia dos discursos
políticos, condenando-nos à visão estreita
e à pobreza de espírito despida de qualquer
bem-aventurança. Salvemos a literatura
para que possamos salvar a humanidade.
(Adaptado de Frei Betto)
O que leva um compositor popular consagrado,
uma glória da MPB, a escrever romances?
Para responder a essa pergunta, convém
lembrarmos algumas características da personalidade
de Chico Buarque de Holanda. Primeiro,
a forte presença de um pai que, além
de ser um historiador notável, era um fino crítico
literário. Depois, o fato de Chico ter se
dado conta de que sua genial produção musical
não bastava para dizer tudo que ele tinha a
nos dizer.
Não se pode dizer que o que o Chico nos
diz nos romances não tem nada a ver com o
que ele passa aos seus ouvintes através das
suas canções. No recém-lançado Budapeste,
por exemplo, eu, pessoalmente, vejo um clima
de bem-humorada resignação do personagem
com suas limitações, um clima que me parece
que encontrei, em alguns momentos, na sua
obra musical. Uma coisa, porém, são as imagens
sugestivas das canções; outra é a complexa
construção de um romance. A distância
entre ambas talvez pudesse ser comparada
àquela que vai das delicadas e rústicas capelas
românicas às imponentes catedrais góticas.
Chico Buarque percorreu esse caminho
com toda a humildade de quem queria aprender
a fazer melhor, mas também com a autoconfiança
de quem sabia que podia se tornar
um mestre romancista.
Valeu a pena. A autodisciplina lhe permitiu
mergulhar mais fundo na confusão da nossa
realidade, nas ambigüidades do nosso tempo.
A ficção, às vezes, possibilita uma percepção
mais aguda das questões em que estamos
todos tropeçando. No caso deste romance
mais recente de Chico Buarque, temos um rico
material para repensarmos, sorrindo, o problema
da nossa identidade: quem somos nós,
afinal?
(Leandro Konder, Jornal do Brasil, 18/10/2003)
O que leva um compositor popular consagrado,
uma glória da MPB, a escrever romances?
Para responder a essa pergunta, convém
lembrarmos algumas características da personalidade
de Chico Buarque de Holanda. Primeiro,
a forte presença de um pai que, além
de ser um historiador notável, era um fino crítico
literário. Depois, o fato de Chico ter se
dado conta de que sua genial produção musical
não bastava para dizer tudo que ele tinha a
nos dizer.
Não se pode dizer que o que o Chico nos
diz nos romances não tem nada a ver com o
que ele passa aos seus ouvintes através das
suas canções. No recém-lançado Budapeste,
por exemplo, eu, pessoalmente, vejo um clima
de bem-humorada resignação do personagem
com suas limitações, um clima que me parece
que encontrei, em alguns momentos, na sua
obra musical. Uma coisa, porém, são as imagens
sugestivas das canções; outra é a complexa
construção de um romance. A distância
entre ambas talvez pudesse ser comparada
àquela que vai das delicadas e rústicas capelas
românicas às imponentes catedrais góticas.
Chico Buarque percorreu esse caminho
com toda a humildade de quem queria aprender
a fazer melhor, mas também com a autoconfiança
de quem sabia que podia se tornar
um mestre romancista.
Valeu a pena. A autodisciplina lhe permitiu
mergulhar mais fundo na confusão da nossa
realidade, nas ambigüidades do nosso tempo.
A ficção, às vezes, possibilita uma percepção
mais aguda das questões em que estamos
todos tropeçando. No caso deste romance
mais recente de Chico Buarque, temos um rico
material para repensarmos, sorrindo, o problema
da nossa identidade: quem somos nós,
afinal?
(Leandro Konder, Jornal do Brasil, 18/10/2003)
Na frase acima, o sentido algo irônico de curiosamente liga-se ao fato de que
Deduz-se corretamente do contexto que o exemplo acima foi citado devido a
I. ser até hoje a região em que a população é plenamente assistida em seus direitos básicos e onde se exercita a cidadania.
II. ter sido essa região palco de flagrante desrespeito aos direitos humanos, sem que houvesse interferência das demais nações.
III. ter-se transformado num exemplo de mobilização da sociedade contra governantes autoritários, que não respeitavam a opinião pública.
Está correto o que se afirma SOMENTE em
... e até efeitos contrários ao que se pretende. (12a linha do 1o parágrafo)
O sentido da frase transcrita acima é retomado, no texto, pelo segmento:
O comentário entre parênteses deve ser entendido, considerando-se o contexto, como significando que a violência desenfreada