Questões de Concurso Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q3091952 Português

O conceito de discriminação usualmente leva à sensação de medida negativa, que causa prejuízo a alguém. Trata-se, efetivamente, do conceito de discriminação sob o aspecto prejudicial, ou, do ponto de vista jurídico, ilícito, do instituto.


        Em breve síntese, a discriminação consiste em tratar de maneira diferente determinada pessoa por motivo não justificável. A discriminação vedada é aquela que, como regra, encontra proibição legal e causa prejuízo à pessoa discriminada.


        O caput do artigo 5.º da Constituição Federal de 1988 dispõe que “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à igualdade, à segurança e à propriedade”.


        Esse dispositivo revela a importância do status da igualdade entre as pessoas e, consequentemente, entre os trabalhadores. Evidentemente, conduta em sentido contrário constitui ilícito, excepcionadas as hipóteses de ações afirmativas.


        Explica-se: a discriminação, por si só, não é necessariamente medida reprovável. Pode constituir, inclusive, ação afirmativa a que os sujeitos podem estar obrigados pelo direito. Exemplo disso é a discriminação em favor das pessoas com deficiência, ao se estabelecer cota mínima a ser preenchida por elas.


        No âmbito das relações de trabalho, algumas situações são mais comuns no que se refere à discriminação: discriminação pelo sexo, pela idade, pela etnia, pela orientação sexual. Nesse contexto, a conduta discriminatória que não pode ser admitida é aquela que trata de maneira distinta os trabalhadores, sem qualquer justificativa ou causa lícita para tanto, preterindo determinada classe de pessoas por motivos totalmente injustificáveis e que não guardam qualquer relação com o tipo de trabalho desenvolvido.


Internet: <https://enciclopediajuridica.pucsp.br> (com adaptações).

Acerca de aspectos linguísticos do texto apresentado e das ideias nele veiculadas, julgue o item que se segue. 
Defende-se, no texto, o emprego do termo “discriminação” com viés exclusivamente negativo, a fim de se evitar que se confundam as ações afirmativas com atos discriminatórios.
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Q3091739 Português
Leia o Texto 4 para responder à questão.

Texto 4

Geração do celular

Inaê Soares da Silva

    O uso do celular é considerado atualmente o maior entretenimento dos brasileiros e tem ocupado quase a metade das horas vagas da população. Especialistas confirmam que as pessoas estão viciadas. Os usuários não usam o celular ou a internet apenas para olhar uma mensagem ou outra; na verdade, ficam vidrados o dia inteiro, seja na rua, na praça, com os amigos e até mesmo no trabalho. As pessoas precisam aprender ter mais contato com o mundo real.
    As crianças estão passando horas do seu tempo livre em frente ao computador ou no celular diante de jogos quando poderiam usar esse tempo para uma boa leitura de bons livros ou para uma conversa com os amigos. Adultos chegam do trabalho e vão direto conferir as últimas atualizações dos aplicativos de relacionamentos; até idosos estão aderindo à nova tecnologia. A cultura da população está mudando e isso preocupa.
    Acredito que as redes sociais foram criadas para que nós tivéssemos mais contato com as pessoas, mas está ocorrendo o contrário. O que veio para aproximar, acabou afastando. As redes sociais estão tornando as pessoas antissociais. A comunicação que prevalece é a virtual e a prática de boas atitudes humanas, como o “bom dia” ou “por favor”, são raros.
    Temos que incentivar crianças, adolescentes e até mesmo adultos a se desconectarem do mundo virtual para se conectarem ao mundo real. Deixar o celular desligado quando estiver em família, curtir um passeio sem tantas selfies e dar preferência ao bate-papo olho-no-olho são situações que fortalecerão o relacionamento e o amor.

Disponível em: <https://www.tudosaladeaula.com/2017/09/interpretacao-detexto-artigo-de.html>. Acesso em: 19 fev. 2024.
O texto é um artigo de opinião e tem o objetivo de apresentar o ponto de vista do(a) articulista sobre o uso do celular. O trecho do texto que revela o ponto de vista do autor é
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Q3091734 Português
Leia o Texto 2 para responder à questão.

Texto 2

Poema de Sete Faces

Carlos Drummond de Andrade

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra disse:
Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode,

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

Disponível em: <https://www.culturagenial.com/poema-de-sete-facesdrummond/>. Acesso em: 19 fev. 2024.
O poema de Drumond versa principalmente sobre os sentimentos
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Q3091732 Português
Leia o Texto 1 para responder à questão.

Texto 1

Anedota Dia das Mães

    A professora pediu que os alunos escrevessem uma redação para o Dia das Mães. No final deveriam colocar a frase: “Mãe só tem uma!”.
    Todos os alunos fizeram a redação. Uns elogiavam as mães, outros contavam alguma história, mas todos colocaram no final a frase “Mãe só tem uma!”.
    Faltou o Joãozinho. Aí a professora pediu para ele ler seu trabalho. Então o Joãozinho levantou-se e começou a ler:
     ‒ Tinha uma festa lá em casa e a minha mãe pediu para eu buscar duas Cocas na geladeira. Eu fui até a cozinha, abri a geladeira e falei: “Mãe, só tem uma!”.

Disponível em: <https://armazemdetexto.blogspot.com/2022/02/anedota-diadas-maes-paulo-tadeu.html>.
Acesso em: 19 fev. 2024.
A frase do texto responsável por evidenciar o humor da anedota e demonstrar a não compreensão do Joãozinho sobre o tema da produção de texto é 
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Q3091704 Português
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda à questão que a ele se refere.

Texto 01

Onde o amor mora

Gustavo Tamagno Martins

    O amor mora nas coisas simples. Sentado no sofá jogando conversa fora. Em um cafuné demorado. Em um beijo roubado. Em um abraço apertado. Em um almoço em família. Em uma viagem sem destino. Em um sorriso sem motivo. Em um bilhete escrito à mão. Em uma flor arrancada. Em uma mensagem inesperada. Em uma piada sem graça.
    O amor significa muito mais do que palavras, mas principalmente, atitudes. Não é apenas o que o outro fala, mas o que o outro faz por nós.
    O amor é (e precisa) ser simples e leve. O amor pode nos dar borboletas no estômago, mas jamais pode nos sufocar. O amor não nos faz sofrer, mas sim, nos cura. O amor não nos tira a paz, ele só nos acrescenta. Caso contrário, precisamos repensar se é amor mesmo.
    O amor é simples. Nós é que somos complicados. [...]


Disponível em: https://vidasimples.co/voce-simples/o-amor-e-simples/ . Acesso em: 24 set. 2024. Adaptado.
Assinale a alternativa CORRETA, de acordo com as ideias veiculadas no texto.  
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Q3091670 Português

Celular em sala de aula: uma proibição necessária



        Atualmente, um assunto que vem despertando a atenção não só da comunidade acadêmica, mas da sociedade como um todo é a proibição do uso de celulares na sala de aula.


        A proibição do seu uso em sala de aula é uma medida que se harmoniza com o ambiente em que o estudante está. A sala de aula é um local de aprendizagem, onde o discente deve se esforçar ao máximo para extrair do professor os conhecimentos da matéria. Nesse contexto, o celular é um aparelho que só vem dificultar a relação ensino-aprendizagem, visto que atrapalha não só quem atende, mas todos os que estão ao seu redor.


     Um estudo divulgado no mês passado pela London School of Economics mostrou que alunos de escolas da Inglaterra que baniram os smartphones melhoraram em até 14% suas notas em exames de avaliação nacional. (....)


       O impacto da proibição, diz especialista, é o equivalente a uma hora a mais de aula por semana. O estudo "Tecnologia, distração e desempenho de estudantes" foi feito com 130 mil alunos desde 2001, em 91 escolas de quatro cidades.


      Por que banir o uso do celular? Porque ter acesso fácil ao celular faz com o que aluno tenha mais chance de distração, o que pode levar a notas mais baixas; adolescentes ainda não têm maturidade para usar nos momentos apropriados; em ambientes liberados, é muito difícil para o professor monitorar a sala toda; a distração do smartphone é muito pior do que desenhar no caderno, por exemplo, porque o aluno entra em um 'universo paralelo'. (....).


Disponível em: . Acesso em 15 fev. 2024

Os textos de opinião utilizam alguns tipos de argumentos com a finalidade de informar e persuadir o leitor sobre um assunto. O argumento utilizado no terceiro parágrafo do texto é argumento de
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Q3091665 Português
Leia o Texto 2 para responder à questão.

Texto 2

Felicidade clandestina

    Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.
    Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como “data natalícia” e “saudade”. (....)
    Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informoume que possuía as reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.
    Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E, completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria. (....)
    No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez (....).


LISPECTOR, Clarice. Felicidade Clandestina. Rio de Janeiro, Rocco, 1998.
A sequência textual predominante no texto é a 
Alternativas
Q3091664 Português
Leia o Texto 2 para responder à questão.

Texto 2

Felicidade clandestina

    Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.
    Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como “data natalícia” e “saudade”. (....)
    Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informoume que possuía as reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.
    Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E, completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria. (....)
    No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez (....).


LISPECTOR, Clarice. Felicidade Clandestina. Rio de Janeiro, Rocco, 1998.
O tema principal do texto é
Alternativas
Q3091663 Português
Leia o Texto 1 para responder à questão.

Texto 1

Kombucha a bebida que vem conquistando os brasileiros


    A Kombucha, uma bebida fermentada, está ganhando espaço no mercado brasileiro, podendo ser aromatizada, gaseificada e até mesmo apresentar teor alcoólico, de acordo com classificações específicas.
   O aumento da demanda por opções de bebidas que combinam o sabor de refrigerantes com propriedades funcionais tem impulsionado a popularidade da Kombucha, que atende a esse público crescente. Além disso, a facilidade de preparo caseiro também tem contribuído para seu sucesso, assim como o sabor refrescante, levemente adocicado e ligeiramente ácido.
    A maioria dos benefícios associados à Kombucha está relacionada à sua composição ácida. Acredita-se que sua capacidade de desintoxicação seja devida à presença do ácido glicurônico, produzido durante o processo de fermentação, que se liga às moléculas de toxinas e ajuda a eliminá-las do organismo por meio dos rins ou do intestino. Além disso, o processo de fermentação induz a síntese de complexo B de vitaminas e ácido fólico, conhecidos por seus inúmeros benefícios à saúde. (....)


Disponível em: <https://afrebras.org.br/noticias/kombucha-a-bebida-que-vemconquistando-os-brasileiros/>. Acesso em: 14 fev. 2024. [Adaptado].
No segundo parágrafo do texto, a expressão “além disso” tem a função de
Alternativas
Q3091662 Português
Leia o Texto 1 para responder à questão.

Texto 1

Kombucha a bebida que vem conquistando os brasileiros


    A Kombucha, uma bebida fermentada, está ganhando espaço no mercado brasileiro, podendo ser aromatizada, gaseificada e até mesmo apresentar teor alcoólico, de acordo com classificações específicas.
   O aumento da demanda por opções de bebidas que combinam o sabor de refrigerantes com propriedades funcionais tem impulsionado a popularidade da Kombucha, que atende a esse público crescente. Além disso, a facilidade de preparo caseiro também tem contribuído para seu sucesso, assim como o sabor refrescante, levemente adocicado e ligeiramente ácido.
    A maioria dos benefícios associados à Kombucha está relacionada à sua composição ácida. Acredita-se que sua capacidade de desintoxicação seja devida à presença do ácido glicurônico, produzido durante o processo de fermentação, que se liga às moléculas de toxinas e ajuda a eliminá-las do organismo por meio dos rins ou do intestino. Além disso, o processo de fermentação induz a síntese de complexo B de vitaminas e ácido fólico, conhecidos por seus inúmeros benefícios à saúde. (....)


Disponível em: <https://afrebras.org.br/noticias/kombucha-a-bebida-que-vemconquistando-os-brasileiros/>. Acesso em: 14 fev. 2024. [Adaptado].
O objetivo comunicativo do texto é
Alternativas
Q3091576 Português
O Texto 5 trata de um fragmento recortado do romance “A Natureza da Mordida”, da escritora Carla Madeira, sua leitura é necessária para responder à questão.

TEXTO 5

Não sei se podemos nos arrepender do que nos fazem, já que não podemos impedir que façam – argumentei. Quase nunca podemos, e, ainda assim, os piores arrependimentos são do que deixamos que nos façam. […] É... a boca banguela da vida não brinca em serviço. Mas ainda bem que podemos ser diferentes do que fomos. […] Sob o véu da inocência reside uma capacidade tremenda de ferir. Não dependemos de discernimento para fazer grandes estragos. O que realmente nos fere, sempre envolve o que amamos.

MADEIRA, Carla. A Natureza da Mordida. São Paulo: Record, 2022. (Adaptado) 
Com base na leitura do Texto 5, assinale a alternativa que descreve CORRETAMENTE os elementos que determinam o foco narrativo do trecho em questão.
Alternativas
Q3091575 Português
O Texto 5 trata de um fragmento recortado do romance “A Natureza da Mordida”, da escritora Carla Madeira, sua leitura é necessária para responder à questão.

TEXTO 5

Não sei se podemos nos arrepender do que nos fazem, já que não podemos impedir que façam – argumentei. Quase nunca podemos, e, ainda assim, os piores arrependimentos são do que deixamos que nos façam. […] É... a boca banguela da vida não brinca em serviço. Mas ainda bem que podemos ser diferentes do que fomos. […] Sob o véu da inocência reside uma capacidade tremenda de ferir. Não dependemos de discernimento para fazer grandes estragos. O que realmente nos fere, sempre envolve o que amamos.

MADEIRA, Carla. A Natureza da Mordida. São Paulo: Record, 2022. (Adaptado) 
Com base nesse recorte de “A Natureza da Mordida”, de Carla Madeira, assinale a alternativa que resume CORRETAMENTE a ideia central narrada.
Alternativas
Q3091523 Português
Leia o trecho a seguir, retirado do livro 1984, de George Orwell, e responda à questão:

"A liberdade é a liberdade de dizer que dois mais dois são quatro. Se isso for concedido, tudo o mais vem por acréscimo."
Orwell, George. 1984. Tradução de Alexandre Hubner e Heloisa Jahn. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

Com base no contexto do livro e na mensagem contida neste trecho, é correto afirmar que a frase expressa: 
Alternativas
Q3091474 Português
Leia o Texto II e responda à questão.

Texto II

REBECA LEVA PRATA E É MAIOR DO BRASIL EM JOGOS

Rebeca Andrade conquista prata, iguala recorde de velejadores e diz que 'está ficando gigante'

Ginasta brasileira fica na segunda colocação geral da disputa no salto, em Paris, e torna-se a atleta do país com maior número de medalhas, cinco, na história das Olimpíadas.

    Nenhum brasileiro tem mais medalhas olímpicas do que Rebeca Andrade. São cinco. A mais recente delas foi obtida na tarde francesa de sábado (3), na Arena Bercy, onde ela ficou com a prata na prova do salto da ginástica artística dos Jogos de Paris, atrás somente da craque norte-americana Simone Biles.
      Na França, a brasileira tem duelado com o maior nome da história da ginástica, que retornou em alto nível e triunfou na competição por equipes e na individual geral. Andrade foi respectivamente bronze e prata nesses torneios. No salto, ficou novamente atrás da lendária atleta dos Estados Unidos.
     “A Simone é de outro mundo, né? A gente sempre busca evoluir da melhor maneira, e ver a ginástica incrível dela incentiva a todos, é uma inspiração”, afirmou a guarulhense, ciente de que também é espelho para muitos no Brasil. “Inspirar pessoas do meu país é muito bom, é algo que vou carregar para sempre.”

Fonte: PARIS, Marcos Guedes. Rebeca leva prata e é maior do Brasil em jogos. Folha de S. Paulo Primeira Página.A1. 4Aug 2024
Analise as assertivas acerca do fragmento: “a brasileira tem duelado com o maior nome da história da ginástica” (2º§):

I-  Observa-se o emprego de uma linguagem formal, compatível com a linguagem jornalística.
II-  Trata-se de um fragmento extraído de um jornal de circulação nacional, razão pela qual precisa manter o rigor formal da língua.
III-  Trata-se de um fragmento extraído de um jornal local, razão pela qual não é necessário manter o rigor formal da língua.

É CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q3091473 Português
Leia o Texto II e responda à questão.

Texto II

REBECA LEVA PRATA E É MAIOR DO BRASIL EM JOGOS

Rebeca Andrade conquista prata, iguala recorde de velejadores e diz que 'está ficando gigante'

Ginasta brasileira fica na segunda colocação geral da disputa no salto, em Paris, e torna-se a atleta do país com maior número de medalhas, cinco, na história das Olimpíadas.

    Nenhum brasileiro tem mais medalhas olímpicas do que Rebeca Andrade. São cinco. A mais recente delas foi obtida na tarde francesa de sábado (3), na Arena Bercy, onde ela ficou com a prata na prova do salto da ginástica artística dos Jogos de Paris, atrás somente da craque norte-americana Simone Biles.
      Na França, a brasileira tem duelado com o maior nome da história da ginástica, que retornou em alto nível e triunfou na competição por equipes e na individual geral. Andrade foi respectivamente bronze e prata nesses torneios. No salto, ficou novamente atrás da lendária atleta dos Estados Unidos.
     “A Simone é de outro mundo, né? A gente sempre busca evoluir da melhor maneira, e ver a ginástica incrível dela incentiva a todos, é uma inspiração”, afirmou a guarulhense, ciente de que também é espelho para muitos no Brasil. “Inspirar pessoas do meu país é muito bom, é algo que vou carregar para sempre.”

Fonte: PARIS, Marcos Guedes. Rebeca leva prata e é maior do Brasil em jogos. Folha de S. Paulo Primeira Página.A1. 4Aug 2024
Analise as assertivas que seguem sobre o fragmento: “Rebeca Andrade conquista prata, iguala recorde de velejadores e diz que está ficando gigante”.

I-  O termo “velejadores” é relativo à navegação e manobra de barcos à vela.
II-  A expressão “ficando gigante” foi empregada em sentido real.
III-  A expressão “ficando gigante” refere-se ao crescimento profissional da ginasta.
IV-  O termo “velejadores” é relativo à pilotagem de avião com acrobacias aéreas.
V-  A expressão “ficando gigante” refere-se ao crescimento intelectual da ginasta.

É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas
Q3091472 Português
Leia o Texto II e responda à questão.

Texto II

REBECA LEVA PRATA E É MAIOR DO BRASIL EM JOGOS

Rebeca Andrade conquista prata, iguala recorde de velejadores e diz que 'está ficando gigante'

Ginasta brasileira fica na segunda colocação geral da disputa no salto, em Paris, e torna-se a atleta do país com maior número de medalhas, cinco, na história das Olimpíadas.

    Nenhum brasileiro tem mais medalhas olímpicas do que Rebeca Andrade. São cinco. A mais recente delas foi obtida na tarde francesa de sábado (3), na Arena Bercy, onde ela ficou com a prata na prova do salto da ginástica artística dos Jogos de Paris, atrás somente da craque norte-americana Simone Biles.
      Na França, a brasileira tem duelado com o maior nome da história da ginástica, que retornou em alto nível e triunfou na competição por equipes e na individual geral. Andrade foi respectivamente bronze e prata nesses torneios. No salto, ficou novamente atrás da lendária atleta dos Estados Unidos.
     “A Simone é de outro mundo, né? A gente sempre busca evoluir da melhor maneira, e ver a ginástica incrível dela incentiva a todos, é uma inspiração”, afirmou a guarulhense, ciente de que também é espelho para muitos no Brasil. “Inspirar pessoas do meu país é muito bom, é algo que vou carregar para sempre.”

Fonte: PARIS, Marcos Guedes. Rebeca leva prata e é maior do Brasil em jogos. Folha de S. Paulo Primeira Página.A1. 4Aug 2024
Considerando as ideias apresentadas e os propósitos comunicativos do Texto II, analise as assertivas que seguem.

I- O texto narra os principais acontecimentos dos Jogos Olímpicos de Paris, com ênfase em diferentes esportes e atletas.
II- O texto argumenta a respeito do desempenho de Simone Biles e sua superioridade na ginástica artística em comparação aos demais competidores.
III- O texto destaca o protagonismo de Rebeca Andrade no cenário esportivo, ao tempo que reforça o seu papel como inspiração para o seu país.

É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas
Q3091469 Português
Leia o Texto I e responda à questão.

Texto I

Banhos de mar

            Meu pai acreditava que todos os anos se devia fazer uma cura de banhos de mar. E nunca fui tão feliz quanto naquelas temporadas de banhos em Olinda, Recife.
            Meu pai também acreditava que o banho de mar salutar era o tomado antes de o sol nascer. Como explicar o que eu sentia de presente inaudito em sair de casa de madrugada e pegar o bonde vazio que nos levaria para Olinda ainda na escuridão?
          De noite eu ia dormir, mas o coração se mantinha acordado, em expectativa. E de puro alvoroço, eu acordava às quatro e pouco da madrugada e despertava o resto da família. Vestíamos depressa e saíamos em jejum. Porque meu pai acreditava que assim devia ser: em jejum.
         Saíamos por uma rua toda escura, recebendo a brisa da pré-madrugada. E esperávamos o bonde.Até que lá de longe ouvíamos o seu barulho se aproximando. Eu me sentava bem na ponta do banco: e minha felicidade começava. Atravessar a cidade escura me dava algo que jamais tive de novo. No bonde mesmo o tempo começava a clarear e uma luz trêmula de sol escondido nos banhava e banhava o mundo.
        Eu olhava tudo: as poucas pessoas na rua, a passagem pelo campo com os bichos-de-pé: “Olhe um porco de verdade!” gritei uma vez, e a frase de deslumbramento ficou sendo uma das brincadeiras de minha família, que de vez em quando me dizia rindo: “Olhe um porco de verdade.”
          Passávamos por cavalos belos que esperavam de pé pelo amanhecer.
       Eu não sei da infância alheia. Mas essa viagem diária me tornava uma criança completa de alegria. E me serviu como promessa de felicidade para o futuro. Minha capacidade de ser feliz se revelava. Eu me agarrava, dentro de uma infância muito infeliz, a essa ilha encantada que era a viagem diária.
        No bonde mesmo começava a amanhecer. Meu coração batia forte ao nos aproximarmos de Olinda. Finalmente saltávamos e íamos andando para as cabinas pisando em terreno já de areia misturada com plantas. Mudávamos de roupa nas cabinas. E nunca um corpo desabrochou como o meu quando eu saía da cabina e sabia o que me esperava.
         O mar de Olinda era muito perigoso. Davam-se alguns passos em um fundo raso e de repente caía-se num fundo de dois metros, calculo.
       O cheiro do mar me invadia e me embriagava. As algas boiavam. Oh, bem sei que não estou transmitindo o que significavam como vida pura esses banhos em jejum, com o sol se levantando pálido ainda no horizonte. Bem sei que estou tão emocionada que não consigo escrever. O mar de Olinda era muito iodado e salgado. E eu fazia o que no futuro sempre iria fazer: com as mãos em concha, eu as mergulhava nas águas, e trazia um pouco do mar até minha boca: eu bebia diariamente o mar, de tal modo queria me unir a ele.
        Não demorávamos muito. O sol já se levantara todo, e meu pai tinha que trabalhar cedo [...].

Fonte: LISPECTOR, Clarice. Banho de mar. In: Todas as crônicas. Rio de Janeiro, Rocco, 2018, p. 193-195. Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/12670/banhos-de-mar . Acesso em: 11 ago. 2024, com adaptações.
Na passagem “Davam-se alguns passos em um fundo raso e de repente caía-se num fundo de dois metros, calculo” (9º§), o termo “calculo” confere: 
Alternativas
Q3091465 Português
Leia o Texto I e responda à questão.

Texto I

Banhos de mar

            Meu pai acreditava que todos os anos se devia fazer uma cura de banhos de mar. E nunca fui tão feliz quanto naquelas temporadas de banhos em Olinda, Recife.
            Meu pai também acreditava que o banho de mar salutar era o tomado antes de o sol nascer. Como explicar o que eu sentia de presente inaudito em sair de casa de madrugada e pegar o bonde vazio que nos levaria para Olinda ainda na escuridão?
          De noite eu ia dormir, mas o coração se mantinha acordado, em expectativa. E de puro alvoroço, eu acordava às quatro e pouco da madrugada e despertava o resto da família. Vestíamos depressa e saíamos em jejum. Porque meu pai acreditava que assim devia ser: em jejum.
         Saíamos por uma rua toda escura, recebendo a brisa da pré-madrugada. E esperávamos o bonde.Até que lá de longe ouvíamos o seu barulho se aproximando. Eu me sentava bem na ponta do banco: e minha felicidade começava. Atravessar a cidade escura me dava algo que jamais tive de novo. No bonde mesmo o tempo começava a clarear e uma luz trêmula de sol escondido nos banhava e banhava o mundo.
        Eu olhava tudo: as poucas pessoas na rua, a passagem pelo campo com os bichos-de-pé: “Olhe um porco de verdade!” gritei uma vez, e a frase de deslumbramento ficou sendo uma das brincadeiras de minha família, que de vez em quando me dizia rindo: “Olhe um porco de verdade.”
          Passávamos por cavalos belos que esperavam de pé pelo amanhecer.
       Eu não sei da infância alheia. Mas essa viagem diária me tornava uma criança completa de alegria. E me serviu como promessa de felicidade para o futuro. Minha capacidade de ser feliz se revelava. Eu me agarrava, dentro de uma infância muito infeliz, a essa ilha encantada que era a viagem diária.
        No bonde mesmo começava a amanhecer. Meu coração batia forte ao nos aproximarmos de Olinda. Finalmente saltávamos e íamos andando para as cabinas pisando em terreno já de areia misturada com plantas. Mudávamos de roupa nas cabinas. E nunca um corpo desabrochou como o meu quando eu saía da cabina e sabia o que me esperava.
         O mar de Olinda era muito perigoso. Davam-se alguns passos em um fundo raso e de repente caía-se num fundo de dois metros, calculo.
       O cheiro do mar me invadia e me embriagava. As algas boiavam. Oh, bem sei que não estou transmitindo o que significavam como vida pura esses banhos em jejum, com o sol se levantando pálido ainda no horizonte. Bem sei que estou tão emocionada que não consigo escrever. O mar de Olinda era muito iodado e salgado. E eu fazia o que no futuro sempre iria fazer: com as mãos em concha, eu as mergulhava nas águas, e trazia um pouco do mar até minha boca: eu bebia diariamente o mar, de tal modo queria me unir a ele.
        Não demorávamos muito. O sol já se levantara todo, e meu pai tinha que trabalhar cedo [...].

Fonte: LISPECTOR, Clarice. Banho de mar. In: Todas as crônicas. Rio de Janeiro, Rocco, 2018, p. 193-195. Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/12670/banhos-de-mar . Acesso em: 11 ago. 2024, com adaptações.
Assinale a alternativa que contém elementos que traduzem o sentimento da narradora ao encontrar-se com o mar.
Alternativas
Q3091464 Português
Leia o Texto I e responda à questão.

Texto I

Banhos de mar

            Meu pai acreditava que todos os anos se devia fazer uma cura de banhos de mar. E nunca fui tão feliz quanto naquelas temporadas de banhos em Olinda, Recife.
            Meu pai também acreditava que o banho de mar salutar era o tomado antes de o sol nascer. Como explicar o que eu sentia de presente inaudito em sair de casa de madrugada e pegar o bonde vazio que nos levaria para Olinda ainda na escuridão?
          De noite eu ia dormir, mas o coração se mantinha acordado, em expectativa. E de puro alvoroço, eu acordava às quatro e pouco da madrugada e despertava o resto da família. Vestíamos depressa e saíamos em jejum. Porque meu pai acreditava que assim devia ser: em jejum.
         Saíamos por uma rua toda escura, recebendo a brisa da pré-madrugada. E esperávamos o bonde.Até que lá de longe ouvíamos o seu barulho se aproximando. Eu me sentava bem na ponta do banco: e minha felicidade começava. Atravessar a cidade escura me dava algo que jamais tive de novo. No bonde mesmo o tempo começava a clarear e uma luz trêmula de sol escondido nos banhava e banhava o mundo.
        Eu olhava tudo: as poucas pessoas na rua, a passagem pelo campo com os bichos-de-pé: “Olhe um porco de verdade!” gritei uma vez, e a frase de deslumbramento ficou sendo uma das brincadeiras de minha família, que de vez em quando me dizia rindo: “Olhe um porco de verdade.”
          Passávamos por cavalos belos que esperavam de pé pelo amanhecer.
       Eu não sei da infância alheia. Mas essa viagem diária me tornava uma criança completa de alegria. E me serviu como promessa de felicidade para o futuro. Minha capacidade de ser feliz se revelava. Eu me agarrava, dentro de uma infância muito infeliz, a essa ilha encantada que era a viagem diária.
        No bonde mesmo começava a amanhecer. Meu coração batia forte ao nos aproximarmos de Olinda. Finalmente saltávamos e íamos andando para as cabinas pisando em terreno já de areia misturada com plantas. Mudávamos de roupa nas cabinas. E nunca um corpo desabrochou como o meu quando eu saía da cabina e sabia o que me esperava.
         O mar de Olinda era muito perigoso. Davam-se alguns passos em um fundo raso e de repente caía-se num fundo de dois metros, calculo.
       O cheiro do mar me invadia e me embriagava. As algas boiavam. Oh, bem sei que não estou transmitindo o que significavam como vida pura esses banhos em jejum, com o sol se levantando pálido ainda no horizonte. Bem sei que estou tão emocionada que não consigo escrever. O mar de Olinda era muito iodado e salgado. E eu fazia o que no futuro sempre iria fazer: com as mãos em concha, eu as mergulhava nas águas, e trazia um pouco do mar até minha boca: eu bebia diariamente o mar, de tal modo queria me unir a ele.
        Não demorávamos muito. O sol já se levantara todo, e meu pai tinha que trabalhar cedo [...].

Fonte: LISPECTOR, Clarice. Banho de mar. In: Todas as crônicas. Rio de Janeiro, Rocco, 2018, p. 193-195. Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/12670/banhos-de-mar . Acesso em: 11 ago. 2024, com adaptações.
Analise as assertivas a respeito do Texto I:

I- A narradora revela que as viagens eram uma fuga da sua infância infeliz.
II- A narradora podia brincar com outras crianças no bonde durante as viagens.
III- O bonde era muito confortável e luxuoso, o que proporcionava uma sensação de felicidade à narradora.
IV- A narradora sempre foi uma criança muito feliz.

É CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q3091463 Português
Leia o Texto I e responda à questão.

Texto I

Banhos de mar

            Meu pai acreditava que todos os anos se devia fazer uma cura de banhos de mar. E nunca fui tão feliz quanto naquelas temporadas de banhos em Olinda, Recife.
            Meu pai também acreditava que o banho de mar salutar era o tomado antes de o sol nascer. Como explicar o que eu sentia de presente inaudito em sair de casa de madrugada e pegar o bonde vazio que nos levaria para Olinda ainda na escuridão?
          De noite eu ia dormir, mas o coração se mantinha acordado, em expectativa. E de puro alvoroço, eu acordava às quatro e pouco da madrugada e despertava o resto da família. Vestíamos depressa e saíamos em jejum. Porque meu pai acreditava que assim devia ser: em jejum.
         Saíamos por uma rua toda escura, recebendo a brisa da pré-madrugada. E esperávamos o bonde.Até que lá de longe ouvíamos o seu barulho se aproximando. Eu me sentava bem na ponta do banco: e minha felicidade começava. Atravessar a cidade escura me dava algo que jamais tive de novo. No bonde mesmo o tempo começava a clarear e uma luz trêmula de sol escondido nos banhava e banhava o mundo.
        Eu olhava tudo: as poucas pessoas na rua, a passagem pelo campo com os bichos-de-pé: “Olhe um porco de verdade!” gritei uma vez, e a frase de deslumbramento ficou sendo uma das brincadeiras de minha família, que de vez em quando me dizia rindo: “Olhe um porco de verdade.”
          Passávamos por cavalos belos que esperavam de pé pelo amanhecer.
       Eu não sei da infância alheia. Mas essa viagem diária me tornava uma criança completa de alegria. E me serviu como promessa de felicidade para o futuro. Minha capacidade de ser feliz se revelava. Eu me agarrava, dentro de uma infância muito infeliz, a essa ilha encantada que era a viagem diária.
        No bonde mesmo começava a amanhecer. Meu coração batia forte ao nos aproximarmos de Olinda. Finalmente saltávamos e íamos andando para as cabinas pisando em terreno já de areia misturada com plantas. Mudávamos de roupa nas cabinas. E nunca um corpo desabrochou como o meu quando eu saía da cabina e sabia o que me esperava.
         O mar de Olinda era muito perigoso. Davam-se alguns passos em um fundo raso e de repente caía-se num fundo de dois metros, calculo.
       O cheiro do mar me invadia e me embriagava. As algas boiavam. Oh, bem sei que não estou transmitindo o que significavam como vida pura esses banhos em jejum, com o sol se levantando pálido ainda no horizonte. Bem sei que estou tão emocionada que não consigo escrever. O mar de Olinda era muito iodado e salgado. E eu fazia o que no futuro sempre iria fazer: com as mãos em concha, eu as mergulhava nas águas, e trazia um pouco do mar até minha boca: eu bebia diariamente o mar, de tal modo queria me unir a ele.
        Não demorávamos muito. O sol já se levantara todo, e meu pai tinha que trabalhar cedo [...].

Fonte: LISPECTOR, Clarice. Banho de mar. In: Todas as crônicas. Rio de Janeiro, Rocco, 2018, p. 193-195. Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/12670/banhos-de-mar . Acesso em: 11 ago. 2024, com adaptações.
Assinale a alternativa que contém um fragmento que explicita a alegria da narradora em sua viagem até Olinda.
Alternativas
Respostas
3741: E
3742: D
3743: C
3744: D
3745: A
3746: D
3747: C
3748: D
3749: A
3750: B
3751: D
3752: A
3753: B
3754: E
3755: C
3756: C
3757: C
3758: E
3759: A
3760: D