Questões de Concurso Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q3109428 Português
Texto CB4A1


       Não se sabe exatamente se a primeira eleição a que Rui Barbosa concorreu foi para deputado provincial, na Bahia, em 1875. Vagou-se um cargo na Assembleia Provincial, em razão da morte de um de seus membros, João Victor de Carvalho. As províncias do Império foram divididas em distritos eleitorais de três deputados cada um, eleitos por maioria relativa de votos.
        A eleição dos membros das Assembleias Provinciais far-se-ia da mesma maneira que a dos deputados à Assembleia Geral, não havendo suplentes: no caso de “morte do deputado, opção por outro distrito, ou perda do seu lugar por qualquer motivo”, proceder-se-ia a uma nova eleição no mesmo distrito.
         Luiz Vianna Filho — que é, reconhecidamente, junto com João Mangabeira, um dos mais completos biógrafos de Rui — nega essa candidatura. E diz:
         “No prestimoso volume Correspondência, em que reuniu cartas e documentos de Rui Barbosa, publica o Sr. Homero Pires uma circular de Rui dirigida aos eleitores do 3.º Distrito, datada de 4 de outubro de 1875, e à qual pôs o Dr. Homero Pires a seguinte nota: ‘Somente em 1878 Rui Barbosa teve ingresso na Assembleia Legislativa Provincial da Bahia’. De fato, a circular existe em facsímile no arquivo da Fundação Casa Rui Barbosa. Entretanto, uma vez que essa nota pode suscitar equívoco, deve ser esclarecido que, na realidade, Rui, candidato em 1878, o foi nesse ano pela primeira vez. Até porque, em 1875, estava o Partido Liberal afastado das lides eleitorais, atitude que só foi modificada em 19 de março de 1876.”
      Vianna alega, ainda, que o próprio Rui, “ao responder à comissão promotora da candidatura dele pelo 1.º Distrito da Corte, em 1889, declara expressamente: ‘Nos cinco escrutínios em que corri os azares da luta eleitoral...’. Ora, os cinco escrutínios são o de 1878, o de 1881, o de 1884, o de 1886 e o de 1888”.
           Mas, se a circular é de 4 de outubro de 1875, não se sabendo se teria sido distribuída, a eleição, a que parece Rui ter concorrido, foi em 10 de janeiro daquele ano. E há um parecer da Comissão de Poderes da Assembleia, lido em 3 de março de 1875, que indica o resultado do pleito: Francisco José da Costa – 182 votos; Tenente Coronel Manuel Jerônimo Ferreira – 39 votos; Rui Barbosa – 6 votos; Cícero Emiliano Alcamim – 1 voto.
       O parecer conclui: “[...] considerando que se acha regular a referida eleição, contra a qual não houve reclamação, é de parecer que seja declarado deputado à Assembleia Provincial pelo 1.º Distrito o Dr. Francisco José da Costa, que obteve maior soma de votos”. 


Walter Costa Porto. Rui Barbosa e o voto. In: Estudos Eleitorais na História. v. 11, n.º 3, setembro/dezembro 2016. Brasília: Escola Judiciária eleitoral, 2017. Internet: <bibliotecadigital.tse.jus.br> (com adaptações).
Julgue o item que se segue, de acordo com as ideias veiculadas no texto CB4A1.

Segundo o texto, é a circular de 4 de outubro de 1875 que comprova que o resultado do pleito ocorrido em 10 de janeiro desse mesmo ano indicava a vitória de Francisco José da Costa.
Alternativas
Q3109427 Português
Texto CB4A1


       Não se sabe exatamente se a primeira eleição a que Rui Barbosa concorreu foi para deputado provincial, na Bahia, em 1875. Vagou-se um cargo na Assembleia Provincial, em razão da morte de um de seus membros, João Victor de Carvalho. As províncias do Império foram divididas em distritos eleitorais de três deputados cada um, eleitos por maioria relativa de votos.
        A eleição dos membros das Assembleias Provinciais far-se-ia da mesma maneira que a dos deputados à Assembleia Geral, não havendo suplentes: no caso de “morte do deputado, opção por outro distrito, ou perda do seu lugar por qualquer motivo”, proceder-se-ia a uma nova eleição no mesmo distrito.
         Luiz Vianna Filho — que é, reconhecidamente, junto com João Mangabeira, um dos mais completos biógrafos de Rui — nega essa candidatura. E diz:
         “No prestimoso volume Correspondência, em que reuniu cartas e documentos de Rui Barbosa, publica o Sr. Homero Pires uma circular de Rui dirigida aos eleitores do 3.º Distrito, datada de 4 de outubro de 1875, e à qual pôs o Dr. Homero Pires a seguinte nota: ‘Somente em 1878 Rui Barbosa teve ingresso na Assembleia Legislativa Provincial da Bahia’. De fato, a circular existe em facsímile no arquivo da Fundação Casa Rui Barbosa. Entretanto, uma vez que essa nota pode suscitar equívoco, deve ser esclarecido que, na realidade, Rui, candidato em 1878, o foi nesse ano pela primeira vez. Até porque, em 1875, estava o Partido Liberal afastado das lides eleitorais, atitude que só foi modificada em 19 de março de 1876.”
      Vianna alega, ainda, que o próprio Rui, “ao responder à comissão promotora da candidatura dele pelo 1.º Distrito da Corte, em 1889, declara expressamente: ‘Nos cinco escrutínios em que corri os azares da luta eleitoral...’. Ora, os cinco escrutínios são o de 1878, o de 1881, o de 1884, o de 1886 e o de 1888”.
           Mas, se a circular é de 4 de outubro de 1875, não se sabendo se teria sido distribuída, a eleição, a que parece Rui ter concorrido, foi em 10 de janeiro daquele ano. E há um parecer da Comissão de Poderes da Assembleia, lido em 3 de março de 1875, que indica o resultado do pleito: Francisco José da Costa – 182 votos; Tenente Coronel Manuel Jerônimo Ferreira – 39 votos; Rui Barbosa – 6 votos; Cícero Emiliano Alcamim – 1 voto.
       O parecer conclui: “[...] considerando que se acha regular a referida eleição, contra a qual não houve reclamação, é de parecer que seja declarado deputado à Assembleia Provincial pelo 1.º Distrito o Dr. Francisco José da Costa, que obteve maior soma de votos”. 


Walter Costa Porto. Rui Barbosa e o voto. In: Estudos Eleitorais na História. v. 11, n.º 3, setembro/dezembro 2016. Brasília: Escola Judiciária eleitoral, 2017. Internet: <bibliotecadigital.tse.jus.br> (com adaptações).
Julgue o item que se segue, de acordo com as ideias veiculadas no texto CB4A1.

O Partido Liberal estava impedido por meios legais de participar das eleições no ano de 1875, situação que só foi alterada no ano seguinte. 
Alternativas
Q3109426 Português
Texto CB4A1


       Não se sabe exatamente se a primeira eleição a que Rui Barbosa concorreu foi para deputado provincial, na Bahia, em 1875. Vagou-se um cargo na Assembleia Provincial, em razão da morte de um de seus membros, João Victor de Carvalho. As províncias do Império foram divididas em distritos eleitorais de três deputados cada um, eleitos por maioria relativa de votos.
        A eleição dos membros das Assembleias Provinciais far-se-ia da mesma maneira que a dos deputados à Assembleia Geral, não havendo suplentes: no caso de “morte do deputado, opção por outro distrito, ou perda do seu lugar por qualquer motivo”, proceder-se-ia a uma nova eleição no mesmo distrito.
         Luiz Vianna Filho — que é, reconhecidamente, junto com João Mangabeira, um dos mais completos biógrafos de Rui — nega essa candidatura. E diz:
         “No prestimoso volume Correspondência, em que reuniu cartas e documentos de Rui Barbosa, publica o Sr. Homero Pires uma circular de Rui dirigida aos eleitores do 3.º Distrito, datada de 4 de outubro de 1875, e à qual pôs o Dr. Homero Pires a seguinte nota: ‘Somente em 1878 Rui Barbosa teve ingresso na Assembleia Legislativa Provincial da Bahia’. De fato, a circular existe em facsímile no arquivo da Fundação Casa Rui Barbosa. Entretanto, uma vez que essa nota pode suscitar equívoco, deve ser esclarecido que, na realidade, Rui, candidato em 1878, o foi nesse ano pela primeira vez. Até porque, em 1875, estava o Partido Liberal afastado das lides eleitorais, atitude que só foi modificada em 19 de março de 1876.”
      Vianna alega, ainda, que o próprio Rui, “ao responder à comissão promotora da candidatura dele pelo 1.º Distrito da Corte, em 1889, declara expressamente: ‘Nos cinco escrutínios em que corri os azares da luta eleitoral...’. Ora, os cinco escrutínios são o de 1878, o de 1881, o de 1884, o de 1886 e o de 1888”.
           Mas, se a circular é de 4 de outubro de 1875, não se sabendo se teria sido distribuída, a eleição, a que parece Rui ter concorrido, foi em 10 de janeiro daquele ano. E há um parecer da Comissão de Poderes da Assembleia, lido em 3 de março de 1875, que indica o resultado do pleito: Francisco José da Costa – 182 votos; Tenente Coronel Manuel Jerônimo Ferreira – 39 votos; Rui Barbosa – 6 votos; Cícero Emiliano Alcamim – 1 voto.
       O parecer conclui: “[...] considerando que se acha regular a referida eleição, contra a qual não houve reclamação, é de parecer que seja declarado deputado à Assembleia Provincial pelo 1.º Distrito o Dr. Francisco José da Costa, que obteve maior soma de votos”. 


Walter Costa Porto. Rui Barbosa e o voto. In: Estudos Eleitorais na História. v. 11, n.º 3, setembro/dezembro 2016. Brasília: Escola Judiciária eleitoral, 2017. Internet: <bibliotecadigital.tse.jus.br> (com adaptações).
Julgue o item que se segue, de acordo com as ideias veiculadas no texto CB4A1.

Depreende-se da leitura dos parágrafos iniciais do texto que o deputado João Victor de Carvalho não tinha suplente. 
Alternativas
Q3109424 Português
Texto CB4A1


       Não se sabe exatamente se a primeira eleição a que Rui Barbosa concorreu foi para deputado provincial, na Bahia, em 1875. Vagou-se um cargo na Assembleia Provincial, em razão da morte de um de seus membros, João Victor de Carvalho. As províncias do Império foram divididas em distritos eleitorais de três deputados cada um, eleitos por maioria relativa de votos.
        A eleição dos membros das Assembleias Provinciais far-se-ia da mesma maneira que a dos deputados à Assembleia Geral, não havendo suplentes: no caso de “morte do deputado, opção por outro distrito, ou perda do seu lugar por qualquer motivo”, proceder-se-ia a uma nova eleição no mesmo distrito.
         Luiz Vianna Filho — que é, reconhecidamente, junto com João Mangabeira, um dos mais completos biógrafos de Rui — nega essa candidatura. E diz:
         “No prestimoso volume Correspondência, em que reuniu cartas e documentos de Rui Barbosa, publica o Sr. Homero Pires uma circular de Rui dirigida aos eleitores do 3.º Distrito, datada de 4 de outubro de 1875, e à qual pôs o Dr. Homero Pires a seguinte nota: ‘Somente em 1878 Rui Barbosa teve ingresso na Assembleia Legislativa Provincial da Bahia’. De fato, a circular existe em facsímile no arquivo da Fundação Casa Rui Barbosa. Entretanto, uma vez que essa nota pode suscitar equívoco, deve ser esclarecido que, na realidade, Rui, candidato em 1878, o foi nesse ano pela primeira vez. Até porque, em 1875, estava o Partido Liberal afastado das lides eleitorais, atitude que só foi modificada em 19 de março de 1876.”
      Vianna alega, ainda, que o próprio Rui, “ao responder à comissão promotora da candidatura dele pelo 1.º Distrito da Corte, em 1889, declara expressamente: ‘Nos cinco escrutínios em que corri os azares da luta eleitoral...’. Ora, os cinco escrutínios são o de 1878, o de 1881, o de 1884, o de 1886 e o de 1888”.
           Mas, se a circular é de 4 de outubro de 1875, não se sabendo se teria sido distribuída, a eleição, a que parece Rui ter concorrido, foi em 10 de janeiro daquele ano. E há um parecer da Comissão de Poderes da Assembleia, lido em 3 de março de 1875, que indica o resultado do pleito: Francisco José da Costa – 182 votos; Tenente Coronel Manuel Jerônimo Ferreira – 39 votos; Rui Barbosa – 6 votos; Cícero Emiliano Alcamim – 1 voto.
       O parecer conclui: “[...] considerando que se acha regular a referida eleição, contra a qual não houve reclamação, é de parecer que seja declarado deputado à Assembleia Provincial pelo 1.º Distrito o Dr. Francisco José da Costa, que obteve maior soma de votos”. 


Walter Costa Porto. Rui Barbosa e o voto. In: Estudos Eleitorais na História. v. 11, n.º 3, setembro/dezembro 2016. Brasília: Escola Judiciária eleitoral, 2017. Internet: <bibliotecadigital.tse.jus.br> (com adaptações).
Julgue o item que se segue, de acordo com as ideias veiculadas no texto CB4A1.

É correto concluir do texto que o Brasil adota o sistema de eleição por maioria relativa de votos, sem interrupções, desde a época do Império.
Alternativas
Q3109423 Português
Texto CB4A1


       Não se sabe exatamente se a primeira eleição a que Rui Barbosa concorreu foi para deputado provincial, na Bahia, em 1875. Vagou-se um cargo na Assembleia Provincial, em razão da morte de um de seus membros, João Victor de Carvalho. As províncias do Império foram divididas em distritos eleitorais de três deputados cada um, eleitos por maioria relativa de votos.
        A eleição dos membros das Assembleias Provinciais far-se-ia da mesma maneira que a dos deputados à Assembleia Geral, não havendo suplentes: no caso de “morte do deputado, opção por outro distrito, ou perda do seu lugar por qualquer motivo”, proceder-se-ia a uma nova eleição no mesmo distrito.
         Luiz Vianna Filho — que é, reconhecidamente, junto com João Mangabeira, um dos mais completos biógrafos de Rui — nega essa candidatura. E diz:
         “No prestimoso volume Correspondência, em que reuniu cartas e documentos de Rui Barbosa, publica o Sr. Homero Pires uma circular de Rui dirigida aos eleitores do 3.º Distrito, datada de 4 de outubro de 1875, e à qual pôs o Dr. Homero Pires a seguinte nota: ‘Somente em 1878 Rui Barbosa teve ingresso na Assembleia Legislativa Provincial da Bahia’. De fato, a circular existe em facsímile no arquivo da Fundação Casa Rui Barbosa. Entretanto, uma vez que essa nota pode suscitar equívoco, deve ser esclarecido que, na realidade, Rui, candidato em 1878, o foi nesse ano pela primeira vez. Até porque, em 1875, estava o Partido Liberal afastado das lides eleitorais, atitude que só foi modificada em 19 de março de 1876.”
      Vianna alega, ainda, que o próprio Rui, “ao responder à comissão promotora da candidatura dele pelo 1.º Distrito da Corte, em 1889, declara expressamente: ‘Nos cinco escrutínios em que corri os azares da luta eleitoral...’. Ora, os cinco escrutínios são o de 1878, o de 1881, o de 1884, o de 1886 e o de 1888”.
           Mas, se a circular é de 4 de outubro de 1875, não se sabendo se teria sido distribuída, a eleição, a que parece Rui ter concorrido, foi em 10 de janeiro daquele ano. E há um parecer da Comissão de Poderes da Assembleia, lido em 3 de março de 1875, que indica o resultado do pleito: Francisco José da Costa – 182 votos; Tenente Coronel Manuel Jerônimo Ferreira – 39 votos; Rui Barbosa – 6 votos; Cícero Emiliano Alcamim – 1 voto.
       O parecer conclui: “[...] considerando que se acha regular a referida eleição, contra a qual não houve reclamação, é de parecer que seja declarado deputado à Assembleia Provincial pelo 1.º Distrito o Dr. Francisco José da Costa, que obteve maior soma de votos”. 


Walter Costa Porto. Rui Barbosa e o voto. In: Estudos Eleitorais na História. v. 11, n.º 3, setembro/dezembro 2016. Brasília: Escola Judiciária eleitoral, 2017. Internet: <bibliotecadigital.tse.jus.br> (com adaptações).
Julgue o item que se segue, de acordo com as ideias veiculadas no texto CB4A1.

De acordo com a fala de Luiz Vianna Filho apresentada no texto, as cartas e os documentos reunidos pelo Sr. Homero Pires deixam clara a inexistência de consenso sobre a candidatura de Rui Barbosa ao cargo de deputado na Província da Bahia no ano de 1878.
Alternativas
Q3109323 Português
Texto I

O Etarismo no Brasil


   Infelizmente, o etarismo é uma realidade presente em diversos aspectos da vida das pessoas idosas no Brasil. No mercado de trabalho, muitas vezes, elas são excluídas de oportunidades de emprego devido a preconceitos e estereótipos negativos relacionados à sua idade. Isso ocorre apesar das experiências, habilidades e conhecimentos valiosos que muitos idosos possuem e poderiam compartilhar, lamentavelmente.

    O que é o Etarismo?

  O etarismo, também conhecido como ageísmo ou idadismo, envolve estereótipos e uma visão preconceituosa em relação às pessoas. Ele se refere à discriminação e ao preconceito às pessoas com base em sua idade. O etarismo contribui para a segregação da população e está vinculado a padrões sociais estabelecidos na sociedade, como a valorização da produtividade e da juventude, bem como o acesso desigual às novas tecnologias. É uma forma de discriminação que se baseia na ideia de que a idade avançada é um fator negativo ou inferior, levando a estereótipos negativos, tratamento injusto e exclusão social.

    O etarismo pode se manifestar de várias maneiras, tanto em níveis individuais quanto estruturais. No nível individual, pode ocorrer por meio de comentários depreciativos, ridicularização, marginalização ou tratamento desrespeitoso em relação a pessoas mais velhas. Isso pode acontecer em ambientes pessoais, sociais ou profissionais, incluindo interações cotidianas, no mercado de trabalho, nos serviços de saúde e na mídia.

   Em níveis estruturais, o etarismo se reflete em políticas, práticas e normas sociais que limitam ou negam oportunidades e direitos às pessoas idosas. Isso pode incluir a falta de acessibilidade em espaços públicos, discriminação no mercado de trabalho, estereótipos negativos nas representações midiáticas, falta de cuidados de saúde adequados e restrições nas esferas política e cultural.

   O etarismo é prejudicial não apenas para as pessoas idosas, mas também para a sociedade como um todo. Ele perpetua estereótipos negativos, impede a participação ativa e produtiva das pessoas mais velhas e contribui para a exclusão social e o isolamento. Além disso, o etarismo limita o acesso a valiosas contribuições e experiências que as pessoas idosas podem oferecer em diversas áreas da vida.

   O etarismo pode ser considerado um crime de injúria quando alguém tem sua honra ou dignidade prejudicada, porém, isso é aplicável apenas quando se trata de pessoas idosas com 60 anos ou mais. Recentemente, um caso envolvendo uma estudante de Biomedicina de 45 anos, residente em Bauru, interior de São Paulo, foi alvo de ridicularização por seus colegas de classe devido à sua idade. Em resposta a essa situação, o deputado Fábio Macedo propôs uma medida para ampliar essa proteção contra o etarismo, tornando-a aplicável a qualquer faixa etária.

   Com o envelhecimento da população e o crescente investimento em qualidade de vida, muitos países ao redor do mundo estão lidando com a produtividade, vitalidade e alegria da Terceira Idade em diversos espaços e profissões. Ainda assim, o preconceito social segue crescendo e se disseminando na sociedade.

    Mas é só com pessoas idosas?

    Os preconceitos podem afetar tanto os jovens quanto os mais velhos. De acordo com uma pesquisa, 73% dos profissionais das gerações Y (nascidos entre 1980 e 1989) e Z (nascidos entre 1990 e 2010) sentem que são subestimados devido à sua idade mais jovem. Por outro lado, 66% dos profissionais da geração X (nascidos entre meados da década de 1960 até 1979) sentem que os mais jovens duvidam de seu profissionalismo. Esses dados ilustram como os estereótipos etários podem afetar diferentes faixas etárias no ambiente de trabalho.

    No caso citado, a universitária Patrícia Linares, 45, registrou um boletim de ocorrência por injúria e difamação contra as três jovens que gravaram um vídeo e publicaram em uma rede social em que praticam discriminação etária contra ela. Nestes casos, a vítima deve procurar uma delegacia, prestar queixa e fazer valer seus direitos. Mas lembre-se de que cada situação é única, e as medidas a serem tomadas podem variar de acordo com o contexto e as leis locais. É importante cuidar do seu bem-estar emocional e buscar o suporte necessário para enfrentar o etarismo de maneira adequada. A luta contra o etarismo é dever de todos, já que praticamente ninguém quer morrer jovem.


Disponível em https://www.verifact.com.br/etarismo-e-crime/#:~:text=forma%20de%20discrimina%C3%A7%C3%A3o.- ,O%20Etarismo%20no%20Brasil,negativos%20relacionados%20%C3%A0%20sua%20idade. Com adaptações.
Analise o excerto extraído do Texto: “O etarismo pode se manifestar de várias maneiras, tanto em níveis individuais quanto estruturais”. Como exemplo de etarismo em nível individual e em nível estrutural, temos, respectivamente,
Alternativas
Q3109219 Português
      Quando eu cheguei à seção onde tinha de votar, achei três mesários e cinco eleitores. Os eleitores falavam do tempo. Contavam os maiores verões que temos tido; um deles opinava que o verão, em si mesmo, não era mau, mas que as febres é que o tornavam detestável. A quanto não ia a amarela? Chegaram mais três eleitores, depois um, depois sete, que, pelo ar, pareciam da mesma casa. Os minutos iam com aquele vagar do costume quando a gente está com pressa. Mais três eleitores. Nove horas e meia. Os conhecidos faziam roda. Uns falavam mal dos gelados, outros tratavam do câmbio.

         Nove e três quartos. Trinta e cinco eleitores. Alguns almoçados. Os almoçados interpretavam o regulamento eleitoral diferentemente dos que o não eram. Daí algumas conversações particulares à meia voz, dizendo uns que a chamada devia começar às dez horas em ponto, outros que antes.

      — Meus senhores, vai começar a chamada — disse o presidente da mesa.

     Eram dez horas menos um minuto. Havia quarenta e sete eleitores. Abriram-se as urnas, que foram mostradas aos eleitores, a fim de que eles vissem que não havia nada dentro. Os cinco mesários já estavam sentados, com os livros, papéis e penas. O presidente fez esta advertência:

      — Previno aos senhores eleitores que as cédulas que contiverem nomes riscados e substituídos não serão apuradas; é disposição da lei nova.

     Quis protestar contra a lei nova. Pareceu-me opressiva da liberdade eleitoral. Pois eu escolho um nome, para presidente da República, suponhamos; ou senador, ou deputado que seja; em caminho, ao descer do bonde, acho que o nome não é tão bom como o outro, e não posso entrar numa loja, abrir a cédula e trocar o voto?

       — Antônio José Pereira

       — chamava o mesário.

       — Está na Europa — dizia um eleitor, explicando o silêncio.

        — Pôncio Pilatos!

        — Morreu, senhor; está no Credo.

      Tinha começado a chamada e prosseguia lentamente para não dar lugar a reclamações. Nove décimos dos eleitores não respondiam por isto ou por aquilo.

         — Padre Diogo Antônio Feijó!

        — prosseguia o mesário. Pausa.
     
        — Padre Diogo Antônio Feijó!
   
          Pausa.

       Eu gemia em silêncio. Consultei o relógio; faltavam sete minutos para as onze, e ainda não começara o meu quarteirão. Quis espairecer, levantei-me, fui até a porta, onde achei dois eleitores, fumando e falando de moças bonitas. Conhecia-os; eram do meu quarteirão.

       Enfim, começou o meu quarteirão; respirei, mas respirei cedo, porque a lista era quase toda composta de abstencionistas, e os nomes dos ausentes ou mortos gastam mais tempo, pela necessidade de esperar que os donos apareçam. Chegou a minha vez. Votei e corri a almoçar. Relevem a vulgaridade da ação. Tartufo, neste ponto, emendaria o seu próprio autor:


       “Ah! Pour être électeur, je n’en suis pas moins homme [Ah! Um eleitor, mas nem por isso menos homem].” 


Machado de Assis. Gazeta de Notícias. Rio de Janeiro, 4 de março de 1894 (com adaptações).  
Acerca das características do texto precedente, bem como das ideias nele veiculadas e de seus aspectos linguísticos, julgue o item seguinte. 

É possível concluir corretamente do texto que houve um alto índice de abstenção na seção eleitoral a que o narrador compareceu.
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Q3109205 Português
Texto CB4A1


       Não se sabe exatamente se a primeira eleição a que Rui Barbosa concorreu foi para deputado provincial, na Bahia, em 1875. Vagou-se um cargo na Assembleia Provincial, em razão da morte de um de seus membros, João Victor de Carvalho. As províncias do Império foram divididas em distritos eleitorais de três deputados cada um, eleitos por maioria relativa de votos.
        A eleição dos membros das Assembleias Provinciais far-se-ia da mesma maneira que a dos deputados à Assembleia Geral, não havendo suplentes: no caso de “morte do deputado, opção por outro distrito, ou perda do seu lugar por qualquer motivo”, proceder-se-ia a uma nova eleição no mesmo distrito.
         Luiz Vianna Filho — que é, reconhecidamente, junto com João Mangabeira, um dos mais completos biógrafos de Rui — nega essa candidatura. E diz:
         “No prestimoso volume Correspondência, em que reuniu cartas e documentos de Rui Barbosa, publica o Sr. Homero Pires uma circular de Rui dirigida aos eleitores do 3.º Distrito, datada de 4 de outubro de 1875, e à qual pôs o Dr. Homero Pires a seguinte nota: ‘Somente em 1878 Rui Barbosa teve ingresso na Assembleia Legislativa Provincial da Bahia’. De fato, a circular existe em fac-símile no arquivo da Fundação Casa Rui Barbosa. Entretanto, uma vez que essa nota pode suscitar equívoco, deve ser esclarecido que, na realidade, Rui, candidato em 1878, o foi nesse ano pela primeira vez. Até porque, em 1875, estava o Partido Liberal afastado das lides eleitorais, atitude que só foi modificada em 19 de março de 1876.”
      Vianna alega, ainda, que o próprio Rui, “ao responder à comissão promotora da candidatura dele pelo 1.º Distrito da Corte, em 1889, declara expressamente: ‘Nos cinco escrutínios em que corri os azares da luta eleitoral...’. Ora, os cinco escrutínios são o de 1878, o de 1881, o de 1884, o de 1886 e o de 1888”.
           Mas, se a circular é de 4 de outubro de 1875, não se sabendo se teria sido distribuída, a eleição, a que parece Rui ter concorrido, foi em 10 de janeiro daquele ano. E há um parecer da Comissão de Poderes da Assembleia, lido em 3 de março de 1875, que indica o resultado do pleito: Francisco José da Costa – 182 votos; Tenente Coronel Manuel Jerônimo Ferreira – 39 votos; Rui Barbosa – 6 votos; Cícero Emiliano Alcamim – 1 voto.
       O parecer conclui: “[...] considerando que se acha regular a referida eleição, contra a qual não houve reclamação, é de parecer que seja declarado deputado à Assembleia Provincial pelo 1.º Distrito o Dr. Francisco José da Costa, que obteve maior soma de votos”. 




Walter Costa Porto. Rui Barbosa e o voto. In: Estudos Eleitorais na História. v. 11, n.º 3, setembro/dezembro 2016. Brasília: Escola Judiciária eleitoral, 2017. Internet: <bibliotecadigital.tse.jus.br> (com adaptações).
Julgue o item que se seguem, de acordo com as ideias veiculadas no texto CB4A1.

De acordo com a fala de Luiz Vianna Filho apresentada no texto, as cartas e os documentos reunidos pelo Sr. Homero Pires deixam clara a inexistência de consenso sobre a candidatura de Rui Barbosa ao cargo de deputado na Província da Bahia no ano de 1878. 
Alternativas
Q3109204 Português
Texto CB4A1


       Não se sabe exatamente se a primeira eleição a que Rui Barbosa concorreu foi para deputado provincial, na Bahia, em 1875. Vagou-se um cargo na Assembleia Provincial, em razão da morte de um de seus membros, João Victor de Carvalho. As províncias do Império foram divididas em distritos eleitorais de três deputados cada um, eleitos por maioria relativa de votos.
        A eleição dos membros das Assembleias Provinciais far-se-ia da mesma maneira que a dos deputados à Assembleia Geral, não havendo suplentes: no caso de “morte do deputado, opção por outro distrito, ou perda do seu lugar por qualquer motivo”, proceder-se-ia a uma nova eleição no mesmo distrito.
         Luiz Vianna Filho — que é, reconhecidamente, junto com João Mangabeira, um dos mais completos biógrafos de Rui — nega essa candidatura. E diz:
         “No prestimoso volume Correspondência, em que reuniu cartas e documentos de Rui Barbosa, publica o Sr. Homero Pires uma circular de Rui dirigida aos eleitores do 3.º Distrito, datada de 4 de outubro de 1875, e à qual pôs o Dr. Homero Pires a seguinte nota: ‘Somente em 1878 Rui Barbosa teve ingresso na Assembleia Legislativa Provincial da Bahia’. De fato, a circular existe em fac-símile no arquivo da Fundação Casa Rui Barbosa. Entretanto, uma vez que essa nota pode suscitar equívoco, deve ser esclarecido que, na realidade, Rui, candidato em 1878, o foi nesse ano pela primeira vez. Até porque, em 1875, estava o Partido Liberal afastado das lides eleitorais, atitude que só foi modificada em 19 de março de 1876.”
      Vianna alega, ainda, que o próprio Rui, “ao responder à comissão promotora da candidatura dele pelo 1.º Distrito da Corte, em 1889, declara expressamente: ‘Nos cinco escrutínios em que corri os azares da luta eleitoral...’. Ora, os cinco escrutínios são o de 1878, o de 1881, o de 1884, o de 1886 e o de 1888”.
           Mas, se a circular é de 4 de outubro de 1875, não se sabendo se teria sido distribuída, a eleição, a que parece Rui ter concorrido, foi em 10 de janeiro daquele ano. E há um parecer da Comissão de Poderes da Assembleia, lido em 3 de março de 1875, que indica o resultado do pleito: Francisco José da Costa – 182 votos; Tenente Coronel Manuel Jerônimo Ferreira – 39 votos; Rui Barbosa – 6 votos; Cícero Emiliano Alcamim – 1 voto.
       O parecer conclui: “[...] considerando que se acha regular a referida eleição, contra a qual não houve reclamação, é de parecer que seja declarado deputado à Assembleia Provincial pelo 1.º Distrito o Dr. Francisco José da Costa, que obteve maior soma de votos”. 




Walter Costa Porto. Rui Barbosa e o voto. In: Estudos Eleitorais na História. v. 11, n.º 3, setembro/dezembro 2016. Brasília: Escola Judiciária eleitoral, 2017. Internet: <bibliotecadigital.tse.jus.br> (com adaptações).
Julgue o item que se seguem, de acordo com as ideias veiculadas no texto CB4A1.

Depreende-se da leitura dos parágrafos iniciais do texto que o deputado João Victor de Carvalho não tinha suplente.
Alternativas
Q3109085 Português
Texto

A ética como valor essencial


   Ética é o nome dado ao ramo da filosofia dedicado aos assuntos morais. A palavra ética é derivada do grego, e significa modo de ser. Ela é confundida com frequência com a lei que tem como base princípios éticos. Ela é também relacionada com a moral, mas são diferentes. A moral se fundamenta na obediência a normas, costumes ou mandamentos culturais, hierárquicos ou religiosos, e a ética busca fundamentar o modo de viver e ser.

  A ética é transversal para todas as áreas de conhecimento, como, por exemplo, na Economia. Segundo Charles K. Wilber, a Economia e a ética estão relacionadas pois ambos os economistas (teóricos e os construtores de políticas) e os atores econômicos (produtores, consumidores e trabalhadores) seguem princípios éticos que moldam os seus comportamentos.

    Se só existisse um ser humano no planeta, não existiria a questão ética, porque ela é a regulação da conduta, da vida coletiva. A ética pode e deve ser utilizada como tema na educação formal e informal. Ela deve ser semeada nos primeiros anos de vida e deve permear e se consolidar na educação básica e superior.

   Um dos mais importantes objetivos da educação é a de formar cidadãos utilizando como conteúdos assuntos que estejam relacionados com as questões sociais que marcam cada momento histórico para que os estudantes possam exercer seus direitos e deveres. A falta de ética na sociedade dificulta as relações profissionais e pessoais causando um comportamento social inadequado.

   Dessa forma, a ética e a responsabilidade social são pilares na educação. Ao mesmo tempo ela é a bússola para descobrirmos os caminhos que nos conduzem a uma vida virtuosa. Nessa ótica podemos minimizar ou eliminar problemas como a corrupção, violência, os preconceitos, a segregação social, as práticas contrárias à igualdade, os conflitos entre classes e etnia, as violências contra as mulheres, a gravidez precoce, os suicídios e nossa relação e respeito à natureza.

    A incorporação de princípios éticos é construída por uma forte parceria entre a escola com a família e com os meios de comunicação e deve ser iniciada na primeira infância (0 a 6 anos). Quanto mais cedo o ser humano refletir sobre a ética, mais cedo iniciará o seu amadurecimento e estará mais preparado para enfrentar as questões do convívio social no dia a dia.

    Ouvimos a toda hora que atualmente muitos problemas que o Brasil enfrenta são o resultado de que os representantes da população no governo deveriam cuidar dos interesses do povo, mas em muitos casos aprovam decisões em benefício próprio. No entanto, essa realidade não é exclusividade dos políticos, sendo um comportamento cultural, “levar vantagem em tudo”. Sendo assim, uma das formas de provocar mudanças na formação dos cidadãos é inserir desde cedo noções éticas na rotina escolar das crianças.

    Assistimos perplexos a um distanciamento cada vez maior entre educação e formação. Crianças e adolescentes recebem oceanos de informações prontas, desconexas e, muitas vezes, inúteis, que são incapazes de processar e integrar em um projeto de crescimento em conhecimento e sabedoria. A informação por si só não é formação, a ética é.

   Na grave crise sanitária devido à pandemia, com a necessidade de responder urgentemente às necessidades da sociedade, os riscos de perda de valores éticos, principalmente a corrupção, aumentaram. As insanidades cometidas, literalmente, tiraram oxigênio das pessoas.

    Estamos em uma encruzilhada histórica em que podemos agravar as injustiças sociais ou aproveitar este momento de grandes transformações para atacar os problemas pela raiz. Essas transformações devem ser feitas com total transparência, em nome do bem comum, tendo como pano de fundo, uma ética compatível com um avanço civilizatório e ela considerada como valor essencial.


Por Isaac Roitman, professor emérito da Universidade de Brasília, pesquisador emérito do CNPq e membro da Academia Brasileira de Ciências e do Movimento 2022 – 2030 (O Brasil e o Mundo que Queremos), em 9 de julho de 2021. Disponível em https://monitormercantil.com.br/a-etica-como-valor-essencial/.
De acordo com as ideias defendidas pelo professor Isaac Roitman, em seu artigo de opinião acima, a ética 
Alternativas
Q3109083 Português
Texto

A ética como valor essencial


   Ética é o nome dado ao ramo da filosofia dedicado aos assuntos morais. A palavra ética é derivada do grego, e significa modo de ser. Ela é confundida com frequência com a lei que tem como base princípios éticos. Ela é também relacionada com a moral, mas são diferentes. A moral se fundamenta na obediência a normas, costumes ou mandamentos culturais, hierárquicos ou religiosos, e a ética busca fundamentar o modo de viver e ser.

  A ética é transversal para todas as áreas de conhecimento, como, por exemplo, na Economia. Segundo Charles K. Wilber, a Economia e a ética estão relacionadas pois ambos os economistas (teóricos e os construtores de políticas) e os atores econômicos (produtores, consumidores e trabalhadores) seguem princípios éticos que moldam os seus comportamentos.

    Se só existisse um ser humano no planeta, não existiria a questão ética, porque ela é a regulação da conduta, da vida coletiva. A ética pode e deve ser utilizada como tema na educação formal e informal. Ela deve ser semeada nos primeiros anos de vida e deve permear e se consolidar na educação básica e superior.

   Um dos mais importantes objetivos da educação é a de formar cidadãos utilizando como conteúdos assuntos que estejam relacionados com as questões sociais que marcam cada momento histórico para que os estudantes possam exercer seus direitos e deveres. A falta de ética na sociedade dificulta as relações profissionais e pessoais causando um comportamento social inadequado.

   Dessa forma, a ética e a responsabilidade social são pilares na educação. Ao mesmo tempo ela é a bússola para descobrirmos os caminhos que nos conduzem a uma vida virtuosa. Nessa ótica podemos minimizar ou eliminar problemas como a corrupção, violência, os preconceitos, a segregação social, as práticas contrárias à igualdade, os conflitos entre classes e etnia, as violências contra as mulheres, a gravidez precoce, os suicídios e nossa relação e respeito à natureza.

    A incorporação de princípios éticos é construída por uma forte parceria entre a escola com a família e com os meios de comunicação e deve ser iniciada na primeira infância (0 a 6 anos). Quanto mais cedo o ser humano refletir sobre a ética, mais cedo iniciará o seu amadurecimento e estará mais preparado para enfrentar as questões do convívio social no dia a dia.

    Ouvimos a toda hora que atualmente muitos problemas que o Brasil enfrenta são o resultado de que os representantes da população no governo deveriam cuidar dos interesses do povo, mas em muitos casos aprovam decisões em benefício próprio. No entanto, essa realidade não é exclusividade dos políticos, sendo um comportamento cultural, “levar vantagem em tudo”. Sendo assim, uma das formas de provocar mudanças na formação dos cidadãos é inserir desde cedo noções éticas na rotina escolar das crianças.

    Assistimos perplexos a um distanciamento cada vez maior entre educação e formação. Crianças e adolescentes recebem oceanos de informações prontas, desconexas e, muitas vezes, inúteis, que são incapazes de processar e integrar em um projeto de crescimento em conhecimento e sabedoria. A informação por si só não é formação, a ética é.

   Na grave crise sanitária devido à pandemia, com a necessidade de responder urgentemente às necessidades da sociedade, os riscos de perda de valores éticos, principalmente a corrupção, aumentaram. As insanidades cometidas, literalmente, tiraram oxigênio das pessoas.

    Estamos em uma encruzilhada histórica em que podemos agravar as injustiças sociais ou aproveitar este momento de grandes transformações para atacar os problemas pela raiz. Essas transformações devem ser feitas com total transparência, em nome do bem comum, tendo como pano de fundo, uma ética compatível com um avanço civilizatório e ela considerada como valor essencial.


Por Isaac Roitman, professor emérito da Universidade de Brasília, pesquisador emérito do CNPq e membro da Academia Brasileira de Ciências e do Movimento 2022 – 2030 (O Brasil e o Mundo que Queremos), em 9 de julho de 2021. Disponível em https://monitormercantil.com.br/a-etica-como-valor-essencial/.
De acordo com o Texto, ao se afirmar que “...essa realidade não é exclusividade dos políticos, sendo um comportamento cultural, ‘levar vantagem em tudo’”, depreende-se que 
Alternativas
Q3109032 Português
5.png (437×432)
(Disponível em: @desenhosdonando. Acesso em 03 dez. 2024.)
A charge é um exemplo claro de que um texto não precisa, necessariamente, ser verbal para que tenha sentido e comunique com o interlocutor. A partir da leitura da charge de Nando Mota, assinale a alternativa que apresenta o tema central da reflexão do autor: 
Alternativas
Q3109008 Português

Leia o texto a seguir:


Exposição a calor extremo de menores de 1 ano aumentou 250% no Brasil de 2014 a 2023



    Crianças de até um ano no Brasil enfrentaram até 250% mais ondas de calor de 2014 a 2023 comparadas aos bebês de mesma idade no período de 1986 a 2005.


    Similarmente, idosos com mais de 65 anos também vivenciaram 234% mais calor extremo no mesmo período, comparado ao intervalo de tempo anterior.


    Na população economicamente ativa brasileira, a maior exposição a dias de calor representou, também no período de 2014 a 2023, uma perda de 6,2 bilhões de horas de trabalho devido às temperaturas elevadas, gerando uma perda potencial anual de US$ 19,6 milhões (cerca de R$ 152,2 mi corrigidos pela inflação).


    Além disso, o aumento das temperaturas médias anuais no país associado às mudanças climáticas elevaram as precipitações, provocando um crescimento de doenças infecciosas transmitidas por mosquitos, como dengue, de 29% no período. Outras doenças, como as provocadas por inundações e contaminações da água, também cresceram.


    Em contrapartida, nenhuma das dez cidades analisadas desde 2015 melhorou a sua cobertura vegetal ou apresentou estratégias para mitigação dos efeitos do aquecimento global às suas populações.


    As conclusões são do relatório mais recente de saúde e mudança climática Lancet Countdown, produzido pela mais prestigiada revista médica do mundo, que contou com a colaboração de 122 cientistas líderes de agências da ONU (Organização das Nações Unidas) e instituições acadêmicas de todo o mundo.


Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2024/10/exposicao-a-calor-extremo-de-menores-de-1-ano-aumentou-250-no-brasil-de-2014-a-2023.shtml. Excerto. Acesso em 30/10/2024

O objetivo central do texto é:
Alternativas
Q3108989 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


O que pode a música brasileira na cena mundial?

É imenso o interesse que a música brasileira desperta mundo afora. Essa força pulsante, no entanto, enfrenta o desafio das históricas dinâmicas globais

Por Maria Marighella

Hermeto Pascoal, o bruxo dos sons, fez história mais uma vez. Aos 88 anos, o alagoano de Olho d'Água se tornou o primeiro brasileiro a ser homenageado pelo "WOMEX Artist Award", honraria concedida por uma das maiores feiras globais de música, no último domingo, 27 de outubro, na Inglaterra. Hermeto aprendeu, em seu território, as notas da natureza agreste e do nascedouro das águas. Aquele que faz música até com a própria barba colocou na gira do mundo a força inventiva brasileira, gênese da insurgência do povo que somos.

É imenso o interesse que a música brasileira − a voz e a letra da nossa ofensiva sensível − desperta mundo afora. Essa força pulsante, no entanto, enfrenta o desafio das históricas dinâmicas globais: 88% do financiamento para mobilidade internacional concentra-se na Europa e América do Norte, segundo estudo da plataforma "On the Move", em parceria com a "BOP Consulting" (2017).

É ainda mais inquietante que apenas 9% dos destinos de mobilidade estão no "Sul Global" e que apenas 18% dos candidatos aptos a participar de programas de financiamento estão nessa mesma região, o que reflete também as barreiras para a mobilidade Sul-Sul, que, em grande medida, depende desses mesmos fundos internacionais e cooperação multilateral.

Os números, por óbvio, refletem um projeto político de manutenção de relações hegemônicas que se perpetuam, sobretudo, no campo do simbólico. Como, então, reescrever esse trânsito global? O que pode emergir quando outras geografias para as artes são desenhadas? Essas são questões que a arte brasileira, em sua insurgência, nos desafia a encarar.

Com a retomada das relações do Brasil com o mundo, as artes brasileiras retornam à cena global, como ativos da democracia e da diplomacia, espaço de diálogo, identidade e soberania. Programas de cooperação entre países da Ibero-América e África são indicativos de parcerias entre agentes e expansão de mercados Sul-Sul. As artes e artistas são parte fundamental da relação entre países e sociedades, não meros agentes que chegam depois. A mobilidade artística é, portanto, central no processo de construção de um ambiente de cooperação e respeito, que possibilite a aproximação e afetação entre geografias culturais.

Assim como o grande Hermeto, artistas e agentes das artes têm construído uma agenda internacional que reafirma nossas múltiplas narrativas. Uma ofensiva que formula sínteses e constrói, no sensível e no simbólico, a reparação urgente. Esses movimentos nos desafiam a imaginar como novos trânsitos artísticos podem articular pactuações comprometidas com o reconhecimento de culturas e povos subalternizados, com o combate ao racismo e às desigualdades.

Foi a música brasileira que deu a letra e plantou a floresta e o debate climático global no centro da atenção dos agentes presentes na Womex 2024, com o Circuito Amazônico de Festivais, iniciativa que reúne oito iniciativas da Amazônia Legal brasileira. Em um momento em que a crise climática ocupa um lugar decisivo na agenda política internacional, iniciativas como este circuito, elo fundamental da rede das artes, nos convidam a refletir sobre uma ética do existir no mundo, um debate em que a música e a imaginação têm assento.

Fortalecer esses movimentos e desenhar outros circuitos de difusão será fundamental no enfrentamento dos desequilíbrios que os números apresentam. Para que a internacionalização da música brasileira seja continuada e perene, abrindo espaço para novas experiências musicais, são essenciais a criação de diretrizes que orientarão esse campo e a articulação entre instituições que ofereçam mecanismos e deem densidade a esses movimentos, trazendo retornos ao Brasil, aos fazedores de cultura e, sobretudo, às cidadãs e cidadãos brasileiros, que encontram nas artes a expressão de sua identidade. Reconhecer a importância da mobilidade artística é o primeiro passo para a construção de políticas que fortaleçam esse elo fundamental com o mundo, um sistema de diretrizes e garantias, direitos e liberdades que impulsione o encontro e permita ao mundo conhecer aquilo que só tem no Brasil.


(Disponível em: https://midianinja.org/opiniao/o-que-pode-a-musica-brasileira-na-cenamundial/. Acesso em 02 dez. 2024. Adaptado.)
Leia o excerto que segue:

"As artes e artistas são parte fundamental da relação entre países e sociedades, não meros agentes que chegam depois. A mobilidade artística é, portanto, central no processo de construção de um ambiente de cooperação e respeito, que possibilite a aproximação e afetação entre geografias culturais".

A partir da leitura do excerto e do texto como um todo, assinale a alternativa que apresente a explicação correta do que a autora considera como "geografias culturais": 
Alternativas
Q3108988 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


O que pode a música brasileira na cena mundial?

É imenso o interesse que a música brasileira desperta mundo afora. Essa força pulsante, no entanto, enfrenta o desafio das históricas dinâmicas globais

Por Maria Marighella

Hermeto Pascoal, o bruxo dos sons, fez história mais uma vez. Aos 88 anos, o alagoano de Olho d'Água se tornou o primeiro brasileiro a ser homenageado pelo "WOMEX Artist Award", honraria concedida por uma das maiores feiras globais de música, no último domingo, 27 de outubro, na Inglaterra. Hermeto aprendeu, em seu território, as notas da natureza agreste e do nascedouro das águas. Aquele que faz música até com a própria barba colocou na gira do mundo a força inventiva brasileira, gênese da insurgência do povo que somos.

É imenso o interesse que a música brasileira − a voz e a letra da nossa ofensiva sensível − desperta mundo afora. Essa força pulsante, no entanto, enfrenta o desafio das históricas dinâmicas globais: 88% do financiamento para mobilidade internacional concentra-se na Europa e América do Norte, segundo estudo da plataforma "On the Move", em parceria com a "BOP Consulting" (2017).

É ainda mais inquietante que apenas 9% dos destinos de mobilidade estão no "Sul Global" e que apenas 18% dos candidatos aptos a participar de programas de financiamento estão nessa mesma região, o que reflete também as barreiras para a mobilidade Sul-Sul, que, em grande medida, depende desses mesmos fundos internacionais e cooperação multilateral.

Os números, por óbvio, refletem um projeto político de manutenção de relações hegemônicas que se perpetuam, sobretudo, no campo do simbólico. Como, então, reescrever esse trânsito global? O que pode emergir quando outras geografias para as artes são desenhadas? Essas são questões que a arte brasileira, em sua insurgência, nos desafia a encarar.

Com a retomada das relações do Brasil com o mundo, as artes brasileiras retornam à cena global, como ativos da democracia e da diplomacia, espaço de diálogo, identidade e soberania. Programas de cooperação entre países da Ibero-América e África são indicativos de parcerias entre agentes e expansão de mercados Sul-Sul. As artes e artistas são parte fundamental da relação entre países e sociedades, não meros agentes que chegam depois. A mobilidade artística é, portanto, central no processo de construção de um ambiente de cooperação e respeito, que possibilite a aproximação e afetação entre geografias culturais.

Assim como o grande Hermeto, artistas e agentes das artes têm construído uma agenda internacional que reafirma nossas múltiplas narrativas. Uma ofensiva que formula sínteses e constrói, no sensível e no simbólico, a reparação urgente. Esses movimentos nos desafiam a imaginar como novos trânsitos artísticos podem articular pactuações comprometidas com o reconhecimento de culturas e povos subalternizados, com o combate ao racismo e às desigualdades.

Foi a música brasileira que deu a letra e plantou a floresta e o debate climático global no centro da atenção dos agentes presentes na Womex 2024, com o Circuito Amazônico de Festivais, iniciativa que reúne oito iniciativas da Amazônia Legal brasileira. Em um momento em que a crise climática ocupa um lugar decisivo na agenda política internacional, iniciativas como este circuito, elo fundamental da rede das artes, nos convidam a refletir sobre uma ética do existir no mundo, um debate em que a música e a imaginação têm assento.

Fortalecer esses movimentos e desenhar outros circuitos de difusão será fundamental no enfrentamento dos desequilíbrios que os números apresentam. Para que a internacionalização da música brasileira seja continuada e perene, abrindo espaço para novas experiências musicais, são essenciais a criação de diretrizes que orientarão esse campo e a articulação entre instituições que ofereçam mecanismos e deem densidade a esses movimentos, trazendo retornos ao Brasil, aos fazedores de cultura e, sobretudo, às cidadãs e cidadãos brasileiros, que encontram nas artes a expressão de sua identidade. Reconhecer a importância da mobilidade artística é o primeiro passo para a construção de políticas que fortaleçam esse elo fundamental com o mundo, um sistema de diretrizes e garantias, direitos e liberdades que impulsione o encontro e permita ao mundo conhecer aquilo que só tem no Brasil.


(Disponível em: https://midianinja.org/opiniao/o-que-pode-a-musica-brasileira-na-cenamundial/. Acesso em 02 dez. 2024. Adaptado.)
A partir da leitura do texto como um todo, analise as proposições que seguem:

I.A música brasileira é uma força pulsante no mundo, mas enfrenta desafios históricos de mobilidade internacional, fruto das relações hegemônicas de poder que se mantêm, inclusive no campo do simbólico, exercidas pelo Norte Global sobre o Sul Global.
II.As relações do Brasil com outras nações estiveram estagnadas e foram retomadas, possibilitando, inclusive, o retorno das artes brasileiras à cena global, colocando-se como producente da democracia e da diplomacia, como espaço de diálogo, identidade e soberania.
III.Hermeto Pascoal é um ícone da música brasileira, tendo feito história ao longo de sua carreira e, aos 88 anos, tornou-se o primeiro brasileiro homenageado em uma das maiores feiras mundiais de música, recebendo uma honraria por seu feito na música.

É correto o que se afirma em: 
Alternativas
Q3108987 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


O que pode a música brasileira na cena mundial?

É imenso o interesse que a música brasileira desperta mundo afora. Essa força pulsante, no entanto, enfrenta o desafio das históricas dinâmicas globais

Por Maria Marighella

Hermeto Pascoal, o bruxo dos sons, fez história mais uma vez. Aos 88 anos, o alagoano de Olho d'Água se tornou o primeiro brasileiro a ser homenageado pelo "WOMEX Artist Award", honraria concedida por uma das maiores feiras globais de música, no último domingo, 27 de outubro, na Inglaterra. Hermeto aprendeu, em seu território, as notas da natureza agreste e do nascedouro das águas. Aquele que faz música até com a própria barba colocou na gira do mundo a força inventiva brasileira, gênese da insurgência do povo que somos.

É imenso o interesse que a música brasileira − a voz e a letra da nossa ofensiva sensível − desperta mundo afora. Essa força pulsante, no entanto, enfrenta o desafio das históricas dinâmicas globais: 88% do financiamento para mobilidade internacional concentra-se na Europa e América do Norte, segundo estudo da plataforma "On the Move", em parceria com a "BOP Consulting" (2017).

É ainda mais inquietante que apenas 9% dos destinos de mobilidade estão no "Sul Global" e que apenas 18% dos candidatos aptos a participar de programas de financiamento estão nessa mesma região, o que reflete também as barreiras para a mobilidade Sul-Sul, que, em grande medida, depende desses mesmos fundos internacionais e cooperação multilateral.

Os números, por óbvio, refletem um projeto político de manutenção de relações hegemônicas que se perpetuam, sobretudo, no campo do simbólico. Como, então, reescrever esse trânsito global? O que pode emergir quando outras geografias para as artes são desenhadas? Essas são questões que a arte brasileira, em sua insurgência, nos desafia a encarar.

Com a retomada das relações do Brasil com o mundo, as artes brasileiras retornam à cena global, como ativos da democracia e da diplomacia, espaço de diálogo, identidade e soberania. Programas de cooperação entre países da Ibero-América e África são indicativos de parcerias entre agentes e expansão de mercados Sul-Sul. As artes e artistas são parte fundamental da relação entre países e sociedades, não meros agentes que chegam depois. A mobilidade artística é, portanto, central no processo de construção de um ambiente de cooperação e respeito, que possibilite a aproximação e afetação entre geografias culturais.

Assim como o grande Hermeto, artistas e agentes das artes têm construído uma agenda internacional que reafirma nossas múltiplas narrativas. Uma ofensiva que formula sínteses e constrói, no sensível e no simbólico, a reparação urgente. Esses movimentos nos desafiam a imaginar como novos trânsitos artísticos podem articular pactuações comprometidas com o reconhecimento de culturas e povos subalternizados, com o combate ao racismo e às desigualdades.

Foi a música brasileira que deu a letra e plantou a floresta e o debate climático global no centro da atenção dos agentes presentes na Womex 2024, com o Circuito Amazônico de Festivais, iniciativa que reúne oito iniciativas da Amazônia Legal brasileira. Em um momento em que a crise climática ocupa um lugar decisivo na agenda política internacional, iniciativas como este circuito, elo fundamental da rede das artes, nos convidam a refletir sobre uma ética do existir no mundo, um debate em que a música e a imaginação têm assento.

Fortalecer esses movimentos e desenhar outros circuitos de difusão será fundamental no enfrentamento dos desequilíbrios que os números apresentam. Para que a internacionalização da música brasileira seja continuada e perene, abrindo espaço para novas experiências musicais, são essenciais a criação de diretrizes que orientarão esse campo e a articulação entre instituições que ofereçam mecanismos e deem densidade a esses movimentos, trazendo retornos ao Brasil, aos fazedores de cultura e, sobretudo, às cidadãs e cidadãos brasileiros, que encontram nas artes a expressão de sua identidade. Reconhecer a importância da mobilidade artística é o primeiro passo para a construção de políticas que fortaleçam esse elo fundamental com o mundo, um sistema de diretrizes e garantias, direitos e liberdades que impulsione o encontro e permita ao mundo conhecer aquilo que só tem no Brasil.


(Disponível em: https://midianinja.org/opiniao/o-que-pode-a-musica-brasileira-na-cenamundial/. Acesso em 02 dez. 2024. Adaptado.)
Tendo como referência a leitura do texto em sua integralidade, analise as proposições que seguem e marque V, para as verdadeiras, e F, para as falsas:

(__)Em "Aos 88 anos, o alagoano de Olho d'Água se tornou o primeiro brasileiro a ser homenageado pelo "WOMEX Artist Award" [...]", o pronome reflexivo no verbo destacado estaria corretamente usado, de acordo com as normas gramaticais, se estivesse posposto ao verbo. Contudo, o uso feito pela autora não compromete a coesão e a coerência textuais.
(__)Em "Em um momento em que a crise climática ocupa um lugar decisivo na agenda política internacional, iniciativas como este circuito, elo fundamental da rede das artes, nos convidam a refletir sobre uma ética do existir no mundo, um debate em que a música e a imaginação têm assento", o pronome demonstrativo "este" faz referência a "Circuito Amazônico de Festivais", conferindo ao texto clareza e coesão textual.
(__) Em "Reconhecer a importância da mobilidade artística é o primeiro passo para a construção de políticas que fortaleçam esse elo fundamental com o mundo, um sistema de diretrizes e garantias, direitos e liberdades que impulsione o encontro e permita ao mundo conhecer aquilo que só tem no Brasil", o verbo impulsionar deveria estar no plural, posto que ele tem como sujeito "direitos e liberdades". Logo, tem-se um desvio de concordância verbal e comprometimento da coesão textual.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
Alternativas
Q3108986 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


O que pode a música brasileira na cena mundial?

É imenso o interesse que a música brasileira desperta mundo afora. Essa força pulsante, no entanto, enfrenta o desafio das históricas dinâmicas globais

Por Maria Marighella

Hermeto Pascoal, o bruxo dos sons, fez história mais uma vez. Aos 88 anos, o alagoano de Olho d'Água se tornou o primeiro brasileiro a ser homenageado pelo "WOMEX Artist Award", honraria concedida por uma das maiores feiras globais de música, no último domingo, 27 de outubro, na Inglaterra. Hermeto aprendeu, em seu território, as notas da natureza agreste e do nascedouro das águas. Aquele que faz música até com a própria barba colocou na gira do mundo a força inventiva brasileira, gênese da insurgência do povo que somos.

É imenso o interesse que a música brasileira − a voz e a letra da nossa ofensiva sensível − desperta mundo afora. Essa força pulsante, no entanto, enfrenta o desafio das históricas dinâmicas globais: 88% do financiamento para mobilidade internacional concentra-se na Europa e América do Norte, segundo estudo da plataforma "On the Move", em parceria com a "BOP Consulting" (2017).

É ainda mais inquietante que apenas 9% dos destinos de mobilidade estão no "Sul Global" e que apenas 18% dos candidatos aptos a participar de programas de financiamento estão nessa mesma região, o que reflete também as barreiras para a mobilidade Sul-Sul, que, em grande medida, depende desses mesmos fundos internacionais e cooperação multilateral.

Os números, por óbvio, refletem um projeto político de manutenção de relações hegemônicas que se perpetuam, sobretudo, no campo do simbólico. Como, então, reescrever esse trânsito global? O que pode emergir quando outras geografias para as artes são desenhadas? Essas são questões que a arte brasileira, em sua insurgência, nos desafia a encarar.

Com a retomada das relações do Brasil com o mundo, as artes brasileiras retornam à cena global, como ativos da democracia e da diplomacia, espaço de diálogo, identidade e soberania. Programas de cooperação entre países da Ibero-América e África são indicativos de parcerias entre agentes e expansão de mercados Sul-Sul. As artes e artistas são parte fundamental da relação entre países e sociedades, não meros agentes que chegam depois. A mobilidade artística é, portanto, central no processo de construção de um ambiente de cooperação e respeito, que possibilite a aproximação e afetação entre geografias culturais.

Assim como o grande Hermeto, artistas e agentes das artes têm construído uma agenda internacional que reafirma nossas múltiplas narrativas. Uma ofensiva que formula sínteses e constrói, no sensível e no simbólico, a reparação urgente. Esses movimentos nos desafiam a imaginar como novos trânsitos artísticos podem articular pactuações comprometidas com o reconhecimento de culturas e povos subalternizados, com o combate ao racismo e às desigualdades.

Foi a música brasileira que deu a letra e plantou a floresta e o debate climático global no centro da atenção dos agentes presentes na Womex 2024, com o Circuito Amazônico de Festivais, iniciativa que reúne oito iniciativas da Amazônia Legal brasileira. Em um momento em que a crise climática ocupa um lugar decisivo na agenda política internacional, iniciativas como este circuito, elo fundamental da rede das artes, nos convidam a refletir sobre uma ética do existir no mundo, um debate em que a música e a imaginação têm assento.

Fortalecer esses movimentos e desenhar outros circuitos de difusão será fundamental no enfrentamento dos desequilíbrios que os números apresentam. Para que a internacionalização da música brasileira seja continuada e perene, abrindo espaço para novas experiências musicais, são essenciais a criação de diretrizes que orientarão esse campo e a articulação entre instituições que ofereçam mecanismos e deem densidade a esses movimentos, trazendo retornos ao Brasil, aos fazedores de cultura e, sobretudo, às cidadãs e cidadãos brasileiros, que encontram nas artes a expressão de sua identidade. Reconhecer a importância da mobilidade artística é o primeiro passo para a construção de políticas que fortaleçam esse elo fundamental com o mundo, um sistema de diretrizes e garantias, direitos e liberdades que impulsione o encontro e permita ao mundo conhecer aquilo que só tem no Brasil.


(Disponível em: https://midianinja.org/opiniao/o-que-pode-a-musica-brasileira-na-cenamundial/. Acesso em 02 dez. 2024. Adaptado.)
Leia o excerto que segue:

"Os números, por óbvio, refletem um projeto político de manutenção de relações hegemônicas que se perpetuam, sobretudo, no campo do simbólico. Como, então, reescrever esse trânsito global? O que pode emergir quando outras geografias para as artes são desenhadas? Essas são questões que a arte brasileira, em sua insurgência, nos desafia a encarar."

A partir do excerto e da leitura do texto como um todo, analise as proposições que seguem. Quando a autora do texto problematiza o trânsito global das artes, ela:

I.Critica a existência de um projeto político que mantém as relações hegemônicas de poder nas mãos, especialmente, dos países do norte Global.
II.Sugere que a existência de programas de cooperação entre países da Ibero-América e África indicam a expansão de mercados Sul-Sul, tendo nas artes e nos artistas elementos fundamentais desse processo.
III.Esclarece que, nesse caminho de construir um trânsito global das artes, artistas e agentes têm construído uma agenda internacional que reafirma nossas múltiplas narrativas, portanto, vão na contramão da hegemonia mantida pelo Norte Global.
IV.Propõe ações que podem viabilizar esse processo de mobilidade cultural no mundo, como fortalecer os movimentos já existentes e desenhar outros circuitos de difusão para o enfrentamento dos desequilíbrios que se mantêm nas históricas dinâmicas globais.

É correto o que se afirma em: 
Alternativas
Q3108967 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Quais os impactos para o Brasil de formar menos pesquisadores

Dados da Capes mostram queda na quantidade de vagas ocupadas em cursos de mestrado e doutorado. Impactos de diminuição do interesse na pós-graduação podem vir a curto, médio e longo prazo

Mariana Vick -18 de agosto de 2024

Dados da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) mostram que houve redução no número de vagas ocupadas na pós-graduação no Brasil. Vinte e um por cento dos postos no mestrado e 25% dos postos no doutorado estavam ociosos em 2020. Os anos seguintes registraram diminuição na quantidade de ingressantes.

Colhidos na Plataforma Sucupira, da Capes, e veiculados em 2024 na sua proposta preliminar de Plano Nacional de Pós-Graduação, os dados demonstram os impactos da pandemia de covid-19 sobre os programas de mestrado e doutorado no Brasil. Também atestam a queda de interesse de recém-graduados por esses cursos. O quadro gera impactos de curto, médio e longo prazo para a ciência e o desenvolvimento do país [...].

Os dados veiculados na versão preliminar do Plano Nacional de Pós-Graduação mostram que o Brasil contabilizou em 2022 um estoque de 0,7% das pessoas de 25 a 64 anos com mestrado e 0,3% com doutorado. Os percentuais são baixos em comparação com as médias dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Neles as proporções são as seguintes: 

14,1% das pessoas de 25 a 64 anos nos países da OCDE têm mestrado, percentual muito maior que o do Brasil 

1,3% das pessoas de 25 a 64 anos nos países da OCDE têm doutorado, taxa cerca de quatro vezes maior que a do Brasil

A quantidade de ingressantes nesses cursos caiu nos últimos anos, depois de anos de avanços constantes, segundo os números da Capes. Houve queda de 10% no número de novos alunos no mestrado e no doutorado em 2020 em relação ao ano anterior. O crescimento foi retomado em 2021, mas voltou a diminuir em 2022, alcançando patamar próximo do de 2015. [...]

A quantidade de titulações (conclusões do curso) na pós-graduação também diminuiu nos últimos anos. A queda foi de 15% em 2020 em relação ao ano anterior. Houve, no entanto, uma retomada gradual nos números nos anos seguintes, com variações por níveis de formação (mestrado ou doutorado).

O que explica a queda nos números

A pandemia de covid-19 é um dos motivos citados pela Capes para a interrupção do crescimento de ingressantes e titulações nos cursos de mestrado e doutorado no Brasil. "A suspensão de atividades presenciais retardou o ingresso de novos estudantes, além de afetar o andamento de pesquisas em curso", escreveu a fundação na versão preliminar do Plano Nacional de Pós-Graduação. "É preciso considerar também o impacto econômico sobre os segmentos discentes mais vulneráveis."

Os pedidos de prorrogação de prazos de conclusão de curso foram facilitados durante a pandemia — o que pode explicar a queda nas titulações nos últimos anos. "Se for este o caso, estamos diante de uma situação de retenção de diplomação, com expectativa de retomada do crescimento nos próximos anos, mas cuja velocidade ainda demandará acompanhamento cuidadoso."

[...]

A pandemia, no entanto, não é a única razão apontada para os números. Fatores não relacionados à covid-19 também podem justificar o aparente desinteresse de recém-formados pelo ingresso em cursos de pós-graduação, segundo a Capes. Estão entre as hipóteses levantadas pela fundação: 

saturação de programas de pós-graduação 

distribuição desigual do acesso a esses cursos no país 

processos seletivos exigentes, orientados para perfis específicos 

inadequação do perfil dos candidatos ao programa 

baixa atratividade da oferta e da carreira científica 

aspectos sociodemográficos dos estudantes

O tempo de formação de um doutor é de mais de 20 anos, considerando o período desde o ensino fundamental, segundo Eduardo Colombari, professor titular de odontologia no campus de Araraquara da Unesp (Universidade Estadual Paulista). "É preciso muita resiliência e o que tem acontecido é um grande desestímulo financeiro e social que dificulta aos mais jovens a busca por essa formação" [...].

"Fato é que o investimento na educação, em especial na formação dos doutores, vem se deteriorando há décadas. O valor das bolsas de pós-graduação não é suficiente para que o doutorando se dedique em tempo integral à sua formação intelectual. Para agravar esse cenário, a pandemia de covid-19 acelerou o processo de desmotivação para cursar ensino superior que vinha se delineando".

De quando vêm esses problemas

Esses problemas vêm desde antes da pandemia, segundo Renato Janine Ribeiro, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. "O fato de ter havido uma redução de investimentos na área de ciência e tecnologia trouxe resultados bastante negativos para o país", disse ao Nexo. "É uma crise que possivelmente vem de anos."

As bolsas federais de pesquisa para estudantes de programas de mestrado e doutorado passaram uma década sem reajustes no Brasil. De 2013 a 2022, os valores pagos aos pesquisadores tiveram, na prática, uma redução de 66,6% por conta da inflação no período. Os pagamentos foram reajustados apenas em 2023, em um percentual de 40%. [...]

Outros fatores

Incerteza de emprego Incertezas sobre emprego após o doutorado podem estar entre os motivos que afastam recém-formados da pós-graduação. "O início de carreira em uma universidade federal ou estadual está em valores muito defasados em relação às expectativas de um profissional após mais de 20 anos de formação", escreveu Colombari no The Conversation. Além disso, as indústrias no Brasil não absorvem doutores.

Perfil dos estudantes

A desaceleração do crescimento de matrículas na graduação nas universidades públicas também pode explicar a queda de ingressos no mestrado e doutorado. Estudantes dessas instituições tendem a buscar mais a pós-graduação após a formatura. Grande parte dos novos formados, segundo análise publicada na Revista Pesquisa Fapesp, é de universidades privadas, sem interesse em se tornar mestres e doutores.

Universidades privadas

Colombari também escreveu [...] que o percentual de doutores no quadro de professores nas universidades privadas é muito baixo em comparação com o das públicas. "O Ministério da Educação precisa exigir delas o nível de educação que é pedido aos professores nas universidades públicas", disse. Essa mudança poderia absorver doutores formados e tornar a carreira mais atrativa.

Quais são os impactos do cenário

A queda do interesse em programas de mestrado e doutorado traz impactos de curto, médio e longo prazo para o Brasil. A quantidade e a qualidade da produção científica dependem da formação de pesquisadores, e sem eles pode haver menor avanço do conhecimento científico. Outros impactos incluem: 

redução da geração de tecnologias e inovações 

menos possibilidades de desenvolvimento econômico 

menos oportunidades de inclusão social por meio da pesquisa 

menos recursos humanos (professores) para formar novos profissionais na educação superior 

menos capacidade do país de enfrentar problemas sociais 

redução da atratividade do país para o exterior

Ribeiro afirmou que os impactos variam dependendo da área de pesquisa. "Curiosamente, contra o que muitos pensariam, se compararmos os dados de publicações de artigos científicos entre 2019 e 2022, notamos que houve uma queda na produção de todas as áreas, exceto humanidades e ciências humanas e sociais. É algo que precisaria ser mais bem explicado", disse.

Ainda não é possível avaliar quais serão os efeitos do reajuste nas bolsas de mestrado e doutorado em 2023. Mesmo assim, segundo Ribeiro, as perdas são grandes. "Perdemos vários anos. Perdemos na formação de profissionais da graduação, de mestres e doutores e também no ensino médio. Tudo isso precisa ser restabelecido e recriado, o que não é fácil", afirmou.

"Investimento é a palavra que vem à boca de todos nós, mas [mudar o cenário] também depende de mudar a concepção do que foi feito e está no horizonte", disse. "Temos o grande problema de não termos feito o trânsito das áreas tradicionais de ensino para outras — talvez mais pujantes, criativas e interdisciplinares — no mestrado e doutorado, e também na graduação."

(Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/expresso/2024/08/18/numero-baixo-de-pesquisadores-no-brasil-impacto-na-ciencia. Acesso em 03 dez. 2024. Adaptado.)
A partir da leitura do texto, é possível afirmar que:

I.No Brasil, entre as pessoas de 25 a 64 anos, menos de 1% tem mestrado. O mesmo percentual vale para pessoas com doutorado. Em ambos os casos, o país está muito aquém dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.
II.A taxa de quem ingressou em mestrado ou doutorado, apesar de ter caído cerca de 10% em 2020, retomou o crescimento em 2021, alcançando o patamar de 2015.
III.Enquanto no Brasil, o percentual de pessoas de 25 a 64 anos com doutorado é de 0,3%, nos países da OCDE, esse valor ultrapassa 1%.
IV.Segundo levantamento da Capes, são possíveis impulsionadores da queda no número de mestrandos e doutorandos: processos seletivos exigentes e com foco em perfis específicos, carreira científica pouco atrativa e acesso a esses cursos com distribuição desigual dentro do Brasil.

É correto o que se afirma em: 
Alternativas
Q3108966 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Quais os impactos para o Brasil de formar menos pesquisadores

Dados da Capes mostram queda na quantidade de vagas ocupadas em cursos de mestrado e doutorado. Impactos de diminuição do interesse na pós-graduação podem vir a curto, médio e longo prazo

Mariana Vick -18 de agosto de 2024

Dados da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) mostram que houve redução no número de vagas ocupadas na pós-graduação no Brasil. Vinte e um por cento dos postos no mestrado e 25% dos postos no doutorado estavam ociosos em 2020. Os anos seguintes registraram diminuição na quantidade de ingressantes.

Colhidos na Plataforma Sucupira, da Capes, e veiculados em 2024 na sua proposta preliminar de Plano Nacional de Pós-Graduação, os dados demonstram os impactos da pandemia de covid-19 sobre os programas de mestrado e doutorado no Brasil. Também atestam a queda de interesse de recém-graduados por esses cursos. O quadro gera impactos de curto, médio e longo prazo para a ciência e o desenvolvimento do país [...].

Os dados veiculados na versão preliminar do Plano Nacional de Pós-Graduação mostram que o Brasil contabilizou em 2022 um estoque de 0,7% das pessoas de 25 a 64 anos com mestrado e 0,3% com doutorado. Os percentuais são baixos em comparação com as médias dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Neles as proporções são as seguintes: 

14,1% das pessoas de 25 a 64 anos nos países da OCDE têm mestrado, percentual muito maior que o do Brasil 

1,3% das pessoas de 25 a 64 anos nos países da OCDE têm doutorado, taxa cerca de quatro vezes maior que a do Brasil

A quantidade de ingressantes nesses cursos caiu nos últimos anos, depois de anos de avanços constantes, segundo os números da Capes. Houve queda de 10% no número de novos alunos no mestrado e no doutorado em 2020 em relação ao ano anterior. O crescimento foi retomado em 2021, mas voltou a diminuir em 2022, alcançando patamar próximo do de 2015. [...]

A quantidade de titulações (conclusões do curso) na pós-graduação também diminuiu nos últimos anos. A queda foi de 15% em 2020 em relação ao ano anterior. Houve, no entanto, uma retomada gradual nos números nos anos seguintes, com variações por níveis de formação (mestrado ou doutorado).

O que explica a queda nos números

A pandemia de covid-19 é um dos motivos citados pela Capes para a interrupção do crescimento de ingressantes e titulações nos cursos de mestrado e doutorado no Brasil. "A suspensão de atividades presenciais retardou o ingresso de novos estudantes, além de afetar o andamento de pesquisas em curso", escreveu a fundação na versão preliminar do Plano Nacional de Pós-Graduação. "É preciso considerar também o impacto econômico sobre os segmentos discentes mais vulneráveis."

Os pedidos de prorrogação de prazos de conclusão de curso foram facilitados durante a pandemia — o que pode explicar a queda nas titulações nos últimos anos. "Se for este o caso, estamos diante de uma situação de retenção de diplomação, com expectativa de retomada do crescimento nos próximos anos, mas cuja velocidade ainda demandará acompanhamento cuidadoso."

[...]

A pandemia, no entanto, não é a única razão apontada para os números. Fatores não relacionados à covid-19 também podem justificar o aparente desinteresse de recém-formados pelo ingresso em cursos de pós-graduação, segundo a Capes. Estão entre as hipóteses levantadas pela fundação: 

saturação de programas de pós-graduação 

distribuição desigual do acesso a esses cursos no país 

processos seletivos exigentes, orientados para perfis específicos 

inadequação do perfil dos candidatos ao programa 

baixa atratividade da oferta e da carreira científica 

aspectos sociodemográficos dos estudantes

O tempo de formação de um doutor é de mais de 20 anos, considerando o período desde o ensino fundamental, segundo Eduardo Colombari, professor titular de odontologia no campus de Araraquara da Unesp (Universidade Estadual Paulista). "É preciso muita resiliência e o que tem acontecido é um grande desestímulo financeiro e social que dificulta aos mais jovens a busca por essa formação" [...].

"Fato é que o investimento na educação, em especial na formação dos doutores, vem se deteriorando há décadas. O valor das bolsas de pós-graduação não é suficiente para que o doutorando se dedique em tempo integral à sua formação intelectual. Para agravar esse cenário, a pandemia de covid-19 acelerou o processo de desmotivação para cursar ensino superior que vinha se delineando".

De quando vêm esses problemas

Esses problemas vêm desde antes da pandemia, segundo Renato Janine Ribeiro, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. "O fato de ter havido uma redução de investimentos na área de ciência e tecnologia trouxe resultados bastante negativos para o país", disse ao Nexo. "É uma crise que possivelmente vem de anos."

As bolsas federais de pesquisa para estudantes de programas de mestrado e doutorado passaram uma década sem reajustes no Brasil. De 2013 a 2022, os valores pagos aos pesquisadores tiveram, na prática, uma redução de 66,6% por conta da inflação no período. Os pagamentos foram reajustados apenas em 2023, em um percentual de 40%. [...]

Outros fatores

Incerteza de emprego Incertezas sobre emprego após o doutorado podem estar entre os motivos que afastam recém-formados da pós-graduação. "O início de carreira em uma universidade federal ou estadual está em valores muito defasados em relação às expectativas de um profissional após mais de 20 anos de formação", escreveu Colombari no The Conversation. Além disso, as indústrias no Brasil não absorvem doutores.

Perfil dos estudantes

A desaceleração do crescimento de matrículas na graduação nas universidades públicas também pode explicar a queda de ingressos no mestrado e doutorado. Estudantes dessas instituições tendem a buscar mais a pós-graduação após a formatura. Grande parte dos novos formados, segundo análise publicada na Revista Pesquisa Fapesp, é de universidades privadas, sem interesse em se tornar mestres e doutores.

Universidades privadas

Colombari também escreveu [...] que o percentual de doutores no quadro de professores nas universidades privadas é muito baixo em comparação com o das públicas. "O Ministério da Educação precisa exigir delas o nível de educação que é pedido aos professores nas universidades públicas", disse. Essa mudança poderia absorver doutores formados e tornar a carreira mais atrativa.

Quais são os impactos do cenário

A queda do interesse em programas de mestrado e doutorado traz impactos de curto, médio e longo prazo para o Brasil. A quantidade e a qualidade da produção científica dependem da formação de pesquisadores, e sem eles pode haver menor avanço do conhecimento científico. Outros impactos incluem: 

redução da geração de tecnologias e inovações 

menos possibilidades de desenvolvimento econômico 

menos oportunidades de inclusão social por meio da pesquisa 

menos recursos humanos (professores) para formar novos profissionais na educação superior 

menos capacidade do país de enfrentar problemas sociais 

redução da atratividade do país para o exterior

Ribeiro afirmou que os impactos variam dependendo da área de pesquisa. "Curiosamente, contra o que muitos pensariam, se compararmos os dados de publicações de artigos científicos entre 2019 e 2022, notamos que houve uma queda na produção de todas as áreas, exceto humanidades e ciências humanas e sociais. É algo que precisaria ser mais bem explicado", disse.

Ainda não é possível avaliar quais serão os efeitos do reajuste nas bolsas de mestrado e doutorado em 2023. Mesmo assim, segundo Ribeiro, as perdas são grandes. "Perdemos vários anos. Perdemos na formação de profissionais da graduação, de mestres e doutores e também no ensino médio. Tudo isso precisa ser restabelecido e recriado, o que não é fácil", afirmou.

"Investimento é a palavra que vem à boca de todos nós, mas [mudar o cenário] também depende de mudar a concepção do que foi feito e está no horizonte", disse. "Temos o grande problema de não termos feito o trânsito das áreas tradicionais de ensino para outras — talvez mais pujantes, criativas e interdisciplinares — no mestrado e doutorado, e também na graduação."

(Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/expresso/2024/08/18/numero-baixo-de-pesquisadores-no-brasil-impacto-na-ciencia. Acesso em 03 dez. 2024. Adaptado.)
A respeito da importância da formação de pesquisadores, o texto problematiza que: 
Alternativas
Q3108933 Português

Leia o texto a seguir:


Seca extrema derruba produtividade de cana e usinas antecipam colheita



    Levantamento da empresa Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) indicou queda de produtividade por hectare na cana-de-açúcar colhida na região centro-sul do país, com média de 69,7 toneladas por hectare (t/ha) em setembro de 2024, em relação ao mesmo mês de 2023, quando houve média de 83,4 t/ha. Nesta semana, a entidade patronal União da Indústria de Cana-de-açúcar e Biotecnologia (Unica) apontou adiantamento da colheita no estado, com 12 unidades finalizando a moagem até a segunda quinzena de outubro. No mesmo período da safra anterior, quatro usinas haviam concluído a moagem.


    A empresa, que faz monitoramento para o desenvolvimento de tecnologias no setor, observou ganho discreto na qualidade da matéria-prima por meio da medição de Açúcar Total Recuperável (ATR) na safra, ligeiramente acima em 2024, com 136,71 kg por tonelada de cana colhida. A UNICA observou melhoria mais acelerada entre seus associados, com 160,30 kg de ATR por tonelada de cana-de-açúcar este ano contra 149,84 kg por tonelada na safra 2023/2024 – variação positiva de 6,98%. No acumulado da safra, o indicador foi de 142,23 kg de ATR por tonelada, alta de 1,03% em relação ao mesmo período no ano passado.


    A Unica informou que operaram na primeira quinzena de outubro 255 unidades produtoras na região centro-sul, sendo 236 unidades com processamento de cana, nove empresas que fabricam etanol a partir do milho e dez usinas flex. No mesmo período, na safra 23/24, operaram 259 unidades produtoras. A associação mostrou ainda que, na primeira quinzena de outubro, as unidades produtoras da região centro-sul processaram 33,83 milhões de toneladas, enquanto na safra anterior haviam processado 32,93 milhões. O aumento foi de 2,75%. No acumulado da safra 2024/2025 até 16 de outubro, a moagem atingiu 538,85 milhões de toneladas, 2,36% a mais do que os 526,43 milhões de toneladas registrados no mesmo período do ciclo anterior. Especialistas consultados pela Agência Brasil atribuíram o aumento a um adiantamento na colheita, medida usada para evitar perdas maiores na produtividade.


Fonte: https://www.jb.com.br/economia/2024/10/1052711-seca-extrema-derruba-produtividade-de-cana-e-usinas-antecipam-colheita.html. Excerto. Acesso em 30/10/2024

No trecho “A empresa, que faz monitoramento para o desenvolvimento de tecnologias no setor, observou ganho discreto na qualidade da matéria-prima” (2º parágrafo), o termo em destaque faz referência:
Alternativas
Respostas
3521: E
3522: E
3523: C
3524: E
3525: E
3526: D
3527: C
3528: E
3529: C
3530: D
3531: B
3532: C
3533: B
3534: E
3535: A
3536: C
3537: D
3538: C
3539: E
3540: C