Questões de Concurso
Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português
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A linguagem na ponta da língua, tão fácil de falar e de entender. A linguagem na superfície estrelada de letras, sabe lá o que ela quer dizer? Professor Carlos Góis, ele é quem sabe, e vai desmatando o amazonas de minha ignorância. Figuras de gramática, esquipáticas, atropelam-me, aturdem-me, sequestram-me. Já esqueci a língua em que comia, em que pedia para ir lá fora, em que levava e dava pontapé, a língua, breve língua entrecortada do namoro com a prima. O português são dois; o outro, mistério.
Disponível em: <http://drummond.memoriaviva.com.br/alguma-poesia/aula-de-portugues/>.Acesso em: 22 out. 2014.
As duas concepções de linguagem que se podem depreender a partir da leitura desse texto são:
A linguagem na ponta da língua, tão fácil de falar e de entender. A linguagem na superfície estrelada de letras, sabe lá o que ela quer dizer? Professor Carlos Góis, ele é quem sabe, e vai desmatando o amazonas de minha ignorância. Figuras de gramática, esquipáticas, atropelam-me, aturdem-me, sequestram-me. Já esqueci a língua em que comia, em que pedia para ir lá fora, em que levava e dava pontapé, a língua, breve língua entrecortada do namoro com a prima. O português são dois; o outro, mistério.
Disponível em: <http://drummond.memoriaviva.com.br/alguma-poesia/aula-de-portugues/>.Acesso em: 22 out. 2014.
Com relação à língua portuguesa, o texto
Você está preparado para ler a piada mais engraçada do mundo, eleita após uma pesquisa com 1,5 milhão de internautas? Lá vai.
Dois caçadores de Nova Jersey (o paralelo americano dos portugueses em piadas brasileiras) estão no meio do mato quando um deles passa mal e cai duro no chão. Desesperado, o outro liga para o serviço de emergência. “Acho que meu amigo morreu, o que eu faço?”, diz o caçador. “Calma, calma”, responde o atendente. “Primeiro certifique-se de que ele está mesmo morto.” Ouve-se um tiro de fuzil do outro lado da linha. “Tá bom, e agora?”
Qualidades humorísticas à parte, a piada exemplifica alguns pontos aparentemente universais do humor humano: o hábito de adotar outros grupos de pessoas como alvos de chacota, a busca pelo inesperado e a tendência a transformar problemas de interpretação em motivo de riso.
Nada disso é à toa, argumenta o neurocientista Scott Weems, da universidade de Maryland, em seu livro “Há!”, um resumo das conclusões da “humorologia”, ou da investigação científica do humor.
[...]
Para Weems, o riso e o senso de humor em geral são mecanismos que cérebros complexos, como o nosso, desenvolveram para resolver contradições e, de quebra, obter prazer. Uma espécie de ginástica mental natural, declarou ele à Folha.
“É por isso que o bom humor favorece a cognição: ele acaba sendo uma espécie de “aquecimento” para pensamentos mais profundos”, diz Weems. Os mesmos processos mentais que nos ajudam a “sacar” uma piada também estão envolvidos em resolver problemas sociais e até filosóficos complicados.”
Não é à toa, portanto, que parece haver uma associação considerável entre a capacidade de produzir humor de qualidade e inteligência — pesquisas indicam que sujeitos engraçados também costumam ser inteligentes.
“Isso me atraiu para o humor como área de estudo”, diz Weems. “Ele parece estar ligado a vários outros fenômenos mentais importantes, como a criatividade, insight e solução de problemas”.
Essa associação está presente até nos níveis mais básicos do funcionamento do cérebro. Ao “sacar” uma piada, a pessoa ativa o sistema de recompensa do cérebro, o mesmo que entra em ação quando resolvemos um problema ou temos prazer com algo, como comida ou sexo.
As estruturas cerebrais ligadas ao humor também são pistas interessantes de como ele atua sobre a mente. São basicamente áreas ligadas ao gerenciamento das emoções e à compreensão de conflitos lógicos. Por isso, humoristas hábeis são em geral os que sabem tirar o público da “zona de conforto” e fazê-lo pensar de um jeito diferente. Piadas “boazinhas” demais raramente são engraçadas.
Para o neurocientista, qualquer espécie inteligente, mesmo ETs, provavelmente teria alguma forma de humor.
"Como o gosto para piadas varia de lugar para lugar na Terra, não sei se "sacaríamos" as piadas alienígenas. Mas seria um bom jeito de entender a cultura deles, já que daria pistas sobre o que eles acham confuso ou desafiador", diz.
(www.folha.uol.com.br/ciencia)
Na passagem a seguir:
“Mas seria um bom jeito de entender a cultura deles, já que daria pistas sobre o que eles acham confuso ou desafiador”
A conjunção “já que” indica circunstância de:
Às vezes, a vida bate com um tijolo na sua cabeça. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me permitiu seguir adiante foi o meu amor pelo que fazia. Você tem que descobrir o que você ama. Isso é verdadeiro tanto para o seu trabalho quanto para com as pessoas que você ama. Seu trabalho vai preencher uma parte grande da sua vida, e a única maneira de ficar realmente satisfeito é fazer o que você acredita ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que você faz. Se você ainda não encontrou o que é, continue procurando. Não sossegue. Assim como todos os assuntos do coração, você saberá quando encontrar. E, como em qualquer grande relacionamento, só fica melhor e melhor à medida que os anos passam. Então continue procurando até você achar. Não sossegue.”
(Discurso de Steve Jobs. Disponível em: http://www.jb.com.br. 06/10/2011. Adaptado.)
O texto é um exemplo do gênero textual “discurso de formatura” e apresenta uma linguagem
Às vezes, a vida bate com um tijolo na sua cabeça. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me permitiu seguir adiante foi o meu amor pelo que fazia. Você tem que descobrir o que você ama. Isso é verdadeiro tanto para o seu trabalho quanto para com as pessoas que você ama. Seu trabalho vai preencher uma parte grande da sua vida, e a única maneira de ficar realmente satisfeito é fazer o que você acredita ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que você faz. Se você ainda não encontrou o que é, continue procurando. Não sossegue. Assim como todos os assuntos do coração, você saberá quando encontrar. E, como em qualquer grande relacionamento, só fica melhor e melhor à medida que os anos passam. Então continue procurando até você achar. Não sossegue.”
(Discurso de Steve Jobs. Disponível em: http://www.jb.com.br. 06/10/2011. Adaptado.)
O modo verbal apresentado em “Não perca a fé.”, “[...] continue procurando.” e “Não sossegue.” é utilizado no discurso com o objetivo de
O DESASTRE DO BRASIL
Carlos Nejar, O Globo, 10/7/2014
Este desastre do futebol brasileiro diante da Alemanha, em goleada, começou bem antes da lesão propositada em Neymar, veio bem antes de quando Felipão mostrou-se desatualizado, soberbo, ditador; veio antes pela excessiva propaganda, cuidando dos mínimos gestos e movimentos de nossos jogadores, como se fossem deuses, novos e opulentos, com a supervalorização dos pés, como se pensassem ou criassem a ordem do universo. Não foi apenas a seleção alemã superior, houve negligência, pane, lapso dos atletas nacionais e como de início se viu um time de sopro curto. O preço foi muito caro.
“com a supervalorização dos pés, como se pensassem ou criassem a ordem do universo”; nessa frase do texto há uma relação de sentido implícita entre dois elementos, que só NÃO pode ser expressa por:
Fernanda Miranda*
Todo ser humano tem necessidade de se destacar naquilo que realiza. O maior responsável pelo desenvolvimento pessoal é o próprio indivíduo. A busca da realização é uma característica do comportamento humano. Sentir-se importante é desejo de todos.
Nesse sentido, com a velocidade com que as coisas evoluem e a competição crescente, investir na imagem pessoal é uma estratégia vital para qualquer profissional que queira entrar e permanecer no mercado de trabalho. Muito além da aparência e de uma bela roupa, a imagem pessoal abrange o conhecimento da dimensão humana. Trata-se de um processo de desenvolvimento pessoal que valoriza as capacidades e competências do homem. Em sendo assim, a construção da imagem pessoal deve acontecer no dia a dia. Não deve ser um esforço fingido, mas algo que se constrói espontaneamente. Essa construção, porém, requer algumas exigências.
Exige autoconhecimento: o indivíduo que se conhece tem a possibilidade de fazer opções mais corretas (até mesmo na hora de se vestir) e de preservar sua autenticidade. O autoconhecimento requer paciência, disciplina, perseverança, elevada autoestima, determinação, um conjunto de crenças e de valores que irão nortear as atitudes e os comportamentos de forma a fazer o uso correto das habilidades inatas e das habilidades a serem criadas e aperfeiçoadas. Portanto, o profissional deve ser flexível às mudanças e criar uma imagem positiva de si mesmo.
Exige o bom relacionamento interpessoal: o homem já não pode mais trabalhar sozinho. Onde há mais de uma pessoa, há um relacionamento e, com certeza, conflitos existirão. Afinal, são gostos, costumes, crenças, educação diferentes. A atenção personalizada a quem quer que seja nunca é um investimento sem retorno. Sentimentos positivos e de simpatia provocarão o aumento da interação, favorecendo a produtividade.
Exige qualificação: é preciso aprimorar-se, não só uma vez, mas continuamente. Produtos são planejados, fabricados, testados, comercializados e, muitas vezes, recolhidos do mercado para correções. Assim deve ser todo profissional: viver em constante renovação, num movimento cíclico.
Exige ética: nesse processo, deve ser feita uma análise, principalmente sob o ponto de vista ético que envolve a imagem pessoal. O limite entre a divulgação de reais competências e de características irreais atribuídas a si deve ser observado com muita sinceridade.
Exige coragem: o medo de errar e de não corresponder às próprias expectativas e às expectativas dos outros pode interferir na possibilidade de transformar sonhos em realidades.
Em suma, imagem pessoal é certamente marketing de si. Porém, nessa estratégia de destaque profissional, não há espaço para inverdades. Não existe separação entre ser e parecer. Existe um abismo entre parecer (imagem) e visibilidade (ser visto, ouvido ou sentido). Construir uma imagem é resultado de uma sequência de ações. Ser visto, ouvido e percebido é outra. No mercado de trabalho atual, imagem, visibilidade e, principalmente, credibilidade são determinantes.
Assim, a elaboração de ações estratégicas e a prática de atitudes e comportamentos adequados conduzirão a trajetória pessoal e profissional para o sucesso, por meio de qualidades e habilidades do indivíduo, inatas ou adquiridas, que, aperfeiçoadas, promoverão comportamentos favoráveis, os quais levarão ao aspirado destaque profissional.
* Graduada em Design de Moda e pós Graduada em Marketing e Comunicação.
Disponível em: <http://www.vivaitabira.com.br/viva-colunas/index.php?IdColuna=80>. Acesso em: 20 ago. 2014. [Adaptado].
O propósito comunicativo principal do texto é
Marcelo Duarte, O Guia dos Curiosos
A roda foi inventada pelos povos da Mesopotâmia (atual Iraque) em 4500 a. C. Todos os historiadores concordam que ela foi uma das mais importantes criações do homem em todos os tempos. Com a roda, apareceram os primeiros veículos, como as carroças e as carruagens. Antes disso, os homens andavam a pé ou sobre animais. Eles arrastavam cargas sobre trenós ou pedaços de paus roliços. Essa invenção possibilitou também a invenção de muitas outras, como a roca de fiar, roldanas para apanhar água e rodas nos moinhos de água.
“Antes disso, os homens andavam a pé ou sobre animais.” O termo “antes disso” se refere a:
Estudos do Global Burden of Disease [Carga Global das Doenças] indicam que as dores lombares são a principal causa de incapacidade no mundo. De acordo com o relatório, o problema responde por um terço dos casos de invalidez provocados pelo trabalho.
(Vivasaúde, n.º 137, p 35, adaptado.)
Assinale a alternativa cuja afirmação esteja de acordo com as ideias do texto:
falado e escrito Vamos supor que começássemos a escrever usando a mesma variedade da língua que se usa na fala: chamei ela, a casa que eu moro, tá bem etc. Isso não significaria, em absoluto, que os textos escritos ficariam idênticos ao que vou chamar, por comodidade, de textos falados. Acontece que há outras diferenças, que acabam sendo mais importantes do que as diferenças gramaticais, e que são impossíveis de eliminar, porque não decorrem de convenção social, mas das limitações e recursos do meio empregado: a fala ou a escrita.
Para dar um exemplo: um leitor pode diminuir a velocidade de leitura, e pode reler um trecho se achar que não entendeu direito. Mas um ouvinte não tem esses recursos: se não entendeu, precisa pedir ao falante que repita – e não pode ficar fazendo isso o tempo todo, para não perturbar a própria situação de comunicação, e acabarem os dois se confundindo na conversa. Isso tem consequências para a estruturação do texto. Um autor pode escrever de maneira muito mais sintética, sem repetições e construindo suas frases em um plano amplo, como por exemplo:
O Durval, que toma conta da escola, saiu correndo atrás dos meninos da terceira série, que tinham ido para a rua, a fim de vigiá-los.
Essa frase funciona perfeitamente na escrita. Mas se for falada desse jeito – e principalmente se as outras frases do texto forem todas estruturadas assim – vai ficar difícil de entender. O ouvinte, que não pode voltar atrás, pode não se lembrar de quem é que vai “vigiar”, ou quem são “-los”, ou quem é que tinha ido para a rua. Essa passagem apareceria (e, na verdade, apareceu) em um texto falado com a seguinte forma:
aí, saiu o Durval saiu correndo atrás dos menino, né, o que toma conta lá da escola, pra poder, saiu correndo atrás dos menino, poder tomar conta dos menino. Os menino tinha ido pra rua, menino da terceira série.
PERINI, Mário A. A língua do Brasil amanhã e outros mistérios. São Paulo: Parábola Editorial, 2004. p. 65-67.
Considere os trechos extraídos do texto.
1. “Para dar um exemplo: um leitor pode diminuir a velocidade de leitura, e pode reler um trecho se achar que não entendeu direito. Mas um ouvinte não tem esses recursos: se não entendeu, precisa pedir ao falante que repita – e não pode ficar fazendo isso o tempo todo, para não perturbar a própria situação de comunicação, e acabarem os dois se confundindo na conversa.”
2. “O ouvinte, que não pode voltar atrás, pode não se lembrar de quem é que vai ‘vigiar’, ou quem são ‘-los’, ou quem é que tinha ido para a rua.”
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ).
( ) Em 1, o artigo indefinido, sublinhado nas duas ocorrências, particulariza, respectivamente, um leitor e um ouvinte específico que o autor tem em mente.
( ) Em 1, a ordenação das sentenças condicionais sublinhadas relativamente às respectivas principais promove a manutenção do paralelismo estrutural entre os períodos.
( ) Em 1, “esses recursos” e “isso” são mecanismos coesivos para indicar progressão referencial, caracterizados, respectivamente, como uso de descrição definida e de forma remissiva demonstrativa.
( ) Em 2, as duas orações sublinhadas apresentam valores distintos para o auxiliar modal “poder”: modalidade voltada ao eixo da conduta e modalidade voltada ao eixo da possibilidade epistêmica, respectivamente.
( ) Em 2, as duas ocorrências de “é que” sinalizam focalização do conteúdo de orações objetivas diretas.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
Já passa de 100 o número de animais mortos na cidade nos últimos dias.
Polícia analisa imagens para tentar identificar suspeitos de envenenamento.
Mais quatro cachorros foram encontrados mortos nesta segunda-feira (24) no município de Bom Jesus, na Serra do Rio Grande do Sul. Desde quinta-feira (20), mais de 100 cães e gatos apareceram mortos pelas ruas da cidade, em um mistério que intriga a comunidade e a Polícia Civil.
De acordo com a presidente da Associação Bonjesuense de Protetores dos Animais, Claudia Gomes Correia, os corpos dos quatro animais foram encontrados em diferentes pontos da cidade.
A associação estuda medidas para tentar evitar a morte de mais animais. Uma reunião com o prefeito de Bom Jesus, Frederico Becker (PP), está agendada para a tarde de terça-feira (25). Claudia diz que o poder público pode ajudar a recolher cães e gatos de rua e levá-los para um abrigo até que a situação seja normalizada.
Segundo a Polícia Civil, a suspeita é de que os animais tenham sido envenenados. A delegada Thalita Andrich, responsável pelo caso, diz que está analisando imagens de câmeras de monitoramento para tentar chegar aos autores do crime. Até agora, apenas alguns veículos suspeitos já foram localizados.
“Conseguimos mais imagens da madrugada de quarta (19) para quinta (20) e estamos tentando identificar esses veículos. No domingo (20), foram recolhidos pedaços de carne na rua e encaminhados para a perícia”, conta a delgada.
No domingo (23), um protesto reuniu cerca de 150 pessoas na cidade. Com cartazes e faixas, os manifestantes fizeram uma caminhada pelas ruas do centro e pediram punição aos responsáveis pela matança de animais.
Caso sejam identificados, os responsáveis pelas mortes podem responder pelo crime ambiental de maus-tratos a animais, que prevê pena de três meses a um ano de detenção e multa.
Fonte: http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2014/11/mais-quatro-caes-sao-encontrados-mortos-em-bomjesus-rs.html (Disponível em 24/11/2014)
Leia e analise o trecho a seguir: “Claudia diz que o poder público pode ajudar a recolher cães e gatos de rua e levá-los para um abrigo até que a situação seja normalizada.” A palavra sublinhada refere-se aos
“…Nesse sentido, Quando apresentado qualquer tipo de
situação-problema em um ambiente de aprendizagem, faz-se necessário para a obtenção do resultado esperado o esforço do aprendiz para a abstração do que se pede e seu conteúdo. Isto é, quando se procuram respostas é necessário primeiro levar o assunto tratado do aspecto teórico do papel para um nível mental. Seria transpor os signos para uma esfera interna do pensar”. Piaget identifica esse fenômeno por:
Aqui em casa pousou uma esperança. Não a clássica, que tantas vezes verifica-se ser ilusória, embora mesmo assim nos sustente sempre. Mas a outra, bem concreta e verde: o inseto.
Houve um grito abafado de um de meus filhos:
- Uma esperança! E na parede, bem em cima de sua cadeira! Emoção dele também, que unia em uma só as duas esperanças, já tem idade para isso. Antes surpresa minha: esperança é coisa secreta e costuma pousar diretamente em mim, sem ninguém saber, e não acima de minha cabeça numa parede. Pequeno rebuliço: mas era indubitável, lá estava ela, e mais magra e verde não poderia ser.
- Ela quase não tem corpo – queixei-me.
- Ela só tem alma – explicou meu filho e, como filhos são uma surpresa para nós, descobri com surpresa que ele falava das duas esperanças.
Ela caminhava devagar sobre os fiapos das longas pernas, por entre os quadros da parede. Três vezes tentou renitente uma saída entre dois quadros, três vezes teve que retroceder caminho. Custava a aprender. - Ela é burrinha – comentou o menino. - Sei disso – respondi um pouco trágica.
- Está agora procurando outro caminho, olhe, coitada, como ela hesita.
- Sei, é assim mesmo.
- Parece que esperança não tem olhos, mamãe, é guiada pelas antenas.
- Sei – continuei mais infeliz ainda.
Ali ficamos, não sei quanto tempo, olhando. Vigiando-a como se vigiava na Grécia ou em Roma o começo de fogo do lar para que não se apagasse.
- Ela se esqueceu de que pode voar, mamãe, e pensa que só pode andar devagar assim.
Andava mesmo devagar – estaria por acaso ferida? Ah não, senão de um modo ou de outro escorreria sangue, tem sido sempre assim comigo.
Foi então que, farejando o mundo que é comível, saiu de trás de um quadro uma aranha. Não uma aranha, mas me parecia “a” aranha. Andando pela sua teia invisível, parecia transladar-se maciamente no ar. Ela queria a esperança. Mas nós também queríamos e, oh! Deus, queríamos menos que comê-la. Meu filho foi buscar a vassoura. Eu disse fracamente, confusa, sem saber se chegara infelizmente a hora certa de perder a esperança:
- É que não se mata aranha, me disseram que traz sorte...
- Mas ela vai esmigalhar a esperança! – respondeu o menino com ferocidade.
- Preciso falar com a empregada para limpar atrás dos quadros – falei sentindo a frase deslocada e ouvindo o certo cansaço que havia na minha voz. Depois devaneei um pouco de como eu seria sucinta e misteriosa com a empregada: eu lhe diria apenas: você faz o favor de facilitar o caminho da esperança.
O menino, morta a aranha, fez um trocadilho, com o inseto e a nossa esperança. Meu outro filho, que estava vendo televisão, ouviu e riu de prazer. Não havia dúvida: a esperança pousara em casa, alma e corpo.
Mas como é bonito o inseto: mais pousa que vive, é um esqueletinho verde e tem uma forma tão delicada que isso explica por que eu, que gosto de pegar nas coisas, nunca tentei pegá-la.
Uma vez, aliás, agora é que me lembro, uma esperança bem menor que esta, pousara no meu braço. Não senti nada, de tão leve que era, foi só visualmente que tomei consciência de sua presença. Encabulei com a delicadeza. Eu não mexia o braço e pensei: “e essa agora? Que devo fazer?”. Em verdade, nada fiz. Fiquei extremamente quieta como se uma flor tivesse nascido em mim. Depois não me lembro mais o que aconteceu. E, acho que não aconteceu nada.
Clarice Lispector. Uma esperança, In: Felicidade clandestina. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
Analise as passagens do texto indicadas a seguir:
I. “[...] esperança é a coisa secreta e costuma pousar diretamente em mim, sem ninguém saber, e não acima de minha cabeça numa parede [...]”.
II. “Eu disse fracamente, confusa, sem saber se chegara infelizmente a hora certa de perder a esperança...”
Assinale a alternativa correta:
A importância da imagem pessoal no mercado de trabalho atual.
Fernanda Miranda*
Todo ser humano tem necessidade de se destacar naquilo que realiza. O maior responsável pelo desenvolvimento pessoal é o próprio indivíduo. A busca da realização é uma característica do comportamento humano. Sentir-se importante é desejo de todos.
Nesse sentido, com a velocidade com que as coisas evoluem e a competição crescente, investir na imagem pessoal é uma estratégia vital para qualquer profissional que queira entrar e permanecer no mercado de trabalho. Muito além da aparência e de uma bela roupa, a imagem pessoal abrange o conhecimento da dimensão humana. Trata-se de um processo de desenvolvimento pessoal que valoriza as capacidades e competências do homem. Em sendo assim, a construção da imagem pessoal deve acontecer no dia a dia. Não deve ser um esforço fingido, mas algo que se constrói espontaneamente. Essa construção, porém, requer algumas exigências.
Exige autoconhecimento: o indivíduo que se conhece tem a possibilidade de fazer opções mais corretas (até mesmo na hora de se vestir) e de reservar sua autenticidade. O autoconhecimento requer paciência, disciplina, perseverança, elevada autoestima, determinação, um conjunto de crenças e de valores que irão nortear as atitudes e os comportamentos de forma a fazer o uso correto das habilidades inatas e das habilidades a serem criadas e aperfeiçoadas. Portanto, o profissional deve ser flexível às mudanças e criar uma imagem positiva de si mesmo.
Exige o bom relacionamento interpessoal: o homem já não pode mais trabalhar sozinho. Onde há mais de uma pessoa, há um relacionamento e, com certeza, conflitos existirão. Afinal, são gostos, costumes, crenças, educação diferentes. A atenção personalizada a quem quer que seja nunca é um investimento sem retorno. Sentimentos positivos e de simpatia provocarão o aumento da interação, favorecendo a produtividade.
Exige qualificação: é preciso aprimorar-se, não só uma vez, mas continuamente. Produtos são planejados, fabricados, testados, comercializados e, muitas vezes, recolhidos do mercado para correções. Assim deve ser todo profissional: viver em constante renovação, num movimento cíclico.
Exige ética: nesse processo, deve ser feita uma análise, principalmente sob o ponto de vista ético que envolve a imagem pessoal. O limite entre a divulgação de reais competências e de características irreais atribuídas a si deve ser observado com muita sinceridade.
Exige coragem: o medo de errar e de não corresponder às próprias expectativas e às expectativas dos outros pode interferir na possibilidade de transformar sonhos em realidades.
Em suma, imagem pessoal é certamente marketing de si. Porém, nessa estratégia de destaque profissional, não há espaço para inverdades. Não existe separação entre ser e parecer. Existe um abismo entre parecer (imagem) e visibilidade (ser visto, ouvido ou sentido). Construir uma imagem é resultado de uma sequência de ações. Ser visto, ouvido e percebido é outra. No mercado de trabalho atual, imagem, visibilidade e, principalmente, credibilidade são determinantes.
Assim, a elaboração de ações estratégicas e a prática de atitudes e comportamentos adequados conduzirão a trajetória pessoal e profissional para o sucesso, por meio de qualidades e habilidades do indivíduo, inatas ou adquiridas, que, aperfeiçoadas, promoverão comportamentos favoráveis, os quais levarão ao aspirado destaque profissional.
* Graduada em Design de Moda e pós Graduada em Marketing e Comunicação.
As duas ideias que constituem o foco principal do segundo parágrafo são