Questões de Concurso Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

Foram encontradas 36.971 questões

Q3131288 Português
Uma galinha

        Parecia calma. Desde sábado encolhera-se num canto da cozinha. Não olhava para ninguém, ninguém olhava para ela. Mesmo quando a escolheram, apalpando sua intimidade com indiferença, não souberam dizer se era gorda ou magra. Nunca se adivinharia nela um anseio.

        Foi pois uma surpresa quando a viram abrir as asas de curto voo, inchar o peito e, em dois ou três lances, alcançar a murada do terraço. Um instante ainda vacilou — o tempo da cozinheira dar um grito — e em breve estava no terraço do vizinho, de onde, em outro voo desajeitado, alcançou um telhado. Lá ficou em adorno deslocado, hesitando ora num, ora noutro pé. A família foi chamada com urgência e consternada viu o almoço junto de uma chaminé. O dono da casa, lembrando-se da dupla necessidade de fazer esporadicamente algum esporte e de almoçar, vestiu radiante um calção de banho e resolveu seguir o itinerário da galinha: em pulos cautelosos alcançou o telhado onde esta, hesitante e trêmula, escolhia com urgência outro rumo. A perseguição tornou-se mais intensa. De telhado a telhado foi percorrido mais de um quarteirão da rua. Pouco afeita a uma luta mais selvagem pela vida, a galinha tinha que decidir por si mesma os caminhos a tomar, sem nenhum auxílio de sua raça. O rapaz, porém, era um caçador adormecido. E por mais ínfima que fosse a presa o grito de conquista havia soado.

        Sozinha no mundo, sem pai nem mãe, ela corria, arfava, muda, concentrada. Às vezes, na fuga, pairava ofegante num beiral de telhado e enquanto o rapaz galgava outros com dificuldade tinha tempo de se refazer por um momento. E então parecia tão livre.

        Estúpida, tímida e livre. Não vitoriosa como seria um galo em fuga. Que é que havia nas suas vísceras que fazia dela um ser? A galinha é um ser. É verdade que não se poderia contar com ela para nada. Nem ela própria contava consigo, como o galo crê na sua crista. Sua única vantagem é que havia tantas galinhas que morrendo uma surgiria no mesmo instante outra tão igual como se fora a mesma.

Clarice Lispector. Laços de Família.
Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1998 (com adaptações).


As expressões “em pulos cautelosos” e “hesitante e trêmula” (quinto período do segundo parágrafo) são empregadas em referência a um mesmo personagem.
Alternativas
Q3131281 Português

        As abordagens da linguagem do ponto de vista filosófico, estrutural, funcional e até discursivo conservam, de alguma forma, o gesto de Saussure ao considerar na linguagem uma dualidade fundamental: língua/fala, código/mensagem, competência/performance, língua/discurso. Se contestam o objeto da linguística colocado por Saussure, nunca o fazem de uma maneira radical. Mesmo quando buscam, no objeto da linguística, a parte marginalizada por Saussure, a linguagem continua a ser concebida como uma entidade de duas faces: uma formal, constituída pelo “núcleo duro” da língua e uma outra parte por meio da qual a linguagem se relaciona com o mundo pela ação dos falantes.


        Essa dualidade da linguagem foi, contudo, duramente contestada pelo filósofo soviético Bakhtin, já no final da década de 20. A oposição que Bakhtin faz a Saussure é radical, se levarmos em conta que a linguagem, para esse filósofo, não se divide em duas instâncias. A enunciação, “a verdadeira substância da língua”, é, para Bakhtin, a síntese do processo da linguagem, o conceito-chave para se entender os processos linguísticos.


        Bakhtin afasta-se de Saussure ao ver a língua como algo concreto, fruto da manifestação interindividual, valorizando assim, a manifestação concreta da língua e não o sistema abstrato de formas. E essa manifestação é eminentemente social.


        Segundo Bakhtin, o que de fato existe é o processo linguístico, sendo a enunciação o motor da língua: “a língua vive e evolui historicamente na comunicação verbal concreta, não no sistema linguístico abstrato das formas da língua nem no psiquismo individual dos falantes”.


Sílvia Helena Barbi Cardoso. Discurso e ensino. 2 ed. Belo Horizonte:

Autêntica/ FALE-UFMG, 2005. p. 24-25. (com adaptações). 



A partir das ideias veiculadas no texto precedente, julgue o item que se segue, relativo às concepções de língua, linguagem e interação.


A abordagem de língua proposta por Bakhtin, ainda que se afaste da apresentada por Saussure, compartilha com esta o princípio de que a língua é um fato social. 

Alternativas
Q3131274 Português

        O conto Miss Dollar, de Machado de Assis, traz o leitor para dentro do texto já na primeira linha: “Era conveniente ao romance que o leitor ficasse muito tempo sem saber quem era Miss Dollar” e “sem a apresentação de Miss Dollar, seria o autor obrigado a longas digressões, que encheriam o papel sem adiantar a ação. Não há hesitação possível: vou apresentar lhes Miss Dollar:”. Engana-se, no entanto, a boa-fé de quem acreditar nessas promessas: ao contrário do que apregoara, o narrador entrega-se à volúpia de imaginar diferentes e variados tipos de leitores, cujas previsões sobre a identidade da personagem-título ele antecipa e desmente, valendo-se da autoridade narratorial. Começa refutando a imagem de Miss Dollar como “uma inglesa pálida e delgada, escassa de carnes e de sangue” creditada à imaginação de um “rapaz dado ao gênio melancólico”. Linhas abaixo, o texto inventa um outro leitor, atribuindo a este a imagem de uma Miss Dollar “robusta americana, vertendo o sangue pelas faces, formas arredondadas, olhos vivos e ardentes, mulher feita, refeita, perfeita”. No parágrafo subsequente, o mesmo imaginoso narrador investiga as expectativas de um outro tipo de leitor: daquele que, tendo já passado a segunda mocidade, tem à sua frente uma velhice sem recursos, para quem, então, a Miss Dollar do conto deve ser “boa inglesa de cinquenta anos, dotada com algumas mil libras esterlinas, e que, aportando ao Brasil em procura de assunto para escrever um romance, realizasse um romance verdadeiro, casando com o leitor aludido”. Vê-se que o narrador de Miss Dollar dispõe de galeria inesgotável de leitores-personagens que faz desfilar pelo texto: ao antecipar uma vez mais interpretações para a personagem-título, ele convoca uma outra imagem de leitor que, lisonjeiramente, qualifica de “Mais esperto que os outros” e cuja esperteza parece consistir na interpretação de Miss Dollar como “brasileira dos quatro costados”, vindo seu nome à conta de sua riqueza: “Miss Dollar quer dizer apenas que a rapariga é rica”. E só depois dessa célere multiplicação de leitores imaginários, incessantemente extraídos de sua algibeira, que, para alívio dos leitores de carne e osso, o narrador cumpre finalmente sua promessa, e desvela a identidade de Miss Dollar: “A Miss Dollar do romance não é a menina romântica, nem a mulher robusta, nem a velha literata, nem a brasileira rica (...) Miss Dollar é uma cadelinha galga”.


Marisa Lajolo. Do mundo da leitura para a leitura do mundo.

São Paulo: Ática 2011, p.56-57 (com adaptações).


Julgue o item que se segue, relativo ao texto precedente, que consiste em uma leitura literária do conto Miss Dollar, de Machado de Assis. 

Segundo o entendimento da autora do texto precedente, a galeria de leitores personagens do conto Miss Dollar sugere o caráter provinciano e pouco imaginativo do público leitor da época, incapaz de acompanhar a volúpia criativa do autor.
Alternativas
Q3131273 Português

        O conto Miss Dollar, de Machado de Assis, traz o leitor para dentro do texto já na primeira linha: “Era conveniente ao romance que o leitor ficasse muito tempo sem saber quem era Miss Dollar” e “sem a apresentação de Miss Dollar, seria o autor obrigado a longas digressões, que encheriam o papel sem adiantar a ação. Não há hesitação possível: vou apresentar lhes Miss Dollar:”. Engana-se, no entanto, a boa-fé de quem acreditar nessas promessas: ao contrário do que apregoara, o narrador entrega-se à volúpia de imaginar diferentes e variados tipos de leitores, cujas previsões sobre a identidade da personagem-título ele antecipa e desmente, valendo-se da autoridade narratorial. Começa refutando a imagem de Miss Dollar como “uma inglesa pálida e delgada, escassa de carnes e de sangue” creditada à imaginação de um “rapaz dado ao gênio melancólico”. Linhas abaixo, o texto inventa um outro leitor, atribuindo a este a imagem de uma Miss Dollar “robusta americana, vertendo o sangue pelas faces, formas arredondadas, olhos vivos e ardentes, mulher feita, refeita, perfeita”. No parágrafo subsequente, o mesmo imaginoso narrador investiga as expectativas de um outro tipo de leitor: daquele que, tendo já passado a segunda mocidade, tem à sua frente uma velhice sem recursos, para quem, então, a Miss Dollar do conto deve ser “boa inglesa de cinquenta anos, dotada com algumas mil libras esterlinas, e que, aportando ao Brasil em procura de assunto para escrever um romance, realizasse um romance verdadeiro, casando com o leitor aludido”. Vê-se que o narrador de Miss Dollar dispõe de galeria inesgotável de leitores-personagens que faz desfilar pelo texto: ao antecipar uma vez mais interpretações para a personagem-título, ele convoca uma outra imagem de leitor que, lisonjeiramente, qualifica de “Mais esperto que os outros” e cuja esperteza parece consistir na interpretação de Miss Dollar como “brasileira dos quatro costados”, vindo seu nome à conta de sua riqueza: “Miss Dollar quer dizer apenas que a rapariga é rica”. E só depois dessa célere multiplicação de leitores imaginários, incessantemente extraídos de sua algibeira, que, para alívio dos leitores de carne e osso, o narrador cumpre finalmente sua promessa, e desvela a identidade de Miss Dollar: “A Miss Dollar do romance não é a menina romântica, nem a mulher robusta, nem a velha literata, nem a brasileira rica (...) Miss Dollar é uma cadelinha galga”.


Marisa Lajolo. Do mundo da leitura para a leitura do mundo.

São Paulo: Ática 2011, p.56-57 (com adaptações).


Julgue o item que se segue, relativo ao texto precedente, que consiste em uma leitura literária do conto Miss Dollar, de Machado de Assis. 

A partir da argumentação da autora do texto, é possível afirmar que Miss Dollar é um conto cuja matéria literária é a própria arte de construir uma narrativa na qual os leitores são também virtuais personagens.
Alternativas
Q3131272 Português

        O conto Miss Dollar, de Machado de Assis, traz o leitor para dentro do texto já na primeira linha: “Era conveniente ao romance que o leitor ficasse muito tempo sem saber quem era Miss Dollar” e “sem a apresentação de Miss Dollar, seria o autor obrigado a longas digressões, que encheriam o papel sem adiantar a ação. Não há hesitação possível: vou apresentar lhes Miss Dollar:”. Engana-se, no entanto, a boa-fé de quem acreditar nessas promessas: ao contrário do que apregoara, o narrador entrega-se à volúpia de imaginar diferentes e variados tipos de leitores, cujas previsões sobre a identidade da personagem-título ele antecipa e desmente, valendo-se da autoridade narratorial. Começa refutando a imagem de Miss Dollar como “uma inglesa pálida e delgada, escassa de carnes e de sangue” creditada à imaginação de um “rapaz dado ao gênio melancólico”. Linhas abaixo, o texto inventa um outro leitor, atribuindo a este a imagem de uma Miss Dollar “robusta americana, vertendo o sangue pelas faces, formas arredondadas, olhos vivos e ardentes, mulher feita, refeita, perfeita”. No parágrafo subsequente, o mesmo imaginoso narrador investiga as expectativas de um outro tipo de leitor: daquele que, tendo já passado a segunda mocidade, tem à sua frente uma velhice sem recursos, para quem, então, a Miss Dollar do conto deve ser “boa inglesa de cinquenta anos, dotada com algumas mil libras esterlinas, e que, aportando ao Brasil em procura de assunto para escrever um romance, realizasse um romance verdadeiro, casando com o leitor aludido”. Vê-se que o narrador de Miss Dollar dispõe de galeria inesgotável de leitores-personagens que faz desfilar pelo texto: ao antecipar uma vez mais interpretações para a personagem-título, ele convoca uma outra imagem de leitor que, lisonjeiramente, qualifica de “Mais esperto que os outros” e cuja esperteza parece consistir na interpretação de Miss Dollar como “brasileira dos quatro costados”, vindo seu nome à conta de sua riqueza: “Miss Dollar quer dizer apenas que a rapariga é rica”. E só depois dessa célere multiplicação de leitores imaginários, incessantemente extraídos de sua algibeira, que, para alívio dos leitores de carne e osso, o narrador cumpre finalmente sua promessa, e desvela a identidade de Miss Dollar: “A Miss Dollar do romance não é a menina romântica, nem a mulher robusta, nem a velha literata, nem a brasileira rica (...) Miss Dollar é uma cadelinha galga”.


Marisa Lajolo. Do mundo da leitura para a leitura do mundo.

São Paulo: Ática 2011, p.56-57 (com adaptações).


Julgue o item que se segue, relativo ao texto precedente, que consiste em uma leitura literária do conto Miss Dollar, de Machado de Assis. 

Infere-se da leitura do texto que o leitor ‘Mais esperto que os outros’ é aquele capaz de adivinhar os propósitos do autor de um texto literário, baseando-se, sobretudo, nas informações oferecidas pelo narrador em 3.ª pessoa, onisciente e neutro.
Alternativas
Q3131271 Português

        O conto Miss Dollar, de Machado de Assis, traz o leitor para dentro do texto já na primeira linha: “Era conveniente ao romance que o leitor ficasse muito tempo sem saber quem era Miss Dollar” e “sem a apresentação de Miss Dollar, seria o autor obrigado a longas digressões, que encheriam o papel sem adiantar a ação. Não há hesitação possível: vou apresentar lhes Miss Dollar:”. Engana-se, no entanto, a boa-fé de quem acreditar nessas promessas: ao contrário do que apregoara, o narrador entrega-se à volúpia de imaginar diferentes e variados tipos de leitores, cujas previsões sobre a identidade da personagem-título ele antecipa e desmente, valendo-se da autoridade narratorial. Começa refutando a imagem de Miss Dollar como “uma inglesa pálida e delgada, escassa de carnes e de sangue” creditada à imaginação de um “rapaz dado ao gênio melancólico”. Linhas abaixo, o texto inventa um outro leitor, atribuindo a este a imagem de uma Miss Dollar “robusta americana, vertendo o sangue pelas faces, formas arredondadas, olhos vivos e ardentes, mulher feita, refeita, perfeita”. No parágrafo subsequente, o mesmo imaginoso narrador investiga as expectativas de um outro tipo de leitor: daquele que, tendo já passado a segunda mocidade, tem à sua frente uma velhice sem recursos, para quem, então, a Miss Dollar do conto deve ser “boa inglesa de cinquenta anos, dotada com algumas mil libras esterlinas, e que, aportando ao Brasil em procura de assunto para escrever um romance, realizasse um romance verdadeiro, casando com o leitor aludido”. Vê-se que o narrador de Miss Dollar dispõe de galeria inesgotável de leitores-personagens que faz desfilar pelo texto: ao antecipar uma vez mais interpretações para a personagem-título, ele convoca uma outra imagem de leitor que, lisonjeiramente, qualifica de “Mais esperto que os outros” e cuja esperteza parece consistir na interpretação de Miss Dollar como “brasileira dos quatro costados”, vindo seu nome à conta de sua riqueza: “Miss Dollar quer dizer apenas que a rapariga é rica”. E só depois dessa célere multiplicação de leitores imaginários, incessantemente extraídos de sua algibeira, que, para alívio dos leitores de carne e osso, o narrador cumpre finalmente sua promessa, e desvela a identidade de Miss Dollar: “A Miss Dollar do romance não é a menina romântica, nem a mulher robusta, nem a velha literata, nem a brasileira rica (...) Miss Dollar é uma cadelinha galga”.


Marisa Lajolo. Do mundo da leitura para a leitura do mundo.

São Paulo: Ática 2011, p.56-57 (com adaptações).


Julgue o item que se segue, relativo ao texto precedente, que consiste em uma leitura literária do conto Miss Dollar, de Machado de Assis. 

A organização retórica do conto de Machado de Assis baseia-se em uma “célere multiplicação de leitores imaginários”, cujas definições de Miss Dollar são frustradas ante a revelação final do narrador, a qual resulta em efeito cômico de surpresa para o leitor real.
Alternativas
Q3131270 Português
Graciliano Ramos: 

Falo somente com o que falo:
com as mesmas vinte palavras
girando ao redor do sol
que as limpa do que não é faca: 

de toda uma crosta viscosa,
resto de janta abaianada,
que fica na lâmina e cega
seu gosto da cicatriz clara. 

(...) 

Falo somente do que falo: 
do seco e de suas paisagens,
 Nordestes, debaixo de um sol
ali do mais quente vinagre: 

que reduz tudo ao espinhaço, 
cresta o simplesmente folhagem, 
folha prolixa, folharada, onde possa esconder-se a fraude. 

(...) 

Falo somente por quem falo:
por quem existe nesses climas 
condicionados pelo sol,
pelo gavião e outras rapinas:

e onde estão os solos inertes
de tantas condições caatinga
em que só cabe cultivar
o que é sinônimo da míngua. 

(...) 

Falo somente para quem falo: 
quem padece sono de morto 
e precisa um despertador 
acre, como o sol sobre o olho: 

que é quando o sol é estridente,
a contrapelo, imperioso, 
e bate nas pálpebras como 
se bate numa porta a socos. 

João Cabral de Melo Neto. Obra completa: volume único.
Org. Marly de Oliveira. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. p. 311-312.

        “Senti-me bastante perturbada com a necessidade de passar para o papel aquilo que algumas pessoas que ‘habitavam’ a minha cabeça estavam querendo dizer-me. Então perguntei ao Paim (o marido) se aquilo daria mesmo um conto, ou quem sabe um romance. Ele apenas aconselhou-me a dar corpo ao texto, mesmo que não fosse um romance.” Alina passou a escrever à noite enquanto o marido dormia, pois não queria que lesse absolutamente nada. Cinco meses depois de tê-lo concluído, tratou de ir à confeitaria Colombo, em Copacabana; em uma dessas oportunidades, deparou-se com Graciliano Ramos, a quem confiou o manuscrito de Estrada da liberdade; porém, sua única exigência era que ele dissesse se o que produziu era mesmo um romance. Acertaram um reencontro para 15 dias mais tarde. Qual foi sua surpresa ao ouvi-lo dizer: “Alina, é um romance, sim, e dos bons, porém falta-lhe aprimorar a técnica.” Segundo a romancista, naquele momento nasceu uma grande amizade entre ambos, capaz de despertar ciúmes não apenas no mundo literário, mas em alguns familiares e amigos. Iniciaram-se as aulas de técnicas literárias na casa de Graciliano, de modo que ele se tornou responsável pela correção e leitura dos seus dois romances seguintes. Sua amizade, com aquele a quem chamou carinhosamente de “Mestre Graça”, rompeu-se nove anos mais tarde, por ocasião de sua morte. 

Ana Maria Leal Cardoso. Alina Paim: uma romancista esquecida nos labirintos do tempo. In: Aletria, maio-ago 2010, n. 2, v. 20, p.126-127 (com adaptações). 

        Poucas vezes terá visto o romance brasileiro uma estreia tão segura de si quanto a de Francisco J. C. Dantas. O precedente, ilustre, que logo acode a lembrança é obviamente o de Graciliano Ramos com Caetés (1933). Tal como o ex-prefeito de Palmeira dos Índios que se apresentou escritor já feito aos olhos de seus primeiros leitores, este sergipano professor de Letras que, além de ter cumprido a penitência de duas teses universitárias, só publicara até agora contos e ensaios esparsos, é dono de uma linguagem vigorosa, pessoal, rara de encontrar-se num romance de estreia. Coivara da memória é outrossim, como Caetés, um romance meio fora de moda. Melhor dizendo: providencialmente fora de moda. 

José Paulo Paes. No rescaldo do fogo morto: sobre a “Coivara da Memória”
de Francisco Dantas. In: Transleituras. São Paulo, Ática, 1995, p.46. 




Em seu texto, José Paulo Paes afirma que Coivara da memória é um romance “meio fora de moda”, o que evidencia seu propósito crítico de informar implicitamente o valor relativo dessa obra de Francisco Dantas.
Alternativas
Q3131267 Português
Graciliano Ramos: 

Falo somente com o que falo:
com as mesmas vinte palavras
girando ao redor do sol
que as limpa do que não é faca: 

de toda uma crosta viscosa,
resto de janta abaianada,
que fica na lâmina e cega
seu gosto da cicatriz clara. 

(...) 

Falo somente do que falo: 
do seco e de suas paisagens,
 Nordestes, debaixo de um sol
ali do mais quente vinagre: 

que reduz tudo ao espinhaço, 
cresta o simplesmente folhagem, 
folha prolixa, folharada, onde possa esconder-se a fraude. 

(...) 

Falo somente por quem falo:
por quem existe nesses climas 
condicionados pelo sol,
pelo gavião e outras rapinas:

e onde estão os solos inertes
de tantas condições caatinga
em que só cabe cultivar
o que é sinônimo da míngua. 

(...) 

Falo somente para quem falo: 
quem padece sono de morto 
e precisa um despertador 
acre, como o sol sobre o olho: 

que é quando o sol é estridente,
a contrapelo, imperioso, 
e bate nas pálpebras como 
se bate numa porta a socos. 

João Cabral de Melo Neto. Obra completa: volume único.
Org. Marly de Oliveira. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. p. 311-312.

        “Senti-me bastante perturbada com a necessidade de passar para o papel aquilo que algumas pessoas que ‘habitavam’ a minha cabeça estavam querendo dizer-me. Então perguntei ao Paim (o marido) se aquilo daria mesmo um conto, ou quem sabe um romance. Ele apenas aconselhou-me a dar corpo ao texto, mesmo que não fosse um romance.” Alina passou a escrever à noite enquanto o marido dormia, pois não queria que lesse absolutamente nada. Cinco meses depois de tê-lo concluído, tratou de ir à confeitaria Colombo, em Copacabana; em uma dessas oportunidades, deparou-se com Graciliano Ramos, a quem confiou o manuscrito de Estrada da liberdade; porém, sua única exigência era que ele dissesse se o que produziu era mesmo um romance. Acertaram um reencontro para 15 dias mais tarde. Qual foi sua surpresa ao ouvi-lo dizer: “Alina, é um romance, sim, e dos bons, porém falta-lhe aprimorar a técnica.” Segundo a romancista, naquele momento nasceu uma grande amizade entre ambos, capaz de despertar ciúmes não apenas no mundo literário, mas em alguns familiares e amigos. Iniciaram-se as aulas de técnicas literárias na casa de Graciliano, de modo que ele se tornou responsável pela correção e leitura dos seus dois romances seguintes. Sua amizade, com aquele a quem chamou carinhosamente de “Mestre Graça”, rompeu-se nove anos mais tarde, por ocasião de sua morte. 

Ana Maria Leal Cardoso. Alina Paim: uma romancista esquecida nos labirintos do tempo. In: Aletria, maio-ago 2010, n. 2, v. 20, p.126-127 (com adaptações). 

        Poucas vezes terá visto o romance brasileiro uma estreia tão segura de si quanto a de Francisco J. C. Dantas. O precedente, ilustre, que logo acode a lembrança é obviamente o de Graciliano Ramos com Caetés (1933). Tal como o ex-prefeito de Palmeira dos Índios que se apresentou escritor já feito aos olhos de seus primeiros leitores, este sergipano professor de Letras que, além de ter cumprido a penitência de duas teses universitárias, só publicara até agora contos e ensaios esparsos, é dono de uma linguagem vigorosa, pessoal, rara de encontrar-se num romance de estreia. Coivara da memória é outrossim, como Caetés, um romance meio fora de moda. Melhor dizendo: providencialmente fora de moda. 

José Paulo Paes. No rescaldo do fogo morto: sobre a “Coivara da Memória”
de Francisco Dantas. In: Transleituras. São Paulo, Ática, 1995, p.46. 




A semelhança entre Caetés, romance de estreia de Graciliano Ramos, e Coivara da memória, primeiro romance de Francisco Dantas, mencionados no texto de José Paulo Paes, reside fundamentalmente no fato de que ambos os romancistas publicaram suas longas narrativas apenas em sua maturidade etária e literária.
Alternativas
Q3131265 Português
Graciliano Ramos: 

Falo somente com o que falo:
com as mesmas vinte palavras
girando ao redor do sol
que as limpa do que não é faca: 

de toda uma crosta viscosa,
resto de janta abaianada,
que fica na lâmina e cega
seu gosto da cicatriz clara. 

(...) 

Falo somente do que falo: 
do seco e de suas paisagens,
 Nordestes, debaixo de um sol
ali do mais quente vinagre: 

que reduz tudo ao espinhaço, 
cresta o simplesmente folhagem, 
folha prolixa, folharada, onde possa esconder-se a fraude. 

(...) 

Falo somente por quem falo:
por quem existe nesses climas 
condicionados pelo sol,
pelo gavião e outras rapinas:

e onde estão os solos inertes
de tantas condições caatinga
em que só cabe cultivar
o que é sinônimo da míngua. 

(...) 

Falo somente para quem falo: 
quem padece sono de morto 
e precisa um despertador 
acre, como o sol sobre o olho: 

que é quando o sol é estridente,
a contrapelo, imperioso, 
e bate nas pálpebras como 
se bate numa porta a socos. 

João Cabral de Melo Neto. Obra completa: volume único.
Org. Marly de Oliveira. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. p. 311-312.

        “Senti-me bastante perturbada com a necessidade de passar para o papel aquilo que algumas pessoas que ‘habitavam’ a minha cabeça estavam querendo dizer-me. Então perguntei ao Paim (o marido) se aquilo daria mesmo um conto, ou quem sabe um romance. Ele apenas aconselhou-me a dar corpo ao texto, mesmo que não fosse um romance.” Alina passou a escrever à noite enquanto o marido dormia, pois não queria que lesse absolutamente nada. Cinco meses depois de tê-lo concluído, tratou de ir à confeitaria Colombo, em Copacabana; em uma dessas oportunidades, deparou-se com Graciliano Ramos, a quem confiou o manuscrito de Estrada da liberdade; porém, sua única exigência era que ele dissesse se o que produziu era mesmo um romance. Acertaram um reencontro para 15 dias mais tarde. Qual foi sua surpresa ao ouvi-lo dizer: “Alina, é um romance, sim, e dos bons, porém falta-lhe aprimorar a técnica.” Segundo a romancista, naquele momento nasceu uma grande amizade entre ambos, capaz de despertar ciúmes não apenas no mundo literário, mas em alguns familiares e amigos. Iniciaram-se as aulas de técnicas literárias na casa de Graciliano, de modo que ele se tornou responsável pela correção e leitura dos seus dois romances seguintes. Sua amizade, com aquele a quem chamou carinhosamente de “Mestre Graça”, rompeu-se nove anos mais tarde, por ocasião de sua morte. 

Ana Maria Leal Cardoso. Alina Paim: uma romancista esquecida nos labirintos do tempo. In: Aletria, maio-ago 2010, n. 2, v. 20, p.126-127 (com adaptações). 

        Poucas vezes terá visto o romance brasileiro uma estreia tão segura de si quanto a de Francisco J. C. Dantas. O precedente, ilustre, que logo acode a lembrança é obviamente o de Graciliano Ramos com Caetés (1933). Tal como o ex-prefeito de Palmeira dos Índios que se apresentou escritor já feito aos olhos de seus primeiros leitores, este sergipano professor de Letras que, além de ter cumprido a penitência de duas teses universitárias, só publicara até agora contos e ensaios esparsos, é dono de uma linguagem vigorosa, pessoal, rara de encontrar-se num romance de estreia. Coivara da memória é outrossim, como Caetés, um romance meio fora de moda. Melhor dizendo: providencialmente fora de moda. 

José Paulo Paes. No rescaldo do fogo morto: sobre a “Coivara da Memória”
de Francisco Dantas. In: Transleituras. São Paulo, Ática, 1995, p.46. 




O texto poético apresentado, além da referência explícita a Graciliano Ramos, reflete, em versos, a essência dos romances desse escritor, notadamente Vidas secas.
Alternativas
Q3129867 Português
Tu, místico

Tu, místico, vês uma significação em todas as coisas.
Para ti tudo tem um sentido velado.
Há uma coisa oculta em cada coisa que vês.
O que vês, vê-lo sempre para veres outra coisa.

Para mim, graças a ter olhos só para ver,
Eu vejo ausência de significação em todas as coisas;
Vejo-o e amo-me, porque ser uma coisa é não
significar nada.
Ser uma coisa é não ser suscetível de interpretação.


(“Poemas Inconjuntos”. In Poemas de Alberto
Caeiro. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1946.) 

A respeito das ideias do poema, analise as assertivas que seguem:


I. O eu lírico acredita que ser uma coisa implica que ela não tem nenhum valor.

II. O eu lírico defende que a busca por significados profundos é a melhor maneira de se relacionar com a realidade.


Das assertivas, pode-se afirmar que:  

Alternativas
Q3129866 Português
Tu, místico

Tu, místico, vês uma significação em todas as coisas.
Para ti tudo tem um sentido velado.
Há uma coisa oculta em cada coisa que vês.
O que vês, vê-lo sempre para veres outra coisa.

Para mim, graças a ter olhos só para ver,
Eu vejo ausência de significação em todas as coisas;
Vejo-o e amo-me, porque ser uma coisa é não
significar nada.
Ser uma coisa é não ser suscetível de interpretação.


(“Poemas Inconjuntos”. In Poemas de Alberto
Caeiro. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1946.) 
Qual é a visão do eu lírico sobre a interpretação da realidade, conforme expresso no poema? 
Alternativas
Q3129864 Português
Tu, místico

Tu, místico, vês uma significação em todas as coisas.
Para ti tudo tem um sentido velado.
Há uma coisa oculta em cada coisa que vês.
O que vês, vê-lo sempre para veres outra coisa.

Para mim, graças a ter olhos só para ver,
Eu vejo ausência de significação em todas as coisas;
Vejo-o e amo-me, porque ser uma coisa é não
significar nada.
Ser uma coisa é não ser suscetível de interpretação.


(“Poemas Inconjuntos”. In Poemas de Alberto
Caeiro. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1946.) 
Como a percepção do eu lírico se reflete na frase Eu vejo ausência de significação em todas as coisas
Alternativas
Q3129863 Português
Tu, místico

Tu, místico, vês uma significação em todas as coisas.
Para ti tudo tem um sentido velado.
Há uma coisa oculta em cada coisa que vês.
O que vês, vê-lo sempre para veres outra coisa.

Para mim, graças a ter olhos só para ver,
Eu vejo ausência de significação em todas as coisas;
Vejo-o e amo-me, porque ser uma coisa é não
significar nada.
Ser uma coisa é não ser suscetível de interpretação.


(“Poemas Inconjuntos”. In Poemas de Alberto
Caeiro. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1946.) 
Qual é a principal diferença entre a visão do “místico” e a do eu lírico no poema, considerando suas percepções sobre o significado e a interpretação da realidade? 
Alternativas
Q3129635 Português

Texto CG1A1-I


    Investir em educação na primeira infância representa, além de vantagens para o desenvolvimento individual, retorno social e econômico. O economista norte-americano James Heckman, um dos ganhadores do prêmio Nobel na área econômica no ano 2000, conduziu pesquisa que acompanhou, ao longo do tempo, várias crianças com e sem acesso a ensino de qualidade. O objetivo era conferir os impactos da educação no curto, no médio e no longo prazo.


    “Os resultados desse trabalho mostram que cada dólar investido traz um retorno social de sete dólares”, aponta Karina Fasson, da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, organização da sociedade civil que trabalha pela causa da primeira infância. Ela afirma que “as ações educativas voltadas para o começo da vida têm o poder de minimizar a carga que as demais políticas públicas carregam”. Isso quer dizer que investir em educação na primeira infância é uma estratégia eficaz para reduzir os custos sociais no futuro.


    Segundo Fasson, quando se pensa em políticas públicas, o retorno é mais significativo na fase pré-escolar que em qualquer outra etapa da vida. “No longo prazo, quem é mais estimulado tem maior aprendizado e maior progressão escolar, e isso tem reflexos na inserção no mercado de trabalho e nos salários, além de favorecer menor envolvimento em situações de vulnerabilidade, como a criminalidade e o uso de drogas, e tem consequências também na saúde das pessoas”, ressalta. Tudo isso, a especialista afirma, não só tem efeito na trajetória educacional, mas também repercute ao longo da vida do indivíduo e impacta a sociedade como um todo. 


Internet: <novaescola.org.br> (com adaptações).

Com base nas ideias veiculadas no texto CG1A1-I, julgue o item a seguir. 


Segundo a especialista Karina Fasson, os indivíduos que recebem estímulos em longo prazo, independentemente da etapa da vida, são os que têm as maiores chances de inserção no mercado de trabalho e acesso aos melhores salários, além de mínimo envolvimento com a criminalidade. 

Alternativas
Q3129634 Português

Texto CG1A1-I


    Investir em educação na primeira infância representa, além de vantagens para o desenvolvimento individual, retorno social e econômico. O economista norte-americano James Heckman, um dos ganhadores do prêmio Nobel na área econômica no ano 2000, conduziu pesquisa que acompanhou, ao longo do tempo, várias crianças com e sem acesso a ensino de qualidade. O objetivo era conferir os impactos da educação no curto, no médio e no longo prazo.


    “Os resultados desse trabalho mostram que cada dólar investido traz um retorno social de sete dólares”, aponta Karina Fasson, da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, organização da sociedade civil que trabalha pela causa da primeira infância. Ela afirma que “as ações educativas voltadas para o começo da vida têm o poder de minimizar a carga que as demais políticas públicas carregam”. Isso quer dizer que investir em educação na primeira infância é uma estratégia eficaz para reduzir os custos sociais no futuro.


    Segundo Fasson, quando se pensa em políticas públicas, o retorno é mais significativo na fase pré-escolar que em qualquer outra etapa da vida. “No longo prazo, quem é mais estimulado tem maior aprendizado e maior progressão escolar, e isso tem reflexos na inserção no mercado de trabalho e nos salários, além de favorecer menor envolvimento em situações de vulnerabilidade, como a criminalidade e o uso de drogas, e tem consequências também na saúde das pessoas”, ressalta. Tudo isso, a especialista afirma, não só tem efeito na trajetória educacional, mas também repercute ao longo da vida do indivíduo e impacta a sociedade como um todo. 


Internet: <novaescola.org.br> (com adaptações).

Com base nas ideias veiculadas no texto CG1A1-I, julgue o item a seguir. 


Conclui-se das falas de Karina Fasson que o investimento em política pública de educação voltada para o desenvolvimento dos primeiros anos de vida das crianças está relacionado com o resultado alcançado em outras áreas associadas a políticas públicas de Estado.

Alternativas
Q3129633 Português

Texto CG1A1-I


    Investir em educação na primeira infância representa, além de vantagens para o desenvolvimento individual, retorno social e econômico. O economista norte-americano James Heckman, um dos ganhadores do prêmio Nobel na área econômica no ano 2000, conduziu pesquisa que acompanhou, ao longo do tempo, várias crianças com e sem acesso a ensino de qualidade. O objetivo era conferir os impactos da educação no curto, no médio e no longo prazo.


    “Os resultados desse trabalho mostram que cada dólar investido traz um retorno social de sete dólares”, aponta Karina Fasson, da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, organização da sociedade civil que trabalha pela causa da primeira infância. Ela afirma que “as ações educativas voltadas para o começo da vida têm o poder de minimizar a carga que as demais políticas públicas carregam”. Isso quer dizer que investir em educação na primeira infância é uma estratégia eficaz para reduzir os custos sociais no futuro.


    Segundo Fasson, quando se pensa em políticas públicas, o retorno é mais significativo na fase pré-escolar que em qualquer outra etapa da vida. “No longo prazo, quem é mais estimulado tem maior aprendizado e maior progressão escolar, e isso tem reflexos na inserção no mercado de trabalho e nos salários, além de favorecer menor envolvimento em situações de vulnerabilidade, como a criminalidade e o uso de drogas, e tem consequências também na saúde das pessoas”, ressalta. Tudo isso, a especialista afirma, não só tem efeito na trajetória educacional, mas também repercute ao longo da vida do indivíduo e impacta a sociedade como um todo. 


Internet: <novaescola.org.br> (com adaptações).

Com base nas ideias veiculadas no texto CG1A1-I, julgue o item a seguir. 


De acordo com o texto, o maior retorno do investimento em educação escolar na primeira infância é observado nos campos social e econômico.

Alternativas
Q3129632 Português

Texto CG1A1-I


    Investir em educação na primeira infância representa, além de vantagens para o desenvolvimento individual, retorno social e econômico. O economista norte-americano James Heckman, um dos ganhadores do prêmio Nobel na área econômica no ano 2000, conduziu pesquisa que acompanhou, ao longo do tempo, várias crianças com e sem acesso a ensino de qualidade. O objetivo era conferir os impactos da educação no curto, no médio e no longo prazo.


    “Os resultados desse trabalho mostram que cada dólar investido traz um retorno social de sete dólares”, aponta Karina Fasson, da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, organização da sociedade civil que trabalha pela causa da primeira infância. Ela afirma que “as ações educativas voltadas para o começo da vida têm o poder de minimizar a carga que as demais políticas públicas carregam”. Isso quer dizer que investir em educação na primeira infância é uma estratégia eficaz para reduzir os custos sociais no futuro.


    Segundo Fasson, quando se pensa em políticas públicas, o retorno é mais significativo na fase pré-escolar que em qualquer outra etapa da vida. “No longo prazo, quem é mais estimulado tem maior aprendizado e maior progressão escolar, e isso tem reflexos na inserção no mercado de trabalho e nos salários, além de favorecer menor envolvimento em situações de vulnerabilidade, como a criminalidade e o uso de drogas, e tem consequências também na saúde das pessoas”, ressalta. Tudo isso, a especialista afirma, não só tem efeito na trajetória educacional, mas também repercute ao longo da vida do indivíduo e impacta a sociedade como um todo. 


Internet: <novaescola.org.br> (com adaptações).

Com base nas ideias veiculadas no texto CG1A1-I, julgue o item a seguir. 


Os resultados do trabalho conduzido por James Heckman indicam, de forma imprecisa, o retorno socioeconômico do investimento realizado nos anos escolares iniciais.  

Alternativas
Q3129631 Português

Texto CG1A1-I


    Investir em educação na primeira infância representa, além de vantagens para o desenvolvimento individual, retorno social e econômico. O economista norte-americano James Heckman, um dos ganhadores do prêmio Nobel na área econômica no ano 2000, conduziu pesquisa que acompanhou, ao longo do tempo, várias crianças com e sem acesso a ensino de qualidade. O objetivo era conferir os impactos da educação no curto, no médio e no longo prazo.


    “Os resultados desse trabalho mostram que cada dólar investido traz um retorno social de sete dólares”, aponta Karina Fasson, da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, organização da sociedade civil que trabalha pela causa da primeira infância. Ela afirma que “as ações educativas voltadas para o começo da vida têm o poder de minimizar a carga que as demais políticas públicas carregam”. Isso quer dizer que investir em educação na primeira infância é uma estratégia eficaz para reduzir os custos sociais no futuro.


    Segundo Fasson, quando se pensa em políticas públicas, o retorno é mais significativo na fase pré-escolar que em qualquer outra etapa da vida. “No longo prazo, quem é mais estimulado tem maior aprendizado e maior progressão escolar, e isso tem reflexos na inserção no mercado de trabalho e nos salários, além de favorecer menor envolvimento em situações de vulnerabilidade, como a criminalidade e o uso de drogas, e tem consequências também na saúde das pessoas”, ressalta. Tudo isso, a especialista afirma, não só tem efeito na trajetória educacional, mas também repercute ao longo da vida do indivíduo e impacta a sociedade como um todo. 


Internet: <novaescola.org.br> (com adaptações).

Com base nas ideias veiculadas no texto CG1A1-I, julgue o item a seguir. 


Infere-se da leitura do texto que o investimento na educação infantil gera consequências positivas tanto para a trajetória educacional do indivíduo quanto para a comunidade em geral.

Alternativas
Q3129460 Português

Leia o texto a seguir.


JOVEM DE 26 ANOS MORRE DEVIDO A “CARGA DE TRABALHO EXTENUANTE” Morte de contadora levanta debate sobre cultura de trabalho desgastante, ninguém da empresa compareceu ao funeral



Anna Sebastian Perayil, de 26 anos, passou quatro meses no cargo de contadora da SR Batliboi, empresa membro da Ernst & Young (EY), multinacional do ramo de auditoria, na Índia. Até que ela faleceu, no último mês de julho. Desde então, sua história tem levantado debates em todo o mundo. Isso porque, segundo sua família, a morte foi causada por uma carga extenuante de trabalho.


O pai da jovem, Siby Joseph, disse que a filha morreu em consequência da combinação de “vários problemas, incluindo refluxo ácido, estresse no trabalho, [e] pressão no trabalho”. Em uma carta enviada à Ernst & Young, Anita Augustine, mãe de Anna, contou que a mulher começou a trabalhar na empresa em março, mas “a carga de trabalho, o novo ambiente e as longas horas afetaram-na física, emocional e mentalmente”.


Segundo a mãe, no último mês de julho, Anna precisou consultar um médico por sentir uma “pressão no peito” por uma semana. O médico prescreveu antiácidos e apontou que ela “não estava dormindo o suficiente e estava comendo muito tarde”. Mesmo com o alerta, a filha continuou a trabalhar “até tarde da noite, mesmo nos fins de semana, sem oportunidade de recuperar o fôlego”.


“A experiência de Anna lança luz sobre uma cultura de trabalho que parece glorificar o excesso de trabalho enquanto negligencia os seres humanos por trás das funções. Não se trata apenas da minha filha, mas de cada jovem profissional que se junta à EY cheio de esperanças e sonhos, apenas para ser esmagado sob o peso de expectativas irrealistas”, diz um trecho da carta. Anita destacou que a morte de Anna deveria servir de alerta para a empresa. No entanto, em entrevista a um jornal indiano, ela contou que ninguém da Ernst & Young compareceu ao funeral de sua filha e sequer obteve alguma resposta da empresa.


Disponível em:

<https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2024/09/6948581-jovemde-26-anos-morre-devido-a-carga-de-trabalho-extenuante.html>. Acesso

em: 02 out. 2024. [Adaptado].



A partir da leitura da reportagem do jornal Correio Braziliense, podemos inferir que

Alternativas
Q3129362 Português

Leia o texto a seguir.


Saúde mental: trabalhadores da geração z são os que mais sofrem burnout


Juliana Sousa 


A Síndrome do Esgotamento Profissional é um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico. Recém-formada em publicidade e propaganda, Maria* (*nome fictício) foi contratada em uma renomada empresa do ramo com apenas 23 anos. Certa de que a carreira daria espaço para sua criatividade, a jovem acreditou que a oportunidade seria um divisor de águas em sua vida profissional, até que a rotina de trabalho mudou drasticamente em 2020, com a chegada da pandemia da covid-19. Muitos de seus colegas foram demitidos para cortar gastos, a pressão em seu trabalho aumentou. O home office, prazos apertados, reuniões virtuais intermináveis e a urgência de criar campanhas que ressoassem com um público isolado tornaram-se a nova realidade.  

Em meio ao caos, a agência exigia resultados, Maria se sentiu obrigada a se comprometer ainda mais com medo de perder a tão sonhada chance. “Eu acordava preocupada e ia dormir sempre muito tarde. Eu nem tinha tempo para pensar se estava cansada, recebia ligações intermináveis a quase qualquer hora do dia. Eu só pensava em trabalhar, em fazer bem feito e tentar não estragar tudo”, contou a jovem que não sabia, mas já apresentava os primeiros sintomas de algo que a acompanharia por muito tempo: a Síndrome de Burnout.

Declarada doença ocupacional desde 2022 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a Síndrome do Esgotamento Profissional é um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico que pode ser resultante de situações de trabalho desgastante que demanda muita competitividade ou responsabilidade.

Segundo uma pesquisa da Harvard Business Review (2022), 50% dos trabalhadores da Geração Z (nascidos entre 1995 e 2010) relataram que suas experiências de trabalho estão afetando sua saúde mental, e 75% disseram que desejam ver mais apoio de suas organizações em relação à saúde mental.

O relatório da Pew Research Center, publicado no mesmo ano, reforça esse resultado. O estudo destacou que a faixa etária enfrenta pressões significativas relacionadas a expectativas de desempenho, segurança financeira e questões sociais, que são fatores que podem contribuir para o burnout.


Disponível em:

<https://www.correiobraziliense.com.br/brasil/2024/09/6947751-

trabalhadores-da-geracao-z-sao-os-que-mais-sofrem-burnout.html>.

Acesso em: 01 out. 2024. [Adaptado].



A partir da interpretação textual da reportagem do jornal Correio Braziliense e do contexto abordado, qual trecho que resume a reportagem do jornal Correio Braziliense? 

Alternativas
Respostas
3181: E
3182: C
3183: E
3184: C
3185: E
3186: C
3187: E
3188: E
3189: C
3190: D
3191: B
3192: A
3193: D
3194: E
3195: C
3196: E
3197: E
3198: C
3199: D
3200: C