Questões de Concurso
Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português
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No que se refere às ideias e aos aspectos linguísticos do texto acima, julgue o item.
O presente foi empregado nas formas verbais “atinge” (l.10), “marca” (l.14), “exige” (l.17) e “passa” (l.18) para indicar uma ação habitual, iniciada no passado e que se estende ao momento em que o texto foi escrito.
No que se refere às ideias e aos aspectos linguísticos do texto acima, julgue o item.
O texto apresenta uma avaliação positiva das mudanças
induzidas pela Lei de Responsabilidade Fiscal em seus quinze
anos de vigência, ressaltando a necessidade de realização de
ajustes normativos em alguns de seus pontos.
Julgue o item que se segue com relação às ideias e estruturas linguísticas do texto III.
A medida polêmica abordada no primeiro parágrafo promoveu
o debate nacional a respeito da questão dos negros e dos
indígenas na realidade brasileira.
Julgue o item que se segue com relação às ideias e estruturas linguísticas do texto III.
Infere-se do texto que, até a data de criação do PAS,
13.402 alunos foram aprovados no vestibular da UnB.
Julgue o item que se segue com relação às ideias e estruturas linguísticas do texto III.
Infere-se do trecho “Outra inovação” (l.10) que a adoção do
sistema de cotas foi uma inovação.
A respeito das ideias e das estruturas linguísticas do texto III, julgue o item subsecutivo.
O texto destaca a isenção de obrigações das pessoas para com o mundo material.
A respeito das ideias e das estruturas linguísticas do texto II, julgue o item subsecutivo.
No primeiro parágrafo, embora haja omissão de termos
empregados anteriormente, foi mantido o paralelismo
sintático-semântico no trecho.
Com relação ao texto I, julgue o próximo item.
Infere-se do texto que o paradigma estabelecido pela bioeconomia vai ao encontro do modelo de desenvolvimento econômico dependente de recursos não renováveis.
Chove chuva
Água, água e mais água. É tudo o que eu tenho a oferecer. Escrever o maior número de vezes a palavra mágica, na certeza de que águas passadas não movem moinhos, mas podem, de tanto serem sugeridas, sensibilizar os céus e fazer com que elas desabem sobre nós. E que depois se faça o arco-íris. Que depois apareça, toda de branco, toda molhada e despenteada, que maravilha!, a coisa linda que é o meu amor,
Eu gostaria de repetir a dança da chuva, a coreografia provocativa dos cheyennes, tantas vezes vista nos filmes. Falta-me o requebro. Temo também que o ridículo da cena faça o feitiço ir água abaixo. Eu gostaria de subir aos ares, como um Santos Dumont tardio, bombardear as nuvens com cloreto de sódio. Se não desse certo, pelo menos chegaria perto do ouvido de São Pedro e, com piadas do tipo “afogar o ganso” e “molhar o biscoito”, faria com que o santo relaxasse e abrisse as torneiras.
De nada disso, no entanto, sou capaz. Fico aqui, no limite do meu oceano, jacaré no seco anda, escrevendo e evocando as águas que passaram pela ponte da memória. Lembro, vizinha à minha casa, na Vila da Penha dos rios transbordantes, a compositora Zilda do Zé, de “As águas vão rolar”. A sua força ancestral, grande sambista, eu evoco agora, mesmo sabendo que a letra da música se refere à água que passarinho não bebe.
Todas as águas devem ser provocadas nesta imensa onda de pensamento positivo, e eu agora molho reverente os pés do balcão com o primeiro gole para o santo. Finjo-me pau d’água e sigo em frente. Nem aí para os incréus, nem aí para os que zombam da fé, esses insensatos. A todos peço que leiam na minha camisa e não desistam: “Água mole em pedra dura tanto bate até que fura".
[...]
O sonho acabou há tempo, e lá se foi John Lennon morto. Agora chegou a nostalgia da água, de torcer pelo volume morto e sentir saudade de ver um arco-íris emoldurando o Pão de Açúcar depois da pancada de verão. Como explicar a uma criança que sol e chuva é casamento de viúva? Como explicar a deliciosa aflição de dormir se perguntando “será que vai dar praia?”, se agora todo dia é dia de sol?
A propósito, eu li o grande poeta sentado no banco da praia e sei que a sede é infinita, que na nossa secura de amar é preciso buscar a água implícita, o beijo tácito — mas acho que é poesia demais para uma hora dessas. Urge, como queria Benjor, que chova chuva. Canivetes. Gatos e cachorros. Se Joseph Conrad traduziu a guerra com “o horror, o horror, o horror”, chegou a vez de resumir o nosso tempo com “a seca, a seca, a seca” — e bater os tambores na direção contrária. Saúdo para que se faça nuvem, e a todos cubra com o seu divino manto líquido, a saudosa Maria, a santa carioca que a incomparável Marlene viu subindo o morro com a lata d'água na cabeça.
2015 promete ser terrível, mas há quem ache
bom negócio refletir sobre os valores básicos da
sobrevivência, o que o homem está fazendo com o
meio ambiente. Vai ser o ano de valorizar como bem
de consumo insuperável não o Chanel n° 5, mas o
cheiro da terra molhada depois do toró de fim de
tarde. Que assim seja. Que se cumpra a felicidade de
ouvir Tom Jobim ao piano, tecla por tecla, gota a gota,
celebrando a cena real de, lá fora, estar chovendo na roseira.
Ah, quem me dera ligar o rádio e escutar o formidável português ruim da edição extraordinária. Aumentar o som para deixar o locutor gritar — os clichês boiando molhadinhos pelo tesão da notícia — que chove a cântaros em todos os quadrantes da Cidade Maravilhosa.
(SANTOS, Joaquim Ferreira dos. Chove chuva. In: O Globo, 26.01.2015.)
Cinco mitos sobre a idade da informação
I - O livro morreu.
II - Entramos na idade da informação.
III - Agora, toda informação está disponível online.
IV - As bibliotecas são obsoletas.
V - O futuro é digital.
Fonte: DARTON, Robert. Cinco mitos sobre a idade da informação.
Tradução J. Amado. , ed. 638, 20 abr. 2011. Observatório da Imprensa Disponível em:
http://www.observatoriodaimprensa.com.br. Acesso em: 01 abr. 2015. (Adaptado)
Considere os mitos I, II, III e V para o estabelecimento da seguinte relação:
II é causa de I e III.
V é conclusão.
A alternativa que atende à relação solicitada é
Julgue o item que se segue, referente ao sentido e a aspectos gramaticais do texto.
Para o autor do texto, o liberalismo tem sua origem relacionada
a três elementos distintos: a dimensão ‘ético-filosófica’, a
dimensão econômica e a perspectiva ‘político-jurídica’.
Julgue o próximo item , relativo à ideia do texto.
Segundo o autor do texto, não há coerência entre a perspectiva
‘político-jurídica’ e a dimensão econômica do liberalismo.
Julgue o próximo item , relativo à ideia do texto.
Conclui-se do texto que o autor apresenta uma reflexão, de
cunho comparativo, acerca das relações estabelecidas entre
movimentos sociais ocorridos no Brasil e sua vinculação com
determinada doutrina europeia.
Julgue o próximo item , relativo à ideia do texto.
O autor menciona as ideias defendidas por Emília Viotti da Costa como um contraponto a suas próprias ideias, e acaba por refutar as ideias da referida autora.
Conforme as ideias apresentadas no texto,
nas sociedades antigas, houve período em que o direito era
consuetudinário, ou seja, baseava-se nas práticas, nos hábitos
e nos costumes da sociedade.
Conforme as ideias apresentadas no texto,
nas sociedades antigas, a origem do direito esteve diretamente
relacionada ao declínio do poder real exercido por monarcas
hereditários e à emergência de aristocracias.
Conforme as ideias apresentadas no texto,
a evolução do direito desde as sociedades antigas passou por
apenas dois períodos evolutivos.
Conforme as ideias apresentadas no texto,
a legislação escrita era mais confiável que a legislação
instrumentalizada pela repetição de usos.
Em setembro de 1916, Fernando Pessoa pensava que o n.º 3 da revista Orpheu ainda poderia vir à luz. E, de fato, chega a entrar no prelo, imprimindo-se apenas algumas folhas. No sumário, como se depreende da carta a Cortes Rodrigues de 4 desse mês, deveriam figurar poemas ingleses do profeta do “supra-Camões” e “colaboração variada” do seu “velho e infeliz amigo Álvaro de Campos”. Vale a pena reparar nos adjetivos deploradores que o poeta junta, nessa data, ao nome do seu heterônimo dileto. Parece-me ser-nos lícito pensar que nesta altura já Álvaro de Campos dá indícios de “velhice” e “infelicidade”, ou seja, que Álvaro de Campos começa a despir a pele que lhe vestiram e, pelo menos como poeta, a tomar consciência de que a mistificação “sensacionisto-futurista” lhe não assenta bem. Daí que ao Fernando Pessoa não de todo desenganado dos “ismos” e ao mesmo Álvaro de Campos doutrinário, o Álvaro de Campos poeta se lhes entremostre “velho” e “infeliz”.
Seja como for, o certo é que em setembro de 1916, Pessoa, que se tem por “reconstruído” nessa altura, parece decidido a “fazer uma grande alteração na (sua) vida” como confidencia ao amigo micaelense: “vou tirar o acento circunflexo do meu apelido”. Realmente, “Pessôa” aparecera sempre, até então, ortografado com acento circunflexo. Grande alteração na vida: “Pessoa” iria passar a ser ortografado sem esse inútil apêndice! Sempre à beira do paradoxo e da boutade, Fernando Pessoa não perde a ocasião de ir além de si mesmo — de se mistificar a si próprio. Era então o momento de tomar tão grave medida. Com efeito, tendo apenas publicado com o seu verdadeiro nome, a esta data, além das Impressões do Crepúsculo, uns versos mais, o fato de ir publicar agora na Orpheu dois poemas ingleses — “muito indecentes, e, portanto, impublicáveis em Inglaterra” — levava-o a achar melhor “desadaptar-se” de uma partícula que lhe prejudicava a projeção cosmopolita do nome.
Como a Orpheu 3 não chega, porém, a vir à luz, Fernando Pessoa sem circunflexo tem de esperar pela publicação da revista Centauro, lançada em fins de 1916 (Outubro–Novembro–Dezembro), para aparecer, de fato, como autor dos Passos da Cruz.
Pormenor chistoso, boutade do incansável mistificador Fernando Pessoa, esta “desadaptação” ao circunflexo corresponde, todavia, a qualquer coisa mais importante do que parece. O poeta de Gládio atinge por esta altura a sua maioridade poética.
João Gaspar Simões. Vida e obra de Fernando Pessoa. Lisboa:
Livraria Bertrand, 1981, 5.ª edição, p. 393-4 (com adaptações).
A respeito das ideias desenvolvidas no texto acima, julgue (C ou E) o item subsecutivo.
Segundo o autor do texto, durante todo o tempo em que
utilizou o acento circunflexo no sobrenome, o poeta português
estava sendo paradoxal e querendo provocar humor por conta
daquele erro de acentuação.
Em setembro de 1916, Fernando Pessoa pensava que o n.º 3 da revista Orpheu ainda poderia vir à luz. E, de fato, chega a entrar no prelo, imprimindo-se apenas algumas folhas. No sumário, como se depreende da carta a Cortes Rodrigues de 4 desse mês, deveriam figurar poemas ingleses do profeta do “supra-Camões” e “colaboração variada” do seu “velho e infeliz amigo Álvaro de Campos”. Vale a pena reparar nos adjetivos deploradores que o poeta junta, nessa data, ao nome do seu heterônimo dileto. Parece-me ser-nos lícito pensar que nesta altura já Álvaro de Campos dá indícios de “velhice” e “infelicidade”, ou seja, que Álvaro de Campos começa a despir a pele que lhe vestiram e, pelo menos como poeta, a tomar consciência de que a mistificação “sensacionisto-futurista” lhe não assenta bem. Daí que ao Fernando Pessoa não de todo desenganado dos “ismos” e ao mesmo Álvaro de Campos doutrinário, o Álvaro de Campos poeta se lhes entremostre “velho” e “infeliz”.
Seja como for, o certo é que em setembro de 1916, Pessoa, que se tem por “reconstruído” nessa altura, parece decidido a “fazer uma grande alteração na (sua) vida” como confidencia ao amigo micaelense: “vou tirar o acento circunflexo do meu apelido”. Realmente, “Pessôa” aparecera sempre, até então, ortografado com acento circunflexo. Grande alteração na vida: “Pessoa” iria passar a ser ortografado sem esse inútil apêndice! Sempre à beira do paradoxo e da boutade, Fernando Pessoa não perde a ocasião de ir além de si mesmo — de se mistificar a si próprio. Era então o momento de tomar tão grave medida. Com efeito, tendo apenas publicado com o seu verdadeiro nome, a esta data, além das Impressões do Crepúsculo, uns versos mais, o fato de ir publicar agora na Orpheu dois poemas ingleses — “muito indecentes, e, portanto, impublicáveis em Inglaterra” — levava-o a achar melhor “desadaptar-se” de uma partícula que lhe prejudicava a projeção cosmopolita do nome.
Como a Orpheu 3 não chega, porém, a vir à luz, Fernando Pessoa sem circunflexo tem de esperar pela publicação da revista Centauro, lançada em fins de 1916 (Outubro–Novembro–Dezembro), para aparecer, de fato, como autor dos Passos da Cruz.
Pormenor chistoso, boutade do incansável mistificador Fernando Pessoa, esta “desadaptação” ao circunflexo corresponde, todavia, a qualquer coisa mais importante do que parece. O poeta de Gládio atinge por esta altura a sua maioridade poética.
João Gaspar Simões. Vida e obra de Fernando Pessoa. Lisboa:
Livraria Bertrand, 1981, 5.ª edição, p. 393-4 (com adaptações).
A respeito das ideias desenvolvidas no texto acima, julgue (C ou E) o item subsecutivo.
Fernando Pessoa escreveu poemas que não poderiam jamais
ser traduzidos para a língua inglesa, uma vez que na Inglaterra
aqueles mesmos poemas seriam considerados muito
indecentes.






