Questões de Concurso
Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português
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Tragédia anunciada
A ninguém terá espantado, decerto, a alta da violência no Rio de Janeiro neste 2017. A resignação com que se encara o fato dá medida do descalabro no Estado. Foram registradas, segundo o Instituto Fluminense de Segurança Pública, 3.457 mortes violentas de janeiro a junho, 15% acima do verificado no período correspondente de 2016. Trata-se do pior primeiro semestre desde 2009 (3.893).
Os danos à população fluminense não se limitam à segurança pública. A expansão irresponsável dos gastos públicos – amparada em uma alta efêmera das receitas do petróleo – levou o Rio a uma calamitosa situação financeira que comprometeu outros serviços básicos, como saúde e educação. Com o colapso das forças policiais, privadas de recursos de custeio e com salários em atraso, interromperam-se os bons resultados obtidos pelas Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) na redução dos homicídios ao longo de quase uma década.
Restou ao governo federal, diante desse quadro, autorizar o envio das Forças Armadas ao Estado; comenta-se que a operação possa ser estendida até o final de 2018. Embora de fato necessária neste momento, a medida não passa de um paliativo; basta a saída dos militares para que os criminosos voltem a atacar. A longo prazo, a eficácia de qualquer política mais efetiva de segurança pública dependerá de um ambiente de maior normalidade orçamentária.
(Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/shtml. Adaptado. Acesso em: 05/08/2017.)
Assinale a alternativa que comprova essa afirmação.
Leia o fragmento seguinte do poema “José”, de Carlos Drummond de Andrade, e avalie as afirmativas apresentadas sobre ele.
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!
In: GOLDSTEIN, Norma Seltzer. Versos, sons, ritmos. São
Paulo: Ática, 2007, p. 10. [Fragmento].
I. A palavra “se” repete-se sempre na mesma posição caracterizando a figura de linguagem denominada “anáfora”.
II. A palavra “se” é valorizada pelo eco que faz no interior de outras palavras.
III. O jogo sonoro apoia-se na alternância de sílabas fortes e fracas.
IV. A força de contraste presente nos dois versos finais apoia-se na alternância entre as sílabas fortes e fracas do poema.
Estão corretas as afirmativas:
GOLDSTEIN, Norma. Versos, sons, ritmos. São Paulo: Ática, 2003, p. 14.
Considerando essas informações, relacione a COLUNA II de acordo com a COLUNA II de forma a confirmar o exemplo com sua classificação referente ao processo de escansão dos versos.
COLUNA I
1. Era uma casa / Muito engraçada / Não tinha teto / Não tinha nada (Vinícius de Moraes, “A casa”)
2. Como pode o peixe vivo / Viver fora da água fria? / Como poderei viver / Sem a tua companhia? (“Cantiga tradicional”)
3. Não sabeis o que o monstro procura? Não sabeis a que vem, o que quer? (Gonçalves Dias, “O Canto do piaga”)
4. Rua / torta. / Lua / morta. Tua / porta. (Cassiano Ricardo, “Serenata sintética”)
5. Tu pensas que tu é que és / A melhor mulher do planeta, / Mas eu é que não vou fazer / Tudo o que te der na veneta. (Noel Rosa, “A melhor do planeta”)
6. Na valsa / Cansaste; / Ficaste / Prostrada, / Turbada! / Pensavas, / Cismavas, / E estavas / Tão pálida. (Casimiro de Abreu, “A valsa”)
COLUNA II
( ) Versos com 1 sílaba. ( ) Versos com 2 sílabas. ( ) Versos com 3 sílabas. ( ) Versos com 7 sílabas. ( ) Versos com 8 sílabas. ( ) Versos com 9 sílabas.
Assinale a sequência CORRETA.
Texto I
Já sabia ajuntar as sílabas e ler por cima toda coisa, mas descrencei e perdi a fluência de ir à escola, porque diante dos escritos que o mestre me passava e das lições marcadas nos livros, fiquei sendo um quarta-feira de marca maior. Alívio bom era quando chegava em casa.
BERNARDES, Carmo. Rememórias. Goiania: Leal, 1969, p. 18-20. In: BORTONI-RICARDO, Stella Maris. Educação em língua materna: a sociolinguística na sala de aula. São Paulo: Parábola, 2004, p. 13.
Texto II A linguagem na ponta da língua tão fácil de falar e de entender
A linguagem na superfície estrelada das letras sabe lá o que quer dizer?
Professor Carlos Góis, ele é quem sabe e vai desmatando o amazonas de minha ignorância. Figuras de gramática, esquipáticas atropelam-me, aturdem-me, sequestram-me.
[...] ANDRADE, C. D. In: MATTOS e SILVA, Rosa Virginia. O português são dois... São Paulo: Parábola, 2004, p. 129.
( ) No texto I, há palavras e expressões características da cultura rural da região CentroOeste, onde o texto foi editado. ( ) A narrativa que se apresenta no texto I é uma retrospectiva da experiência na escola como também acontece como texto II,caracterizando-se, por isso, a intertextualidade implícita ou de conteúdo. ( ) Ambos os textos conduzem a uma reflexão sobre a língua portuguesa, pois referem-se a suas características e variações. ( ) As questões apresentadas nos textos mostram que os vários anos de escolarização não vêm resolvendo o chamado “domínio da Língua Portuguesa”. ( ) No texto II, há a referência ao problema de a escola dar conta da transmissão e treinamento em direção ao padrão normativo tradicional. ( ) Em ambos os textos, confirma-se que o português brasileiro possui uma grande uniformidade, porque os autores abordam o mesmo tema, apesar de viverem realidades diferentes. Assinale a sequência CORRETA.

Humor pode ser definido como comicidade em geral;
graça, jocosidade, expressão irônica e engenhosamente
elaborada da realidade, (HOUAISS, 2005, p. 1.555); e é
construído no texto acima porque:
A intertextualidade é a relação entre textos e pode se estabelecer sob diversos aspectos. Assim, observe o texto seguinte e analise as afirmativas apresentadas.
Receita de herói
Reinaldo Ferreira
Tome-se um homem feito de nada
Como nós em tamanho natural
Embeba-se-lhe a carne
Lentamente
De uma certeza aguda, irracional
Intensa como o ódio ou como a fome.
Depois perto do fim
Agite-se um pendão
E toque-se um clarim.
Serve-se morto.
PAULINO, Graça; WALTY, Ivete; CURY, Maria Zilda.
Intertextualidade: teoria e prática.
Belo Horizonte: Lê, 1995, p. 39.
I. Acontece intertextualidade intergêneros.
II. É exemplo de paródia, uma vez que desconstrói o mito de herói.
III. Apresenta intertextualidade fraca, pois não compromete todo o texto.
IV. Existe relação intertextual localizada.
Estão corretas as afirmativas:
O show
Affonso Romano de Sant’Anna
O cartaz
O desejo
O pai
O dinheiro
O ingresso
O dia
A preparação
A ida
O estádio
A multidão
A expectativa
A música
A vibração
A participação
O fim
A volta
O vazio
Considerando o enunciado anterior, assinale a alternativa
correta relativamente ao seu processo de textualização.
Leia com atenção e marque a alternativa CORRETA:

“Não planejou nem implementou uma política para o setor”.
Sobre as duas ações citadas nesse segmento do texto, pode-se corretamente afirmar que:
Disponível em:<http://www.caetanocury.com.br/ilustracoes/>. Acesso em: 08 out. 2017.
As três expressões presentes no texto são onomatopeias que reproduzem
A ERA DAS LIVES
Mais conhecidas como lives, as transmissões ao vivo pela internet, que chegaram ao YouTube nos idos anos de 2008, ganharam mais visibilidade do público em geral nos últimos anos. Na sua chegada, o propósito era colocar na internet atrações que antes apenas víamos pela TV. Quase dez anos depois, o cenário é bem diferente.
Esse também foi um espaço ocupado por outro protagonista da mídia tradicional: as marcas. As lives se tornaram uma maneira rápida de falar e ouvir feedback do consumidor – com lançamentos e eventos transmitidos ao vivo é muito fácil perceber a aprovação (ou ausência) do público. Este canal mais direto também ajuda a fortalecer os laços de relacionamento que as marcas tanto almejam com seus clientes.
Os primeiros aplicativos de live (como Meer-kat e Periscope) surgiram no início de 2015 e após um breve momento de sucesso, viram sua queda com a inauguração do mesmo recurso no Facebook, em agosto do mesmo ano. Mesmo com toda a abrangência de uma rede gigantesca a funcionalidade demorou a cair nas graças do povo: somente 9 meses depois de lançada, a primeira live na rede de Mark Zucker-berg viralizou com a carismática americana Candace Payne, dividindo o entusiasmo dela com a máscara de Chewbacca que havia comprado para seu filho.
Após essa demonstração espontânea do poder de alcance da ferramenta, as pessoas passaram a notar que as próprias redes sociais dão mais visibilidade para as lives em detrimento do funcionamento de seus algoritmos – uma transmissão ao vivo chega a mais pessoas seja quando ainda está acontecendo, ou quando é registrada em formato vídeo, também um queridinho das redes sociais.
Essa visibilidade tem seu lado positivo – vários vídeos de bichinhos fofos ou que provam algum tipo de abuso de autoridade e crime – também tem seu lado bizarro – o youtuber russo que fez uma live direto de um caixão – e sombrio – as irmãs que estavam transmitindo uma viagem de carro e acabaram se envolvendo em um acidente fatal. O que nos leva à reflexão: comunicar-se e encontrar espaços de expressão é cada vez mais importante – mas quais são os limites?
Fonte: http://dialogando.com.br/era-das-lives/?current_page=2; acesso em 06/09/2017
Sobre esses índios assombrados com o que lhes sucedia é que caiu a pregação missionária, como um flagelo. A cristandade surgia a seus olhos como o mundo do pecado, das enfermidades dolorosas e mortais, de covardia, que se adonava do mundo indígena, tudo maculando, tudo apodrecendo.
RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. p. 43.
Que sentido no texto o autor atribui à palavra “cristandade”?