Questões de Concurso
Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português
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INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.
TEXTO
[...]
Os pensadores que defendem que o ser humano é sempre livre sabem que existem determinações externas e internas, fatores sociais e subjetivos, mas a liberdade de decidir sobre suas escolhas é superior à força dessas determinações. Um exemplo que poderia ser dado para entendermos essa noção seria a de dois irmãos que têm a mesma origem social, mas um se torna um criminoso e o outro não.
Vejamos o que o filósofo francês Jean-Paul Sartre disse sobre isso:
“[...] Por outras palavras, não há determinismo, o homem é livre, o homem é liberdade. […] Não encontramos diante de nós valores ou imposições que nos legitimem o comportamento. Assim, não temos nem atrás de nós nem diante de nós, no domínio luminoso dos valores, justificações ou desculpas. Estamos sós e sem desculpas.
É o que traduzirei dizendo que o homem está condenado a ser livre. Condenado porque não criou a si próprio; e, no entanto, livre porque, uma vez lançado ao mundo, é responsável por tudo o que fizer.”
[...]
SANTOS, Wigvan. Mundo Educação.
Disponível em: < https://bit.ly/2OXrrZf>.
Acesso em: 21 ago. 2018. [Fragmento adaptado].
O mal e o sofrimento
Se eu conversasse com Deus iria Lhe
perguntar por que é que sofremos tanto
quando viemos para cá? Que dívida é
essa que o homem tem de morrer para
pagar? Perguntaria também como é que
Ele é feito que não come, que não dorme
e assim vive satisfeito. Por que foi que
Ele não fez a gente do mesmo jeito? Por
que existem uns felizes e outros que
sofrem tanto, nascidos do mesmo jeito,
criados no mesmo canto? Quem foi
temperar o choro e acabou salgando o pranto?
Leandro Gomes de Barros
O mal e o sofrimento
Se eu conversasse com Deus iria Lhe
perguntar por que é que sofremos tanto
quando viemos para cá? Que dívida é
essa que o homem tem de morrer para
pagar? Perguntaria também como é que
Ele é feito que não come, que não dorme
e assim vive satisfeito. Por que foi que
Ele não fez a gente do mesmo jeito? Por
que existem uns felizes e outros que
sofrem tanto, nascidos do mesmo jeito,
criados no mesmo canto? Quem foi
temperar o choro e acabou salgando o pranto?
Leandro Gomes de Barros
Leia atentamente o poema Lundu do escritor difícil, de Mário de Andrade, escritor brasileiro, para responder à questão.
Lundu¹ do escritor difícil
Eu sou um escritor difícil
Que a muita gente enquizila²,
Porém essa culpa é fácil
De se acabar duma vez:
É só tirar a cortina
Que entra luz nesta escurez.
Cortina de brim caipora,
Com teia caranguejeira
E enfeite ruim de caipira,
Fale fala brasileira
Que você enxerga bonito
Tanta luz nesta capoeira
Tal-e-qual numa gupiara³.
Misturo tudo num saco,
Mas gaúcho maranhense
Que para no Mato Grosso,
Bate este angu de caroço
Ver sopa de caruru4 ;
A vida é mesmo um buraco,
Bobo é quem não é tatu!
Eu sou um escritor difícil,
Porém culpa de quem é!…
Todo difícil é fácil,
Abasta a gente saber.
Bajé, pixé5 , chué6 , ôh “xavié”
De tão fácil virou fóssil,
O difícil é aprender!
Virtude de urubutinga7
De enxergar tudo de longe!
Não carece vestir tanga
Pra penetrar meu caçanje8 !
Você sabe o francês “singe”9
Mas não sabe o que é guariba?
— Pois é macaco, seu mano,
Que só sabe o que é da estranja10 .
ANDRADE, Mário de. Poesias completas. Edição crítica de Diléa Zanotto Manfio. Belo Horizonte:Ed) Itatiaia, 2005.
1. Lundu: “Peça popular apenas cantada, de caráter brejeiro, derivada da dança do mesmo nome, muito em voga nos salões da sociedade colonial, a partir do século XIX, influindo em algumas formas do folclore brasileiro atual”. (Dicionário Michaelis Online)
2. Enquizila: Aquilo que provoca quizila, ou seja, “Sentimento de repulsa ou aversão por alguém ou algo, sem uma explicação racional; antipatia, ojeriza”. (Dicionário Michaelis Online)
3. Gupiara: “Depósito de cascalho em lugar elevado, acima do nível das águas”. (Dicionário Michaelis Online)
4. Sopa de caruru: Prato afro-brasileiro; entre os ingredientes, está o caruru, vegetal comestível.
5. Pixé: “Diz-se de comida queimada ou em que entrou fumaça”. (Dicionário Michaelis Online)
6. Chué: “Ordinário ou de pouco valor; apoucado, reles”. (Dicionário Michaelis Online)
7. Urubutinga: Espécie de urubu.
8. Caçanje: “Português malfalado ou mal escrito”. (Dicionário Michaelis Online)
9. Singe: Do francês, macaco.
10. Estranja: Relativo ao estrangeiro.
Leia atentamente as afirmações a seguir:
I – Neste poema, Mário de Andrade enfatiza o seu esforço de criação de uma expressão literária nacional, e, para tanto, utiliza vocabulário que resgata as regiões do Brasil.
II – Além da linguagem, Mário de Andrade resgata as raízes culturais do país, como a culinária e a representação artística.
III – Na primeira estrofe, Mário de Andrade faz uso da figura de linguagem antítese, ao empregar as palavras “difícil/fácil” e “luz/escurez”. Essas antíteses evidenciam a contradição vivenciada pelos intelectuais brasileiros que, com os olhos no estrangeiro, não conseguem compreender este poeta brasileiro.
É (São) correta(s) a(s) afirmação(ões):
Leia com atenção a poesia de Carlos Drummond de Andrade, escritor brasileiro, publicada em 1940 no livro Sentimento do Mundo, para responder à questão abaixo:
Congresso Internacional do Medo
Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.
Leia com atenção a poesia de Carlos Drummond de Andrade, escritor brasileiro, publicada em 1940 no livro Sentimento do Mundo, para responder à questão abaixo:
Congresso Internacional do Medo
Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.
Leia atentamente o poema Vou-me Embora pra Pasárgada, de Manuel Bandeira, escritor brasileiro, para responder à questão.
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo Subirei
no pau-de-sebo Tomarei
banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcaloide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero 40Na
cama que escolherei Vou-me
embora pra Pasárgada.
BANDEIRA, M. Poesia Completa e Prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986.
Leia atentamente o poema Vou-me Embora pra Pasárgada, de Manuel Bandeira, escritor brasileiro, para responder à questão.
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo Subirei
no pau-de-sebo Tomarei
banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcaloide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero 40Na
cama que escolherei Vou-me
embora pra Pasárgada.
BANDEIRA, M. Poesia Completa e Prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986.
Leia atentamente as afirmações a seguir:-
I – Um dos elementos centrais deste poema é o escapismo.
II – É possível afirmar que Pasárgada traria ao eu-lírico uma vida mais ativa e cheia de aventuras.
III – É possível depreender que Pasárgada é uma cidade tecnológica.
É (São) CORRETA(s) a(s) afirmação (ões):
Seiscentos e Sessenta e Seis
A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo…
Quando se vê, já é 6ª-feira…
Quando se vê, passaram 60 anos…
Agora, é tarde demais para ser reprovado…
E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio
seguia sempre, sempre em frente…
E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.
Mario Quintana
Seiscentos e Sessenta e Seis
A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo…
Quando se vê, já é 6ª-feira…
Quando se vê, passaram 60 anos…
Agora, é tarde demais para ser reprovado…
E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio
seguia sempre, sempre em frente…
E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.
Mario Quintana
[...] o tratamento externo dos fatores externos pode ser legítimo quando se trata de sociologia da literatura, pois esta não propõe a questão do valor da obra, e pode interessar-se, justamente, por tudo que é condicionamento. (Cândido, Antônio, Literatura e Sociedade, página 14, 2006)
O contexto acima faz-nos inferir que o autor propõe que:
I- O consumo de água é maior do que sua capacidade de renovação. No Brasil, esse consumo deve-se a densidade demográfica, crescimento de indústrias e irrigação na agricultura. Diante disso, o poder público visa mobilizar esforços que levem a boas práticas de manejo e uso sustentável da água.
PORQUE
II- O acesso universal e equitativo da água potável, reutilização segura da água, gestão integrada dos recursos hídricos e proteção dos ecossistemas relacionados com a água que inclui florestas, rios, aquíferos e lagos, tem o objetivo final de promover o desenvolvimento sustentável da água para todos. Assinale a alternativa CORRETA:
I – A aproximação das palavras “melancolia” e “mercadoria”, no terceiro verso, somadas à informação presente no primeiro verso, mostram o apreço do eu lírico pelo mundo mercantilizado e capitalista.
II – Na terceira estrofe, percebe-se que a esperança do eu lírico para a mudança do cenário em que está inserido é pequena, dado que o único elemento que consola os doentes é o sol, embora tal consolo não produza muito efeito.
III – Na quarta estrofe, destaca-se a solidão vivenciada pelo momento histórico, a ditadura militar, já que as pessoas não conversam, não trocam correspondências e se informam apenas pelos jornais.
É (São) correta(s) a(s) afirmação(ões):
I – Neste poema, Carlos Drummond de Andrade representa a revolta do eu lírico frente ao mundo em que vive ao mesmo tempo em que mostra a esperança desse mesmo indivíduo com o aparecimento de uma flor que perturba.
II – Enquanto passeia pela cidade cinzenta, o eu lírico sente náusea. Seu desejo é de vomitar sobre tudo que lhe incomoda.
III – Na primeira estrofe, Carlos Drummond de Andrade indica que o eu lírico é uma pessoa presa à classe social à qual pertence.
É (São) correta(s) a(s) afirmação(ões):
I – O poema pode ser considerado metalinguístico, pois discute a arte de fazer poesia, II - para Rachel de Queiroz, o trabalho poético resulta apenas de muito empenho e lapidação. III – o poema em questão discute forma e conteúdo da arte poética.
É (São) correta(s) a(s) afirmação (ões):
Leia atentamente o poema a seguir, de Manoel de Barros, escritor brasileiro, para responder à questão.
O apanhador de desperdícios
Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.
MANOEL DE BARROS. Disponível em: Http://www.revistabula.com/2680-os-10-melhores-poemas-de-manoel-de-barros/. Acesso em: 10 dez. 2017