Questões de Concurso Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q3217954 Português

Leia o texto abaixo para responder à próxima questão: 


A perca


Da série “só acontece comigo”: estava parada num sinal da Avenida Ipiranga quando um carro encostou ao lado do meu. A motorista abriu a janela e pediu para eu abrir a minha. Era uma moça simpática que me perguntou: “Martha, o certo é dizer perda ou perca?” “Hãn?” “É perda de tempo ou perca de tempo? Como se diz?”

A pergunta era tão inusitada para a hora e o local, tão surpreendente, vinda de alguém que eu não conhecia, que me deu um branco: por um milésimo de segundo eu não soube o que responder. Perca de tempo, isso existe? Então o sinal abriu, os carros da frente começaram a engatar a primeira, eu olhei para ela e disse: “É perda de tempo”.

Ela sorriu em agradecimento e foi em frente. Meu carro ainda ficou um tempo parado. Eu parada no tempo. Perca de tempo.

Dei uma risada e segui meu rumo também.

Se alguém te diz “não perca tempo”, e todos te dizem isso o tempo todo, como não confundir? Tantos confundem. São coagidos a tal.

E, cá entre nós, a “perca” parece mais amena do que a perda.

A perca de um amor é quase tão corriqueira como a perca do capítulo da novela. A perca é feira livre. A perca é festiva. A perca é música popular.

Já a perda é sinfonia de Beethoven. 

A perca acontece no verão. A perca de uma cadeirinha de praia, a perca de um palito premiado de picolé.

As perdas acontecem no inverno.

A perca é simplória, a perca é distraída, a perca é provisória, logo, logo reencontrarão o que está faltando.

A perda é para sempre.

As percas reinventam o vocabulário e seu sentido, não são graves, as percas são imperfeições perdoáveis, as percas são inocentes.

As perdas são catastróficas, nada têm de folclóricas.

A perca é um erro gramatical, e apenas esse erro ela contém. De resto, não faz mal a ninguém.

A perda é um acerto gramatical, mas só esse acerto ela contém. De resto, é brutal.

Se eu pudesse voltar no tempo, reconstituiria a cena de outra forma:

“Martha, é perda de tempo ou perca de tempo? Como é que se diz?”

“O correto é dizer perda, mas é muito solene. Perca dói menos por ser mais trivial”.



Martha Medeiros

A crônica de Martha Medeiros é motivada por uma trivial inadequação gramatical e a partir disso promove uma reflexão ao:
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Q3217649 Português
Crianças de 2 e 4 anos são abandonadas na noite de ano novo no ES

        Duas crianças de 2 e 4 anos foram encontradas abandonadas em uma casa em Piúma, no Sul do Espírito Santo, na manhã desta quarta-feira (1º). Segundo a Polícia Militar, os policiais receberam uma denúncia anônima de que o padrasto dos meninos deixou os dois sozinhos em casa na terça-feira (31), noite de ano novo.

         As crianças foram levadas para a casa de passagem do município, onde foram acolhidas. O suspeito não foi localizado até a última atualização desta reportagem. O major Cavatti explicou que a mãe da criança foi presa há aproximadamente um mês e o pai também está preso por tráfico. Com isso, o cuidado dos meninos teria ficado com o padrasto.

        Após receberem a denúncia, os militares chegaram na casa no bairro Lagoa Azul e encontraram as crianças sozinhas na calçada na frente da residência. "A informação que nós temos é que parece que o padrasto tentou deixar as crianças com a avó materna e ela se recusou e com isso ele cometeu o crime de abandono de incapaz e largou as crianças em casa, sozinhas. Nós salvamos as crianças, dois bebês, de uma tragédia. Eles abandonados dentro de casa é uma coisa que para nós é impensável", destacou o major.

        O sargento Tiago Lara participou da ocorrência. Ele contou que assim que eles chegaram no local, as crianças ficaram muito assustadas com a presença dos policiais. "Quando chegamos vimos os dois sujos na frente da casa. Eles entraram em prantos quando viram a guarnição. Mas a gente de forma lúdica foi tentando se aproximar deles, perguntamos se eles estavam com fome, eles disseram que sim. Também conseguimos o apoio de uma técnica de enfermagem do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) que estava passando pelo local para acalmar as crianças até a chegada do conselho tutelar", comentou o sargento.

        A PM destacou ainda que vai investigar todos os indícios do crime de abandono de incapaz para saber quem deveria estar cuidando das crianças. A Polícia Civil informou que o caso segue sob investigação da Delegacia de Polícia (DP) de Piúma.

Fonte: Crianças de 2 e 4 anos são abandonadas na noite de ano novo no ES | Sul do ES | G1
Assinale a alternativa INCORRETA de acordo com o texto: 
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Q3217609 Português
Você sabia que o Ano Novo já foi em março?

        Se você voltasse alguns séculos no tempo para o mês de janeiro, o Ano Novo ainda estaria um pouco distante. O motivo é que a celebração acontecia no mês de março. Tudo mudou com a criação de um novo calendário pelos romanos e pelos católicos.

        Em entrevista ao G1, Francisco Thiago Silva, historiador e professor da Universidade de Brasília (UnB), explica que a origem do réveillon é anterior ao cristianismo. Povos como os persas, fenícios, assírios e os gregos já realizavam celebrações para marco de um novo ano.

        A celebração em 1° de janeiro só foi criada pelos romanos em 46 a.C., e reforçada no século 16 pela Igreja Católica. Antes, a festa acontecia em março porque o mês marca o início da primavera no hemisfério norte.

        O professor Francisco Thiago Silva destaca que o mês de janeiro foi criado pelos romanos, no século 8 a.C., para homenagear Jano – deus da mitologia romana que representa começos e mudanças. Mas a celebração da passagem de ano pelos romanos era feita no início da primavera, que é em março no hemisfério norte.

        No século 2 a.C., devido a conflitos com o povo Celtiberos, e questões que envolviam o exército romano, foi defendida a mudança da data para janeiro. Apenas em 153 a.C., o senado romano aprovou a alteração, mas mesmo assim, muitos continuaram seguindo com a tradição no mês de março.

        Em 46 a.C., o calendário romano foi substituído pelo calendário juliano - feito em homenagem ao imperador Júlio César. O novo calendário instituiu o início do ano em 1° de janeiro. O Ano Novo em 1° de janeiro também foi oficializado pelo Papa Gregório 13, através da criação do calendário gregoriano no século 16.

        Esse calendário, que ajustava o ano civil ao período em que a Terra completa sua volta ao redor do Sol, é utilizado até os dias atuais por muitos países. O historiador Francisco Thiago Silva explica que mesmo com a cristianização da Europa, em certos lugares a nova data não foi bem aceita. Ela soava como "afronta", porque janeiro faz homenagem a um deus pagão. "Não foi um processo tão simples, isso demorou. Houve uma resistência muito grande", diz o professor. Britânicos seguidores da Igreja Anglicana, por exemplo, só oficializaram a data em 1752.

        O Ano Novo segue sendo diferente para diferentes povos. Chineses, judeus e mulçumanos, por exemplo, não celebram a data em 1° de janeiro. "O que é comum na maioria das culturas é de fato o balanço do que se passou e as projeções das boas energias, dos planejamentos. Isso marca muitos povos do ocidente e do oriente, independentemente da data em que se comemora", diz o historiador.

Fonte: Você sabia que o Ano Novo já foi em março? Veja curiosidades sobre data | Distrito Federal | G1
Com base nas informações do texto e nas relações existentes entre as partes que o compõem, assinale a alternativa INCORRETA:
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Ano: 2025 Banca: FAU Órgão: Prefeitura de Toledo - PR Provas: FAU - 2025 - Prefeitura de Toledo - PR - Advogado SUAS I | FAU - 2025 - Prefeitura de Toledo - PR - Analista de Controle Interno I | FAU - 2025 - Prefeitura de Toledo - PR - Analista em Tecnologia da Informação I | FAU - 2025 - Prefeitura de Toledo - PR - Arquiteto I | FAU - 2025 - Prefeitura de Toledo - PR - Enfermeiro I | FAU - 2025 - Prefeitura de Toledo - PR - Enfermeiro T8 - ESF I | FAU - 2025 - Prefeitura de Toledo - PR - Médico T4 - Urologista | FAU - 2025 - Prefeitura de Toledo - PR - Médico T4 I - Cirurgião Geral | FAU - 2025 - Prefeitura de Toledo - PR - Museólogo I | FAU - 2025 - Prefeitura de Toledo - PR - Odontólogo | FAU - 2025 - Prefeitura de Toledo - PR - Pedagogo I | FAU - 2025 - Prefeitura de Toledo - PR - Procurador Municipal T30 I | FAU - 2025 - Prefeitura de Toledo - PR - Professor de Educação Física | FAU - 2025 - Prefeitura de Toledo - PR - Professor de Educação Infantil | FAU - 2025 - Prefeitura de Toledo - PR - Engenheiro Civil I | FAU - 2025 - Prefeitura de Toledo - PR - Técnico Desportivo I | FAU - 2025 - Prefeitura de Toledo - PR - Técnico em Artes - Dança I | FAU - 2025 - Prefeitura de Toledo - PR - Técnico em Artes - Teatro I | FAU - 2025 - Prefeitura de Toledo - PR - Técnico em Artes - Visuais e Plásticas T20 I | FAU - 2025 - Prefeitura de Toledo - PR - Fisioterapeuta I | FAU - 2025 - Prefeitura de Toledo - PR - Jornalista I | FAU - 2025 - Prefeitura de Toledo - PR - Médico T4 - Dermatologista | FAU - 2025 - Prefeitura de Toledo - PR - Médico T4 - Ortopedista | FAU - 2025 - Prefeitura de Toledo - PR - Médico T4 - Otorrinolaringologista | FAU - 2025 - Prefeitura de Toledo - PR - Médico T4 - Ultrassonografista |
Q3217569 Português
Milão se torna primeira cidade da Itália a proibir cigarro nas ruas

        As autoridades de Milão adotaram nesta quarta-feira (1°) uma nova regulamentação contra o cigarro. A partir de agora é proibido fumar em todos os espaços públicos, inclusive nas ruas. Os fumantes representam um quinto da população italiana. De acordo com "o decreto para a qualidade do ar" adotado em 2020 por Milão, "a partir de 1º de janeiro de 2025 a proibição será aplicada em todos os espaços públicos, inclusive as ruas".

         A regulamentação, que exclui os cigarros eletrônicos, traz uma exceção. O texto cita "locais isolados onde é possível respeitar uma distância de pelo menos dez metros das outras pessoas". Mas em uma cidade tão densa e povoada como Milão isso é difícil, exceto no meio da noite. Com a proibição, Milão foi a primeira cidade italiana a impor restrições ao fumo de cigarro em locais públicos, segundo a agência de notícias italiana Ansa.

         Em Milão, fumar já é proibido desde 2021 em áreas verdes públicas (exceto quando era possível respeitar uma distância de segurança de dez metros), em parques infantis, pontos de ônibus e de táxi, assim como em todos os complexos esportivos. Quem não respeitar a proibição pode ser multado entre € 40 e € 240 (R$ 257 e R$ 1.545 pela cotação atual).

        A cidade italiana é rodeada de indústrias e registra índices de poluição de partículas finas e óxidos superiores aos padrões recomendados. A qualidade do ar tornou-se então uma prioridade, tendo em vista os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, organizados em parceria com a estação de esqui Cortina.

        A Itália lançou a luta antitabagismo em 1975, mas limitou a proibição aos transportes públicos. Em 1995, ela foi ampliada às repartições públicas e, em 2005, a todos os locais públicos fechados. Quase um de cada cinco italianos fuma, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (Istat) de 2023. Estes números colocam a Itália abaixo da média da União Europeia (24%). O país do bloco com a menor população fumante é a Suécia (8%) e o que apresenta a pior taxa é a Bulgária (37%).

        Na Itália, o preço médio de um maço de cigarros é de € 6 (cerca de R$ 38), metade do preço da França, onde um em cada três habitantes é fumante. O consumo de tabaco causa 93 mil mortes anualmente no país, segundo o Ministério da Saúde italiano.

        A medida de Milão integra um movimento geral, que visa a erradicação do tabaco, como no México, que proibiu fumar em alguns bairros do centro histórico em 2022. Alguns países têm metas mais ambiciosas. É o caso do Reino Unido, que quer se tornar progressivamente um país livre do tabaco. De acordo com um projeto de lei em fase de aprovação, as pessoas nascidas depois de 2009 não poderão comprar cigarros legalmente.

         Além desta proibição geracional, o Reino Unido quer proibir o fumo em espaços externos, como parques infantis, e perto de escolas e hospitais.

Fonte: Milão se torna primeira cidade da Itália a proibir cigarro nas ruas | Mundo | G1
Com base nas informações do texto e nas relações existentes entre as partes que o compõem, assinale a alternativa INCORRETA: 
Alternativas
Q3217383 Português

Texto CG4A1


        Globalmente, as mulheres representam de 8% a 17% da força de trabalho na mineração. O Brasil está na ponta positiva do espectro, com representação média feminina de 17% — ainda que os números sejam mais baixos que os do setor industrial brasileiro em geral, em que esse percentual fica em torno de 25%. Na alta liderança, as mulheres representam 20% dos cargos de chefia e 21% dos conselhos administrativos na mineração.


        De acordo com uma pesquisa global da McKinsey, além de colocar em prática valores de igualdade e equidade, a diversidade melhora o desempenho operacional. Equipes diversas são mais produtivas, aderindo 11% mais ao cronograma de produção; têm práticas mais seguras, com uma frequência de acidentes 67% menor; e são mais criativas e resilientes.


        Signatária dos Princípios de Empoderamento da Mulher da ONU, uma mineradora global criou, em 2018, um programa de trainee 100% feminino e, no ano seguinte, realizou seu primeiro processo seletivo exclusivo para mulheres engenheiras, analistas e gestoras. A medida tem impulsionado o índice de participação feminina da empresa, que passou de 13% para 22% entre 2019 e 2022.


         Há, ainda, um obstáculo anterior, como aponta uma gerente de governança do setor: “A mineração tem muitos cargos em ciências exatas, mas não encontramos muitas universitárias nesses cursos”. 

        De fato, se, por um lado, as brasileiras têm maior grau de escolaridade do que os homens, por outro, elas são minoria nos cursos STEM (ciências, tecnologia, engenharias e matemática): 10% das universitárias e 28% de homens universitários estão matriculados em graduações nessas áreas.


        A fim de vencer esse obstáculo, mineradoras globais passaram a oferecer, em parceria com universidades, bolsas de estudos para mulheres nas áreas de engenharia e ciências exatas.

Julgue o item seguinte, acerca de aspectos linguísticos e do vocabulário empregado no texto CG4A1. 


Pelo emprego da palavra “resilientes” (final do segundo parágrafo), entende-se que equipes diversas têm a capacidade de se recuperar facilmente ou de se adaptar às mudanças. 

Alternativas
Q3217381 Português

Texto CG4A1


        Globalmente, as mulheres representam de 8% a 17% da força de trabalho na mineração. O Brasil está na ponta positiva do espectro, com representação média feminina de 17% — ainda que os números sejam mais baixos que os do setor industrial brasileiro em geral, em que esse percentual fica em torno de 25%. Na alta liderança, as mulheres representam 20% dos cargos de chefia e 21% dos conselhos administrativos na mineração.


        De acordo com uma pesquisa global da McKinsey, além de colocar em prática valores de igualdade e equidade, a diversidade melhora o desempenho operacional. Equipes diversas são mais produtivas, aderindo 11% mais ao cronograma de produção; têm práticas mais seguras, com uma frequência de acidentes 67% menor; e são mais criativas e resilientes.


        Signatária dos Princípios de Empoderamento da Mulher da ONU, uma mineradora global criou, em 2018, um programa de trainee 100% feminino e, no ano seguinte, realizou seu primeiro processo seletivo exclusivo para mulheres engenheiras, analistas e gestoras. A medida tem impulsionado o índice de participação feminina da empresa, que passou de 13% para 22% entre 2019 e 2022.


         Há, ainda, um obstáculo anterior, como aponta uma gerente de governança do setor: “A mineração tem muitos cargos em ciências exatas, mas não encontramos muitas universitárias nesses cursos”. 

        De fato, se, por um lado, as brasileiras têm maior grau de escolaridade do que os homens, por outro, elas são minoria nos cursos STEM (ciências, tecnologia, engenharias e matemática): 10% das universitárias e 28% de homens universitários estão matriculados em graduações nessas áreas.


        A fim de vencer esse obstáculo, mineradoras globais passaram a oferecer, em parceria com universidades, bolsas de estudos para mulheres nas áreas de engenharia e ciências exatas.

Julgue o item seguinte, acerca de aspectos linguísticos e do vocabulário empregado no texto CG4A1. 


No penúltimo parágrafo, com o emprego das expressões “por um lado” e “por outro”, o autor do texto evidencia o antagonismo entre os dois fatos apresentados.

Alternativas
Q3217375 Português

Texto CG4A1


        Globalmente, as mulheres representam de 8% a 17% da força de trabalho na mineração. O Brasil está na ponta positiva do espectro, com representação média feminina de 17% — ainda que os números sejam mais baixos que os do setor industrial brasileiro em geral, em que esse percentual fica em torno de 25%. Na alta liderança, as mulheres representam 20% dos cargos de chefia e 21% dos conselhos administrativos na mineração.


        De acordo com uma pesquisa global da McKinsey, além de colocar em prática valores de igualdade e equidade, a diversidade melhora o desempenho operacional. Equipes diversas são mais produtivas, aderindo 11% mais ao cronograma de produção; têm práticas mais seguras, com uma frequência de acidentes 67% menor; e são mais criativas e resilientes.


        Signatária dos Princípios de Empoderamento da Mulher da ONU, uma mineradora global criou, em 2018, um programa de trainee 100% feminino e, no ano seguinte, realizou seu primeiro processo seletivo exclusivo para mulheres engenheiras, analistas e gestoras. A medida tem impulsionado o índice de participação feminina da empresa, que passou de 13% para 22% entre 2019 e 2022.


         Há, ainda, um obstáculo anterior, como aponta uma gerente de governança do setor: “A mineração tem muitos cargos em ciências exatas, mas não encontramos muitas universitárias nesses cursos”. 

        De fato, se, por um lado, as brasileiras têm maior grau de escolaridade do que os homens, por outro, elas são minoria nos cursos STEM (ciências, tecnologia, engenharias e matemática): 10% das universitárias e 28% de homens universitários estão matriculados em graduações nessas áreas.


        A fim de vencer esse obstáculo, mineradoras globais passaram a oferecer, em parceria com universidades, bolsas de estudos para mulheres nas áreas de engenharia e ciências exatas.

Julgue o item que se segue, referente às ideias do texto CG4A1. 


De acordo com o texto, apenas 10% das mulheres brasileiras estão matriculadas em cursos de graduação nas áreas de STEM. 

Alternativas
Q3217355 Português

Leia o texto abaixo para responder à próxima questão: 


Você é um envelhescente? 


    Se você tem entre 55 e 70 anos, preste bastante atenção no que se segue. Se você for mais novo, preste também, porque um dia vai chegar lá. E, se já passou, confira.


    Sempre me disseram que a vida do homem se dividia em quatro partes: infância, adolescência, maturidade e velhice. Quase correto. Esqueceram de nos dizer que entre a maturidade e a velhice (entre os 55 e os 70), existe a envelhescência.


    A envelhescência nada mais é que uma preparação para entrar na velhice, assim com a adolescência é uma preparação para a maturidade. Engana-se quem acha que o homem maduro fica velho de repente, assim da noite para o dia. Não. Antes, a envelhescência. E, se você está em plena envelhescência, já notou como ela é parecida com a adolescência? Coloque os óculos e veja como este nosso estágio é maravilhoso:


    – Já notou que andam nascendo algumas espinhas em você? Notadamente na bunda?

 

   – Assim como os adolescentes, os envelhescentes também gostam de meninas de vinte anos.


    – Os adolescentes mudam a voz. Nós, envelhescentes, também. Mudamos o nosso ritmo de falar, o nosso timbre. Os adolescentes querem falar mais rápido; os envelhescentes querem falar mais lentamente.


    – Os adolescentes vivem a sonhar com o futuro; os envelhescentes vivem a falar do passado. Bons tempos… – Os adolescentes não têm ideia do que vai acontecer com eles daqui a 20 anos. Os envelhescentes até evitam pensar nisso.


    – Ninguém entende os adolescentes… Ninguém entende os envelhescentes…


    Ambos são irritadiços, se enervam com pouco. Acham que já sabem de tudo e não querem palpites nas suas vidas.


    – Às vezes, um adolescente tem um filho: é uma coisa precoce. Às vezes, um envelhescente tem um filho: é uma coisa pós-coce.


    – Os adolescentes não entendem os adultos e acham que ninguém os entende. Nós, envelhescentes, também não entendemos eles. Ninguém me entende é uma frase típica de envelhescentes.


    – Quase todos os adolescentes acabam sentados na poltrona do dentista e no divã do analista. Os envelhescentes, também a contragosto, idem.


    – O adolescente adora usar uns tênis e uns cabelos. O envelhescente também. Sem falar nos brincos.


    – Ambos adoram deitar e acordar tarde.


    – O adolescente ama assistir a um show de um artista envelhescente (Caetano, Chico, Mick Jagger). O envelhescente ama assistir a um show de um artista adolescente (Rita Lee).


    – O adolescente faz de tudo para aprender a fumar. O envelhescente pagaria qualquer preço para deixar o vício.

 

   – Ambos bebem escondidos.


    – Os adolescentes fumam maconha escondidos dos pais. Os envelhescentes fumam maconha escondido dos filhos.


    – O adolescente esnoba que dá três por dia. O envelhescente quando dá uma a cada três dia, está

mentindo.

 

   – A adolescência vai dos 10 aos 20 anos: a envelhescência vai dos 55 aos 70. Depois sim, virá a velhice, que nada mais é que a maturidade do envelhescente.


    – Daqui a alguns anos, quando insistirmos em não sair da envelhescência para entrar na velhice, vão dizer:

 

   – É um eterno envelhescente! Que bom.


Mario Prata

    As palavras “evelhescente”, “evelhescência” e “pós-coce”, que aparecem no texto, não pertencem ao léxico da língua portuguesa. O autor as criou, valendo-se de processos já existentes no nosso idioma (derivação parassintética para as duas primeiras e derivação prefixal na última). Criar novas palavras com base nos recursos existentes recebe o nome de: 
Alternativas
Q3217222 Português

Texto CG4A1

        Globalmente, as mulheres representam de 8% a 17% da força de trabalho na mineração. O Brasil está na ponta positiva do espectro, com representação média feminina de 17% — ainda que os números sejam mais baixos que os do setor industrial brasileiro em geral, em que esse percentual fica em torno de 25%. Na alta liderança, as mulheres representam 20% dos cargos de chefia e 21% dos conselhos administrativos na mineração.


        De acordo com uma pesquisa global da McKinsey, além de colocar em prática valores de igualdade e equidade, a diversidade melhora o desempenho operacional. Equipes diversas são mais produtivas, aderindo 11% mais ao cronograma de produção; têm práticas mais seguras, com uma frequência de acidentes 67% menor; e são mais criativas e resilientes.


        Signatária dos Princípios de Empoderamento da Mulher da ONU, uma mineradora global criou, em 2018, um programa de trainee 100% feminino e, no ano seguinte, realizou seu primeiro processo seletivo exclusivo para mulheres engenheiras, analistas e gestoras. A medida tem impulsionado o índice de participação feminina da empresa, que passou de 13% para 22% entre 2019 e 2022.


        Há, ainda, um obstáculo anterior, como aponta uma gerente de governança do setor: “A mineração tem muitos cargos em ciências exatas, mas não encontramos muitas universitárias nesses cursos”.


        De fato, se, por um lado, as brasileiras têm maior grau de escolaridade do que os homens, por outro, elas são minoria nos cursos STEM (ciências, tecnologia, engenharias e matemática): 10% das universitárias e 28% de homens universitários estão matriculados em graduações nessas áreas.


         A fim de vencer esse obstáculo, mineradoras globais passaram a oferecer, em parceria com universidades, bolsas de estudos para mulheres nas áreas de engenharia e ciências exatas. 


Internet: <braziljournal.com> (com adaptações).

Julgue o item que se segue, referente às ideias do texto CG4A1.


Depreende-se do texto que o Brasil é o país onde a representação feminina na mineração é a maior entre os países que realizam essa atividade.  

Alternativas
Q3217089 Português
           A Santa Casa de Misericórdia de São Paulo anunciou a venda de sete imóveis no centro de São Paulo. O objetivo é arrecadar R$ 200 milhões e quitar parte dos R$ 650 milhões em dívidas da instituição. Trata-se de um paliativo que não estancará o sangramento sofrido não apenas pela Santa Casa de São Paulo, mas por toda a rede de hospitais filantrópicos do País em razão do subfinanciamento crônico imposto pela incúria do poder público e o oportunismo de seus agentes.

         O Sistema Único de Saúde (SUS) é fundamentalmente um serviço público prestado por entes privados. Hospitais estatais são, em geral, insuficientes, ineficientes e caros. As Santas Casas e os hospitais filantrópicos respondem por quase metade dos leitos do SUS. Em quase 900 municípios, essas entidades são o único serviço de saúde. Segundo a Confederação das Santas Casas (CMB), em 2023 a rede pública foi responsável por apenas 27% das internações de alta complexidade do País, enquanto os hospitais filantrópicos responderam por 61%. Mas esses hospitais são vitimados pelo próprio sucesso.

       Em teoria, o SUS seria um exemplo de cooperação entre o público e o privado para outros serviços públicos do País e para sistemas de saúde de todo o mundo: o Estado recolhe o dinheiro do contribuinte e o repassa a entidades sem fins lucrativos com o alcance e a expertise que ele não tem, garantindo a prestação de serviços de qualidade a todos os cidadãos. Mas como, na prática, os repasses não cobrem os serviços, os hospitais são obrigados a pagá-los.

      Há décadas os valores de repasse da Tabela do SUS estão defasados. Hoje, os repasses não cobrem mais que 50% do custo dos procedimentos. Segundo a CMB, em 18 anos a dívida desses hospitais dobrou. Muitos não resistiram à pressão. Estima-se que, entre 2017 e 2021, 500 Santas Casas fecharam as portas. Na maior parte do País, em especial nas regiões mais carentes, o sistema está ruindo aos poucos, e a continuar assim o colapso pode ser súbito e brutal.

     Há uma luz no fim do túnel. No início de 2024 finalmente foi sancionada uma lei federal estabelecendo a revisão periódica da tabela. A proposta da CMB é que a partir de 2025 o reajuste corresponda, no mínimo, ao valor da inflação médica. Não é suficiente para recompor as perdas de anos de hemorragia financeira, mas ao menos a estancaria.


(O Estado de SP. “Luz no fim do túnel para as Santas Casas”.
Disponível em: https://www.estadao.com.br, 06.11.2024. Adaptado.)
É correto afirmar, a partir das informações do texto, que
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Q3216724 Português
O contrário do amor

    O contrário de bonito é feio, de rico é pobre, de preto é branco – isso se aprende antes de entrar na escola. Se você fizer uma enquete entre as crianças, ouvirá também que o contrário do amor é o ódio. Elas estão erradas. Faça uma enquete entre adultos e descubra a resposta certa: o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença.
    O que seria preferível, que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência? O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: seu nome não consta mais do cadastro.
    Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objeto do ódio, necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor.
     Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bungee-jumping, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, estamos nem aí. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e muito menos se dá conta de sua ausência. Não temos o número do telefone das pessoas para quem não ligamos. A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada.
    Uma criança nunca experimentou essa sensação: ou ela é muito amada, ou criticada pelo que apronta. Uma criança está sempre em uma das pontas da gangorra, adoração ou queixas, mas nunca é ignorada. Só bem mais tarde, quando necessitar de uma atenção que não seja materna ou paterna, é que descobrirá que o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto a indiferença é um exílio no deserto.

(MEDEIROS, M. Trem-bala. L&PM Editores. 1999. Adaptado.)
Considerando o texto anterior, é possível afirmar que:
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Q3216624 Português
"Quando a glicemia está alta, o corpo busca reduzi-la por meio da liberação de insulina, um hormônio responsável por varrer o açúcar e transportá-lo para dentro das células, para que o excesso não permaneça no sangue." 
(https://www.bbc.com/portuguese/articles/c98yd859demo).

Com base no trecho, analise as afirmativas a seguir:
I.A forma pronominal 'la' em 'reduzí-la' e a 'lo' em 'transportá-lo', estão, respectivamente, substituindo os vocábulos 'glicemia' e 'hormônio'.
II.O vocábulo 'alta' e 'responsável' são adjetivos que estão caracterizando os vocábulos 'glicemia' e 'hormônio', respectivamente.
III.O objetivo da insulina é evitar que o excesso de glicose (açúcar) permaneça no sangue.
IV.O vocábulo 'varrer' foi empregado em sentido próprio.
Estão corretas:
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Q3216572 Português

[Entre luas]


    Declarou-me uma amiga que passou a se dedicar a olhar o céu estrelado para se consolar das feiuras terrestres. Não seria isso uma solução excessivamente cômoda? Se quiséssemos levar essa declaração às últimas consequências, acabaríamos dizendo: "que a Terra continue de mal a pior, eu olho para o céu e reencontro meu equilíbrio interior". Não estaria minha amiga instrumentalizando Ilicitamente esse céu estrelado?


   Não buscaria eu exortá-la a mais entusiasmo lembrando as magníficas aventuras cosmonáuticas da humanidade, essas lutas míticas pela supremacia terrestre sobre o firmamento. O que me interessa, ao contrário, é tudo o que é apropriação verdadeira do espaço e dos objetos celestes, ou seja, o conhecimento objetivo de uma relação entre nós e o universo extra-humano.


    A Lua, desde a Antiguidade, significou para os homens esse desejo de um paraíso luminoso e sereno, e essa devoção lunar dos poetas se perpetuou pelos tempos. Mas a Lua dos poetas tem alguma coisa a ver com as imagens leitosas e esburacadas que os foguetes nos enviam? Talvez não, ainda; mas o fato de sermos obrigados a reconsiderar a Lua de maneira nova nos levará a reconsiderar de maneira nova Inúmeras outras coisas. Quem ama a Lua realmente não se contenta em contemplá-la como uma imagem convencional: quer entrar numa relação mais estreita com ela, quer ver mais na Lua, quer que a Lua lhe diga mais.


(Adaptado de: CALVINO. Italo. Assunto encerrado - Discursos sobre literatura e sociedade. Tradução: Roberta Bami. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 217-218)

Ao perguntar Não estaria minha amiga instrumentalizando ilicitamente esse céu estrelado?, o autor do texto está considerando
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Q3216571 Português

[Entre luas]


    Declarou-me uma amiga que passou a se dedicar a olhar o céu estrelado para se consolar das feiuras terrestres. Não seria isso uma solução excessivamente cômoda? Se quiséssemos levar essa declaração às últimas consequências, acabaríamos dizendo: "que a Terra continue de mal a pior, eu olho para o céu e reencontro meu equilíbrio interior". Não estaria minha amiga instrumentalizando Ilicitamente esse céu estrelado?


   Não buscaria eu exortá-la a mais entusiasmo lembrando as magníficas aventuras cosmonáuticas da humanidade, essas lutas míticas pela supremacia terrestre sobre o firmamento. O que me interessa, ao contrário, é tudo o que é apropriação verdadeira do espaço e dos objetos celestes, ou seja, o conhecimento objetivo de uma relação entre nós e o universo extra-humano.


    A Lua, desde a Antiguidade, significou para os homens esse desejo de um paraíso luminoso e sereno, e essa devoção lunar dos poetas se perpetuou pelos tempos. Mas a Lua dos poetas tem alguma coisa a ver com as imagens leitosas e esburacadas que os foguetes nos enviam? Talvez não, ainda; mas o fato de sermos obrigados a reconsiderar a Lua de maneira nova nos levará a reconsiderar de maneira nova Inúmeras outras coisas. Quem ama a Lua realmente não se contenta em contemplá-la como uma imagem convencional: quer entrar numa relação mais estreita com ela, quer ver mais na Lua, quer que a Lua lhe diga mais.


(Adaptado de: CALVINO. Italo. Assunto encerrado - Discursos sobre literatura e sociedade. Tradução: Roberta Bami. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 217-218)

O título "Entre luas" justifica-se pelo fato de que, nesse texto, o autor
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Q3216567 Português
A violência é sempre a dos outros


   Aprendemos com a História que cada época Justifica e naturaliza a seu modo as violências que lhe são próprias. As várias experiências de violência que vão surgindo ao longo dos séculos acusam as anteriores, não hesitando em apontar a barbárie das outras todas, enquanto deixam de acusar a que carregam consigo.

   Veja-se esta observação do crítico francês Raymond Boudon: "Os gregos e os romanos aceitavam a escravidão porque não imaginavam que uma sociedade pudesse funcionar sem escravos. Estamos numa posição semelhante no que diz respeito à pobreza, na qual se encontram milhões e milhões de criaturas. Estamos convencidos de que uma sociedade Justa deve procurar erradicá-la. Mas, como não conseguimos conceber os meios que permitem atingir esse objetivo, aceitamos que uma sociedade comporte grandes bolsões de pobreza. Em contrapartida, não hesitamos em condenar a prática da escravidão".

Parece que tendemos a ser sempre mais complacentes conosco e com a nossa época, avaliando com o maior rigor os descalabros do passado. Também no plano das relações pessoais a consideração que temos uns pelos outros pode não estar marcada pelo amor ao semelhante, mas pela aversão ao dessemelhante. Mas curiosamente, ao se lembrar de sua história pessoal, de sua infância idealizada, cada um de nós pode concluir que "antigamente, sim, tudo era melhor"...


(Alceste Romero de Brito, a editar)
Segundo Raymond Boudon, a existência de grandes bolsões de pobreza em nosso tempo
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Q3216566 Português
A violência é sempre a dos outros


   Aprendemos com a História que cada época Justifica e naturaliza a seu modo as violências que lhe são próprias. As várias experiências de violência que vão surgindo ao longo dos séculos acusam as anteriores, não hesitando em apontar a barbárie das outras todas, enquanto deixam de acusar a que carregam consigo.

   Veja-se esta observação do crítico francês Raymond Boudon: "Os gregos e os romanos aceitavam a escravidão porque não imaginavam que uma sociedade pudesse funcionar sem escravos. Estamos numa posição semelhante no que diz respeito à pobreza, na qual se encontram milhões e milhões de criaturas. Estamos convencidos de que uma sociedade Justa deve procurar erradicá-la. Mas, como não conseguimos conceber os meios que permitem atingir esse objetivo, aceitamos que uma sociedade comporte grandes bolsões de pobreza. Em contrapartida, não hesitamos em condenar a prática da escravidão".

Parece que tendemos a ser sempre mais complacentes conosco e com a nossa época, avaliando com o maior rigor os descalabros do passado. Também no plano das relações pessoais a consideração que temos uns pelos outros pode não estar marcada pelo amor ao semelhante, mas pela aversão ao dessemelhante. Mas curiosamente, ao se lembrar de sua história pessoal, de sua infância idealizada, cada um de nós pode concluir que "antigamente, sim, tudo era melhor"...


(Alceste Romero de Brito, a editar)
Da comparação entre as violências já havidas na História e as que ocorrem sob os nossos olhos deve-se deduzir que
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Q3216560 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão  


    As primeiras cartas de Jorge foram todas à mãe. Eram longas e derramadas, entusiásticas, descuidosas e até pueris. Descontada a escassa porção de realidade que podia haver nelas, ficava um cálculo, que o coração de Valéria compreendeu: era adoçar-lhe a ausência e dissipar-lhe as apreensões.


    Cedo se familiarizou Jorge com a vida militar. O exército, acampado em Tuiuti1 , não iniciava operações novas; tratava-se de reunir os elementos necessários para prosseguir a campanha de modo seguro e decisivo. Não havendo nenhuma ação grande, em que pudesse provar as forças e amestrar-se, Jorge buscava as ocasiões de algum perigo, as comissões arriscadas, cujo êxito dependesse de espírito atrevido, sagacidade e paciência. Esse desejo captou-lhe a simpatia dos chefes imediatos.


    O coronel que o comandava atentou nele; sentiu-lhe a alma juvenil através do olhar brando e repousado. Ao mesmo tempo observou que, no meio dos gozos fáceis e múltiplos do acampamento, convertido pela inação em povoado de recreio, Jorge conservava um retraimento monacal2 , um casto horror de tudo o que pudesse diverti-lo de curar das armas, ou somente de pensar nelas. O coronel era homem de seu ofício; amava a guerra pela guerra; morreu talvez de nostalgia no regaço da paz. Era bravo e ríspido. O que lhe destoou a princípio na pessoa de Jorge foi o alinho e um resto de seus ademanes3 de sala. Jorge, entretanto, sem perder desde logo o jeito da vida civil, foi criando com o tempo a crosta de campanha. O desejo de trabalhar, de arriscar-se, de temperar a alma ao fogo do perigo, trocou os sentimentos do coronel, que entreviu nele um bom companheiro de armas, e ao fim de pouco tempo procurou distingui-lo.


(Machado de Assis, Iaiá Garcia)


1Tuiuti: pântano existente no Paraguai.

2Monacal: relativo a monge ou à vida nos conventos; monástico.

3Ademanes: gestos, sinais, geralmente feitos com as mãos.

De acordo com a BNCC, a leitura dos textos literários, como o de Machado de Assis, deve “garantir a formação de um leitor-fruidor, ou seja, de um sujeito que seja capaz de se implicar na leitura dos textos, de ‘desvendar’ suas múltiplas camadas de sentido, de responder às suas demandas e de firmar pactos de leitura”.


Sob essa perspectiva, a literatura é concebida em função de sua

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Q3216558 Português

Leia os textos a seguir para responder à questão 


Texto 1


Ó tu do meu amor fiel traslado

Mariposa, entre as chamas consumida,

Pois se à força do ardor perdes a vida,

A violência do fogo me há prostrado.


Tu de amante o teu fim hás encontrado,

Essa flama girando apetecida,

Eu girando uma penha endurecida,

No fogo, que exalou, morro abrasado.


Ambos, de firmes, anelando chamas,

Tu a vida deixas, eu a morte imploro,

Nas constâncias iguais, iguais nas famas.


Mas, ai!, que a diferença entre nós choro;

Pois acabando tu ao fogo, que amas,

Eu morro, sem chegar à luz, que adoro.


(Gregório de Matos, Poemas escolhidos)


Texto 2


As mariposa quando chega o frio

Fica dando volta em volta da lâmpida pra se esquentar

Elas roda, roda, roda e dispois se senta

Em cima do prato da lâmpida pra descansar


Eu sou a lâmpida

E as muié é as mariposa

Que fica dando volta em volta de mim

Toda noite só pra me beijar


(Adoniran Barbosa, “As mariposas”)

Tendo como referência Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004) e Marcuschi (2008), conclui-se corretamente que os dois textos pertencem ao domínio social de comunicação da
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Q3216557 Português

Leia os textos a seguir para responder à questão 


Texto 1


Ó tu do meu amor fiel traslado

Mariposa, entre as chamas consumida,

Pois se à força do ardor perdes a vida,

A violência do fogo me há prostrado.


Tu de amante o teu fim hás encontrado,

Essa flama girando apetecida,

Eu girando uma penha endurecida,

No fogo, que exalou, morro abrasado.


Ambos, de firmes, anelando chamas,

Tu a vida deixas, eu a morte imploro,

Nas constâncias iguais, iguais nas famas.


Mas, ai!, que a diferença entre nós choro;

Pois acabando tu ao fogo, que amas,

Eu morro, sem chegar à luz, que adoro.


(Gregório de Matos, Poemas escolhidos)


Texto 2


As mariposa quando chega o frio

Fica dando volta em volta da lâmpida pra se esquentar

Elas roda, roda, roda e dispois se senta

Em cima do prato da lâmpida pra descansar


Eu sou a lâmpida

E as muié é as mariposa

Que fica dando volta em volta de mim

Toda noite só pra me beijar


(Adoniran Barbosa, “As mariposas”)

Ao analisar a intertextualidade, Marcuschi (2008) cita Ingedore Koch: “num sentido amplo, a intertextualidade é uma ‘condição de existência do próprio discurso’ e pode equivaler à noção de interdiscursividade ou heterogeneidade. Um discurso remete a outro e tudo se dá como se o que se tem a dizer trouxesse pelo menos em parte um já dito”.


Com base nessas considerações, é correto afirmar que entre o poema de Gregório de Matos e a canção de Adoniran Barbosa

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Q3216556 Português
Leia os textos a seguir para responder à questão. 


Texto 1

O ensino de leitura e da escrita baseado em uma concepção interacionista de língua implica considerá-las como práticas sociais. Nessa perspectiva, o “letramento escolar” que envolve o processo de didatização da leitura e da escrita precisa ser feito de modo a garantir que as práticas de leitura e de produção de textos desenvolvidas nesse espaço se aproximem daquelas realizadas fora dele.

(Eliana Borges Correia de Albuquerque, Mudanças didáticas e pedagógicas no ensino de língua portuguesa, 2006)


Texto 2

A atividade de leitura completa a atividade da produção escrita. É, por isso, uma atividade de interação entre sujeitos e supõe muito mais que a simples decodificação dos sinais gráficos. O leitor, como um dos sujeitos da interação, atua participativamente, buscando recuperar, buscando interpretar e compreender o conteúdo e as intenções pretendidos pelo autor.


(Irandé Antunes, Aula de Português: encontro e interação, 2003)
Em relação ao conceito de língua proposto por Bakhtin (1992), as autoras mostram-se
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Respostas
2581: C
2582: B
2583: D
2584: A
2585: C
2586: E
2587: E
2588: A
2589: E
2590: D
2591: C
2592: D
2593: C
2594: E
2595: D
2596: D
2597: D
2598: B
2599: A
2600: A