Questões de Concurso Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q962906 Português

O escritor Ruy Castro, no texto a seguir, cujas frases estão fora de ordem, fala sobre o fechamento e reabertura da Biblioteca Parque do Estado no Rio de Janeiro. Numere os parênteses, identificando a sequência textual correta.


( ) Findo o evento, o LER retirou-se, mas legou ao Estado um espaço em condições para que este reabra a Biblioteca Parque.

( ) Eu a visitara havia pouco e ficara encantado – 250 mil livros (2.500 em braille) e 20 mil filmes, teatro, auditório, salas multiuso, espaço infantil, jardins, café, pátio, bicicletário.

( ) Passou-se um ano e meio. Há meses, o pessoal do LER – Salão Carioca do Livro, um superevento literário – armouse de parceiros e dispôs-se a realizar na biblioteca sua edição de 2018.

( ) Em fins de 2016, a Biblioteca Parque do Estado, na avenida Presidente Vargas, fechou as portas.

( ) Incrível o estrago que 18 meses de abandono podem provocar. E mais incrível ainda o que a vontade de servir, de salvar, de oferecer, pode produzir. Cada centímetro, do chão ao teto, foi restaurado.

(Adaptado de <https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2018/05/ renasce-uma-biblioteca.shtml> )


Assinale a alternativa que apresenta a numeração correta dos parênteses, de cima para baixo.

Alternativas
Q961949 Português

Nunca morreu tanta criança no Rio de Janeiro devido a balas perdidas. Nunca os chefões do tráfico de drogas desafiaram o poder político com tamanha petulância. Nunca as Forças Armadas tiveram de intervir como fizeram em 2017. ... O palco de maior violência foi a favela da Rocinha, com duas quadrilhas disputando o comando do tráfico de drogas. Isso levou as Forças Armadas a intervirem diversas vezes no policiamento da cidade, levantando uma série de críticas sobre a funcionalidade e racionalidade de tais operações de alto risco. O governador Luiz Fernando Pezão implorou pela intervenção do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. Foi atendido. É bom ressaltar, no entanto, que tal participação recebeu algumas críticas dos comandantes militares. Nossas Forças Armadas não estão constituídas para correr atrás de bandido.

Revista IstoÉ, número 2506, 27 de dezembro de 2017, página 80-81.


O texto apresentado no enunciado dessa questão é muito atual e refere-se à:

Alternativas
Ano: 2018 Banca: UERR Órgão: IPERON - RO Prova: UERR - 2018 - IPERON - RO - Administrador |
Q961802 Português

      O rapaz e ela se olharam por entre a chuva e se reconheceram como dois nordestinos, bichos da mesma espécie que se farejam. Ele a olhara enxugando o rosto molhado com as mãos. E a moça, bastou-lhe vê-lo para torná-lo imediatamente sua goiabada-com-queijo.

      Ele... Ele se aproximou e com voz cantante de nordestino que a emocionou, perguntou-lhe:

      - E se me desculpe, senhorinha, posso convidar a passear?

      - Sim, respondeu atabalhoadamente com pressa antes que ele mudasse de ideia.

      - E, se me permite, qual é mesmo a sua graça?

      - Macabéa. 

      - Maca - o quê?

      - Béa, foi ela obrigada a completar.

      - Me desculpe, mas até parece doença, doença de pele.

      - Eu também acho esquisito, mas minha mãe botou ele por promessa a Nossa Senhora da Boa Morte se eu vingasse, até um ano de idade eu não era chamada porque não tinha nome, eu preferia continuar a nunca ser chamada em vez de ter um nome que ninguém tem mas parece que deu certo - parou um instante retomando o fôlego perdido e acrescentou desanimada e com pudor - pois como o senhor vê eu vinguei... pois é...

      - Também no sertão da Paraíba promessa é questão de grande dívida de honra.

      Eles não sabiam como se passeia. Andaram sob a chuva grossa e pararam diante da vitrine de uma loja de ferragem onde estavam expostos atrás do vidro canos, latas, parafusos grandes e pregos. E Macabéa, com medo de que o silêncio já significasse uma ruptura, disse ao recém-namorado:

       - Eu gosto tanto de parafuso e prego, e o senhor?

      Da segunda vez em que se encontraram caía uma chuva fininha que ensopava os ossos. Sem nem ao menos se darem as mãos caminhavam na chuva que na cara de Macabéa parecia lágrimas escorrendo.

      Da terceira vez que se encontraram - pois não é que estava chovendo? - o rapaz, irritado e perdendo o leve verniz de finura que o padrasto a custo lhe ensinara, disse-lhe:

      - Você também só sabe é mesmo chover!

      - Desculpe. Mas ela já o amava tanto que não sabia mais como se livrar dele, estava em desespero de amor.

      Numa das vezes em que se encontraram ela afinal perguntou-lhe o nome.

      - Olímpico de Jesus Moreira Chaves - mentiu ele porque tinha como sobrenome apenas o de Jesus, sobrenome dos que não têm pai. Fora criado por um padrasto que lhe ensinara o modo fino de tratar pessoas para se aproveitar delas e lhe ensinara como pegar mulher.

      - Eu não entendo o seu nome - disse ela. - Olímpico?

      Macabéa fingia enorme curiosidade escondendo dele que ela nunca entendia tudo muito bem e que isso era assim mesmo. Mas ele, galinho de briga que era, arrepiou-se todo com a pergunta tola e que ele não sabia responder. Disse aborrecido:

      - Eu sei mas não quero dizer!

      - Não faz mal, não faz mal, não faz mal... a gente não precisa entender o nome.

      [...] Olímpico de Jesus trabalhava de operário numa metalúrgica e ela nem notou que ele não se chamava “operário" e sim “metalúrgico”. Macabéa ficava contente com a posição social dele porque tinha orgulho de ser datilografa, embora ganhasse menos que o salário mínimo. Mas ela e Olímpico eram alguém no mundo. “Metalúrgico e datilografa” formavam um casal de classe.

LISPECTOR, Clarice. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998, 30jan. p. 43-45. (Fragmento)

O desenvolvimento do tema da narrativa, no fragmento apresentado, de Clarice Lispector, é marcado pela presença de um narrador:
Alternativas
Ano: 2018 Banca: UERR Órgão: IPERON - RO Prova: UERR - 2018 - IPERON - RO - Administrador |
Q961801 Português

      O rapaz e ela se olharam por entre a chuva e se reconheceram como dois nordestinos, bichos da mesma espécie que se farejam. Ele a olhara enxugando o rosto molhado com as mãos. E a moça, bastou-lhe vê-lo para torná-lo imediatamente sua goiabada-com-queijo.

      Ele... Ele se aproximou e com voz cantante de nordestino que a emocionou, perguntou-lhe:

      - E se me desculpe, senhorinha, posso convidar a passear?

      - Sim, respondeu atabalhoadamente com pressa antes que ele mudasse de ideia.

      - E, se me permite, qual é mesmo a sua graça?

      - Macabéa. 

      - Maca - o quê?

      - Béa, foi ela obrigada a completar.

      - Me desculpe, mas até parece doença, doença de pele.

      - Eu também acho esquisito, mas minha mãe botou ele por promessa a Nossa Senhora da Boa Morte se eu vingasse, até um ano de idade eu não era chamada porque não tinha nome, eu preferia continuar a nunca ser chamada em vez de ter um nome que ninguém tem mas parece que deu certo - parou um instante retomando o fôlego perdido e acrescentou desanimada e com pudor - pois como o senhor vê eu vinguei... pois é...

      - Também no sertão da Paraíba promessa é questão de grande dívida de honra.

      Eles não sabiam como se passeia. Andaram sob a chuva grossa e pararam diante da vitrine de uma loja de ferragem onde estavam expostos atrás do vidro canos, latas, parafusos grandes e pregos. E Macabéa, com medo de que o silêncio já significasse uma ruptura, disse ao recém-namorado:

       - Eu gosto tanto de parafuso e prego, e o senhor?

      Da segunda vez em que se encontraram caía uma chuva fininha que ensopava os ossos. Sem nem ao menos se darem as mãos caminhavam na chuva que na cara de Macabéa parecia lágrimas escorrendo.

      Da terceira vez que se encontraram - pois não é que estava chovendo? - o rapaz, irritado e perdendo o leve verniz de finura que o padrasto a custo lhe ensinara, disse-lhe:

      - Você também só sabe é mesmo chover!

      - Desculpe. Mas ela já o amava tanto que não sabia mais como se livrar dele, estava em desespero de amor.

      Numa das vezes em que se encontraram ela afinal perguntou-lhe o nome.

      - Olímpico de Jesus Moreira Chaves - mentiu ele porque tinha como sobrenome apenas o de Jesus, sobrenome dos que não têm pai. Fora criado por um padrasto que lhe ensinara o modo fino de tratar pessoas para se aproveitar delas e lhe ensinara como pegar mulher.

      - Eu não entendo o seu nome - disse ela. - Olímpico?

      Macabéa fingia enorme curiosidade escondendo dele que ela nunca entendia tudo muito bem e que isso era assim mesmo. Mas ele, galinho de briga que era, arrepiou-se todo com a pergunta tola e que ele não sabia responder. Disse aborrecido:

      - Eu sei mas não quero dizer!

      - Não faz mal, não faz mal, não faz mal... a gente não precisa entender o nome.

      [...] Olímpico de Jesus trabalhava de operário numa metalúrgica e ela nem notou que ele não se chamava “operário" e sim “metalúrgico”. Macabéa ficava contente com a posição social dele porque tinha orgulho de ser datilografa, embora ganhasse menos que o salário mínimo. Mas ela e Olímpico eram alguém no mundo. “Metalúrgico e datilografa” formavam um casal de classe.

LISPECTOR, Clarice. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998, 30jan. p. 43-45. (Fragmento)

Sobre o texto leia as afirmativas a seguir.


I. A passagem “Mas ela já o amava tanto que não sabia mais como se livrar dele, estava em desespero de amor.” revela fragilidade e insegurança de Macabéa.

II. O trecho “- Me desculpe, mas até parece doença, doença de pele.” Apresenta humordeselegante.

III. As duas primeiras falas de Olímpico tentam forjar uma gentileza ultrapassada e forçada, posto que ele era um sujeito grosseiro.

IV. A aproximação entre as duas personagens - Macabéa e Olímpico - ocorre em virtude de sua condição de imigrantes nordestinos que lograram êxito longe de sua terra natal.


Está correto o que se afirma apenas em:

Alternativas
Ano: 2018 Banca: UERR Órgão: IPERON - RO Prova: UERR - 2018 - IPERON - RO - Auditor |
Q961721 Português

                             A mulher que ia navegar


       O anúncio luminoso de um edifício em frente, acendendo e apagando, dava banhos intermitentes de sangue na pele de seu braço repousado, e de sua face. Ela estava sentada junto à janela e havia luar; e nos intervalos desse banho vermelho ela era toda pálida e suave.

      Na roda havia um homem muito inteligente que falava muito; havia seu marido, todo bovino; um pintor louro e nervoso; uma senhora morena de riso fácil e engraçado; um físico, uma senhora recentemente desquitada, e eu. Para que recensear a roda que falava de política e de pintura? Ela não dava atenção a ninguém. Quieta, às vezes sorrindo quando alguém lhe dirigia a palavra, ela apenas mirava o próprio braço, atenta à mudança da cor. Senti que ela fruía nisso um prazer silencioso e longo. “Muito!”, disse quando alguém lhe perguntou se gostara de um certo quadro - e disse mais algumas palavras; mas mudou um pouco a posição do braço e continuou a se mirar, interessada em si mesma, com um ar sonhador.

      Quando começou a discussão sobre pintura figurativa, abstrata e concreta, houve um momento em que seu marido classificou certo pintor com uma palavra forte e vulgar; ela ergueu os olhos para ele, com um ar de censura; mas nesse olhar havia menos zanga do que tédio. Então senti que ela se preparava para o enganar.

      Ela se preparava devagar, mas sem dúvida e sem hesitação íntima nenhuma; devagar, como um rito. Talvez nem tivesse pensado ainda que homem escolhería, talvez mesmo isso no fundo pouco lhe importasse, ou seria, pelo menos, secundário. Não tinha pressa. O primeiro ato de sua preparação era aquele olhar para si mesma, para seu belo braço que lambia devagar com os olhos, como uma gata se lambe no corpo; era uma lenta preparação. Antes de se entregar a outro homem, ela se entregaria longamente ao espelho, olhando e meditando seu corpo de 30 anos com uma certa satisfação e uma certa melancolia, vendo as marcas do maiô e da maternidade e se sorrindo vagamente, como quem diz: eis um belo barco prestes a se fazer ao mar; é tempo.

      Talvez tenha pensado isso naquele momento mesmo; olhou-me, quase surpreendendo o olhar com que eu estudava; não sei; em todo caso, me sorriu e disse alguma coisa, mas senti que eu não era o navegador que ela buscava. Então, como se estivesse despertando, passou a olhar uma a uma as pessoas da roda; quando se sentiu olhado, o homem inteligente que falava muito continuou a falar encarando-a, a dizer coisas inteligentes sobre homem e mulher; ela ia voltar os olhos para outro lado, mas ele dizia logo outra coisa inteligente, como quem joga depressa mais quirera de milho a uma pomba. Ela sorria, mas acabou se cansando daquele fluxo de palavras, e o abandonou no meio de uma frase. Seus olhos passaram pelo marido e pelo pequeno pintor louro e então senti que pousavam no físico. Ele dizia alguma coisa à mulher recentemente desquitada, alguma coisa sobre um filme do festival. Era um homem moreno e seco, falava devagar e com critério sobre arte e sexo. Falava sem pose, sério; senti que ela o contemplava com uma vaga surpresa e com agrado. Estava gostando de ouvir o que ele dizia à outra. O homem inteligente que falava muito tentou chamar-lhe a atenção com uma coisa engraçada, e ela lhe sorriu; mas logo seus olhos se voltaram para o físico. E então ele sentiu esse olhar e o interesse com que ela o ouvia, e disse com polidez:

      - Asenhora viu o filme?

      Ela fez que sim com a cabeça, lentamente, e demorou dois segundos para responder apenas: vi. Mas senti que seu olhar já estudava aquele homem com uma severa e fascinada atenção, como se procurasse na sua cara morena os sulcos do vento do mar e, no ombro largo, a secreta insígnia do piloto de longo, longo curso.

      Aborrecido e inquieto, o marido bocejou - era um boi esquecido, mugindo, numa ilha distante e abandonada para sempre. É estranho: não dava pena.

      Ela ia navegar.

BRAGA, Rubem. A mulher que ia navegar. In: Rubem Braga. Recado da primavera. 5. ed. Rio de Janeiro: Record, 1991. p.80­-82.

Mulher é observada pelo narrador que sente que ela se preparava para enganar o marido. Essa afirmação pode ser comprovada com a seguinte passagem do texto:
Alternativas
Q961497 Português

Caminhões e ônibus são responsáveis por parte da poluição do ar em SP

            Um novo estudo coordenado por físicos da Universidade de São Paulo (USP) ________ que veículos movidos a diesel, como caminhões e ônibus, são responsáveis por cerca da metade da concentração de compostos tóxicos na atmosfera, tais como benzeno tolueno e material particulado. 

            Os pesquisadores destacam que é um valor muito alto, uma vez que ônibus e caminhões representam somente 5% da frota veicular. A Região Metropolitana de São Paulo tem mais de 7 milhões de veículos. 

            “A estimativa da emissão de poluentes de cada tipo de veículo é feita geralmente baseada em valores medidos em laboratório e multiplicados pelo número de veículos nas ruas”, disse Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da USP e um dos autores do estudo.

            O problema dessa metodologia, segundo ele, é que não leva em conta necessariamente condições reais de condução e manutenção dos veículos, aspectos fundamentais para a emissão de poluentes. O estudo publicado agora foi realizado em condições reais. 

            “Um dos aspectos inovadores desse estudo _____ utilizar o etanol na atmosfera, que é emitido somente por carros e motos. Com isso, pudemos separa a contribuição real de veículos leves, que emitem etanol dos pesados, movidos a diesel e que não emitem etanol” disse Artaxo, que é membro da coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais. 

            Na região metropolitana de São Paulo, há 100 veículos de passageiros para cada ônibus e 30 para cada caminhão. Em 2013, ano em que foram feitas as medidas usadas no estudo, o consumo médio por veículos de passageiros era de 55% de gasolina para 45% de etanol A mistura de gasolina e etanol é usada basicamente por veículos leves, sejam do tipo flex ou que _______ um dos dois combustíveis. Outros estudos ao redor do mundo ____ focado no papel do uso de biocombustíveis como etanol na redução de emissão de poluentes. 

            “O grande diferencial da nova análise foi o foco não no efeito do etanol em si, mas no seu uso como um traçador de poluentes, permitindo separar pela primeira vez fontes veiculares distintas”, disse o líder do estudo Joel Ferreira de Brito. 

            “Pelos resultados obtidos, certamente uma redução de uso de veículos na cidade de São Paulo aliada à expansão da linha de metrô, por exemplo, é o primeiro e mais eficaz modo de minimizar a poluição na cidade. Um ótimo custo-benefício pode também ser obtido diminuindo as emissões de poluentes pelos ônibus”, disse Brito. 

            O pesquisador ressalta que existem filtros que eliminam 95% das emissões de ônibus, “e é muito importante que essas novas tecnologias, disponíveis e baratas, sejam efetivamente implementadas em São Paulo e nas grandes cidades brasileiras”. 

https://exame.abril.com.br... - adaptado. 

De acordo com o texto, marcar C para as afirmativas Certas, E para as Erradas e, após, assinalar a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:

( ) 5% da frota veicular é responsável por cerca da metade da concentração de compostos tóxicos na atmosfera.

( ) Comparando com estudos anteriores, essa pesquisa se diferencia por distinguir a poluição de etanol e diesel.

( ) Na região metropolitana de São Paulo, há mais caminhões do que ônibus.

( ) O estudo tem como principal objetivo a expansão do comércio de filtros para evitar o aumento da poluição.

Alternativas
Ano: 2018 Banca: UNIFESP Órgão: UNIFESP Prova: UNIFESP - 2018 - UNIFESP - Enfermagem Geral |
Q961290 Português

A aliança

Esta é uma história exemplar, só não está muito claro qual é o exemplo. De qualquer jeito, mantenha-a longe das crianças. Também não tem nada a ver com a crise brasileira, o apartheid, a situação na América Central ou no Oriente Médio ou a grande aventura do homem sobre a Terra. Situa-se no terreno mais baixo das pequenas aflições da classe média. Enfim. Aconteceu com um amigo meu.

Fictício, claro.

Ele estava voltando para casa como fazia, com fidelidade rotineira, todos os dias à mesma hora. Um homem dos seus 40 anos, naquela idade em que já sabe que nunca será o dono de um cassino em Samarkand, com diamantes nos dentes, mas ainda pode esperar algumas surpresas da vida, como ganhar na loto ou furar-lhe um pneu. Furou-lhe um pneu. Com dificuldade ele encostou o carro no meiofio e preparou-se para a batalha contra o macaco, não um dos grandes macacos que o desafiavam no jângal dos seus sonhos de infância, mas o macaco do seu carro tamanho médio, que provavelmente não funcionaria, resignação e reticências... Conseguiu fazer o macaco funcionar, ergueu o carro, trocou o pneu e já estava fechando o porta-malas quando a sua aliança escorregou pelo dedo sujo de óleo e caiu no chão. Ele deu um passo para pegar a aliança do asfalto, mas sem querer a chutou. A aliança bateu na roda de um carro que passava e voou para um bueiro. Onde desapareceu diante dos seus olhos, nos quais ele custou a acreditar. Limpou as mãos o melhor que pôde, entrou no carro e seguiu para casa. Começou a pensar no que diria para a mulher. Imaginou a cena. Ele entrando em casa e respondendo às perguntas da mulher antes de ela fazê-las.

— Você não sabe o que me aconteceu!

— O quê?

— Uma coisa incrível.

— O quê?

— Contando ninguém acredita.

— Conta!

— Você não nota nada de diferente em mim? Não está faltando nada?

— Não.

— Olhe.

E ele mostraria o dedo da aliança, sem a aliança.

— O que aconteceu?

E ele contaria. Tudo, exatamente como acontecera. O macaco. O óleo. A aliança no asfalto. O chute involuntário. E a aliança voando para o bueiro e desaparecendo.

— Que coisa - diria a mulher, calmamente.

— Não é difícil de acreditar?

— Não. E perfeitamente possível.

— Pois é. Eu...

— SEU CRETINO!

— Meu bem...

— Está me achando com cara de boba? De palhaça? Eu sei o que aconteceu com essa aliança. Você tirou do dedo para namorar. E ou não é? Para fazer um programa. Chega em casa a esta hora e ainda tem a cara-de-pau de inventar uma história em que só um imbecil acreditaria.

— Mas, meu bem... 

— Eu sei onde está essa aliança. Perdida no tapete felpudo de algum motel. Dentro do ralo de alguma banheira redonda. Seu sem-vergonha!

E ela sairia de casa, com as crianças, sem querer ouvir explicações. Ele chegou em casa sem dizer nada. Por que o atraso? Muito trânsito. Por que essa cara? Nada, nada. E, finalmente:

— Que fim levou a sua aliança? E ele disse:

— Tirei para namorar. Para fazer um programa. E perdi no motel. Pronto. Não tenho desculpas. Se você quiser encerrar nosso casamento agora, eu compreenderei.

Ela fez cara de choro. Depois correu para o quarto e bateu com a porta. Dez minutos depois reapareceu. Disse que aquilo significava uma crise no casamento deles, mas que eles, com bom-senso, a venceríam.

— O mais importante é que você não mentiu pra mim. E foi tratar do jantar.

FONTE: http://www.releituras.com/lfverissiino_alianca.asp. Acesso 20 mar 2018.


Na crônica de Luís Fernando Veríssimo, a estratégia que gera o humor é o resultado 

Alternativas
Ano: 2018 Banca: UNIFESP Órgão: UNIFESP Prova: UNIFESP - 2018 - UNIFESP - Enfermagem Geral |
Q961289 Português

Imagem associada para resolução da questão


A tirinha acima apresenta uma crítica ao (à):

Alternativas
Ano: 2018 Banca: UNIFESP Órgão: UNIFESP Prova: UNIFESP - 2018 - UNIFESP - Enfermagem Geral |
Q961288 Português

Leia as frases abaixo:


Frase I: Se eu fosse doutor, a recepcionista escutaria as minhas reclamações.


Frase II: Se eu fosse, doutor, a recepcionista escutaria as minhas reclamações.


Considerando que a posição das vírgulas determina o sentido de cada um dos dois enunciados, qual das afirmações abaixo não é verdadeira?

Alternativas
Q961242 Português

Leia o soneto abaixo para responder a questão:


SONETO 793 - DA ESQUINA INESQUECÍVEL


Um centro de convívio nos convoca em todo itinerário, noite e dia.

Alguns o denominam "padaria".

Aos íntimos, atende por “padoca”.


Café com leite e pão, sanduba e coca, sorvetes, bolos, frios por fatia:

o bar ao mercadinho ali se alia e quando a nota é grande, ali se troca.


O frango abre apetite e forma fila.

Os queijos na vitrine a boca molham.

Quem olha a torta exposta não vacila.


Esnobes que um local mais chique escolham: de mim ela está

próxima, e curti-la relembra o que meus olhos já não olham.

(MATTOSO, Glauco. Poesia digesta, 1974-2004. São Paulo: Landy Editora, 2004, p. 63.)


Indique a alternativa correta sobre a utilização das palavras “padaria” e “padoca”:

Alternativas
Q961240 Português

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) prevê a não geração de resíduos sólidos e, quando gerados, a disposição final ambientalmente adequada. Para isso, a PNRS estabelece que a responsabilidade pelo ciclo de vida dos produtos deve ser compartilhada, ou seja, todos - fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, consumidores e titulares de serviços públicos de limpeza urbana - têm responsabilidade pela disposição final ambientalmente adequada dos resíduos sólidos. A mesma lei estabelece que haja integração e emancipação econômica dos catadores de materiais reutilizáveis no ciclo de vida dos produtos. Sendo assim, a importância da coleta seletiva também se dá no nível econômico-social.

FONTE: https://www.ecycle.com.br/6268-coleta-seletiva. Acesso 1 abr2018. (adaptado)


O texto acima apresenta qual finalidade?

Alternativas
Q961237 Português

Linha de passe


Toca de tatu, linguiça e paio e boi zebu

Rabada com angu, rabo-de-saia

Naco de peru, lombo de porco com tutu

E bolo de fubá, barriga d'água

Há um diz que tem e no balaio tem também

Um som bordão bordando o som, dedão, violação


Diz um diz que viu e no balaio viu também

Um pega lá no toma-lá-dá-cá, do samba

Um caldo de feijão, um vatapá, e coração

Boca de siri, um namorado e um mexilhão

Agua de benze, linha de passe e chimarrão


Babaluaê, rabo de arraia e confusão...

...


Eh, yeah, yeah . . .

(Valeu, valeu, Dirceu do seu gado deu...)

Cana e cafuné, fandango e cassulê


Sereno e pé no chão, bala, candomblé


E o meu café, cadê? Não tem, vai pão com pão


Já era Tirolesa, o Garrincha, a Galeria

A Mayrink Veiga, o Vai-da-Valsa, e hoje em dia

Rola a bola, é sola, esfola, cola, é pau a pau

E lá vem Portela que nem Marquês de Pombal

Mal, isso assim vai mal, mas viva o carnaval

Lights e sarongs, bondes, louras, King-Kongs

Meu pirão primeiro é muita marmelada


Puxa saco, cata-resto, pato, jogo-de-cabresto

E a pedalada


Quebra outro nariz, na cara do juiz

Aí, e há quem faça uma cachorrada

E fique na banheira, ou jogue pra torcida

Feliz da vida

Toca de tatu, linguiça e paio e boi zebu

Rabada com angu, rabo-de-saia

Naco de peru, lombo de porco com tutu


E bolo de fubá, barriga d'água

Há um diz que tem e no balaio tem também

Um som bordão bordando o som, dedão, violação

Diz um diz que viu e no balaio viu também

Um pega lá no toma-lá-dá-cá do samba

FONTE: https://www.letras.mus.br/joao-bosco/46524/. Acesso 1 abr2018.


O texto “Linha de passe” de João Bosco, Aldir Blanc e Paulo Emílio, registra, dentre outras referências culturais, a mistura entre futebol e culinária brasileira, algo também presente em várias canções que fazem parte do acervo da MPB. Observa-se, como característica do uso da variedade coloquial da linguagem (ou seja, aquela usada em situações cotidianas de comunicação verbal), a utilização nesse texto de

Alternativas
Q961236 Português

Leia a máxima abaixo:


Mais vale um filé em casa do que um boi no açougue.

(Porto, Sergio [Stanislaw Ponte Preta], Máximas inéditas de Tia Zulmira. Rio de Janeiro: Editora Codecri, 1976, p. 67.)


Qual dos bordões abaixo carrega o mesmo sentido?

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Ano: 2018 Banca: FCM Órgão: IFN-MG Prova: FCM - 2018 - IFN-MG - Língua Portuguesa |
Q961075 Português

                                       Serena Sintética


                                                        Lua

                                                        morta.

                                                                       Rua

                                                                        torta

                                                        Tua

                                                        porta.

RICARDO, Cassiano. Poesias completas. Pref. Tristão de Athayde. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1957, p. 27.

Para muitos estudiosos e teóricos, a coerência e a coesão, que formam parte dos critérios tidos como constitutivos da textualidade, são os mais importantes. A partir da leitura de "Serenata Sintética", informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma acerca do poema.


( ) É destituído de elementos coesivos, o que o torna incoerente e o impede de funcionar e de ser chamado de texto.

( ) Apresenta-se segmentado, mas isso não obsta, obviamente, que funcione como um texto perfeitamente inteligível.

( ) Impossibilita o leitor de conseguir interpretá-lo, ainda que este assuma uma atitude colaborativa na produção de sentidos.

( ) Reúne fatos isolados a partir de palavras soltas distribuídas no espaço branco do papel, não forma uma sequência contínua nem exibe textura.

( ) Proporciona o entendimento de que a coesão superficial não é necessária para a textualidade, pois esta é inferida a partir da coerência identificada.


De acordo com as afirmações, a sequência correta é

Alternativas
Ano: 2018 Banca: FCM Órgão: IFN-MG Prova: FCM - 2018 - IFN-MG - Língua Portuguesa |
Q961073 Português

Grande acervo de obras constitui a ficção brasileira da atualidade e merece destaque pelas opções estilísticas e formais que se apresentam nas escritas dos autores contemporâneos. Os textos seguintes encerram reflexões a esse respeito.

Texto I

O contemporâneo é aquele que, graças a uma diferença, uma defasagem ou um anacronismo, é capaz de captar seu tempo e enxergá-lo. Por não se identificar, por sentir-se em desconexão com o presente, cria um ângulo do qual é possível expressá-lo. Assim a literatura contemporânea não será necessariamente aquela que representa a atualidade, a não ser por uma inadequação, uma estranheza histórica que a faz perceber as zonas marginais e obscuras do presente, que se afastam de sua lógica. Ser contemporâneo, segundo esse raciocínio, é ser capaz de se orientar no escuro e, a partir daí, ter coragem de reconhecer e de se comprometer com um presente com o qual não é possível coincidir. Na perspectiva dessa compreensão da história atual como descontinuidade e do papel do escritor contemporâneo na contramão das tendências afirmativas, talvez seja possível entender alguns dos critérios implícitos que determinam quem faz sucesso, quem ganha maior visibilidade na mídia, na academia, entre os críticos ou entre os leitores.

SCHOLLHAMMER, Karl Erik. Ficção brasileira contemporânea. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2009, p. 10.


Texto II

O medo que mora em nós

No conto de terror "O Próximo da Fila" (1955), de Ray Bradbury, uma mulher visita as catacumbas de Guanajuato, México. Corpos mumificados forram as paredes. Acordada em sua cama, na noite seguinte, assombrada pelo passeio macabro, ela percebe que seu coração "era um fole eternamente soprando sobre um pequeno tição de medo... Uma luz entranhada para a qual seus olhos internos se voltavam fixamente, com fascínio indesejado".

Em nosso tempo atual, o coração da cultura assopra com força sobre um tição de medo, e o fascínio está em toda parte. Filmes de terror quebram recordes, e as vendas de literatura desse gênero sobem a cada ano.

E o sucesso não é apenas comercial. Tradicionalmente um tanto malfalado, hoje o horror desfruta uma aura de respeitabilidade crítica.

OWEN, M. M. O medo que mora em nós. Folha de São Paulo. Ilustríssima, 28 out. 2018, p. 4.


De acordo com o que aponta o autor do Texto I acerca da produção ficcional contemporânea e sobre os "critérios implícitos que determinam quem faz sucesso" na atualidade, é correto afirmar que, por meio de interpretações feitas com a contribuição do Texto II, o gênero conto de terror tem guarida entre os leitores, na contemporaneidade, EXCETO porque

Alternativas
Ano: 2018 Banca: FCM Órgão: IFN-MG Prova: FCM - 2018 - IFN-MG - Língua Portuguesa |
Q961069 Português

A essência de um bom texto reside na sustentação da argumentação, que se dará a partir das informações apresentadas que a acompanham. No momento da construção textual, os argumentos são essenciais. Além disso, a clareza das ideias é fundamental ao entendimento do leitor.


A esse respeito, leia o texto seguinte.


Fake news do bem


Não tenho nenhum compromisso com a verdade.

Aqui na ISTOÉ me deixam escrever crônica, ficção ou não; posso inventar personagens e situações; posso eleger presidentes ou mudar o sistema político do País.

Por isso, considerando que nas últimas semanas tivemos uma infinidade de lamentáveis True News, decidi que a coluna dessa semana vai ser só de Fake News.

Mentiras que todo mundo vai gostar de ouvir e espalhar.

Não me deixe na mão. Escolha alguma e espalhe por aí, sem dó.

Reproduza no whatsapp, fotografe no Insta, compartilhe no Facebook.

Como diria Groucho Marx: vai criar a maior confusão, mas vai ser divertido.

NETO, Mentor. Fake news do bem. IstoÉ n. 2543, 14 set. 2018, p. 66.


NÃO faz parte da argumentação do autor

Alternativas
Ano: 2018 Banca: FCM Órgão: IFN-MG Prova: FCM - 2018 - IFN-MG - Língua Portuguesa |
Q961068 Português

Analise as asserções a seguir e a relação proposta entre elas.


I. O escritor realista busca desnudar as mazelas da vida pública e os contrastes da vida íntima, ambas consequências de causas naturais (raça, clima, temperamento) ou culturais (meio, educação),


PORQUE


II. necessita tomar a sério as personagens e se sente no dever de descobrir-lhes a verdade, no sentido egotista de dissecar o que move seus comportamentos, levando-o ao caso e, daí, ao patológico.


A respeito das asserções, é correto afirmar que

Alternativas
Ano: 2018 Banca: FCM Órgão: IFN-MG Prova: FCM - 2018 - IFN-MG - Língua Portuguesa |
Q961066 Português

Leia, atenciosamente, uma passagem do texto "Cacarecos da língua", de Gregório Duvivier.


Todo dia uma palavra morre e a gente não se dá conta. [...] Algumas, para não morrer, reinventaram-se. Trocaram de sexo, de nome e de profissão. A palavra "zoeira" já significou barulho: hoje significa troça. [...]

Pense quando foi a última vez que ouviu que a situação está um despautério, que fulano tá borocoxô, que tal roupa é uma coqueluche, que fulana é uma songamonga.

Disponível em: < https://www1.folha.uol.com.br/colunas/gregorioduvivier/ 2016/07/1790346-cacarecos-da-lingua.shtml>. Acesso em: 20 out. 2018.


No texto, há reflexões sobre o uso ou emprego de algumas palavras da língua portuguesa. Nele infere-se que a construção dos significados da palavra "zoeira" resulta de um/uma

Alternativas
Ano: 2018 Banca: FCM Órgão: IFN-MG Prova: FCM - 2018 - IFN-MG - Língua Portuguesa |
Q961058 Português

A intertextualidade encontra-se na base de constituição de todo e qualquer dizer e José Paulo Paes, estrategicamente, utiliza-se dela para construir o seu texto.


Canção do exílio facilitada

lá?

ah!


sabiá...

papá...

maná...

sofá...

sinhá...

cá?

bah!

Disponível em: https://scholar.google.com.br/scholar?hl=pt-BR&as_sdt= 0%2C5&q=- can%C3%A7%C3%A3o+do+ex%C3%ADlio+ facilitada&oq= can%C3%A7%C3%A3o Acesso em: 17 out. 2018.


O recurso intertextual utilizado por José Paulo Paes, ao retomar a Canção do Exílio, de Gonçalves Dias, é a/o

Alternativas
Q959974 Português

Considere a seguinte tira de Armandinho:


Imagem associada para resolução da questão


Com base na tira, considere as seguintes afirmativas:


1. A pergunta da avó no primeiro quadrinho poderia ter sido “Você está torcendo pelo Brasil?”.

2. Armandinho pensou que a avó estava se referindo ao futebol.

3. A vó de Armandinho se referia à situação econômica do país.


Assinale a alternativa correta.

Alternativas
Respostas
25921: C
25922: A
25923: D
25924: D
25925: C
25926: D
25927: B
25928: A
25929: E
25930: C
25931: E
25932: A
25933: A
25934: E
25935: C
25936: B
25937: C
25938: D
25939: B
25940: A