Questões de Concurso Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

Foram encontradas 36.638 questões

Q1291547 Português

Leia o texto a seguir e responda à questão.


O imperativo da inclusão


Grandes avanços foram feitos para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) desde que eles foram definidos em 2000. Mas, infelizmente, muitos países ainda estão muito longe de atingi- -los. Mesmo as nações que fizeram um progresso substancial, alguns grupos – incluindo povos indígenas, moradores de favelas e áreas remotas, minorias religiosas e sexuais e pessoas com deficiência – ainda são constantemente excluídos. Como apontou um relatório recente do Banco Mundial, entender o porquê é essencial para garantir que esforços futuros para o desenvolvimento sejam mais eficientes e inclusivos.

Essas falhas refletem as consequências de longo alcance da exclusão. A Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Banco Mundial descobriram que crianças com deficiência têm menos chances de ingressar em escolas do que os seus pares não deficientes – e que entre elas há um índice maior de evasão escolar. Na Indonésia, há uma discrepância de 60% entre crianças com e sem deficiências que frequentam o ensino fundamental e uma diferença de 58% no ensino médio. O sentimento resultante da exclusão e da alienação pode enfraquecer a integração social e até mesmo levar à agitação e conflitos.


(Adaptado de: <http://veja.abril.com.br/economia/o-imperativo-da-inclusão>. Acesso em: 20 nov. 2017.) 

Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, o objetivo do texto.
Alternativas
Q1291542 Português
Leia o texto a seguir e responda à questão.

Templo da aparência

Há algumas semanas, na festa de aniversário da filha adolescente de um casal amigo, testemunhei ao vivo e em cores uma modalidade de comemoração que ainda não conhecia. Os convidados, uma dúzia de rapazes e mocinhas da mesma faixa etária da aniversariante, reuniram-se bem acomodados nos sofás da sala. O silêncio deles foi que chamou minha atenção. Ninguém abria o bico. Mas todos, sem exceção, empunhavam seus celulares inteligentes de última geração, e seus dedos indicadores batiam céleres naquelas letrinhas minúsculas. “O que estão fazendo”, perguntei? “Estão conversando, estão no chat”, respondeu o dono da casa. Com quem? “Entre eles mesmos, os membros do grupo. Agora falar e ficar olhando na cara do interlocutor virou brega e saiu de moda”.
Bem, moda é moda, e sobretudo os mais jovens desde sempre tendem a se deixar escravizar pela ditadura dos modismos. Precisamos nos conformar. Mas. . . Será assim tão mais interessante e mais prazeroso contemplar uma tela de celular do que a emoção de olhar diretamente nos olhos dos interlocutores e tentar adivinhar o que eles realmente nos contam por trás das palavras que suas bocas pronunciam? Fui buscar respostas e encontrei algumas.
Para começar, bem ao contrário do que seu nome indica, as redes sociais são, para muitos,. . . dessocializantes! De acordo com um estudo conduzido por pesquisadores da faculdade de medicina da Universidade de Pittsburg, nos Estados Unidos, quanto mais os jovens adultos consagram tempo às redes sociais, mais eles desenvolvem um sentimento de solidão. Pior ainda: a frequência das conexões é proporcionalmente ligada a esse sentimento negativo. 
Tais resultados, publicados em março na revista American Journal of Preventive Medicine, sugerem que as redes sociais não constituem, em absoluto, uma panaceia para reduzir o sentimento de solidão. “É importante estudar esse fenômeno, pois os problemas de saúde mental e de isolamento chegam agora a um nível epidêmico entre os jovens adultos”, afirma o professor Brian Primack, mestre em medicina e principal autor do estudo. “Apesar de as redes sociais parecerem, à primeira vista, oferecer oportunidades para preencher o vazio social, acredito que nosso estudo demonstra claramente que elas não constituem a solução que as pessoas esperam”, conclui Primack. 
As redes sociais são, por excelência, o templo da aparência e da idealização. Cada um quer mostrar o melhor da sua existência, o que pode suscitar sentimentos de inveja e a convicção falsa e deformada de que os outros têm uma vida mais feliz e mais bem-sucedida. “Não duvido, é claro, que algumas pessoas possam efetivamente encontrar algum conforto e preencher suas necessidades de sociabilidade ao se relacionarem por meio desses canais”, afirma Primack. “No entanto, os resultados desses estudos nos lembram claramente que, no conjunto, essa prática tende a ser associada a um incremento do sentimento de solidão, e não o contrário”. Tudo isso me leva à certeza de que muito melhor do que passar horas e horas surfando nas ondas das redes sociais é reunir-se no bar com os amigos e bater um bom papo ao redor de um café ou de uma cerveja.

(Disponível em:<https://www.revistaplaneta.com.br/tempo-da-aparencia/>. Acesso em: 20 nov. 2017.)
De acordo com o que podemos inferir da leitura do texto, considere as afirmativas a seguir.
I. A total mudez, numa festa de aniversário, corrobora o entendimento de que o jovem de hoje não se deixa levar por modismos. II. O engajamento dos jovens nas plataformas virtuais ratifica o seu comportamento individualista. III. As redes sociais possibilitam a criação de um universo paralelo que nem sempre corresponde ao mundo real. IV. O sentimento de solidão está diretamente atrelado ao tempo dispendido em frente à tela do celular.
Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q1291494 Português

Leia o poema.


Lua cheia


Boião de leite

que a noite leva

com mãos de treva

pra não sei quem beber.


E que, embora levado

muito devagarinho,

vai derramando pingos brancos

pelo caminho.


Cassiano Ricardo. Poesias Completas.

Rio de Janeiro, J. Olympio, 1957. p. 135.


Sobre o texto, avalie as afirmativas abaixo:


1. O texto vale-se de linguagem conotativa.

2. A lua, ao se mover no céu, deixa rastros.

3. A noite carrega morosamente a lua.

4. A lua está oculta no céu.

5. As mãos de treva da lua inferem uma noite não estrelada.


Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.

Alternativas
Q1290677 Português

Analise a frase a seguir.

Soares é mais talentoso que esforçado.

Quanto ao comparativo usado acima, está correto afirmar que:

Alternativas
Q1290662 Português

Leia o fragmento a seguir.

Como linguagem artisticamente organizada, a literatura enriquece nossa percepção e nossa visão de mundo. Mediante arranjos especiais das palavras, ela cria um universo que nos permite aumentar nossa capacidade de ver e sentir.

(http://basenacionalcomum.mec.gov.br/wpcontent/uploads/2018/04/BNCC_EnsinoMedio_embaixa_sit e.pdf)

Considerando o contexto apresentado acima, endente-se que:

Alternativas
Q1289307 Português

Texto para a questão. 



José Francisco Botelho. História cultural das fake news. In: Revista

Veja. São Paulo, Editora Abril, edição 2.575, ano 51, n.° 13,

28 de março de 2018, p. 103 (com adaptações).

A palavra "truísmo" tem o sentido de "verdade evidente" ou "óbvia", de "lugar comum". Depreende-se, do texto, que o "truísmo" a que o autor se refere no segundo parágrafo consiste no(na)
Alternativas
Q1289304 Português

Texto para a questão. 



José Francisco Botelho. História cultural das fake news. In: Revista

Veja. São Paulo, Editora Abril, edição 2.575, ano 51, n.° 13,

28 de março de 2018, p. 103 (com adaptações).

O termo "fake news", emprestado da língua inglesa, tem sido muito usado para fazer referência a notícias não confiáveis e de rápida repercussão nos meios digitais. Em relação às ideias apresentadas no texto sobre esse assunto, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q1289245 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.

Internet:<https://sescdf.com.br/> (com adaptações).

Segundo o texto, o programa Mesa Brasil, em sua perspectiva de inclusão social, contribui para o(a)
Alternativas
Q1289244 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.

Internet:<https://sescdf.com.br/> (com adaptações).

De acordo com o texto, o objetivo do programa Mesa Brasil é
Alternativas
Q1288715 Português
Leia o texto a seguir e responda a questão:

Como agricultores que fugiram dos vikings criaram a culinária tradicional da Islândia
Bert Archer da BBC Cultura

Quando os primeiros escandinavos desembarcaram na costa da Islândia, por volta de 871, encontraram uma terra densamente arborizada que parecia pronta para ser cultivada.
Porém, por volta do ano 1000, eles perceberam que todas aquelas florestas de bétulas que estavam derrubando para construir e aquecer suas casas não cresceriam novamente - especialmente porque suas ovelhas também pastavam na região, comendo folhas e sementes.
Sem as árvores, a camada superficial do solo começou a entrar em erosão, tornando difícil, e muitas vezes impossível, cultivar ou utilizar a terra para o pasto.
Como estava longe do continente europeu para importar alimentos, a sociedade islandesa evoluiu para um estado de fome quase constante, tendo que se contentar com o que encontrasse pela frente para comer - e a usar esterco na ausência de madeira para se aquecer e cozinhar.
“Agora digamos que haja uma tempestade em meio a esse cenário”, diz Byock.
“Uma baleia morre, explode devido aos gases que carrega, flutua até a costa e você se depara com toneladas e toneladas de carne. O que você faz? Bom, primeiro, vocês se matam para ver quem vai ficar com a carne; depois você separa alguns barris de soro de leite e joga os pedaços de baleia dentro”,acrescenta.
Os ancestrais dos islandeses eram fortes, mas não eram vikings. Eles eram agricultores famintos que lutavam de todas as maneiras para sobreviver. Embora os islandeses não comam mais baleias encalhadas (hvalreki), esse conceito de alimentação deu origem ao hákarl, uma versão mais leve da arraia que eu comi em Akureyri.
A carne do tubarão da Groenlândia, por exemplo, é tóxica para o consumo humano. A alta concentração de ureia pode ter efeitos nocivos na pele, nos olhos e no sistema respiratório. Mas quando a carne é deixada apodrecendo por um tempo - seja em um buraco na areia ou em recipientes plásticos (como é feito hoje em dia) - se torna uma valiosa fonte de proteína.
As arraias e outras espécies de tubarões também são tóxicas, mas igualmente comestíveis quando fermentadas ou apodrecidas. E, como já estão podres, ficam muito bem conservadas.
Assim, durante séculos, essa comida de sabor desagradável foi a diferença entre a vida e a morte na região. A capacidade dos islandeses de lidar com esse gosto horrível foi vital para a existência e eventual sucesso do país, assim como a habilidade dos vikings para lutar e enfrentar obstáculos relacionados às expedições, principalmente na parte continental da Escandinávia.
Com uma média de dois milhões de turistas por ano, o país viu sua alimentação mudar nas últimas três décadas. Hambúrgueres, pizzas e outras massas passaram a ganhar mais espaço nos cardápios locais.
No entanto, a Islândia ainda é uma nação pequena - tem aproximadamente 330 mil habitantes - e suas tradições não são apenas atrações turísticas: simbolizam a forma como os islandeses se conectam entre si e com o passado escandinavo.

(Trecho. Disponível em: https://www.bbc.com/ portuguese/vert-tra-44034959)
A respeito dos pratos típicos da Islândia, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q1288714 Português
Leia o texto a seguir e responda a questão:

Como agricultores que fugiram dos vikings criaram a culinária tradicional da Islândia
Bert Archer da BBC Cultura

Quando os primeiros escandinavos desembarcaram na costa da Islândia, por volta de 871, encontraram uma terra densamente arborizada que parecia pronta para ser cultivada.
Porém, por volta do ano 1000, eles perceberam que todas aquelas florestas de bétulas que estavam derrubando para construir e aquecer suas casas não cresceriam novamente - especialmente porque suas ovelhas também pastavam na região, comendo folhas e sementes.
Sem as árvores, a camada superficial do solo começou a entrar em erosão, tornando difícil, e muitas vezes impossível, cultivar ou utilizar a terra para o pasto.
Como estava longe do continente europeu para importar alimentos, a sociedade islandesa evoluiu para um estado de fome quase constante, tendo que se contentar com o que encontrasse pela frente para comer - e a usar esterco na ausência de madeira para se aquecer e cozinhar.
“Agora digamos que haja uma tempestade em meio a esse cenário”, diz Byock.
“Uma baleia morre, explode devido aos gases que carrega, flutua até a costa e você se depara com toneladas e toneladas de carne. O que você faz? Bom, primeiro, vocês se matam para ver quem vai ficar com a carne; depois você separa alguns barris de soro de leite e joga os pedaços de baleia dentro”,acrescenta.
Os ancestrais dos islandeses eram fortes, mas não eram vikings. Eles eram agricultores famintos que lutavam de todas as maneiras para sobreviver. Embora os islandeses não comam mais baleias encalhadas (hvalreki), esse conceito de alimentação deu origem ao hákarl, uma versão mais leve da arraia que eu comi em Akureyri.
A carne do tubarão da Groenlândia, por exemplo, é tóxica para o consumo humano. A alta concentração de ureia pode ter efeitos nocivos na pele, nos olhos e no sistema respiratório. Mas quando a carne é deixada apodrecendo por um tempo - seja em um buraco na areia ou em recipientes plásticos (como é feito hoje em dia) - se torna uma valiosa fonte de proteína.
As arraias e outras espécies de tubarões também são tóxicas, mas igualmente comestíveis quando fermentadas ou apodrecidas. E, como já estão podres, ficam muito bem conservadas.
Assim, durante séculos, essa comida de sabor desagradável foi a diferença entre a vida e a morte na região. A capacidade dos islandeses de lidar com esse gosto horrível foi vital para a existência e eventual sucesso do país, assim como a habilidade dos vikings para lutar e enfrentar obstáculos relacionados às expedições, principalmente na parte continental da Escandinávia.
Com uma média de dois milhões de turistas por ano, o país viu sua alimentação mudar nas últimas três décadas. Hambúrgueres, pizzas e outras massas passaram a ganhar mais espaço nos cardápios locais.
No entanto, a Islândia ainda é uma nação pequena - tem aproximadamente 330 mil habitantes - e suas tradições não são apenas atrações turísticas: simbolizam a forma como os islandeses se conectam entre si e com o passado escandinavo.

(Trecho. Disponível em: https://www.bbc.com/ portuguese/vert-tra-44034959)
De acordo com o texto, os islandeses:
Alternativas
Q1288575 Português
Leia o texto a seguir e responda.
O diamante – Crônica de Fernando Sabino

  Em 1933 Jovelino, garimpeiro no interior da Bahia, concluiu que ali não havia mais nada a garimpar. Os filhos viviam da mão pra boca, Jovelino já não via jeito de conseguir com que prover o sustento da família. E resolveu se mandar para Goiás, onde Anápolis, a nova terra da promissão, atraía a cobiça dos garimpeiros de tudo quanto era parte, com seus diamantes reluzindo à flor da terra. Jovelino reuniu a filharada, e com a mulher, o genro, dois cunhados, meteu o pé na estrada.
   Longa era a estrada que levava ao Eldorado de Jovelino: quase um ano consumiu ele em andança com a sua tribo, pernoitando em paióis de fazendas, em ranchos de beira caminho, em chiqueiros e currais, onde quer que lhe dessem pasto e pousada.
   Vai daí Jovelino chegou aos arredores de Anápolis depois de muitas luas e ali se estabeleceu, firme no cabo da enxada, cavando a terra e encontrando pedras que não eram diamantes. Daqui para ali, dali para lá, ano vai, ano vem, Jovelino existia de nômade com seu povinho cada vez mais minguando de fome. Comia como podia — e não podia. Vivia ao deus- dará — e Deus não dava. Quem me conta é o filho do fazendeiro de quem Jovelino se tornou empregado:
  — Ao fim de dez anos ele concluiu que não encontraria diamante nenhum, e resolveu voltar com sua família para a Bahia onde a vida, segundo diziam, agora era melhorzinha. Não dava diamante não, mas o governo prometia emprego seguro a quem quisesse trabalhar.
Jovelino reuniu a família e botou pé na estrada, de volta à terra de nascença, onde haveria de morrer. Mais um ano palmilhado palmo a palmo em terra batida, vivendo de favor, Jovelino e sua obrigação, de vez em quando perdendo um, que isso de filho é criação que morre muito. Foi nos idos de 43:
 — Chegou lá e se instalou no mesmo lugar de onde havia saído. Governo deu emprego não. Plantou sua rocinha e foi se aguentando. Até que um dia…
Até que um dia de noite Jovelino teve um sonho. Sonhou que amanhava a terra e de repente, numa enxadada certeira, a terra escorreu… A terra escorreu e aos seus olhos brilhou, reluziu, faiscou, resplandeceu um diamante soberbo, deslumbrante como uma imensa estrela no céu — como uma estrela no céu? Como o próprio olho de Deus! Jovelino olhou ao redor de seu sonho e viu que estava em Anápolis, no mesmo sítio em que tinha desenterrado a sua desilusão.
   E para lá partiu, dia seguinte mesmo, arrastando sua cambada. Levou nisso um entreano, repetindo pernoites revividos, tome estrada! Deu por si em terra de novo goiana. Quem me conta é o filho do fazendeiro:
— Você precisava de ver o furor com que Jovelino procurou o diamante de seu sonho. A terra de Goiás ficou para sempre revolvida, graças à enxada dele. De vez em quando desmoronava, Jovelino ia ver, não era um diamante, era um calhau. Até que um dia…
— Encontrou? — perguntei, já aflito.
— Encontrou nada! Empregou-se na fazenda de meu pai, o tempo passou, os filhos crescidos lhe deram netos, a mulher já morta e enterrada, livre dos cunhados, os genros bem arranjados na vida. Um deles é coletor em Goiânia.
O próprio Jovelino, entrado em anos, era agora um velho sacudido e bem disposto, que tinha mais o que fazer do que cuidar de garimpagens. Mas um dia não resistiu: passou a mão na sua enxada, e sem avisar ninguém, o olhar reluzente de esperança, partiu à procura do impossível, do irreal, do inexistente diamante de seu sonho.
 http://contobrasileiro.com.br/o-diamante-cronica-de-fernando-sabino/
Leia o trecho a seguir: “Jovelino existia de nômade com seu povinho cada vez mais minguando de fome. Comia como podia — e não podia. Vivia ao deus- dará — e Deus não dava.” Acerca das expressões e seu efeito de sentido apresentado no texto, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q1288574 Português
Leia o texto a seguir e responda.
O diamante – Crônica de Fernando Sabino

  Em 1933 Jovelino, garimpeiro no interior da Bahia, concluiu que ali não havia mais nada a garimpar. Os filhos viviam da mão pra boca, Jovelino já não via jeito de conseguir com que prover o sustento da família. E resolveu se mandar para Goiás, onde Anápolis, a nova terra da promissão, atraía a cobiça dos garimpeiros de tudo quanto era parte, com seus diamantes reluzindo à flor da terra. Jovelino reuniu a filharada, e com a mulher, o genro, dois cunhados, meteu o pé na estrada.
   Longa era a estrada que levava ao Eldorado de Jovelino: quase um ano consumiu ele em andança com a sua tribo, pernoitando em paióis de fazendas, em ranchos de beira caminho, em chiqueiros e currais, onde quer que lhe dessem pasto e pousada.
   Vai daí Jovelino chegou aos arredores de Anápolis depois de muitas luas e ali se estabeleceu, firme no cabo da enxada, cavando a terra e encontrando pedras que não eram diamantes. Daqui para ali, dali para lá, ano vai, ano vem, Jovelino existia de nômade com seu povinho cada vez mais minguando de fome. Comia como podia — e não podia. Vivia ao deus- dará — e Deus não dava. Quem me conta é o filho do fazendeiro de quem Jovelino se tornou empregado:
  — Ao fim de dez anos ele concluiu que não encontraria diamante nenhum, e resolveu voltar com sua família para a Bahia onde a vida, segundo diziam, agora era melhorzinha. Não dava diamante não, mas o governo prometia emprego seguro a quem quisesse trabalhar.
Jovelino reuniu a família e botou pé na estrada, de volta à terra de nascença, onde haveria de morrer. Mais um ano palmilhado palmo a palmo em terra batida, vivendo de favor, Jovelino e sua obrigação, de vez em quando perdendo um, que isso de filho é criação que morre muito. Foi nos idos de 43:
 — Chegou lá e se instalou no mesmo lugar de onde havia saído. Governo deu emprego não. Plantou sua rocinha e foi se aguentando. Até que um dia…
Até que um dia de noite Jovelino teve um sonho. Sonhou que amanhava a terra e de repente, numa enxadada certeira, a terra escorreu… A terra escorreu e aos seus olhos brilhou, reluziu, faiscou, resplandeceu um diamante soberbo, deslumbrante como uma imensa estrela no céu — como uma estrela no céu? Como o próprio olho de Deus! Jovelino olhou ao redor de seu sonho e viu que estava em Anápolis, no mesmo sítio em que tinha desenterrado a sua desilusão.
   E para lá partiu, dia seguinte mesmo, arrastando sua cambada. Levou nisso um entreano, repetindo pernoites revividos, tome estrada! Deu por si em terra de novo goiana. Quem me conta é o filho do fazendeiro:
— Você precisava de ver o furor com que Jovelino procurou o diamante de seu sonho. A terra de Goiás ficou para sempre revolvida, graças à enxada dele. De vez em quando desmoronava, Jovelino ia ver, não era um diamante, era um calhau. Até que um dia…
— Encontrou? — perguntei, já aflito.
— Encontrou nada! Empregou-se na fazenda de meu pai, o tempo passou, os filhos crescidos lhe deram netos, a mulher já morta e enterrada, livre dos cunhados, os genros bem arranjados na vida. Um deles é coletor em Goiânia.
O próprio Jovelino, entrado em anos, era agora um velho sacudido e bem disposto, que tinha mais o que fazer do que cuidar de garimpagens. Mas um dia não resistiu: passou a mão na sua enxada, e sem avisar ninguém, o olhar reluzente de esperança, partiu à procura do impossível, do irreal, do inexistente diamante de seu sonho.
 http://contobrasileiro.com.br/o-diamante-cronica-de-fernando-sabino/
Analise as afirmativas abaixo: I) O conto narra a história de um retirante, muito característico na transformação econômica brasileira no tempo em que se situa o conto para o leitor. II) Embora o personagem não obtenha sucesso, ainda sim se trata de uma busca dos sonhos. III) Jovelino não representa nenhuma parte da população brasileira, é um personagem com ações e reações fictícias. Assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q1288479 Português
Texto : Não desista.

    Eu sei, eu sei. Às vezes parece que nada adianta, que nada vai dar certo, que quem escapar da miséria, do assaltante, da bala perdida e da bomba do terrorista a epidemia pega, e que o fim dos tempos está ali na esquina. Mas pense o seguinte: você pertence a uma raça de vencedores. Os antepassados de toda a sua raça – a humana – têm, todos, as mesmas características positivas em comum. Todos, sem exceção, atingiram a maturidade, pelo menos sexual. Todos sobreviveram a pestes, guerras, má nutrição e desastres naturais e chegaram “à idade de ter filhos. E todos – olha só a sua sorte – eram férteis. Não eram, necessariamente, todos heterossexuais, mas pelo menos uma vez na vida foram. E, por acidente ou não, tiveram pelo menos um filho com um parceiro do outro sexo.
    Quer dizer, você pertence a uma linhagem admirável que nunca se deixou abater e venceu todos os obstáculos para que você e sua raça estivessem aqui hoje, se queixando da vida. Você mesmo não se dá conta do que passou para existir. Do seu feito, do seu mérito em sair do nada – ou quase nada, uma larva – e ficar deste tamanho. Não pense que você estava sozinho no sêmen do seu pai. Que era moleza, só chegar no útero de sua mãe assoviando e pimba, fecundar o óvulo. Havia milhões de outros espermatozoides no sêmen de seu pai, naquela particular jornada. Milhões. E não era assim, como a São Silvestre, em que já se conhece antes os prováveis vencedores. Ou como a Fórmula Um, em que o resto da equipe trabalha para um vencedor designado. Ninguém é favorito, ninguém é azarão na corrida para o óvulo. (...) E o primeiro, o primeirão, foi você. Deveria constar do nosso currículo. “Vencedor da Corrida para o Óvulo”, o local e a data. E não deveríamos precisar de nenhuma outra referência ou prova de capacidade.
***
    Eu sei, eu sei. Às vezes parece que a corrida para o óvulo não terminou, que aquela era apenas uma prova eliminatória e a outra, a que vale, duraria toda a vida, você contra outros espermatozoides que deram certo. Só os campeões, competindo por dinheiro, sucesso e posição no mundo, em vez de no útero. Com a diferença de que, nesta corrida, contam origem, diploma e pistolão, e uma minoria tem mais possibilidade de vitória do que a maioria. Mas não desanime. Convença-se de que você é um vencedor e vem de uma longa linha de vencedores, que prevaleceram apesar de tudo. E se tudo o mais falhar... Bem, a chance de você ganhar na Mega Sena é exatamente igual à de o seu espermatozoide ser o primeiro a chegar ao óvulo. Quer dizer, você já tem uma história de boa sorte.
(VERÍSSIMO, Luis Fernando. Amor Veríssimo. 1ª ed. _ Rio de Janeiro: Objetiva, 2013, p. 117-9)
Está clara e correta a redação deste livre comentário sobre o texto ou sobre seu autor:
Alternativas
Q1288079 Português

Texto I: Não desista

    Eu sei, eu sei. Às vezes parece que nada adianta, que nada vai dar certo, que quem escapar da miséria, do assaltante, da bala perdida e da bomba do terrorista a epidemia pega, e que o fim dos tempos está ali na esquina. Mas pense o seguinte: você pertence a uma raça de vencedores. Os antepassados de toda a sua raça – a humana – têm, todos, as mesmas características positivas em comum. Todos, sem exceção, atingiram a maturidade, pelo menos sexual. Todos sobreviveram a pestes, guerras, má nutrição e desastres naturais e chegaram “à idade de ter filhos. E todos – olha só a sua sorte – eram férteis. Não eram, necessariamente, todos heterossexuais, mas pelo menos uma vez na vida foram. E, por acidente ou não, tiveram pelo menos um filho com um parceiro do outro sexo.

     Quer dizer, você pertence a uma linhagem admirável que nunca se deixou abater e venceu todos os obstáculos para que você e sua raça estivessem aqui hoje, se queixando da vida. Você mesmo não se dá conta do que passou para existir. Do seu feito, do seu mérito em sair do nada – ou quase nada, uma larva – e ficar deste tamanho. Não pense que você estava sozinho no sêmen do seu pai. Que era moleza, só chegar no útero de sua mãe assoviando e pimba, fecundar o óvulo. Havia milhões de outros espermatozoides no sêmen de seu pai, naquela particular jornada. Milhões. E não era assim, como a São Silvestre, em que já se conhece antes os prováveis vencedores. Ou como a Fórmula Um, em que o resto da equipe trabalha para um vencedor designado. Ninguém é favorito, ninguém é azarão na corrida para o óvulo. (...) E o primeiro, o primeirão, foi você. Deveria constar do nosso currículo. “Vencedor da Corrida para o Óvulo”, o local e a data. E não deveríamos precisar de nenhuma outra referência ou prova de capacidade.

***

     Eu sei, eu sei. Às vezes parece que a corrida para o óvulo não terminou, que aquela era apenas uma prova eliminatória e a outra, a que vale, duraria toda a vida, você contra outros espermatozoides que deram certo. Só os campeões, competindo por dinheiro, sucesso e posição no mundo, em vez de no útero. Com a diferença de que, nesta corrida, contam origem, diploma e pistolão, e uma minoria tem mais possibilidade de vitória do que a maioria. Mas não desanime. Convença-se de que você é um vencedor e vem de uma longa linha de vencedores, que prevaleceram apesar de tudo. E se tudo o mais falhar... Bem, a chance de você ganhar na Mega Sena é exatamente igual à de o seu espermatozoide ser o primeiro a chegar ao óvulo. Quer dizer, você já tem uma história de boa sorte.

(VERÍSSIMO, Luis Fernando. Amor Veríssimo. 1ª ed. _ Rio de Janeiro: Objetiva, 2013, p. 117-9) 

Está clara e correta a redação deste livre comentário sobre o texto ou sobre seu autor:
Alternativas
Q1287729 Português

Observe a tirinha e analise as afirmativas.

Imagem associada para resolução da questão

I) O humor é construído pela conjunção adversativa “mas” já que podemos interpretar como ideias oposta, já que a preguiça é a mãe de todos os vícios, fazendo a relação que vício é algo negativo, esse habito teria que ser mudado ou não praticado, entretanto ele opõe essa ideia depois da vírgula “mas uma mãe é uma mãe...”

II) O humor é constituído na tirinha com a quebra de expectativa, a conjunção “mas “tem função de conjunção aditiva podendo ser substituída pelo “e”, pois adiciona ideias, preguiça é a mãe de todos os vícios e como uma mãe é preciso ser respeitada.

III) A tirinha se completaria apenas com o texto escrito, não é necessário a imagem para haver construção desse gênero!

Assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas
Q1287501 Português
Leia o texto e responda a questão.

Sintomas de Alzheimer pioram no inverno, aponta estudo

    Um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Toronto e pelo Centro de Ciências da Saúde e Sunnybrook (Canadá) e publicado na revista PLOS Medicine decidiu averiguar se os sintomas de Alzheimer pioram no inverno. De acordo com os pesquisadores, descobrir a resposta poderia ajudar a melhorar tratamentos para a doença.
    Para investigar se as estações afetam a demência, os cientistas mergulharam em dados de 3.353 idosos nos Estados Unidos, Canadá e França. Alguns participantes foram diagnosticados com Alzheimer e outros não receberam o diagnóstico.
    Todos os voluntários passaram por testes neuropsicológicos, que incluíram uma bateria de 19 testes cognitivos. Além disso, um subgrupo de participantes foi testado quanto aos níveis de uma proteína ligada à doença de Alzheimer.
    Uma vez que os dados foram analisados, ficou claro que o funcionamento cognitivo médio era melhor durante o verão e o outono do que durante o inverno e a primavera. A diferença foi calculada como sendo o equivalente a 4,8 anos de declínio cognitivo normal.
    "Pode haver valor no aumento dos recursos clínicos relacionados à demência no inverno e no início da primavera, quando os sintomas tendem a ser mais pronunciados", explicaram os pesquisadores no estudo.
    Embora as descobertas abram espaço para uma nova arma contra a demência, os autores ressaltam que ainda serão necessários vários estudos demorados antes que possam finalmente usar os achados para melhorar o diagnóstico e o atendimento da doença.

(Disponível em >https://noticias.bol.uol.com.br/ultimasnoticias/entretenimento/2018/09/07/sintomas-dealzheimer-pioram-no-inverno-aponta-estudo.htm> Acesso em 08/09/2018. Texto Adaptado).
De acordo com o texto acima, pode-se concluir que:
Alternativas
Q1287418 Português
Texto 1 O conceito de língua

Língua é um conceito inalcançável por critérios apenas linguísticos. Falantes de diferentes variedades se reconhecem, por razões históricas, socioculturais e políticas, como falantes da mesma língua, ainda que haja poucas semelhanças léxico-gramaticais entre as variedades e, em certas situações, não haja sequer mútua inteligibilidade, como no caso dos falantes de chinês; ou dos falantes do iraquiano e do marroquino que se consideram todos falantes de árabe.

A língua “comum”, a que se dá um nome singular (português ou a língua portuguesa, por exemplo), é, de fato, um ente construído pelo imaginário social que, por um complexo entrelaçamento de fatores históricos, políticos e socioculturais, idealiza um objeto uno onde não há, efetivamente, unidade. O imaginário social se utiliza de uma rede conceitual para manter essa idealização em pé. Um dos mecanismos operativos aí presentes é confundir uma determinada variedade com a própria língua – é a chamada ideologia da língua-padrão/norma-padrão (cf. Milroy, 2011). Ao identificar a língua exclusivamente com as formas padronizadas, esse modelo ideológico desqualifica a heterogeneidade linguística e os processos de variação e mudança.

Do ponto de vista estritamente linguístico, a realidade recortada e identificada como uma língua é constituída por um conjunto de variedades, de normas, de gramáticas. Se não perdermos de vista essa perspectiva da heterogeneidade intrínseca do que chamamos de língua, podemos, em princípio, continuar a usar, por razões práticas, esse termo e suas designações singulares. Dizer isso não implica afirmar que a constituição e o funcionamento sociocultural do ente língua não sejam relevantes.

Destrinçar o emaranhado de critérios culturais e políticos que historicamente dá forma ao conceito imaginário de língua, assim como explicar seu funcionamento sociocultural constituem tarefas da Linguística. Nesse caso, os linguistas não podem trabalhar de forma isolada. Precisam se associar aos historiadores, antropólogos, sociólogos e psicólogos sociais. Só uma investigação multidisciplinar pode esclarecer essa intrincada questão.

FARACO, Carlos Alberto; ZILLES, Ana Maria. Para conhecer norma linguística. São Paulo: Contexto, 2017. p. 29-31. Adaptado. 

Texto 2 O que é uma língua?

A escola e, em geral, o consenso da sociedade ainda se ressentem das heranças deixadas por uma perspectiva de estudo do fenômeno linguístico cujo objeto de exploração era a língua enquanto conjunto potencial de signos, desvinculada de suas condições de uso e centrada na palavra e na frase isoladas. Nessa visão reduzida de língua, o foco das atenções se restringia ao domínio da morfossintaxe, com ênfase no rol das classificações e de suas respectivas nomenclaturas. Os efeitos de sentido pretendidos pelos interlocutores e as finalidades comunicativas presumidas para os eventos verbais quase nada importavam. Mas a integração da Linguística com outras ciências e a abertura das pesquisas sobre os fatos da linguagem a perspectivas mais amplas provocaram o paulatino surgimento de novas concepções.

A língua, por um lado, é provida de uma dimensão imanente, aquela própria do sistema em si mesmo, algo pronto para ser ativado pelos sujeitos, quando necessário. Por outro lado, a língua comporta a dimensão de sistema em uso, de sistema preso à realidade histórico-social do povo. Pela ótica dessa última dimensão, a língua passa a definir-se como um fenômeno social, como uma prática de atuação interativa, dependente da cultura de seus usuários, no sentido amplo da palavra. Assim, a língua assume um caráter político, um caráter histórico e sociocultural, que ultrapassa em muito o conjunto de suas determinações internas, ainda que consistentes e sistemáticas. Dessa forma, todas as questões que envolvem o uso da língua não podem ser resolvidas somente com um livro de gramática ou à luz do que prescrevem os comandos de alguns manuais de redação.

ANTUNES, Irandé. Língua, texto e ensino: outra escola possível. São Paulo: Parábola, 2009. p.20-21. Adaptado.


Texto 3 Sexa

– Pai…
– Hmmm?
– Como é o feminino de sexo?
– O quê?
– O feminino de sexo.
– Não tem.
– Sexo não tem feminino?
– Não.
– Só tem sexo masculino?
– É. Quer dizer, não. Existem dois sexos. Masculino e feminino.
– E como é o feminino de sexo?
– Não tem feminino. Sexo é sempre masculino.
– Mas tu mesmo disse que tem sexo masculino e feminino.
– O sexo pode ser masculino ou feminino. A palavra “sexo” é masculina. O sexo masculino, o sexo feminino.
– Não devia ser “a sexa”?
– Não.
– Por que não?
– Porque não! Desculpe. Porque não. “Sexo” é sempre masculino.
– O sexo da mulher é masculino?
– É. Não! O sexo da mulher é feminino.
– E como é o feminino?
– Sexo mesmo. Igual ao do homem.
– O sexo da mulher é igual ao do homem?
– É. Quer dizer… Olha aqui. Tem o sexo masculino e o sexo feminino, certo?
– Certo.
– São duas coisas diferentes.
– Então como é o feminino de sexo?
– É igual ao masculino.
– Mas não são diferentes?
– Não. Ou, são! Mas a palavra é a mesma. Muda o sexo, mas não muda a palavra.
– Mas então não muda o sexo. É sempre masculino.
– A palavra é masculina.
– Não. “A palavra” é feminino. Se fosse masculina seria “o pal…”
– Chega! Vai brincar, vai.

O garoto sai e a mãe entra. O pai comenta:

– Temos que ficar de olho nesse guri…
– Por quê?
– Ele só pensa em gramática.

VERISSIMO, Luis Fernando. Sexa. In Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 53-54.
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ), em consonância com os textos 1, 2 e 3.
( ) A questão gramatical envolvida no texto 3 faz parte do domínio da “morfossintaxe” e de aspectos “lexicais”, mencionados, respectivamente, nos textos 1 e 2. ( ) O texto de Verissimo pode ser visto como ilustrativo da seguinte passagem: “as questões que envolvem o uso da língua não podem ser resolvidas somente com um livro de gramática” (texto 2). ( ) A preocupação dos autores com regras gramaticais com vistas ao uso correto da língua está presente nos três textos. ( ) Os textos apresentam características distintas: os dois primeiros são exemplares da linguagem escrita e o terceiro apresenta elementos que são típicos da linguagem falada. ( ) A questão do gênero gramatical (texto 3) faz parte da “norma-padrão” (texto 1), mas não tem relação com os “efeitos de sentido pretendidos pelos interlocutores” (texto 2).
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
Alternativas
Q1287417 Português
Texto  Sexa

– Pai…
– Hmmm?
– Como é o feminino de sexo?
– O quê?
– O feminino de sexo.
– Não tem.
– Sexo não tem feminino?
– Não.
– Só tem sexo masculino?
– É. Quer dizer, não. Existem dois sexos. Masculino e feminino.
– E como é o feminino de sexo?
– Não tem feminino. Sexo é sempre masculino.
– Mas tu mesmo disse que tem sexo masculino e feminino.
– O sexo pode ser masculino ou feminino. A palavra “sexo” é masculina. O sexo masculino, o sexo feminino.
– Não devia ser “a sexa”?
– Não.
– Por que não?
– Porque não! Desculpe. Porque não. “Sexo” é sempre masculino.
– O sexo da mulher é masculino?
– É. Não! O sexo da mulher é feminino.
– E como é o feminino?
– Sexo mesmo. Igual ao do homem.
– O sexo da mulher é igual ao do homem?
– É. Quer dizer… Olha aqui. Tem o sexo masculino e o sexo feminino, certo?
– Certo.
– São duas coisas diferentes.
– Então como é o feminino de sexo?
– É igual ao masculino.
– Mas não são diferentes?
– Não. Ou, são! Mas a palavra é a mesma. Muda o sexo, mas não muda a palavra.
– Mas então não muda o sexo. É sempre masculino.
– A palavra é masculina.
– Não. “A palavra” é feminino. Se fosse masculina seria “o pal…”
– Chega! Vai brincar, vai.

O garoto sai e a mãe entra. O pai comenta:

– Temos que ficar de olho nesse guri…
– Por quê?
– Ele só pensa em gramática.

VERISSIMO, Luis Fernando. Sexa. In Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 53-54.
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ), considerando o texto.
( ) Em “– Sexo não tem feminino?” e “–Só tem sexo masculino?”, as formas verbais sublinhadas têm o mesmo significado nas duas ocorrências. ( ) A construção “tu mesmo disse” é uma marca linguística de informalidade no texto. ( ) As falas “Desculpe” e “vai brincar, vai”, dirigidas pelo pai ao filho, apresentam marcas de variação linguística nas formas de tratamento, pois, de acordo com a norma culta, concordam com os pronomes “você” e “tu”, respectivamente. ( ) Na passagem “– O sexo pode ser masculino ou feminino. A palavra ‘sexo’ é masculina. O sexo masculino, o sexo feminino.”, há uma incoerência semântica e temática. ( ) Em “– Por que não? – Porque não!”, a grafia diferente das palavras sublinhadas deve-se ao fato de a primeira iniciar uma pergunta e a segunda iniciar uma resposta.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
Alternativas
Q1287416 Português
Texto  Sexa

– Pai…
– Hmmm?
– Como é o feminino de sexo?
– O quê?
– O feminino de sexo.
– Não tem.
– Sexo não tem feminino?
– Não.
– Só tem sexo masculino?
– É. Quer dizer, não. Existem dois sexos. Masculino e feminino.
– E como é o feminino de sexo?
– Não tem feminino. Sexo é sempre masculino.
– Mas tu mesmo disse que tem sexo masculino e feminino.
– O sexo pode ser masculino ou feminino. A palavra “sexo” é masculina. O sexo masculino, o sexo feminino.
– Não devia ser “a sexa”?
– Não.
– Por que não?
– Porque não! Desculpe. Porque não. “Sexo” é sempre masculino.
– O sexo da mulher é masculino?
– É. Não! O sexo da mulher é feminino.
– E como é o feminino?
– Sexo mesmo. Igual ao do homem.
– O sexo da mulher é igual ao do homem?
– É. Quer dizer… Olha aqui. Tem o sexo masculino e o sexo feminino, certo?
– Certo.
– São duas coisas diferentes.
– Então como é o feminino de sexo?
– É igual ao masculino.
– Mas não são diferentes?
– Não. Ou, são! Mas a palavra é a mesma. Muda o sexo, mas não muda a palavra.
– Mas então não muda o sexo. É sempre masculino.
– A palavra é masculina.
– Não. “A palavra” é feminino. Se fosse masculina seria “o pal…”
– Chega! Vai brincar, vai.

O garoto sai e a mãe entra. O pai comenta:

– Temos que ficar de olho nesse guri…
– Por quê?
– Ele só pensa em gramática.

VERISSIMO, Luis Fernando. Sexa. In Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 53-54.
No texto, o caráter humorístico do texto deve-se:
Alternativas
Respostas
24701: D
24702: E
24703: C
24704: B
24705: E
24706: E
24707: D
24708: C
24709: E
24710: B
24711: D
24712: D
24713: B
24714: E
24715: B
24716: A
24717: A
24718: D
24719: C
24720: E