Questões de Concurso
Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português
Foram encontradas 36.603 questões
Medos à beira do abismo
"De que a senhora tem medo?", foi a pergunta bastante original numa dessas entrevistas recentes.
Pensei e disse: morro de medo de muita coisa, mas acho que, com o tempo, passei a ser mais corajosa (e achei, eu mesma, graça do que dizia). Principalmente, medo de qualquer mal que possa acontecer a pessoas que eu amo. Acidente, assalto, doença. Sei o que é sentir-se impotente quando algo gravíssimo acontece com alguma delas. No fundo mais fundo da mente, vem a indagação insensata e tola, mas pungente: como não pude proteger meu filho adulto de uma morte súbita no mar que ele amava?
Disfarçamos nossos tantos medos. Fingimos ser superiores, batendo grandes papos sobre dinheiro, futebol, sacanagem, política, ninguém levando porrada – como diria Fernando, o Pessoa. Empregamos palavras grandiosas, até solenes, que usamos como tapa-olhos ou máscaras para que a verdade não nos cuspa na cara, e nos defendemos do rumor que nos ameaça botando fones de ouvido enquanto caminhamos na esteira, para ficarmos em forma.
Mas, individualmente, temos medo e solidão; como país, presenciamos escândalos nunca antes vistos. A violência é cotidiana, o narcotráfico nos ameaça, mais pessoas foram assassinadas por aqui do que nas guerras ao redor do mundo nos últimos anos. Andamos encolhidos dentro de casa. Estão cada vez mais altos os muros do medo e do silêncio.
A gente se lamenta, dá palpites e entrevistas, organiza seminários. Resultado? Parece que nenhum. Eleições? Melhor não saber. Mas sou da tribo (não tão pequena) dos que não se conformam. Não acredito em revolução a não ser pessoal. Em algumas coisas, sou antipaticamente individualista. Quando reuniões, comissões, projetos e planos não resolvem – é o mais comum –, pode-se tentar o mais simples. Às vezes, ser simples é original: começar pela gente mesmo. Em casa. Com as drogas, por exemplo, por que não?
Cada vez que, seja por trágica dependência, seja por aquilo que minha velha mãe chamava "fazer-se de interessante", um de nós consome uma droga qualquer (mesmo o cigarrinho de maconha dividido com a turma), está botando no cano de uma arma a bala – perdida ou não – que vai matar uma criança, uma mãe de família, um trabalhador. Nosso filho, quem sabe.
Disfarçamos nossos tantos medos. Fingimos ser superiores, batendo grandes papos sobre dinheiro, futebol, sacanagem, política.
Há quem me deteste por essas afirmações, dizendo que sou moralista, radical. Não sou. Apenas observo, acompanho, muito drama desnecessário, talvez evitável – mas a gente preferia ignorar o abismo. Há muitos anos, visitei várias vezes uma famosa clínica de reabilitação em São Paulo. Alguém muito querido de amigos meus estava lá internado, e voltava com frequência. O que vi, senti, me disseram e eu mesma presenciei nunca vai me deixar.
Num jantar, há muitos anos, um conhecido desabafou com grande culpa que costumava fazer-se de pai amigão fumando maconha com os filhos adolescentes, para estar mais próximo deles. Um dos meninos sofreu gravíssimos problemas de adicção pelo resto da vida, morreu de overdose e nem todo o amor dos pais, dos irmãos, ajudou em nada.
Sim, a vida pode ser muito cruel. Nas tragédias familiares, só há vítimas, embora alguns devam ser mais responsáveis do que outros. Não tem graça nenhuma brincar na beira do abismo.
Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/lya-luft/noticia/2018/09/medos-abeira-do-abismo-cjmmrnsma00w301pilpj8qa05.html Acesso em 11 nov. 2018
Medos à beira do abismo
"De que a senhora tem medo?", foi a pergunta bastante original numa dessas entrevistas recentes.
Pensei e disse: morro de medo de muita coisa, mas acho que, com o tempo, passei a ser mais corajosa (e achei, eu mesma, graça do que dizia). Principalmente, medo de qualquer mal que possa acontecer a pessoas que eu amo. Acidente, assalto, doença. Sei o que é sentir-se impotente quando algo gravíssimo acontece com alguma delas. No fundo mais fundo da mente, vem a indagação insensata e tola, mas pungente: como não pude proteger meu filho adulto de uma morte súbita no mar que ele amava?
Disfarçamos nossos tantos medos. Fingimos ser superiores, batendo grandes papos sobre dinheiro, futebol, sacanagem, política, ninguém levando porrada – como diria Fernando, o Pessoa. Empregamos palavras grandiosas, até solenes, que usamos como tapa-olhos ou máscaras para que a verdade não nos cuspa na cara, e nos defendemos do rumor que nos ameaça botando fones de ouvido enquanto caminhamos na esteira, para ficarmos em forma.
Mas, individualmente, temos medo e solidão; como país, presenciamos escândalos nunca antes vistos. A violência é cotidiana, o narcotráfico nos ameaça, mais pessoas foram assassinadas por aqui do que nas guerras ao redor do mundo nos últimos anos. Andamos encolhidos dentro de casa. Estão cada vez mais altos os muros do medo e do silêncio.
A gente se lamenta, dá palpites e entrevistas, organiza seminários. Resultado? Parece que nenhum. Eleições? Melhor não saber. Mas sou da tribo (não tão pequena) dos que não se conformam. Não acredito em revolução a não ser pessoal. Em algumas coisas, sou antipaticamente individualista. Quando reuniões, comissões, projetos e planos não resolvem – é o mais comum –, pode-se tentar o mais simples. Às vezes, ser simples é original: começar pela gente mesmo. Em casa. Com as drogas, por exemplo, por que não?
Cada vez que, seja por trágica dependência, seja por aquilo que minha velha mãe chamava "fazer-se de interessante", um de nós consome uma droga qualquer (mesmo o cigarrinho de maconha dividido com a turma), está botando no cano de uma arma a bala – perdida ou não – que vai matar uma criança, uma mãe de família, um trabalhador. Nosso filho, quem sabe.
Disfarçamos nossos tantos medos. Fingimos ser superiores, batendo grandes papos sobre dinheiro, futebol, sacanagem, política.
Há quem me deteste por essas afirmações, dizendo que sou moralista, radical. Não sou. Apenas observo, acompanho, muito drama desnecessário, talvez evitável – mas a gente preferia ignorar o abismo. Há muitos anos, visitei várias vezes uma famosa clínica de reabilitação em São Paulo. Alguém muito querido de amigos meus estava lá internado, e voltava com frequência. O que vi, senti, me disseram e eu mesma presenciei nunca vai me deixar.
Num jantar, há muitos anos, um conhecido desabafou com grande culpa que costumava fazer-se de pai amigão fumando maconha com os filhos adolescentes, para estar mais próximo deles. Um dos meninos sofreu gravíssimos problemas de adicção pelo resto da vida, morreu de overdose e nem todo o amor dos pais, dos irmãos, ajudou em nada.
Sim, a vida pode ser muito cruel. Nas tragédias familiares, só há vítimas, embora alguns devam ser mais responsáveis do que outros. Não tem graça nenhuma brincar na beira do abismo.
Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/lya-luft/noticia/2018/09/medos-abeira-do-abismo-cjmmrnsma00w301pilpj8qa05.html Acesso em 11 nov. 2018
Medos à beira do abismo
"De que a senhora tem medo?", foi a pergunta bastante original numa dessas entrevistas recentes.
Pensei e disse: morro de medo de muita coisa, mas acho que, com o tempo, passei a ser mais corajosa (e achei, eu mesma, graça do que dizia). Principalmente, medo de qualquer mal que possa acontecer a pessoas que eu amo. Acidente, assalto, doença. Sei o que é sentir-se impotente quando algo gravíssimo acontece com alguma delas. No fundo mais fundo da mente, vem a indagação insensata e tola, mas pungente: como não pude proteger meu filho adulto de uma morte súbita no mar que ele amava?
Disfarçamos nossos tantos medos. Fingimos ser superiores, batendo grandes papos sobre dinheiro, futebol, sacanagem, política, ninguém levando porrada – como diria Fernando, o Pessoa. Empregamos palavras grandiosas, até solenes, que usamos como tapa-olhos ou máscaras para que a verdade não nos cuspa na cara, e nos defendemos do rumor que nos ameaça botando fones de ouvido enquanto caminhamos na esteira, para ficarmos em forma.
Mas, individualmente, temos medo e solidão; como país, presenciamos escândalos nunca antes vistos. A violência é cotidiana, o narcotráfico nos ameaça, mais pessoas foram assassinadas por aqui do que nas guerras ao redor do mundo nos últimos anos. Andamos encolhidos dentro de casa. Estão cada vez mais altos os muros do medo e do silêncio.
A gente se lamenta, dá palpites e entrevistas, organiza seminários. Resultado? Parece que nenhum. Eleições? Melhor não saber. Mas sou da tribo (não tão pequena) dos que não se conformam. Não acredito em revolução a não ser pessoal. Em algumas coisas, sou antipaticamente individualista. Quando reuniões, comissões, projetos e planos não resolvem – é o mais comum –, pode-se tentar o mais simples. Às vezes, ser simples é original: começar pela gente mesmo. Em casa. Com as drogas, por exemplo, por que não?
Cada vez que, seja por trágica dependência, seja por aquilo que minha velha mãe chamava "fazer-se de interessante", um de nós consome uma droga qualquer (mesmo o cigarrinho de maconha dividido com a turma), está botando no cano de uma arma a bala – perdida ou não – que vai matar uma criança, uma mãe de família, um trabalhador. Nosso filho, quem sabe.
Disfarçamos nossos tantos medos. Fingimos ser superiores, batendo grandes papos sobre dinheiro, futebol, sacanagem, política.
Há quem me deteste por essas afirmações, dizendo que sou moralista, radical. Não sou. Apenas observo, acompanho, muito drama desnecessário, talvez evitável – mas a gente preferia ignorar o abismo. Há muitos anos, visitei várias vezes uma famosa clínica de reabilitação em São Paulo. Alguém muito querido de amigos meus estava lá internado, e voltava com frequência. O que vi, senti, me disseram e eu mesma presenciei nunca vai me deixar.
Num jantar, há muitos anos, um conhecido desabafou com grande culpa que costumava fazer-se de pai amigão fumando maconha com os filhos adolescentes, para estar mais próximo deles. Um dos meninos sofreu gravíssimos problemas de adicção pelo resto da vida, morreu de overdose e nem todo o amor dos pais, dos irmãos, ajudou em nada.
Sim, a vida pode ser muito cruel. Nas tragédias familiares, só há vítimas, embora alguns devam ser mais responsáveis do que outros. Não tem graça nenhuma brincar na beira do abismo.
Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/lya-luft/noticia/2018/09/medos-abeira-do-abismo-cjmmrnsma00w301pilpj8qa05.html Acesso em 11 nov. 2018
Considere o período:
Portanto, mais do que uma expressão, a exclusão social é, de certo modo, uma forma de violência ao ser ou à dignidade humana, uma vez que impede um indivíduo de exercer a sua cidadania por razões eticamente não justificáveis.
No trecho, o autor constrói uma afirmativa
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Canção da América
Amigo é coisa pra se guardar
debaixo de sete chaves,
dentro do coração,
assim falava a canção que na América ouvi,
mas quem cantava chorou ao ver seu amigo partir,
mas quem ficou, no pensamento voou,
com seu canto que o outro lembrou.
E quem voou no pensamento ficou
com a lembrança que o outro cantou.
Amigo é coisa pra se guardar
no lado esquerdo do peito,
mesmo que o tempo e a distância digam não,
mesmo esquecendo a canção.
O que importa é ouvir a voz que vem do coração.
Pois seja o que vier,
venha o que vier,
qualquer dia, amigo, eu volto a te encontrar
qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar.
(Milton Nascimento)
Amizade verdadeira
Nós vivemos tempos em que há certa banalização da palavra “amigo”. Nas redes sociais, é hábito se contabilizar “eu tenho tantos amigos”, como se a ideia de amizade pudesse ser tão superficial. Amizade implica convivência, mesmo que a distância, numa capacidade de doação e compreensão. E, por vezes até, requer algum gesto de recusa, porque um amigo ou uma amiga não é quem concorda sempre, mas quem discorda também, de modo que proteja a outra pessoa.
Com facilidade se chama de “amigo” ou “amiga” quem é, somente, um colega, uma conhecida, um parceiro momentâneo. Esse uso corriqueiro da palavra “amigo” precisa ser revisto, afinal de contas há um critério explícito para que se saiba se alguém, de fato, é amigo. O historiador inglês Thomas Fuller (1608-1661) registrou: “Homem nenhum pode ser feliz sem um amigo, nem pode estar certo desse amigo enquanto não for infeliz”.
A frase é forte. Porque amizade é aquela que se prova também nas tempestades, na hora da amargura, da encrenca e da necessidade, e não apenas nos momentos de alegria e comemoração.
(Mário Sérgio Cortella, Vamos pensar um pouco?: lições ilustradas com a turma da Mônica/Maurício de Souza. Adaptado)
Amizade verdadeira
Nós vivemos tempos em que há certa banalização da palavra “amigo”. Nas redes sociais, é hábito se contabilizar “eu tenho tantos amigos”, como se a ideia de amizade pudesse ser tão superficial. Amizade implica convivência, mesmo que a distância, numa capacidade de doação e compreensão. E, por vezes até, requer algum gesto de recusa, porque um amigo ou uma amiga não é quem concorda sempre, mas quem discorda também, de modo que proteja a outra pessoa.
Com facilidade se chama de “amigo” ou “amiga” quem é, somente, um colega, uma conhecida, um parceiro momentâneo. Esse uso corriqueiro da palavra “amigo” precisa ser revisto, afinal de contas há um critério explícito para que se saiba se alguém, de fato, é amigo. O historiador inglês Thomas Fuller (1608-1661) registrou: “Homem nenhum pode ser feliz sem um amigo, nem pode estar certo desse amigo enquanto não for infeliz”.
A frase é forte. Porque amizade é aquela que se prova também nas tempestades, na hora da amargura, da encrenca e da necessidade, e não apenas nos momentos de alegria e comemoração.
(Mário Sérgio Cortella, Vamos pensar um pouco?: lições ilustradas com a turma da Mônica/Maurício de Souza. Adaptado)
Amizade verdadeira
Nós vivemos tempos em que há certa banalização da palavra “amigo”. Nas redes sociais, é hábito se contabilizar “eu tenho tantos amigos”, como se a ideia de amizade pudesse ser tão superficial. Amizade implica convivência, mesmo que a distância, numa capacidade de doação e compreensão. E, por vezes até, requer algum gesto de recusa, porque um amigo ou uma amiga não é quem concorda sempre, mas quem discorda também, de modo que proteja a outra pessoa.
Com facilidade se chama de “amigo” ou “amiga” quem é, somente, um colega, uma conhecida, um parceiro momentâneo. Esse uso corriqueiro da palavra “amigo” precisa ser revisto, afinal de contas há um critério explícito para que se saiba se alguém, de fato, é amigo. O historiador inglês Thomas Fuller (1608-1661) registrou: “Homem nenhum pode ser feliz sem um amigo, nem pode estar certo desse amigo enquanto não for infeliz”.
A frase é forte. Porque amizade é aquela que se prova também nas tempestades, na hora da amargura, da encrenca e da necessidade, e não apenas nos momentos de alegria e comemoração.
(Mário Sérgio Cortella, Vamos pensar um pouco?: lições ilustradas com a turma da Mônica/Maurício de Souza. Adaptado)
Amizade verdadeira
Nós vivemos tempos em que há certa banalização da palavra “amigo”. Nas redes sociais, é hábito se contabilizar “eu tenho tantos amigos”, como se a ideia de amizade pudesse ser tão superficial. Amizade implica convivência, mesmo que a distância, numa capacidade de doação e compreensão. E, por vezes até, requer algum gesto de recusa, porque um amigo ou uma amiga não é quem concorda sempre, mas quem discorda também, de modo que proteja a outra pessoa.
Com facilidade se chama de “amigo” ou “amiga” quem é, somente, um colega, uma conhecida, um parceiro momentâneo. Esse uso corriqueiro da palavra “amigo” precisa ser revisto, afinal de contas há um critério explícito para que se saiba se alguém, de fato, é amigo. O historiador inglês Thomas Fuller (1608-1661) registrou: “Homem nenhum pode ser feliz sem um amigo, nem pode estar certo desse amigo enquanto não for infeliz”.
A frase é forte. Porque amizade é aquela que se prova também nas tempestades, na hora da amargura, da encrenca e da necessidade, e não apenas nos momentos de alegria e comemoração.
(Mário Sérgio Cortella, Vamos pensar um pouco?: lições ilustradas com a turma da Mônica/Maurício de Souza. Adaptado)
Nada é de graça e, se for, desconfie
A Muralha da China não é vista da Lua, e a tomada do padrão antigo não vai voltar. Se você acreditou em notícias falsas como essas, eu sei como elas chegaram até você: de graça, por meio das redes sociais, de sites gratuitos de “notícias”.
Informação de qualidade não tem como ser de graça, pois existe algo inexorável no mundo da comunicação: conteúdo de qualidade custa. Jornalismo custa. E alguém precisa pagar a conta.
No Brasil, por décadas, a liberdade – e a qualidade – do jornalismo foi garantida por um modelo que se viu ameaçado nos últimos anos.
O modelo funciona assim: clientes contratam agências de propaganda, que anunciam nos veículos, que, por sua vez, podem investir em jornalismo isento, contratando bons profissionais.
Por que esse modelo é tão importante?
Primeiro: ele garante o fortalecimento das agências e a qualidade do conteúdo da propaganda.
Segundo: a publicidade ajuda a garantir a independência econômica (que traz a independência de opinião) dos veículos de comunicação.
Terceiro: países onde a imprensa não recebe investimento privado e depende do governo têm a sua democracia ameaçada.
Mas veio a revolução das redes sociais e todo mundo virou youtuber, blogueiro, digital influencer. O investimento publicitário começou a migrar para esses novos canais, muito mais pulverizados.
Ao contrário do que se sonhava nas faculdades de jornalismo, essa revolução não democratizou a informação, popularizando os meios de comunicação. Na verdade, ela sucateou a informação e ameaçou o jornalismo de verdade. E as fontes de fake news foram se espalhando, impulsionadas por likes e compartilhamentos.
Agora, o mundo percebeu que as fake news não eram tão inofensivas assim. E essa reflexão começou a trazer resultados. Os mais espertos passaram a procurar fontes melhores para se informar.
Nos EUA, o hábito de leitura de jornais tradicionais, na versão impressa ou digital, aumentou entre as faixas etárias mais jovens.
Aqui, em 2016, os onze maiores jornais registraram um crescimento de 16,6% em assinaturas digitais, segundo o IVC (Instituto Verificador de Comunicação).
Com a volta dos assinantes, uma verdade fica cada vez mais clara: o que é de graça não funciona. Conteúdo de qualidade custa. Mas é uma ótima relação custo-benefício. Benefício para o mercado e para a sociedade.
(Mario d’Andrea. Folha de S. Paulo, 26.09.2017. Adaptado)
Nada é de graça e, se for, desconfie
A Muralha da China não é vista da Lua, e a tomada do padrão antigo não vai voltar. Se você acreditou em notícias falsas como essas, eu sei como elas chegaram até você: de graça, por meio das redes sociais, de sites gratuitos de “notícias”.
Informação de qualidade não tem como ser de graça, pois existe algo inexorável no mundo da comunicação: conteúdo de qualidade custa. Jornalismo custa. E alguém precisa pagar a conta.
No Brasil, por décadas, a liberdade – e a qualidade – do jornalismo foi garantida por um modelo que se viu ameaçado nos últimos anos.
O modelo funciona assim: clientes contratam agências de propaganda, que anunciam nos veículos, que, por sua vez, podem investir em jornalismo isento, contratando bons profissionais.
Por que esse modelo é tão importante?
Primeiro: ele garante o fortalecimento das agências e a qualidade do conteúdo da propaganda.
Segundo: a publicidade ajuda a garantir a independência econômica (que traz a independência de opinião) dos veículos de comunicação.
Terceiro: países onde a imprensa não recebe investimento privado e depende do governo têm a sua democracia ameaçada.
Mas veio a revolução das redes sociais e todo mundo virou youtuber, blogueiro, digital influencer. O investimento publicitário começou a migrar para esses novos canais, muito mais pulverizados.
Ao contrário do que se sonhava nas faculdades de jornalismo, essa revolução não democratizou a informação, popularizando os meios de comunicação. Na verdade, ela sucateou a informação e ameaçou o jornalismo de verdade. E as fontes de fake news foram se espalhando, impulsionadas por likes e compartilhamentos.
Agora, o mundo percebeu que as fake news não eram tão inofensivas assim. E essa reflexão começou a trazer resultados. Os mais espertos passaram a procurar fontes melhores para se informar.
Nos EUA, o hábito de leitura de jornais tradicionais, na versão impressa ou digital, aumentou entre as faixas etárias mais jovens.
Aqui, em 2016, os onze maiores jornais registraram um crescimento de 16,6% em assinaturas digitais, segundo o IVC (Instituto Verificador de Comunicação).
Com a volta dos assinantes, uma verdade fica cada vez mais clara: o que é de graça não funciona. Conteúdo de qualidade custa. Mas é uma ótima relação custo-benefício. Benefício para o mercado e para a sociedade.
(Mario d’Andrea. Folha de S. Paulo, 26.09.2017. Adaptado)
Sabemos que vários planetas são visíveis a olho nu: Marte, Júpiter, Vênus, Saturno e Mercúrio. Esses astros já eram conhecidos não apenas dos gregos, mas também de povos ainda mais antigos, como os babilônios. Apesar de sua semelhança com as estrelas, os planetas eram identificados pelos povos da Antiguidade graças a duas características que os diferenciavam.
A primeira diferença notável é que as estrelas, em curtos períodos, não variam de posição umas em relação às outras. Já os planetas, com o passar das horas, mudam de posição no céu. À noite, esse movimento é percebido com facilidade.
A segunda diferença é que as estrelas têm uma luz que, por ser própria, pisca levemente. Já os planetas, que apenas refletem a luz do Sol, têm um brilho fixo.
Os planetas mais distantes da Terra só puderam ser descobertos bem mais
tarde, com a ajuda de aparelhos ópticos como o telescópio. O primeiro deles a ser
identificado foi Urano, descoberto em 1781 pelo astrônomo inglês William Herschel,
segundo a professora de Astronomia Daniela Lázzaro, do Observatório Nacional do
Rio de Janeiro”. (Superinteressante/Adaptado)
Sabemos que vários planetas são visíveis a olho nu: Marte, Júpiter, Vênus, Saturno e Mercúrio. Esses astros já eram conhecidos não apenas dos gregos, mas também de povos ainda mais antigos, como os babilônios. Apesar de sua semelhança com as estrelas, os planetas eram identificados pelos povos da Antiguidade graças a duas características que os diferenciavam.
A primeira diferença notável é que as estrelas, em curtos períodos, não variam de posição umas em relação às outras. Já os planetas, com o passar das horas, mudam de posição no céu. À noite, esse movimento é percebido com facilidade.
A segunda diferença é que as estrelas têm uma luz que, por ser própria, pisca levemente. Já os planetas, que apenas refletem a luz do Sol, têm um brilho fixo.
Os planetas mais distantes da Terra só puderam ser descobertos bem mais
tarde, com a ajuda de aparelhos ópticos como o telescópio. O primeiro deles a ser
identificado foi Urano, descoberto em 1781 pelo astrônomo inglês William Herschel,
segundo a professora de Astronomia Daniela Lázzaro, do Observatório Nacional do
Rio de Janeiro”. (Superinteressante/Adaptado)
Sabemos que vários planetas são visíveis a olho nu: Marte, Júpiter, Vênus, Saturno e Mercúrio. Esses astros já eram conhecidos não apenas dos gregos, mas também de povos ainda mais antigos, como os babilônios. Apesar de sua semelhança com as estrelas, os planetas eram identificados pelos povos da Antiguidade graças a duas características que os diferenciavam.
A primeira diferença notável é que as estrelas, em curtos períodos, não variam de posição umas em relação às outras. Já os planetas, com o passar das horas, mudam de posição no céu. À noite, esse movimento é percebido com facilidade.
A segunda diferença é que as estrelas têm uma luz que, por ser própria, pisca levemente. Já os planetas, que apenas refletem a luz do Sol, têm um brilho fixo.
Os planetas mais distantes da Terra só puderam ser descobertos bem mais
tarde, com a ajuda de aparelhos ópticos como o telescópio. O primeiro deles a ser
identificado foi Urano, descoberto em 1781 pelo astrônomo inglês William Herschel,
segundo a professora de Astronomia Daniela Lázzaro, do Observatório Nacional do
Rio de Janeiro”. (Superinteressante/Adaptado)
Sabemos que vários planetas são visíveis a olho nu: Marte, Júpiter, Vênus, Saturno e Mercúrio. Esses astros já eram conhecidos não apenas dos gregos, mas também de povos ainda mais antigos, como os babilônios. Apesar de sua semelhança com as estrelas, os planetas eram identificados pelos povos da Antiguidade graças a duas características que os diferenciavam.
A primeira diferença notável é que as estrelas, em curtos períodos, não variam de posição umas em relação às outras. Já os planetas, com o passar das horas, mudam de posição no céu. À noite, esse movimento é percebido com facilidade.
A segunda diferença é que as estrelas têm uma luz que, por ser própria, pisca levemente. Já os planetas, que apenas refletem a luz do Sol, têm um brilho fixo.
Os planetas mais distantes da Terra só puderam ser descobertos bem mais
tarde, com a ajuda de aparelhos ópticos como o telescópio. O primeiro deles a ser
identificado foi Urano, descoberto em 1781 pelo astrônomo inglês William Herschel,
segundo a professora de Astronomia Daniela Lázzaro, do Observatório Nacional do
Rio de Janeiro”. (Superinteressante/Adaptado)
TEXTO III
“Quando vim da minha terra, não vim, perdi-me no espaço, na ilusão de ter saído. Ai de mim, nunca saí”. (Carlos D. de Andrade, no poema A Ilusão do Migrante)