Questões de Concurso
Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português
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[...] Sabemos que o chiclete, desde que seja sem açúcar, pode ser vantajoso à higiene bucal. Ele estimula a salivação em até dez vezes, aumentando a lubrificação local e neutralizando os ácidos produzidos pelas bactérias que causam cárie. Dessa forma, promove uma limpeza mecânica na boca.
Nesse sentido, é importante observar no rótulo da goma de mascar se ela contém xilitol ou sorbitol. Na presença desses adoçantes, as bactérias não conseguem fazer a fermentação como acontece normalmente com o açúcar. Sorte dos dentes [...]
Quando o chiclete não cai bem.
Pessoas com problemas na articulação temporomandibular (ATM), aquela responsável pelo abrir e fechar da boca, devem ter cautela no consumo das gomas. É que o mastigar excessivo pode causar um desequilíbrio muscular, resultando em dores crônicas de cabeça, ouvido e na própria região da boca.
Indivíduos com problemas gástricos também devem evitar ou fazer uso moderado dos chicletes. Isso porque toda vez que o mascamos, o corpo entende que vai receber algum alimento e, com isso, prepara enzimas e ácidos para atuar na digestão. Mas, como não há alimento – só uma goma na boca –, existe a possibilidade de uma superprodução de ácido no estômago, o que compromete a sua capacidade de produzir secreções digestivas quando o sujeito realmente ingerir comida. Tudo isso pode acabar em sensação de empachamento, azia etc.[...]
Independentemente dos prós e contras, e do fato de que o chiclete sem açúcar pode ser um aliado da salivação e da higiene bucal, é fundamental e unânime deixar claro que ele nunca substituirá uma boa escovação, com uso da pasta de dente fluoretada, e o fio dental. A goma de mascar só deve ser recomendada com essa finalidade esporadicamente, nos casos em que não é possível fazer a limpeza correta da boca.
REZENDE, Karla Mayra. Chicletes, eles fazem bem aos dentes? Saúde. 25 dez.2018. Disponível em: https://saude.abril.com.br/blog/cuide-da-sua-boca/chicletes-eles-fazem-bem-aos-dentes/ Acesso em 07 jan. 2019.
É INCORRETO afirmar que, no texto,o enunciado “Quando o chiclete não cai bem” cumpre
a função de
Sempre tive cachorros, mas, como tinha filhos, eles ocupavam um lugar secundário no ranking amoroso da família e dormiam fora de casa. Até o pequenino Pumpy, um fox “pelo duro” cheio de personalidade, dormia ao relento, apesar do frio. Acho que dormia enroscado no Funk, pastor alemão que tinha o papel de cuidar da casa, mas, quando os dois fugiam pela rua, era o pastor que seguia o fox.
Os filhos cresceram, a família mudou, os netos nasceram e os cachorros continuaram. Ângela tinha um Weimaraner, o Otto, que só faltava falar. Mas eu não gostava que dormisse no nosso quarto. Ele sacudia as orelhas quando acordava e, com isso, me acordava também. Agora sou obrigado a conviver com um bulldog francês, o Joca, que passou a fazer parte da família apesar das minhas advertências.
Mas eu mordi a língua. Joca foi entrando devagarinho na minha vida com aquele
jeitinho de cão rejeitado, porque, apesar de ter “pedigree”, ele é todo diferente. Os dentes são
tortos, o focinho é mais comprido e ele parece uma mistura de morcego com bezerro. Mas é
lindo. [...]
A relação com os animais também estabelece um vínculo afetivo forte, uma interação amorosa de dois seres que dependem um do outro. Já está provado que o contato com animais traz benesses terapêuticas e ajuda no tratamento da solidão e da rejeição. Pessoas têm animais domésticos para dar e receber esse afeto.
Portanto, eu, que alertava para os problemas de dependência que um cachorro pode trazer, hoje sou vítima dele. Vítima no bom sentido. Adoro minha relação com Joca e me sinto muito bem quando ele se enrosca em mim ou vem com a patinha pedir que eu coce suas costas. [...] E eu juro, que se ele falar, não vou me espantar, vou responder.
PAIVA, Miguel Disponível em: https://www.jb.com.br/colunistas/visto_de_fora_mundo-cao. Acesso em 11 jan.2019. (Adaptado)
Considerando o emprego dos verbos no texto apresentado, assinale a alternativa
correta.
Morar na periferia é tudo, tudo de ruim em matéria de transporte coletivo. Não seria tanto se eu tivesse um carrinho para me levar ao trabalho, mas esse é um sonho distante. O pior é que o bairro onde moro foi tomado pelas vans, ou melhor, lotações mesmo, elas estão maiores, mas não comportam a quantidade de infelizes (estou incluída nessa) que precisa ir trabalhar e enfrentar o balanço das vans. Confesso que esta não é das sensações mais agradáveis desse mundo. Perceber que a dita cuja da lotação vai encostar no próximo ponto para pegar mais passageiros é ainda pior. Eu que não acordo mal-humorada (me orgulho disso), mas ainda tô com sono, tiro forças não sei de onde para ser simpática e me espremo, com o cuidado de não cair sobre o indivíduo sentado à minha frente, para deixar os novos infelizes passarem. Passa boi, passa boiada, até que um dos últimos da fila acha ótimo o espacinho vazio que tem logo atrás de você, sem desconfiar que aquele é justamente o lugar que você estava ocupando e que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. O infeliz teima em ficar logo ali. Seu braço já está com cãimbra pela posição sem jeito de quem se espreme e precisa voltar à posição normal o mais rápido possível. O jeito é rezar para todos os santos e orixás que você conhece e esperar que o indivíduo inconveniente tenha algum semancol e saia logo do seu lugar. Mas o infeliz prefere ficar ali esbarrando em você - não há nada mais irritante do que fazer isso com um desconhecido na lotação logo cedo. Você tenta tirá-lo de lá, usa o cotovelo para esbarrar sem querer, faz cara feia... Nada adianta. Ainda bem que trabalho próximo de casa. Odeio "lotações lotadas" logo de manhã.
Disponível em: http://mundinhodarosi.blogspot.com/ Acesso em 05 jan. 2019 (Adaptado)
Sou feliz só por preguiça. A infelicidade dá uma trabalheira pior que doença: é preciso entrar e sair dela, afastar os que nos querem consolar, aceitar pêsames por uma porção da alma que nem chegou a falecer. – Levanta, ó dono das preguiças. É o mando de minha vizinha, a mulata Dona Luarmina. Eu respondo: – Preguiçoso? Eu ando é a embranquecer as palmas das mãos. – Conversa de malandro…– Sabe uma coisa, Dona Luarmina? O trabalho é que escureceu o pobre do preto. E, afora isso, eu só presto é para viver…Ela ri com aquele modo apagado dela. A gorda Luarmina sorri só para dar rosto à tristeza. – Você, Zeca Perpétuo, até parece mulher…– Mulher, eu?– Sim, mulher é que senta em esteira. Você é o único homem que eu vi sentar na esteira. – Que quer vizinha? Cadeira não dá jeito para dormir. Ela se afasta, pesada como pelicano, abanando a cabeça.
Minha vizinha reclama não haver homem com miolo tão miúdo como eu. Diz que nunca viu pescador deixar escapar tanta maré:– Mas você, Zeca: é que nem faz ideia da vida. – A vida, Dona Luarmina? A vida é tão simples que ninguém a entende. É como dizia meu avô Celestiano sobre pensarmos Deus ou não Deus… Além disso, pensar traz muita pedra e pouco caminho. Por isso eu, um reformado do mar o que me resta fazer? Dispensado de pescar, me dispenso de pensar. Aprendi nos muitos anos de pescaria: o tempo anda por ondas. A gente tem é que ficar levezinho e sempre apanhar boleia numa dessas ondeações. – Não é verdade, Dona Luarmina? A senhora sabe essas línguas da nossa gente. Me diga, minha Dona: qual é a palavra para dizer futuro? Sim, como se diz futuro? Não se diz, na língua deste lugar de África. Sim, porque futuro é uma coisa que existindo nunca chega a haver. Então eu me suficiento do atual presente. E basta. – Só eu quero é ser um homem bom, Dona. – Você é mas é um aldrabom. A gorda mulata não quer amolecer conversa. E tem razão, sendo minha vizinha desde há tanto.
COUTO, Mia. Mar Me Quer. Portugal: Editorial Caminho, 2015. (Fragmento)
A partir da leitura do texto, é correto afirmar que o narrador revela
Fusca 60 anos: veja curiosidades sobre o carro queridinho no Brasil
Nem precisa ser apaixonado por automóveis para se render ao charme do Fusca. O modelo conquistou os brasileiros por décadas com o seu design arredondado e uma "cara simpática". [...] Meu nome é Fusca. O modelo chegou no Brasil com o nome Volkswagen Sedan. Em alemão, o V soa parecido com "fau" e o W como "Vê". O Fauvê virou fulque, que virou fulca, e segundo o historiador Alexander Gromow, em São Paulo ganhou um 'S' e virou fusca. Só 20 anos depois da chegada do modelo no Brasil foi que a Volkswagen adotou o nome oficialmente.
Diferentemente dos carros que a gente vê na rua atualmente, o Fusca tinha um charme especial na hora de colocar a bagagem. O porta-malas dele ficava na parte da frente, onde normalmente fica o motor. Já o motor, na parte de trás.
Fuscão Preto. Muito tempo antes de Gabriel Gava "jogar a gata no fundo da Fiorino", outro carro já era usado como ninho de amor. Era em um "Fuscão Preto" que uma mulher encontrava o amante, na música de Almir Rogério, também lá nos anos 1980. A traição sobrou para o fusquinha que foi acusado de ter "seu ronco maldito. Meu castelo tão bonito, você fez desmoronar". É justo isso? […]
Disponível em http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/editorias/verso/online/fusca-60-anos- veja-curiosidades-sobre-o-carro-queridinho-no-brasil Acesso em 03 jan.2019. (Fragmento)
Em relação aos recursos enunciativos mobilizados no trecho acima, assinale a
alternativa INCORRETA.
Com relação aos aspectos linguísticos e estruturais do texto, julgue o item a seguir.
Na linha 21, a supressão de “também” não provoca prejuízos à correção gramatical e aos sentidos originais do texto.
Julgue o item a seguir no que se refere às ideias do texto.
Julgue o item a seguir no que se refere às ideias do texto.
Julgue o item a seguir no que se refere às ideias do texto.
Julgue o item a seguir no que se refere às ideias do texto.
Com relação às ideias e aos aspectos linguísticos e estruturais do texto, julgue o item
Conforme o texto, a qualidade de vida está intimamente
relacionada com o poder aquisitivo do indivíduo.
RETRATO
Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida a minha face?
Cecília Meireles: poesia, por Darcy Damasceno. Rio de Janeiro: Agir, 1974. p. 19-20.
Considere as afirmativas abaixo:
I. em “nem estes olhos tão vazios” se acrescentássemos o verbo “tinha” antes do pronome “estes” não teríamos a alteração do sentido;
II. em “Eu não dei por esta mudança” temos uma frase, mas não temos uma oração.
III. em “Em que espelho ficou perdida a minha face?” temos um período simples.

A tirinha de Malfada retrata a insatisfação de seu amigo em ter que estudar a tabuada. Num primeiro
momento, ele demonstra seu interesse em ser livre como uma mosca, já num segundo momento, ele se
interessa em estudar a tabuada. Essa mudança de interesse é perceptível:
PRAZER DE EXISTIR
Solte a imaginação e pense, nem que seja por alguns instantes, em como seria bom viver curtindo cada momento. Centrado e tranquilo, você não daria importância a pequenos problemas. Pelo contrário: diante de alguma dificuldade corriqueira, abriria um sorrisão daqueles e pensaria que, na vida, tudo se ajeita. Passaria mais tardes ao lado dos amigos queridos e da família. Ouviria mais as músicas de que gosta. Prestaria mais atenção na beleza que é um dia ensolarado de inverno. Ou no prazer de comer aquela torta deliciosa que só sua mãe sabe fazer. Daria risadas com frequência, principalmente de si mesmo. Encucaria menos com o amanhã e aproveita ria todas as horas de hoje, ciente de que elas não voltam mais. Enfim, não desperdiçaria o tempo com besteiras, como tanta gente faz por aí. Que sonho, não? Lá no fundo, você deve estar suspirando, imaginando que ninguém consegue viver tão intensamente, tão... vivamente. Engano seu!
Erika Sallum. Revista Vida Simples, julho de 2004

A propaganda acima usa como recursos expressivos a linguagem verbal e a não verbal. O intuito é levar o interlocutor a crer que há de fato um entregador de pizza à porta, quando na verdade trata-se apenas da propaganda. Assim, podemos concluir o seguinte:
I. o autor da propaganda entende que a criatividade e o humor podem atrair o interesse do consumidor;
II. o autor se valeu da linguagem verbal, mas poderia ter cumprido o objetivo da propaganda usando apenas a não-verbal;
III. a propaganda teria o mesmo efeito de sentido se na residência não houvesse um “olho mágico” na porta.
Considerando as afirmativas, a opção CORRETA é:

A imagem acima representa dois pulmões formados por árvores numa floresta. Como se pode perceber um dos pulmões está danificado por conta das derrubadas de árvores. Assim considera-se que:
I. A imagem é um texto porque constitui sentido.
II. Para interpretar esse texto é importante considerar vários elementos tais como os explícitos e os implícitos.
III. o texto retrata uma campanha contra o consumo de cigarros.
Considerando as afirmativas acima, a opção CORRETA é:
Poeminho do Contra
Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho!
Mario Quintana , In: Caderno H, Mario Quintana: Poesia Completa, Editora Nova Aguilar, p. 257.
Sobre o terceiro verso do Poema acima, podemos afirmar que:

O Gênero textual charge possui como características o humor e a crítica social, além disso, é comum o uso da linguagem verbal e não verbal. Considere as afirmativas a respeito do texto acima:
I. O humor ocorre graças à linguagem não verbal, pois as personagens são identificadas pelas imagens;
II. A resposta do filho está de acordo com a expectativa do pai, o que gera humor;
III. A linguagem verbal é fundamental para o humor no texto;
IV. A crítica social se refere à qualidade da educação pública no Brasil.
Estão CORRETAS as afirmativas:
Onda de frio nos EUA pode deixar Chicago mais ‘fria que Everest ou Antártica’
Os americanos sofrerão esta semana a mais intensa onda de frio "das últimas décadas", alertam os meteorologistas.
Estas condições extremas, causadas por uma massa de ar gelado em rotação conhecida como vórtice polar, podem fazer a temperatura chegar a -53°C.
A previsão é que dezenas de milhões de pessoas experimentem temperaturas abaixo de zero.
Os estados de Wisconsin, Michigan e Illinois, no Centro-Oeste, bem como o Alabama e o Mississippi, no Sul, normalmente mais quentes, declararam estado de emergência.
Autoridades do estado de Iowa têm pedido à população que "evite respirar fundo e minimize conversas" na rua.
Os meteorologistas preveem que em Chicago, no estado de Illinois, a sensação de frio será mais aguda que no Everest e na Antártica.
A cidade poderia experimentar um mínimo de -32 ºC, com ventos gelados que dariam sensação térmica de -45ºC, segundo as autoridades.
"Eu diria que a intensidade deste ar frio é única nas últimas décadas", disse John Gagan, especialista do Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA (NWS, na sigla em inglês).
O NWS alerta que existe a possibilidade de uma pessoa congelar em menos de 10 minutos se sair ao ar livre em circunstâncias tão extremas.
A expectativa é que as temperaturas mais frias sejam registradas entre esta terça e a quinta-feira.
Fonte: https://g1.globo.com/natureza/noticia/2019/01/30/onda-de-frio-nos-eua-podem-deixar-chicago-mais-fria-que-everest-ou-antartida.ghtml.
"O certo a ser feito": as marcas do utilitarismo no nosso dia-a-dia
Por Carlos Henrique Cardoso
Ultimamente tenho analisado e refletido sobre a situação política do país e sua judicialização. E enxergo muito dos princípios do utilitarismo instaurados nos desejos de boa parte dos cidadãos. Enxergo o que? Como assim?
O utilitarismo é uma teoria social desenvolvida pelo jurista, economista, e filósofo Jeremy Bentham, lá pelos fins do século XVIII e início do XIX. Essa teoria também foi objeto de estudo do filósofo John Stuart Mill. Tem como princípio a busca do prazer e da felicidade, mas também satisfazer os indivíduos na coletividade, almejando benefícios, onde as leis seriam socialmente úteis e as escolhas mais corretas. Alguns testes e dinâmicas de grupo também utilizam conceitos de base utilitarista, pautadas nas melhores escolhas para cada situação posta com a finalidade de encontrarmos um bem comum a todos.
Um exemplo. No único hospital de uma pequena cidade, há apenas uma máquina de hemodiálise e quatro doentes renais. As características sociais, econômicas, profissionais, familiares, e pessoais de cada um são apresentadas e faz-se a pergunta: qual deles merece ser salvo para que possa utilizar o equipamento? Após um pequeno debate, chega-se à conclusão e as razões para que aquele felizardo seja o escolhido. Ou seja, o intuito é tomar decisões para obter o melhor resultado para todos.
O utilitarismo pode ser transposto para o nosso cotidiano e sua doutrina ética pode estar incrustada em vários fatos e decisões. Sua aplicação pode ser considerável diante de fatores que venham a ocorrer e se tornar aceitável para diversos setores sociais.
Digamos que comecem a aparecer pessoas feridas por rajadas de metralhadora nas ruas de um município e que muitos testemunharam um homem portando essa arma por aí. As autoridades partem a sua busca, mas não o encontram em lugar nenhum. E novas pessoas são baleadas. Com o rumo das investigações, familiares do suspeito são localizados. Como não informam seu paradeiro, os policiais passam a torturar seus pais, irmãos, e outros parentes a fim de obterem respostas ou pistas para sua descoberta. Dias depois, o “louco da metralhadora” é encontrado. A tortura é proibida por lei, mas sua utilização foi justificada pelo bem-estar público, ou seja, “o certo a ser feito”. Um cálculo que foi interpretado como moralmente aceitável por muitos que consideram aquela postura adequada para que mais ninguém fosse alvejado. Mesmo que jamais fosse preciso tomar tal atitude para um crime ser desvendado. Um princípio utilitarista.
E assim observo muitas atitudes manifestadas por seguimentos de nossa população. Na véspera da decisão do Supremo Tribunal Federal em conceder ou não o Habeas Corpus para o ex-presidente Lula, grupos pediam que o STF não concedesse o HC porque Lula “tinha que ser preso”, pois já havia sido condenado. Apesar do HC ser um quesito legal, o desejo de prisão parecia ser maior que a virtude da lei. O que imperava era a vontade popular, o desejo de ver alguém que aprenderam a detestar, encarcerado. Importava menos o previsto em lei e mais “a voz das ruas”.
Declarações de ministros e ex-ministros do STF engrossaram os manifestos. “Temos que ouvir a voz das ruas”, “o sentimento social”, e “o clamor popular” foram termos utilizados pelos ocupantes da Suprema Corte. Apesar das decisões judiciais não serem pautadas, obviamente, pelas vontades do povo profissionais que interpretam as leis não podem estimular aproximações demasiadas entre “as ruas” e os juízes, como termômetro a medir algum “choque térmico” entre a conclusão dos processos e os anseios sociais amparados pelas paixões e ódios. Uma linha tênue entre a lei e “o certo a ser feito”. Reflexões realizadas no calor dos acontecimentos podem influenciar atos finais moralmente justificáveis. Um receio calcado em posturas utilitaristas.
Essas condutas são visíveis quando qualificam defensores dos Direitos Humanos – que seguem resoluções ratificadas por órgãos internacionais – como “defensores de bandidos”. Isso porque “o pessoal” dos Direitos Humanos defendem medidas previstas em leis e na Constituição Federal. Curioso que muitos dos críticos se referem aos Direitos Humanos como se fosse uma ONG, uma entidade representativa, com CNPJ, sede, funcionários (“o pessoal”) que se reúnem frequentemente em torno de uma grande mesa e passam a discutir políticas de apoio a assassinos, estupradores, e ladrões – uma espécie de “Greenpeace” voltado para meliantes. Com isso, proporcionam reflexões equivocadas sobre como devem ser tratados detentos, como a justiça deve agir com acusados de crime hediondo, ou como nossos policiais devem ser protegidos em autos de resistência ou intervenções repressoras. Tudo para alcançar o bem-estar social e “o certo a ser feito”. E a lei? Que se lasque!! Atos para que o “cidadão de bem” fique protegido das mazelas sociais e que se cumpra a vontade popular acima de qualquer artigo, parágrafo, inciso, ou decreto. Enquanto não se reestrutura o nosso defasado Código Penal, podemos bradar juntos as delicias de um Estado Utilitarista.
https://www.soteroprosa.com/inicio/author/Carlos-Henrique-Cardoso. Acessado em 28/01/2019 (Com adaptação)
"Judicialização é um fenômeno mundial por meio do qual importantes questões políticas, sociais e morais são resolvidas pelo Poder Judiciário ao invés de serem solucionadas pelo poder competente, seja este o Executivo ou o Legislativo.”( Sâmea Luz Mansur)
Ao refletir sobre a situação política do país e sua judicialização, o autor fundamenta-se nos princípios do utilitarismo. Essa teoria social:

