Questões de Concurso Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q1267581 Português

Receita de neurose

Pegam-se quatro idas à cidade todo dia, duas pitadas de monóxido de carbono em cada respirada, sem esquecer da buzinada no trânsito constante.

      Juntam-se um terno e uma gravata, para mulheres um vestido justo e um terninho num salto alto apertando os dedinhos, com 40 graus à sombra. E sem protetor solar. Xingam-se uns 3 motoristas, escutam-se uns seis xingamentos.

      Atravessa-se a avenida, sem correr, de lá pra cá, na hora do rush. Tropeça numa pedra ou enfia-se num buraco e reza pra não ter torcido o pé ou quebrado o salto. Nisso o celular toca, está no fundo da bolsa ou no bolso da calça e depois de ter feito tanto esforço para atender. Era engano ou alguém de casa ligando a cobrar perguntando-se vai demorar muito pra chegar!

      Espera-se uma condução durante duas horas e volta-se pra casa, de preferência em pé, no ônibus cheio. Ou numa Van pirata. Cheia de gente cansada, motorista e trocador estressados. Riocard não passa, o trocador não tem troco a roleta emperra. No corredor, que já não é mais um corredor de tanta agente amontoada, ficamos ali exprimidos pensando:

      -- Como vou sair daqui, pela janela? E sacode pra lá e pra cá, lugar pra sentar? Isso é artigo de luxo. De repente uma freada, pra descansar o sacolejo. Nem dá pra sentir é tanta gente que até amortece. Enfim, de volta ao lar.

      Depois, é só levar ao divã do analista, quatro vezes por semana, durante quinze anos!

      Mas isso se você ganhar na loteria, receber uma herança. Na pior das hipóteses, casar com milionário.

Jô Soares.

Com que objetivo o autor emprega as formas verbais: pegam-se, juntam-se, xingam-se, escutam-se, atravessa-se, espera-se, volta-se. :
Alternativas
Q1267548 Português

      Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos do algodão mais felpudo. Em breve, na penumbra trazida pelas nuvens, escolhia um fio de prata, que em pontos longos rebordava sobre o tecido. Leve, a chuva vinha cumprimentá-la à janela.

      Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza.

Marina Colasanti. Doze reis e a moça no labirinto do vento. 2. Ed. Rio de Janeiro: Nórdica, 1985.

Analise as proposições e assinale a resposta CORRETA:


I – Há uma relação entre o trabalho de tecer realizado pela moça e as condições climáticas.

II – O trabalho da tecelã modifica as condições climáticas.

III – De acordo com o texto, a ação de tecer da moça não interfere diretamente no que acontece com o clima.

Alternativas
Q1267541 Português

Esperança

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano

Vive uma louca chamada Esperança

E ela pensa que quando todas as sirenas

Todas as buzinas

Todos os reco-recos tocarem

Atira-se

E

- ó delicioso voo!

Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,

Outra vez criança...

E em torno dela indagará o povo:

- Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?

E ela lhes dirá

(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)

Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:

- O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

Mário Quintana. Nova antologia poética. 12. Ed. São Paulo: Globo, 2007

Marque ( V ) para verdadeiro ou ( F ) para falso em relação ao poema de Mário Quintana e assinale a sequência CORRETA:


( ) Podemos relacionar a Esperança à época de fim de ano, quando as pessoas costumam ficar mais esperançosas com a chegada de um tempo novo.

( ) No poema, a palavra esperança está personificada.

( ) No texto, a palavra esperança deixa de ser um sentimento e passa a ser uma pessoa.

( ) A última palavra do texto é classificada como proparoxítona.

Alternativas
Q1267540 Português

Esperança

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano

Vive uma louca chamada Esperança

E ela pensa que quando todas as sirenas

Todas as buzinas

Todos os reco-recos tocarem

Atira-se

E

- ó delicioso voo!

Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,

Outra vez criança...

E em torno dela indagará o povo:

- Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?

E ela lhes dirá

(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)

Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:

- O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

Mário Quintana. Nova antologia poética. 12. Ed. São Paulo: Globo, 2007

Analise as proposições abaixo, relacionadas ao poema acima e assinale a alternativa CORRETA:


I – O poema se refere à época de fim de ano, quando por exemplo, o autor compara o mês de dezembro ao “décimo segundo andar do Ano”.

II – Há um erro de separação silábica no último verso do poema, na palavra esperança.

III – No texto, a palavra esperança é um substantivo abstrato.

Alternativas
Ano: 2019 Banca: VUNESP Órgão: ESEF - SP Prova: VUNESP - 2019 - ESEF - SP - Contador |
Q1267003 Português

Leia a tira.

Imagem associada para resolução da questão

(Quino. Toda Mafalda)


É correto afirmar que o efeito de humor, nessa tira, decorre

Alternativas
Ano: 2019 Banca: VUNESP Órgão: ESEF - SP Prova: VUNESP - 2019 - ESEF - SP - Contador |
Q1266998 Português
Leia o texto, para responder a questão.

Ah, os orgulhosos computadores

    A cada dia que passa, os computadores devoram mais tarefas. No início, eram folha de pagamento, contabilidade e estatística. Sucesso estrondoso, por ser mais perfeito, mais barato e eliminar o trabalho monótono. Mas certas tarefas permanecem inatingíveis: devo me casar com a Mariquinha? É resposta que nem mesmo a inteligência artificial consegue dar.
    Para achar imóveis, a internet é imbatível. Mas, buscando um apartamento para alugar, vivi as agruras de uma imobiliária que migrou a burocracia para seus orgulhosos computadores. No meu caso, ela se atrapalhou. São três empresas encadeadas. Onde estão as portas de entrada?
    Foram muitos dias e mais de cinquenta e-mails, esgrimindo com uma informática misteriosa e tripulada por humanos que não usam o dom da voz ou da inteligência. Muito menos o da cortesia. O veredicto foi sumariado pela lapidar frase (via e-mail): “O seu cadastro não foi aprovado, tá?”
    Inovadores pagam o preço dos erros. Mas será que eu também o tenho de pagar? Fui vitimado pela combinação de informática velha – com sites que travam e labirintos misteriosos – com um algoritmo novo que se perdeu na complexidade do meu caso, que não é tanta. Ao reduzir o papel dos humanos, o computador fica à mercê de algum programador simplório, perdido por aí. Pobres das cobaias que sofrem com os titubeios dos computadores.
    Imagino que a empresa do futuro conseguirá manejar situações simples e lidará bem com as suas falhas humanas e informáticas – que se atrapalham entre si. A inteligência artificial avança, pela via de uma longa curva de aprendizado com os humanos. Mas, se os humanos são burros ou bobões, mais tempo isso levará. É a regra do jogo.

(Claudio de Moura Castro. Veja, 16.10.2019. Adaptado)
Assinale a alternativa em que todas as palavras estão empregadas, no contexto, em sentido próprio.
Alternativas
Ano: 2019 Banca: VUNESP Órgão: ESEF - SP Prova: VUNESP - 2019 - ESEF - SP - Contador |
Q1266995 Português
Leia o texto, para responder a questão.

Ah, os orgulhosos computadores

    A cada dia que passa, os computadores devoram mais tarefas. No início, eram folha de pagamento, contabilidade e estatística. Sucesso estrondoso, por ser mais perfeito, mais barato e eliminar o trabalho monótono. Mas certas tarefas permanecem inatingíveis: devo me casar com a Mariquinha? É resposta que nem mesmo a inteligência artificial consegue dar.
    Para achar imóveis, a internet é imbatível. Mas, buscando um apartamento para alugar, vivi as agruras de uma imobiliária que migrou a burocracia para seus orgulhosos computadores. No meu caso, ela se atrapalhou. São três empresas encadeadas. Onde estão as portas de entrada?
    Foram muitos dias e mais de cinquenta e-mails, esgrimindo com uma informática misteriosa e tripulada por humanos que não usam o dom da voz ou da inteligência. Muito menos o da cortesia. O veredicto foi sumariado pela lapidar frase (via e-mail): “O seu cadastro não foi aprovado, tá?”
    Inovadores pagam o preço dos erros. Mas será que eu também o tenho de pagar? Fui vitimado pela combinação de informática velha – com sites que travam e labirintos misteriosos – com um algoritmo novo que se perdeu na complexidade do meu caso, que não é tanta. Ao reduzir o papel dos humanos, o computador fica à mercê de algum programador simplório, perdido por aí. Pobres das cobaias que sofrem com os titubeios dos computadores.
    Imagino que a empresa do futuro conseguirá manejar situações simples e lidará bem com as suas falhas humanas e informáticas – que se atrapalham entre si. A inteligência artificial avança, pela via de uma longa curva de aprendizado com os humanos. Mas, se os humanos são burros ou bobões, mais tempo isso levará. É a regra do jogo.

(Claudio de Moura Castro. Veja, 16.10.2019. Adaptado)
As afirmações do autor, no terceiro parágrafo, caracterizam-se como
Alternativas
Ano: 2019 Banca: VUNESP Órgão: ESEF - SP Prova: VUNESP - 2019 - ESEF - SP - Contador |
Q1266994 Português
Leia o texto, para responder a questão.

Ah, os orgulhosos computadores

    A cada dia que passa, os computadores devoram mais tarefas. No início, eram folha de pagamento, contabilidade e estatística. Sucesso estrondoso, por ser mais perfeito, mais barato e eliminar o trabalho monótono. Mas certas tarefas permanecem inatingíveis: devo me casar com a Mariquinha? É resposta que nem mesmo a inteligência artificial consegue dar.
    Para achar imóveis, a internet é imbatível. Mas, buscando um apartamento para alugar, vivi as agruras de uma imobiliária que migrou a burocracia para seus orgulhosos computadores. No meu caso, ela se atrapalhou. São três empresas encadeadas. Onde estão as portas de entrada?
    Foram muitos dias e mais de cinquenta e-mails, esgrimindo com uma informática misteriosa e tripulada por humanos que não usam o dom da voz ou da inteligência. Muito menos o da cortesia. O veredicto foi sumariado pela lapidar frase (via e-mail): “O seu cadastro não foi aprovado, tá?”
    Inovadores pagam o preço dos erros. Mas será que eu também o tenho de pagar? Fui vitimado pela combinação de informática velha – com sites que travam e labirintos misteriosos – com um algoritmo novo que se perdeu na complexidade do meu caso, que não é tanta. Ao reduzir o papel dos humanos, o computador fica à mercê de algum programador simplório, perdido por aí. Pobres das cobaias que sofrem com os titubeios dos computadores.
    Imagino que a empresa do futuro conseguirá manejar situações simples e lidará bem com as suas falhas humanas e informáticas – que se atrapalham entre si. A inteligência artificial avança, pela via de uma longa curva de aprendizado com os humanos. Mas, se os humanos são burros ou bobões, mais tempo isso levará. É a regra do jogo.

(Claudio de Moura Castro. Veja, 16.10.2019. Adaptado)
É correto afirmar que, do ponto de vista do autor,
Alternativas
Q1260314 Português

Leia os questionamentos de Rojo & Moura (2012, p. 11) a seguir.


“Por que abordar a diversidade cultural e a diversidade de linguagens na escola?;

Há lugar na escola para o plurilinguismo, para a multissemiose e para uma abordagem pluralista das culturas?; e

Por que propor uma pedagogia dos multiletramentos?”


Considere os itens seguintes como respostas a tais perguntas de Rojo & Moura:

I. O conceito de multiletramentos confirma, nas sociedades atuais, a multiplicidade cultural das populações e a multiplicidade semiótica de constituição de textos.

II. A multiculturalidade característica das sociedades globalizadas está, juntamente com a multimodalidade de textos, imbricada no conceito de multiletramento.

III. A multiplicidade de linguagens, modos ou semioses nos textos está presente nos textos impressos, de circulação social, e nas mídias audiovisuais.

IV. O arranjo e a diagramação dos textos contemporâneos são irrelevantes para o que se tem chamado de multimodalidade ou multissemioses, fundadoras dos multiletramentos.


Assinale a alternativa que contém as respostas para as perguntas apresentadas.

Alternativas
Q1260313 Português

Tô ouvindo alguém me chamar

(“Aí mano, o Guina mandou isso aqui pra você”)


Tô ouvindo alguém gritar meu nome

Parece um mano meu, é voz de homem.

Eu não consigo ver quem me chama

É tipo a voz do Guina

Não, não, não, o Guina tá em cana.

Será? Ouvi dizer que morreu

sei lá!


Última vez que eu o vi,

eu lembro até que eu não quis ir, ele foi

Parceria forte aqui era nós dois

Louco, louco, louco e como era [...]


Todo ponta firme, foi professor no crime

Também mó sangue frio, não dava boi pra ninguém

[...]

só moto nervosa

só mina da hora

só roupa da moda

Deu uma pá de blusa pra mim

naquela fita na butique do Itaim

Mas sem essa de sermão, mano, eu também quero ser assim

vida de ladrão não é tão ruim!


Pensei

entrei

no outro assalto eu colei e pronto

aí o Guina deu mó ponto:


- Aí é um assalto, todo mundo pro chão, pro chão...!

- Aí, [...] aqui ninguém tá de brincadeira não!

- Mais eu ofereço o cofre mano, o cofre, o cofre...

- Vamo lá que o bicho vai pegar!


Pela primeira vez vi o sistema aos meus pés

Apavorei, desempenho nota dez

Dinheiro na mão, o cofre já tava aberto

O segurança tentou ser mais esperto

Foi defender o patrimônio do playboy (tiros)

Não vai dar mais pra ser super-herói!


Se o seguro vai cobrir (Ha! Ha!),

[...] e daí ?


O Guina não tinha dó:

se reagir, Bum!, vira pó


Sinto a garganta ressecada

e a minha vida escorrer pela escada

Mas se eu sair daqui eu vou mudar

Eu to ouvindo alguém me chamar

Eu to ouvindo alguém me chamar


Tinha um maluco lá na rua de trás

que tava com moral até demais

Ladrão, e dos bons

especialista em invadir mansão

Comprava brinquedo a reviria

chamava a molecada e distribuía

Sempre que eu via ele tava só

O cara é gente fina mas eu sou melhor

Eu aqui na pior, ele tem o que eu quero:

joia escondida e uma 380

No desbaratino ele até se crescia

se pan, ignorava até que eu existia


Tem um brilho na janela, é então

A bola da vez

tá vendo televisão


(Psiu....Vamo, vai, entrando)

Guina no portão, eu e mais um mano “

- Como é que é neguinho?”

Se dirigia a mim, e ria, ria, como se eu não fosse nada

Ria, como fosse ter virada

Estava em jogo, meu nome e atitude. (tiros)

Era uma vez Robin Hood.

Fulano sangue-ruim, caiu de olho aberto

Tipo me olhando, é, me jurando

Eu tava bem de perto e acertei uns seis

o Guina foi e deu mais três.


Lembro que um dia o Guina me falou

que não sabia bem o que era amor

Falava quando era criança

uma mistura de ódio, frustração e dor

De como era humilhante ir pra escola

usando a roupa dada de esmola

De ter um pai inútil, digno de dó

mais um bêbado, [...] e só.

[...] Todo dia igual

sem feliz aniversário, Páscoa ou Natal

Longe dos cadernos, bem depois

a primeira mulher e o 22

Prestou vestibular no assalto do busão

numa agência bancária se formou ladrão

Não, não se sente mais inferior

Aí neguinho, agora eu tenho o meu valor

Racionais MC’s. Disponível em:<https://www.letras.mus.br/racionais-mcs/63438/> . Acesso em: 05 dez. 2018

Considere os comentários linguístico-gramaticais apresentados nos itens seguintes:


I. O texto faz parte do domínio discursivo interpessoal, uma vez que tem conteúdo temático, estilo e estrutura composicional de uma conversação oral.

II. O texto traz elementos do que preconiza a norma-padrão (como o uso de pronomes oblíquos e reflexivos) mesclados com construções informais características da linguagem de uma classe específica da sociedade (como as expressões “mó”, “tava”, “busão”).

III. O texto retrata a realidade do personagem-autor, que conseguiu superar as dificuldades de uma vida de exclusão (inclusive na escola) e ter sucesso com sua arte.

IV. A presença do pronome sujeito em “Eu to ouvindo alguém me chamar” e sua ausência em “Falava quando era criança uma mistura de ódio, frustração e dor” podem ser exemplos da maior frequência do sujeito nulo na terceira pessoa e sua menor frequência na primeira pessoa.


Estão corretos os itens:

Alternativas
Q1260312 Português

Tô ouvindo alguém me chamar

(“Aí mano, o Guina mandou isso aqui pra você”)


Tô ouvindo alguém gritar meu nome

Parece um mano meu, é voz de homem.

Eu não consigo ver quem me chama

É tipo a voz do Guina

Não, não, não, o Guina tá em cana.

Será? Ouvi dizer que morreu

sei lá!


Última vez que eu o vi,

eu lembro até que eu não quis ir, ele foi

Parceria forte aqui era nós dois

Louco, louco, louco e como era [...]


Todo ponta firme, foi professor no crime

Também mó sangue frio, não dava boi pra ninguém

[...]

só moto nervosa

só mina da hora

só roupa da moda

Deu uma pá de blusa pra mim

naquela fita na butique do Itaim

Mas sem essa de sermão, mano, eu também quero ser assim

vida de ladrão não é tão ruim!


Pensei

entrei

no outro assalto eu colei e pronto

aí o Guina deu mó ponto:


- Aí é um assalto, todo mundo pro chão, pro chão...!

- Aí, [...] aqui ninguém tá de brincadeira não!

- Mais eu ofereço o cofre mano, o cofre, o cofre...

- Vamo lá que o bicho vai pegar!


Pela primeira vez vi o sistema aos meus pés

Apavorei, desempenho nota dez

Dinheiro na mão, o cofre já tava aberto

O segurança tentou ser mais esperto

Foi defender o patrimônio do playboy (tiros)

Não vai dar mais pra ser super-herói!


Se o seguro vai cobrir (Ha! Ha!),

[...] e daí ?


O Guina não tinha dó:

se reagir, Bum!, vira pó


Sinto a garganta ressecada

e a minha vida escorrer pela escada

Mas se eu sair daqui eu vou mudar

Eu to ouvindo alguém me chamar

Eu to ouvindo alguém me chamar


Tinha um maluco lá na rua de trás

que tava com moral até demais

Ladrão, e dos bons

especialista em invadir mansão

Comprava brinquedo a reviria

chamava a molecada e distribuía

Sempre que eu via ele tava só

O cara é gente fina mas eu sou melhor

Eu aqui na pior, ele tem o que eu quero:

joia escondida e uma 380

No desbaratino ele até se crescia

se pan, ignorava até que eu existia


Tem um brilho na janela, é então

A bola da vez

tá vendo televisão


(Psiu....Vamo, vai, entrando)

Guina no portão, eu e mais um mano “

- Como é que é neguinho?”

Se dirigia a mim, e ria, ria, como se eu não fosse nada

Ria, como fosse ter virada

Estava em jogo, meu nome e atitude. (tiros)

Era uma vez Robin Hood.

Fulano sangue-ruim, caiu de olho aberto

Tipo me olhando, é, me jurando

Eu tava bem de perto e acertei uns seis

o Guina foi e deu mais três.


Lembro que um dia o Guina me falou

que não sabia bem o que era amor

Falava quando era criança

uma mistura de ódio, frustração e dor

De como era humilhante ir pra escola

usando a roupa dada de esmola

De ter um pai inútil, digno de dó

mais um bêbado, [...] e só.

[...] Todo dia igual

sem feliz aniversário, Páscoa ou Natal

Longe dos cadernos, bem depois

a primeira mulher e o 22

Prestou vestibular no assalto do busão

numa agência bancária se formou ladrão

Não, não se sente mais inferior

Aí neguinho, agora eu tenho o meu valor

Racionais MC’s. Disponível em:<https://www.letras.mus.br/racionais-mcs/63438/> . Acesso em: 05 dez. 2018

Considere os itens a seguir como justificativas para o trabalho com o texto de Racionais MC’s nas aulas de Língua Portuguesa:


I. O texto apresenta tema possível de ser trabalhado, porque reforça o conhecimento, a elaboração e a consolidação de princípios éticos que norteiam a elaboração de políticas públicas em diferentes áreas, como saúde, educação e cultura.

II. O texto apresenta tema da desigualdade social que pode trazer, nas aulas de Língua Portuguesa, resultados efetivos, uma vez que trata da realidade de sujeitos oriundos de classes menos favorecidas presentes nas escolas.

III. O texto apresenta tema que tem apelo para os alunos de qualquer classe social, mesmo aqueles que pertencem a classes economicamente favorecidas, porque é importante que se discutam formas de preconceito, injustiças e violências sofridas por muitos deles.

IV. O texto apresenta tema com possibilidade de reflexão sobre a condição social de parcela da população, podendo levar à ideia de acolhimento, de respeito às diferenças, considerando ainda a modalidade oral da língua.


Estão corretos os itens:

Alternativas
Q1260311 Português

De acordo com Hoffman: Sucesso e fracasso em termos de aprendizagem parecem ser uma perigosa invenção da escola. E verdadeiramente questionáveis os indicadores desses conceitos que tendem a provocar uma oposição entre as práticas avaliativas e o respeito às crianças e jovens brasileiros no seu direito constitucional à educação. Tornar objetivos, precisos e mensuráveis os indicadores de sucesso e fracasso permanece, ainda, como um dos mais sérios intentos de todas as escolas, que negam a individualidade de cada educando em razão de parâmetros avaliativos perversos e excludentes. (2012, p. 9)


Nessa perspectiva, sobre o tema avaliação e ensino, assinale a alternativa que traz uma afirmação incorreta.

Alternativas
Q1260309 Português

Circuito fechado


Chinelos, vaso, descarga. Pia, sabonete. Água. Escova, creme dental, água, espuma, creme de barbear, pincel, espuma, gilete, água, cortina, sabonete, água fria, água quente, toalha. Creme para cabelo, pente. Cueca, camisa, abotoaduras, calça, meias, sapatos, gravata, paletó. Carteira, níqueis, documentos, caneta, chaves, lenço, relógio, maço de cigarros, caixa de fósforos. Jornal [...]

RAMOS, Ricardo. “Circuito Fechado”. In: MARCUSCHI, Luiz Antônio. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola, 2008, p. 105.

Assinale a alternativa que contém a informação correta sobre os fatores de textualidade presentes no texto.
Alternativas
Q1260308 Português

Considerando as orientações para ensino da Língua Portuguesa de acordo com os documentos oficiais, assinale com V as afirmativas verdadeiras e F as falsas.


( ) Destacam-se as dimensões interacional e discursiva da língua, para serem condição para a plena participação do indivíduo na sociedade.

( ) O ensino dessa disciplina deve-se articular em dois eixos fundamentais: uso da língua oral e reflexão sobre a língua escrita.

( ) Quando do ensino dessa disciplina, deve-se dar atenção aos conteúdos gramaticais, considerando o estudo das classes de palavras e a sintaxe da língua.

( ) Quando do ensino dessa disciplina, as competências em produção textual, de diferentes tipos, gêneros e funções devem ser avaliadas.


Assinale a sequência correta.

Alternativas
Q1260305 Português

De acordo com Castilho (2003), em seu dia a dia o professor de Língua Portuguesa se defronta com três crises distintas, cuja discussão é de fundamental importância para a busca de soluções para renovação do ensino da gramática a partir de uma reflexão sobre a língua falada. (p. 9)


Contemplam adequadamente as crises apontadas pelo autor, exceto:

Alternativas
Q1260031 Português

Lá vem a “profeitura”


      Por alguma razão, quando meninos falávamos (os da minha rua e cercanias) “profeitura”, em vez de prefeitura. Talvez o equívoco tenha sido motivado pelo medo: temíamos a passagem por nossa pracinha de uma caminhonete oficial do município que volta e meia levava nossa bola embora: era proibido jogar futebol ali. Era quando a gente gritava − “olha a profeitura!” − pra ver se ainda dava tempo de sair correndo e salvar nossa bola.

      Logo aprendemos a palavra certa, mas daí não jogávamos mais bola na pracinha, nem tínhamos mais medo da chegada da “profeitura” − esta certamente ficara escondida no porão de algum castelo de monstros, pronta para fazer cumprir a lei, sair rápido da caminhonete e confiscar a bola de moleques teimosos.

      As palavras não valem sempre pelo que são ou dizem, em seu real significado; valem também pela impressão que causam, e muitas só ganham intensidade na boca dos meninos que não conhecem bem todas elas e por isso inventam as que mais os impressionam.

(Dionísio Alvarenga, inédito) 

Talvez o equívoco tenha sido motivado pelo medo... (1° parágrafo)

O equívoco a que se refere o autor do texto

Alternativas
Q1260030 Português

Lá vem a “profeitura”


      Por alguma razão, quando meninos falávamos (os da minha rua e cercanias) “profeitura”, em vez de prefeitura. Talvez o equívoco tenha sido motivado pelo medo: temíamos a passagem por nossa pracinha de uma caminhonete oficial do município que volta e meia levava nossa bola embora: era proibido jogar futebol ali. Era quando a gente gritava − “olha a profeitura!” − pra ver se ainda dava tempo de sair correndo e salvar nossa bola.

      Logo aprendemos a palavra certa, mas daí não jogávamos mais bola na pracinha, nem tínhamos mais medo da chegada da “profeitura” − esta certamente ficara escondida no porão de algum castelo de monstros, pronta para fazer cumprir a lei, sair rápido da caminhonete e confiscar a bola de moleques teimosos.

      As palavras não valem sempre pelo que são ou dizem, em seu real significado; valem também pela impressão que causam, e muitas só ganham intensidade na boca dos meninos que não conhecem bem todas elas e por isso inventam as que mais os impressionam.

(Dionísio Alvarenga, inédito) 

No último parágrafo do texto, conclui-se que as palavras
Alternativas
Q1260026 Português

[Os padrinhos da ciência]


      Estamos vivendo em uma era técnica. Muitas pessoas estão convencidas de que a ciência e a tecnologia encerram as respostas para todas as nossas perguntas. Nós apenas deveríamos deixar os cientistas e os técnicos prosseguirem com seu trabalho, e eles criarão o céu aqui na terra.

      Mas a ciência não é algo que acontece em algum plano moral ou espiritual superior, acima do restante das atividades humanas. Como todas as outras partes da nossa cultura, é definida por interesses econômicos, políticos e religiosos.

       A ciência é uma atividade muito cara. Um biólogo que procura entender o sistema imunológico humano necessita de laboratórios, substâncias químicas e microscópios eletrônicos, sem falar de assistentes de laboratórios. Tudo isso custa dinheiro. Ao longo dos últimos 500 anos, a ciência moderna alcançou maravilhas graças, em grande parte, à disposição de governos, negócios, fundações e doadores privados para destinar bilhões de dólares à pesquisa científica.

(Adaptado de: HARARI, Yuval Noah. Sapiens – Uma breve história da humanidade. Trad. Janaína Marcoantonio. Porto Alegre, LP&M, 2016, p. 281) 

Ao considerar que Estamos vivendo em uma era técnica, o autor do texto associa esse fato
Alternativas
Q1260024 Português

[Aprendizes da alegria]


      Fico comovido toda vez que ouço o finalzinho da canção que o Chico Buarque escreveu para a filha recém-nascida, dizendo ser este o seu melhor desejo: “e que você seja da alegria sempre uma aprendiz”. Haverá coisa maior que se possa desejar?

      A felicidade é voltar a ser criança. As crianças sabem muito bem disto: que o propósito maior da vida é o prazer. Santo Agostinho, de ortodoxia inquestionável, também sabia disso, e dizia que as coisas da vida se dividem em duas classes: coisas para serem usadas e coisas para serem usufruídas. As coisas para serem usadas são aquelas que não são um fim em si mesmas, como uma panela, um violão, um serrote.

      Bom mesmo não é a panela, mas a moqueca que se cozinha nela. Moqueca é objeto de fruição; um pouquinho de felicidade. Bom mesmo não é o violão, mas a música que se toca nele. Pois a música é alegria, objeto de fruição. E bom mesmo não é o serrote, mas a casinha de boneca que se faz com ele, e que faz os olhos da menina brilharem. Felicidade são os olhos da menina...

      O objetivo do trabalho não é a simples função do que constrói: o objetivo do trabalho é o prazer do jardim que se planta, a casa que se constrói ou o livro que se escreve. Pensamos que a felicidade é coisa grande, barulhenta, talvez inalcançável... Ao contrário: é discreta, silenciosa e frágil, como uma bolha de sabão. Ela se vai muito rápido, mas deixa a lição de que se podem soprar muitas outras.

(Adaptado de: ALVES, Rubem. Tempus fugit. São Paulo: Paulus, 1990, p. 41-43, passim) 

Está clara e correta a redação deste livre comentário sobre o texto:
Alternativas
Q1260022 Português

[Aprendizes da alegria]


      Fico comovido toda vez que ouço o finalzinho da canção que o Chico Buarque escreveu para a filha recém-nascida, dizendo ser este o seu melhor desejo: “e que você seja da alegria sempre uma aprendiz”. Haverá coisa maior que se possa desejar?

      A felicidade é voltar a ser criança. As crianças sabem muito bem disto: que o propósito maior da vida é o prazer. Santo Agostinho, de ortodoxia inquestionável, também sabia disso, e dizia que as coisas da vida se dividem em duas classes: coisas para serem usadas e coisas para serem usufruídas. As coisas para serem usadas são aquelas que não são um fim em si mesmas, como uma panela, um violão, um serrote.

      Bom mesmo não é a panela, mas a moqueca que se cozinha nela. Moqueca é objeto de fruição; um pouquinho de felicidade. Bom mesmo não é o violão, mas a música que se toca nele. Pois a música é alegria, objeto de fruição. E bom mesmo não é o serrote, mas a casinha de boneca que se faz com ele, e que faz os olhos da menina brilharem. Felicidade são os olhos da menina...

      O objetivo do trabalho não é a simples função do que constrói: o objetivo do trabalho é o prazer do jardim que se planta, a casa que se constrói ou o livro que se escreve. Pensamos que a felicidade é coisa grande, barulhenta, talvez inalcançável... Ao contrário: é discreta, silenciosa e frágil, como uma bolha de sabão. Ela se vai muito rápido, mas deixa a lição de que se podem soprar muitas outras.

(Adaptado de: ALVES, Rubem. Tempus fugit. São Paulo: Paulus, 1990, p. 41-43, passim) 

No último parágrafo do texto, a valorização do trabalho
Alternativas
Respostas
21661: B
21662: A
21663: B
21664: D
21665: A
21666: C
21667: E
21668: D
21669: C
21670: C
21671: D
21672: C
21673: B
21674: A
21675: A
21676: D
21677: C
21678: D
21679: B
21680: A