Questões de Concurso Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q1174822 Português
Leia o texto abaixo para responder á questão .



O que você pode (e deve) fazer para comer menos açúcar

    “Agora vai! Segunda-feira eu começo a comer mais saudável no café da manhã, no almoço e até na sobremesa”. Quem nunca bolou esse plano e, pelo menos por um tempo, o colocou em prática? A atitude, sem dúvida, é legítima – e necessária. O problema é quando as trocas alimentares não compensam tanto.

    Como assim? Muitos dos produtos que você compra no mercado acreditando ser saudáveis são, na verdade, tão cheios de açúcar e conservantes quanto aquele seu biscoito recheado favorito ou até refrigerantes.
     
    Pesquisadores da Universidade de Leeds, no Reino Unido, fizeram esse teste com 921 iogurtes vendidos em supermercados e publicaram seus (preocupantes) achados em setembro deste ano no respeitado periódico.
       
    Os testes mostraram que o teor de açúcar ultrapassa o limite recomendado no país de 5 g do ingrediente doce para 100 g da porção total – a média ficou em 13 g de açúcar em 100 g. Para ter ideia, um cubinho de açúcar puro pesa em torno de 4 g, o equivalente a uma colher de chá.

    Por aqui, a realidade é parecida. “Iogurtes de fruta, por exemplo, costumam ser adoçados com xarope de glicose ou frutose, que aumenta muito o teor de açúcar”, diz a nutricionista Gabriela Cilla, da Clínica NutriCilla, em São Paulo. Um potinho de iogurte natural tem, em média, 3,2 g de carboidrato (grupo do qual fazem parte os açúcares, sejam eles naturais do alimento, sejam aqueles adicionados durante a fabricação). Já um iogurte sabor morango tem cinco vezes mais: 16 g.

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que menos de 10% do total de carboidratos que consumimos em um dia sejam açúcares. No caso de crianças ou pessoas que precisam perder peso, essa taxa deve ser menor do que 5%, segundo a OMS.

    Já a Pirâmide Alimentar Brasileira estabelece que a ingestão de doces seja limitada a apenas uma porção diária. Isso dá, por exemplo, uma fatia de pudim de leite condensado, quatro quadradinhos de chocolate ao leite ou dois biscoitos recheados.
       
    Mas nós extrapolamos (e muito) esse limite. Os brasileiros consomem 50% a mais de açúcar do que a OMS preconiza. Por aqui, cada cidadão come, em média, 18 colheres de chá do ingrediente doce por dia, sendo que o indicado são, no máximo, 12.

    A ingestão exagerada de açúcar está associada a problemas como obesidade, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica, que acontece quando a pessoa acumula males como hipertensão, colesterol alto e excesso de peso. A longo prazo, essas condições aumentam o risco principalmente de doenças cardiovasculares.

De olho no rótulo – e nos carboidratos

     Um produto é considerado com baixo teor de açúcar quando tem até 5 g desse ingrediente. Só que o item não costuma vir discriminado no rótulo, e você pode cair na cilada de comprar algo achando que é saudável, quando, na verdade, não é bem assim.

     Daí a importância de ficar de olho na quantidade de carboidrato – que, além de embutir os açúcares, vira glicose no fim do processo de digestão. Num produto industrializado, o teor de carboidrato é considerado alto quando ele ultrapassa dois terços da porção total.

    Mas isso também depende da composição nutricional do alimento como um todo. Se ele tiver uma boa dose de fibras ou proteína, o Índice Glicêmico (IG) será menor. Ou seja: haverá uma redução na velocidade com que o carboidrato vira glicose no sangue.

    Você não precisa deixar de comer os doces que tanto ama. O segredo está em ter uma alimentação equilibrada e, sempre que possível, priorizar sobremesas feitas com açúcar natural, que é melhor absorvido pelo nosso organismo. Vale o cristal, o demerara, o mascavo, o de coco. Se preferir adoçantes, opte pelos naturais (xilitol, eritritol, maltitol) e evite os de base química, como stévia, aspartame e maltodextrina.

(Luiza Monteiro. Revista Superinteressante, 14.11.2018. Adaptado).
Em relação aos produtos, a reportagem afirma que
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Q1174821 Português
Leia o texto abaixo para responder á questão .



O que você pode (e deve) fazer para comer menos açúcar

    “Agora vai! Segunda-feira eu começo a comer mais saudável no café da manhã, no almoço e até na sobremesa”. Quem nunca bolou esse plano e, pelo menos por um tempo, o colocou em prática? A atitude, sem dúvida, é legítima – e necessária. O problema é quando as trocas alimentares não compensam tanto.

    Como assim? Muitos dos produtos que você compra no mercado acreditando ser saudáveis são, na verdade, tão cheios de açúcar e conservantes quanto aquele seu biscoito recheado favorito ou até refrigerantes.
     
    Pesquisadores da Universidade de Leeds, no Reino Unido, fizeram esse teste com 921 iogurtes vendidos em supermercados e publicaram seus (preocupantes) achados em setembro deste ano no respeitado periódico.
       
    Os testes mostraram que o teor de açúcar ultrapassa o limite recomendado no país de 5 g do ingrediente doce para 100 g da porção total – a média ficou em 13 g de açúcar em 100 g. Para ter ideia, um cubinho de açúcar puro pesa em torno de 4 g, o equivalente a uma colher de chá.

    Por aqui, a realidade é parecida. “Iogurtes de fruta, por exemplo, costumam ser adoçados com xarope de glicose ou frutose, que aumenta muito o teor de açúcar”, diz a nutricionista Gabriela Cilla, da Clínica NutriCilla, em São Paulo. Um potinho de iogurte natural tem, em média, 3,2 g de carboidrato (grupo do qual fazem parte os açúcares, sejam eles naturais do alimento, sejam aqueles adicionados durante a fabricação). Já um iogurte sabor morango tem cinco vezes mais: 16 g.

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que menos de 10% do total de carboidratos que consumimos em um dia sejam açúcares. No caso de crianças ou pessoas que precisam perder peso, essa taxa deve ser menor do que 5%, segundo a OMS.

    Já a Pirâmide Alimentar Brasileira estabelece que a ingestão de doces seja limitada a apenas uma porção diária. Isso dá, por exemplo, uma fatia de pudim de leite condensado, quatro quadradinhos de chocolate ao leite ou dois biscoitos recheados.
       
    Mas nós extrapolamos (e muito) esse limite. Os brasileiros consomem 50% a mais de açúcar do que a OMS preconiza. Por aqui, cada cidadão come, em média, 18 colheres de chá do ingrediente doce por dia, sendo que o indicado são, no máximo, 12.

    A ingestão exagerada de açúcar está associada a problemas como obesidade, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica, que acontece quando a pessoa acumula males como hipertensão, colesterol alto e excesso de peso. A longo prazo, essas condições aumentam o risco principalmente de doenças cardiovasculares.

De olho no rótulo – e nos carboidratos

     Um produto é considerado com baixo teor de açúcar quando tem até 5 g desse ingrediente. Só que o item não costuma vir discriminado no rótulo, e você pode cair na cilada de comprar algo achando que é saudável, quando, na verdade, não é bem assim.

     Daí a importância de ficar de olho na quantidade de carboidrato – que, além de embutir os açúcares, vira glicose no fim do processo de digestão. Num produto industrializado, o teor de carboidrato é considerado alto quando ele ultrapassa dois terços da porção total.

    Mas isso também depende da composição nutricional do alimento como um todo. Se ele tiver uma boa dose de fibras ou proteína, o Índice Glicêmico (IG) será menor. Ou seja: haverá uma redução na velocidade com que o carboidrato vira glicose no sangue.

    Você não precisa deixar de comer os doces que tanto ama. O segredo está em ter uma alimentação equilibrada e, sempre que possível, priorizar sobremesas feitas com açúcar natural, que é melhor absorvido pelo nosso organismo. Vale o cristal, o demerara, o mascavo, o de coco. Se preferir adoçantes, opte pelos naturais (xilitol, eritritol, maltitol) e evite os de base química, como stévia, aspartame e maltodextrina.

(Luiza Monteiro. Revista Superinteressante, 14.11.2018. Adaptado).
De acordo com a reportagem, a quantidade de açúcar contida em alimentos industrializados pode ser verificada pelo(a)
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Q1174743 Português
Leia o texto para responder a questão.


Trecho do livro Grande Sertão Veredas
João Guimarães Rosa


(...) De primeiro, eu fazia e mexia, e pensar não pensava. Não possuía os prazos. Vivi puxando difícil de difícel, peixe vivo no moquém: quem mói no asp'ro não fantasêia. Mas, agora, feita a folga que me vem, e sem pequenos desassossegos, estou de range rede. E me inventei neste gosto de especular ideia. O diabo existe e não existe? Dou o dito. Abrenúncio. Essas melancolias. O senhor vê: existe cachoeira; e pois? Mas cachoeira é barranco de chão, e água se caindo por ele, retombando; o senhor consome essa água, ou desfaz o barranco, sobra cachoeira alguma? Viver é negócio muito perigoso...
Explico ao senhor: o diabo vige dentro do homem, os crespos do homem – ou é o homem dos avessos. Solto, por si cidadão, é que não tem diabo nenhum. Nenhum! – é o que digo. O senhor aprova? Me declare tudo, franco – é alta mercê que me faz: e pedir posso encarecido. Este caso – por estúrdio que me vejam – é de minha certa importância. Tomara não fosse... Mas, não diga que o senhor, assisado e instruído, acredita na pessoa dele?! Não? Lhe agradeço! Sua alta opinião compõe minha valia.
Já sabia, esperava por ela – já o campo! Ah, a gente, na velhice, carece de ter sua aragem de descanso. Lhe agradeço. Tem diabo nenhum. Nem espírito. Nunca vi. Alguém devia de ver, então era eu mesmo, este vosso servidor. Fosse lhe contar... Bem, o diabo regula seu estado preto, nas criaturas, nas mulheres, nos homens. Até: nas crianças – eu digo. Pois é ditado: “menino – trem do diabo”? E nos usos, nas plantas, nas águas, nas terras, no vento... Estrumes... O diabo na rua, no meio do redemundo...
Hem? Hem? Ah. Figuração minha, de pior pra trás, as certas lembranças. Mal haja-me! Sofro-me pena de contar não... Melhor, se arrepare: pois, num chão, e com igual formato de ramos e folhas, não dá mandioca mansa, que se come comum, e a mandiocabrava, que mata? Agora, o senhor já viu azangada – motivos não sei; às vezes se diz que é replantada no terreno sempre, com mudas seguidas de manaíbas – vai em amargando, de tanto em tanto, de si mesmo toma peçonhas. E, ora veja: a outra, a mandiocabrava, também é que às vezes que fica mansa, a esmo, de se comer sem nenhum mal. E que é isso? Eh, o senhor que já viu, por ver, a feiura de ódio franzido, carantonho, nas faces duma cobra cascavel? Observou o porco gordo, cada dia mais feliz bruto, capaz de, pudesse, roncar e engolir por sua comodidade o mundo todo? E gavião, corvo, alguns, as feições deles já representam a precisão de talhar para adiante, rasgar e estraçalhar a bico, parece uma quicé muito afiada por ruim desejo. Tudo. Tem até tortas raças de pedras, horrorosas, venenosas – que estragam mortal a água, se estão jazendo em fundo de poço; o diabo dentro delas dorme: são o demo. Se sabe? E o demo – que é só assim o significado dum azougue maligno – tem ordem de seguir o caminho dele, tem licença para campear?! Arre, ele está misturado em tudo.
Que gasta, vai gastando o diabo de dentro da gente, aos pouquinhos, é o razoável sofrer. E a alegria de amor - compadre meu Quelemém, diz. Família. Deveras? É, e não é. O senhor ache e não ache. Tudo é e não é... Quase todo mais grave criminoso feroz, sempre é muito bom marido, bom filho, bom pai, e é bom amigo-de-seus-amigos! Sei desses. Só que tem os depois - e Deus, junto. Vi muitas nuvens.
No fragmento “E o demo – que é só assim o significado dum azougue maligno – tem ordem de seguir o caminho dele, tem licença para campear?!” Os pontos (?!) no final dessa construção foram utilizados para criar um efeito de sentido que 
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Q1174582 Português

Leia o texto a seguir.


Imagem associada para resolução da questão

Disponível em: <https://tinyurl.com/y3pyyt4z>. Acesso em 25 abr. 2019.



Sobre os elementos que compõem o sentido dessa charge, analise as afirmativas a seguir.


I. A partir da análise dos elementos presentes na charge, é possível perceber uma crítica favorável à redução da maioridade penal.

II. A charge critica a cultura armamentista brasileira, presente, por exemplo, em clubes de tiro como o representado nesse texto.

III. Analisando os elementos verbais e não verbais da charge, é possível depreender duas possibilidades de sentido para a frase “reduz pra 16!”.


Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s)

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Q1174578 Português
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.

Algoritmos podem enviesar internet, alertam especialistas

Era para ser uma noite diferente. O rapaz chegou em casa, pegou um pedaço de pizza e correu para a frente da TV para assistir a uma comédia no seu serviço de streaming favorito. Mas, poucos minutos depois, lá estava ele assistindo a outro filme de ação, como em todas as noites anteriores. Seria só uma coincidência? Na verdade, é mais um triunfo de uma sequência de linhas de código, repleta de complexos cálculos matemáticos, que é chamada de algoritmo. Eles viraram o núcleo dos serviços digitais na última década.

Embora a vida tenha ficado mais fácil desde que eles apareceram – basta lembrar de como era pesquisar sobre qualquer assunto sem o Google –, há indícios de que esses softwares não sejam tão neutros e inofensivos quanto parecem.

“Os algoritmos têm um grande papel nas escolhas das pessoas hoje em dia”, diz o professor de Ciências da Computação da Universidade de Washington, Pedro Domingos. “Eles determinam o que vemos no Google, escolhem três quartos dos filmes assistidos no Netflix e sugerem um terço de tudo o que é comprado na Amazon.”

Isso não seria um grande problema, se todo mundo soubesse como os algoritmos funcionam e que, dependendo de quem o desenvolveu, eles podem apresentar resultados enviesados. Contudo, hoje eles são como segredos industriais. “Os algoritmos são feitos para beneficiar quem está por trás deles”, alertou, em entrevista ao Estado, a matemática norte-americana Cathy O’Neil, autora do livro Weapons of Math Destruction (Armas de Destruição Matemática, em tradução livre). “Eles têm sido usados para separar vencedores de perdedores na internet.”

Viés

Nos Estados Unidos, os exemplos de algoritmos “viciados” se acumulam. Em 2016, a agência de notícias Bloomberg revelou que a Amazon não entregava produtos no mesmo dia em bairros predominantemente negros. A empresa negou que seu algoritmo levasse em conta a raça dos clientes.

Outro caso envolve o uso da tecnologia por juízes norte-americanos para determinar penas. Uma investigação da organização sem fins lucrativos ProPublica mostrou que negros tinham o dobro de chances de receberem uma pena mais longa que brancos. Há também casos de sites de emprego que não mostram vagas com altos salários para mulheres e de financeiras que cobram taxas mais altas de quem mora na periferia.

“Os algoritmos aprendem com os dados que são oferecidos a ele”, explica Júlio Monteiro, doutorando em Ciências da Computação na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). “Se quem está por trás é preconceituoso, ele pode manter esse perfil.” 

Para o professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Fábio Malini, o uso intensivo de algoritmos prejudica a sociedade, pois limita o acesso à web. “A regulação algorítmica melhora a democracia? Acredito que não”, defende o pesquisador. “É o acesso pleno a todos os conteúdos da rede que me ajuda a ampliar os pontos de vista.” Essa curadoria automatizada é o que tem provocado o “efeito bolha” nas redes sociais, em que as pessoas só veem conteúdos que reforçam suas crenças.

Solução

Especialistas consultados são unânimes em defender que é preciso criar órgãos independentes para auditar os algoritmos. “Imagino um futuro em que decisões são tomadas por eles”, diz Cathy. “Mas é preciso poder pedir explicações.”

Por enquanto, esse tipo de garantia só está prevista na União Europeia, onde o Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR) deve entrar em vigor em maio de 2018. A nova lei, que representa a maior mudança na área de privacidade online em 20 anos, prevê que cidadãos possam exigir explicações às empresas por trás dos algoritmos.

Apesar de apresentarem riscos, esses programas são considerados um mal necessário no mundo digital. “Antes, a TV decidia o que veríamos, mas na internet passamos a escolher livremente o que consumir”, diz Edney Souza, professor da ESPM. “A maioria não estava pronta para este salto. O algoritmo está no meio do caminho.” [...]
Disponível em: <encurtador.com.br/tuGH0>.
Acesso em: 23 abr. 2019.
A respeito das estratégias de convencimento utilizadas pelo autor do texto, é incorreto afirmar:
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Q1174577 Português
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.

Algoritmos podem enviesar internet, alertam especialistas

Era para ser uma noite diferente. O rapaz chegou em casa, pegou um pedaço de pizza e correu para a frente da TV para assistir a uma comédia no seu serviço de streaming favorito. Mas, poucos minutos depois, lá estava ele assistindo a outro filme de ação, como em todas as noites anteriores. Seria só uma coincidência? Na verdade, é mais um triunfo de uma sequência de linhas de código, repleta de complexos cálculos matemáticos, que é chamada de algoritmo. Eles viraram o núcleo dos serviços digitais na última década.

Embora a vida tenha ficado mais fácil desde que eles apareceram – basta lembrar de como era pesquisar sobre qualquer assunto sem o Google –, há indícios de que esses softwares não sejam tão neutros e inofensivos quanto parecem.

“Os algoritmos têm um grande papel nas escolhas das pessoas hoje em dia”, diz o professor de Ciências da Computação da Universidade de Washington, Pedro Domingos. “Eles determinam o que vemos no Google, escolhem três quartos dos filmes assistidos no Netflix e sugerem um terço de tudo o que é comprado na Amazon.”

Isso não seria um grande problema, se todo mundo soubesse como os algoritmos funcionam e que, dependendo de quem o desenvolveu, eles podem apresentar resultados enviesados. Contudo, hoje eles são como segredos industriais. “Os algoritmos são feitos para beneficiar quem está por trás deles”, alertou, em entrevista ao Estado, a matemática norte-americana Cathy O’Neil, autora do livro Weapons of Math Destruction (Armas de Destruição Matemática, em tradução livre). “Eles têm sido usados para separar vencedores de perdedores na internet.”

Viés

Nos Estados Unidos, os exemplos de algoritmos “viciados” se acumulam. Em 2016, a agência de notícias Bloomberg revelou que a Amazon não entregava produtos no mesmo dia em bairros predominantemente negros. A empresa negou que seu algoritmo levasse em conta a raça dos clientes.

Outro caso envolve o uso da tecnologia por juízes norte-americanos para determinar penas. Uma investigação da organização sem fins lucrativos ProPublica mostrou que negros tinham o dobro de chances de receberem uma pena mais longa que brancos. Há também casos de sites de emprego que não mostram vagas com altos salários para mulheres e de financeiras que cobram taxas mais altas de quem mora na periferia.

“Os algoritmos aprendem com os dados que são oferecidos a ele”, explica Júlio Monteiro, doutorando em Ciências da Computação na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). “Se quem está por trás é preconceituoso, ele pode manter esse perfil.” 

Para o professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Fábio Malini, o uso intensivo de algoritmos prejudica a sociedade, pois limita o acesso à web. “A regulação algorítmica melhora a democracia? Acredito que não”, defende o pesquisador. “É o acesso pleno a todos os conteúdos da rede que me ajuda a ampliar os pontos de vista.” Essa curadoria automatizada é o que tem provocado o “efeito bolha” nas redes sociais, em que as pessoas só veem conteúdos que reforçam suas crenças.

Solução

Especialistas consultados são unânimes em defender que é preciso criar órgãos independentes para auditar os algoritmos. “Imagino um futuro em que decisões são tomadas por eles”, diz Cathy. “Mas é preciso poder pedir explicações.”

Por enquanto, esse tipo de garantia só está prevista na União Europeia, onde o Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR) deve entrar em vigor em maio de 2018. A nova lei, que representa a maior mudança na área de privacidade online em 20 anos, prevê que cidadãos possam exigir explicações às empresas por trás dos algoritmos.

Apesar de apresentarem riscos, esses programas são considerados um mal necessário no mundo digital. “Antes, a TV decidia o que veríamos, mas na internet passamos a escolher livremente o que consumir”, diz Edney Souza, professor da ESPM. “A maioria não estava pronta para este salto. O algoritmo está no meio do caminho.” [...]
Disponível em: <encurtador.com.br/tuGH0>.
Acesso em: 23 abr. 2019.
De acordo com o que o texto expressa, é correto afirmar que os algoritmos
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Q1174398 Português

Leia o texto abaixo para responder à questão.

Cresce número de brasileiros que acessam internet pela TV

    O celular é o principal meio de acesso dos brasileiros à internet. Entre 2016 e 2017, o porcentual de pessoas que utilizavam o dispositivo para entrar na rede subiu de 94,6% para 97%, segundo pesquisa divulgada nesta quinta-feira 20 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    A presença do celular aumentou nos lares brasileiros de 92,6% para 93,2%. No período, a proporção de casas com telefone fixo caiu de 33,6% para 31,5%.

    Um dos destaques verificados pela pesquisa foi o aumento do uso de TVs para entrar no mundo digital: atualmente, 16,3% dos brasileiros se conectam à internet a partir do equipamento, um avanço de 5% em relação a 2016.

    Já os computadores registraram uma queda de uso, segundo o IBGE. Em 2016, 63,7% dos brasileiros utilizavam o equipamento para acessar a internet. No ano seguinte, o porcentual caiu para 56,6%.

    O IBGE também registrou uma alta no número de domicílios com acesso à internet. Em 2017, 74,9% dos lares brasileiros tinham acesso ao recurso. No ano anterior, eram 69,3%. Entre as pessoas que não acessaram a internet no período da pesquisa, a falta de interesse (34,9%) foi a principal justificativa entre moradores de áreas rurais e urbanas.

    Em um ano, o número de usuários de internet no Brasil cresceu em mais de 10 milhões de pessoas. Em 2016, 116,1 milhões podiam conectar-se. O número foi para 126,3 milhões em 2017. Hoje, 69,8% da população brasileira tem acesso à internet.

    O grupo de idosos foi o que mais registrou aumento percentual de novos usuários. Entre 2016 e 2017, o número foi de 24,7% para 31,1%. Mesmo assim, jovens da faixa etária de 20 a 24 anos são os que mais têm acesso à internet (88,4%).

Atividades online

    O que é que as pessoas tanto fazem na internet? A comunicação por aplicativos parece ser a principal motivação. De acordo com a pesquisa, a maioria dos usuários (95,5%) diz que “enviar ou receber mensagens de texto, voz ou imagens por aplicativos diferentes de e-mail” é sua principal atividade no mundo digital. A modalidade que apresentou maior aumento foi a de “conversar por chamada de voz ou vídeo”, que passou de 73,3% para 83,8% entre 2016 e 2017.

    As pessoas também estão usando cada vez mais a internet para “assistir a vídeos, inclusive programas, séries e filmes”, de acordo com o IBGE. No período da pesquisa, o percentual saltou de 76,4% para 81,8%. No lado oposto, enviar e receber e-mails foi a única atividade mapeada pelo IBGE que apresentou um recuo entre 2016 (69,3%) e 2017 (66,1%).

    A internet banda larga fixa está presente em 82,9% dos lares brasileiros, e a banda larga móvel em 78,3%. A parcela da população que usa conexão discada é mínima, de 0,6% em 2017.

    Nos lares brasileiros com aparelhos de televisão, 79,8% tinham conversor (integrado ou adaptado) para receber o sinal digital de televisão aberta. A parcela dos que não tinham nenhuma condição de acesso ao sinal digital (conversor, antena parabólica ou televisão por assinatura) caiu de 10,3% (2016) para 6,2% (2017).

(Revista Veja. 20.12.2018. Adaptado).




Segundo a reportagem, a razão mais apontada para que as pessoas não tenham se conectado à internet em 2017 foi o
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Q1174397 Português

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Cresce número de brasileiros que acessam internet pela TV

    O celular é o principal meio de acesso dos brasileiros à internet. Entre 2016 e 2017, o porcentual de pessoas que utilizavam o dispositivo para entrar na rede subiu de 94,6% para 97%, segundo pesquisa divulgada nesta quinta-feira 20 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    A presença do celular aumentou nos lares brasileiros de 92,6% para 93,2%. No período, a proporção de casas com telefone fixo caiu de 33,6% para 31,5%.

    Um dos destaques verificados pela pesquisa foi o aumento do uso de TVs para entrar no mundo digital: atualmente, 16,3% dos brasileiros se conectam à internet a partir do equipamento, um avanço de 5% em relação a 2016.

    Já os computadores registraram uma queda de uso, segundo o IBGE. Em 2016, 63,7% dos brasileiros utilizavam o equipamento para acessar a internet. No ano seguinte, o porcentual caiu para 56,6%.

    O IBGE também registrou uma alta no número de domicílios com acesso à internet. Em 2017, 74,9% dos lares brasileiros tinham acesso ao recurso. No ano anterior, eram 69,3%. Entre as pessoas que não acessaram a internet no período da pesquisa, a falta de interesse (34,9%) foi a principal justificativa entre moradores de áreas rurais e urbanas.

    Em um ano, o número de usuários de internet no Brasil cresceu em mais de 10 milhões de pessoas. Em 2016, 116,1 milhões podiam conectar-se. O número foi para 126,3 milhões em 2017. Hoje, 69,8% da população brasileira tem acesso à internet.

    O grupo de idosos foi o que mais registrou aumento percentual de novos usuários. Entre 2016 e 2017, o número foi de 24,7% para 31,1%. Mesmo assim, jovens da faixa etária de 20 a 24 anos são os que mais têm acesso à internet (88,4%).

Atividades online

    O que é que as pessoas tanto fazem na internet? A comunicação por aplicativos parece ser a principal motivação. De acordo com a pesquisa, a maioria dos usuários (95,5%) diz que “enviar ou receber mensagens de texto, voz ou imagens por aplicativos diferentes de e-mail” é sua principal atividade no mundo digital. A modalidade que apresentou maior aumento foi a de “conversar por chamada de voz ou vídeo”, que passou de 73,3% para 83,8% entre 2016 e 2017.

    As pessoas também estão usando cada vez mais a internet para “assistir a vídeos, inclusive programas, séries e filmes”, de acordo com o IBGE. No período da pesquisa, o percentual saltou de 76,4% para 81,8%. No lado oposto, enviar e receber e-mails foi a única atividade mapeada pelo IBGE que apresentou um recuo entre 2016 (69,3%) e 2017 (66,1%).

    A internet banda larga fixa está presente em 82,9% dos lares brasileiros, e a banda larga móvel em 78,3%. A parcela da população que usa conexão discada é mínima, de 0,6% em 2017.

    Nos lares brasileiros com aparelhos de televisão, 79,8% tinham conversor (integrado ou adaptado) para receber o sinal digital de televisão aberta. A parcela dos que não tinham nenhuma condição de acesso ao sinal digital (conversor, antena parabólica ou televisão por assinatura) caiu de 10,3% (2016) para 6,2% (2017).

(Revista Veja. 20.12.2018. Adaptado).




Entre todos os aparelhos citados pela reportagem, o que foi menos procurado pelos brasileiros para se conectar à internet é o(a)
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Q1174396 Português

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Cresce número de brasileiros que acessam internet pela TV

    O celular é o principal meio de acesso dos brasileiros à internet. Entre 2016 e 2017, o porcentual de pessoas que utilizavam o dispositivo para entrar na rede subiu de 94,6% para 97%, segundo pesquisa divulgada nesta quinta-feira 20 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    A presença do celular aumentou nos lares brasileiros de 92,6% para 93,2%. No período, a proporção de casas com telefone fixo caiu de 33,6% para 31,5%.

    Um dos destaques verificados pela pesquisa foi o aumento do uso de TVs para entrar no mundo digital: atualmente, 16,3% dos brasileiros se conectam à internet a partir do equipamento, um avanço de 5% em relação a 2016.

    Já os computadores registraram uma queda de uso, segundo o IBGE. Em 2016, 63,7% dos brasileiros utilizavam o equipamento para acessar a internet. No ano seguinte, o porcentual caiu para 56,6%.

    O IBGE também registrou uma alta no número de domicílios com acesso à internet. Em 2017, 74,9% dos lares brasileiros tinham acesso ao recurso. No ano anterior, eram 69,3%. Entre as pessoas que não acessaram a internet no período da pesquisa, a falta de interesse (34,9%) foi a principal justificativa entre moradores de áreas rurais e urbanas.

    Em um ano, o número de usuários de internet no Brasil cresceu em mais de 10 milhões de pessoas. Em 2016, 116,1 milhões podiam conectar-se. O número foi para 126,3 milhões em 2017. Hoje, 69,8% da população brasileira tem acesso à internet.

    O grupo de idosos foi o que mais registrou aumento percentual de novos usuários. Entre 2016 e 2017, o número foi de 24,7% para 31,1%. Mesmo assim, jovens da faixa etária de 20 a 24 anos são os que mais têm acesso à internet (88,4%).

Atividades online

    O que é que as pessoas tanto fazem na internet? A comunicação por aplicativos parece ser a principal motivação. De acordo com a pesquisa, a maioria dos usuários (95,5%) diz que “enviar ou receber mensagens de texto, voz ou imagens por aplicativos diferentes de e-mail” é sua principal atividade no mundo digital. A modalidade que apresentou maior aumento foi a de “conversar por chamada de voz ou vídeo”, que passou de 73,3% para 83,8% entre 2016 e 2017.

    As pessoas também estão usando cada vez mais a internet para “assistir a vídeos, inclusive programas, séries e filmes”, de acordo com o IBGE. No período da pesquisa, o percentual saltou de 76,4% para 81,8%. No lado oposto, enviar e receber e-mails foi a única atividade mapeada pelo IBGE que apresentou um recuo entre 2016 (69,3%) e 2017 (66,1%).

    A internet banda larga fixa está presente em 82,9% dos lares brasileiros, e a banda larga móvel em 78,3%. A parcela da população que usa conexão discada é mínima, de 0,6% em 2017.

    Nos lares brasileiros com aparelhos de televisão, 79,8% tinham conversor (integrado ou adaptado) para receber o sinal digital de televisão aberta. A parcela dos que não tinham nenhuma condição de acesso ao sinal digital (conversor, antena parabólica ou televisão por assinatura) caiu de 10,3% (2016) para 6,2% (2017).

(Revista Veja. 20.12.2018. Adaptado).




De acordo com a reportagem, dentre todas as atividades possíveis na internet,
Alternativas
Q1173990 Português
QUADRILHA 

Carlos Drummond de Andrade 


João amava Teresa que amava Raimundo  que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili 
que não amava ninguém. 
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,  Raimundo morreu de desastre, Maria ficou pra tia, 
Joaquim suicidou‐se e Lili casou com J. Pinto Fernandes 
que não tinha entrado na história. 


Quanto  à  compreensão  do  poema  acima,  julgue  o  item. 
Infere‐se do poema que o autor não acredita no amor romântico e enxerga o casamento com uma instituição social ligada a status e ao aspecto financeiro.
Alternativas
Q1173988 Português
QUADRILHA 

Carlos Drummond de Andrade 


João amava Teresa que amava Raimundo  que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili 
que não amava ninguém. 
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,  Raimundo morreu de desastre, Maria ficou pra tia, 
Joaquim suicidou‐se e Lili casou com J. Pinto Fernandes 
que não tinha entrado na história. 


Quanto  à  compreensão  do  poema  acima,  julgue  o  item. 
No poema, a única personagem que se casou foi a que não amava ninguém.
Alternativas
Q1173987 Português
QUADRILHA 

Carlos Drummond de Andrade 


João amava Teresa que amava Raimundo  que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili 
que não amava ninguém. 
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,  Raimundo morreu de desastre, Maria ficou pra tia, 
Joaquim suicidou‐se e Lili casou com J. Pinto Fernandes 
que não tinha entrado na história. 


Quanto  à  compreensão  do  poema  acima,  julgue  o  item. 
No trecho “Maria ficou pra tia”, o autor tem a intenção de dizer que uma irmã de Maria se tornou mãe, fazendo dela tia.
Alternativas
Q1173986 Português
QUADRILHA 

Carlos Drummond de Andrade 


João amava Teresa que amava Raimundo  que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili 
que não amava ninguém. 
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,  Raimundo morreu de desastre, Maria ficou pra tia, 
Joaquim suicidou‐se e Lili casou com J. Pinto Fernandes 
que não tinha entrado na história. 


Quanto  à  compreensão  do  poema  acima,  julgue  o  item. 
É correto afirmar que Teresa virou freira, embora João a amasse.
Alternativas
Q1173979 Português

Internet:<https://www.pinterest.pt>.


Com base na tirinha da Mafalda e nos aspectos linguísticos e  gramaticais de seu texto, julgue o item. 

No segundo quadrinho, a personagem aparece com a mão na cabeça porque está pensativa acerca da crise no país.
Alternativas
Q1173978 Português

Internet:<https://www.pinterest.pt>.


Com base na tirinha da Mafalda e nos aspectos linguísticos e  gramaticais de seu texto, julgue o item. 

Na tirinha, quando a personagem Mafalda diz: “eu era assim” e “agora já sou assim”, ela se refere à sua estatura.
Alternativas
Q1173966 Português


Internet:<https://exame.abril.com.br>(com adaptações).

No que se refere aos aspectos linguísticos e gramaticais do texto, julgue o item.


No trecho “‘Tivemos neste dia, em todo o mundo, mutirões para limpeza’” (linhas 14 e 15), o termo “neste dia” refere‐se ao dia 21 de setembro de 2019.

Alternativas
Q1173960 Português


Internet:<https://exame.abril.com.br>(com adaptações).

Com relação ao texto, julgue o item.


De acordo com o doutor em oceanografia Jonas Leite, o destino de todo o lixo que não é descartado de forma correta é o oceano, independentemente de se estar ou não em uma cidade litorânea.
Alternativas
Q1173958 Português


Internet:<https://exame.abril.com.br>(com adaptações).

Com relação ao texto, julgue o item.


É correto afirmar que a comunidade científica está preocupada com os microplásticos, entre outras razões, porque ainda desconhece seu impacto na saúde humana.

Alternativas
Q1173957 Português


Internet:<https://exame.abril.com.br>(com adaptações).

Com relação ao texto, julgue o item.


O Dia Mundial da Limpeza é realizado apenas pelos estônios espalhados em diversos países do globo.

Alternativas
Q1173267 Português

Texto I

Machado de Assis é mesmo realista?


    O aluno tem essa dúvida quando lê que o marco da fundação do realismo no Brasil se deu em 1881, quando se publicaram “O mulato”, de Aluísio de Azevedo, e “Memórias póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis. A informação aparece em muitos manuais didáticos.
    O romance de Aluísio de Azevedo de fato se encaixa bem no formato realista. Mas, sabendo que o personagem Brás Cubas escreveu as suas memórias depois de morto e que no século XIX não havia evidências de vida depois da morte (como não as há até hoje, aliás), ojovem leitor se pergunta: como pode ser realista um livro que se chama “Memórias póstumas”?
    A pergunta do aluno é inteligente. A obra de Machado nos oferece várias ocasiões para duvidar do realismo que lhe imputam, como a personagem do doutor Simão Bacamarte, o protagonista de “O alienista”: ele é o cientista que se vê sempre prestes a revelar a verdade verdadeira aos incautos e não arreda desta auto ilusão nem mesmo quando encontra tão somente o seu próprio erro, mostrando-se então a caricatura do realista de carteirinha, daquele que quer nos mostrar “a vida como ela é”.
    Não contente em atacar a concepção realista com seus personagens e metáforas, Machado de Assis a combateu explícita e frontalmente em vários textos críticos.
    Na dura crítica que fez a “O primo Basílio”, romance de Eça de Queiroz, o escritor brasileiro afirmou categoricamente: "voltemos os olhos para a realidade, mas excluamos o realismo; assim não sacrificarem os a verdade estética” . Machado ordenou a exclusão do realismo do campo da arte para não sacrificar a verdade estética, isto é, aquela verdade que não esconde do leitor que inventa realidades de papel.
    No ensaio “A Nova Geração”, Machado de Assis afirmou, de maneira mais categórica ainda: “a realidade é boa, o realismo é que não presta para nada”. Creio que ele não podia ser mais claro. Segundo o autor, o realismo “não presta para nada” porque sobrepõe à vida um ideal com o qual a vida mesma não concorda.
    O realismo quer dobrar a vida à sua perspectiva, mas com isso termina por recusá-la e não por afirmá-la. O realismo quer descrever a vida como ela é, mas faz apenas uma “reprodução fotográfica e servil das cousas mínimas e ignóbeis” para as tratar com uma “exação de inventário”, ou seja, para as dispor em gavetas uniformes como se cada acontecimento se reduzisse à dimensão de todos os outros.
    Por isso, Machado não perde a chance de reduzir o realismo a uma ironia divertida: “porque a nova poética é isto e só chegará à perfeição no dia em que nos disser o número exato dos fios de que se compõe um lenço de cambraia ou um esfregão de cozinha”.
    Mas por que, se o próprio Machado de Assis reduziu o realismo a pó de traque, há tantos que ainda insistem em considerá-lo realista?


Gustavo Bernardo

(Disponível em: http://www.revista.vestibular.uerj.br/coluna/ coluna.php?seq_coluna=16)

No sétimo parágrafo, o emprego do modo verbal em “reduzisse” assume a função argumentativa de criar:
Alternativas
Respostas
21561: A
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