Questões de Concurso
Comentadas sobre morfologia em português
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Leia atentamente o texto a seguir para responder às questões de 01 a 08.
Ela Tem Alma de Pomba
Que a televisão prejudica o movimento da pracinha Jerônimo Monteiro, em todos os Cachoeiros de Itapemirim, não há dúvida. Sete horas da noite era hora de uma pessoa acabar de jantar, dar uma volta pela praça para depois pegar a sessão das oito no cinema. Agora todo mundo fica em casa vendo uma novela, depois outra novela.
O futebol também pode ser prejudicado. Quem vai ver um jogo do Cachoeiro F.C. com o Estrela F.C., se pode ficar tomando cervejinha e assistindo a um bom Fla-Flu, ou a um Internacional x Cruzeiro, ou qualquer coisa assim?
Que a televisão prejudica a leitura de livros, também não há dúvida. Eu mesmo confesso que lia mais quando não tinha televisão.
Rádio, a gente pode ouvir baixinho, enquanto está lendo um livro. Televisão é incompatível com livro – e com tudo mais nesta vida, inclusive a boa conversa, até o making love.
Também acho que a televisão paralisa a criança numa cadeira mais do que o desejável. O menino fica ali parado, vendo e ouvindo, em vez de sair por aí, chutar uma bola, brincar de bandido, inventar uma besteira qualquer para fazer. Por exemplo: quebrar o braço.
Só não acredito que televisão seja “máquina de amansar doido”. Até acho que é o contrário; ou quase o contrário: é máquina de amansar doido, distrair doido, acalmar, fazer doido dormir.
Quando você cita um inconveniente da televisão, uma boa observação que se pode fazer é que não existe nenhum aparelho de TV, a cores ou em preto e branco, sem um botão para desligar. Mas quando um pai de família o utiliza, isso pode produzir o ódio e o rancor no peito das crianças e até de outros adultos.
Quando o apartamento é pequeno, a família é grande e a TV é só uma – então sua tendência é para ser um fator de rixas intestinais.
- Agora você se agarra nessa porcaria de futebol...
- Mas você não tem vergonha de acompanhar essa besteira de novela?
- Não sou eu não, são as crianças!
- Crianças, para a cama!
Mas muito lhe será perdoado à TV pela sua ajuda aos doentes, aos velhos, aos solitários. Na grande cidade – num apartamentinho de quarto e sala, num casebre de subúrbio, numa orgulhosa mansão – a criatura solitária tem nela a grande distração, o grande consolo, a grande companhia. Ela instala dentro de sua toca humilde o tumulto e o frêmito de mil vidas, a emoção, o “suspense”, a fascinação dos dramas do mundo.
A corujinha da madrugada não é apenas a companheira de gente importante, é a grande amiga da pessoa desimportante e só, da mulher velha, do homem doente... É a amiga dos entrevados, dos abandonados, dos que a vida esqueceu para um canto... ou dos que estão parados, paralisados, no estupor de alguma desgraça...ou que no meio da noite sofrem o assalto das dúvidas e melancolias... mãe que espera filho, mulher que espera marido...homem arrasado que espera que a noite passe, que a noite passe...
(Rubem Braga. 200 crônicas escolhidas. São Paulo. Círculo do Livro.)
“Também acho que a televisão paralisa a criança numa cadeira mais do que o desejável.”. A classe gramatical da palavra destacada é:
TEXTO I
Ser deficiente é privilégio de ser diferente
___Uma cena usual no dia a dia de um parampa (que é como os paraplégicos paulistas se denominam, melhorzinho que o metálico chumbado, termo preferido pelos cariocas): num estacionamento, esperando o manobrista número um trazer o carro. Se aproxima o manobrista número dois, olha minha cadeira de rodas, o horizonte, e pergunta na lata: Foi acidente? Olho rápido para a rua e devolvo: Onde? Algum ferido? Melhor chamar uma ambulância! Vocês têm telefone?
___Outra cena: numa fila de espera, se aproxima um sujeito, aponta a cadeira de rodas e diz: É duro, né? Minha resposta: Não, é até confortável. Quer experimentar? Mais uma: uma criança brincando pelos corredores de um shopping me vê na cadeira e pergunta: Por que você está na cadeira de rodas? Devolvo: Porque eu quero. E você, por que não está na sua? Já vi crianças me apontando e dizendo para os pais: Quero uma igual àquela! Quando o pai vem se desculpar (e não sei por quê, vem sempre se desculpar), eu logo interrompo: Compre logo uma para ele. Sem contar os incontáveis comentários tipo Tem que se conformar, O que se pode fazer?, A vida tem dessas coisas...
___Peculiar curiosidade essa de saber se um paraplégico é um acidentado ou de nascença. À beira da piscina de um hotel, lá vem o hóspede. Para ao meu lado e solta um Foi acidente?. Antes que eu exibisse minha grosseria e impaciência, ele foi avisando: Sou ortopedista. Costumo operar casos como o seu. Aqui na região há muitos motoqueiros que se acidentam... Entramos numa conversa técnica que até poderia render se ele não dissesse, me olhando nos olhos: Jesus cura isso aí. Antes que eu perguntasse o endereço do consultório desse Jesus, ele continuou: Você pode não acreditar, mas já o vi curando muitos iguais a você. Eu não quero ser curado. Eu estou bem assim costuma ser minha resposta que, se não me engano, é verdadeira.
___Aliás, Paulo Roberto, paraplégico, professor de filosofia de Brasília, anunciou seu novo enunciado: “Nós não devemos ser curados. Seria um trauma maior que o próprio acidente. Não conseguiríamos reconstruir uma terceira identidade. Não saberíamos administrar nossa falta de diferença. O homem cultural, diferente do homem natural, é aquele que constrói a si próprio, pelo respeito ao que possa ter de igual e de diferente.” Foi minha última e definitiva revelação nesses 13 anos de paraplegia. Se alguém me ouvisse, um dia, nas ruas do centro, dizendo a mim mesmo Que sorte ter ficado paraplégico, não acreditaria. Mas eu disse: Conheço um mundo que poucos conhecem. Sou diferente. Sou um privilegiado.
PAIVA, Marcelo Rubens. Crônicas para ler na escola. Seleção
Regina Zilberman. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011.
No período [...] Olho rápido para a rua e devolvo: [...], a palavra destacada assume o valor gramatical de um
TEXTO I
Ser deficiente é privilégio de ser diferente
___Uma cena usual no dia a dia de um parampa (que é como os paraplégicos paulistas se denominam, melhorzinho que o metálico chumbado, termo preferido pelos cariocas): num estacionamento, esperando o manobrista número um trazer o carro. Se aproxima o manobrista número dois, olha minha cadeira de rodas, o horizonte, e pergunta na lata: Foi acidente? Olho rápido para a rua e devolvo: Onde? Algum ferido? Melhor chamar uma ambulância! Vocês têm telefone?
___Outra cena: numa fila de espera, se aproxima um sujeito, aponta a cadeira de rodas e diz: É duro, né? Minha resposta: Não, é até confortável. Quer experimentar? Mais uma: uma criança brincando pelos corredores de um shopping me vê na cadeira e pergunta: Por que você está na cadeira de rodas? Devolvo: Porque eu quero. E você, por que não está na sua? Já vi crianças me apontando e dizendo para os pais: Quero uma igual àquela! Quando o pai vem se desculpar (e não sei por quê, vem sempre se desculpar), eu logo interrompo: Compre logo uma para ele. Sem contar os incontáveis comentários tipo Tem que se conformar, O que se pode fazer?, A vida tem dessas coisas...
___Peculiar curiosidade essa de saber se um paraplégico é um acidentado ou de nascença. À beira da piscina de um hotel, lá vem o hóspede. Para ao meu lado e solta um Foi acidente?. Antes que eu exibisse minha grosseria e impaciência, ele foi avisando: Sou ortopedista. Costumo operar casos como o seu. Aqui na região há muitos motoqueiros que se acidentam... Entramos numa conversa técnica que até poderia render se ele não dissesse, me olhando nos olhos: Jesus cura isso aí. Antes que eu perguntasse o endereço do consultório desse Jesus, ele continuou: Você pode não acreditar, mas já o vi curando muitos iguais a você. Eu não quero ser curado. Eu estou bem assim costuma ser minha resposta que, se não me engano, é verdadeira.
___Aliás, Paulo Roberto, paraplégico, professor de filosofia de Brasília, anunciou seu novo enunciado: “Nós não devemos ser curados. Seria um trauma maior que o próprio acidente. Não conseguiríamos reconstruir uma terceira identidade. Não saberíamos administrar nossa falta de diferença. O homem cultural, diferente do homem natural, é aquele que constrói a si próprio, pelo respeito ao que possa ter de igual e de diferente.” Foi minha última e definitiva revelação nesses 13 anos de paraplegia. Se alguém me ouvisse, um dia, nas ruas do centro, dizendo a mim mesmo Que sorte ter ficado paraplégico, não acreditaria. Mas eu disse: Conheço um mundo que poucos conhecem. Sou diferente. Sou um privilegiado.
PAIVA, Marcelo Rubens. Crônicas para ler na escola. Seleção
Regina Zilberman. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011.
Eu não quero ser curado. Eu estou bem assim [...]
Caso quiséssemos unir essas duas orações do texto em um período composto, a conjunção apropriada seria
Qual das preposições abaixo preenche corretamente a lacuna na frase: “O Homem sem nenhum escrúpulo visava apenas ___ uma posição de destaque”:
O exemplo do Brasil
O aquecimento global está alterando de forma rigorosa o clima em determinadas partes do mundo. É cada vez mais frequente a ocorrência de eventos climáticos extremos, tais como grandes inundações, secas severas, tufões devastadores e chuvas mais concentradas em um breve espaço de tempo. Outras consequências ocasionadas pelas mudanças climáticas, como elevação no nível do mar e derretimento das geleiras, também estão previstas.
A energia, porém, não sofrerá tanto com o aquecimento.
Essencial para a manutenção do nível de conforto de bilhões de pessoas em todo o planeta, mais de 80% da matriz global é proveniente de combustíveis fósseis: carvão, petróleo e gás natural. Outra fonte importante é a energia nuclear.
Porém, as reservas fósseis, formadas há milhões de anos, são finitas. Estima-se que o petróleo, se extraído à velocidade atual, será extinto dentro de, no máximo, 50 anos. E, além do esgotamento físico desse recurso, o acesso às reservas mundiais é desigual. Hoje, metade do petróleo produzido no planeta provém de países com regimes políticos complexos no Oriente Médio, responsáveis pelas flutuações no preço do barril. [...]
No planeta, as energias renováveis representam menos de 10% das matrizes. O Brasil é, curiosamente, um dos países com exemplos interessantes de solução. Aqui, quase a metade da matriz energética é proveniente de fontes renováveis, uma condição bastante favorável em relação ao resto do mundo. Tal posição se dá pela alta porcentagem da energia produzida por usinas hidrelétricas e fontes alternativas, como a biomassa. Sob o ponto de vista de geração de eletricidade, somos referência global. [...]
Embora nosso potencial hidrelétrico seja enorme — mais de 260 mil megawatts de capacidade total —, apenas um terço está instalado, ou seja, em operação. Grande parte do restante, porém, situa-se na bacia Amazônica, palco de controvérsias devido a problemas socioambientais gerados pela construção de grandes barragens. Além disso, a região fica distante dos grandes centros consumidores do Sul e do Sudeste.
A usina de Belo Monte, no Pará, é o exemplo que melhor reúne esse choque de visões. Mesmo com manifestações de ambientalistas contrários a sua construção — cujo projeto promete acrescentar quase 12 mil megawatts de capacidade instalada à matriz energética nacional —, o governo adotou como questão de honra tocar adiante a construção da usina. Com isso, infelizmente, criou-se no âmbito governamental uma falsa dicotomia de que a proteção tal como desejam os ambientalistas é caracterizada como inimiga do desenvolvimento.
Fonte: GOLDEMBERG, José. NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL. 2012.
Disponível em: http://viajeaqui.abril.com.br/materias/o-exemplo-do-brasil
O quarto parágrafo inicia-se “Porém, as reservas fósseis...” indicando que este exerce com relação ao que foi dito anteriormente uma ideia de:
Instrução: As questões de números 01 a 15 referem-se ao texto abaixo.
Saúde e bem-estar dependem de relações íntimas de qualidade
Por Amanda Mont'Alvão Veloso
- asdTer dinheiro ou fama comumente é associado .... conquista de felicidade, e tais desejos já
- foram apontados como o objetivo de vida mais importante de norte-americanos nascidos nos
- anos 1980 e 1990. A dedicação e esforço no trabalho seriam o caminho para se _______ mais resultados.
- Mas uma pesquisa realizada durante 75 anos nos Estados Unidos mostrou que os ingredientes
- fundamentais para uma vida saudável e cheia de bem-estar são relações íntimas e de qualidade
- com a família, com os amigos e com a comunidade.
- asdAs conclusões do Estudo do Desenvolvimento Adulto, promovido pela Universidade de
- Harvard, foram abordadas por seu diretor, o psiquiatra e psicanalista americano Robert Waldinger,
- em uma conferência no TED 2015. “E se pudéssemos observar uma vida inteira à medida que ela
- decorre no tempo? E se pudéssemos estudar as pessoas desde a altura em que eram adolescentes
- até chegarem .... velhice para vermos o que mantém as pessoas felizes e saudáveis?”. Durante 75
- anos, a pesquisa acompanhou a vida de 724 homens, ano após ano, abordando o trabalho, a vida
- doméstica e a saúde, além de realizar exames médicos. Cerca de 60% dos pesquisados, a maioria
- já com 90 anos, ainda estão vivos e participam no estudo. Há cerca de 10 anos, o estudo passou a
- integrar também as esposas desses homens.
- asdO próximo passo, segundo Waldinger, é estudar os mais de 2000 filhos dos homens
- pesquisados. A população pesquisada foi dividida em dois grupos desde o começo, em 1938. No
- primeiro, homens que estudaram em Harvard e que, em sua maioria, lutaram na Segunda Guerra
- Mundial. Já o segundo era composto por adolescentes dos bairros mais pobres de Boston, vindos
- de algumas das famílias mais problemáticas e mais desfavorecidas da região. Os destinos desses
- homens foram variados: se tornaram operários fabris e advogados, assentadores de tijolos e
- médicos, e um deles foi presidente dos EUA.
- asdOs 75 anos de acompanhamento mostraram .... Waldinger três lições, e nenhuma delas diz
- respeito a riqueza, fama, ou a trabalhar cada vez mais. A primeira delas é que as relações sociais
- são boas para nós, e a solidão mata: “As pessoas que têm mais ligações sociais com a família, com
- amigos e com a comunidade são mais felizes, fisicamente mais saudáveis e vivem mais tempo do
- que as pessoas que têm menos relações. A experiência da solidão acaba por ser __________. As
- pessoas que são mais isoladas do que gostariam descobrem que são menos felizes, a sua saúde
- piora mais depressa na meia idade, o seu funcionamento cerebral diminui mais cedo e vivem menos
- tempo do que as pessoas que não se sentem sozinhas.”
- asdA segunda lição mostrou que o que importa é a qualidade de nossas relações íntimas: "Viver
- no meio de conflitos é muito prejudicial para a saúde. Os casamentos altamente conflituosos, por
- exemplo, sem grande _________, revelam-se muito maus para a saúde, pior talvez do que um
- divórcio. Viver no meio de relações boas, calorosas, é protetor.” O estudo mostrou que o grau de
- satisfação que os homens sentiam nas suas relações foi decisivo para um envelhecimento mais feliz
- e saudável. “As pessoas que se sentiam mais satisfeitas com as suas relações, aos 50 anos, foram
- as mais felizes aos 80 anos”. “Os nossos homens e mulheres mais felizes disseram, aos 80 anos,
- que nos dias em que tinham mais dores físicas a sua disposição continuava feliz. Mas .... pessoas
- que tinham relações infelizes, nos dias em que tinham mais dores físicas, elas eram reforçadas pelo
- sofrimento emocional”.
- asdA terceira e última lição é que as boas relações protegem não só o corpo, como também o
- cérebro: “Uma relação bem estabelecida com outra pessoa, aos 80 anos, é protetora. As pessoas
- que têm relações em que sentem que podem contar com outra pessoa em alturas de necessidade
- mantêm uma memória mais viva durante mais tempo. As pessoas com relações em que sentem
- que não podem contar com o outro são as que experimentam um declínio de memória mais precoce.
- As boas relações não têm que ser sempre fáceis. Alguns dos nossos octogenários podem discutir
- dia sim, dia não. Mas enquanto sentirem que podem contar um com o outro, quando as coisas
- aquecem, essas discussões não se fixam na memória.”
- asdPelas lições aprendidas, a tal felicidade parece fácil, não? Waldinger tem uma resposta para
- isso: somos seres humanos e lidar com a família e com os amigos é algo complicado, que dura a
- vida toda. “O que gostaríamos mesmo é de uma receita rápida, qualquer coisa que possamos
- arranjar que nos dê uma via boa e a mantenha dessa forma. As relações são conturbadas e
- complicadas.”
- asdPara se apoiar em boas relações, ele sugere atitudes cotidianas e acessíveis, como substituir
- a TV por tempo com as pessoas, fazer passeios, animar uma relação amorosa adormecida e falar
- com algum familiar com quem não se fala há anos. “Essas contendas familiares têm um efeito
- terrível na pessoa que guarda rancores”.
Texto adaptado para esta prova: http://super.abril.com.br/comportamento/saude-e-bem-estar-dependem-de-relacoes-
intimas-de-qualidade
Relacione a Coluna 1 à Coluna 2, associando o advérbio à sua classificação.
Coluna 1
1. Intensidade.
2. Modo.
3. Tempo.
Coluna 2
( ) mais (l. 02).
( ) ainda (l. 14).
( ) muito (l. 32).
( ) pior (l. 33).
( ) bem (l. 42).
( ) sempre (l. 46).
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Um Substantivo Coletivo é aquele que mesmo estando no singular, designa um conjunto de seres da mesma espécie. Diante desta informação relacione as colunas abaixo.
Substantivo coletivo |
Conjunto de seres da mesma espécie |
I. Cáfila |
( ). De porcos |
II. Ramalhete |
( ). De camelos |
III. Vara |
( ). De ovelhas |
IV. Rebanho |
( ). De flores |
A sequencia correta na segunda coluna, de cima para baixo é:
Leia o texto 4 para responder às questões de 12 a 18.
Texto 4
Aquela velha carta de A B C dava arrepios. Três faixas verticais borravam a capa, duras,
antipáticas; e, fugindo a elas, encontrávamos num papel de embrulho o alfabeto, sílabas,
frases soltas e afinal máximas sisudas.
Suportávamos esses horrores como um castigo e inutilizávamos as folhas percorridas,
05 esperando sempre que as coisas melhorassem. Engano: as letras eram pequeninas e
feias; o exercício da soletração, cantado, embrutecia a gente; os provérbios, os graves
conselhos morais ficavam impenetráveis, apesar dos esforços dos mestres arreliados,
dos puxavantes de orelhas e da palmatória.
“A preguiça é a chave da pobreza”, afirmava-se ali. Que espécie de chave seria aquela?
10 Aos seis anos, eu e os meus companheiros de infelicidade escolar, quase todos pobres,
não conhecíamos a pobreza pelo nome e tínhamos poucas chaves, de gavetas, de
armários e de portas. Chave de pobreza para uma criança de seis anos é terrível.
Nessa medonha carta, que rasgávamos com prazer, salvam-se algumas linhas. “Paulina
mastigou pimenta.” Bem. Conhecíamos pimenta e achávamos natural que a língua de
15 Paulina estivesse ardendo. Mas que teria acontecido depois? Essa história contada em
três palavras não nos satisfazia, precisávamos saber mais alguma coisa a respeito da
aventura de Paulina.
O que ofereciam, porém, à nossa curiosidade infantil eram conceitos idiotas: “Fala pouco
e bem: ter-te-ão por alguém”. Ter-te-ão! Esse Terteão para mim era um homem, e nunca
20 pude compreender o que ele fazia na última página do odioso folheto. Éramos realmente
uns pirralhos bastante desgraçados.
Marques Rebelo enviou-me há dias um A B C novo. Recebendo-o, lembrei-me com
amargura da chave da pobreza e do Terteão, que ainda circulam no interior.
A capa da brochura que hoje me aparece tem uns balões — e logo aí o futuro cidadão
25 aprende algumas letras. Na primeira folha, em tabuleiros de xadrez de casas brancas e
vermelhas, procurou-se a melhor maneira de impingir aos inocentes essa coisa
desagradável que é o alfabeto. O resto do livro encerra pedaços de vida de um casal de
crianças. João e Maria regam flores, bebem leite, brincam na praia, jogam bola,
passeiam em bicicleta, nadam, apanham legumes, vão ao Jardim Zoológico.
30 Tudo isso é dito em poucas palavras, como na história de Paulina, que mastigava
pimentas na velha carta de A B C. Mas enquanto ali o caso se narrava com letras miúdas
e safadas, em papel de embrulho, aqui as brincadeiras e as ocupações das personagens
se contam em bonitas legendas e principalmente em desenhos cheios de pormenores
que a narração curta não poderia conter.
35 As legendas são de Marques Rebêlo, as ilustrações, de Santa rosa, dois artistas que há
tempo tiveram livros premiados no concurso de literatura infantil realizado pelo Ministério
da Educação. Onde andam esses livros? Premiados e inéditos, exatamente como se não
tivessem sido premiados.
Marques Rebêlo e Santa Rosa fizeram agora um pequeno álbum e a Companhia Nestlé
40 editou-o, espalhou quinhentos mil volumes entre os garotos do Brasil. Está certo. A
Companhia Nestlê não se dedica a negócios de livros, mas isto não tem importância:
parece que a melhor edição de obra portuguesa foi feita por um negociante de vinhos.
Graciliano Ramos. Linhas tortas. Obra póstuma.13. ed., Rio de Janeiro: Record,1986. p.174-175 (Adaptado).
Observe o trecho: “Tudo isso é dito em poucas palavras, como na história de Paulina, que mastigava pimentas na velha carta de A B C. Mas enquanto ali o caso se narrava com letras miúdas e safadas, em papel de embrulho, aqui as brincadeiras e as ocupações das personagens se contam em bonitas legendas e principalmente em desenhos cheios de pormenores que a narração curta não poderia conter.” (linhas 30-34).
Os advérbios destacados formam um par opositivo. Sobre esses termos pode-se afirmar que
Leia o texto para responder às questões de números 01 a 05.
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Tecnologia
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Para começar, ele nos olha na cara. Não é como a máquina de escrever, que a gente olha de cima, com superioridade. Com ele é olho no olho ou tela no olho. Ele nos desafia. Parece estar dizendo: vamos lá, seu desprezível pré-eletrônico, mostre o que você sabe fazer. A máquina de escrever faz tudo que você manda, mesmo que seja a tapa. Com o computador é diferente. Você faz tudo que ele manda. Ou precisa fazer tudo ao modo dele, senão ele não aceita. Simplesmente ignora você. Mas se apenas ignorasse ainda seria suportável. Ele responde. Repreende. Corrige. [...]
Outra coisa: ele é mais inteligente. Esse negócio de que qualquer máquina só é tão inteligente quanto quem a usa não vale com ele. Está subentendido, nas suas relações com o computador, que você jamais aproveitará metade das coisas que ele tem para oferecer. Que ele só desenvolverá todo o seu potencial quando outro igual a ele o estiver programando. A máquina de escrever podia ter recursos que você nunca usaria, mas não tinha a mesma empáfia, o mesmo ar de quem só aguentava você. Ele sabe muito mais coisa e não tem nenhum pudor em dizer que sabe. [...]
Dito isto, é preciso dizer também que quem provou pela primeira vez suas letrinhas dificilmente voltará à máquina de escrever sem a sensação de que está desembarcando de uma Mercedes e voltando à carroça. Está certo, jamais teremos com ele a mesma confortável cumplicidade que tínhamos com a velha máquina. É outro tipo de relacionamento, mais formal e exigente. Mas é fascinante.
---
(Luís Fernando Veríssimo. Disponível em http://pensador.uol.com.br/
contos_de_luis_fernando_verissimo. Adaptado)
No final do texto – É outro tipo de relacionamento, mais formal e exigente. Mas é fascinante. –, em relação à oração anterior, o emprego da conjunção mas expressa uma
Marque a conjunção que cabe na lacuna da oração “_________ nos visitarem, vamos preparar um jantar.”:
Por que o céu é azul?
Eliene
A luz do Sol, ao chegar à atmosfera, possui coloração branca, porém, essa luz se movimenta por meio de ondas que permanecem espalhadas de maneira imperceptível aos olhos. Por causa do oxigênio e do nitrogênio presentes na atmosfera, a luz solar sofre algumas alterações relacionadas à cor, pois, apesar de ser branca aos olhos, é, na verdade, um misto de várias cores, que podem ser vistas, por exemplo, quando ocorre a formação de um arco-íris.
Cada cor possui uma onda com tamanho diferente. A onda correspondente à cor azul possui um dos menores comprimentos visíveis, e o maior pertence à cor vermelha.
Quando a luz solar, influenciada pelos gases atmosféricos, chega à percepção humana, ocorre um fenômeno físico nomeado espalhamento Rayleigh, que provoca a dispersão dessa luz ao passar por determinadas partículas de ar. Esse cruzamento entre a luz e as partículas de ar apresenta um reflexo da luz que possui absorção de parte de sua energia, de modo que suas cargas vibrem, emitindo mais radiação. Como a cor azul possui menor comprimento, as pequenas partículas de ar presentes na atmosfera encontram compatibilidade com elas, absorvendo-a. Ao absorver o azul, as partículas de ar liberam essa coloração por todo o espaço, dando a impressão de que o céu é azul.
Quando o Sol chega ao ocaso, sua luz se distancia da atmosfera, fazendo com que o azul seja diluído. A partir daí, consegue-se perceber o tom avermelhado no céu por causa da onda de maior comprimento dessa cor. O aparecimento do vermelho se deve à necessidade de uma onda se espalhar menos pela atmosfera por causa da distância entre ela e o astro.
Adaptado de: <http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/curiosidades/por-que-ceu-azul.htm>.
No período “Quando o Sol chega ao ocaso, sua luz se distancia da atmosfera, fazendo com que o azul seja diluído.”, a palavra “azul” é classificada como:
Texto para as questões de 25 a 27
“[...]
Na semana passada, o vírus B também foi associado à morte súbita de uma menina de oito anos em São Paulo. Houve um teste positivo, mas ainda não se sabe se foi ele o responsável pela parada cardíaca que a levou à morte.
[...]”.
(Folha de S.Paulo, 6/4/16 – B1)
“(...) mas ainda não se sabe se foi ele o responsável pela parada cardíaca que a levou à morte”.
Assinale a opção que apresenta, respectivamente, a correta análise das palavras destacadas.
(Texto 01)
1 No modelo atual de sociedade digital os bens já
não representam a extrema medida da riqueza.
Com efeito, em tempos de um admirável mundo
cibernético, ainda de todo não conhecido, a
5 informação e o conhecimento são as principais
fontes de poder. O direito fundamental ao acesso
a informação decorre da ampla abertura inerente
às cartas constitucionais democráticas,
revelando-se, nesse sentido, como relevante
10 instrumento de participação popular e efetivo
controle dos poderes representativos, além de
determinar singulares desdobramentos de ordem
comercial e civil no âmbito do Direito Privado.
Umbilicalmente relacionados, o direito
15 fundamental à liberdade de expressão oxigena e
impulsiona o exercício do direito à informação. A
relação entre essas duas cláusulas pétreas do
direito constitucional brasileiro é, em absoluto,
indissociável, e deriva de dispositivos expressos
20 no texto da Lei Maior, que, inicialmente, declara
ser "livre a manifestação do pensamento" e, em
seguida, garante ser "assegurado a todos o
acesso à informação".
Conforme salientam Gilmar Ferreiras Mendes e
25 Paulo Gustavo Gonet a liberdade de expressão
constitui "um dos mais relevantes e preciosos
direitos fundamentais, correspondendo a uma das
mais antigas reivindicações dos homens de todos
os tempos". Nesse sentido, tem-se, pois, que a
30 liberdade de expressão representa uma relevante
conquista da civilização, que acompanha a
própria evolução da humanidade.
(Adaptado de Jusbrasil, 28/11/2016)
Assinale a alternativa cuja conjunção sublinhada possui o mesmo valor semântico que o termo “pois” (linha 29) retirado do Texto 01:
Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 ao 10.
Os cajus novos, ainda verdes (pedúnculos) tinham longa maturescência.
Assinale a opção que contém a classificação correta das palavras destacadas, RESPECTIVAMENTE.
Texto para as questões 5 e 6
“A primeira análise detalhada da estrutura molecular do vírus zika revelou que (1) ele (2) é praticamente um sósia do vírus da dengue – mas (3) com algumas pequenas diferenças que (4) podem ser cruciais para a capacidade que esse vilão microscópico tem de invadir as células humanas.
[...]”.
(Folha de S.Paulo, 1º/4/16 – saúde B5)
O par de palavras em que ocorre o fenômeno da derivação sufixal é:
Texto para a questão 3
“No começo dos anos 1990, na Itália, um grupo de magistrados milaneses (o mais popular foi Antonio di Pietro) tentou(1) acabar com os esquemas de corrupção (antigos e tradicionais) que ligavam(2) empresários, financistas e políticos. [...]”.
(Folha de S.Paulo, 31/3/16 – ilustrada C8)
Sobre a flexão dos verbos destacados, analise as assertivas abaixo.
I. Em (1), o verbo poderia ir para o plural.
II. Em (2), o verbo concorda com “um grupo de magistrados”.
III. Em (1), o verbo concorda com “Antonio di Pietro”.
IV. Em (2), o verbo concorda com “os esquemas de corrupção”.
É correto o que se afirma em:
Na epígrafe da crônica de Caio Fernando de Abreu, há um neologismo. Tal recurso tem sido usado, principalmente, desde a primeira fase do Modernismo, a exemplo de Manuel Bandeira, como por poetas mais contemporâneos como Manoel de Barros. São mostras dos respectivos autores: “Teadoro, Teodora” e “É preciso transver o mundo”.
Sobre o processo de formação dos três neologismos anteriormente citados é certo afirmar que
Texto para responder às questões 1 e 8.
1 A costa Atlântica, ao longo de milênios, foi percorrida
e ocupada por inumeráveis povos indígenas. Disputando os
melhores nichos ecológicos, eles se alojavam, desalojavam e
4 realojavam, incessantemente. Nos últimos séculos, porém,
índios de fala tupi, bons guerreiros, se instalaram,
dominadores, na imensidade da área, tanto à beira-mar, ao
7 longo de toda a costa atlântica e pelo Amazonas acima,
como subindo pelos rios principais, como o Paraguai, o
Guaporé, o Tapajós, até suas nascentes.
10 Configuraram, desse modo, a ilha Brasil,
prefigurando, no chão da América do Sul, o que viria a ser
nosso país. Não era, obviamente, uma nação, porque eles
13 não se sabiam tantos nem tão dominadores. Era, tão-só,
uma miríade de povos tribais, falando línguas do mesmo
tronco, dialetos de uma mesma língua, cada um dos quais,
16 ao crescer, se bipartia, fazendo dois povos que começavam
a se diferenciar e logo se desconheciam e se hostilizavam.
Se a história, acaso, desse a esses povos Tupi uns
19 séculos mais de liberdade e autonomia, é possível que
alguns deles se sobrepusessem aos outros, criando
chefaturas sobre territórios cada vez mais amplos e forçando
22 os povos que neles viviam a servi-los, os uniformizando e
desencadeando, assim, um processo oposto ao de expansão
por diferenciação.
25 Nada disso sucedeu. O que aconteceu, e mudou total
e radicalmente seu destino, foi a introdução no seu mundo
de um protagonista novo, o europeu.
Darcy Ribeiro. O povo brasileiro. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.
A conjunção empregada no início do terceiro parágrafo introduz no texto uma ideia de
Texto para responder às questões 1 e 8.
1 A costa Atlântica, ao longo de milênios, foi percorrida
e ocupada por inumeráveis povos indígenas. Disputando os
melhores nichos ecológicos, eles se alojavam, desalojavam e
4 realojavam, incessantemente. Nos últimos séculos, porém,
índios de fala tupi, bons guerreiros, se instalaram,
dominadores, na imensidade da área, tanto à beira-mar, ao
7 longo de toda a costa atlântica e pelo Amazonas acima,
como subindo pelos rios principais, como o Paraguai, o
Guaporé, o Tapajós, até suas nascentes.
10 Configuraram, desse modo, a ilha Brasil,
prefigurando, no chão da América do Sul, o que viria a ser
nosso país. Não era, obviamente, uma nação, porque eles
13 não se sabiam tantos nem tão dominadores. Era, tão-só,
uma miríade de povos tribais, falando línguas do mesmo
tronco, dialetos de uma mesma língua, cada um dos quais,
16 ao crescer, se bipartia, fazendo dois povos que começavam
a se diferenciar e logo se desconheciam e se hostilizavam.
Se a história, acaso, desse a esses povos Tupi uns
19 séculos mais de liberdade e autonomia, é possível que
alguns deles se sobrepusessem aos outros, criando
chefaturas sobre territórios cada vez mais amplos e forçando
22 os povos que neles viviam a servi-los, os uniformizando e
desencadeando, assim, um processo oposto ao de expansão
por diferenciação.
25 Nada disso sucedeu. O que aconteceu, e mudou total
e radicalmente seu destino, foi a introdução no seu mundo
de um protagonista novo, o europeu.
Darcy Ribeiro. O povo brasileiro. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.
Leia os textos I, II e III para responder as questões de 1 a 6:
TEXTO I - "Eu, que desde os dez anos de idade faço versos; eu, que tantas vezes sentira a poesia passar em mim como uma corrente elétrica e afluir aos meus olhos sob a forma de misteriosas lágrimas de alegria: não soube no momento forjar já não digo uma definição racional dessas que, segundo regra a lógica, devem convir a todo o definido e só ao definido, mas uma definição puramente empírica, artística, literária”.
Manuel Bandeira
TEXTO II -
Memória
Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.
Carlos Drummond de Andrade
TEXTO III -
Ouvir estrelas
"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"
E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."
Olavo Bilac
Correlacione os termos em destaque nas orações extraídas dos textos com seus tipos de conjunções e em seguida assinale a alternativa que apresente a sequência CORRETA:
(_) “[...] devem convir a todo o definido e só ao definido, mas uma definição puramente empírica, artística, literária.”
(_) E eu vos direi, no entanto / Que, para ouvilas, muita vez desperto.
(_) E eu vos direi: "Amai para entendê-las! / Pois só quem ama pode ter ouvido [...]
(_) Pois só quem ama pode ter ouvido / Capaz de ouvir e de entender estrelas.
1 – Conjunção Coordenativa Aditiva.
2 – Conjunção Coordenativa Adversativa.
3 – Conjunção Coordenativa Conclusiva.
A sequência CORRETA é: