Questões de Concurso Comentadas sobre morfologia em português

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Q4204674 Português

11TEXTO I


A Bela e a Fera



    A Fera era uma Fera mesmo. Tão feia que, quando olhava no espelho, o espelho quebrava de susto. Morava num castelo imenso, cercado de espinhos e solidão. Certo dia, um velho mercador se perdeu na floresta e acabou colhendo uma rosa no jardim da Fera. A Fera, surgindo do nada com um rugido de tremer as estruturas, disse: "Vou te matar! A menos que você me traga sua filha mais bela para morar comigo".

    O velho, apavorado, levou a Bela. No começo, ela chorava muito, achando que seria devorada no jantar. Mas a Fera era um doce. Tratava a moça com as melhores iguarias, dava-lhe joias, lia poesia (embora com aquela voz de britadeira) e nunca, jamais, tentou qualquer gracinha. Com o tempo, Bela foi se acostumando. Começou a achar que a feiura da Fera era apenas uma "característica exótica".

    Um dia, Bela pediu para visitar o pai doente. A Fera, com o coração na mão (figuradamente, claro), deixou: "Mas volte em uma semana, ou eu morrerei de tristeza". Bela foi, se distraiu com as irmãs invejosas e demorou dez dias. Quando voltou, encontrou a Fera estirada no jardim, quase morta. Chorando, Bela abraçou o monstro e disse: "Eu te amo, Fera! Case comigo!".

    Nesse momento, uma explosão de luz! A Fera se transformou num Príncipe lindo, loiro, de olhos azuis e roupas de seda. Bela olhou para ele de cima a baixo, deu um passo atrás e disse:

    — Ah, não! Assim não serve.

    — Por que? — perguntou o Príncipe, chocado.

    — Eu sou lindo!— Pois é — respondeu Bela, fazendo as malas.

    — O que eu gostava em você era o contraste. Agora você é igual a todos os outros. E foi embora, deixando o Príncipe sozinho com sua beleza e sua perplexidade.



(Versão de Millor Fernandes)

Em “Nesse momento, uma explosão de luz! A expressão destacada é 
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Q4204636 Português

TEXTO III



Canção


Nunca vi ninguém viver
tão de rastro como eu vivo.
Comendo o que ninguém quer,
bebendo o que não tem gosto,
sempre de rosto para o chão,
como se o chão fosse o rosto
de quem me pudesse amar.

Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmã das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei.
Não sei se fico
ou passo.

(Cecília Meireles, em "Viagem"

Em “Comendo o que ninguém quer,” a palavra destacada é 
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Q4204630 Português

TEXTO II



O Dilema do Algoritmo e a Essência Humana



    Vivemos um momento de transição sem precedentes. A ascensão vertiginosa da Inteligência Artificial (IA) Generativa não é apenas uma evolução tecnológica, mas um divisor de águas que nos obriga a redefinir o conceito de trabalho e, talvez, de humanidade. Enquanto entusiastas celebram a eficiência robótica, críticos alertam para a erosão da subjetividade.


    O problema central não reside na ferramenta em si, mas naquilo a que nos propomos enquanto sociedade: estamos substituindo o esforço criativo pela conveniência do comando automatizado. Quando delegamos a escrita de um poema ou a criação de uma arte a um código, perdemos o processo, o erro e a angústia — elementos que são, essencialmente, a alma da produção humana.


    Ademais, a regência de nossas vidas parece estar sendo entregue a algoritmos opacos. É urgente que as instituições públicas e privadas assistam ao desenvolvimento dessa tecnologia com olhar atento e ético. Não podemos permitir que a busca pelo lucro desenfreado silencie a voz humana. Afinal, a máquina pode processar dados, mas nunca sentirá a satisfação de uma descoberta genuína. Este é o desafio da nossa era: domar a técnica sem se deixar domesticar por ela. 


(Autor desconhecido) 

Em “A ascensão vertiginosa da Inteligência Artificial (IA) Generativa...”A palavra destaca foi formada pelo processo de formação
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Q4204620 Português

TEXTO I

 


O Lixo


Encontram-se na área de serviço. Cada um com seu pacote de lixo. É a primeira vez que se falam.


— Bom dia.


— Bom dia.


— A senhora é do 610?


— E o senhor do 612.


— É.


— Eu ainda não o conhecia pessoalmente...


— Pois é.


— Estava revendo a sua vida no seu lixo.


— Como?


— O seu lixo. O conteúdo do seu pacote.


— Ah...


— O senhor fuma?


— Um pouco.


— Três maços por dia.


— Como é que a senhora sabe?


— Pelas embalagens.


— Ah.


— E é vegetariano.


— Sei... A senhora também examina as cascas de legumes?


— Examino não. É bem a palavra. Elas saltam aos olhos. O senhor não come carne. O senhor não gosta de frango, nem de peixe. Só de cenoura, chuchu e abóbora.


— É que eu estou num regime.


— Sei. E toma muito vinho.


— É para o coração. Me disseram que uma taça de vinho tinto...


— Duas garrafas de "Gato Negro" por dia?


— Bem...


— E o senhor gosta de ler.


— Como é que a senhora sabe?


— Pelas revistas de informática.


— Ah.


— E o senhor está com um problema de pele.


— Isso a senhora não pode saber. Não joguei nada fora que...


— O senhor comprou um creme para dermatite. A bisnaga está vazia.


— É verdade.


— E o senhor é muito sozinho.


— Por que a senhora diz isso?


— Pelos catálogos de pedidos pelo telefone. O senhor pede tudo em casa. E pelas quentinhas. O senhor não cozinha.


— É...


— O senhor não mora com ninguém. No seu lixo só tem material de uma pessoa.


— É verdade. Mas e o seu lixo?


— O meu?


— A senhora é casada, tem dois filhos, um deles ainda usa fraldas, o outro gosta de iogurte de morango, o seu marido fuma charutos, a senhora usa hidratante caro, joga fora muitas flores...


— Como é que o senhor sabe tudo isso?


— No seu lixo tem fraldas, copos de iogurte, pontas de charuto, potes vazios de creme francês e muitas flores murchas.


— Impressionado...


— O quê?


— Eu sempre achei que o lixo fosse a coisa mais particular de uma pessoa. Mas o lixo é público.


— Pois é. Os dois ficaram em silêncio por um tempo.


— O senhor quer jantar comigo hoje à noite?


— O quê?


— É que hoje eu não vou produzir lixo. Vou comer fora. E se o senhor quiser me acompanhar...


— Aceito.


— Ótimo. Só uma coisa.


— O quê?


— No meu lixo você não viu nenhuma embalagem de veneno, viu?

(Luiz Fernando Verissimo)

 Em “E é vegetariano.” A palavra destacada poderá ser substituída sem alterar o sentido por
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Q4204177 Português
Em atividades de vocabulário, é comum trabalhar com palavras de sentido contrário. Sobre antônimos, é correto afirmar que:
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Q4204176 Português
Em um texto, algumas palavras variam em gênero. Sobre essa variação, é correto afirmar que:
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Q4204117 Português
Em uma atividade de vocabulário, aparece a palavra “feliz”. Considerando o uso de sinônimos, é correto afirmar:
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Q4204116 Português
Em um exercício de leitura, aparece a palavra “bonito”. Considerando a flexão de gênero, é correto afirmar:
Alternativas
Q4204115 Português
Em uma frase simples, lê-se: “As máquinas estão novas.” Considerando o uso de artigos, é correto afirmar:
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Q4204112 Português
Em um cartaz escolar, aparece a palavra “janela”. Considerando a formação do diminutivo, é correto afirmar:
Alternativas
Q4204111 Português
Em um pequeno bilhete, lê-se: “Maria comprou frutas.” Considerando a classe de palavras, é correto afirmar:
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Q4204109 Português
Em uma anotação simples, aparece a frase: “O motorista chegou cedo.” Considerando os termos essenciais da oração, é correto afirmar:
Alternativas
Q4203872 Português
Leia o trecho adaptado de um texto literário e considerando a classificação das palavras destacadas, assinale a alternativa CORRETA:
"O velho caminhava lentamente pelas ruas silenciosas, enquanto observava atentamente as antigas casas da cidade."
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Q4203866 Português
Assinale a alternativa em que a concordância nominal está CORRETA:
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Q4203526 Português
Eu completava 11 anos esquecida bem no meio de janeiro – o que quer dizer que talvez eu faça doze anos enquanto escrevo esse livro [01] –, ajudando minha mãe na loja de velhos. Gosto de chamar de Loja de Velhos porque parece que vendemos velhos.

Com o tempo, comecei a acreditar que isso é verdade, porque os velhinhos precisam de uma porção de coisas que já fazem parte do nosso corpo, e parece que, peça por peça, estamos vendendo velhinhos inteiros. As pessoas vão lá e pedem coisas que eu nem imaginava que alguém poderia precisar, e eu vou procurar lá em cima, em caixas com etiquetas mais ou menos em ordem alfabética. Às vezes volto para confirmar, peço para soletrarem, e acontece de simplesmente não ter, e minha mãe fica com um pouco de raiva do cliente, como se fosse culpa dele que um parente precisasse de uma coisa tão absurda. Meu aniversário caiu na terceira segunda-feira do ano. Eu li na internet que esse é o dia mais triste do ano. Todos sérios nas ruas lamentando o calor, a semana, o ano que começa, já sem qualquer esperança de Natal, ou promessa de ano-novo, e ainda longe do carnaval.

Minha mãe passou o dia sentada na frente do ventilador, abrindo e fechando um livro que eu emprestei e ela adiava desde o ano anterior, e mexendo num cacho do cabelo da frente que ela gosta de enfiar por dentro do brinco gigante de argola. Quase nenhum cliente veio, e os poucos que apareceram buscaram coisas que não tínhamos, ou não gostaram da minha explicação sobre o andador dobrável – nosso funcionário sempre tira férias em janeiro, já que eu posso ficar pra ajudar.

CARRARA, Mariana Salomão. Se deus me chamar não vou. 2ª ed. São Paulo: Editora Nós, 2024
O uso da palavra “velhinhos” no texto (diminutivo afetivo) é um exemplo de:
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Q4203002 Português
Observe as palavras a seguir e assinale a alternativa em que todos os femininos das palavras abaixo estão escritos CORRETAMENTE:
Ator – Poeta – Imperador – Embaixador.
Alternativas
Q4203001 Português
Observe as palavras abaixo e assinale a alternativa que apresenta uma palavra formada por derivação prefixal:
Felizmente – Refazer – Desleal – Livraria. 
Alternativas
Q4202999 Português
Analise o texto a seguir:
"Os alunos participaram ativamente da feira de ciências. Eles apresentaram projetos criativos e explicaram cuidadosamente cada etapa das pesquisas aos visitantes."
Com base nas classes de palavras variáveis e invariáveis presentes no texto, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4202997 Português
Considerando a palavra destacada, assinale a alternativa que apresenta um antônimo dela:
“Durante o verão, os dias costumam ser quentes e ensolarados.” 
Alternativas
Q4202938 Português

Leia o texto a seguir:


"Embora a tecnologia tenha ampliado o acesso à informação, muitos indivíduos ainda enfrentam dificuldades para selecionar conteúdos confiáveis. Por isso, a formação de leitores críticos torna-se cada vez mais necessária." Com base nas classes de palavras e seus empregos no texto, analise as afirmativas abaixo:


I - A palavra embora exerce a função de conjunção e introduz uma ideia de concessão.


II - A palavra muitos é um pronome indefinido que acompanha o substantivo "indivíduos".


III - A palavra ainda é um advérbio que expressa circunstância de tempo.


IV - A expressão por isso atua como uma preposição responsável por indicar finalidade.


É CORRETO o que se afirma em: 

Alternativas
Respostas
101: A
102: B
103: E
104: C
105: A
106: C
107: A
108: C
109: B
110: C
111: B
112: A
113: C
114: C
115: A
116: C
117: B
118: B
119: C
120: B