Questões de Concurso
Comentadas sobre morfologia em português
Foram encontradas 20.506 questões
O que é regulação da mídia e por que o
tema gera polêmica?
Num país como o Brasil, de dimensões continentais e mais de 210 milhões de habitantes, que compõem uma população muito diversa, é natural que existam discussões e divergências em diversos espaços (políticos, como na Câmara dos Deputados e em Assembleias Legislativas; públicos; mas não somente neles) e de diversas maneiras. Não é diferente quando se fala de regulação da mídia.
Em se tratando de formação de opinião pública, os meios de comunicação têm um papel muito importante nesse quesito, além de grande responsabilidade pelas suas publicações.
No Brasil, cerca de 50% da mídia é controlada por apenas 5 famílias. Este número não reflete a pluralidade necessária para que exista verdadeiramente um Estado democrático de direito. Ao mesmo tempo, existem muitos países que utilizam de regulação da mídia para controlar a opinião pública, como instrumento de consolidação de regimes autoritários.
Antes de tudo, é preciso destacar que não há somente uma "opinião pública", consensual e bem definida acerca desse assunto, uma vez que o nosso país é consideravelmente populoso e possui pessoas de diferentes classes socioeconômicas, etnias, religiões, etc.
Por isso, diferentes grupos sociais se identificam com diferentes opiniões e, mesmo em um determinado grupo, não necessariamente prevalece a concordância plena de ideias. Esses grupos disputam, em lugares públicos, espaços para expressar suas opiniões. Porém, existem aqueles que conseguem manifestar suas opiniões em maior quantidade do que outros.
Pensando na atuação da grande mídia, que bombardeia a população diariamente com imagens, notícias, estereótipos, percebe-se que esta possui grande poder e influencia na formação de opinião de uma sociedade.
O conteúdo difundido pelos meios de comunicação é estrategicamente moldado, servindo aos interesses das empresas que detêm esses instrumentos de difusão de informações. Por exemplo: uma propaganda tem a intenção de provocar um desejo por determinado produto, mesmo que você nunca tenha ouvido falar nele. Assim, você passa a acreditar que precisa daquilo, podendo chegar ao ponto de comprá-lo, sem nem exatamente ter certeza de que precisa mesmo.
No Brasil, cinco grandes empresas de telecomunicação dominam os meios de maior audiência: Globo, Bandeirantes, Record, RBS e Grupo Folha. Destaca-se a abrangência da Rede Globo, que além de deter os maiores números de audiência da TV aberta, também soma dezenas de canais na TV a cabo, veículos jornalísticos impressos e canais de rádio.
Traduzindo em números: essas emissoras alcançam cerca de 75% da população, contando somente com os programas de televisão e rádio e veículos impressos. Se somarmos os acessos em portais na internet, a cobertura da Rede Globo sozinha chega em quase metade dos brasileiros.
Apesar da vasta dimensão do território brasileiro, a produção do conteúdo destes veículos também é concentrada geograficamente. Estima-se que 80% dos escritórios que controlam os principais meios de comunicação no Brasil estão localizados nas regiões Sudeste e Sul.
Com tanto poder nas mãos de poucas pessoas, a transmissão de informações naturalmente fica restrita. Isso porque apenas os grupos detentores dos grandes canais é que têm sua voz ouvida e seus interesses defendidos com vigor.
Mas essa parcela de empresários corresponde a uma porcentagem muito pequena da população, não representando a maioria do povo em suas características e necessidades. Logo, a grande mídia não dissemina a diversidade de opiniões, culturas, ideologias e preocupações de uma nação tão numerosa heterogênea e desigual como o Brasil. E sem pluralidade de ideias, não há democracia saudável.
[…]
(LOPES, Enize Neves Lopes; SCHIOCHET, Gabriel Augusto. O que é regulação da mídia e por que o tema gera polêmica?. Politize!, 10 de novembro de 2022. Disponível em: https://www.politize.com.br/regulacao-da-midia/. Acesso em 04 de fevereiro de 2023).
As palavras desempenham diferentes funções, sendo classificadas de acordo com o uso. Indique a seguir o emprego do "que" como conjunção integrante:



Assinale a opção que contenha somente conjunção.
Os vocábulos destacados são respectivamente:
Assinale a opção que contenha um adjetivo e um substantivo, nesta ordem.
Texto 2
A casa das palavras
Eduardo Galeano

GALEANO, Eduardo. O livro dos abraços. Trad. Eric Nepomuceno.
15. ed. Porto Alegre: L&PM, 2021. p. 19.
O trecho abaixo motivará a questão.
As palavras, guardadas em velhos frascos de cristal, esperavam pelos poetas e se ofereciam, loucas de vontade de ser escolhidas: elas rogavam aos poetas que as olhassem, as cheirassem, as tocassem, as provassem. (Linhas 2-7)
Todos os seguintes mecanismos retomam a forma nominal “as palavras” do trecho em destaque, EXCETO:
Parte I: Língua Portuguesa
Texto 1
Devemos ser poliglotas na nossa língua, afirma Bechara, 94, gramático da ABL
Para o professor, educação deve capacitar alunos a compreender o português em todas as variantes e valorizar norma-padrão
Thaís Nicoleti de Camargo

Disponível em https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/ 2022/07/devemos-ser-poliglotas-na-nossa-lingua-afirma-bechara94-gramatico-da-abl.shtml. Acesso em 06 fev. 2023. Adaptado.
...ele dá o veredito sobre a expressão “testar positivo” que se incorporou rapidamente ao português em razão da pandemia de Covid-19... (Linhas 8-10)
A locução “em razão da”, nesse fragmento, indica
“Com a baixa cobertura vacinal, estamos vendo o aumento dos casos e até de mortes evitáveis [...].”
A palavra destacada é formada pelo processo de formação de palavras conhecido como
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir, para responder à questão.
2º Campeonato de Pipas reuniu famílias em dia especial na Serra de Santa Helena, em Sete Lagoas
Foi um dia especial, com direito a oficinas de pipas e slime, super-heróis, feira de adoção de animais, distribuição de picolés, exposição de cerol apreendido pela Guarda, doação de brinquedos, espaço kids, música e muita alegria.
O céu da Serra de Santa Helena se encheu de um colorido especial na manhã de quarta-feira, 12 de outubro, Dia das Crianças. O 2º Campeonato de Pipas de Sete Lagoas, realizado pela Prefeitura e pela Gellak, reuniu pais, mães e filhos em um dia especial, com direito a oficinas de pipas e slime, super-heróis, feira de adoção de animais, distribuição de picolés, exposição de cerol apreendido pela Guarda, doação de brinquedos, espaço kids, música e muita alegria.
O participante Carlos Henrique de Carvalho não escondeu a alegria ao ver seu filho Ramon, de 7 anos, entre os vencedores da competição. “O evento está sendo maravilhoso, cheio de expectativas boas. São tantas atrações divertidas, muita criança, tiramos fotos com os super-heróis e ainda fomos contemplados com o 3º lugar nesse torneio. Na minha infância, não tinha evento desse tipo. Está bem bacana esse evento”, afirmou. Já Karolayne da Silva, de 9 anos, levou o primeiro lugar na categoria 9 a 12 anos. “Foi muito bom. Meus pais me ajudaram a noite toda a fazer a pipa. Valeu a pena ter participado. Ano que vem estaremos aqui de novo”, comemorou.
[...]
Disponível em: https://bityli.com/XBPHkkSa.
Acesso em: 15 out. 2022 (adaptado).
“E o Pompeu trouxe para cá o que se fazia nos Estados Unidos [...]” (4º§) “E o Moacir, com seu perfil de lord Byron, disse para mim, risonhamente: [...]” (6º§)
Considerando as preposições destacadas, assinale a afirmativa correta.
INSTRUÇÃO: Leia o texto I a seguir, para responder à questão.
TEXTO I
Obesidade infantil dispara na geração TikTok
Taxa de crianças obesas ou acima do peso cresce 70% no Brasil e convive com a fome persistente entre a população mais vulnerável do país, revela levantamento inédito
Na porta de um pequeno mercado localizado entre dois terrenos baldios, em uma rua poeirenta do interior do Maranhão, pacotes de salgadinho brilham sob o implacável sol das 10 horas da manhã. A temperatura passa dos 30° C em Trizidela do Vale, região central do estado, quando um menino de 11 anos, descalço e vestindo apenas uma bermuda azul, entra na loja para comprar um adoçante a pedido da mãe. Antes de pagar, agarra um dos pacotes brilhantes: um salgadinho de milho sabor calabresa acebolada – que de calabresa só tem o aroma artificial –, vendido a 50 centavos. Uma banana custa 75 centavos, mas o garoto nem chega perto das frutas guardadas no refrigerador no corredor mais distante da porta. As prateleiras de destaque destinam-se aos salgadinhos de pacote. “É para chamar as crianças”, explica o atendente.
O salgadinho de pacote é ingrediente central do cardápio de má nutrição das crianças brasileiras. Mas não é o único vilão. A fome persistente convive com a crescente epidemia de obesidade, e os dois fenômenos atingem a população mais vulnerável. Dados compilados pela Piauí e pela agência de dados públicos Fiquem Sabendo, com base no Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), do Ministério da Saúde, mostram que a proporção de crianças de 5 a 10 anos acima do peso explodiu nos últimos treze anos. A taxa de crianças com obesidade subiu 70% de 2008 a 2021. Praticamente uma em cada cinco crianças atendidas pelo sistema público de saúde está obesa.
Crianças obesas têm mais chance de se tornarem adultos obesos – e podem adquirir ao longo da vida uma série de doenças relacionadas ao excesso de peso, como hipertensão, diabetes e problemas cardiovasculares. Enquanto a obesidade infantil traz uma nova carga de vulnerabilidade aos mais pobres, o Brasil caminha para ter uma população doente. “A consequência disso é a mortalidade prematura”, explica a nutricionista Daniela Neri, do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da USP.
Do outro lado da balança, a taxa de crianças abaixo do peso adequado para a idade parou de cair em 2021, interrompendo a tendência de queda registrada desde 2008. Em nove estados, a taxa de crianças de 5 a 10 anos em situação de magreza ou magreza acentuada aumentou nos últimos dois anos. No caso do Distrito Federal, o salto na proporção de crianças abaixo do peso adequado foi de 23% – e o índice voltou a um patamar semelhante ao de 13 anos atrás.
O Sisvan registra peso e altura de crianças que chegam à rede de atenção primária do sistema público de saúde, a maioria atendida por programas sociais. Como os dados se referem prioritariamente a crianças em situação de vulnerabilidade social, o sistema serve de guia para todas as estratégias e ações do Ministério da Saúde na área de alimentação e nutrição.
No país onde 125 milhões de pessoas não sabem se vão conseguir se alimentar adequadamente todo dia – e das quais 33 milhões passam fome, segundo pesquisa da rede Penssan –, a obesidade está conectada à pobreza. Especialistas ouvidos pela Piauí concordam que o aumento da obesidade infantil também é produto do empobrecimentoedainsegurançaalimentar.“Aobesidade está se tornando uma marca da população mais pobre”, diz a endocrinologista Maria Edna de Melo, professora da Universidade de São Paulo. Hoje quem tem dinheiro pode escolher com mais folga o tipo de alimento que vai comer e optar por pratos mais saudáveis e diversos. Quem não tem, come o mais barato – que quase sempre é também o mais calórico ou de qualidade nutricional inferior.
Relatório publicado pelo Unicef no final de 2021 revelou um alto consumo de ultraprocessados entre crianças integrantes do programa Bolsa Família (substituído em novembro passado pelo Auxílio Brasil). Esses produtos são basicamente uma mistura de sal, açúcar, gordura e conservantes e sequer são considerados comida de verdade. Recebem uma série de aditivos industriais para alterar seu gosto e prazo de validade, o que os torna mais palatáveis, baratos, práticos e acessíveis – apesar de não terem valor nutricional. “As pessoas sentem uma falsa sensação de saciedade porque na verdade não estão se alimentando quando comem esses produtos”, diz a endocrinologista Zuleika Halpern, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).
Em metade dos domicílios pesquisados pelo Unicef, as crianças com menos de 6 anos consomem salgadinho de pacote, macarrão instantâneo e refrigerante de uma a três vezes por semana. O estudo concluiu que a vulnerabilidade socioeconômica das famílias é um fator que influencia no consumo de ultraprocessados, e a maior dificuldade para melhorar os hábitos alimentares foi o alto custo dos alimentos saudáveis. “O preço de uma salsicha pouco aumentou, enquanto o da cenoura disparou. As pessoas mais pobres estão comendo comida de baixa qualidade porque é mais barato”, diz o economista Arnoldo de Campos, ex-secretário nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. Um levantamento feito por ele mostra que, das 20 maiores altas de preços acumuladas este ano até o mês de abril, 19 foram de alimentos in natura.
[...]
Disponível em: https://bit.ly/3DjM2BJ.
Acesso em: 25 out. 2022 (adaptado).