Questões de Concurso
Comentadas sobre morfologia em português
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Leia o texto a seguir para responder à questão.
Cem anos sem Kafka: como sua obra foi publicada contra sua vontade
Há cem anos morria de tuberculose Franz Kafka, o escritor austro-húngaro (nascido em Praga, hoje seria tcheco) que inaugurou uma nova era da literatura. Sua obra é tão importante que seu nome até virou adjetivo: chamamos de kafkiano aquilo que é inexplicavelmente confuso e frustrante, mas que temos que aceitar.
Morto aos 40 anos, Kafka publicou poucos contos em vida, sem chamar muita atenção do público. A Metamorfose, O Veredito e Na Colônia Penal são as histórias curtas mais conhecidas publicadas com a autorização do autor, mas só foram reconhecidas como geniais após a morte de Kafka. O resto de sua obra, como os célebres romances O Processo e O Castelo, foram publicados e venerados depois que Kafka morreu, mudando a história da literatura mundial. Mas tudo isso quase não aconteceu, já que o autor queria que seus manuscritos fossem queimados.
Com 29 anos, Franz Kafka ainda não tinha publicado nenhum livro, só alguns contos em revistas literárias. Seu amigo da época da universidade, Max Brod, era um ano mais jovem e um autor importante da literatura expressionista, responsável por apresentar a obra de Kafka para seu editor alemão, Kurt Wolff. O editor lembrou de Kafka, anos depois, como o único autor que lhe disse que ficaria mais grato pela devolução do manuscrito do que pela publicação. O editor não ouviu o jovem autor, inseguro com sua literatura, e publicou diversos livros do autor tcheco, até mesmo após sua morte.
Durante a vida, se estima que Kafka queimou cerca de 90% de seus escritos. No leito de morte, ele revisou o livro Um artista da fome, o último livro publicado com a autorização do autor. Depois disso, ele deixou Brod como o responsável pelo seu testamento, e seu pedido foi bem claro: queime tudo que esteja inédito e incompleto. “Caríssimo Max, meu último pedido”, escreveu Kafka. “Queimar completamente, sem ler, tudo o que se encontrar no meu espólio […]”
O último desejo de Kafka não foi respeitado. Se tivesse sido, o mundo nunca teria lido O Processo, América ou O Castelo, obras que foram escritas por Kafka, mas organizadas e editadas por Brod.
O Processo é um romance que não tinha uma ordem definida por Kafka. Os capítulos poderiam ser lidos individualmente, sem seguir uma cronologia muito óbvia. Os episódios mais delimitados temporalmente são o que apresenta a detenção e, portanto, inicia a história, e o capítulo com o título “Fim”. A ordem em que o romance é conhecido foi desenvolvida e pensada por Brod, finalizando o livro do amigo por ele.
Brod confiou mais na qualidade da obra literária do amigo do que no desejo expresso de Kafka de ter seus escritos queimados. Depois da morte de Brod, os arquivos de Kafka ficaram com a secretária do amigo, Esther Hoffe. Ela morreu aos 101 anos, em Tel Aviv, e aí começou uma disputa legal pelo espólio de Kafka entre suas herdeiras, o Estado de Israel e sua Biblioteca Nacional, e a Alemanha, por meio do Arquivo Literário de Marbach.
Franz Kafka não é o único autor a ser desrespeitado por seus herdeiros e testamentários. Roberto Bolaño, escritor chileno influenciado por Kafka e um dos maiores nomes da literatura latino-americana, morreu aos 50 anos de falência hepática em 2003. No ano seguinte, ele teve um livro publicado contra sua vontade. Gabriel García Márquez, o escritor colombiano que ganhou o Nobel de Literatura, começou a escrever seu primeiro conto um dia depois de ler A Metamorfose. Em 2024, foi publicado um romance póstumo que García Márquez disse que nunca deveria ser lançado.
Pode ser um exercício interessante pensar no que teria acontecido se a vontade de Kafka tivesse sido respeitada, mas uma coisa é certa: a literatura mundial seria bem diferente.
Revista Superinteressante. Adaptado. Disponível em:https://super.abril.com.br/cultura/cem-anos-sem-kafka-como-sua-obra-foi-publicada-contra-sua-vontade
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Cem anos sem Kafka: como sua obra foi publicada contra sua vontade
Há cem anos morria de tuberculose Franz Kafka, o escritor austro-húngaro (nascido em Praga, hoje seria tcheco) que inaugurou uma nova era da literatura. Sua obra é tão importante que seu nome até virou adjetivo: chamamos de kafkiano aquilo que é inexplicavelmente confuso e frustrante, mas que temos que aceitar.
Morto aos 40 anos, Kafka publicou poucos contos em vida, sem chamar muita atenção do público. A Metamorfose, O Veredito e Na Colônia Penal são as histórias curtas mais conhecidas publicadas com a autorização do autor, mas só foram reconhecidas como geniais após a morte de Kafka. O resto de sua obra, como os célebres romances O Processo e O Castelo, foram publicados e venerados depois que Kafka morreu, mudando a história da literatura mundial. Mas tudo isso quase não aconteceu, já que o autor queria que seus manuscritos fossem queimados.
Com 29 anos, Franz Kafka ainda não tinha publicado nenhum livro, só alguns contos em revistas literárias. Seu amigo da época da universidade, Max Brod, era um ano mais jovem e um autor importante da literatura expressionista, responsável por apresentar a obra de Kafka para seu editor alemão, Kurt Wolff. O editor lembrou de Kafka, anos depois, como o único autor que lhe disse que ficaria mais grato pela devolução do manuscrito do que pela publicação. O editor não ouviu o jovem autor, inseguro com sua literatura, e publicou diversos livros do autor tcheco, até mesmo após sua morte.
Durante a vida, se estima que Kafka queimou cerca de 90% de seus escritos. No leito de morte, ele revisou o livro Um artista da fome, o último livro publicado com a autorização do autor. Depois disso, ele deixou Brod como o responsável pelo seu testamento, e seu pedido foi bem claro: queime tudo que esteja inédito e incompleto. “Caríssimo Max, meu último pedido”, escreveu Kafka. “Queimar completamente, sem ler, tudo o que se encontrar no meu espólio […]”.
O último desejo de Kafka não foi respeitado. Se tivesse sido, o mundo nunca teria lido O Processo, América ou O Castelo, obras que foram escritas por Kafka, mas organizadas e editadas por Brod.
O Processo é um romance que não tinha uma ordem definida por Kafka. Os capítulos poderiam ser lidos individualmente, sem seguir uma cronologia muito óbvia. Os episódios mais delimitados temporalmente são o que apresenta a detenção e, portanto, inicia a história, e o capítulo com o título “Fim”. A ordem em que o romance é conhecido foi desenvolvida e pensada por Brod, finalizando o livro do amigo por ele.
Brod confiou mais na qualidade da obra literária do amigo do que no desejo expresso de Kafka de ter seus escritos queimados. Depois da morte de Brod, os arquivos de Kafka ficaram com a secretária do amigo, Esther Hoffe. Ela morreu aos 101 anos, em Tel Aviv, e aí começou uma disputa legal pelo espólio de Kafka entre suas herdeiras, o Estado de Israel e sua Biblioteca Nacional, e a Alemanha, por meio do Arquivo Literário de Marbach.
Franz Kafka não é o único autor a ser desrespeitado por seus herdeiros e testamentários. Roberto Bolaño, escritor chileno influenciado por Kafka e um dos maiores nomes da literatura latino-americana, morreu aos 50 anos de falência hepática em 2003. No ano seguinte, ele teve um livro publicado contra sua vontade. Gabriel García Márquez, o escritor colombiano que ganhou o Nobel de Literatura, começou a escrever seu primeiro conto um dia depois de ler A Metamorfose. Em 2024, foi publicado um romance póstumo que García Márquez disse que nunca deveria ser lançado.
Pode ser um exercício interessante pensar no que teria acontecido se a vontade de Kafka tivesse sido respeitada, mas uma coisa é certa: a literatura mundial seria bem diferente.
Revista Superinteressante. Adaptado. Disponível em:https://super.abril.com.br/cultura/cem-anos-sem-kafka-como-sua-obra-foi-publicada-contra-sua-vontade
“UM APRENDIZADO, UM ABRAÇO, UM SOCO NA CARA”
No último mês, fiquei obcecada com o show da Madonna.
Pensava: preciso ir, vou de qualquer jeito. Moro em São Paulo e me questionava:
Onde me hospedar no Rio de Janeiro? Com quem ir? Tentei criar um grupo com meus
amigos, mas a maior parte não acompanha o trabalho da Madonna. Ninguém estava
tão animado. De toda forma, me organizei e fui com minha irmã gêmea, Estela
May, para o Rio no dia 30 de abril. Ao mesmo tempo, crescia em mim o sentimento
de que não queria estar no show sem a minha mãe.
Teve até um momento em que bateu uma vontade imensa de
voltar para São Paulo na mesma hora. Não queria mais ir, não sem a minha mãe.
Foi uma obsessão tão louca que só na véspera do aniversário dela [a escritora,
roteirista, atriz e apresentadora Fernanda Young, que morreu em 2019 e faria 54
no último 1º de maio] percebi que sentia que deveria estar no show da Madonna
por ela. Estava muito sensível. Minha mãe sempre dizia que sou muito sensível.
Desde que o evento foi anunciado, vi muitas pessoas
contando histórias relacionadas a Madonna. Pensei: “Ah, quer saber? Vou tirar
uma foto que prova que meu nome é Madonna como o dela.” Peguei o meu passaporte
na mesa de cabeceira e tirei a foto. Foi. Achei que ia render umas cem curtidas
e algumas risadas. Mas o post foi longe e as pessoas começaram a me
ajudar. Aliás, sou muito grata a todo mundo que sentiu que eu deveria estar lá.
Isso é uma das coisas que mais me emocionaram nesta história e fico com vontade
de chorar só de falar. Achei lindo o fato de entenderem como esse show era
importante pra mim.
No dia do aniversário da minha mãe, o quinto desde que
ela morreu, eu não esperava nada. Estava no chuveiro, ouvindo What It
Feels Like For A Girl, aquela música que ela traduziu no Saia Justa e
viralizou no Twitter recentemente. Logo depois entrei no X [antigo Twitter]
como se não quisesse nada e estava lá a mensagem do patrocinador
disponibilizando os ingressos. Na hora minha irmã virou e falou: “Você sabe
quem foi, né” A gente sempre fica procurando sinais da minha mãe. Não sei se
peguei isso do meu pai. Meu pai sente muito sinal por música. Em dezembro do
ano passado nós estávamos em um hotel aqui do Rio para pegar o meu livro [Tudo
que eu posso te contar] impresso pela primeira vez e, do nada, começou a
tocar Forever Young do Alphaville. Justo a música que minha mãe
sempre falou que era a nossa família. Ela sempre escutava, era nosso hino.
Como cheguei no Rio com antecedência, consegui curtir
um tempo na cidade, mas meus dias foram realmente Madonna, Madonna, Madonna,
Madonna. Não conseguia pensar em outra coisa, não conseguia fazer nada. Fui ao
Copacabana Palace tentar ver a Madonna. No dia do show, eu estava monotemática.
Minha irmã foi à praia e eu fiquei dando voltas no quarto do hotel. Mandei
fazer uma bolsa e uma saia cheia de correntes, crucifixos e enfeitezinhos.
Passei o dia inteiro pulando e reparando que a saia fazia muito barulho. Tentei
mexer nela enquanto ouvia a Madonna. Normalmente com outros shows, mesmo dos
artistas que conheço só três ou quatro músicas, já fico ansiosa. Mas dessa vez
a sensação triplicou. Mal consegui comer. Pedi um bule de café no serviço de
quarto, que tomei loucamente. E continuei ouvindo Madonna. “Será que já devo
ir?”, “Será que já posso ir?”, era o que eu pensava a todo momento. Mandei
mensagem pra minha irmã falando: “Pelo amor de Deus, volta dessa praia agora” O
espaço abria às 18h, e cheguei lá nessa hora, mas chegaria muito antes se fosse
possível.
Antes de o show começar, já na área vip, eu e minha
irmã ficamos desconfortáveis. Tinham muitas famílias tradicionais brasileiras.
Escutamos comentários desnecessários e alguns homofóbicos. Pouco antes da
apresentação começar, um dos convidados da área vip me reconheceu e me chamou
para ficar mais próximo do palco. Neste momento, um outro rapaz que também
estava ali disse que se tivesse com uma faca mataria. A primeira coisa que
pensei foi que nem mesmo no show de Madonna ficamos seguros.
Fiquei preocupada e cogitei procurar outro lugar para
acompanhar a apresentação. Mas, por mais que o caso tenha sido horrível, fiquei
pensando que foi bom o agressor ter assistido ao show. Também me dei conta de
que, afinal, é disto que a Madonna fala: de não deixar essas pessoas nos
oprimirem. Decidi: vamos ficar aqui berrando e dançando, e, se eles se
incomodarem, que se mexam.
Essa é a celebração da Madonna. Fiquei eufórica quando
a Madonna entrou no palco. Chorei muito. Minha irmã, preocupada, perguntou se
eu estava bem, se queria sentar ou beber água. Também por isso foi tão especial
poder ir ao show com ela. Somos muito diferentes. A sensação que tenho é que
desde pequenas fomos pegando o que cada uma gostava para si, mas com Madonna
isso não ia funcionar, ninguém ia abrir mão de amar a Madonna. Então,
subconscientemente, escolhemos dividir esse amor por períodos. Óbvio que amo
músicas de todas as fases, mas prefiro as canções da década de 1980, do começo
da carreira. A Estela elegeu os álbuns atuais. Apesar de não ter Madonna no
nome, acho que ela é mais fã que eu. Viver esse momento com ela foi muito
especial, porque na minha memória, éramos nós duas no carro com a minha mãe
colocando o CD da Madonna para ouvir. Ela sabe que a primeira coisa que fiz
depois que a minha mãe faleceu foi ir ao meu quarto escutar Ray of Light.
Então, quando a Madonna começou a cantar essa música, e eu desabei em choro, a
minha irmã reconheceu o que isso significava para nós duas. Estela sabe que
essa era a música que a minha mãe mais gostava de escutar e o que aquele
momento no show significaria para ela.
Já faz quase 5 anos que a minha mãe faleceu, mas o
luto demora para acontecer. Você acha que superou e do nada cai uma ficha de
“é, acho que não”. Maio é sempre um mês difícil pra gente, porque começa com o
aniversário da minha mãe e logo vem o dia das mães. É uma dobradinha de datas
não divertidas nesse processo, ou até divertidas e de celebração, mas que doem
ao mesmo tempo. E o show da Madonna, bem no meio disso, é como um abraço, sabe?
Foi um aprendizado, foi um abraço, foi um soco na cara. Ficou um sentimento de
amor imenso e gratidão. Escrevi no meu diário que fiz isso por mim e pela minha
mãe, e que de alguma maneira serviu para fechar algumas feridas que ainda
estavam abertas em relação a tudo o que aconteceu. E foi mágico.
(...)
(Cecília Madonna, Revista Piauí, 11 maio 2024 08h59)
Dada a palavra em destaque, classifique-a de acordo com o processo de formação das palavras:
“Então, subconscientemente, escolhemos dividir esse amor por períodos”
Leia atentamente o texto a seguir e responda a questão
Dê um desconto ao amigo
Não estrague a amizade porque o seu amigo anda chato. É uma fase. Pode ser falta de dinheiro, problemas familiares, um amor doente que ele fracassa em desatar.
Mas cuidado para não tornar definitivo o que é provisório. Ele está chato, não é chato. Rememore o quanto vocês se conhecem, o quanto viveram de cumplicidade e segredos, o quanto superaram adversidades e desilusões.
Não vale a pena sacrificar uma história inteira feliz por um dia ruim. Uma indiscrição, uma grosseria e uma aspereza não significam que tudo foi em vão. Pondere, todo amigo tem o direito de errar e explodir, de incomodar e se desculpar.
Não converta a falta de sintonia passageira em distanciamento permanente. Desfazemos grandes lealdades por ____________. Transformamos desentendimentos, resultantes de uma crise pessoal, em divergências irreversíveis da relação.
Com uma ____________ imediatista, enxergamos somente o período turbulento e desagradável e esquecemos de reconhecer o companheirismo anterior. Falta-nos paciência para encarar as lamúrias e contextualizar os ataques. No lugar de respirar um pouco e oferecer um desconto, tratamos de responder as agressões com violência.
Dê um tempo para o amigo, afaste-se por uma semana, crie saudade de um mês, porém não destrua os laços em função de uma implicância. Às vezes ele não quer ser ajudado, às vezes não há como socorrer aflições, às vezes ele não desfruta de condições para escutar seus conselhos, às vezes ele ofende jurando que vem sendo apenas sincero.
Deixe estar. Não fique perto, abra espaço para que ele reflita e se acalme, não se apoie na raiva que aumenta o desconforto e intensifica as retaliações. Evite desligar o telefone na cara, controle-se para não cobrar a devolução dos presentes e afetos, silencie antes de estabelecer ultimatos, contenha-se para não misturar medos antigos com os novos e realizar chantagens emocionais, recue no bateboca, fuja da conta da culpa e, concordando ou discordando, diga que vai pensar e que retornará depois. Por enquanto, feche as janelas e conserve a porta aberta.
Entenda que as melhores companhias nem sempre são boas companhias. A simbiose que existe numa amizade, de um espelhar o outro, de um ser o outro, é perigosa. Quando alguém pretende se destruir, leva junto quem vive próximo. Os confidentes são os primeiros a sofrer maus-tratos.
Amizade é também prever o momento de se retirar para voltar com mais força e amor redobrado.
Autor: Fabrício Carpinejar (adaptado).
Leia atentamente o texto a seguir e responda a questão
Dê um desconto ao amigo
Não estrague a amizade porque o seu amigo anda chato. É uma fase. Pode ser falta de dinheiro, problemas familiares, um amor doente que ele fracassa em desatar.
Mas cuidado para não tornar definitivo o que é provisório. Ele está chato, não é chato. Rememore o quanto vocês se conhecem, o quanto viveram de cumplicidade e segredos, o quanto superaram adversidades e desilusões.
Não vale a pena sacrificar uma história inteira feliz por um dia ruim. Uma indiscrição, uma grosseria e uma aspereza não significam que tudo foi em vão. Pondere, todo amigo tem o direito de errar e explodir, de incomodar e se desculpar.
Não converta a falta de sintonia passageira em distanciamento permanente. Desfazemos grandes lealdades por ____________. Transformamos desentendimentos, resultantes de uma crise pessoal, em divergências irreversíveis da relação.
Com uma ____________ imediatista, enxergamos somente o período turbulento e desagradável e esquecemos de reconhecer o companheirismo anterior. Falta-nos paciência para encarar as lamúrias e contextualizar os ataques. No lugar de respirar um pouco e oferecer um desconto, tratamos de responder as agressões com violência.
Dê um tempo para o amigo, afaste-se por uma semana, crie saudade de um mês, porém não destrua os laços em função de uma implicância. Às vezes ele não quer ser ajudado, às vezes não há como socorrer aflições, às vezes ele não desfruta de condições para escutar seus conselhos, às vezes ele ofende jurando que vem sendo apenas sincero.
Deixe estar. Não fique perto, abra espaço para que ele reflita e se acalme, não se apoie na raiva que aumenta o desconforto e intensifica as retaliações. Evite desligar o telefone na cara, controle-se para não cobrar a devolução dos presentes e afetos, silencie antes de estabelecer ultimatos, contenha-se para não misturar medos antigos com os novos e realizar chantagens emocionais, recue no bateboca, fuja da conta da culpa e, concordando ou discordando, diga que vai pensar e que retornará depois. Por enquanto, feche as janelas e conserve a porta aberta.
Entenda que as melhores companhias nem sempre são boas companhias. A simbiose que existe numa amizade, de um espelhar o outro, de um ser o outro, é perigosa. Quando alguém pretende se destruir, leva junto quem vive próximo. Os confidentes são os primeiros a sofrer maus-tratos.
Amizade é também prever o momento de se retirar para voltar com mais força e amor redobrado.
Autor: Fabrício Carpinejar (adaptado).
Analise as assertivas abaixo que se referem à formação de palavras encontradas no texto.
I. “desconforto” é formada por derivação prefixal.
II. “contextualizar” é formada por derivação sufixal.
III. “falta” é formada por derivação parassintética.
Das assertivas, afirma-se que:
“O estudante Gabriel [...] destacou a importância da oportunidade não apenas para sua trajetória pessoal, mas como um momento de representação para toda a sua comunidade escolar, cidade e, mais amplamente, o estado da Paraíba.”
Nesse fragmento, é CORRETO afirmar que
As alterações climáticas estão aos poucos tornando inabitáveis diversas zonas do planeta. No nordeste da Franga as enchentes têm sido tão frequentes que muitas pessoas estão abandonando a regido. A cidade de Atenas pode vir a se tornar inabitável por causa do calor, que no verão pode chegar a 50 graus. Os furacões no Caribe estão cada vez mais frequentes e mais violentos. Os pequenos países insulares correm o risco de serem submersos pelas águas dos oceanos. O rio Indo, dos maiores do mundo, pode ter seu volume de água reduzido em 50 por cento nos próximos anos.
O sul do Brasil, especialmente o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, vai sofrer com desastres climáticos mais e mais frequentes e mais e mais devastadores. A tragédia de agora, tudo leva a crer, é o prelúdio de coisa ainda pior por vir nos próximos anos (sendo nos próximos meses). Já faz tempo que se emprega a expressão “refugiados do clima” para designar as pessoas que são obrigadas a deixar sua terra de origem por efeito das secas prolongadas, das inundações, dos deslizamentos de terreno etc.
A brutal mudança que ocorre no clima do mundo é consequência direta da ação humana, mas não de todos os seres humanos e sim daqueles que controlam a economia mundial, radicalizam o inerente fascismo que é o capitalismo neoliberal, chantageiam os governos, corrompem a política, desprezam o resto da humanidade, produzem bilhões de toneladas de lixo sem que nada lhes oponha uma barreira mínima. Temos exemplo disso agora, na tragédia do Rio Grande do Sul: autoridades coniventes com a especulação imobiliária que invade áreas de proteção ambiental, incentivadoras do agronegócio que infesta a terra de veneno para obter mais lucro dela, desmanteladoras de todas as medidas de prevenção etc. etc. etc.
E para remate dos males, autoridades eleitas que trabalham para entidades de extrema-direita que propagandeiam aos sete ventos o negacionismo climático mais imbecil e canhestro. Neste exato instante, no Congresso brasileiro, escorrem feito lama fétida diversos projetos de lei que preveem a destruição total da legislação de proteção ambiental. Os cientistas alertam para um possível ponto de não-retorno, quando nada mais será possível fazer para defender a vida no planeta. Desconfio que eles não querem alarmar a gente, porque cada vez mais fica 6bvio que esse não-retorno já foi ultrapassado faz tempo - não só o não-retorno climático, mas também o não-retorno da estupidez mais criminosa.
(Autor desconhecido, texto de opinião veiculado nas plataformas digitais. 09 de Maio, 14:00)
Marque a opção em que a ortografia da palavra no plural acontece tal a que está em destaque:
Observe cada um dos elementos formativos do trecho supracitado e destaque a classe gramatical que foi construída de forma errônea.
Leia o texto a seguir para responder a questão.
O facão do seu Manuel
Seu Manuel era português e tinha um açougue. Acordava cedo e trabalhava duro e foi assim que educou os filhos e conseguiu até que Joaquim, o Joca, se formasse em economia na PUC e fizesse mestrado em Harvard. Nem no dia da chegada do Joca dos Estados Unidos, onde ganhara nota altíssima com sua dissertação de mestrado Viés restritivo diagonal e viés distensivo horizontal nas economias emergentes, o seu Manuel deixou de trabalhar. Tanto que, depois da recepção no aeroporto, o Joca foi direto para o açougue abraçar o pai, nem se importando com o avental sujo de sangue contra o seu Armani.
Ficou contando do sucesso da sua dissertação para o seu Manuel enquanto este continuava a servir a freguesia, pois era um dia movimentado no açougue. Foi quando Joca viu, horrorizado, que toda vez que colocava a carne na balança, seu Manuel fingia distração e pressionava o prato da balança com seu facão, aumentando o peso. Não quis fazer uma cena na frente dos fregueses mas, assim que pôde, protestou. Que imoralidade era aquela? O pai não via que aquilo era desonesto? E, mesmo, o aumento no peso era tão pequeno que não compensava o risco de um freguês descobrir e fazer um escândalo. O pai não tinha vergonha?
Ó desgraçado, estás a cagare no prato em que comes — ponderou seu Manuel. E explicou que eram aquela pequena pressão do facão e aquele pequeno aumento no peso, repetidos várias vezes ao dia, durante anos, que tinham pago os estudos do Joca, inclusive o mestrado em Harvard e o Armani. Ou, continuou seu Manuel (em outras palavras, é claro), ele acreditava que cobrando preços justos, contentando-se com lucros honestos e, acima de tudo, tendo vergonha, o Brasil teria produzido a elite que produzira, inclusive economistas tão bons e tão elegantes para lhe dizer o que fazer? O Joca podia escolher entre trabalhar no açougue ou no governo. Seria rico e feliz, desde que nunca mais questionasse o facão.
Joca, apesar de fictício, hoje é funcionário do Banco Central, onde sempre justifica algum episódio de cegueira conveniente ou moral relativa lembrando a pressão do facão do seu Manuel no prato da balança. Que ele chama de viés conjuntural perpendicular.
VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.