Questões de Concurso
Comentadas sobre morfologia em português
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I – Na frase exclamativa: “Simplesmente morrer de amor!” – sublinhamos: preposição imposta pela regência verbal e substantivo abstrato.
II – Na frase: “Entenda agora e venha comigo!” – há duas informações escritas com verbos no modo imperativo, sugerindo ordem ou conselho.
III – Na frase: “Este ano, eu estou começando a compor” – a vírgula separa um adjunto adverbial de tempo.
IV – O verbo da frase: “Será um ano de tentativas e de vitórias!” - está conjugado no tempo futuro do modo subjuntivo.
I – Na expressão: “Este ano” – temos pronome demonstrativo, indicativo do objeto próximo de quem emite a mensagem, concordando em gênero e em número com o substantivo dissílabo paroxítono.
II – A expressão: “quero continuar atenta a tudo” – é formada por locução verbal, adjetivo biforme, preposição essencial imposta pela regência nominal e pronome indefinido invariável.
III – No segmento, sublinhamos, respectivamente: “prestando atenção às cores dos relacionamentos que” – verbo na forma nominal do gerúndio; crase imposta pela regência nominal; pronome relativo.
IV – Os verbos: “surgem e desaparecem” – conjugados no presente do modo indicativo, enunciam ideias que se opõem pelo sentido.
I – As palavras: “paixão” e “coração” não têm acento gráfico que justifique a tonicidade na última sílaba, porque TIL é marca suprassegmental de nasalização, coincidindo com a sílaba tônica.
II – Os advérbios “não” e “sim” exemplificam uma antítese.
III – Os substantivos: “escândalos” e “máscaras” são proparoxítonos.
IV – Todos os verbos do período: “Este ano, quero aprender algo mais, algo que ainda nem sei o que é” – são regulares e estão conjugados no presente do modo indicativo.
Assinale a opção que contenha apenas pronomes:
“Pessoas com demência podem apresentar alterações nas preferências de cores e outros sintomas relacionados ao cérebro visual. Para interpretar esses dados corretamente, primeiro precisamos avaliar os efeitos do envelhecimento saudável na percepção das cores", afirmou Jason Warren, professor do Instituto de Neurologia da UCL.
As informações morfológicas indicadas pela desinência do verbo “precisamos” são apenas:
“Pessoas com demência podem apresentar alterações nas preferências de cores e outros sintomas relacionados ao cérebro visual. Para interpretar esses dados corretamente, primeiro precisamos avaliar os efeitos do envelhecimento saudável na percepção das cores", afirmou Jason Warren, professor do Instituto de Neurologia da UCL.
No contexto apresentado, a palavra “primeiro” atua como:
Outro diferencial do túmulo é a forma com que foi construído, segundo o arqueólogo. “Há uma pequena saliência em cada extremidade. Isso é algo único entre túmulos em Falbygden”, ele diz. Em Falbygden, uma área geográfica de Falköping, há mais de 250 túmulos de passagem que são construídos com blocos de pedra e datam de cerca de 3,3 mil a.C.
As palavras “outro”, “cada” e “algo”, que ocorrem no contexto apresentado, são classificadas gramaticalmente e respectivamente como:
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Cem anos sem Kafka: como sua obra foi publicada contra sua vontade
Há cem anos morria de tuberculose Franz Kafka, o escritor austro-húngaro (nascido em Praga, hoje seria tcheco) que inaugurou uma nova era da literatura. Sua obra é tão importante que seu nome até virou adjetivo: chamamos de kafkiano aquilo que é inexplicavelmente confuso e frustrante, mas que temos que aceitar.
Morto aos 40 anos, Kafka publicou poucos contos em vida, sem chamar muita atenção do público. A Metamorfose, O Veredito e Na Colônia Penal são as histórias curtas mais conhecidas publicadas com a autorização do autor, mas só foram reconhecidas como geniais após a morte de Kafka. O resto de sua obra, como os célebres romances O Processo e O Castelo, foram publicados e venerados depois que Kafka morreu, mudando a história da literatura mundial. Mas tudo isso quase não aconteceu, já que o autor queria que seus manuscritos fossem queimados.
Com 29 anos, Franz Kafka ainda não tinha publicado nenhum livro, só alguns contos em revistas literárias. Seu amigo da época da universidade, Max Brod, era um ano mais jovem e um autor importante da literatura expressionista, responsável por apresentar a obra de Kafka para seu editor alemão, Kurt Wolff. O editor lembrou de Kafka, anos depois, como o único autor que lhe disse que ficaria mais grato pela devolução do manuscrito do que pela publicação. O editor não ouviu o jovem autor, inseguro com sua literatura, e publicou diversos livros do autor tcheco, até mesmo após sua morte.
Durante a vida, se estima que Kafka queimou cerca de 90% de seus escritos. No leito de morte, ele revisou o livro Um artista da fome, o último livro publicado com a autorização do autor. Depois disso, ele deixou Brod como o responsável pelo seu testamento, e seu pedido foi bem claro: queime tudo que esteja inédito e incompleto. “Caríssimo Max, meu último pedido”, escreveu Kafka. “Queimar completamente, sem ler, tudo o que se encontrar no meu espólio […]”
O último desejo de Kafka não foi respeitado. Se tivesse sido, o mundo nunca teria lido O Processo, América ou O Castelo, obras que foram escritas por Kafka, mas organizadas e editadas por Brod.
O Processo é um romance que não tinha uma ordem definida por Kafka. Os capítulos poderiam ser lidos individualmente, sem seguir uma cronologia muito óbvia. Os episódios mais delimitados temporalmente são o que apresenta a detenção e, portanto, inicia a história, e o capítulo com o título “Fim”. A ordem em que o romance é conhecido foi desenvolvida e pensada por Brod, finalizando o livro do amigo por ele.
Brod confiou mais na qualidade da obra literária do amigo do que no desejo expresso de Kafka de ter seus escritos queimados. Depois da morte de Brod, os arquivos de Kafka ficaram com a secretária do amigo, Esther Hoffe. Ela morreu aos 101 anos, em Tel Aviv, e aí começou uma disputa legal pelo espólio de Kafka entre suas herdeiras, o Estado de Israel e sua Biblioteca Nacional, e a Alemanha, por meio do Arquivo Literário de Marbach.
Franz Kafka não é o único autor a ser desrespeitado por seus herdeiros e testamentários. Roberto Bolaño, escritor chileno influenciado por Kafka e um dos maiores nomes da literatura latino-americana, morreu aos 50 anos de falência hepática em 2003. No ano seguinte, ele teve um livro publicado contra sua vontade. Gabriel García Márquez, o escritor colombiano que ganhou o Nobel de Literatura, começou a escrever seu primeiro conto um dia depois de ler A Metamorfose. Em 2024, foi publicado um romance póstumo que García Márquez disse que nunca deveria ser lançado.
Pode ser um exercício interessante pensar no que teria acontecido se a vontade de Kafka tivesse sido respeitada, mas uma coisa é certa: a literatura mundial seria bem diferente.
Revista Superinteressante. Adaptado. Disponível em:https://super.abril.com.br/cultura/cem-anos-sem-kafka-como-sua-obra-foi-publicada-contra-sua-vontade