Questões de Concurso
Comentadas sobre morfologia em português
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Leia o texto a seguir e responda à questão.
Areia movediça
Alargar praias para conter erosão costeira é defensável, mas pode revelar-se trabalho de Sísif
Salvo raras exceções, a população se beneficia com alterações da paisagem natural e apoia a construção de usinas de energia ou pontes e viadutos rodoviários. Quando se trata de alargar praias com toneladas de areia, nem preservacionistas criticam tais iniciativas– embora elas figurem entre os usos pouco sustentáveis de dinheiro público.
Levantamento da Folha detectou 24 megaprojetos para engordar praias, do Ceará a Santa Catarina, alguns já concluídos, outros em planejamento ou execução. Tudo somado, desde 2018, está uma montanha de 24,5 milhões de m3 de sílica, o suficiente para encher 12 estádios do Maracanã.
Comparado com o volume total dos mares da Terra (1,3 bilhão de Km3), e considerando que 1Km3 equivale a 1 bilhão de m3, a areia mobilizada nos empreendimentos balneários de fato não se qualifica nem como a proverbial gota no oceano. Já os recursos investidos, de R$ 1,8 bilhão, fazem diferença para os 21 municípios envolvidos.
Pode-se argumentar que o benefício em qualidade de vida compensa os custos, diluídos entre centenas de milhares de cidadãos. Ocorre que esse gênero de intervenção contém apenas temporariamente a contínua erosão marinha. Mesmo com obras complementares de enrocamento, exige-se reposição de areia. Mais dinheiro público se esvai com as ondas e a maré. Isso sem mencionar os casos em que se acelera o processo erosivo, como o da praia de Ponta Negra, em Natal (RN), em que uma obra incompleta solapou a tentativa de proteger o calçadão.
O problema da erosão marinha é generalizado no litoral brasileiro, e o enfrentamento fica a cargo de prefeituras ou governos estaduais, que não orçam recursos necessários para manutenção. Tendo em vista que os dados só vão piorar com a elevação do nível do mar, a questão demanda coordenação em nível federal.
Uma estratégia nessa direção se esboça com o prometido acréscimo da erosão costeira no Plano Nacional de Mudança do Clima, ora em revisão pelo Planalto. É um dos temas candentes no capítulo de adaptação para preparar a infraestrutura e o poder público para o aumento da temperatura e dos eventos extremos que ele acarreta, como ressacas portentosas. Mais que apenas alargar praias, governantes necessitam prevenir a possibilidade de que algumas delas terminem riscadas do mapa.
(Folha de S. Paulo. 07 de janeiro de 2024. Editorial. A2. Opinião)
I. O termo “mas” pode ser substituído pelo conectivo “e”, uma vez que a ideia sugerida na oração é de adição de informações.
II. A palavra “para” é uma preposição usada para indicar a causa do trabalho e contribuir para a progressão textual.
III. O termo “para” pode ser substituído pela expressão “a fim de”, uma vez que ambos indicam a finalidade da ação.
IV. A conjunção “mas” introduz uma relação de oposição entre as ideias sugeridas pelos termos “alargar praias” e “trabalho de Sísifo”.
Assinale a alternativa correta.
Leia o texto a seguir e responda à questão.
A falta de saneamento básico não é uma novidade na realidade brasileira. Desde recursos colocados em prática por povos originários, a fim de separar a água para consumo e locais para dejetos, passando pela construção dos Arcos da Lapa, o primeiro aqueduto do país, até chegarmos aos sistemas de esgoto atuais, é notório que boa parte da população não consegue ter acesso aos sistemas de saneamento. Atualmente, existem no Brasil cerca de 100 milhões de brasileiros que não possuem rede de esgoto e 35 milhões sem acesso à água tratada, de acordo com o Instituto Trata Brasil. Uma das principais consequências desse cenário é o surgimento de doenças, algumas delas fatais, entre essa população.
Define-se como saneamento básico “o conjunto de serviços, infraestruturas e instalações operacionais de abastecimento de água potável, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos e drenagem e manejo das águas pluviais urbanas”, de acordo com a Lei 11.445/07. Basicamente, trata-se de um direito, garantido pela Constituição, ao acesso à água potável e a um sistema eficaz de descarte e tratamento de dejetos, como fezes e urina.
Segundo o Dr. Marcelo de Carvalho Ramos, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), médico infectologista e que retornou recentemente de um projeto da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), após ter atuado durante seis meses na província de Nampula, em Moçambique, o acesso ao saneamento básico é um dos principais meios de prevenir o aparecimento de um grande número de doenças. “Com o saneamento básico se consegue prevenir doenças, principalmente, porque interrompemos um ciclo de transmissão que chamamos de fecal-oral. O acesso à água de boa qualidade e em quantidade adequada, juntamente com o encaminhamento correto das fezes, são fundamentais para diminuir a quantidade de doenças. Pois [o saneamento] evita a transmissão e a aquisição delas, uma vez que a água é um veículo importante para transmissão de diversas doenças”, diz.
De fato, de acordo com o Ministério da Saúde (DATASUS, 2021), em 2021, foram registradas cerca de 130 mil internações causadas pelas doenças de veiculação hídricas, ou seja, provocadas por contaminação da água. Mas quais são essas doenças e quais os riscos que a população sem acesso ao saneamento básico corre em relação a sua saúde? “As principais doenças causadas pela falta de saneamento básico são: doenças diarreicas por Escherichia coli, Hepatite A, cólera, leptospirose, febre tifoide, verminoses, giardíase, amebíase, dengue, chikungunya e contaminação por metais pesados como mercúrio”, explicou a Dra. Cláudia Maruyama, infectologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.
ODr. Alexandre Schwarzbold, infectologista, professor de medicina da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), explica mais em detalhe a ocorrência de leptospirose. “Trata-se de uma bactéria que é transmitida a partir do contato com a urina dos ratos. Então, nesses lugares onde não há saneamento, a água entra em contato com a urina dos roedores que contaminada pela bactéria leptospira pode ser transmitida aos humanos. Essa contaminação da água com a urina se dá principalmente depois de enchentes e períodos de chuvas, e acaba aumentando a chance de infectar pessoas”, diz.
Para o Dr. Marcelo, as diarreias, que podem ter diversas causas, são as principais enfermidades relacionadas a esse contexto de falta de saneamento. “Eu citaria principalmente as diarreias causadas por vírus, como o rotavírus, que podem ser transmitidas pela água. O tratamento adequado [da água] evitaria esse tipo de doença. Existem também uma infinidade de bactérias que podem causar a diarreia. As mais conhecidas são as salmonelas e as shigellas. Há também os protozoários, como por exemplo as giárdias. Podemos falar também dos coccídios, como o cryptosporidium, que causam diarreia principalmente em crianças. E também pelos vermes, como é o caso da estrongiloidíase, por exemplo. Na verdade, ele penetra pela pele e assim provoca diarreia. As fezes contaminadas, com ovos de strongyloides, se desenvolvem em larvas no solo, e se não têm umdestino adequado, vão infectar novos indivíduos. Assim, eu diria que no reino dos microorganismos e até dos vermes existe uma infinidade de doenças que podem ser transmitidas pela falta de saneamento”, conclui.
É importante lembrar que a diarreia ainda é uma causa importante de mortalidade, principalmente entre crianças. Dados de 2018 do Ministério da Saúde mostram que houve quase 80 mil internações causadas por diarreia e que as regiões com maior mortalidade são o Nordeste e o Norte do país.
Outras doenças que assolam o país são as que são transmitidas tendo mosquitos como vetores. Dengue e chikungunya infectam milhares de brasileiros todos os anos, levando, muitas vezes, a óbitos. Até o mês de março de 2023 foram 117 mortes por dengue e 6 por chikungunya. Embora não tenha o mesmo ciclo oral-fecal que a maioria das doenças causadas por falta de saneamento básico, essas enfermidades são transmitidas através de mosquitos que se desenvolvem em água parada.
Segundo o Dr. Marcelo, “esses locais servem de criadouros para os vetores, que são os mosquitos. Eles vão transmitir a doença de uma pessoa para a outra. Então o saneamento e a limpeza do ambiente são fatores que vão contribuir bastante para evitá-las. Mesmo que não sejam doenças que são transmitidas pela água ou que passam de indivíduo a indivíduo pelas fezes. O ambiente limpo é fundamental para evitar o criadouro desses vetores, uma vez que eles se estabelecem geralmente num ambiente úmido e mal capinado”.
(Adaptado de: Equipe do Portal Drauzio Varella. Quais doenças podem ser causadas pela falta de saneamento básico? Disponível em: https://drauziovarella.uol.com.br/saude-publica/quais-doencas-podem-ser-causadas-pela-falta-de-saneamento-basico/. Acesso em: 20 fev. 2024).
I. O pronome “eles” foi usado para evitar a repetição da expressão “indivíduo a indivíduo”, citada anteriormente.
II. A conjunção “e”, ao ligar as expressões “ambiente úmido e mal capinado”, apresenta um efeito de sentido de oposição.
III. A expressão “mesmo que” pode ser substituída pela locução “ainda que”, porque ambas apresentam equivalência semântica.
IV. O termo “para” pode ser substituído pela expressão “a fim de”, porque ambos têm sentido de finalidade.
Assinale a alternativa correta.
Leia o texto para responder à questão.
Amenizar a dor
Com o acelerado envelhecimento da população mundial, governos devem estar mais atentos à assistência médica na fase final da vida.
Sistemas de saúde podem, sim, aliviar a dor até a chegada desse momento, com os cuidados paliativos – o conjunto de serviços prestados por equipe multidisciplinar (medicina, enfermagem, psicologia, fisioterapia, nutrição, terapia ocupacional etc.) que visam tratar sintomas e melhorar a qualidade de vida de pacientes e familiares.
Mas a Organização Mundial da Saúde estima que só 1 em cada 10 pessoas que precisam desses cuidados no mundo tenha acesso a eles.
No Brasil, a atenção das políticas públicas ao tema é incipiente. Desde 2002, existe o Programa Nacional de Assistência à Dor e Cuidados Paliativos e, desde lá, foram criadas portarias com foco em oncologia.
Só em 2018, uma resolução dispôs diretrizes para a organização dos cuidados paliativos no SUS. Mais importante: estabeleceu que qualquer pessoa afetada por doença aguda ou crônica potencialmente terminal, não só câncer, é elegível para o acesso ao serviço.
Espera-se que o incremento da política de cuidados paliativos torne o fim da vida de muitos brasileiros mais humanizado e menos dolorido.
(Editorial. Folha de S.Paulo, 19.12.2023. Adaptado)
Assinale a frase abaixo em que a preposição A tem valor nocional.
Assinale a alternativa com o correto plural da palavra destacada no período acima.
A palavra "se", destacada no período acima, classifica-se morfologicamente como
Assinale a alternativa em que a palavra destacada no período acima tenha sido empregada com igual sentido.
Não se lembra de mim?
Por Fabrício Carpinejar
Depois dos 60 anos, os amigos mudam dia após dia. Se você fica muito tempo sem ver um deles, é capaz de passar reto. Reze para ele não parar você na rua e perguntar:
— Não se lembra de mim?
Nosso sistema nervoso não reage bem a testes fisionômicos súbitos. Você tem que responder, não há intervalo para recobrar didaticamente, passo a passo, a convivência. Não pode permanecer parado, olhando, examinando, investigando, enquanto a pessoa espera. Ninguém espera. O costume é mentir conhecimento de causa para ganhar uma sobrevida de observação. Talvez ela diga algo que possa ajuda-lo e você não leve a pecha de ingrato.
Quem dera ser um pintor e ter a chance de convidá-la para ser modelo de sua pintura. Armaria o cavalete, estenderia a tela e lograria um longo período de pose para sair daquela pressão atmosférica. Por mais que se normalizem os lapsos, ainda mais com o avançar da idade, esquecer-se de alguém não é perdoável. É mais grave do que a distância física, pois envolve um distanciamento emocional. Experimentará aquela sensação paradoxal de que conhece muito o semblante, mas não se lembra de onde. A pessoa abraça você, aperta você, e o que você mais quer é afastá-la, ter uns minutos sozinho para debater o assunto com a sua memória.
O colóquio repentino é um assalto no coração, já que você é pego em trânsito, apreensivo com outras demandas. Não espera o contato, e sua demora surge como um gatilho apontado para o seu caráter:
— Como não se lembra de mim?
Enquanto não pronunciar o nome, não sentirá o bendito alívio, não reaverá a sua liberdade, não recuperará a sua paz de espírito. Ocorre um bug no seu sistema. Recorda características isoladas — os olhos, ou as sobrancelhas, ou um tique nervoso —, mas não o conjunto da obra.
O download da existência não baixa por inteiro. Resta uma sombra da intimidade. Uma névoa de cumplicidade. Já passei alguns apertos, em especial ao esbarrar com alguém de um determinado lugar numa cidade diferente. O transplante de cenário aumenta a confusão. É um colega de trabalho que aparece de sunga na praia, é uma amiga da faculdade fantasiada no meio de um bloco de Carnaval. São mesmo situações estranhas para evocações rápidas.
O que me dá raiva é que recordo quando eu me despeço e viro as costas. Vou andando cabisbaixo, fracassado com as minhas sinapses, desencantado com a minha lerdeza, e o nome vem. Finalmente vem. Volto a ter wi-fi dentro de mim. Desobrigado de qualquer tarefa, de qualquer imposição, eu lembro:
— Era ele!
A vontade é gritar o seu nome pela multidão. O destino é tão irônico que somente reencontrarei o amigo quando me esquecer dele de novo. Jamais acontece por sorte na semana seguinte.
Só sou salvo pela minha esposa. Como uma boa mineira, ela sempre se apresenta e assim força o outro a se apresentar também. Pego uma carona nos seus cumprimentos. Longe dela, vivo em apuros.
“Quem(1) dera ser um pintor e ter a chance(2) de convidá-la para ser modelo de sua pintura. Armaria o cavalete, estenderia(3) a tela e lograria um longo(4) período de pose para sair(5) daquela pressão atmosférica.”
Observe a seguinte frase:
“Ao acabarem todos, só resta ao homem (estará equipado?) a dificílima dangerosíssima viagem...” A palavra destacada pertence à classe dos ADJETIVOS e apresenta-se no grau:
Debaixo Dos Caracóis Dos Seus Cabelos
Roberto Carlos e Erasmo Carlos
Um dia a areia branca
Teus pés irão tocar
E vai molhar seus cabelos
A água azul do mar
Janelas e portas vão se abrir
Pra ver você chegar
E ao se sentir em casa
Sorrindo vai chorar

(Disponível em: https://riclan.com.br/9-tirinhas-para-rir-e-refletir/)
Os verbos "gostaríamos", "iremos" e "éramos" estão conjugados, respectivamente, no(s) tempo(s)