Questões de Concurso Comentadas sobre morfologia em português

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Q3339317 Português
Texto CG1A1

    Há muito chegamos à convicção de que a ciência no Brasil, custeada quase exclusivamente pelos cofres públicos, requer, para o apoio que merece, a compreensão da comunidade. Mas esse entendimento não se consegue, ao contrário do que parecem imaginar os cientistas, pela mera exaltação dos méritos da ciência; atinge-se pela paciente educação do povo a respeito do que ela faz e das implicações de suas conquistas.
    Também julgamos útil esse conhecimento como meio de difundir e mesmo criar atitudes que, indispensáveis ao cientista, não podem deixar de favorecer a boa formação do cidadão comum. Citamos, entre elas, o interesse pela criatividade, o espírito crítico, a busca de isenção nas conclusões e de alternativas, a contínua vigilância para que o simplesmente emocional não nos falseie o raciocínio.
    Essas qualidades têm sentido cada vez maior na sociedade moderna, que tanta força procura na tecnologia, hoje, mais do que nunca, fundada na pesquisa científica. Elas são importantes não apenas para ajudar-nos na solução objetiva de muitos problemas, nas encruzilhadas da vida, mas também para aprimoramento de muitas instituições, entre as quais a educação.
     A necessidade de um ensino vivo, em que o “túnel pedagógico” não abafe as potencialidades naturais do educando, é condição que os que militam na ciência e compreendem o que seja essa atividade defendem com empenho, assim como a defendem todos os que procuram obter, pelo sistema educacional, indivíduos capazes de ampla realização pessoal e social. É indiscutível, ao menos em nosso meio, o relevante papel que os cientistas têm tido na adoção de melhores métodos de ensino das ciências e, por extensão, do ensino em geral.  

José Reis. Responsabilidade de cientistas e jornalistas científicos. In: Luisa Massarani e Eliane Dias (org.). José Reis: Reflexões sobre a divulgação científica. Rio de Janeiro: Fiocruz; COC, 2018 [Originalmente publicado em: Ciência e Cultura, v. 26, n. 7, 1974] (com adaptações). 
Seriam mantidos os sentidos e a correção gramatical do texto CG1A1 caso se substituísse 
Alternativas
Q3339315 Português
Texto CG1A1

    Há muito chegamos à convicção de que a ciência no Brasil, custeada quase exclusivamente pelos cofres públicos, requer, para o apoio que merece, a compreensão da comunidade. Mas esse entendimento não se consegue, ao contrário do que parecem imaginar os cientistas, pela mera exaltação dos méritos da ciência; atinge-se pela paciente educação do povo a respeito do que ela faz e das implicações de suas conquistas.
    Também julgamos útil esse conhecimento como meio de difundir e mesmo criar atitudes que, indispensáveis ao cientista, não podem deixar de favorecer a boa formação do cidadão comum. Citamos, entre elas, o interesse pela criatividade, o espírito crítico, a busca de isenção nas conclusões e de alternativas, a contínua vigilância para que o simplesmente emocional não nos falseie o raciocínio.
    Essas qualidades têm sentido cada vez maior na sociedade moderna, que tanta força procura na tecnologia, hoje, mais do que nunca, fundada na pesquisa científica. Elas são importantes não apenas para ajudar-nos na solução objetiva de muitos problemas, nas encruzilhadas da vida, mas também para aprimoramento de muitas instituições, entre as quais a educação.
     A necessidade de um ensino vivo, em que o “túnel pedagógico” não abafe as potencialidades naturais do educando, é condição que os que militam na ciência e compreendem o que seja essa atividade defendem com empenho, assim como a defendem todos os que procuram obter, pelo sistema educacional, indivíduos capazes de ampla realização pessoal e social. É indiscutível, ao menos em nosso meio, o relevante papel que os cientistas têm tido na adoção de melhores métodos de ensino das ciências e, por extensão, do ensino em geral.  

José Reis. Responsabilidade de cientistas e jornalistas científicos. In: Luisa Massarani e Eliane Dias (org.). José Reis: Reflexões sobre a divulgação científica. Rio de Janeiro: Fiocruz; COC, 2018 [Originalmente publicado em: Ciência e Cultura, v. 26, n. 7, 1974] (com adaptações). 
A respeito do emprego de adjetivos e advérbios no texto CG1A1, assinale a opção correta.  
Alternativas
Q3338515 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Tempo ao contrário


O amor tem este poder mágico de fazer o tempo correr ao contrário. O que envelhece não é o tempo. É a rotina, o enfado, a incapacidade de se comover ante o sorriso de uma mulher ou de um homem. Mas será incapacidade mesmo? Ou não será uma outra coisa: que a sociedade inteira ensina aos seus velhos que velho que ama é velho sem-vergonha, que o tempo do amor já passou, que agora é tempo de esperar a morte, que o preço de serem amados por seus filhos e netos é a renúncia aos seus sonhos de amor?


Rubem Alves


(https://tudoportugues.com/cronicas-curtas-para-sala-de-aula/)

"Ou não será uma outra coisa: que a sociedade inteira ensina aos seus velhos que velho que ama é velho sem-vergonha , que o tempo do amor já passou."


Analise os vocábulos destacados no trecho e marque a alternativa INCORRETA. 

Alternativas
Q3336607 Português
TEXTO V – APANHO TODOS OS DIAS DA GRAMÁTICA.
ELA NÃO É TÃO IMPORTANTE ASSIM

Conceição Freitas, Metrópoles, 03/09/2019


Verissimo, filho do Érico, tem uma crônica saborosa sobre a língua portuguesa. Que as feministas mais aguerridas não nos leiam, ele diz que a gramática precisa apanhar todos os dias pra saber quem é que manda. Eu apanho dela todos os dias.

Nunca consegui decorar regras gramaticais. Tudo que é muito explicadinho me confunde. Sorte minha é que a memória visual das boas leituras tem me ajudado desde sempre a não tropeçar nos erros mais grotescos. Sei que "paralisação" é com S, que "cônjuge" se escreve assim, que "cafta" é uma receita da culinária árabe e "Kafka" é o genial escritor austríaco.

O conhecimento da língua portuguesa não é um valor moral e nem mesmo distingue quem é inteligente de quem não é. O rigor na obediência às regras gramaticais é um divisor de classe – os cultos e os supostamente incultos; os inteligentes e os burros; os graduados e os sem graduação.

O Verissimo escreveu o que quero dizer de um jeito delicioso: “...a linguagem, qualquer linguagem, é um meio de comunicação e deve ser julgada exclusivamente como tal. Respeitadas algumas regras básicas da gramática, para evitar os vexames mais gritantes, as outras são dispensáveis. A sintaxe é uma questão de uso de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer ‘escrever claro’ não é certo, mas é claro, certo? O importante é comunicar (e quando possível surpreender, iluminar, divertir, comover...). Mas aí entramos na área do talento, que também não tem nada a ver com a gramática). A gramática é o esqueleto da língua. Só predomina nas línguas mortas, e aí de interesse restrito de necrólogos e professores de Latim, gente em geral pouco comunicativa. Aquela sombria gravidade que a gente nota nas fotografias em grupo dos membros da Academia Brasileira de Letras é de reprovação pelo português ainda estar vivo. Eles só estão esperando, fardados, que o português morra para poderem carregar o caixão e escrever sua autópsia definitiva. É o esqueleto que nos traz de pé, certo, mas ele não informa nada, como a gramática é a estrutura da língua, mas sozinha não diz nada, não tem futuro. As múmias conversam entre si em gramática pura.”

Impura, sigo apanhando da gramática mesmo tendo de lidar com ela todos os dias, há tanto tempo que nem é bom contar.

Não consigo decorar, por exemplo, quando devo usar “senão” ou “se não”. (“Senão” significa “do contrário”. Como no exemplo: “Me escute, senão vou embora.” “Se não” quer dizer “caso não”. Assim: “Se não vier logo, perderá a vez.” Mas como a língua portuguesa não facilita pra ninguém, se for trocar o “se não” por “caso não”, muda a conjugação do verbo: “Caso não venha logo, perderá a vez.”) Nem adianta escrever uma crônica sobre o “senão”. Da próxima vez, terei de “googlar” de novo. Desconfio que há uma razão freudiana nessa minha dificuldade com o “se” e o “não”. Talvez porque não me dê bem com dubiedades.

Se for pra contar vantagem, posso dizer que tiro de letra o uso do “porque”, “por que”, “porquê” e “por quê”. Também sei de cor, desde criancinha, todas as preposições simples: “A, ante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, per, perante, por, sem, sobre, sob, trás”. Talvez tenha sido a única lista que decorei no tempo da escola. Como ouvi há muito tempo de um psicanalista: “Não existe memória, existe desejória.” Por isso, só guardo o que é essencialmente importante.

Se não morri até agora, disso não morro mais. Será que acertei? (Se errei, senhor revisor, me diga, que incluo suas considerações. Grata.) Senão, posso perder os leitores que pacientemente venho tentando conquistar. (Acho que agora acertei!)
O texto apresenta e explica sobre o uso do “se não” e “senão”: “Senão” significa “do contrário”. Como no exemplo: “Me escute, senão vou embora.” “Se não” quer dizer “caso não.” Sobre essas singularidades da língua, marque a opção que se apresenta em desacordo com a norma:
Alternativas
Q3336238 Português
Texto 1

Etnias e culturas do Brasil Diante de um mapa do Brasil as diversidades regionais, oriundas dos contrastes geográficos, são ainda enriquecidas pela variação da paisagem cultural. Torna-se possível, enfim, em face das variedades geográficas e culturais, fixar duas regiões bem definidas, uma em que ainda se mantém viva a predominância da base cultural lusitana, outra em que os traços culturais não lusitanos – os alemães, os italianos, os poloneses, os japoneses – vêm dando nova coloração à paisagem tanto física ou geográfica como social e cultural. (Manuel Diégues Jr.)
A frase em que a palavra “bem” se classifica, quanto ao significado, como em “Torna-se possível, enfim, em face das variedades geográficas e culturais, fixar duas regiões bem definidas...”, é:
Alternativas
Q3336180 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Desistir


Sempre será mais fácil desistir antes da partida. A tentação será por vezes incontrolável. As razões para ficar se multiplicarão. Haverá sempre apoiadores do abandono nas horas mais áridas. Daremos à desistência outro nome: engano, mudança, impossibilidade, amadurecimento, sensatez. Daremos à desistência outro dono: data, distância, orçamento, meteorologia, imprevisto, discórdia, traição. Antes de partir, podemos achar que a desistência é uma opção segura. Que os meses seguintes serão como os que passaram. Que a vida seguirá como até então seguiu. Contudo desistir é renunciar à chance de partir. A chance de descobrir que a vida pode ser muito diferente do que ela parece ser. Que nosso peito pode aguentar mais trancos, que nossas mãos podem ser mais precisas, que nossa garganta pode projetar mais vozes, que nossos olhos podem ver mais cores do que achávamos possível. Se soubéssemos o tamanho dos desafios da viagem, nunca partiríamos. E nunca descobriríamos que, de alguma forma, poderíamos vencê-los.


(Adaptado de: KLINK, Tamara. Nós: o Atlântico em solitário. São Paulo: Companhia das Letras, 2023. p. 9-10)
No trecho E nunca descobriríamos que, de alguma forma, poderíamos vencê-los, a palavra forma classifica-se como 
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Q3336031 Português
A frase abaixo em que o adjetivo sublinhado tem seu enriquecimento na frase por meio de um grupo prepositivo é:
Alternativas
Q3336027 Português
Analfabetos


Hoje considera-se que há dois tipos de analfabetos. O analfabeto específico que é o homem que não sabe ler nem escrever, e o analfabeto funcional, que é o homem que sabe ler e escrever, que pode até ter diversos graus de educação e que, do ponto de vista cultural, é tão analfabeto, ou mais do que o outro; mais, digo eu, porque perdeu a cultura popular, de experiência, de costume tradicional etc., que o analfabeto da aldeia possui, e não adquiriu outra. (Jorge de Sena) 
O advérbio “Hoje” (texto 4) se refere:
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Q3336025 Português
Método científico

Certamente a ciência se iniciou num tempo muito anterior ao registro histórico e ao das artes das cavernas. Talvez tenha nascido com o Homem, com as primeiras formas de magia tribal, resultantes das perplexidades dos primitivos diante dos fenômenos naturais e suas forças. Daí não só surgiram os embriões das religiões primitivas, como também as fontes dos conhecimentos, das experiências acumuladas pelo homem através dos séculos. Os detentores destes conhecimentos, os feiticeiros, poderiam ser comparados a sacerdotes e, mais ainda, a cientistas primitivos que, no seu empirismo, através de seus ritos mágicos, procuravam “recriar”, ou então, amenizar os fenômenos naturais.

No momento em que o homem se deu conta de que as mágicas não mereciam muita confiança, que ora davam certo, ora não, no momento em que percebeu que outros fatores, não mágicos, atuavam nos fenômenos, um importante passo foi dado. (Paulo Quintanilha Nobre de Mello)
“Daí não só surgiram os embriões das religiões primitivas, como também as fontes dos conhecimentos, das experiências acumuladas pelo homem através dos séculos.”
A frase abaixo em que a locução “através de” mostra o mesmo valor presente na frase acima do texto 3, é: 
Alternativas
Q3336014 Português
Texto 1


Etnias e culturas do Brasil

Diante de um mapa do Brasil as diversidades regionais, oriundas dos contrastes geográficos, são ainda enriquecidas pela variação da paisagem cultural. Torna-se possível, enfim, em face das variedades geográficas e culturais, fixar duas regiões bem definidas, uma em que ainda se mantém viva a predominância da base cultural lusitana, outra em que os traços culturais não lusitanos – os alemães, os italianos, os poloneses, os japoneses – vêm dando nova coloração à paisagem tanto física ou geográfica como social e cultural. (Manuel Diégues Jr.)
A preposição DE ora é empregada por exigência de um termo anterior, ora é empregada por necessidade semântica, não sendo exigida pela regência de um termo anterior.
O termo abaixo (texto 1), introduzido pela preposição DE, que é fruto de exigência anterior é:
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Q3335908 Português
A partir do texto abaixo, leia-o com atenção para responder à questão.


O fim do mundo


    A primeira vez que ouvi falar no fim do mundo, o mundo para mim não tinha nenhum sentido, ainda; de modo que não me interessava nem o seu começo nem o seu fim. Lembro-me, porém, vagamente, de umas mulheres nervosas que choravam, meio desgrenhadas, e aludiam a um cometa que andava pelo céu, responsável pelo acontecimento que elas tanto temiam.

    Nada disso se entendia comigo: o mundo era delas, o cometa era para elas: nós, crianças, existíamos apenas para brincar com as flores da goiabeira e as cores do tapete.

    Mas, uma noite, levantaram-me da cama, enrolada num lençol, e, estremunhada, levaram-me à janela para me apresentarem à força ao temível cometa. Aquilo que até então não me interessava nada, que nem vencia a preguiça dos meus olhos pareceu-me, de repente, maravilhoso. Era um pavão branco, pousado no ar, por cima dos telhados? Era uma noiva, que caminhava pela noite, sozinha, ao encontro da sua festa? Gostei muito do cometa. Devia sempre haver um cometa no céu, como há lua, sol, estrelas. Por que as pessoas andavam tão apavoradas? A mim não me causava medo nenhum.

    Ora, o cometa desapareceu, aqueles que choravam enxugaram os olhos, o mundo não se acabou, talvez eu tenha ficado um pouco triste – mas que importância tem a tristeza das crianças?

    Passou-se muito tempo. Aprendi muitas coisas, entre as quais o suposto sentido do mundo. Não duvido de que o mundo tenha sentido. Deve ter mesmo muitos, inúmeros, pois em redor de mim as pessoas mais ilustres e sabedoras fazem cada coisa que bem se vê haver um sentido do mundo peculiar a cada um.

    Dizem que o mundo termina em fevereiro próximo. Ninguém fala em cometa, e é pena, porque eu gostaria de tornar a ver um cometa, para verificar se a lembrança que conservo dessa imagem do céu é verdadeira ou inventada pelo sono dos meus olhos naquela noite já muito antiga.

    O mundo vai acabar, e certamente saberemos qual era o seu verdadeiro sentido. Se valeu a pena que uns trabalhassem tanto e outros tão pouco. Por que fomos tão sinceros ou tão hipócritas, tão falsos e tão leais. Por que pensamos tanto em nós mesmos ou só nos outros. Por que fizemos voto de pobreza ou assaltamos os cofres públicos — além dos particulares. Por que mentimos tanto, com palavras tão judiciosas. Tudo isso saberemos e muito mais do que cabe enumerar numa crônica.

    Se o fim do mundo for mesmo em fevereiro, convém pensarmos desde já se utilizamos este dom de viver da maneira mais digna.

    Em muitos pontos da terra há pessoas, neste momento, pedindo a Deus — dono de todos os mundos — que trate com benignidade as criaturas que se preparam para encerrar a sua carreira mortal. Há mesmo alguns místicos — segundo leio — que, na Índia, lançam flores ao fogo, num rito de adoração. 

    Enquanto isso, os planetas assumem os lugares que lhes competem, na ordem do universo, neste universo de enigmas a que estamos ligados e no qual por vezes nos arrogamos posições que não temos – insignificantes que somos, na tremenda grandiosidade total. 

    Ainda há uns dias a reflexão e o arrependimento: por que não os utilizaremos? Se o fim do mundo não for em fevereiro, todos teremos fim, em qualquer mês.


(MEIRELES, Cecília. Quatro vozes. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1998).
No trecho do texto, identifique o substantivo e o adjetivo que aparecem em destaque na frase: “Lembro-me, porém, vagamente, de umas mulheres nervosas que choravam...”.
Alternativas
Q3335905 Português
A partir do texto abaixo, leia-o com atenção para responder à questão.


O fim do mundo


    A primeira vez que ouvi falar no fim do mundo, o mundo para mim não tinha nenhum sentido, ainda; de modo que não me interessava nem o seu começo nem o seu fim. Lembro-me, porém, vagamente, de umas mulheres nervosas que choravam, meio desgrenhadas, e aludiam a um cometa que andava pelo céu, responsável pelo acontecimento que elas tanto temiam.

    Nada disso se entendia comigo: o mundo era delas, o cometa era para elas: nós, crianças, existíamos apenas para brincar com as flores da goiabeira e as cores do tapete.

    Mas, uma noite, levantaram-me da cama, enrolada num lençol, e, estremunhada, levaram-me à janela para me apresentarem à força ao temível cometa. Aquilo que até então não me interessava nada, que nem vencia a preguiça dos meus olhos pareceu-me, de repente, maravilhoso. Era um pavão branco, pousado no ar, por cima dos telhados? Era uma noiva, que caminhava pela noite, sozinha, ao encontro da sua festa? Gostei muito do cometa. Devia sempre haver um cometa no céu, como há lua, sol, estrelas. Por que as pessoas andavam tão apavoradas? A mim não me causava medo nenhum.

    Ora, o cometa desapareceu, aqueles que choravam enxugaram os olhos, o mundo não se acabou, talvez eu tenha ficado um pouco triste – mas que importância tem a tristeza das crianças?

    Passou-se muito tempo. Aprendi muitas coisas, entre as quais o suposto sentido do mundo. Não duvido de que o mundo tenha sentido. Deve ter mesmo muitos, inúmeros, pois em redor de mim as pessoas mais ilustres e sabedoras fazem cada coisa que bem se vê haver um sentido do mundo peculiar a cada um.

    Dizem que o mundo termina em fevereiro próximo. Ninguém fala em cometa, e é pena, porque eu gostaria de tornar a ver um cometa, para verificar se a lembrança que conservo dessa imagem do céu é verdadeira ou inventada pelo sono dos meus olhos naquela noite já muito antiga.

    O mundo vai acabar, e certamente saberemos qual era o seu verdadeiro sentido. Se valeu a pena que uns trabalhassem tanto e outros tão pouco. Por que fomos tão sinceros ou tão hipócritas, tão falsos e tão leais. Por que pensamos tanto em nós mesmos ou só nos outros. Por que fizemos voto de pobreza ou assaltamos os cofres públicos — além dos particulares. Por que mentimos tanto, com palavras tão judiciosas. Tudo isso saberemos e muito mais do que cabe enumerar numa crônica.

    Se o fim do mundo for mesmo em fevereiro, convém pensarmos desde já se utilizamos este dom de viver da maneira mais digna.

    Em muitos pontos da terra há pessoas, neste momento, pedindo a Deus — dono de todos os mundos — que trate com benignidade as criaturas que se preparam para encerrar a sua carreira mortal. Há mesmo alguns místicos — segundo leio — que, na Índia, lançam flores ao fogo, num rito de adoração. 

    Enquanto isso, os planetas assumem os lugares que lhes competem, na ordem do universo, neste universo de enigmas a que estamos ligados e no qual por vezes nos arrogamos posições que não temos – insignificantes que somos, na tremenda grandiosidade total. 

    Ainda há uns dias a reflexão e o arrependimento: por que não os utilizaremos? Se o fim do mundo não for em fevereiro, todos teremos fim, em qualquer mês.


(MEIRELES, Cecília. Quatro vozes. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1998).

No trecho “Dizem que o mundo termina em fevereiro próximo.”, o verbo “dizem” está flexionado no

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Q3335817 Português
A partir do texto abaixo, leia-o com atenção para responder à questão.


Olhos d’água

          Uma noite, há anos, acordei bruscamente e uma estranha pergunta explodiu de minha boca. De que cor eram os olhos de minha mãe? Atordoada custei reconhecer o quarto da nova casa em que estava morando e não conseguia me lembrar como havia chegado até ali. E a insistente pergunta, martelando, martelando... De que cor eram os olhos de minha mãe? Aquela indagação havia surgido há dias, há meses, posso dizer. Entre um afazer e outro, eu me pegava pensando de que cor seriam os olhos de minha mãe. E o que a princípio tinha sido um mero pensamento interrogativo, naquela noite se transformou em uma dolorosa pergunta carregada de um tom acusatório. Então, eu não sabia de que cor eram os olhos de minha mãe?

       Sendo a primeira de sete filhas, desde cedo, busquei dar conta de minhas próprias dificuldades, cresci rápido, passando por uma breve adolescência. Sempre ao lado de minha mãe aprendi conhecê-la. Decifrava o seu silêncio nas horas de dificuldades, como também sabia reconhecer, em seus gestos, prenúncios de possíveis alegrias. Naquele momento, entretanto, me descobria cheia de culpa, por não recordar de que cor seriam os seus olhos. Eu achava tudo muito estranho, pois me lembrava nitidamente de vários detalhes do corpo dela. Da unha encravada do dedo mindinho do pé esquerdo... Da verruga que se perdia no meio da cabeleira crespa e bela... Um dia, brincando de pentear boneca, alegria que a mãe nos dava quando, deixando por uns momentos o lava-lava, o passa-passa das roupagens alheias, se tornava uma grande boneca negra para as filhas, descobrimos uma bolinha escondida bem no couro cabeludo dela. Pensamos que fosse carrapato. A mãe cochilava e uma de minhas irmãs aflita, querendo livrar a boneca-mãe daquele padecer, puxou rápido o bichinho. A mãe e nós rimos e rimos e rimos de nosso engano. A mãe riu tanto das lágrimas escorrerem. Mas, de que cor eram os olhos dela?

       Eu me lembrava também de algumas histórias da infância de minha mãe. Ela havia nascido em um lugar perdido no interior de Minas. Ali, as crianças andavam nuas até bem grandinhas. As meninas, assim que os seios começavam a brotar, ganhavam roupas antes dos meninos. Às vezes, as histórias da infância de minha mãe confundiam-se com as de minha própria infância. Lembro-me de que muitas vezes, quando a mãe cozinhava, da panela subia cheiro algum. Era como se cozinhasse ali, apenas o nosso desesperado desejo de alimento. As labaredas, sob a água solitária que fervia na panela cheia de fome, pareciam debochar do vazio do nosso estômago, ignorando nossas bocas infantis em que as línguas brincavam a salivar sonho de comida. E era justamente nos dias de parco ou nenhum alimento que ela mais brincava com as filhas. Nessas ocasiões a brincadeira preferida era aquela em que a mãe era a Senhora, a Rainha. Ela se assentava em seu trono, um pequeno banquinho de madeira. Felizes colhíamos flores cultivadas em um pequeno pedaço de terra que circundava o nosso barraco. Aquelas flores eram depois solenemente distribuídas por seus cabelos, braços e colo. E diante dela fazíamos reverências à Senhora. Postávamos deitadas no chão e batíamos cabeça para a Rainha. Nós, princesas, em volta dela, cantávamos, dançávamos, sorríamos. A mãe só ria, de uma maneira triste e com um sorriso molhado... Mas de que cor eram os olhos de minha mãe? Eu sabia, desde aquela época, que a mãe inventava esse e outros jogos para distrair a nossa fome. E a nossa fome se distraía.

    Às vezes, no final da tarde, antes que a noite tomasse conta do tempo, ela se assentava na soleira da porta e juntas ficávamos contemplando as artes das nuvens no céu. Umas viravam carneirinhos; outras, cachorrinhos; algumas, gigantes adormecidos, e havia aquelas que eram só nuvens, algodão doce. A mãe, então, espichava o braço que ia até o céu, colhia aquela nuvem, repartia em pedacinhos e enfiava rápido na boca de cada uma de nós. Tudo tinha de ser muito rápido, antes que a nuvem derretesse e com ela os nossos sonhos se esvaecessem também. Mas, de que cor eram os olhos de minha mãe?

      Lembro-me ainda do temor de minha mãe nos dias de fortes chuvas. Em cima da cama, agarrada a nós, ela nos protegia com seu abraço. E com os olhos alagados de pranto balbuciava rezas a Santa Bárbara, temendo que o nosso frágil barraco desabasse sobre nós. E eu não sei se o lamento-pranto de minha mãe, se o barulho da chuva... Sei que tudo me causava a sensação de que a nossa casa balançava ao vento. Nesses momentos os olhos de minha mãe se confundiam com os olhos da natureza. Chovia, chorava! Chorava, chovia! Então, porque eu não conseguia lembrar a cor dos olhos dela?

     E naquela noite a pergunta continuava me atormentando. Havia anos que eu estava fora de minha cidade natal. Saíra de minha casa em busca de melhor condição de vida para mim e para minha família: ela e minhas irmãs que tinham ficado para trás. Mas eu nunca esquecera a minha mãe. Reconhecia a importância dela na minha vida, não só dela, mas de minhas tias e todas a mulheres de minha família. E também, já naquela época, eu entoava cantos de louvor a todas nossas ancestrais, que desde a África vinham arando a terra da vida com as suas próprias mãos, palavras e sangue. Não, eu não esqueço essas Senhoras, nossas Yabás, donas de tantas sabedorias. Mas de que cor eram os olhos de minha mãe?

     E foi então que, tomada pelo desespero por não me lembrar de que cor seriam os olhos de minha mãe, naquele momento, resolvi deixar tudo e, no outro dia, voltar à cidade em que nasci. Eu precisava buscar o rosto de minha mãe, fixar o meu olhar no dela, para nunca mais esquecer a cor de seus olhos.
E assim fiz. Voltei, aflita, mas satisfeita. Vivia a sensação de estar cumprindo um ritual, em que a oferenda aos Orixás deveria ser descoberta da cor dos olhos de minha mãe.

     E quando, após longos dias de viagem para chegar à minha terra, pude contemplar extasiada os olhos de minha mãe, sabem o que vi? Sabem o que vi?

     Vi só lágrimas e lágrimas. Entretanto, ela sorria feliz. Mas, eram tantas lágrimas, que eu me perguntei se minha mãe tinha olhos ou rios caudalosos sobre a face? E só então compreendi. Minha mãe trazia, serenamente em si, águas cor- Página 3 de 10 rentezas. Por isso, prantos e prantos a enfeitar o seu rosto. A cor dos olhos de minha mãe era cor de olhos d’água. Águas de Mamãe Oxum! Rios calmos, mas profundos e enganosos para quem contempla a vida apenas pela superfície. Sim, águas de Mamãe Oxum.

      Abracei a mãe, encostei meu rosto no dela e pedi proteção. Senti as lágrimas delas se misturarem às minhas.

     Hoje, quando já alcancei a cor dos olhos de minha mãe, tento descobrir a cor dos olhos de minha filha. Faço a brincadeira em que os olhos de uma são o espelho dos olhos da outra. E um dia desses me surpreendi com um gesto de minha menina. Quando nós duas estávamos nesse doce jogo, ela tocou suavemente o meu rosto, me contemplando intensamente. E, enquanto jogava o olhar dela no meu, perguntou baixinho, mas tão baixinho como se fosse uma pergunta para ela mesma, ou como estivesse buscando e encontrando a revelação de um mistério ou de um grande segredo. Eu escutei, quando, sussurrando minha filha falou:

     Mãe, qual é a cor tão úmida de seus olhos?


(Conceição Evaristo. Olhos d’água. 1. Ed. Rio de Janeiro:
Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016. p. 15-19)
No trecho a seguir: “Eu sabia, desde aquela época, que a mãe inventava esse e outros jogos para distrair a nossa fome. E a nossa fome se distraía.” identifique o advérbio e sua classificação nas alternativas e assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3335816 Português
A partir do texto abaixo, leia-o com atenção para responder à questão.


Olhos d’água

          Uma noite, há anos, acordei bruscamente e uma estranha pergunta explodiu de minha boca. De que cor eram os olhos de minha mãe? Atordoada custei reconhecer o quarto da nova casa em que estava morando e não conseguia me lembrar como havia chegado até ali. E a insistente pergunta, martelando, martelando... De que cor eram os olhos de minha mãe? Aquela indagação havia surgido há dias, há meses, posso dizer. Entre um afazer e outro, eu me pegava pensando de que cor seriam os olhos de minha mãe. E o que a princípio tinha sido um mero pensamento interrogativo, naquela noite se transformou em uma dolorosa pergunta carregada de um tom acusatório. Então, eu não sabia de que cor eram os olhos de minha mãe?

       Sendo a primeira de sete filhas, desde cedo, busquei dar conta de minhas próprias dificuldades, cresci rápido, passando por uma breve adolescência. Sempre ao lado de minha mãe aprendi conhecê-la. Decifrava o seu silêncio nas horas de dificuldades, como também sabia reconhecer, em seus gestos, prenúncios de possíveis alegrias. Naquele momento, entretanto, me descobria cheia de culpa, por não recordar de que cor seriam os seus olhos. Eu achava tudo muito estranho, pois me lembrava nitidamente de vários detalhes do corpo dela. Da unha encravada do dedo mindinho do pé esquerdo... Da verruga que se perdia no meio da cabeleira crespa e bela... Um dia, brincando de pentear boneca, alegria que a mãe nos dava quando, deixando por uns momentos o lava-lava, o passa-passa das roupagens alheias, se tornava uma grande boneca negra para as filhas, descobrimos uma bolinha escondida bem no couro cabeludo dela. Pensamos que fosse carrapato. A mãe cochilava e uma de minhas irmãs aflita, querendo livrar a boneca-mãe daquele padecer, puxou rápido o bichinho. A mãe e nós rimos e rimos e rimos de nosso engano. A mãe riu tanto das lágrimas escorrerem. Mas, de que cor eram os olhos dela?

       Eu me lembrava também de algumas histórias da infância de minha mãe. Ela havia nascido em um lugar perdido no interior de Minas. Ali, as crianças andavam nuas até bem grandinhas. As meninas, assim que os seios começavam a brotar, ganhavam roupas antes dos meninos. Às vezes, as histórias da infância de minha mãe confundiam-se com as de minha própria infância. Lembro-me de que muitas vezes, quando a mãe cozinhava, da panela subia cheiro algum. Era como se cozinhasse ali, apenas o nosso desesperado desejo de alimento. As labaredas, sob a água solitária que fervia na panela cheia de fome, pareciam debochar do vazio do nosso estômago, ignorando nossas bocas infantis em que as línguas brincavam a salivar sonho de comida. E era justamente nos dias de parco ou nenhum alimento que ela mais brincava com as filhas. Nessas ocasiões a brincadeira preferida era aquela em que a mãe era a Senhora, a Rainha. Ela se assentava em seu trono, um pequeno banquinho de madeira. Felizes colhíamos flores cultivadas em um pequeno pedaço de terra que circundava o nosso barraco. Aquelas flores eram depois solenemente distribuídas por seus cabelos, braços e colo. E diante dela fazíamos reverências à Senhora. Postávamos deitadas no chão e batíamos cabeça para a Rainha. Nós, princesas, em volta dela, cantávamos, dançávamos, sorríamos. A mãe só ria, de uma maneira triste e com um sorriso molhado... Mas de que cor eram os olhos de minha mãe? Eu sabia, desde aquela época, que a mãe inventava esse e outros jogos para distrair a nossa fome. E a nossa fome se distraía.

    Às vezes, no final da tarde, antes que a noite tomasse conta do tempo, ela se assentava na soleira da porta e juntas ficávamos contemplando as artes das nuvens no céu. Umas viravam carneirinhos; outras, cachorrinhos; algumas, gigantes adormecidos, e havia aquelas que eram só nuvens, algodão doce. A mãe, então, espichava o braço que ia até o céu, colhia aquela nuvem, repartia em pedacinhos e enfiava rápido na boca de cada uma de nós. Tudo tinha de ser muito rápido, antes que a nuvem derretesse e com ela os nossos sonhos se esvaecessem também. Mas, de que cor eram os olhos de minha mãe?

      Lembro-me ainda do temor de minha mãe nos dias de fortes chuvas. Em cima da cama, agarrada a nós, ela nos protegia com seu abraço. E com os olhos alagados de pranto balbuciava rezas a Santa Bárbara, temendo que o nosso frágil barraco desabasse sobre nós. E eu não sei se o lamento-pranto de minha mãe, se o barulho da chuva... Sei que tudo me causava a sensação de que a nossa casa balançava ao vento. Nesses momentos os olhos de minha mãe se confundiam com os olhos da natureza. Chovia, chorava! Chorava, chovia! Então, porque eu não conseguia lembrar a cor dos olhos dela?

     E naquela noite a pergunta continuava me atormentando. Havia anos que eu estava fora de minha cidade natal. Saíra de minha casa em busca de melhor condição de vida para mim e para minha família: ela e minhas irmãs que tinham ficado para trás. Mas eu nunca esquecera a minha mãe. Reconhecia a importância dela na minha vida, não só dela, mas de minhas tias e todas a mulheres de minha família. E também, já naquela época, eu entoava cantos de louvor a todas nossas ancestrais, que desde a África vinham arando a terra da vida com as suas próprias mãos, palavras e sangue. Não, eu não esqueço essas Senhoras, nossas Yabás, donas de tantas sabedorias. Mas de que cor eram os olhos de minha mãe?

     E foi então que, tomada pelo desespero por não me lembrar de que cor seriam os olhos de minha mãe, naquele momento, resolvi deixar tudo e, no outro dia, voltar à cidade em que nasci. Eu precisava buscar o rosto de minha mãe, fixar o meu olhar no dela, para nunca mais esquecer a cor de seus olhos.
E assim fiz. Voltei, aflita, mas satisfeita. Vivia a sensação de estar cumprindo um ritual, em que a oferenda aos Orixás deveria ser descoberta da cor dos olhos de minha mãe.

     E quando, após longos dias de viagem para chegar à minha terra, pude contemplar extasiada os olhos de minha mãe, sabem o que vi? Sabem o que vi?

     Vi só lágrimas e lágrimas. Entretanto, ela sorria feliz. Mas, eram tantas lágrimas, que eu me perguntei se minha mãe tinha olhos ou rios caudalosos sobre a face? E só então compreendi. Minha mãe trazia, serenamente em si, águas cor- Página 3 de 10 rentezas. Por isso, prantos e prantos a enfeitar o seu rosto. A cor dos olhos de minha mãe era cor de olhos d’água. Águas de Mamãe Oxum! Rios calmos, mas profundos e enganosos para quem contempla a vida apenas pela superfície. Sim, águas de Mamãe Oxum.

      Abracei a mãe, encostei meu rosto no dela e pedi proteção. Senti as lágrimas delas se misturarem às minhas.

     Hoje, quando já alcancei a cor dos olhos de minha mãe, tento descobrir a cor dos olhos de minha filha. Faço a brincadeira em que os olhos de uma são o espelho dos olhos da outra. E um dia desses me surpreendi com um gesto de minha menina. Quando nós duas estávamos nesse doce jogo, ela tocou suavemente o meu rosto, me contemplando intensamente. E, enquanto jogava o olhar dela no meu, perguntou baixinho, mas tão baixinho como se fosse uma pergunta para ela mesma, ou como estivesse buscando e encontrando a revelação de um mistério ou de um grande segredo. Eu escutei, quando, sussurrando minha filha falou:

     Mãe, qual é a cor tão úmida de seus olhos?


(Conceição Evaristo. Olhos d’água. 1. Ed. Rio de Janeiro:
Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016. p. 15-19)
No trecho a seguir, observe a flexão verbal e assinale a alternativa que apresenta a análise correta: “Eu achava tudo muito estranho, pois me lembrava nitidamente de vários detalhes do corpo dela.” 
Alternativas
Ano: 2025 Banca: FGV Órgão: MPU Provas: FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Contabilidade | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Atuarial | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Engenharia Florestal | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Desenvolvimento de Sistemas | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Engenharia Mecânica | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Economia | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Arquivologia | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Engenharia Sanitária | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Oftalmologia | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Junta Médica em Psiquiatria | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Clínica Médica | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Comunicação Social | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Antropologia | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Enfermagem | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Arquitetura | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Engenharia Agronômica | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Geografia | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Geologia | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Engenharia Civil | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Engenharia de Segurança do Trabalho | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Biologia | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Medicina do Trabalho | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Ginecologia | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Engenharia Elétrica | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Oceanografia | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Perito em Tecnologia da Informação e Comunicação | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Odontologia | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Psicologia | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Serviço Social | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Suporte e Infraestrutura | FGV - 2025 - MPU - Analista do MPU - Biblioteconomia |
Q3335564 Português
A definição de um vocábulo deve respeitar a natureza do vocábulo.
Entre as definições abaixo, aquela que procede desse modo, tornando-se uma definição válida, é:
Alternativas
Q3335394 Português
De acordo com a regra de flexão dos substantivos para masculino e feminino, avaliar se as afirmativas são certas (C) ou erradas (E) e assinalar a sequência correspondente.

( ) “Ermitoa” é o feminino de “ermitão”.
( ) “Reia” é o feminino de “réu”.
( ) “Foliã” é o feminino de “folião”. 
Alternativas
Q3335389 Português

Ciclo menstrual leva a alterações estruturais no cérebro, diz estudo



    Um estudo recente mostra que os hormônios que guiam o ciclo menstrual podem levar a alterações cerebrais nas pessoas que menstruam. Pesquisadoras da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, nos Estados Unidos, documentaram em detalhes as mudanças estruturais que ocorrem no cérebro à medida que os níveis dos hormônios relacionados à menstruação se alteram. 

    Publicado no periódico Human Brain Mapping, o estudo sugere que as mudanças estruturais no cérebro ocorridas durante a menstruação podem não estar limitadas às regiões associadas ao ciclo menstrual. Isso indica que ocorrem alterações em todo o cérebro ao longo da menstruação.

    Segundo Helga Marquesini, ginecologista do Hospital Sírio-Libanês em São Paulo, já existem alguns estudos que mostram que o ciclo menstrual pode influenciar o funcionamento do cérebro, ativando ou desativando áreas que executam tarefas como fala, emoções e memórias.

Fonte: CNN Brasil. Adaptado.
As palavras sublinhadas no 1º parágrafo são classificadas como:
Alternativas
Q3335063 Português
Assinalar a alternativa em que a flexão de gênero (masculino e feminino) dos substantivos abaixo foi feita INCORRETAMENTE.
Alternativas
Q3334294 Português
A importância da solidariedade para o desenvolvimento social

Comportamento moral une indivíduos e grupos em torno de um bem comum, seja em uma comunidade local ou mundial


   Atualmente, muito se fala sobre o poder da empatia. Ela é, de fato, importante para a nossa sociedade. Você sabia, por exemplo, que o FBI aplica a empatia em situações envolvendo reféns? Porém, a empatia por si só pode não ser suficiente para mudar o mundo. Isto é: você pode até sentir empatia por vítimas de guerras ou desastres, mas não mudar sua rotina por conta disso. Para ter outro cenário, é necessário um componente diferente: a solidariedade.

    A solidariedade é um valor muito importante, já que tem o poder de engajar pessoas de uma comunidade em torno de um objetivo comum. E por “comunidade”, pode-se compreender desde um bairro até mesmo o planeta como um todo. Afinal, os problemas globais são sentidos da mesma maneira pelas pessoas que os enfrentam. A dor da fome, por exemplo, é igual para pessoas em qualquer lugar do mundo.

    Praticar a solidariedade é ter empatia à flor da pele. Assim, a pessoa ou a comunidade se sente compelida a agir em situações de calamidade, seja ela social, política ou ambiental. Dessa maneira, é importante que a solidariedade seja estimulada desde cedo nas pessoas. Afinal, elas podem se tornar adultas mais conscientes do seu papel na sociedade.

   O sociólogo francês Émile Durkheim descreveu a solidariedade em sua obra intitulada “Da Divisão do Trabalho Social”, publicada em 1983. Segundo o pensador, a solidariedade é uma relação moral que permite aos indivíduos se sentirem pertencentes a uma sociedade. Além disso, ela depende de fatores como as tradições e os costumes desse próprio grupo.

   Durkheim também separou a solidariedade em três categorias: solidariedade comunitária – o sentimento social que agrega interesses comuns de um grande grupo de indivíduos que lutam juntos pelo mesmo objetivo; solidariedade orgânica – como os indivíduos de uma mesma sociedade estão cada vez mais especializados em determinados assuntos, cria-se uma dependência social em que cada um é importante para uma finalidade; solidariedade mecânica – neste tipo, os indivíduos realizam suas atividades de maneira individual e independente de seus pares, dando continuidade às crenças e aos costumes comuns que possibilitam a vida em sociedade.

   Em um mundo cada vez mais digital, tem surgido um novo termo: a solidariedade de dados. As práticas digitais têm gerado uma infinidade de dados sobre assuntos importantes, como meio ambiente, educação, desigualdade e autoritarismo. O acesso a essas informações pode ser crucial para tomada de decisões rápidas e assertivas.

   Por conta disso, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) criou o Laboratório de Políticas Inclusivas. Dessa maneira, busca-se uma maior compreensão de como essas informações devem estar acessíveis. Porém, muitas vezes, elas vão de encontro a leis de proteção de dados pessoais, mostrando a necessidade de debate sobre o assunto.

   Ou seja, esses mesmos formuladores de leis precisam compreender como os dados pertinentes a mudanças sociais devem ser armazenados e compartilhados. Assim, a solidariedade de dados visa facilitar o acesso a informações de valor público significativo, considerando todos os riscos possíveis dessa prática.


https://grupomarista.org.br/blog/solidariedade/
O termo sublinhado do texto que apresenta valor de afirmação está em
Alternativas
Q3334293 Português
A importância da solidariedade para o desenvolvimento social

Comportamento moral une indivíduos e grupos em torno de um bem comum, seja em uma comunidade local ou mundial


   Atualmente, muito se fala sobre o poder da empatia. Ela é, de fato, importante para a nossa sociedade. Você sabia, por exemplo, que o FBI aplica a empatia em situações envolvendo reféns? Porém, a empatia por si só pode não ser suficiente para mudar o mundo. Isto é: você pode até sentir empatia por vítimas de guerras ou desastres, mas não mudar sua rotina por conta disso. Para ter outro cenário, é necessário um componente diferente: a solidariedade.

    A solidariedade é um valor muito importante, já que tem o poder de engajar pessoas de uma comunidade em torno de um objetivo comum. E por “comunidade”, pode-se compreender desde um bairro até mesmo o planeta como um todo. Afinal, os problemas globais são sentidos da mesma maneira pelas pessoas que os enfrentam. A dor da fome, por exemplo, é igual para pessoas em qualquer lugar do mundo.

    Praticar a solidariedade é ter empatia à flor da pele. Assim, a pessoa ou a comunidade se sente compelida a agir em situações de calamidade, seja ela social, política ou ambiental. Dessa maneira, é importante que a solidariedade seja estimulada desde cedo nas pessoas. Afinal, elas podem se tornar adultas mais conscientes do seu papel na sociedade.

   O sociólogo francês Émile Durkheim descreveu a solidariedade em sua obra intitulada “Da Divisão do Trabalho Social”, publicada em 1983. Segundo o pensador, a solidariedade é uma relação moral que permite aos indivíduos se sentirem pertencentes a uma sociedade. Além disso, ela depende de fatores como as tradições e os costumes desse próprio grupo.

   Durkheim também separou a solidariedade em três categorias: solidariedade comunitária – o sentimento social que agrega interesses comuns de um grande grupo de indivíduos que lutam juntos pelo mesmo objetivo; solidariedade orgânica – como os indivíduos de uma mesma sociedade estão cada vez mais especializados em determinados assuntos, cria-se uma dependência social em que cada um é importante para uma finalidade; solidariedade mecânica – neste tipo, os indivíduos realizam suas atividades de maneira individual e independente de seus pares, dando continuidade às crenças e aos costumes comuns que possibilitam a vida em sociedade.

   Em um mundo cada vez mais digital, tem surgido um novo termo: a solidariedade de dados. As práticas digitais têm gerado uma infinidade de dados sobre assuntos importantes, como meio ambiente, educação, desigualdade e autoritarismo. O acesso a essas informações pode ser crucial para tomada de decisões rápidas e assertivas.

   Por conta disso, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) criou o Laboratório de Políticas Inclusivas. Dessa maneira, busca-se uma maior compreensão de como essas informações devem estar acessíveis. Porém, muitas vezes, elas vão de encontro a leis de proteção de dados pessoais, mostrando a necessidade de debate sobre o assunto.

   Ou seja, esses mesmos formuladores de leis precisam compreender como os dados pertinentes a mudanças sociais devem ser armazenados e compartilhados. Assim, a solidariedade de dados visa facilitar o acesso a informações de valor público significativo, considerando todos os riscos possíveis dessa prática.


https://grupomarista.org.br/blog/solidariedade/
No trecho "Porém, a empatia por si só pode não ser suficiente para mudar o mundo." (1º parágrafo), o termo destacado expressa a ideia de
Alternativas
Respostas
3421: A
3422: A
3423: D
3424: E
3425: E
3426: E
3427: A
3428: E
3429: D
3430: B
3431: A
3432: B
3433: E
3434: B
3435: E
3436: B
3437: B
3438: A
3439: B
3440: C