Questões de Concurso
Comentadas sobre morfologia em português
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I.Um pesquisador apresentou uma proposta inovadora ao conselho universitário.
II.A docente encaminhou o relatório ao coordenador do curso.
III.Uns alunos solicitaram uma nova avaliação do conteúdo ministrado.
IV.O projeto foi desenvolvido por uma equipe experiente.
V.Muitos candidatos compareceram à entrevista final.
É CORRETO o que se afirma em:
“Imagine que você tem olhos castanhos e ambos os seus pais têm olhos claros, azuis ou verdes” (1º parágrafo).
O verbo em destaque está flexionado no:
“Humanidade ambiciosa
E gananciosa”
Considerando as regras de concordância nominal da Língua Portuguesa e a estrutura sintática do fragmento, assinale a alternativa correta.
I- “Humanidade” é um substantivo.
II- “Ambiciosa” funciona como adjetivo, qualificando o substantivo.
III- “Gananciosa” exerce função de advérbio.
IV- “E” é uma conjunção coordenativa aditiva.
É correto apenas o que se afirma em:
TEXTO: ESSENCIALISMO GENÉTICO
A maioria das características humanas é poligênica, depende da interação de vários genes. Cor dos olhos, ao contrário do que sugerem os exercícios do ensino médio, é um bom exemplo
Natalia Pasternak
Imagine que você tem olhos castanhos e ambos os seus pais têm olhos claros, azuis ou verdes. Quantas vezes você já teria ouvido que não pode ser filho biológico do casal? A crença de que cor dos olhos é uma herança determinada por um único gene, com alelo dominante (castanho) e alelo recessivo (azul ou verde), vem da maneira simplificada como abordamos genética no ensino fundamental e médio. Quem não se lembra do “Aa” e das tabelas de quadradinhos?
Alguns autores estudam o ensino da genética mendeliana e sua influência na aceitação do chamado essencialismo, ou determinismo, genético. Essa ideia baseia-se no entendimento – enganoso – de que características fisiológicas e comportamentos são produtos lineares de um único gene. Ou seja, haveria um gene para cada característica: o gene da inteligência, por exemplo. O problema é que este tipo de herança é muito raro. A maioria das características humanas é poligênica, depende da interação de vários genes. Cor dos olhos, ao contrário do que sugerem os exercícios do ensino médio, é um bom exemplo. Por isso é falso dizer que uma criança de olhos castanhos não pode ter pais de olhos claros.
O determinismo genético também desconsidera interações com o ambiente. Duas plantas da mesma espécie com o mesmo genoma podem ter alturas diferentes, por exemplo, dependendo do tipo de solo, quantidade de luz e nutrientes.
E por que isto é um problema? Porque pode induzir a um “fatalismo” e crenças de que características como inteligência, aptidões, comportamentos e até mesmo suscetibilidade para doenças, são inatas, fixas e imutáveis. Estudos mostraram que o entendimento correto de como funciona a herança genética reduz a crença em ideias baseadas em essencialismo genético, como racismo e eugenia. Os autores de uma pesquisa mediram conhecimento básico de genética, nível de crença em determinismo genético, crenças em dominação social, e crenças em eugenia.
Exemplos de afirmações utilizadas para fazer essas medições incluem “alcoolismo é primariamente causado por fatores genéticos”, “criminosos não deveriam ser autorizados a se reproduzir e deixar descendentes”, e “esterilizar pessoas com características indesejadas pode melhorar gerações futuras”. Os resultados mostraram que quanto maior o entendimento de genética, menor a crença em determinismo, essencialismo, racismo e dominação social de um grupo sobre outro.
A boa notícia é que é fácil corrigir o essencialismo. Pesquisadores conduziram uma série de experimentos controlados com crianças e adolescentes, alterando a maneira como a hereditariedade era ensinada na escola. Perceberam que nos grupos onde a genética era ensinada do modo tradicional, os alunos desenvolviam crenças deterministas, e nos grupos onde o tema era introduzido com estudos sobre diferenças e semelhanças genéticas entre populações, as crenças eram reduzidas. Os autores ainda testaram uma intervenção para corrigir as crenças deterministas, e concluíram que basta uma série de cinco aulas mostrando a baixa diversidade genética entre indivíduos, e que existe maior diversidade entre grupos do mesmo continente do que comparando continentes diferentes.
Gregor Mendel, o monge católico do século 19 cujos experimentos com ervilhas deram origem ao modelo simplificado “Aa”, deve ser celebrado e ensinado nas escolas. Mas a genética mendeliana precisa ser ensinada como parte de um contexto maior, e não como a base de toda a genética e da hereditariedade.
Fonte: https://oglobo.globo.com/blogs/a-hora-da ciencia/post/2025/07/essencialismo-genetico.ghtml. Acesso em 12/02/2026. Fragmento
Quanto ao processo de formação de palavra, assinale a alternativa correta:
TEXTO III
Sustentabilidade urbana: impactos do desenvolvimento econômico e suas consequências sobre o processo de urbanização em países emergentes
A Revolução Industrial trouxe, entre inúmeras mudanças na vida social e econômica, a separação entre os locais de residência e de trabalho e, a partir daí, a necessidade diária de deslocamento das pessoas entre esses dois locais. O transporte coletivo tem sido, desde então, a solução encontrada para garantir a mobilização da força de trabalho para o funcionamento das estruturas industriais e comerciais que, por inúmeras razões, têm a cidade como lócus privilegiado, bem como a dos consumidores.
Toda a indústria de produção de meios de transporte se desenvolve então com esse propósito central e no mesmo diapasão se organizam as cidades. Muito além, entretanto, do papel de suporte às ligações entre locais de trabalho e residência, o sistema de mobilidade possui uma relação recíproca com a cidade e com o espaço. Sem dúvida, uma das mais importantes características da mobilidade, notadamente das infraestruturas de transporte, são as mudanças na acessibilidade em seu entorno, ao serem implantadas, expandidas ou melhoradas. Essa diferença de acessibilidade permite/provoca mudanças significativas na realização de atividades sociais e econômicas em geral.
Assim, [...] a política de investimentos deve ser pensada em caráter nivelador de oportunidades para todos os habitantes do espaço urbano. A elaboração de um planejamento voltado para o desenvolvimento socioeconômico baseado na inclusão social é princípio fundamental da mobilidade urbana e deve ser pensado para além da construção física. Seus impactos superam a lógica das viagens e adentram o processo de formação de oportunidades. Os elementos mencionados mostram que as questões centrais da mobilidade não podem ser entendidas como questões pontuais (embora, muitas vezes, importantes) nem podem ser tratadas em uma política pública por meio de soluções também pontuais.
Fonte: Disponível em: https://www.gov.br/cidades/pt-/assuntos/publicacoes/arquivos/arquivos/mobilidade_urbana. Acesso em: 08 fev. 2026.
TEXTO III
Sustentabilidade urbana: impactos do desenvolvimento econômico e suas consequências sobre o processo de urbanização em países emergentes
A Revolução Industrial trouxe, entre inúmeras mudanças na vida social e econômica, a separação entre os locais de residência e de trabalho e, a partir daí, a necessidade diária de deslocamento das pessoas entre esses dois locais. O transporte coletivo tem sido, desde então, a solução encontrada para garantir a mobilização da força de trabalho para o funcionamento das estruturas industriais e comerciais que, por inúmeras razões, têm a cidade como lócus privilegiado, bem como a dos consumidores.
Toda a indústria de produção de meios de transporte se desenvolve então com esse propósito central e no mesmo diapasão se organizam as cidades. Muito além, entretanto, do papel de suporte às ligações entre locais de trabalho e residência, o sistema de mobilidade possui uma relação recíproca com a cidade e com o espaço. Sem dúvida, uma das mais importantes características da mobilidade, notadamente das infraestruturas de transporte, são as mudanças na acessibilidade em seu entorno, ao serem implantadas, expandidas ou melhoradas. Essa diferença de acessibilidade permite/provoca mudanças significativas na realização de atividades sociais e econômicas em geral.
Assim, [...] a política de investimentos deve ser pensada em caráter nivelador de oportunidades para todos os habitantes do espaço urbano. A elaboração de um planejamento voltado para o desenvolvimento socioeconômico baseado na inclusão social é princípio fundamental da mobilidade urbana e deve ser pensado para além da construção física. Seus impactos superam a lógica das viagens e adentram o processo de formação de oportunidades. Os elementos mencionados mostram que as questões centrais da mobilidade não podem ser entendidas como questões pontuais (embora, muitas vezes, importantes) nem podem ser tratadas em uma política pública por meio de soluções também pontuais.
Fonte: Disponível em: https://www.gov.br/cidades/pt-/assuntos/publicacoes/arquivos/arquivos/mobilidade_urbana. Acesso em: 08 fev. 2026.
Para responder à questão, leia o texto abaixo.
O combinado que nunca fizemos
No restaurante, da mesa ao lado, eu via o pai no
celular, os dois filhos no celular e a mãe ali, presente, comendo sozinha no
meio da própria família. Não consegui me desligar da cena. Ela já desistiu de
competir com as telas? Está com raiva? Está acostumada? Nem percebe mais?
Eu não a conheço, mas reconheço o que vi. Você,
provavelmente, também.
Aquela mesa é um retrato silencioso de algo que
aconteceu sem que ninguém tenha decidido que deveria acontecer. O celular não
está na vida das famílias brasileiras por decisão pedagógica, recomendação
médica ou escolha consciente. Está por conveniência, por cansaço, porque a
criança está entediada, porque a refeição fica mais tranquila, porque os pais
precisavam de dez minutos de paz... E o celular entrega isso de graça, na hora,
sem esforço.
Nunca combinamos nada. E quando não se combina nada, o
padrão vence. O padrão, hoje, é tela.
E o Brasil já tem números para provar que essa não é
uma impressão de quem almoça ao lado de uma família fora da regra. Segundo a
pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024, do Cetic.br, 93% das crianças e
adolescentes de nove a 17 anos usam a internet. São 24,5 milhões de pessoas.
Dessas, 98% acessam pelo celular. Aos nove anos, 60% têm perfil em rede social.
Aos 15, são 99%.
Mas o dado que mais me assusta não é esse.
É que 72% das crianças e adolescentes têm permissão
dos pais para usar redes sociais quando estão sozinhos. E apenas um quarto
dos responsáveis usa alguma ferramenta para limitar o tempo de uso.
A maioria das famílias brasileiras não tem um
combinado claro. E, sem combinado, o padrão vence.
Para piorar: quando os próprios jovens tentam reagir,
não conseguem. A mesma pesquisa mostra que 24% dos adolescentes de 11 a 17 anos
tentaram passar menos tempo na internet e falharam. Cerca de um em cada cinco
admite ter passado menos tempo com família, amigos ou lição de casa por causa
do uso excessivo. Uma parcela semelhante relata ter deixado de comer ou dormir.
Esses não são adultos com anos de hábito acumulado.
São crianças e adolescentes que já se percebem presos em um vício, que não
conseguem sair sozinhos.
A situação começa antes do que a maioria imagina. Uma
pesquisa da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal com o Datafolha, publicada em
2025, revelou que 78% das crianças de zero a três anos já estão expostas a
telas todos os dias. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda, para essa
faixa etária, zero. Não é uma hora, nem meia. É zero.
Estamos tão longe da recomendação que ela virou
ficção.
E aqui preciso fazer uma pausa para falar de algo que
os dados brasileiros deixam claro e que poucos comentam: a solidão das mães
nessa luta. Em praticamente todas as perguntas da TIC Kids Online sobre quem
orienta, quem conversa, quem supervisiona o uso de internet dos filhos, as mães
aparecem em maioria. São elas que mais checam o celular dos filhos, que mais
estabelecem regras, que mais tentam acompanhar o que acontece nas telas. A mãe
daquele restaurante, comendo sozinha enquanto o marido e os filhos estão presos
em seus aparelhos, não é uma exceção. É um padrão.
Em janeiro de 2025, a Lei 15.100 restringiu o uso de
celulares por estudantes nas escolas brasileiras. Foi um passo importante: a
escola fez o combinado que podia fazer. Mas a lei termina no portão da escola.
Quando a criança chega em casa, quem decide?
Não estou aqui para culpar os pais. Eu consigo me
colocar no lugar de um pai. Sei o que é o fim de um dia longo, o cansaço que
transforma qualquer tela num salva-vidas. Sei que muitas vezes o celular é a
única ferramenta disponível para entreter enquanto se cozinha, se
trabalha, se sobrevive. Não é justo fingir que a realidade é simples.
Mas também não podemos fingir que não há
consequências.
O combinado que falta não precisa seguir manual.
Precisa existir. Uma conversa entre os adultos da casa sobre quanto tempo é
razoável. Uma conversa com os filhos, adequada ____ idade, sobre o que é
permitido e o que não é. Zonas da casa e momentos do dia em que o celular deve
ficar guardado. Durante refeições, por exemplo. Na hora de dormir. No trajeto
até ____ escola.
São coisas pequenas, mas são decisões fundamentais. E
decisão é o oposto do que temos hoje, que é rendição.
Autor: Rafael Parente - GZH (adaptado).
Qual alternativa preenche, CORRETA e respectivamente, as lacunas?