Questões de Concurso Comentadas sobre morfologia em português

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Q3766780 Português

Leia o texto seguinte para responder à questão abaixo:


Dentre


Marcos Bagno


        Se existe algo perfeitamente inútil, no que diz respeito aos usos da língua, é reverter um processo de mudança que já se concluiu. Nenhum brasileiro vai voltar a fazer, por exemplo, a diferença entre mui e muito, que existiu no passado, quando se usava mui diante de adjetivos e advérbios (mui bonita, mui depressa) e muito diante de nomes (muita gente, muitos meninos). Com o tempo, a forma única muito se impôs, transformando o mui em relíquia do passado, que algumas pessoas ainda hoje usam para obter um efeito humorístico. Diversas línguas conservam essa diferença, como o espanhol, por exemplo, em que o uso diferenciado de muy e mucho é obrigatório, causando alguma dificuldade para os aprendizes brasileiros de castelhano.


        Por causa dessa irreversibilidade é que tenho uma dó danada dessa gente que, em livros, jornais, revistas, programas de televisão ou em sites de internet, se esforça por ensinar o emprego supostamente correto de dentre, tentando uma diferença no que diz respeito ao uso dessa palavra em oposição à forma entre. Diferença que – estão aí os milhões de exemplos para confirmar – não existe mais na consciência dos falantes, nem mesmo dos letrados.


        A presença do de em dentre (de + entre) indica que, originalmente, essa palavra, era usada em situações em que o verbo exigia a preposição de, e os puristas sempre alegam que dentre é equivalente a “do meio de”. Por exemplo:


        (a) Margarida foi eleita a mais bonita dentre as alunas da turma


         ➜   Alguém de fora tirou Margarida do meio da turma e elegeu ela como a mais bonita


        (b) Margarida foi eleita a mais bonita entre as alunas da turma

               

         ➜  As próprias alunas, numa decisão interna, elegeram Margarida a mais bonita da turma


        Com isso, estatisticamente, os usos de dentre seriam muito menos frequentes que os de entre, preposição que a gente emprega o tempo todo. No entanto, parece que os falantes decidiram descartar aquela antiga diferença – demasiado sutil – para estabelecer uma nova, talvez mais precisa e fácil de identificar: empregar dentre sempre que se fizer referência a uma multiplicidade de opções, e entre em todos os demais casos.


        Veja que ninguém diz “O Rio Paraíba do Sul serve de divisa dentre o estado do Rio e Minas Gerais”, “Não existe mais amor dentre Ana e José”, “Apareça aqui em casa dentre as 5 e 6 da tarde” etc. Ninguém comete esses erros. Mas todo mundo diz – e escreve – “dentre todas as casas do bairro, esta é a mais antiga”, “dentre os muitos candidatos a prefeito, só um é negro”, “dentre as manias que eu tenho, uma é gostar de você” (...)


        Fica evidente, portanto, que já passou da hora de revisores, corretores de vestibular e outros profissionais que vivem de caçar erros deixarem de lado essa bobagem de querer eliminar os usos supostamente errados de dentre. É trabalho em vão. A velha e inoperante diferença entre as duas palavras se tornou mais um daqueles saberes esotéricos sobre a língua que não têm nenhum respaldo na realidade dos usos e que, quando apresentados ao falante comum, só servem para fazer ele se sentir ignorante, quando a ignorância está mesmo em quem se recusa a ver que a língua muda e que lugar de fóssil é museu. 


(Fonte: BAGNO, Marcos. Não é errado falar assim! Em defesa do Português Brasileiro. São Paulo: Parábola Editorial, 2009, p. 135-136.) 

De acordo com o texto anterior, estão corretos todos os exemplos que demonstram a nova acepção do uso de “dentre” na contemporaneidade, EXCETO: 
Alternativas
Q3766239 Português
Analise a frase abaixo:
•    Ao meio-dia e ..............................., as visitas estarão ............................... esgotadas.
Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas do texto.
Alternativas
Q3766104 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Como atravessar os dissabores do dia a dia com humor e leveza


Sorrir não apaga os problemas, mas pode torná-los mais leves e menos sufocantes



Têm situações que parecem tão caóticas, difíceis e desgastantes que as únicas respostas emocionais são estresse, desânimo e ansiedade. Mas, um tempo depois, quando tudo se acalma, as risadas aparecem ao relembrar a experiência. Nesse momento, é tão fácil perceber como tudo poderia ter sido vivido com mais criatividade, humor e leveza. Se é possível fazer essa análise depois que as situações já passaram, por que não tentar aplicar a leveza como lema de vida?



Ressignificar as situações


O bom humor é um recurso muito importante para a saúde mental. "Estudos da neuropsicologia mostram que o riso e os estados emocionais positivos aumentam a liberação de neurotransmissores como a dopamina e a serotonina, que melhoram tanto a regulação do estresse quanto a capacidade de adaptação", explica a neuropsicóloga Aline Graffiette.



Por isso, essas pessoas tendem a lidar com adversidades de forma mais flexível, de modo a preservar a energia emocional para buscar soluções. Rir de si mesmo ou de uma situação é uma forma de ressignificar o que aconteceu. Sabe aqueles momentos que você diz: "Que bom que agora posso rir da situação?". Nesse momento o cérebro interrompe o ciclo de autocrítica e reduz a ativação da amígdala (que faz o processamento de emoções e respostas de ameaça). Assim, através das risadas, acontece uma sensação de alívio e abertura de novas perspectivas. [...]



Como desenvolver atitudes mais leves


O bom humor e a leveza cotidiana não surgirão depois de decorar todas as "piadas prontas" do mundo. É necessário prática e ferramentas emocionais. "A prática da atenção plena, a gratidão diária, o convívio social positivo e até atividades prazerosas simples, como ouvir música ou caminhar, treinam o cérebro para buscar estados emocionais equilibrados", aponta Aline. "Pequenos rituais de humor, como compartilhar uma piada, ouvir algo engraçado ou escrever sobre o que deu errado de forma irônica, ajudam a aliviar tensões."



Mudar o foco diante dos problemas também é uma ótima oportunidade. Em vez de dar ênfase ao problema, treine o modo de olhar para a solução e o aprendizado. Dessa forma, o cérebro entende que nem todo contratempo é uma crise.



"Primeiro, aceite que o aborrecimento faz parte da condição humana. A partir daí, é possível escolher não se identificar completamente com ele. Transformar algo frustrante em narrativa, piada ou partilha com alguém de confiança já é um modo de ressignificar", destaca o psicanalista e neuropsicólogo Jorge Guedes. "A leveza não elimina o sofrimento, mas o torna habitável, menos solitário e mais humano."



É importante lembrar que leveza e bom humor não são sinônimos de irresponsabilidade. Ou seja, não é negar os fatos, mas enfrentá-los sem peso emocional excessivo. Usar o humor como forma de evitar compromissos e negar a realidade está longe de ser uma leveza consciente e emocionalmente estável.



(Disponível em: https://vidasimples.co/saude-emocional/como-atravessar-os-dissabores-do-dia-a-dia-com-humor-e-leveza/. Acesso em: 03 nov. 2025. Adaptado.)

"Mudar o foco diante dos problemas também é uma ótima oportunidade. Em vez de dar ênfase ao problema, treine o modo de olhar para a solução e o aprendizado. Dessa forma, o cérebro entende que nem todo contratempo é uma crise."


A partir do excerto, não isoladamente, mas dentro do texto, analise as sentenças a seguir:


I.O advérbio também tem uma função importante: ele indica uma inclusão, ou seja, a inserção de uma ideia nova. Nesse contexto, tem o mesmo sentido de "da mesma forma".


II."Em vez de" estabelece, entre as informações que a expressão articula, a ideia de substituição. Esse uso está coerente no excerto e em relação a todo o texto, trabalhando com a noção de instigar o leitor a fazer escolhas diante das situações-problema do dia a dia.


III.A expressão "dessa forma" possibilita ao leitor recuperar algo já mencionado, no caso, a ideia imediatamente anterior, e apresentar uma ideia nova que a complementa. Assim, o leitor pode interpretar o parágrafo compreendendo que, ao mudar o foco por meio do treinamento do olhar, é possível apresentar outras compreensões ao cérebro a respeito dos contratempos.


É correto o que se afirma em:
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Q3765989 Português

Relacione as colunas a seguir, classificando corretamente cada tipo de pronome:


COLUNA I


1. Pronome demonstrativo.

2. Pronome relativo.

3. Pronome possessivo.


COLUNA II

(__) Estou amando este livro.


(__) A Aline não viu o meu notebook.


(__) Rafael, você pegou o caderno que estava aqui?


Assinale a alternativa que indica a correta sequência: 



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Q3765988 Português

Considere o exemplo abaixo:


A sala de Clarice é tão bonita quanto a sala de Ruth.


Assinale a alternativa que indica a correta flexão do adjetivo em relação ao grau comparativo: 



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Q3765987 Português

Leia o trecho a seguir:


“Um caquizeiro foi plantado na Fazenda Santa Elisa ao lado de dois gigantescos pés de lichia que há mais de cinquenta anos vivem no final de um gramado. (...) O caquizeiro vai crescer em boa companhia, aprendendo da tranquilidade e bondade das árvores já velhas que serão suas mestras.”


ALVES, Rubem. Do universo à jabuticaba. 4. ed. São Paulo: Planeta do Brasil. 2025. p. 12.


Com relação às classes de palavras, analise os itens a seguir e assinale a alternativa correta:


I. Os termos “Um” e “O”, destacados no texto acima, são classificados como artigos.


II. O primeiro é o artigo definido “Um”, que generaliza o caquizeiro, e o segundo é o artigo indefinido “O”, que especifica o mesmo caquizeiro. 



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Q3764813 Português
O ambiente de artesanato deve ser mantido sempre ___________ e ___________ , prevenindo acidentes e facilitando o acesso aos materiais.

Assinale a alternativa no qual os termos completam corretamente as lacunas no texto acima:
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Q3764615 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Adamastor - O Estranho Homem Puro


    “O de que eu não gosto é, exatamente, tudo o de que os outros não gostam e têm medo de dizer” – disse Adamastor, odiando Jayne Mansfield.

     Adamastor é um homem magro, seco, que usa óculos e sardas. Ou, se não é assim, gostaria de sê-lo. Veste calças escuras de brim grosso, camisa de malha de algodão, preta, meias de longo curso e botinas de cano curto. Eis Adamastor, o estranho homem puro de quem o único juiz é a sensibilidade:

    Não sente o menor carinho por velhos e crianças de colo. Para ele, homem que dança muito bem não tem caráter. Diz: “O homem, a não ser que seja de balé, precisa dançar apenas direitinho.” Odeia as mulheres que usam spray net (laquê), anáguas (saias rodadas) e bordado inglês. As pessoas que contam anedotas ou que só contam anedotas estão a um minuto da paralisia geral. (...) Discurso, não pode nem ouvir falar e acha que todo bom orador é, no fundo, mau pai de família. Não tem a menor admiração por Castro Alves, Rui Barbosa e Afonso Arinos. Sai da sala onde há homem de pernas cruzadas e lhes aparece (entre a calça e a meia) os cabelos da canela. Acha, Adamastor, que os homens devem usar meias tão compridas que, sendo preciso, possam sair sem calças. Ou, então, que andem logo sem meias e de sapatilhas “sete vidas”. Está absolutamente certo de que homem de ligas não dá sorte com mulher. Sustenta a tese de que mulher não deve fazer samba e desafia quem lhe mostre um samba, realmente bonito, feito por mulher. Gosta dos cegos, ajuda-os em tudo, mas acha que cego é muito intrigante. É generoso com os autores das canções, mas abomina aqueles que usam as expressões “própria natureza” e “própria dor”. Tem o maior desprezo pelas pessoas que sabem consertar isqueiros. Odeia entrevistas de jogador de futebol, que começam em: “antes, porém, meu boa-tarde aos senhores telespectadores”, seguem dizendo que “o adversário é um adversário cem por cento” e terminam com “o meu boa-tarde para minha senhora e minha mãe”. Sobre o tratamento “minha senhora” e a palavra “telespectadores” não quer nem falar. Acha que as pessoas que falam em “bater papinho”, “essa não”, “bárbaro” e “cobra” deviam ir para Bananal, tirar retrato com os índios. Detesta as canções Dindi e Teté e não tem a menor pena de mudo, porque mudo não tem palavra.


MARIA, Antônio. Seja feliz e faça os outros felizes: as crônicas de humor de Antônio Maria. Civilização Brasileira, 2005, p. 43-44. Disponível em: . 
Releia o trecho:

“Odeia entrevistas de jogador de futebol, que começam em: ‘antes, porém, meu boa-tarde aos senhores telespectadores’”.

Nesse trecho, “boa-tarde” seria corretamente flexionado no plural da seguinte forma:
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Q3764543 Português

TEXTO


Oi, Chico!


Clarice Lispector 


                                                         


No trecho “Pois se Chico tem candura, e você acha que também tenho […]” (linhas 30-31), aparecem formas flexionadas de verbos e nomes. Considerando os processos de flexão verbal e nominal empregados no trecho em análise, assinale a afirmação verdadeira. 
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Q3764513 Português
Analise os itens a seguir sobre os pronomes demonstrativos e assinale a alternativa correta:

I. Na frase “Ganhei este caderno”, o pronome “este” indica que o caderno está longe da pessoa que fala.
II. Pronomes demonstrativos são os que indicam o lugar, a posição ou a identidade dos seres, relativamente às pessoas do discurso.
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Q3764261 Português
Assinale a alternativa em que a palavra destacada é um advérbio.
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Q3764079 Português

Leia a frase abaixo e complete as lacunas com obrigado ou obrigada.



O pai agradeceu dizendo muito ..................... a todos. A mãe sorriu e disse: muito .................... também. O filho que estava perto aproveitou a ocasião e falou: ........................... pelo carinho.



Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas do texto na ordem em que elas aparecem na frase.

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Q3764076 Português

Leia a frase abaixo e complete as lacunas com mau ou mal.



Maria está sempre de ..............................humor,................... entra na sala e já reclama. Ela vive.....................-humorada.



Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas do texto na ordem em que elas aparecem na frase.

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Q3763713 Português

As palavras: super-homem, reescrever e coca-cola são formadas, respectivamente, pelos processos de:

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Q3763446 Português

Observe a charge abaixo: 


Imagem associada para resolução da questão


No enunciado presente no balão de fala — "Professor explica conteúdo difícil rapidamente." — cada termo desempenha papel distinto nas classes gramaticais. Assinale a alternativa que apresenta corretamente a classe gramatical das palavras destacadas.

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Q3763386 Português
Morte


        Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos. Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada. Estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena. Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em todos os que ficam. A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma pada pronta. Morrer é ridículo. Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?

        Não sei de onde tiraram esta ideia: morrer.

     A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente. De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinquente que gostou do seu tênis. Qual é? Morrer é um clichê.

      Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.

     Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu. Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério?

     Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e amente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz.

    Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.

     (Pedro Bial. Junho de 2006)
(PMLM/URCA 2025) Observe as expressões, em seguida marque a opção que as preenchem corretamente.

               você mora que não veio despedir-se do amigo?
A morte é cruel                 . São afazes                  para vida de menos! 
O momento é de                 fala e                 riso.
Essa é uma atitude                  de pessoas maduras.
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Q3763148 Português
Sobre os processos de formação de palavras e a morfologia, analise as palavras a seguir: "antissocial", "micro-ondas", "entardecer", "ajuda", "felizmente”.

A sequência que apresenta, respectivamente, exemplos de composição por justaposição, derivação prefixal, derivação parassintética, derivação sufixal e derivação regressiva é: 
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Q3762604 Português
A SOLUÇÃO


    João José, de batismo. Nome todo: João José de Sousa. Nascido no estado da Guanabara, no bairro do Encantado. Atualmente conta 22 anos; é um rapaz honesto, de bom caráter e que sempre ajudou a família. Nascido no estado de Guanabara no bairro Encantado. Atualmente conta 22 anos; é um rapaz honesto, de bom caráter e que sempre ajudou a família. O pai morreu quando ele ainda era menino, e, por isso, desde cedo aprendeu a trabalhar para ajudar a mãe e duas irmãs menores. Vendeu pastel na estação do Encantado, foi boy de escritório, contínuo de banco - tudo na época em que fazia o curso ginasial de noite.

    Sempre foi um rapazinho esperto e logo percebeu que era preciso estudar para ser alguma coisa na vida. Mas nunca teve ilusões: era preciso trabalhar e estudar ao mesmo tempo. A família era unida e todos se ajudavam mutuamente. A irmã mais velha está noiva de um colega seu, que também é bom rapaz. Em suma: para João José a vida era dura, mas não era intolerável. Era um bom aluno de farmácia, um dos mais aplicados da turma e ia se virando para pagar as anuidades, os livros, tudo o que precisava, enfim, com soldo da Polícia Militar. Bom soldado, também. Antes tinha sido um bom atleta e não foi difícil passar nos exames da PM. Lá, ao menos, comida de graça, tinha farda de graça e ainda o soldo.

    No dia em que foi mais sangrenta a luta entre estudantes e polícia, estava de folga do quartel. Nem soube de nada. Aproveitara o dia para passar a matéria de química. A faculdade estava fechada, todos em greve, uma lástima. João José se dividia em seus afazeres com um zelo raro. Estudou até tarde e acordou tarde também. Foi a mana mais moça que lhe invadiu o quarto com café cheiroso e um sorriso fraternal, chamando-o vagabundo, dizendo que aquilo não era hora para pobre estar na cama. Levantou-se fazendo cara de bandidão e avançou para a menina, como se fosse triturá-la por tê-lo despertado. A irmã colocou o café sobre a mesinha tosca e deu um gritinho. Ele alcançou e pôs-se a fazer-lhe cócegas, enquanto a chamava de bruxa. "Ela conseguiu desvencilhar-se e saiu rindo para o corredor, gritando que" João José está maluco! João José está maluco!"

    Ainda não estava.

    Depois do banho foi beijar a mãe na cozinha e viu o jornal, num canto. Apanhou e pôs-se a ler. Logo no cabeçalho dos noticiários percebeu que seu plano de ir até a faculdade saber das novidades e depois se apresentar no quartel (ia dar plantão) era inexequível. A mãe disse-lhe qualquer coisa que ele não percebeu o que era, porque mergulhou na leitura e foi quase inconscientemente que voltou ao quarto, sentou-se na beira da cama e ficou lendo. Leu tudo de um fôlego, às vezes sem acreditar no que lia, mas tendo que continuar a leitura, tal era a sua curiosidade, tal era a sua estupefação. João José - homem honesto e correto -, depois de ler tudo, olhou para as fotografias, reconheceu policiais, reconheceu vários colegas de faculdade. Começou a ler de novo, correndo a lista de presos, a lista de feridos.

    Já não sabia mais de si mesmo; não sabia se tinha sido direito dormir o sono que, na noite anterior, seu organismo pedia. Se ao menos soubesse antes! Claro que não iria dormir, mas onde teria se apresentado? Ao grupo de colegas que eu havia procurado, na certa, e que só não encontrara porque não tinha o telefone e morava num subúrbio... ou teria ido para o quartel? Lá, certamente, todos sabiam com antecedência que o pau ia comer e aguardavam sua apresentação. Ele não fora e nem dera satisfação. Muitos companheiros deviam ter saído para o centro das hostilidades pensando que talvez o encontrassem do outro lado, atirando pedras, gritando suas reivindicações. Como estudante, sabia que o protesto era justo. Tinha acompanhado assembleias, visto como seus colegas insistiram para ser ouvidos serenamente. Como policial, seu dever era cumprir ordens. Correu os olhos pela lista de presos: o Alfredo, o Carlos, a Luísa - moça tão bonita, como estariam tratando-a aos agentes do Dops? De repente viu a notícia da morte do PM Nelson. Puxa, o Nelson! Leu trêmulo: no alto dos edifícios o povo tentou ajudar os estudantes massacrados e algo caíra sobre o Nelson, seu companheiro Nelson, matando-o.

    A mãe passou pelo corredor e viu-o nu da cintura pra cima, mas com as calças que costumava usar quando ia à faculdade: - Você vai à faculdade, meu filho? - e nem estranhou de não ouvir resposta. Estava muito ocupada com o almoço para notar que о filho estava completamente transformado.

    O que devia ter feito, meu Deus? Ficado do lado dos colegas e enfrentar a fúria policial? Juntar-se aos companheiros do quartel, na repressão às manifestações? Ele teria batido? Ele teria apanhado? A ordem de um lado era de não ter medo de apanhar; a ordem do outro era não ter pena de bater.

    Por cima das calças vestiu o dólmã de PM. Quando a irmā entrou no quarto para arrumar, foi que viu. Saiu correndo, chorando, gritando: "João José está louco! Está batendo de sobre nele mesmo..."

    O sangue jorrava do nariz! Da testa!

    Não ter medo de apanhar! Não ter pena de bater!


(Stanislaw Ponte Preta. Febeapá. Companhia das Letras, 2015, p. 416)
Em suma: para João José a vida era dura, mas não era intolerável. O termo em destaque é formado por: 
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Q3762600 Português
A SOLUÇÃO


    João José, de batismo. Nome todo: João José de Sousa. Nascido no estado da Guanabara, no bairro do Encantado. Atualmente conta 22 anos; é um rapaz honesto, de bom caráter e que sempre ajudou a família. Nascido no estado de Guanabara no bairro Encantado. Atualmente conta 22 anos; é um rapaz honesto, de bom caráter e que sempre ajudou a família. O pai morreu quando ele ainda era menino, e, por isso, desde cedo aprendeu a trabalhar para ajudar a mãe e duas irmãs menores. Vendeu pastel na estação do Encantado, foi boy de escritório, contínuo de banco - tudo na época em que fazia o curso ginasial de noite.

    Sempre foi um rapazinho esperto e logo percebeu que era preciso estudar para ser alguma coisa na vida. Mas nunca teve ilusões: era preciso trabalhar e estudar ao mesmo tempo. A família era unida e todos se ajudavam mutuamente. A irmã mais velha está noiva de um colega seu, que também é bom rapaz. Em suma: para João José a vida era dura, mas não era intolerável. Era um bom aluno de farmácia, um dos mais aplicados da turma e ia se virando para pagar as anuidades, os livros, tudo o que precisava, enfim, com soldo da Polícia Militar. Bom soldado, também. Antes tinha sido um bom atleta e não foi difícil passar nos exames da PM. Lá, ao menos, comida de graça, tinha farda de graça e ainda o soldo.

    No dia em que foi mais sangrenta a luta entre estudantes e polícia, estava de folga do quartel. Nem soube de nada. Aproveitara o dia para passar a matéria de química. A faculdade estava fechada, todos em greve, uma lástima. João José se dividia em seus afazeres com um zelo raro. Estudou até tarde e acordou tarde também. Foi a mana mais moça que lhe invadiu o quarto com café cheiroso e um sorriso fraternal, chamando-o vagabundo, dizendo que aquilo não era hora para pobre estar na cama. Levantou-se fazendo cara de bandidão e avançou para a menina, como se fosse triturá-la por tê-lo despertado. A irmã colocou o café sobre a mesinha tosca e deu um gritinho. Ele alcançou e pôs-se a fazer-lhe cócegas, enquanto a chamava de bruxa. "Ela conseguiu desvencilhar-se e saiu rindo para o corredor, gritando que" João José está maluco! João José está maluco!"

    Ainda não estava.

    Depois do banho foi beijar a mãe na cozinha e viu o jornal, num canto. Apanhou e pôs-se a ler. Logo no cabeçalho dos noticiários percebeu que seu plano de ir até a faculdade saber das novidades e depois se apresentar no quartel (ia dar plantão) era inexequível. A mãe disse-lhe qualquer coisa que ele não percebeu o que era, porque mergulhou na leitura e foi quase inconscientemente que voltou ao quarto, sentou-se na beira da cama e ficou lendo. Leu tudo de um fôlego, às vezes sem acreditar no que lia, mas tendo que continuar a leitura, tal era a sua curiosidade, tal era a sua estupefação. João José - homem honesto e correto -, depois de ler tudo, olhou para as fotografias, reconheceu policiais, reconheceu vários colegas de faculdade. Começou a ler de novo, correndo a lista de presos, a lista de feridos.

    Já não sabia mais de si mesmo; não sabia se tinha sido direito dormir o sono que, na noite anterior, seu organismo pedia. Se ao menos soubesse antes! Claro que não iria dormir, mas onde teria se apresentado? Ao grupo de colegas que eu havia procurado, na certa, e que só não encontrara porque não tinha o telefone e morava num subúrbio... ou teria ido para o quartel? Lá, certamente, todos sabiam com antecedência que o pau ia comer e aguardavam sua apresentação. Ele não fora e nem dera satisfação. Muitos companheiros deviam ter saído para o centro das hostilidades pensando que talvez o encontrassem do outro lado, atirando pedras, gritando suas reivindicações. Como estudante, sabia que o protesto era justo. Tinha acompanhado assembleias, visto como seus colegas insistiram para ser ouvidos serenamente. Como policial, seu dever era cumprir ordens. Correu os olhos pela lista de presos: o Alfredo, o Carlos, a Luísa - moça tão bonita, como estariam tratando-a aos agentes do Dops? De repente viu a notícia da morte do PM Nelson. Puxa, o Nelson! Leu trêmulo: no alto dos edifícios o povo tentou ajudar os estudantes massacrados e algo caíra sobre o Nelson, seu companheiro Nelson, matando-o.

    A mãe passou pelo corredor e viu-o nu da cintura pra cima, mas com as calças que costumava usar quando ia à faculdade: - Você vai à faculdade, meu filho? - e nem estranhou de não ouvir resposta. Estava muito ocupada com o almoço para notar que о filho estava completamente transformado.

    O que devia ter feito, meu Deus? Ficado do lado dos colegas e enfrentar a fúria policial? Juntar-se aos companheiros do quartel, na repressão às manifestações? Ele teria batido? Ele teria apanhado? A ordem de um lado era de não ter medo de apanhar; a ordem do outro era não ter pena de bater.

    Por cima das calças vestiu o dólmã de PM. Quando a irmā entrou no quarto para arrumar, foi que viu. Saiu correndo, chorando, gritando: "João José está louco! Está batendo de sobre nele mesmo..."

    O sangue jorrava do nariz! Da testa!

    Não ter medo de apanhar! Não ter pena de bater!


(Stanislaw Ponte Preta. Febeapá. Companhia das Letras, 2015, p. 416)
No trecho a seguir, temos algumas palavras que passaram por flexões de grau. Dadas às opções, marque aquela em que as flexões estejam grafadas incorretamente:

Levantou-se fazendo cara de bandidão e avançou para a menina, como se fosse triturá-la por tê-lo despertado. A irmã colocou o café sobre a mesinha tosca e deu um gritinho.
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Q3762189 Português
A história inspiradora da mulher que sobreviveu por quarenta anos após receber transplante de coração e pulmão


A britânica Katie Mitchell é a paciente com maior tempo de sobrevivência após um transplante combinado de coração e pulmão no Reino Unido. Moradora de Londres, ela passou pela cirurgia há trinta e oito anos, quando estava com quinze anos, após ser diagnosticada com a rara síndrome de Eisenmenger, que provoca pressão elevada nas artérias pulmonares, danos irreversíveis e insuficiência cardíaca.

Ao relembrar o aniversário do transplante, Mitchell afirma pensar sempre na doadora. "Só sei que era uma mulher jovem. Sua família decidiu doar os órgãos em um momento de dor profunda, e sou muito grata por isso."

Segundo Anthony Clarkson, porta-voz do Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS), o caso de Mitchell demonstra a importância da doação de órgãos, já que o procedimento é complexo e raro — apenas cinco por ano no país.

Antes da operação, Katie mal conseguia subir escadas e apresentava coloração azulada pela falta de oxigênio. "Assim que voltei do transplante, estava rosada. A melhora foi imediata", lembra.

Hoje, ela reflete sobre ser a pessoa que mais viveu com um transplante duplo. "Penso muito na família da doadora. Graças a eles, ganhei uma vida normal."

No Reino Unido, cerca de doze pessoas aguardam um transplante duplo e mais de oito mil estão na fila por algum órgão.

O cirurgião Aaron Ranasinghe explica que a taxa de sobrevivência após esse tipo de operação é de cerca de 85% no primeiro ano e pouco mais da metade vive por até doze anos. "O fato de Katie ter chegado tão longe é extraordinário."

Clarkson reforça que sua história comprova como a doação salva e transforma vidas — e que cada doador pode ajudar até nove pessoas.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cvg7pj5n35yo.adaptado.

Ao relembrar o aniversário do transplante, Mitchell afirma pensar sempre na doadora. "Só sei que era uma mulher jovem. Sua família decidiu doar os órgãos em um momento de dor profunda, e sou muito grata por isso."
Com base no trecho e nas regras de sintaxe de concordância nominal, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Respostas
2021: A
2022: A
2023: A
2024: C
2025: B
2026: B
2027: A
2028: A
2029: C
2030: A
2031: B
2032: D
2033: C
2034: B
2035: E
2036: D
2037: E
2038: B
2039: E
2040: C