Questões de Concurso Comentadas sobre morfologia - verbos em português

Foram encontradas 11.877 questões

Q3647462 Português
Texto para a questão.


BIÓLOGO CRIA SACOLA QUE SE TRANSFORMA EM COMIDA PARA PEIXES

Kevin Kumala criou o produto após observar a imensa quantidade de acúmulo de lixo nos mares


    Um dos produtos que mais poluem os oceanos e os rios é o plástico, que se tornou uma grande dor de cabeça para os ambientalistas. Para diminuir o impacto negativo desse material no ecossistema, um biólogo da Indonésia desenvolveu uma sacola feita de mandioca, que, ao ser jogada no mar e nos rios, pode servir de alimento para os peixes.

    Kevin Kumala conta que criou o produto em viagem a Bali, ilha em que nasceu, após retornar dos Estados Unidos, e observar a imensa quantidade de acúmulo de lixo na região. Kumala possui uma empresa de canudos, sacolas e talheres, todos feitos com materiais biodegradáveis, que se desfazem em até 100 dias.

    A sacola foi um dos seus últimos produtos criados. O site da empresa Avani ressalta que, desde 2016, quando foi criada, evitou-se a fabricação de três toneladas de produtos não sustentáveis. “Nós buscamos continuamente nos tornar uma ponte para ajudar e para encorajar comunidades e negócios a produzirem iniciativas que gerem um impacto sustentável para o meio ambiente. Encorajando o uso do termo ‘responsável’ como um valor central dos três fatores-chave: reduzir, reutilizar, reciclar”, destaca a página da Avani na internet.

    Kumala assinala que suas sacolas são fortes, resistentes e têm a mesma elasticidade comparada às que são feitas de plástico. “Nossos sacos de mandioca de tamanho médio podem transportar até 8 libras (3,5 kg) de produtos secos”, explica, em uma postagem do Instagram da empresa.


Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/ciencia-e-saude/2020/02/10/interna_ciencia_saude,827050/biologo-cria-sacola-que-setransforma-em-comida-para-peixes.shtml. Acesso em: 1º mar.2025.
Atente-se à estrutura verbal ressaltada no contexto do excerto a seguir, de modo a assinalar o item correto.

“Kumala assinala que suas sacolas são fortes, resistentes e têm a mesma elasticidade comparada às que são feitas de plástico.”
Alternativas
Q3646767 Português
Assinale a alternativa cujas palavras preenchem corretamente, na mesma ordem, as lacunas do período abaixo:
“_______, _______ bastante atenção: nunca _______ do seu potencial. _______-se às suas tarefas com muito afinco e não _______ para trás qualquer resquício de atitudes que _______ desavença. _______-se bons hábitos!”
Alternativas
Q3646766 Português
“As grandes cidades estão cada vez mais congestionadas, embora o trânsito prejudique a saúde ambiental e a do homem.”
Assinale a alternativa cujas formas verbais substituem corretamente as palavras destacadas no período acima, na mesma ordem, mantendo o paralelismo dos tempos verbais.
Alternativas
Q3646757 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

A inteligência artificial e seu impacto no bem-estar emocional na escola

        A chegada da inteligência artificial (IA) ao campo educacional trouxe muitos benefícios. Mas, e as emoções? Até agora, o debate público tem se concentrado em sua capacidade de personalizar conteúdos, automatizar tarefas ou melhorar o desempenho acadêmico, mas a conversa tem deixado de lado questões importantes. Por exemplo: como essa integração tecnológica afeta emocionalmente professores e alunos? Quais implicações sociais e de bem-estar decorrem de seu uso crescente nas salas de aula? Uma tecnologia que não sente pode nos ajudar a cultivar emoções, vínculos e bem-estar na escola?
    
        O Relatório ODITE 2025 (Inteligências conectadas: como a IA está redefinindo a aprendizagem personalizada) alerta sobre o foco excessivo nos benefícios técnicos da IA (como a personalização da aprendizagem ou suas vantagens operacionais), em detrimento de uma análise mais profunda dos riscos e incertezas, especialmente os de natureza socioemocional. Esse desequilíbrio na análise revela uma necessidade urgente: repensar o impacto da IA para além do rendimento acadêmico. (...) A entrada da inteligência artificial nas salas de aula não modifica apenas as dinâmicas pedagógicas. Ela atinge em cheio os aspectos mais sensíveis da vida escolar: as emoções, os vínculos e o bem-estar de quem ensina e aprende. Assim, frente à narrativa otimista que exalta a personalização e a eficiência, surgem vozes que alertam sobre os efeitos colaterais invisíveis que acompanham essa transformação (sem questionar a tecnologia em si, mas como ela é usada e com quais propósitos). O especialista em educação e tecnologia Carlos Magro resume e analisa essas posturas em Desta vez vai funcionar, um dos capítulos do relatório ODITE. (...)
    
        Sob essa ótica, a IA não é neutra: ela molda relações, define prioridades e afeta subjetividades. Por isso, propõe Magro, pensar seu impacto emocional e social exige recuperar uma pedagogia do vínculo, em que estudantes e professores não sejam usuários passivos da tecnologia, mas protagonistas conscientes de uma educação que não sacrifique o bem-estar em nome da eficiência. (...)

PROFUTURO. A inteligência artificial e seu impacto no bem-estar emocional na escola. 25 abr. 2025. Disponível em <https://profuturo.education/pt-br/observatorio/tendencias/a-inteligencia-artificial-e-seu-impacto-no-bem-estar-emocional-na-escola/>  
“Até agora, o debate público tem se concentrado em sua capacidade de personalizar conteúdos, automatizar tarefas ou melhorar o desempenho acadêmico, mas a conversa tem deixado de lado questões importantes.”
No trecho acima, transcrito do texto, as formas verbais destacadas exprimem ações:
Alternativas
Q3645920 Português

Assinale a alternativa cujos elementos preenchem corretamente as lacunas da frase a seguir, na mesma ordem.


“Se você se _______ tranquilo, quando ela _______, poderá _______ com mais eficiência.” 

Alternativas
Q3645918 Português
Assinale a alternativa em que ambas as formas verbais entre parênteses completam corretamente a lacuna na frase correspondente.
Alternativas
Q3645917 Português

“Há uma gota de sangue em cada poema.” (Mário de Andrade)


Assinale a alternativa que apresenta uma forma reescrita do enunciado acima, com alterações de número e de tempo verbal, mantendo-se o mesmo sentido e de acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa.

Alternativas
Q3645914 Português

“Todos se __________ no momento de __________ os materiais para que não __________ mau juízo da turma.”


Assinale a alternativa cujos elementos preenchem corretamente, na mesma ordem, as lacunas da frase acima.

Alternativas
Q3645905 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


A velha contrabandista


    Diz que era uma velhinha que sabia andar de lambreta. Todo dia ela passava pela fronteira montada na lambreta, com um bruto saco atrás da lambreta. O pessoal da alfândega – tudo malandro velho – começou a desconfiar da velhinha. 


    Um dia, quando ela vinha na lambreta com o saco atrás, o fiscal da alfândega mandou ela parar. A velhinha parou e então o fiscal perguntou assim pra ela: 


    – Escuta aqui, vovozinha, a senhora passa por aqui todo dia, com esse saco aí atrás. Que diabo a senhora leva nesse saco? 


    A velhinha sorriu com os poucos dentes que lhe restavam e mais os outros, que ela adquirira no odontólogo, e respondeu: 


    – É areia! 


    Aí quem sorriu foi o fiscal. Achou que não era areia nenhuma e mandou a velhinha saltar da lambreta para examinar o saco. A velhinha saltou, o fiscal esvaziou o saco e dentro só tinha areia. Muito encabulado, ordenou à velhinha que fosse em frente. Ela montou na lambreta e foi embora, com o saco de areia atrás. 


    Mas o fiscal ficou desconfiado ainda. Talvez a velhinha passasse um dia com areia e no outro com muamba, dentro daquele maldito saco. No dia seguinte, quando ela passou na lambreta com o saco atrás, o fiscal mandou parar outra vez. Perguntou o que ela levava no saco e ela respondeu que era areia, uai! O fiscal examinou e era mesmo. 


    Durante um mês seguido o fiscal interceptou a velhinha e, todas as vezes, o que ela levava no saco era areia. 


    Diz que foi aí que o fiscal se chateou: 


    – Olha, vovozinha, eu sou fiscal de alfândega com quarenta anos de serviço. Manjo essa coisa de contrabando pra burro. Ninguém me tira da cabeça que a senhora é contrabandista. 


    – Mas no saco só tem areia! – insistiu a velhinha.   


    E já ia tocar a lambreta, quando o fiscal propôs: 


    – Eu prometo à senhora que deixo a senhora passar. Não dou parte, não apreendo, não conto nada a ninguém, mas a senhora vai me dizer: qual é o contrabando que a senhora está passando por aqui todos os dias?


    – O senhor promete que não “espaia”? – quis saber a velhinha. 


    – Juro – respondeu o fiscal. 


    – É lambreta.


PONTE PRETA, Stanislaw. A velha contrabandista. Disponível em <https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/16801/ a-velha-contrabandista>. 

“A velhinha sorriu com os poucos dentes que lhe restavam e mais os outros, que ela adquirira no odontólogo”


A forma verbal destacada no trecho acima, transcrito do texto, indica uma ação:

Alternativas
Q3645828 Português
Texto para a questão


OCEANOS TÊM MAIS DE 170 TRILHÕES DE PARTÍCULAS DE PLÁSTICO, DIZ ESTUDO

Cientistas descobriram um aumento “rápido e sem precedentes” na poluição plástica oceânica desde 2005


    Os oceanos do mundo estão poluídos por uma “poluição de plástico” composta por cerca de 171 trilhões de partículas de plástico que, se reunidas, pesariam cerca de 2,3 milhões de toneladas, de acordo com um novo estudo.

    Uma equipe de cientistas internacionais analisou dados globais coletados entre 1979 e 2019 em quase 12.000 pontos de amostragem nos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico e no Mar Mediterrâneo. Eles descobriram um aumento “rápido e sem precedentes” na poluição plástica oceânica desde 2005, de acordo com o estudo publicado na quarta-feira (8) na revista PLOS ONE.

    “É muito mais alto do que as estimativas anteriores”, disse Lisa Erdle, diretora de pesquisa e inovação do 5 Gyres Institute e autora do relatório, à CNN.

    Sem uma ação política urgente, a taxa na qual os plásticos entram nos oceanos pode aumentar cerca de 2,6 vezes entre agora e 2040, segundo o estudo.

    A produção de plástico disparou nas últimas décadas, especialmente plásticos de uso único, e os sistemas de gerenciamento de resíduos não acompanharam o ritmo. Apenas 9% do plástico global é reciclado a cada ano. Grandes quantidades desse lixo plástico acabam nos oceanos. A maioria vem de terra, arrastada para os rios – pela chuva, pelo vento, transbordamento de bueiros e lixo – e transportada para o mar.

    Uma quantidade menor, mas ainda significativa, como equipamentos de pesca, é perdida ou simplesmente despejada no oceano. Uma vez que o plástico chega ao oceano, ele não se decompõe, mas tende a se decompor em pedaços minúsculos. Essas partículas “realmente não são facilmente limpas, estamos presos a elas”, disse Erdle.

    A vida marinha pode se emaranhar em plástico ou confundi-lo com comida. O plástico também pode liberar produtos químicos tóxicos na água. E não é apenas um desastre ambiental, o plástico também é um grande problema climático.

    Os combustíveis fósseis são o ingrediente bruto para a maioria dos plásticos e produzem poluição que aquece o planeta durante todo o seu ciclo de vida – desde a produção até o descarte. Descobrir exatamente quanto plástico há no oceano é um exercício difícil. “O oceano é um lugar complexo. Existem muitas correntes oceânicas, há mudanças ao longo do tempo devido ao clima e às condições do solo”, disse Erdle.

    Os pesquisadores passaram anos analisando artigos revisados por duplas, bem como descobertas inéditas de outros cientistas, para tentar reunir o registro mais extenso possível – tanto em termos de cronograma quanto de geografia. A maioria das amostras do estudo foi coletada no Pacífico Norte e no Atlântico Norte, onde existe a maioria dos dados.

    Os autores do estudo dizem que ainda são necessários mais dados para áreas como o Mar Mediterrâneo, o Oceano Índico, o Atlântico Sul e o Pacífico Sul.

    “Esta pesquisa abriu meus olhos para o quão desafiador é medir e caracterizar o plástico no oceano e ressalta a necessidade de soluções reais para o problema”, Win Cowger, cientista pesquisador do Moore Institute for Plastic Pollution Research na Califórnia e autor do estudo, disse em comunicado.

    Desde a década de 1970, houve uma série de acordos destinados a conter a maré de poluição plástica que atinge o oceano, mas eles são, em sua maioria, voluntários, fragmentados e raramente incluem metas mensuráveis, observou o estudo. Os autores do estudo pedem uma intervenção política internacional urgente. “Precisamos claramente de algumas soluções que tenham dentes”, disse Erdle.

     As Nações Unidas concordaram em criar um tratado global de plásticos juridicamente vinculativo até 2026, que abordaria toda a vida útil dos plásticos, desde a produção até o descarte. Mas ainda existem grandes divisões sobre se isso deve incluir cortes na fabricação de plástico, que deve quadruplicar até 2050.

    Judith Enck, ex-administradora regional da EPA e agora presidente da Beyond Plastics, uma organização sem fins lucrativos focada em pesquisa e em educação do consumidor, disse que as políticas para reduzir a quantidade de plástico produzida, em primeiro lugar, são a única solução real, especialmente porque as empresas continuam a encontrar novas maneiras de bombear mais plásticos para o mercado.

    “As indústrias de plásticos e petroquímicas estão tornando impossível reduzir a quantidade de plástico que contamina nossos oceanos”, disse Enck à CNN por e-mail. “Novas pesquisas são sempre úteis, mas não precisamos esperar que novas pesquisas entrem em ação – o problema já está dolorosamente claro, no plástico que se acumula em nossos oceanos, no ar, no solo, nos alimentos e no corpo humano”, disse Enck.


Disponível em https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/oceanos-tem-mais-de-170-trilhoes-de-particulas-de-plastico-diz-estudo/#goog_rewarded. Acesso em 06.mar.2025. Adaptado.
Analise as estruturas verbais ressaltadas, nos períodos seguintes, de modo a demarcar o que se diz corretamente sobre as regras cristalizadas de concordância verbal.

I "Uma equipe de cientistas internacionais analisou dados globais [...]”
II “Apenas 9% do plástico global é reciclado a cada ano.” 
Alternativas
Q3644702 Português
Leia o Texto I para responder à questão.


Texto I – As formigas, de Lygia Fagundes Telles


(...)

Ficamos olhando a trilha rapidíssima, tão apertada que nela não caberia sequer um grão de poeira. Pulei-a com o maior cuidado quando fui esquentar o chá. Uma formiguinha desgarrada (a mesma daquela noite?) sacudia a cabeça entre as mãos. Comecei a rir e tanto que se o chão não estivesse ocupado, rolaria por ali de tanto rir. Dormimos juntas na minha cama. Ela dormia ainda quando saí para a primeira aula. No chão, nem sombra de formiga, mortas e vivas desapareciam com a luz do dia.

Voltei tarde essa noite, um colega tinha se casado e teve festa. Vim animada, com vontade de cantar, passei da conta. Só na escada é que me lembrei: o anão. Minha prima arrastara a mesa para a porta e estudava com o bule fumegando no fogareiro.

— Hoje não vou dormir, quero ficar de vigia — ela avisou.

O assoalho ainda estava limpo. Me abracei ao urso.

— Estou com medo.

Ela foi buscar uma pílula para atenuar minha ressaca, me fez engolir a pílula com um gole de chá e ajudou a me despir.

— Fico vigiando, pode dormir sossegada. Por enquanto não apareceu nenhuma, não está na hora delas, é daqui a pouco que começa. Examinei com a lupa debaixo da porta, sabe que não consigo descobrir de onde brotam?

Tombei na cama, acho que nem respondi. No topo da escada o anão me agarrou pelos pulsos e rodopiou comigo até o quarto.

Acorda, acorda! Demorei para reconhecer minha prima que me segurava pelos cotovelos. Estava lívida. E vesga.

— Voltaram — ela disse.

Apertei entre as mãos a cabeça dolorida.

— Estão aí?

Ela falava num tom miúdo, como se uma formiguinha falasse com sua voz.

— Acabei dormindo em cima da mesa, estava exausta.

Quando acordei, a trilha já estava em plena movimentação.

Então fui ver o caixotinho, aconteceu o que eu esperava...


Fonte: TELLES, Lygia Fagundes. As formigas. In: Seminário dos Ratos: contos. p. 15-16. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
No trecho “rolaria por ali de tanto rir”, o verbo “rolaria” está flexionado no:
Alternativas
Q3641704 Português
Observe as frases abaixo e depois marque a alternativa correta:

I. Não quero que ele SOFRA como eu sofri.
II. TERÍAMOS DESISTIDO da viagem se ele nos tivesse falado sobre a sua doença.
III. Ele não COME arroz.
IV. FECHE a janela antes de sair, por favor. 
Alternativas
Q3641546 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Telefonema


    Na redação do Diário de Notícias, há dois anos, fui chamado ao telefone às 23 horas. Uma voz de mulher que julguei reconhecer.

    — José Carlos?

    — Ele mesmo. Você está boa?

    — Mais ou menos. Estou aqui na portaria do jornal. Será que você podia descer um instante?

    Nesse momento, percebi que a voz não pertencia a quem eu pensava, e perguntei:

    — Quem está falando?

    — Ora, você sabe.

    — Palavra de honra que não sei.

    — Ora, José Carlos.

    Quem seria? A voz indicava aflição.

    — Ouça, eu estou falando a verdade — insisti. — Não sei quem é você. Talvez você esteja à procura de outra pessoa com o meu nome.

    — José Carlos, preciso que você desça até aqui. Eu não pude entrar em casa e quero que você me dê a sua chave para eu ir para lá.

    A coisa já estava ficando penosa. A mulher parecia desesperada. Tive medo de descer, embora nada tivesse na consciência que pudesse ser tido como culpa em relação a alguma mulher.

    — Minha senhora — falei — eu vou desligar. Eu não sou a pessoa que a senhora está procurando.

    — Por favor, José Carlos, não me faça uma coisa dessas…

    Desliguei. Fiquei alguns minutos sem saber o que fazer. Descrevi o telefonema a um companheiro e pedi que me aconselhasse. “Que coisa estranha!”, disse ele apenas. Mais alguns minutos de hesitação e resolvi descer. Chegando ao térreo, encontrei apenas o porteiro, junto ao telefone pelo qual ela se comunicara comigo.

    — Cadê aquela mulher que me telefonou? — perguntei.

    — Ela saiu daqui correndo e chorando.

    Por minha vez, saí correndo para a rua deserta e procurei-a em todas as direções. Inutilmente. E até hoje não compreendi o que se passou naquela noite.


OLIVEIRA, J. C. Telefonema. In: Caderno B, coluna “O homem e a fábula”, Jornal do Brasil, 1963. Disponível em <https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/19277/telefonema>.

    
Em relação aos verbos “correr” e “chorar”, em “Ela saiu daqui correndo e chorando”, é correto afirmar:
Alternativas
Q3638073 Português
        O nome atribuído às línguas não é uma definição aleatória. As línguas precisam ser nomeadas para poder existir. Línguas são batizadas a partir do momento histórico em que é necessário afirmar sua posição ou conferir identidade aos seus falantes. Assim, a língua dos portugueses chamamos português. Além disso, territórios etnicamente diversos podem apresentar línguas que se relacionam com as populações ali pertencentes. Desse modo, à língua falada no País de Gales dá‑se o nome de galês, e a língua mais falada no sudeste da China chamamos cantonês.

        Parece simples, mas nem tanto. Há diferentes modelos de povoação linguística, que representam a complexidade dos modelos de povoação humana. Mas o que todas as línguas naturais conhecidas compartilham é justamente o fato de servirem à comunicação de seus falantes e terem, por isso, um nome. No que se refere ao Brasil, a língua majoritariamente utilizada em seu vasto território é a que se costumou chamar português. Usar o português no Brasil é fruto de uma herança de colonização e dominação de Portugal, país cuja língua tem esse mesmo nome.

        O português falado no Brasil e o utilizado em Portugal não compartilham as mesmas características. Diferenciam‑se em relação ao vocabulário, à maneira de falar e de entoar as frases, à posição das palavras na frase e assim por diante. Convém questionar, portanto, no que se refere à nomenclatura, se seria necessário modificar o nome pelo qual a língua falada no Brasil é chamada. Há quem continue se referindo a ela tão somente como “português”. Outros propõem o uso consciente de “português brasileiro”, com nome e sobrenome. Já alguns poucos assumiram uma postura mais diferente de chamar “brasileiro” a língua utilizada no Brasil. 

        Chamar apenas “português”, na perspectiva histórica da língua, é um anacronismo. Não corresponde aos fatos históricos. Desconsidera as noções de desenvolvimento independente e contínuo que a língua portuguesa teve no Brasil, especialmente após o século XIX. Chamar apenas de “brasileiro” também evidencia anacronismo. Desconsidera toda a herança linguística trazida para o Brasil, que é inegavelmente portuguesa. O nome “português brasileiro” representa ruptura e continuidade. É um nome apropriado não apenas nos contextos de pesquisa acadêmica, mas uma importante ferramenta para que os falantes se reconheçam diante de sua língua.

OLIVEIRA JUNIOR, R. Português ou brasileiro – qual é o nome da nossa
língua? Revista Roseta, v. 5. n. 1, 2022. Abralin, 2022.
Internet:<roseta.org.br>  (com adaptações).

Considerando os aspectos linguísticos do texto, julgue o item seguinte. 


Na oração “Há diferentes modelos de povoação linguística”, a substituição da forma verbal “Há” por Existe manteria a correção gramatical e o significado original do texto. 

Alternativas
Q3633946 Português
Leia o excerto que segue e complete as lacunas, observando o sentido e a concordância dos verbos:

"A exposição a micro e nanoplásticos _________ por diferentes caminhos — e com uma frequência difícil de evitar. São três principais vias: pela alimentação, pela respiração e, possivelmente, pela absorção da pele. 'A  gente sabe que a água está contaminada, que todos os alimentos ______ contaminação, principalmente os do mar, embutidos em plástico. Quando as pessoas passam aqueles cremes que ______ microplástico, os esfoliantes, isso também ______ risco de ser absorvido'."

(Disponível em:
https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2025/08/como-a-presenca-de-microplasticos-no-corpo-pode-afetar-nossa-saude.ghtml. Acesso em 19 ago. 2025. Adaptado.)

Assinale a alternativa que completa correta e respectivamente as lacunas do excerto, considerando o sentido do verbo e sua concordância no contexto:   
Alternativas
Q3633478 Português
O texto seguinte servirá de base para responder a questão.


O mistério de Ney Matogrosso jamais se revela completamente

Decifrá-lo é impossível. Recriá-lo, não.

Jesuíta Barbosa, ator, intérprete de Ney Matogrosso em "Homem com H"


[...] Uma das cenas mais marcantes das filmagens aconteceu quando eu contracenei com Bruno Montaleone, que interpreta o Marco de Maria. Os dois estão na cama. Ney abre o exame com o resultado negativo para o HIV. Silêncio. O de seu parceiro, no entanto, tinha dado positivo. Ney fica sem chão porque pensou que contrairia o vírus como muitos dos seus amigos e amores naquele período. Lembro que no dia em que fizemos essa cena, o Ney Matogrosso real estava numa cadeira sentado junto à equipe de filmagem, na frente da cama, olhando para mim e para o Montaleone. Não tinha como não sentir ou abstrair de sua presença no set. As poucas pessoas da equipe que acompanhavam a gravação estavam muito concentradas. Foi um momento doloroso para os dois e importantíssimo para a história que estávamos contando.

Apesar de estar inteiro na cena, meus olhos desviavam para observar as reações de Ney. Pensava no que ele estaria sentindo e trazia aquela tensão para a minha interpretação. Entendi que aquilo que estávamos encenando não era uma lembrança distante do passado, mas algo que ainda estava muito vivo.

Em um determinado momento, Ney se levantou da cadeira. Parecia inquieto. Ele foi tomado pela cena, pela suposta ficção, e começou a chorar compulsivamente. "Eu não sou assim, eu não sou assim." Repetia a mesma frase várias vezes. Por um momento, pensei que ele estava se referindo à minha interpretação. Mas não era isso, ele não estava julgando a cena. Estava, na verdade, protestando contra aquele sentimento que o fazia chorar. Pude ver um Ney Matogrosso vulnerável, com medo e angustiado. Peguei aquela frase que não estava no roteiro e a inseri no filme: "Eu não sou assim." Então, quando você, leitor, assistir a esta cena, saiba que a frase foi dita pelo Ney Matogrosso real na coxia do set. Aquilo foi uma simbiose, uma troca de experiências e de sensações. Foi uma recriação da vida e certamente um dos momentos mais importantes que vivi fazendo cinema.

Assisti ao primeiro corte do filme ao lado do Ney. Estava muito nervoso e ele segurou na minha mão. Chorei muito e quis o colo dele. E ele me deu colo, me amparou. Ele também estava emocionado. Este homem, que sabe acolher o outro em momentos de fraqueza, é também caloroso e diacrítico. Homem cujo peito transborda amor neste mundo hostil. Um homem-águia voando leve, muito leve. Águia que, às vezes, faz uma bela manobra, vem e pousa.

(Disponível         em:
 https://piaui.folha.uol.com.br/o-misterio-de-ney-matogrosso-jamais-se-r
 evela-completamente/.         Acesso         em         21         ago.         2025.         Adaptado.)
O tempo e o modo verbais não são meros artefatos gramaticais. Eles conferem sentido ao texto. A respeito do excerto a seguir, analise as assertivas:

Em um determinado momento, Ney se levantou da cadeira. Parecia inquieto.

I.O verbo levantar-se está conjugado no pretérito perfeito do indicativo, sinalizando um fato pontual, iniciado e finalizado.
II.O verbo parecer está conjugado no pretérito imperfeito do subjuntivo. Apesar de o fato estar acabado no passado, ele revela um sentido de incerteza a respeito da inquietação do sujeito.
III.O período poderia ser reescrito da seguinte maneira, sem prejuízo no sentido: Em um determinado momento, Ney se levantaria da cadeira, parecendo inquieto.

É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3632293 Português

Analise as frases abaixo:


• Nunca mais ................. acidentes com vítimas fatais nesta rodovia.


• .................... cinco anos que anseio por uma promoção.


• Coloque aqui sua ..................para atestar sua ciência do ocorrido.


• É um ............................. trabalhar nesta Delegacia.



 Assinale a alternativa que completa correta e sequencialmente as lacunas do texto.

Alternativas
Q3631802 Português
Analise o texto abaixo e responda à questão.


Texto I


    Quando começou a enterrar os seus mortos, quando de algum modo construiu um ritual funeral, o homo sapiens há cem mil anos já tinha consciência de sua finitude, de sua presença provisória no mundo. E este ritual funeral marca um novo estágio na vida da espécie homo, a consciência: nasce o homo sapiens sapiens, aquele que tem consciência do próprio saber, aquele que sabe que sabe. Foi esta consciência da fragilidade da vida, foi este choque que nos fez ver a nós mesmos, que nos fez ter a vida em alta conta: a vida é rara, deve ser cuidada, cultivada, mantida. 

    Foi a necessidade de expansão da vida humana no mundo, foi o seu fortalecimento que nos fez de algum modo pensar: “Preciso me precaver, conhecer as estações, preciso plantar o próprio alimento, cultivar as ervas que curam, preciso fabricar armas, ferramentas, preciso festejar o que ainda tenho e brindar à vida porque a vida é curta e eu quero viver”. 

    Foi a consciência da fragilidade da vida, do quanto tudo é provisório e instável, que impulsionou os humanos em direção à cultura, mas esta relação entre a vida pensada como natureza, e a cultura no sentido de ação, de intervenção humana no mundo, sempre foi uma relação difícil. É esta relação entre o conhecimento, produto da linguagem e da consciência, e a vida, como a totalidade que nos é dada, que interessa a Nietzsche, e do modo como a espécie humana se relaciona com a natureza, o mundo, a exterioridade que a cerca, mas também com a natureza que traz em seu próprio corpo e que a constitui. 

    O que Nietzsche faz é propor um exercício de autognose, ou seja, de autoconhecimento da humanidade, como se a própria espécie se colocasse em questão e pensasse: O que temos feito? Que caminhos trilhamos? O que enfim nos tornamos? É com este objetivo que Nietzsche percorre a história da humanidade procurando não aquilo que aparece, mas aquilo que a cultura esconde: O que de fato move a nossa ação no mundo? Que valores reproduz?


(MOSÉ, Viviane. Nietzsche hoje: sobre os desafios da vida contemporânea. Petrópolis, RJ: Vozes. 2018, p.11)
Na passagem “como se a própria espécie se colocasse em questão e pensasse: O que temos feito? Que caminhos trilhamos?” (4º§), o valor semântico das formas verbais nas perguntas indicam, respectivamente, uma ação:
Alternativas
Q3631801 Português
Analise o texto abaixo e responda à questão.


Texto I


    Quando começou a enterrar os seus mortos, quando de algum modo construiu um ritual funeral, o homo sapiens há cem mil anos já tinha consciência de sua finitude, de sua presença provisória no mundo. E este ritual funeral marca um novo estágio na vida da espécie homo, a consciência: nasce o homo sapiens sapiens, aquele que tem consciência do próprio saber, aquele que sabe que sabe. Foi esta consciência da fragilidade da vida, foi este choque que nos fez ver a nós mesmos, que nos fez ter a vida em alta conta: a vida é rara, deve ser cuidada, cultivada, mantida. 

    Foi a necessidade de expansão da vida humana no mundo, foi o seu fortalecimento que nos fez de algum modo pensar: “Preciso me precaver, conhecer as estações, preciso plantar o próprio alimento, cultivar as ervas que curam, preciso fabricar armas, ferramentas, preciso festejar o que ainda tenho e brindar à vida porque a vida é curta e eu quero viver”. 

    Foi a consciência da fragilidade da vida, do quanto tudo é provisório e instável, que impulsionou os humanos em direção à cultura, mas esta relação entre a vida pensada como natureza, e a cultura no sentido de ação, de intervenção humana no mundo, sempre foi uma relação difícil. É esta relação entre o conhecimento, produto da linguagem e da consciência, e a vida, como a totalidade que nos é dada, que interessa a Nietzsche, e do modo como a espécie humana se relaciona com a natureza, o mundo, a exterioridade que a cerca, mas também com a natureza que traz em seu próprio corpo e que a constitui. 

    O que Nietzsche faz é propor um exercício de autognose, ou seja, de autoconhecimento da humanidade, como se a própria espécie se colocasse em questão e pensasse: O que temos feito? Que caminhos trilhamos? O que enfim nos tornamos? É com este objetivo que Nietzsche percorre a história da humanidade procurando não aquilo que aparece, mas aquilo que a cultura esconde: O que de fato move a nossa ação no mundo? Que valores reproduz?


(MOSÉ, Viviane. Nietzsche hoje: sobre os desafios da vida contemporânea. Petrópolis, RJ: Vozes. 2018, p.11)
Considere a passagem “Foi a consciência da fragilidade da vida, do quanto tudo é provisório e instável, que impulsionou os humanos em direção à cultura” (3º§). Assinale a alternativa em que se faz uma afirmação correta acerca do verbo em destaque.
Alternativas
Q3631656 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Está se sentindo desestimulado e apático no trabalho? Você pode estar sofrendo de 'rust out'


O burnout é facilmente reconhecido por funcionários tensos e sobrecarregados: exaustão, despersonalização — sensação de desconexão dos outros ou de si mesmo no trabalho — e redução do senso de realização pessoal, consequências do estresse crônico não administrado. No extremo oposto, encontra-se o rust out, caracterizado pelo tédio, apatia e desmotivação, com profissionais frequentemente fazendo o mínimo necessário. Essa condição pode levar à procrastinação, ao uso excessivo de redes sociais e à busca por estímulos externos.


O rust out resulta do declínio mental e emocional causado por tarefas repetitivas, monótonas e pela estagnação profissional. Diferentemente do burnout, que surge da sobrecarga, ele é consequência da subutilização e da ausência de desafios. Ambientes que priorizam apenas eficiência e metas, em detrimento do engajamento, podem intensificar o problema, fazendo o trabalhador sentir-se invisível ou substituível.


Embora possa parecer uma queixa menor, a longo prazo o rust out prejudica a satisfação com a carreira e afeta a saúde mental. Ainda assim, em muitas áreas, o tema é pouco discutido, possivelmente por causa da visão de que o trabalho é, por natureza, entediante.


Uma pesquisa investigou a presença do rust out entre formadores de professores — docentes universitários responsáveis pela preparação de futuros educadores. Do total de cento e cinquenta e quatro participantes, quatorze foram entrevistados. Apesar de a maioria relatar satisfação com o trabalho, surgiram indícios claros dessa condição.


O fenômeno guarda semelhança com a chamada demissão silenciosa, porém, nesse caso, os profissionais permaneciam comprometidos com os alunos e viam a docência como vocação, encontrando alegria no contato com jovens inspiradores. O problema era que pilhas crescentes de tarefas administrativas os afastavam das atividades pelas quais se candidataram à função.


Esses docentes equilibram aulas, supervisão de estágios, orientação e grande volume de burocracia, restando pouco tempo para pesquisa e atividades criativas. A crescente burocratização do ensino superior, com excesso de formulários, tarefas administrativas e mudanças de sistemas, reduziu ainda mais o espaço para funções enriquecedoras.


O rust out também decorre do desalinhamento entre aspirações e demandas profissionais. Oportunidades limitadas de progressão na carreira, estruturas rígidas e falta de apoio ao desenvolvimento reforçam esse quadro.


Frequentemente, não há espaço para diálogo sobre satisfação profissional, prevalecendo a visão de que o funcionário deve sentir-se afortunado por ter um emprego.


O rust out traz custos pessoais, como desengajamento, apatia e perda de motivação, e institucionais, ao minar o potencial criativo e produtivo das equipes. Por isso, deve ser tratado com a mesma atenção dedicada ao burnout, reconhecendo-se que o bem-estar dos trabalhadores é essencial para o sucesso organizacional.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cnv716g5v4yo.adaptado. 


Apesar de a maioria "relatar" satisfação com o trabalho, "surgiram" indícios claros dessa condição.

Os verbos destacados na frase encontram-se conjugados, respectivamente, no:

Alternativas
Respostas
1201: B
1202: B
1203: C
1204: D
1205: D
1206: D
1207: B
1208: D
1209: E
1210: B
1211: E
1212: B
1213: D
1214: E
1215: B
1216: D
1217: A
1218: D
1219: B
1220: A