Questões de Concurso
Comentadas sobre morfologia - verbos em português
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Infância
Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.
[...]
ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia e prosa. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1988. p. 5.
Infância
Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.
[...]
ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia e prosa. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1988. p. 5.
Certa ocasião, um jornal deu a seguinte recomendação aos estudantes que, em uma prova de vestibular, deveriam produzir um texto dissertativo na prova de redação:
Como escrever
Olho vivo para não maltratar o português. Preste atenção ao enunciado. Se fugir do tema, copiar o texto apresentado ou fazer uma narração (relato de uma história), a redação será anulada.
AMARAL, Emília. Et al. Novas palavras. 2 ed. São Paulo, FTD, 2013. p. 238.
Certa ocasião, um jornal deu a seguinte recomendação aos estudantes que, em uma prova de vestibular, deveriam produzir um texto dissertativo na prova de redação:
Como escrever
Olho vivo para não maltratar o português. Preste atenção ao enunciado. Se fugir do tema, copiar o texto apresentado ou fazer uma narração (relato de uma história), a redação será anulada.
AMARAL, Emília. Et al. Novas palavras. 2 ed. São Paulo, FTD, 2013. p. 238.
“Sentia falta de Tebas”
Leia o texto.
O trabalho e a saúde mental
O carpinteiro imagina um móvel, faz o desenho com as medidas, corta madeira, dá a ela a forma que imaginou e depois monta, enverniza e lustra o móvel que construiu. Admira a obra que realizou com seu trabalho criativo. Ele tem um resultado que lhe dá satisfação, mesmo que não lhe dê muitos milhões em dinheiro por mês. Já o cobrador de ônibus fica o dia todo sentado, não fala com ninguém, mal olha para as pessoas, apenas recebe o dinheiro e dá o troco durante 8 horas por dia. No fim, está deprimido e cansado de fazer esse trabalho repetitivo e monótono. Nem muitos milhões em dinheiro seriam suficientes para pagar trabalho tão ingrato.
Um operário da linha de montagem de televisores põe uma pecinha em um aparelho que imediatamente é transportado pela esteira de montagem para outro operário, que coloca outra pecinha, e assim por diante. E um dia passa: um aparelho, uma pecinha, outro aparelho, outra pecinha, mês após mês, ano após ano.
Assim trabalham hoje milhões de pessoas em todo o mundo: sem gosto, sem alegria, sem prazer. Por isso, não é exagero dizer que o mundo moderno, com sua tecnologia, tirou da maioria dos seres humanos algo de que eles precisam e gostam: o trabalho criativo, que dá prazer.
Quem faz o que gosta enquanto trabalha sente pouco a diferença entre trabalho e lazer. Nesse caso, o trabalho faz bem à saúde.
Quem faz o que detesta fica o tempo todo olhando o relógio e o tempo não passa; espera com ansiedade o último dia de trabalho da semana e fica irritado quando a volta ao trabalho se aproxima; sonha com as férias e, mais do que tudo, sonha ganhar na loteria para fazer só o que gosta. Com tanto sofrimento, trabalhar acaba fazendo mal para a saúde.
O sonho da maioria dos jovens é encontrar um trabalho que dê muito dinheiro, mas isso não é suficiente. O trabalho deve dar prazer. Trabalhos feitos contra a vontade causam desânimo, falta de confiança em si próprio, tédio, tristeza. Esse estado de espírito negativo acaba criando doenças e perder a saúde não vale a pena por nenhum dinheiro do mundo.
Rosicler Martins Rodrigues
Vida e Saúde. São Paulo: Moderna.
ESSA QUE EU HEI DE AMAR…
Essa que eu hei de amar perdidamente um dia
será tão loura, e clara, e vagarosa, e bela,
que eu pensarei que é o sol que vem, pela janela,
trazer luz e calor a essa alma escura e fria.
E quando ela passar, tudo o que eu não sentia
da vida há de acordar no coração, que vela…
E ela irá como o sol, e eu irei atrás dela
como sombra feliz… — Tudo isso eu me dizia,
quando alguém me chamou. Olhei: um vulto louro,
e claro, e vagaroso, e belo, na luz de ouro
do poente, me dizia adeus, como um sol triste…
E falou-me de longe: "Eu passei a teu lado,
mas ias tão perdido em teu sonho dourado,
meu pobre sonhador, que nem sequer me viste!"
(ALMEIDA, Guilherme de. Meus versos mais queridos. Rio de Janeiro: Ediouro, 1988.)
TEXTO 2
O garçom, o cão e os direitos humanos
A cena inusitada se deu em um restaurante. Eu acabara de pedir a conta e, enquanto esperava, fazia anotações em uma caderneta. O garçom, velho conhecido, me pergunta:
– E aí? Preparando uma reportagem?
– Não – eu disse, explicando que estava listando tópicos para um debate sobre direitos humanos para o qual fora convidado.
– Direitos humanos? Sou contra! – exclamou o garçom, com o cenho franzido.
Eu levei um susto. Perguntei a ele como alguém pode ser contra os direitos humanos. E só então percebi o tamanho do mal-entendido:
– Esse pessoal dos direitos humanos vive defendendo os bandidos sem se importar com as pessoas de bem!
A reação amarga e mal-humorada do garçom, sujeito boa-praça e brincalhão, é a prova de um tipo de corrupção que se tornou praga no Brasil: a da linguagem. A expressão "direitos humanos" foi destituída de seu sentido original para virar um aparato, um grupo, uma instituição – uma "coisa" talvez seja a palavra mais adequada – que existe "para ir lá e defender os bandidos".
[...] Eu trabalho com linguagem. Defendê-la contra sua distorção, portanto, é também uma tarefa minha como jornalista.
Imbuído dessa missão, e ciente de que precisava de mais e melhores argumentos para convencer meu amigo garçom de que ele estava sendo enganado pela corrupção da linguagem, peguei meu celular, dei uma busca no Google até achar uma conhecida charge do cartunista André Dahmer. Chamei meu camarada e mostrei o desenho: era um cachorrinho falando para outro simplesmente o seguinte: "sou contra os direitos dos animais!".
– Que cusco burro! – divertiu-se o garçom, de supetão, para depois cair em si e coçar a careca.
Paguei a conta e fui embora feliz de ter ao menos lhe deixado uma pulga atrás da orelha.
Marcelo Canellas. Disponível em: https://diariosm.com.br/cultura/cr%C3%B4nica-o-gar%C3%A7om-o-c%C3%A3o-e-os-direitos-humanos-1.2126493Acesso em: 10.08.19.