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Questões de Concurso Comentadas sobre morfologia - pronomes em português

Questões Discursivas

Foram encontradas 10.458 questões

Q3450791 Português
A sentença que apresenta incorreção quanto à colocação pronominal é: 
Alternativas
Q3450787 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


O suicida e o computador 


    Depois de fazer o laço da forca e colocar uma cadeira embaixo, o escritor sentou-se atrás da sua mesa de trabalho, ligou o computador e digitou: “No fundo, no fundo, os escritores passam o tempo todo redigindo a sua nota de suicida. Os que se suicidam mesmo são os que a terminam mais cedo.” 

    

    Levantou-se, subiu na cadeira sob a forca e colocou a forca no pescoço. Depois retirou a forca do pescoço, desceu da cadeira, voltou ao computador e apagou o segundo “no fundo”. Ficava mais enxuto. Mais categórico. Releu a nota e achou que estava curta. Pensou um pouco, depois acrescentou: “Há os que se suicidam antes para escapar da terrível agonia de encontrar um final para a nota. O suicídio substitui o final. O suicídio é o final.” 


    Levantou-se, subiu na cadeira, colocou a forca no pescoço e ficou pensando. Lembrou-se de uma frase de Borges. Encaixa, pensou, retirando a corda do pescoço, descendo da cadeira e voltando ao computador. Digitou: “Borges disse que o escritor publica seus livros para livrar-se deles, senão passaria o resto da vida reescrevendo-os. O suicídio substitui a publicação. O suicídio é a publicação. No caso, o livro livra-se do escritor.” 


    Levantou-se, subiu na cadeira, mas desceu da cadeira antes de colocar a forca no pescoço. Lembrara-se de outra coisa. Voltou ao computador e, entre o penúltimo e o último parágrafo, inseriu: “Há escritores que escrevem um grande livro, ou uma grande nota de suicida, e depois nunca mais conseguem escrever outro. Atribuem a um bloqueio, ao medo do fracasso. Não é nada disso. É que escreveram a nota, mas esqueceram-se de se suicidar. Passam o resto da vida sabendo que faltou alguma coisa na sua obra e não sabendo o que é. Faltou o suicídio.” 


    Levantou-se, ficou olhando a tela do computador, depois sentou-se de novo. Digitou: “No fundo, no fundo, a agonia é saber quando se terminou. Há os que não sabem quando chegaram ao final da sua nota de suicida. Geralmente, são escritores de uma obra extensa. A crítica elogia sua prolixidade, a sua experimentação com formas diversas. Não sabe que ele não consegue é terminar a nota.” Dessa vez não se levantou. Ficou olhando para a tela, pensando. Depois acrescentou: “É claro que o computador agravou a agonia. Talvez uma nota de suicida definitiva só possa ser manuscrita ou datilografada à moda antiga, quando o medo de borrar o papel com correções e deixar uma impressão de desleixo para a posteridade leva o autor a ser preciso e sucinto. Tese: é impossível escrever uma nota de suicida num computador.”  Era isso? Ele releu o que tinha escrito. Apagou o segundo “no fundo”. Era isso. Por via das dúvidas, guardou o texto na memória do computador. No dia seguinte o revisaria. E foi dormir.


VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020. 

Analise os excertos a seguir e assinale a alternativa em que ocorre um pronome demonstrativo. 
Alternativas
Q3450786 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


O suicida e o computador 


    Depois de fazer o laço da forca e colocar uma cadeira embaixo, o escritor sentou-se atrás da sua mesa de trabalho, ligou o computador e digitou: “No fundo, no fundo, os escritores passam o tempo todo redigindo a sua nota de suicida. Os que se suicidam mesmo são os que a terminam mais cedo.” 

    

    Levantou-se, subiu na cadeira sob a forca e colocou a forca no pescoço. Depois retirou a forca do pescoço, desceu da cadeira, voltou ao computador e apagou o segundo “no fundo”. Ficava mais enxuto. Mais categórico. Releu a nota e achou que estava curta. Pensou um pouco, depois acrescentou: “Há os que se suicidam antes para escapar da terrível agonia de encontrar um final para a nota. O suicídio substitui o final. O suicídio é o final.” 


    Levantou-se, subiu na cadeira, colocou a forca no pescoço e ficou pensando. Lembrou-se de uma frase de Borges. Encaixa, pensou, retirando a corda do pescoço, descendo da cadeira e voltando ao computador. Digitou: “Borges disse que o escritor publica seus livros para livrar-se deles, senão passaria o resto da vida reescrevendo-os. O suicídio substitui a publicação. O suicídio é a publicação. No caso, o livro livra-se do escritor.” 


    Levantou-se, subiu na cadeira, mas desceu da cadeira antes de colocar a forca no pescoço. Lembrara-se de outra coisa. Voltou ao computador e, entre o penúltimo e o último parágrafo, inseriu: “Há escritores que escrevem um grande livro, ou uma grande nota de suicida, e depois nunca mais conseguem escrever outro. Atribuem a um bloqueio, ao medo do fracasso. Não é nada disso. É que escreveram a nota, mas esqueceram-se de se suicidar. Passam o resto da vida sabendo que faltou alguma coisa na sua obra e não sabendo o que é. Faltou o suicídio.” 


    Levantou-se, ficou olhando a tela do computador, depois sentou-se de novo. Digitou: “No fundo, no fundo, a agonia é saber quando se terminou. Há os que não sabem quando chegaram ao final da sua nota de suicida. Geralmente, são escritores de uma obra extensa. A crítica elogia sua prolixidade, a sua experimentação com formas diversas. Não sabe que ele não consegue é terminar a nota.” Dessa vez não se levantou. Ficou olhando para a tela, pensando. Depois acrescentou: “É claro que o computador agravou a agonia. Talvez uma nota de suicida definitiva só possa ser manuscrita ou datilografada à moda antiga, quando o medo de borrar o papel com correções e deixar uma impressão de desleixo para a posteridade leva o autor a ser preciso e sucinto. Tese: é impossível escrever uma nota de suicida num computador.”  Era isso? Ele releu o que tinha escrito. Apagou o segundo “no fundo”. Era isso. Por via das dúvidas, guardou o texto na memória do computador. No dia seguinte o revisaria. E foi dormir.


VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020. 

O pronome em “No dia seguinte o revisaria” evoca o mesmo referente designado em: 
Alternativas
Q3449827 Português
Analise as informações com o código V(Verdadeiro) ou F(Falso). Após análise, marque a alternativa com a série correta.

I – “O papai pediu para a mamãe sair com o bebê; a mamãe disse ao papai para chegar logo com o bebê”. – Destacamos dois verbos que são antônimos.
II – “Nenhum assunto do momento servirá para algum leitor escrever uma carta para o jornal da cidade. – Destacamos dois pronomes indefinidos que são antônimos.
III – O substantivo “acontecimentos” tem entre seus sinônimos: “fatos”; “eventos”; “ocorrências”; “episódios”.
Alternativas
Q3446820 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Sumiço de ossos em tumba de 5,5 mil anos na Suécia intriga arqueólogos 


Uma das câmaras mortuárias de pedra mais antigas da Suécia foi escavada por arqueólogos em Tiarp, perto da cidade de Falköping. Mas os pesquisadores notaram que algumas partes das pessoas enterradas no túmulo estão ausentes, como crânios e ossos da coxa. Os arqueólogos ficaram intrigados com esse sumiço – ainda mais porque estimam que a tumba de 5,5 mil anos permaneceu intocada desde a Idade da Pedra. Eles registraram os achados em 22 de dezembro de 2023 no periódico Journal of Neolithic Archaeology. 


As escavações ocorreram no ano passado e foram conduzidas por especialistas da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, e da Universidade de Kiel, na Alemanha. “É um túmulo antigo que remonta ao período Neolítico Inicial, por volta de 3500 a.C.”, diz o arqueólogo Karl-Göran Sjögren, em comunicado. Os especialistas acreditam que os crânios e ossos desaparecidos podem ter sido removidos do túmulo em rituais funerários. Mas, segundo Sjögren, essa hipótese ainda não foi estudada.


Tumba diferenciada


Uma análise do material da tumba revelou que o local contém ossos das mãos e dos pés, além de fragmentos de ossadas das costelas e dentes. Mas há pouquíssimos crânios e ossos maiores, como os da coxa e do braço. “Isso difere do que geralmente vemos em túmulos megalíticos, ou seja, câmaras mortuárias de pedra do período Neolítico”, avalia Sjögren. “Normalmente, os ossos ausentes são os menores das mãos e dos pés”.


Outro diferencial do túmulo é a forma com que foi construído, segundo o arqueólogo. “Há uma pequena saliência em cada extremidade. Isso é algo único entre túmulos em Falbygden”, ele diz. 


Em Falbygden, uma área geográfica de Falköping, há mais de 250 túmulos de passagem que são construídos com blocos de pedra e datam de cerca de 3,3 mil a.C. “Mas este dólmen é mais antigo”, observa o especialista. “É cerca de 200 a 150 anos mais velho do que os túmulos de passagem, tornando-o uma das câmaras mortuárias de pedra mais antigas da Suécia e de toda a Escandinávia”. 


Quem eram os mortos?


Torbjörn Ahlström, professor de Osteologia na Universidade de Lund, na Suécia, avaliou as descobertas e concluiu que os ossos são de pelo menos doze pessoas, incluindo crianças e idosos. Mas os arqueólogos ainda não sabem por que esses indivíduos morreram. “Não encontramos lesões nas pessoas enterradas, então não acreditamos que haja violência envolvida”, diz Sjögren. “Mas continuamos a estudar o DNA deles, o que mostrará se tinham alguma doença.” 


Apesar de não saberem ainda como a vida dessas pessoas acabou, os arqueólogos supõem que elas viveram da agricultura. A prática agrícola chegou a Falbygden por volta de 4 mil a.C., ou seja, cerca de 500 anos antes de o túmulo em Tiarp ser construído. “Eles viviam cultivando grãos e criando animais, consumindo produtos lácteos”, diz o arqueólogo.


Revista Galileu. (Adaptado). Disponível em  <https://revistagalileu.globo.com/ciencia/arqueo
logia/noticia/2024/01/sumico-de-ossos-emtumba-de-55-mil-anos-na-suecia-intrigaarqueologos.ghtml>
Considere o excerto a seguir para responder à questão.

Outro diferencial do túmulo é a forma com que foi construído, segundo o arqueólogo. “Há uma pequena saliência em cada extremidade. Isso é algo único entre túmulos em Falbygden”, ele diz. Em Falbygden, uma área geográfica de Falköping, há mais de 250 túmulos de passagem que são construídos com blocos de pedra e datam de cerca de 3,3 mil a.C.

As palavras “outro”, “cada” e “algo”, que ocorrem no contexto apresentado, são classificadas gramaticalmente e respectivamente como:
Alternativas
Q3446210 Português
A IMPORTÂNCIA DA PALAVRA E O VALOR DO SILÊNCIO


(1º§) O silêncio não é a negação da palavra, como a palavra não é tampouco a negação do silêncio. Eu penso que há silêncios eloquentes, como há também palavras vãs. É, precisamente, a continuidade entre um estado e outro que forma a trama completa de nossa vida do espírito.

(2º§) É na riqueza do nosso silêncio interior que se forma a qualidade de nossas manifestações verbais. Como é na riqueza de sua repercussão no silêncio posterior que reside o sentido mais profundo no nosso privilégio verbal.

(3º§) O homem é a única criatura que fala, que raciocina. Mas é também a única que sabe dar ao silêncio o seu sentido profundo. O silêncio dos seres humanos, das pedras, das florestas, dos animais, só tem sentido para nós, seres verbais, que damos um significado positivo, poético, filosófico, religioso a este silêncio das coisas e dos seres infra-humanos. Como o rumor de nossas palavras só tem sentido porque nelas se reflete o mundo infinito que está para lá de sua sonoridade, o mundo dos sentimentos, das ideias e das grandes realidades.

(4º§) A palavra e o silêncio formam uma expressão que pode ser interpretada de diversas maneiras. Em um sentido geral, a palavra pode ser vista como um meio de comunicação, enquanto o silêncio pode ser visto como uma ausência de comunicação. Reflita sobre as possibilidades de entender o sentido da palavra e do silêncio.

(5º§) No entanto, a relação entre palavra e silêncio é muito mais complexa do que isso. Em alguns casos, acho que o silêncio pode ser mais significativo do que as palavras, enquanto em outros casos, as palavras podem ser mais poderosas do que o silêncio. No entanto, a relação entre palavra e silêncio é muito mais complexa do que isso.

(6º§) Em um poema de Eugénio de Andrade, a palavra e o silêncio são explorados em profundidade. O poema começa assim: “A palavra é um gesto que se faz no silêncio”. Essa expressão sugere que a palavra e o silêncio estão intimamente ligados.

(7º§) A palavra só pode ser ouvida porque existe um silêncio ao seu redor. Além disso, o silêncio pode ser visto e/ou entendido como uma forma de comunicação em si mesmo.

(8º§) Às vezes, o silêncio pode ser mais poderoso do que as palavras, pois pode transmitir emoções e sentimentos que as palavras não são capazes de expressar. É importante entender ambos, em razão do que cada qual pode transmitir por si somente.


(Tristão de Athayde - era o pseudônimo de Alceu de Amoroso Lima (1893-1983), editor, escritor, cronista e crítico literário. Membro da Academia Brasileira de Letras.) – (Texto adaptado)
Sobre os componentes textuais, analise as assertivas com o código V(Verdadeiro) ou F(Falso). Após análise, marque a alternativa com a série correta.

I – No (1º§), de forma bem evidente, percebe-se a ideia de que a palavra e o silencio não se opõem.
II – O período: “A palavra é um gesto que se faz no silêncio” – pode ser reescrito, sem alterar o sentido contextual, desta forma: “A palavra é um gesto que é feito no silêncio”.
III – A crase da expressão: “Às vezes” faz parte da própria expressão.
IV – Os pronomes: “alguns” e “outros” - são indefinidos variáveis em gênero e em número.
Alternativas
Q3446209 Português
A IMPORTÂNCIA DA PALAVRA E O VALOR DO SILÊNCIO


(1º§) O silêncio não é a negação da palavra, como a palavra não é tampouco a negação do silêncio. Eu penso que há silêncios eloquentes, como há também palavras vãs. É, precisamente, a continuidade entre um estado e outro que forma a trama completa de nossa vida do espírito.

(2º§) É na riqueza do nosso silêncio interior que se forma a qualidade de nossas manifestações verbais. Como é na riqueza de sua repercussão no silêncio posterior que reside o sentido mais profundo no nosso privilégio verbal.

(3º§) O homem é a única criatura que fala, que raciocina. Mas é também a única que sabe dar ao silêncio o seu sentido profundo. O silêncio dos seres humanos, das pedras, das florestas, dos animais, só tem sentido para nós, seres verbais, que damos um significado positivo, poético, filosófico, religioso a este silêncio das coisas e dos seres infra-humanos. Como o rumor de nossas palavras só tem sentido porque nelas se reflete o mundo infinito que está para lá de sua sonoridade, o mundo dos sentimentos, das ideias e das grandes realidades.

(4º§) A palavra e o silêncio formam uma expressão que pode ser interpretada de diversas maneiras. Em um sentido geral, a palavra pode ser vista como um meio de comunicação, enquanto o silêncio pode ser visto como uma ausência de comunicação. Reflita sobre as possibilidades de entender o sentido da palavra e do silêncio.

(5º§) No entanto, a relação entre palavra e silêncio é muito mais complexa do que isso. Em alguns casos, acho que o silêncio pode ser mais significativo do que as palavras, enquanto em outros casos, as palavras podem ser mais poderosas do que o silêncio. No entanto, a relação entre palavra e silêncio é muito mais complexa do que isso.

(6º§) Em um poema de Eugénio de Andrade, a palavra e o silêncio são explorados em profundidade. O poema começa assim: “A palavra é um gesto que se faz no silêncio”. Essa expressão sugere que a palavra e o silêncio estão intimamente ligados.

(7º§) A palavra só pode ser ouvida porque existe um silêncio ao seu redor. Além disso, o silêncio pode ser visto e/ou entendido como uma forma de comunicação em si mesmo.

(8º§) Às vezes, o silêncio pode ser mais poderoso do que as palavras, pois pode transmitir emoções e sentimentos que as palavras não são capazes de expressar. É importante entender ambos, em razão do que cada qual pode transmitir por si somente.


(Tristão de Athayde - era o pseudônimo de Alceu de Amoroso Lima (1893-1983), editor, escritor, cronista e crítico literário. Membro da Academia Brasileira de Letras.) – (Texto adaptado)
Sobre os componentes linguísticos do (3º§), marque a alternativa com análise incorreta.
Alternativas
Q3443798 Português
São exemplos corretos do emprego da próclise, salvo:
Alternativas
Q3443596 Português

Leia o texto a seguir para responder a questão. 



O facão do seu Manuel



        Seu Manuel era português e tinha um açougue. Acordava cedo e trabalhava duro e foi assim que educou os filhos e conseguiu até que Joaquim, o Joca, se formasse em economia na PUC e fizesse mestrado em Harvard. Nem no dia da chegada do Joca dos Estados Unidos, onde ganhara nota altíssima com sua dissertação de mestrado Viés restritivo diagonal e viés distensivo horizontal nas economias emergentes, o seu Manuel deixou de trabalhar. Tanto que, depois da recepção no aeroporto, o Joca foi direto para o açougue abraçar o pai, nem se importando com o avental sujo de sangue contra o seu Armani.



        Ficou contando do sucesso da sua dissertação para o seu Manuel enquanto este continuava a servir a freguesia, pois era um dia movimentado no açougue. Foi quando Joca viu, horrorizado, que toda vez que colocava a carne na balança, seu Manuel fingia distração e pressionava o prato da balança com seu facão, aumentando o peso. Não quis fazer uma cena na frente dos fregueses mas, assim que pôde, protestou. Que imoralidade era aquela? O pai não via que aquilo era desonesto? E, mesmo, o aumento no peso era tão pequeno que não compensava o risco de um freguês descobrir e fazer um escândalo. O pai não tinha vergonha?



        Ó desgraçado, estás a cagare no prato em que comes — ponderou seu Manuel. E explicou que eram aquela pequena pressão do facão e aquele pequeno aumento no peso, repetidos várias vezes ao dia, durante anos, que tinham pago os estudos do Joca, inclusive o mestrado em Harvard e o Armani. Ou, continuou seu Manuel (em outras palavras, é claro), ele acreditava que cobrando preços justos, contentando-se com lucros honestos e, acima de tudo, tendo vergonha, o Brasil teria produzido a elite que produzira, inclusive economistas tão bons e tão elegantes para lhe dizer o que fazer? O Joca podia escolher entre trabalhar no açougue ou no governo. Seria rico e feliz, desde que nunca mais questionasse o facão.



        Joca, apesar de fictício, hoje é funcionário do Banco Central, onde sempre justifica algum episódio de cegueira conveniente ou moral relativa lembrando a pressão do facão do seu Manuel no prato da balança. Que ele chama de viés conjuntural perpendicular.


VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020. 

A palavra “seu”, utilizada para se referir ao personagem Manuel no texto — “Seu Manuel era português e tinha um açougue.” —, desempenha a função de: 
Alternativas
Q3443466 Português
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda à questão, que a ele se refere.

Texto 01

Corpo, comida e afeto: uma reflexão sobre culpa e aceitação

    Eu amo comer coisas diferentes, ando pela cidade à procura de pratos que eu não sei o nome, mas que meu coração (que fica ao lado do estômago) com certeza sabe bem.
    Comer, para mim, se tornou uma experiência afetiva, dessas que nos teletransporta, que traz contentamento e satisfação, não só pela comida, mas por tudo que ela envolve.
    Tem cheiro, textura, nomes dos mais variados, tem ingredientes que a gente nem imagina de onde saiu, tem o exótico, o trivial e tem o simples. Tem o inusitado, o que mistura doce com salgado e, na minha opinião, foi um acaso divino de alguém que decidiu juntar duas coisas muito boas para ver no que dá.
    Especialmente se tem queijo coalho com mel ou goiabada, aquele gosto agridoce difícil de explicar, mas que dispensa qualquer explicação, um sabor que me faz lembrar as viagens que fiz para Minas Gerais.
     Me lembra também a saudosa avó Maria, a mineira que nunca economizou nem no afeto, muito menos na comida. Ela sabia bem como preencher vazios de todos os tipos com o seu talento inegável na cozinha, comer sua comida era como receber carinho na alma e eu sei que você já deve ter sentido isso alguma vez na vida. Mudam-se os nomes, mudam-se as cidades, mas sabor de Minas é sempre de Minas.
    Viajei por treze países e provei pratos das mais variadas cores, sabores e lugares. Conhecer uma parte do mundo me fez comer de tudo, porque isso também é cultura, então minhas melhores memórias, adivinhem, também tem comida! Mas, nada supera Minas.
    Falo de Minas porque é, para mim, uma referência mundial na arte da culinária. Também, se há alguém mais afetivo que o povo mineiro, desconheço.
    A gente sente afeto na comida, na fala, no abraço gordinho de vó, que encosta barriga de avental no forno a lenha e coloca parte de todo o seu amor na panela. Essa é a forma mais perfeita de demonstrar amor.
    Mas, em tempos de redes sociais e padrões corporais, o afeto anda perdendo seu brilho. Afinal, comer também engorda, dá barriga, causa culpa e, nessa cultura da dieta excessiva, também virou pecado — mas não em Minas.
    Concordo que a gula faz mal, é verdade, mas será que a culpa também não faz? E se meu corpo, que é abençoado e não culpado, também for visto como um veículo e um instrumento para me fazer feliz?
    Pouco importa aquela barriguinha que está ali para me lembrar de parte das minhas histórias. Por isso, não posso cortá-la, criticá-la ou fazer uma lipo em tudo de bom que já vivi, não seria justo nem comigo, nem com Minas, e muito menos com a Dona Maria.
    E já que a maturidade e a vida adulta são um prato cheio de perdas e percalços, resolvi aceitar os meus bocados, as porções e os meus pedaços, aceito também os meus inteiros. Inclusive, mais uma fatia de queijo, com mel e afeto, por favor!

Disponível em: https://vidasimples.co/voce-simples/. Acesso em: 31 mar. 2024. Adaptado.
A alternativa em que, de acordo com a Gramática Normativa, se verifica marca de oralidade no uso do pronome oblíquo átono é
Alternativas
Q3442316 Português

Leia o texto a seguir para responder a questão.


Amor



        A verdade é que devemos tudo aos amores infelizes, aos amores que não dão certo. A poesia se faz antes ou depois do amor, ninguém jamais fez um bom poema durante um amor feliz. Pois se o amor está tão bom, pra que interrompê-lo? O amor feliz não é assunto de poesia, o amor feliz é em vez de poesia. Literatura é quando o amor ainda não veio ou quando já acabou, literatura durante é mentira. Ou ela é empolgação ou é remorso, revolta, saudade, tédio, divagação desesperada — enfim, tudo que de bom texto. Desconfie de quem explica um estado de exaltação criativa dizendo que está amando. Algo deve estar errado. 


        — Você está amando, mas ela não está correspondendo, é isso?


        — Não, não. Ela também me ama. … maravilhoso.


        — É maravilhoso, mas você sabe que não pode durar, é isso? Seu poema é sobre a transitoriedade de todas as coisas, sobre o efêmero, sobre o fim inevitável da felicidade num mundo em que...


        — Não! É sobre a felicidade sem fim!


        — Não pode ser.


         — Mas é. Acabei o poema e vou fazer uma canção. Depois, talvez, uma cantata. E estou pensando num romance. Tudo inspirado no nosso amor. Não posso parar de criar. Estou transbordando de amor e ideia. Crio dia e noite.


         — E a mulher amada? 


        — Quem? Ah, ela. Bom, ela sabe que a atenção que não lhe dou, dou ao nosso amor perfeito.


        Está explicado. Ele não canta a amada ou seu amor. Está fascinado por ele mesmo, amando. E o poema certamente é ruim. Porque o amor, para ser de verdade, tem de emburrecer. Só devem lhe ocorrer bobagens para dizer ou escrever durante um caso de amor. Ou é kitsch, de mau gosto, piegas ou copiado, ou não é amor. Qualquer sinal de originalidade pode até ser suspeito.


        — Esses seus versos para mim... Estão ótimos.


        — Obrigado.


        — Essas juras de amor, essas rimas, essa métrica... De onde você tirou tudo isso?


        — Eu mesmo inventei. Pensando em você.


        — Seu falso!


        — O quê?


        — Só deixando de pensar em mim por algumas horas você faria uma coisa assim pensando em mim. Só tomando dist‚ncia, escrevendo ou reescrevendo, raciocinando e burilando você faria isso. Um verso plagiado do Vinicius eu entenderia. Um verso original, e bom desse jeito, é traição. Só não sendo sincero você seria tão inteligente!


        — Mas...


        — Não fale mais comigo.


        Pronto. O amor acabou, agora você pode ser criativo sem remorso. Você está infeliz, mas console-se. Pense em como isso melhorar·o seu estilo. 


VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020. 

Em “Está fascinado por ele mesmo, amando.”, o pronome “ele” é um: 
Alternativas
Q3442095 Português
Leia um trecho do poema “Ou isto ou aquilo”, de Cecília Meireles e responda, corretamente, à questão que segue.
“Não sei se brinco, não sei se estudo, se saio correndo ou fico tranquilo.
Mas não consegui entender ainda qual é melhor: se é isto ou aquilo.”

Os pronomes sublinhados são, respectivamente.
Alternativas
Q3442094 Português
Complete as seguintes frases com os pronomes adequados.
I. Entre ___ e você existe uma bela história de amor. II. Elisa, diga ao seu pai que vou ____. III. De repente, ofereceu o melhor carro para ____. IV. De repente, deu-lhe o carro para ____ dirigir.
Marque a opção que preenche CORRETA e respectivamente as lacunas. 
Alternativas
Q3441450 Português

Leia o texto a seguir.


    “Treze horas. Horário de almoço. Hora da sesta. Já se passa de meiodia. ________ tarde está iniciando já com o reflexo do outono espalhado pelo chão, e sentindo o perfume da estação trazido pelo o sopro do vento. E aqui estou eu ________ parque, em meio ao centro urbano, observando as árvores, escutando a melodia passarinhando por entre os galhos, esperando o tempo dizer a hora de voltar. _______ manhã, o trabalho foi pesado, pois tive de dar conta de muitas encomendas para despachar.     Gosto de sempre vir aqui no horário da sesta. Traz-me nostalgia de minha infância já encaixotada. Interessante, pois, estar aqui, não dá nem pra perceber que, lá fora, estamos rodeados de arranha-céus.”


(Tulius Mendonça)

O texto possui algumas lacunas que podem ser preenchidas por pronomes demonstrativos. A alternativa que completa, respectivamente e CORRETAMENTE, tais lacunas é:
Alternativas
Q3437002 Português
Texto para responder à questão.

      Solidão

    Finalmente liberadas as gravações que a Nasa fez das experiências realizadas com o tenente da Marinha John Smith para testar o comportamento humano em condições de completo isolamento durante longos períodos de tempo, iguais ao que o homem terá que enfrentar na exploração do espaço. O tenente Smith foi escolhido pelas suas perfeitas condições físicas e mentais. Foi colocado dentro de um simulador de voo com comida bastante para dois anos e os instrumentos que normalmente levaria numa missão, inclusive um computador. Todos os dias Smith teria que fazer um relatório verbal para que seu estado fosse avaliado. O que segue são trechos das gravações feitas dos seus relatórios.

    Primeiro dia. “Meu nome é John Smith. Estou ótimo. Passei todo o dia me familiarizando com este meu pequeno lar. Já desafiei o computador para uma partida de xadrez. Acho que nos daremos muito bem. (Risadas.) Só tenho uma queixa: esta comida em bisnagas não se parece nada com a comida de mamãe... (Risadas.) Dois mais dois são quatro. Encerro.”

    Uma semana depois. “John Smith aqui. Continuo muito bem. Ainda não consegui vencer nenhuma partida de xadrez deste computador. Acho que ele está trapaceando. (Risadas.) Três vezes três é nove. Encerro.”

     Um mês depois. “(Risadas.) Meu nome é John maldito Smith. Tudo bem. Um pouco entediado, mas tudo bem. Consegui finalmente ganhar uma do computador, embora ele negue. Vou ter que derrotá-lo de novo para convencer este cretino. Calculei mal e já comi todas as bisnagas de torta de maçã. Agora só tem o maldito limão. Duas vezes três são, deixa ver. Seis. Quer dizer... Não. Está certo. Seis. Encerro.”

     Dois meses depois. “Vocês sabem quem eu sou. John qualquer coisa. Não aguento mais a arrogância deste computador. Ele não é humano! Insiste que me deu xeque-mates inexistentes e se recusa a admitir que está errado. Tivemos uma briga feia hoje. Dois mais dois são... sei lá. Encerro.”

    Quatro meses. “Alô. Tenho provas irrefutáveis de que o computador está tentando boicotar esta missão! Ouvi claramente ele dizer alguma coisa desagradável sobre mamãe. (...) Não me responsabilizo pelo que possa acontecer. Estou muito bem, lúcido e bem-disposto. Com licença que estão batendo na porta.”

     Sexto mês. “Meu nome é Smith. Maggie Smith. Por hoje é só.”

     Oitavo mês. “(Risadas.)”

    Nono mês. “Smith aqui. Aconteceu o inevitável. Matei o computador. Estávamos com um problema, onde colocar as bisnagas vazias, e ele fez uma sugestão deselegante. Agora está morto. Não tenho remorsos. Ontem recebi a visita de um vendedor de enciclopédias. Não sei como ele conseguiu entrar aqui. Dois mais dois geralmente é nove. Encerro.”

    Décimo mês. “Meu nome é Brown ou Taylor. Um mais um é umum. Dois mais dois, não. Iniciei um projeto importantíssimo. Com as bisnagas vazias e partes do computador, estou construindo uma mulher.”

Um ano. “Redford aqui. Sinto falta de um espelho para poder ver a minha barba, que está bem comprida. A mulher que fiz de bisnagas vazias e partes do falecido computador ficou ótima mas, infelizmente, nossos gênios não combinavam. Ela foi para casa de seus pais. Dois mais dois...”

   Décimo quarto mês. “Minha barba está tentando boicotar a missão! Faz um estranho barulho eletrônico e várias vezes já tentou me estrangular. Deve ser comunista. Começaram a chegar as enciclopédias que comprei. Tenho jogado xadrez comigo mesmo e ganho sempre.”

   Décimo quinto mês. “Aqui fala Zaratustra. Atenção. Encontrei pegadas humanas dentro da cabine. Estou investigando. Mandarei um relatório depois. Duas vezes três é demais. Encerro.”

   No dia seguinte. “Grande notícia. Há outro ser humano dentro da cabine! Seu nome é Smith, John Smith, mas como o encontrei numa terça-feira o chamarei de ‘Quinta’. Ele não fala, mas joga xadrez como um mestre. (Risadas.) Talvez tenha que matá-lo.” Neste ponto, os cientistas da Nasa acharam melhor abrir a cápsula. Encontraram Smith com as mãos em volta do próprio pescoço, gritando: “Trapaceiro! Trapaceiro!”.


VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
Considere as seguintes sentenças, que ocorrem no texto:

I. “Minha barba está tentando boicotar a missão!”
II. “Faz um estranho barulho eletrônico e várias vezes já tentou me estrangular.”
III. “Tenho jogado xadrez comigo mesmo e ganho sempre.”

Nas sentenças dadas, ocorre um pronome pessoal de caso oblíquo tônico apenas em:
Alternativas
Q3436826 Português
Festa de aniversário


Os ingredientes são: uma porção de caos, duas de confusão e uma pobre mãe exausta – tudo misturado com um cão latindo e balões estourando. Uma boa festa de aniversário deve ter no mínimo vinte crianças, sendo uma de colo, que chora o tempo todo, uma maior do que as outras, chamada Eurico, que bate nas menores e acabará mordida pelo cachorro, para a secreta satisfação de todos; e uma de rosto angelical, olhar límpido e vestido impecável, que conseguirá sentar em cima do bolo de chocolate. Esta deve se chamar Cândida.


Boa festa de aniversário é aquela em que, depois que todos foram embora, a mãe do aniversariante examina os destroços com o mesmo olhar que Napoleão lançou sobre os campos de Waterloo depois da batalha, e fica indecisa entre chorar, fugir de casa ou rolar pelo tapete dando gargalhadas histéricas. Desiste de rolar pelo tapete porque o tapete está coberto de restos de comida. É indispensável que no fim da festa sobre uma criança que ninguém sabe como foi parar embaixo do sofá.


– Como é seu nome, meu bem?


– Cândida.


É ela de novo. E as grandes camadas de chocolate no seu traseiro não estão ajudando o tapete. A mãe do aniversariante decide chorar. Melhor ainda são os pais que vêm buscar as crianças e ficam para tomar uma cervejinha. A noite já vai alta, os filhos dormem nos seus colos com a boca aberta, os balões coloridos presos ao dedo de cada criança fazem um balé em câmara lenta no meio da sala, e os pais não vão embora. A mãe do aniversariante não sente mais as pernas. Apalpa um joelho, para ver se a perna ainda está lá. Fantástico: está. E então ouve, incrédula, a voz do marido:


– Carminha, traz mais uma cerveja para o Dr. Ariel...


Será que o inconsciente não sabe que ela teve que correr o dia inteiro? Que encheu os balões com seus próprios pulmões? Que fez a torta de chocolate com a sua própria receita? Que por pouco não estrangulou 20 crianças com as suas próprias mãos? Boa festa de aniversário é a que acaba com a mãe do aniversariante querendo estrangular o próprio marido. [...]


Uma boa festa de aniversário deve ter guaraná morno e show de mágica. O mágico deve ser arranjado à última hora e não pode ser muito bom. A mãe do aniversariante deve contratar o mágico na certeza de que, depois de cantarem o “Parabéns a você”, comerem a torta de chocolate e beberem o guaraná morno, as crianças não terão mais o que fazer, perderão o interesse e a festa será um fracasso. É preciso um show para entretê-las. [...] Deve ser uma luta para reunir as crianças em torno do mágico. Antes que o espetáculo acabe, as crianças estarão participando ativamente de cada truque, espiando para dentro da manga, descobrindo todos os compartimentos secretos e desmoralizando por completo o mágico, que no dia seguinte mudará de profissão. Em seguida, a mãe do aniversariante tentará organizar um calmo e instrutivo jogo de charadas, mas ninguém lhe dará bola. As crianças agora brincam de Zorro, e o Eurico, montado no cachorro, faz um rápido “Z” com um jato de Coca-Cola na parede da sala.


Uma boa festa de aniversário deve terminar depois da meia-noite, quando o último pai sai arrastando a última criança, e a criança, o último balão, que estoura na saída. A mãe do aniversariante deve olhar para o marido, suspirar e declarar que está morta. Que irá direto para a cama e só pensará em arrumar a casa amanhã. Ou daqui a uma semana, sei lá. E só então se lembrará:


– Meu Deus, a Cândida! Temos que levar a Cândida em casa.


Uma boa festa de aniversário deve terminar com uma criança sonolenta sendo entregue em casa com a recomendação:


– Olhe que ela está que é só chocolate.


VERISSIMO, L. F. Ed Mort e outras histórias. Porto Alegre: L&PM Editores, 1985. (Adaptado).
Considere as seguintes sentenças, retiradas do texto:

I. Esta deve se chamar Cândida.
II. É preciso um show para entretê-las.
III. E só então se lembrará: – Meu Deus, a Cândida! Temos que levar a Cândida em casa.

Nas sentenças dadas, a colocação pronominal ocorre de forma enclítica apenas em:
Alternativas
Q3436265 Português
Considere o enunciado: “No ano passado, Maria e Ana foram mal na escola. Esse ano, provavelmente, não ficarão de recuperação. Esta sempre foi mais estudiosa, e aquela, mais bagunceira.” Neste contexto, os pronomes demonstrativos ‘esta’ e ‘aquela’ são empregados como recursos de coesão textual. Ambos desempenham a função de:
Alternativas
Q3436253 Português
Festa de aniversário


Os ingredientes são: uma porção de caos, duas de confusão e uma pobre mãe exausta – tudo misturado com um cão latindo e balões estourando. Uma boa festa de aniversário deve ter no mínimo vinte crianças, sendo uma de colo, que chora o tempo todo, uma maior do que as outras, chamada Eurico, que bate nas menores e acabará mordida pelo cachorro, para a secreta satisfação de todos; e uma de rosto angelical, olhar límpido e vestido impecável, que conseguirá sentar em cima do bolo de chocolate. Esta deve se chamar Cândida.


Boa festa de aniversário é aquela em que, depois que todos foram embora, a mãe do aniversariante examina os destroços com o mesmo olhar que Napoleão lançou sobre os campos de Waterloo depois da batalha, e fica indecisa entre chorar, fugir de casa ou rolar pelo tapete dando gargalhadas histéricas. Desiste de rolar pelo tapete porque o tapete está coberto de restos de comida. É indispensável que no fim da festa sobre uma criança que ninguém sabe como foi parar embaixo do sofá.


– Como é seu nome, meu bem?


– Cândida.


É ela de novo. E as grandes camadas de chocolate no seu traseiro não estão ajudando o tapete. A mãe do aniversariante decide chorar. Melhor ainda são os pais que vêm buscar as crianças e ficam para tomar uma cervejinha. A noite já vai alta, os filhos dormem nos seus colos com a boca aberta, os balões coloridos presos ao dedo de cada criança fazem um balé em câmara lenta no meio da sala, e os pais não vão embora. A mãe do aniversariante não sente mais as pernas. Apalpa um joelho, para ver se a perna ainda está lá. Fantástico: está. E então ouve, incrédula, a voz do marido: 


– Carminha, traz mais uma cerveja para o Dr. Ariel...


Será que o inconsciente não sabe que ela teve que correr o dia inteiro? Que encheu os balões com seus próprios pulmões? Que fez a torta de chocolate com a sua própria receita? Que por pouco não estrangulou 20 crianças com as suas próprias mãos? Boa festa de aniversário é a que acaba com a mãe do aniversariante querendo estrangular o próprio marido. [...]


Uma boa festa de aniversário deve ter guaraná morno e show de mágica. O mágico deve ser arranjado à última hora e não pode ser muito bom. A mãe do aniversariante deve contratar o mágico na certeza de que, depois de cantarem o “Parabéns a você”, comerem a torta de chocolate e beberem o guaraná morno, as crianças não terão mais o que fazer, perderão o interesse e a festa será um fracasso. É preciso um show para entretê-las. [...] Deve ser uma luta para reunir as crianças em torno do mágico. Antes que o espetáculo acabe, as crianças estarão participando ativamente de cada truque, espiando para dentro da manga, descobrindo todos os compartimentos secretos e desmoralizando por completo o mágico, que no dia seguinte mudará de profissão. Em seguida, a mãe do aniversariante tentará organizar um calmo e instrutivo jogo de charadas, mas ninguém lhe dará bola. As crianças agora brincam de Zorro, e o Eurico, montado no cachorro, faz um rápido “Z” com um jato de Coca-Cola na parede da sala.


Uma boa festa de aniversário deve terminar depois da meia-noite, quando o último pai sai arrastando a última criança, e a criança, o último balão, que estoura na saída. A mãe do aniversariante deve olhar para o marido, suspirar e declarar que está morta. Que irá direto para a cama e só pensará em arrumar a casa amanhã. Ou daqui a uma semana, sei lá. E só então se lembrará:


– Meu Deus, a Cândida! Temos que levar a Cândida em casa.


Uma boa festa de aniversário deve terminar com uma criança sonolenta sendo entregue em casa com a recomendação:


– Olhe que ela está que é só chocolate.


VERISSIMO, L. F. Ed Mort e outras histórias. Porto Alegre: L&PM Editores, 1985. (Adaptado).
Considere o excerto: “O mágico deve ser arranjado à última hora e não pode ser muito bom. A mãe do aniversariante deve contratar o mágico na certeza de que, depois de cantarem o "Parabéns a você", comerem a torta de chocolate e beberem o guaraná morno, as crianças não terão mais o que fazer, perderão o interesse e a festa será um fracasso.” A segunda ocorrência da expressão “o mágico” poderia ser reescrita, com o uso de formas pronominais, da seguinte forma:
Alternativas
Q3436034 Português
Os pronomes assumem diferentes funções, substituindo ou acompanhando substantivos para conferir fluidez e concisão à comunicação.
Analise as frases a seguir e assinale a alternativa cuja palavra destacada seja um pronome:
Alternativas
Q3435544 Português
Referindo-se aos porquês, marque a alternativa incorreta.
Alternativas
Respostas
1881: B
1882: C
1883: A
1884: D
1885: A
1886: B
1887: D
1888: C
1889: B
1890: A
1891: C
1892: B
1893: C
1894: A
1895: C
1896: B
1897: A
1898: B
1899: A
1900: A