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Questões de Concurso Comentadas sobre morfologia - pronomes em português

Foram encontradas 10.389 questões

Q2882624 Português

SINGRANDO OS ARES

01 Esta vida airada de saltimbanco das letras ainda me mata.

02 Quando comecei a perpetrar meus livros, os escritores apenas escreviam. Hoje - é o que penso resignadamente, enquanto

03 afivelo o cinto e observo os letreiros de "não fumar" -, há períodos em que o escritor trabalha como funcionário do

04 departamento de vendas da editora e, nesse esforçado mister, às vezes viaja tanto que volta e meia, ao despertar num aposento

05 estranho, leva um certo tempo para descobrir em que cidade está. E eis-me de volta a um avião.

06 Nada como este avião, para lembrar como sou antigo. Tenho a impressão de que, se contasse o que eram as viagens de avião

07 dos velhos tempos, ia ser tido na conta de mentiroso. Escolha de menus na classe econômica, talheres de metal, pratos de

08 louça, refeições quentinhas, precedidas por aperitivos e acompanhadas por vinhos [...].

09 Ninguém pensava em problemas de segurança, não havia a revista e a inspeção a que hoje os passageiros têm de submeter-se.

10 Lembro com um arrepio o dia em que, por eu me encaixar à perfeição num tal perfil do terrorista que algum órgão de

11 segurança americano criou, quiseram me levar em cana em Chicago e quase levam mesmo, tendo os orixás me salvado pelo

12 gongo. E, desse tempo para cá, as coisas só fizeram piorar. Inevitável avaliar as pessoas que embarcaram comigo.

13 O de bigodinho que acaba de se sentar parece um pouco nervoso. Terá inserido em si um supositório explosivo, como agora

14 dizem que é a nova onda, em matéria de terrorismo? Quem vê cara não vê supositório. Só saberei, ou não, depois de chegarmos

15 ao destino.

16 Encaixei-me no que cinicamente chamam de poltrona e pressagiei o dia em que os comissários de bordo empregarão pés-de-

17 cabra para socar nos assentos os passageiros mais graudinhos. Isso com certeza será trombeteado como mais um serviço para

18 maior conforto do passageiro. Não há por que duvidar dessa possibilidade, pois é o mesmo tipo de argumento que vi faz pouco,

19 num comercial de tevê ou num anúncio de revista. Uma empresa agora não dá mais nada aos passageiros, com a possível

20 exceção de um copo de água de torneira. O resto é vendido, mas ela se gaba disso, enquanto anuncia um cardápio baratinho,

21 para os que tiverem uma queda de curva glicêmica durante o voo e precisarem comer alguma coisa. O que antes era incluído

22 no preço agora é cobrado à parte e isso é qualificado como vantagem para o passageiro.

23 Mas talvez a situação no Brasil não seja tão ruim. Já li sobre diversas novidades em matéria de viagem aérea que espero que

24 não sejam adotadas aqui. Uma delas é a cobrança pelo uso do banheiro do avião. Fico imaginando um passageiro sem um

25 vintém no bolso e sem cartão de crédito. Se o problema for xixi, menos mal, talvez. Pode dar para pedir aos demais que olhem

26 para o outro lado, enquanto a questão é resolvida da melhor forma viável, a necessidade é a mãe da invenção. Em casos mais

27 graves, quero crer que, movidos não tanto pela solidariedade quanto pelo instinto de sobrevivência, os passageiros nas

28 proximidades da vítima da infausta premência farão uma vaquinha para pagar o banheiro dela. Nada que, com boa vontade,

29 não possa ser resolvido e, como sempre, o mercado encontrará soluções.

30 Em outro exemplo, a companhia aérea cobra dobrado, se o traseiro do passageiro ultrapassa determinadas proporções. Isso

31 provavelmente é divulgado como um serviço espontâneo em prol da saúde pública, por incentivar a manutenção de um corpo

32 esbelto, sem enxúndias que façam mal ao organismo e ao bolso. No início, acredito que os gordinhos terão os fundilhos

33 medidos por funcionários especializados ou por nadegômetros eletrônicos, mas logo essa tarefa, por acarretar custos quiçá

34 onerosos, será repassada ao consumidor, que, ao comprar a passagem, terá de informar suas medidas posteriores, aceitando ter

35 de tomá-las novamente no check-in, nos casos em que houver a suspeita de que as declaradas não correspondam à realidade.

36 Não existe razão para crer que as mudanças vão parar aí. Não haverá de ser tão impossível assim que, ao menos em viagens

37 curtas como as entre o Rio e São Paulo, passem a ser aceitos passageiros em pé, como nos ônibus e trens urbanos. A preços

38 baixos, essas viagens talvez tivessem uma freguesia apreciável.

39 Quem sabe se, para quem more em Congonhas e se veja surpreendido em Guarulhos pela Mãe de Todos os Engarrafamentos,

40 não seria uma opção prática para voltar para casa antes da meia-noite. Mas chega de mau humor e caturrice, o avião já

41 aterrissou. Ligeiro sobressalto, depois que um comissário fez um pequeno discurso sobre a limpeza da aeronave para os

42 próximos passageiros. Seremos solicitados a realizar essa tarefa? Não, ainda não chegamos lá. Mas, dentro em breve, acho que

43 podemos esperar que nos cobrem uma porcentagem do valor do bilhete como taxa de faxina - mais um serviço de nossa

44 companhia aérea favorita.

RIBEIRO, João Ubaldo. Singrando os ares. O Globo, Domingo, 25 out. 2009.

Assinale a alternativa CORRETA quanto à classificação da palavra "eis", no trecho: "E eis-me de volta a um avião" (e. 5).

Alternativas
Q2881410 Português

Texto II, para responder às questões de 5 a 10.


1 Foi tudo muito rápido. A executiva bem-sucedida

sentiu uma pontada no peito, vacilou, cambaleou. Deu um

gemido e apagou. Quando voltou a abrir os olhos, viu-se

4 diante de um imenso portal. Ainda meio zonza, atravessou-o

e viu uma miríade de pessoas, todas vestindo cândidos

camisolões e caminhando despreocupadas. Sem entender

7 bem o que estava acontecendo, a executiva bem-sucedida

abordou um dos passantes:

— Enfermeiro, eu preciso voltar urgente para o meu

10 escritório, porque tenho um meeting importantíssimo. Aliás,

acho que fui trazida para cá por engano, porque meu

convênio médico é classe A, e isto aqui está me parecendo

13 mais um pronto-socorro. Onde é que nós estamos?

— No céu.

— No céu?...

16 — Tipo assim... O céu, CÉU?!... Aquele com

querubins voando e coisas do gênero?

— Certamente. Aqui todos vivemos em estado de

19 gozo permanente.

Apesar das óbvias evidências de nenhuma

poluição, todo mundo sorrindo, ninguém usando telefone

22 celular, custou um pouco à executiva bem-sucedida admitir

que havia mesmo apitado na curva. Tentou, então, o plano B:

convencer o interlocutor, por meio das infalíveis técnicas

25 avançadas de negociação, de que aquela situação era

inaceitável. Porque, ponderou, dali a uma semana, ela iria

receber o bônus anual, além de estar fortemente cotada para

28 assumir a posição de presidente do conselho de

administração da empresa. E foi aí que o interlocutor sugeriu:

— Talvez seja melhor você conversar com Pedro, o

31 síndico.

— É? E como é que eu marco uma audiência? Ele

tem secretária?

34 — Não, não. Basta estalar os dedos, e ele aparece.

— Assim (...)?

— Pois não?

37 A executiva bem-sucedida quase desaba da nuvem.

À sua frente, imponente, segurando uma chave que mais

parecia um martelo, estava o próprio Pedro. Mas a executiva

40 havia feito um curso intensivo de approach para situações

inesperadas e reagiu rapidinho:

— Bom dia. Muito prazer. Belas sandálias. Eu sou

43 uma executiva bem-sucedida e...

— Executiva... Que palavra estranha! De que século

você veio?

46 — Do XXI. O distinto vai me dizer que não conhece

o termo “executiva”?

— Já ouvi falar. Mas não é do meu tempo.

49 Foi então que a executiva bem-sucedida teve um

insight. A máxima autoridade ali no paraíso aparentava ser

um zero à esquerda em modernas técnicas de gestão

52 empresarial. Logo, com seu brilhante currículo tecnocrático,

a executiva poderia rapidamente assumir uma posição

hierárquica, por assim dizer, celestial ali na organização.

55 — Sabe, meu caro Pedro, se você me permite, eu

gostaria de lhe fazer uma proposta. Basta olhar para esse

povo todo aí, só batendo papo e andando à toa, para

58 perceber que aqui no Paraíso há enormes oportunidades

para dar um upgrade na produtividade sistêmica.

— É mesmo?

61 — Pode acreditar, porque tenho PhD em

reengenharia. Por exemplo, não vejo ninguém usando

crachá. Como é que a gente sabe quem é quem aqui, e

64 quem faz o quê?

— Ah, não sabemos.

— Entendeu o meu ponto? Sem controle, há

67 dispersão. E dispersão gera desmotivação. Com o tempo,

isso aqui vai acabar virando uma anarquia. Mas nós dois

podemos consertar tudo isso rapidinho, implementando um

70 simples programa de targets individuais e avaliação de

performance.

— Que interessante...

73 — É claro que, antes de tudo, precisaríamos de uma

hierarquização e um organograma funcional, nada que

dinâmicas de grupo e avaliações de perfis psicológicos não

76 consigam resolver.

— !!!...???....!!!...???...!!!

— Aí, contrataríamos uma consultoria especializada

79 para nos ajudar a definir as estratégias operacionais e

estabeleceríamos algumas metas factíveis de leverage,

maximizando, dessa forma, o retorno do investimento do

82 Grande Acionista... Ele existe, certo?

— Sobre todas as coisas.

— Ótimo.

85 — Impressionante!

— Isso significa que podemos partir para a

implementação?

88 — Não. Significa que você terá um futuro brilhante...

se for trabalhar com o nosso concorrente. Porque você

acaba de descrever, exatamente, como funciona o Inferno...


Max Gehringer. In: Exame (com adaptações)

Ainda com relação a aspectos gramaticais do texto II, assinale a alternativa correta.

Alternativas
Q2881409 Português

Texto II, para responder às questões de 5 a 10.


1 Foi tudo muito rápido. A executiva bem-sucedida

sentiu uma pontada no peito, vacilou, cambaleou. Deu um

gemido e apagou. Quando voltou a abrir os olhos, viu-se

4 diante de um imenso portal. Ainda meio zonza, atravessou-o

e viu uma miríade de pessoas, todas vestindo cândidos

camisolões e caminhando despreocupadas. Sem entender

7 bem o que estava acontecendo, a executiva bem-sucedida

abordou um dos passantes:

— Enfermeiro, eu preciso voltar urgente para o meu

10 escritório, porque tenho um meeting importantíssimo. Aliás,

acho que fui trazida para cá por engano, porque meu

convênio médico é classe A, e isto aqui está me parecendo

13 mais um pronto-socorro. Onde é que nós estamos?

— No céu.

— No céu?...

16 — Tipo assim... O céu, CÉU?!... Aquele com

querubins voando e coisas do gênero?

— Certamente. Aqui todos vivemos em estado de

19 gozo permanente.

Apesar das óbvias evidências de nenhuma

poluição, todo mundo sorrindo, ninguém usando telefone

22 celular, custou um pouco à executiva bem-sucedida admitir

que havia mesmo apitado na curva. Tentou, então, o plano B:

convencer o interlocutor, por meio das infalíveis técnicas

25 avançadas de negociação, de que aquela situação era

inaceitável. Porque, ponderou, dali a uma semana, ela iria

receber o bônus anual, além de estar fortemente cotada para

28 assumir a posição de presidente do conselho de

administração da empresa. E foi aí que o interlocutor sugeriu:

— Talvez seja melhor você conversar com Pedro, o

31 síndico.

— É? E como é que eu marco uma audiência? Ele

tem secretária?

34 — Não, não. Basta estalar os dedos, e ele aparece.

— Assim (...)?

— Pois não?

37 A executiva bem-sucedida quase desaba da nuvem.

À sua frente, imponente, segurando uma chave que mais

parecia um martelo, estava o próprio Pedro. Mas a executiva

40 havia feito um curso intensivo de approach para situações

inesperadas e reagiu rapidinho:

— Bom dia. Muito prazer. Belas sandálias. Eu sou

43 uma executiva bem-sucedida e...

— Executiva... Que palavra estranha! De que século

você veio?

46 — Do XXI. O distinto vai me dizer que não conhece

o termo “executiva”?

— Já ouvi falar. Mas não é do meu tempo.

49 Foi então que a executiva bem-sucedida teve um

insight. A máxima autoridade ali no paraíso aparentava ser

um zero à esquerda em modernas técnicas de gestão

52 empresarial. Logo, com seu brilhante currículo tecnocrático,

a executiva poderia rapidamente assumir uma posição

hierárquica, por assim dizer, celestial ali na organização.

55 — Sabe, meu caro Pedro, se você me permite, eu

gostaria de lhe fazer uma proposta. Basta olhar para esse

povo todo aí, só batendo papo e andando à toa, para

58 perceber que aqui no Paraíso há enormes oportunidades

para dar um upgrade na produtividade sistêmica.

— É mesmo?

61 — Pode acreditar, porque tenho PhD em

reengenharia. Por exemplo, não vejo ninguém usando

crachá. Como é que a gente sabe quem é quem aqui, e

64 quem faz o quê?

— Ah, não sabemos.

— Entendeu o meu ponto? Sem controle, há

67 dispersão. E dispersão gera desmotivação. Com o tempo,

isso aqui vai acabar virando uma anarquia. Mas nós dois

podemos consertar tudo isso rapidinho, implementando um

70 simples programa de targets individuais e avaliação de

performance.

— Que interessante...

73 — É claro que, antes de tudo, precisaríamos de uma

hierarquização e um organograma funcional, nada que

dinâmicas de grupo e avaliações de perfis psicológicos não

76 consigam resolver.

— !!!...???....!!!...???...!!!

— Aí, contrataríamos uma consultoria especializada

79 para nos ajudar a definir as estratégias operacionais e

estabeleceríamos algumas metas factíveis de leverage,

maximizando, dessa forma, o retorno do investimento do

82 Grande Acionista... Ele existe, certo?

— Sobre todas as coisas.

— Ótimo.

85 — Impressionante!

— Isso significa que podemos partir para a

implementação?

88 — Não. Significa que você terá um futuro brilhante...

se for trabalhar com o nosso concorrente. Porque você

acaba de descrever, exatamente, como funciona o Inferno...


Max Gehringer. In: Exame (com adaptações)

Acerca de fatos gramaticais presentes no texto II, assinale a alternativa correta.

Alternativas
Q2876026 Português

Texto 2



A CIDADE (Chico Science)

Composição: João Higino Filho


O sol nasce e ilumina

As pedras evoluídas

Que cresceram com a força

De pedreiros suicidas

menos


Cavaleiros circulam

Vigiando as pessoas

Não importa se são ruins

Nem importa se são boas


E a cidade se apresenta

Centro das ambições

Para mendigos ou ricos

E outras armações

Coletivos, automóveis,

Motos e metrôs

Trabalhadores, patrões,

Policiais, camelôs


urubus

A cidade não pára

A cidade só cresce

O de cima sobe

anterior

E o de baixo desce

A cidade não pára

A cidade só cresce

O de cima sobe

E o de baixo desce


A cidade se encontra

Prostituída

Por aqueles que a usaram

Em busca de uma saída

Ilusora de pessoas

De outros lugares,

A cidade e sua fama

Vai além dos mares


E no meio da esperteza

Internacional

E a situação sempre mais ou menos

Sempre uns com mais e outros com


A cidade não pára

A cidade só cresce

O de cima sobre

E o de baixo desce

A cidade não pára

A cidade só cresce

O de cima sobe

E o de baixo desce


Eu vou fazer uma embolada

Um samba, um maracatu

Bom pra mim e bom pra tu

Pra gente sair da lama e enfrentar os


Num dia de sol, Recife acordou

Com a mesma fedentina do dia

Note que, no fragmento “Bom pra mim e bom pra tu”, as construções negritadas revelam o uso coloquial e informal da língua. Escolha, dentre as construções abaixo, a alternativa que corresponde ao uso formal escrito:

Alternativas
Q2791955 Português
not valid statement found

As palavras em destaque que, em duas ocorrências no texto, mantêm a mesma classe e o mesmo significado são

Alternativas
Q2785221 Português
not valid statement found

Sobre a palavra los (L.14), é correto dizer que:

Alternativas
Q1659719 Português

Pra dizer Adeus 

Adeus,

Vou pra não voltar

E onde quer que eu vá

Sei que vou sozinho.

Tão sozinho, amor,

Nem é bom pensar

Que eu não volto mais

Desse meu caminho.


Ah! Pena eu não saber

Como te contar

Que o amor foi tanto

E no entanto eu queria dizer

Vem, nem que seja só

Pra dizer adeus.


Edu Lobo - Torquato Neto

Na expressão: “Como te contar”, extraída do texto acima o pronome oblíquo TE está exercendo a função de :
Alternativas
Q1647584 Português

Lei seca no trânsito


    Gosto de beber, e confesso sem o menor sentimento de culpa. Álcool, de vez em quando, em quantidade pequena, dá prazer sem fazer mal à maioria das pessoas. Aos sábados e domingos, quando estou de folga, tomo uma cachaça antes do almoço, hábito adquirido com os carcereiros da antiga Casa de Detenção. Difícil é escolher a marca, o Brasil produz variedade incrível. Tomo uma, ocasionalmente duas, jamais a terceira. Essa é a vantagem em relação às bebidas adocicadas que você bebe feito refresco, sem se dar conta das consequências. Cachaça impõe respeito, o usuário sabe com quem está lidando: exagerou, é vexame na certa.

    Cerveja, tomo de vez em quando. O primeiro gole é um bálsamo para o espírito; no calor, depois de um dia de trabalho e horas no trânsito, transporta o cidadão do inferno para o paraíso. O gole seguinte já não é igual, infelizmente. A segunda latinha decepciona, deixa até um resíduo amargo; a terceira encharca. Uísque e vodca, só tenho em casa para oferecer às visitas.

    De vinho eu gosto, mas tomo pouco, porque pesa no estômago. Além disso, meu paladar primitivo não permite reconhecer notas de baunilha ou sabores trufados; não tenho ideia do que seja uma trava sutil de tanino, nem o aroma de cassis pisado, nem o frescor de framboesas do campo. Em meu embotamento olfato-gustativo, faço coro com os que admitem apenas três comentários diante de um copo de vinho: é bom, é ruim, e bebe e não enche o saco.

    Feita essa premissa, quero deixar claro ser a favor da chamada lei seca no trânsito.

    Sejamos sensatos, leitor, tem cabimento ingerir uma droga que altera os reflexos motores, o equilíbrio e a percepção espacial de objetos em movimento e sair por aí pilotando uma máquina na qual uma pequena desatenção pode trazer consequências fúnebres?

    Ainda que você não seja ridículo a ponto de afirmar que dirige melhor quando bebe, talvez possa dizer que meia garrafa de vinho, três chopes ou uísques não interferem na sua habilidade ao volante.

    Tudo bem: vamos admitir que, no seu caso, seja verdade, que você tenha maior resistência aos efeitos neurológicos e comportamentais do álcool e que seria aprovado em qualquer teste de resposta motora.

    Imagino, entretanto, que você tenha ideia da diversidade existente entre os seres humanos. Quantas mulheres e quantos homens cada um de nós conhece para os quais uma dose basta para transtorná-los? 

    Quantos, depois de duas cervejas, choram, abraçam os companheiros de mesa e fazem declarações de amizade inquebrantável? Está certo permitir que esses, fisiologicamente mais sensíveis à ação do álcool, saiam por aí colocando em perigo a vida alheia?

    Como seria a lei, então? Deveria avaliar as aptidões metabólicas e os reflexos de cada um para selecionar quem estaria apto a dirigir alcoolizado? O DETRAN colocaria um adesivo em cada carro estabelecendo os limites de consumo de álcool para aquele motorista? Ou viria carimbado na carteira de habilitação?

    Talvez você possa estar de acordo com a argumentação dos advogados que defendem os interesses dos proprietários de bares e casas noturnas: “A nova lei atenta contra a liberdade individual”.

    Aí começo a desconfiar de sua perspicácia. Restrições à liberdade de beber num país que vende a dose de pinga a R$0,50? Há escassez de botequins nas cidades brasileiras, por acaso? Existe sociedade mais complacente com o abuso de álcool do que a nossa?

    Mas pode ser que você tenha preocupações sociais com a queda de movimento nos bares e com o desemprego no setor.

    A julgar por essa lógica, vou mais longe. Como as estatísticas dos hospitais públicos têm demonstrado nos últimos fins de semana, poderá haver desemprego também entre motoristas de ambulâncias, médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, agentes funerários, operários que fabricam cadeiras de rodas, sondas urinárias e outros dispositivos para deficientes físicos.

    No ano passado, em nosso país, perderam a vida em acidentes de trânsito 17 mil pessoas. Ainda que apenas uma dessas mortes fosse evitada pela proibição de beber e dirigir, haveria justificativa plena para a criação da lei agora posta em prática.

    Não é função do Estado proteger o cidadão contra o mal que ele faz a si mesmo. Quer beber até cair na sarjeta? Pode. Quer se jogar pela janela? Quem vai impedir?

    Mas é dever inalienável do Estado protegê-lo contra o mal que terceiros possam causar a ele.

Dráuzio Varela, Folha de São Paulo, 19 de julho de 2008.

Em: “Mas é dever inalienável do Estado protegê-lo contra o mal que terceiros possam causar a ele.”, o pronome pessoal oblíquo grifado se refere:
Alternativas
Q1636190 Português

Assinale a opção que corresponde a erro gramatical inserido no texto.


Calculada(1) oficialmente em 34,7% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado, a fatia de impostos cobrada(2) dos brasileiros é inferior à(3) de muitos países europeus, em cujo(4) o poder público vinha, até a eclosão da crise global, se empenhando em garantir serviços de qualidade. Ainda assim(5), supera de longe a proporção de 24% nos Estados Unidos e de 18% no Japão, mas sem equivalência com a oferta de serviços públicos de qualidade.

(Zero Hora, (RS), 26/5/2010, com adaptações)

Alternativas
Q1636184 Português

Assinale a opção incorreta em relação ao texto abaixo.


Imagem associada para resolução da questão

Alternativas
Q1635761 Português
Indique o período em que a colocação pronominal está INCORRETA:
Alternativas
Q1635744 Português
Na frase “Dos desafios, talvez o maior deles seja uma distribuição mais equilibrada das riquezas”, os termos grifados são respectivamente:
Alternativas
Q1635742 Português
Qual a proposição em que o pronome oblíquo em negrito não atende às regras de uso em conformidade com a norma-padrão:
Alternativas
Ano: 2010 Banca: FEPESE Órgão: CRC-SC
Q1228215 Português
O grande desafio da sociedade atual é dar um basta à valorização exagerada do consumo que, além de esgotar os recursos naturais, acarreta mais problemas, como a grande quantidade de lixo produzido. Campanhas como a dos 4Rs (Reduzir o desperdício, Reutilizar, Reciclar e Repensar) constituem-se em instrumento importante na luta contra o desperdício. Também é relevante saber que cerca de 40% do que compramos é lixo que utilizou recursos e energia da natureza para ser produzido.
Texto adaptado de: SAÚDE. Unimed Grande Florianópolis: p. 09, n. 13, set. 2008.
Quanto à análise sintática da frase:

“O grande desafio da sociedade atual é dar um basta à valorização exagerada do consumo, que além de esgotar os recursos naturais, acarreta mais problemas.”

Pode-se afirmar corretamente que:
Alternativas
Ano: 2010 Banca: FEPESE Órgão: Prefeitura de Palhoça - SC
Q1198595 Português
Assinale a alternativa gramaticalmente correta.
Alternativas
Ano: 2010 Banca: FEPESE Órgão: UFFS
Q1196079 Português
Muito mais do que a nossa integração com a natureza, é fundamental compreender nossa separação e diferenciação da vida natural e, paralelamente, a construção da vida social. O viver em sociedade é que explica a nossa crise ambiental e, por decorrência, a das águas, um de seus capítulos mais evidentes e dramáticos na atualidade.

Vivemos hoje sob as perspectivas de uma crise mundial de abastecimento de água. Não haverá catástrofes como a desaparição da água, ela não vai acabar, como sugerem alguns educadores ambientais pouco informados sobre as razões sociais da ameaça de escassez no planeta.

O risco é o da redução da disponibilidade e da qualidade das águas para o consumo humano e para as atividades econômicas, o que já é uma realidade em muitos países. A elevação do uso doméstico, industrial e agrícola, a poluição e o aumento da população do planeta representam maior pressão sobre os recursos hídricos existentes.

O Brasil, por suas características de país megadiverso, é privilegiado não apenas em recursos hídricos, mas também em diversidade biológica, regional e cultural, paisagens e ecossistemas, além de extenso litoral. Essa vantagem comparativa, em relação a outros países, está ameaçada pela degradação e pela má gestão nas políticas para o meio ambiente.

A maior causa da poluição das nossas águas, porém, tem sido os esgotos despejados sem tratamento nos cursos d’água. O esgoto doméstico, aliado aos efluentes industriais e rurais, gerado pelas criações de suínos, bovinos e aves, e ao lixo que, esparramado pelas ruas, é carregado para córregos e bueiros, são grandes desafios ambientais para a sociedade brasileira no século XXI.

MARTINEZ, Paulo Henrique. In: Carta na Escola. São Paulo: Ed. Confiança, p. 25-28, ed. 33, fev. 2009. [Adaptado]

De acordo com o uso dos pronomes de tratamento, relacione a coluna 1 com a coluna 2.


Coluna 1 
1. Vossa Magnificência 
2. Vossa Excelência 
3. Vossa Senhoria


Coluna 2 
(   ) Diretores 
(   ) Procuradores 
(   ) Reitores 
(   ) Ministros de Estado 
(   ) Assessores


Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
Alternativas
Q1172709 Português
A CULTURA DA REPETÊNCIA

     A promoção automática e os chamados ciclos viraram o bode expiatório do que está errado com a educação. Com Cândido Gomes, saí à busca de explicações.
    Alguns países desenvolvidos permitem a reprovação. Mas não é em massa, como prática pedagógica para incentivar a aprendizagem. Outros, como o Japão, têm promoção automática. Contudo, há enorme pressão da família, dos colegas e da sociedade. Nos Estados Unidos e no Reino Unido praticamente não há reprovação, porém há possibilidade de agrupar os alunos mais e menos "fortes" em turmas diferentes. A Espanha conseguiu bons resultados não reprovando no interior de cada ciclo e está mantendo a mesma política em seu projeto de reforma. Esses países aprenderam – não sem muito empenho – a fazer com que os alunos se esforcem, sem o terror da reprovação. Comparando os países que adotam e os que não adotam a reprovação, os testes internacionais não mostram nenhuma vantagem para a prática sistemática da reprovação. Uma pesquisa recente, nos Estados Unidos, mostrou que reprovar tende a ser pior do que aprovar quem não sabe. Exceto em casos de aproveitamento muito baixo, o aprovado sem saber aprende mais na série seguinte do que o repetente.
     De tempos idos, glorificamos no Brasil a "cultura da repetência", em que a marca do ensino sério era reprovar muitos alunos. Nos últimos anos, houve uma tentativa de erradicar essa prática, seja convencendo os professores de que é uma política equivocada, seja pela criação de ciclos de dois ou mais períodos, dentro dos quais não há reprovação. Obviamente, não há mágica, pois essas experiências não passam da ponta do iceberg de uma solução complexa. Não se trata somente de eliminar a reprovação, por súplica ou decreto. O que fará com que os alunos se dediquem aos estudos? Não devem nos surpreender as reclamações dos pais dos alunos de classe média, pois as ameaças de punições tenebrosas aos reprovados tinham bons resultados.
     Portanto, ensaiamos um primeiro passo ao criar os ciclos escolares e frear as reprovações. Mas há que substituir o medo da reprovação por mecanismos mais saudáveis de recompensas e punições. Para haver ganhos de aprendizagem, precisamos mexer na caixa-preta da sala de aula. Mas boas idéias e pregações não resolvem o problema.
    O balancete da não-reprovação no Brasil ainda está pouco claro, mas o que sabemos não permite condená-la, a priori. Um estudo cuidadoso do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), feito por Kaizo Beltrão e Ferrão, mostrou que "a penalização de reter o aluno na série é muito maior que a de ele estudar numa escola com o ensino organizado em ciclos". Todavia, deixar avançar um aluno não completamente alfabetizado pode ser uma péssima idéia.
      A maldição de tais medidas é ser uma solução "fácil", pois elas aumentam as conclusões e os custos se reduzem, sem o trabalho árduo de melhorar a sala de aula. Portanto, para mostrar melhores resultados, algumas autoridades "sugerem" que não se reprove. Mas tampouco podemos condenar uma idéia cuja implementação não se completou. Falta construir o sistema que vai substituir o medo da repetência por outros estímulos mais eficazes, sobretudo diante de alunos heterogêneos.
      Estamos diante de um dilema. A reprovação em massa é péssima. Para beneficiar os alunos de classe média, em que o medo da reprovação e das punições paternas faz milagres, não podemos voltar a um sistema de conseqüências sinistras para os mais pobres. Mas eliminar a reprovação sem melhorar a sala de aula é quase tão ruim. Escapar do dilema requer condições mínimas para o aprendizado, avaliação contínua e feedback ao aluno, com novos prêmios e sanções. Quem tropeça precisa de oportunidades concretas de recuperação paralela e atenção especial. As exigências e expectativas em relação ao aluno têm de ser realistas e sua auto-estima, tratada com carinho.
     Precisamos abandonar a discussão bolorenta da aprovação automática versus reprovação em massa. O desafio é melhorar a sala de aula, de tal forma que os alunos sejam aprovados porque sabem o que precisam saber.

(Claudio de Moura Castro - Revista Veja, 7 de janeiro de 2009)
Em apenas uma das alternativas abaixo as classes das palavras em destaque nos trechos transcritos não estão corretamente indicadas entre parênteses. Indique-a.
Alternativas
Q1172357 Português
O pronome entre parênteses preenche corretamente a lacuna em todas as opções, exceto em: 
Alternativas
Q1155301 Português

“Se é para ____________ dizer o que penso, creio que a escolha se dará entre ________________”.


Assinale a alternativa que completa adequadamente as lacunas.

Alternativas
Q1155261 Português

O DEVER DA IMPOPULARIDADE


      Faz algum tempo, participei de uma mesa-redonda, tripulada por grandes figuras de nossas letras e intelectualidade. Na audiência, milhares de pessoas aplaudiam as frases bem esculpidas, as sínteses elegantes e as críticas virulentas. Um belo espetáculo de uso eloqüente da palavra.

      Mas fui para casa com um grande desconforto. Essas pessoas estavam traindo os deveres essenciais do intelectual: 1) dizer o que precisa ser dito de acordo com o julgamento próprio e não dizer o que traz aplauso; 2) mostrar o caminho percorrido e não a resposta pronta; 3) não falar sobre o que não entende, pois desvaloriza a própria atividade intelectual. Meus colegas de mesa haviam pecado.

      Falar mal do governo traz aplausos? Pois lancemos uma crítica fulminante. Qual é a bola da vez? Perdoemos talvez os políticos que precisam de votos ou que não tiveram tão burilada educação. Mas, se a liberdade de cátedra e a estabilidade funcional dos professores não lhes dão coragem o bastante para dizer o que pensam, para que servirão?

      Quantas vezes ouvimos professores de universidades públicas falando em privado contra os desmandos lá observados, mas sem ousar repeti-lo em público. Onde está a ousadia para reclamar dos colegas que não dão aulas ou não cumprem muitas outras regras, sendo seus salários pagos pelo contribuinte? Onde está a responsabilidade social para reclamar em público de quem denigre a reputação da universidade, pela preguiça, indolência ou desperdício? Onde estão nossos cientistas de primeira linha quando se arrastam greves sem inspiração?

      Aqueles que, à custa de enormes gastos do contribuinte receberam a mais primorosa educação têm o dever de educar os que não tiveram esse privilégio. Portanto, a frase feita com a resposta não é o que se espera. O que se espera é que mostrem o caminho que os leva a esta ou àquela conclusão. Afinal de contas, em ciência o que valida os resultados são a limpidez da lógica e o uso disciplinado das informações. É sua competência nessa manipulação simbólica e empírica que valida o resultado, não a extensão dos currículos ou o impacto político do que é dito. Não basta dizer que o governo é imbecil ou a oposição ridícula, a política daquele partido cretina ou que a globalização é uma trama diabólica. Repetir essas palavras está ao alcance de qualquer um. É preciso explicar, guiar, mostrar a lógica do raciocínio e as margens de erro contidas nas análises. É mais difícil, mais enfadonho, produz menos frases de efeito e poucas palmas. Mas é o que a sociedade deveria esperar.

      A reputação na ciência e nas letras é conseguida à custa de dedicação e disciplina. Não vem do dia para a noite o domínio da profissão. Portanto, ao defrontar-se com um público e morrer de vontade de ser aplaudido, é preciso resistir à tentação de falar com leviandade sobre as ciências dos outros. Quem anda falando do Proer conhece a história dos bancos e do que já aconteceu em clima de pânico? Quem fala em renegar a dívida externa sabe o que aconteceu com todos os que tentaram fazê-lo? Sabem quanto aumentou o spread do juro ao Brasil quando um presidente deu uma única declaração de que não ia pagar a dívida? Melhorar a distribuição de renda? É preciso dizer como. Os não-economistas não podem ser alijados dessas discussões. Mas tampouco podem olimpicamente ignorar o conhecimento acumulado ao longo dos anos. Isso é tanto mais grave e imperdoável quando dito por pessoas cuja vida foi dedicada a dominar algum campo do saber e, por pura vaidade, desrespeitam outras áreas que requerem pelo menos tanto esforço para dominar.

      Nossos homens de ciências e de letras têm obrigações perante a sociedade. Sua ânsia de ser aplaudidos não pode obliterar esses deveres. Eles têm de criticar, mostrar problemas, participar da vida nacional. Mas o que deve falar é sua consciência, e não a vontade de ganhar palmas. Esperamos deles a coragem dos comunistas que denunciaram o stalinismo ou dos direitistas que denunciaram o macarthismo. O primeiro dever é o da impopularidade.

(Claudio de Moura Castro - Revista Veja, 7 de novembro, 2009)

Antes de consultar os seus colaboradores, o coordenador do projeto decidiu apresentar o projeto a um possível investidor. Indique a opção que apresenta os termos grifados adequadamente substituídos por pronomes pessoais.
Alternativas
Respostas
9861: C
9862: E
9863: D
9864: D
9865: E
9866: A
9867: C
9868: A
9869: D
9870: E
9871: B
9872: B
9873: D
9874: D
9875: A
9876: B
9877: C
9878: A
9879: C
9880: B