Questões de Concurso
Comentadas sobre morfologia - pronomes em português
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Pavio do destino
Sérgio Sampaio
01 O bandido e o mocinho
São os dois do mesmo ninho
Correm nos estreitos trilhos
04 Lá no morro dos aflitos
Na Favela do Esqueleto
São filhos do primo pobre
07 A parcela do silêncio
Que encobre todos os gritos
E vão caminhando juntos
10 O mocinho e o bandido
De revólver de brinquedo
Porque ainda são meninos
13 Quem viu o pavio aceso do destino?
Com um pouco mais de idade
E já não são como antes
16 Depois que uma autoridade
Inventou-lhes um flagrante
Quanto mais escapa o tempo
19 Dos falsos educandários
Mais a dor é o documento
Que os agride e os separa
22 Não são mais dois inocentes
Não se falam cara a cara
Quem pode escapar ileso
25 Do medo e do desatino
Quem viu o pavio aceso do destino?
O tempo é pai de tudo
28 E surpresa não tem dia
Pode ser que haja no mundo
Outra maior ironia
31 O bandido veste a farda
Da suprema segurança
O mocinho agora amarga
34 Um bando, uma quadrilha
São os dois da mesma safra
Os dois são da mesma ilha
37 Dois meninos pelo avesso
Dois perdidos Valentinos
Quem viu o pavio aceso do destino?
O antecedente a que se referem os termos “lhes” (v.17) e “os” (v.21) é recuperado na primeira estrofe do texto.
As orações iniciadas pelo termo “que”, nas linhas 5 e 15, exercem, nos períodos em que ocorrem, função sintática idêntica.
01 Você é a favor ou contra cortarem árvores para.
02 alargar uma rua? A favor ou contra derrubarem uma
03 casa para construir um edifício? Devem ser reabertos
04 os arquivos da ditadura? Proibidas as máscaras nos
05 protestos? Publicadas biografias não autorizadas?
06 A arena de debates públicos foi ampliada virtual-
07 mente ao infinito pela capilaridade das redes sociais.
08 Pode parecer apenas mais uma discussão banal sobre
09 um aumento de 20 centavos nas passagens, mas por
10 _____ de toda polêmica que exalta ânimos e inflama
11 espíritos há um conflito de _____ de mundo, um
12 choque tectônico de ideias. Quase nunca é só pelos 20
13 centavos.
14 Como nem sempre são evidentes todos os aspectos
15 envolvidos em um debate – e como poucas pessoas
16 entendem de todos os assuntos, tirando Leonardo Da
17 Vinci e aquele seu amigo que dá palpite sobre tudo –
18 é comum que fiquemos atentos à maneira como dife-
19 rentes pessoas _____ confiamos se posicionam antes
20 de formarmos a nossa própria opinião. O conceito de
21 formador de opinião, porém, mudou muito nos últimos
22 anos. Hoje há formadores de opinião por todos os lados,
23 para onde você olhar, e por isso mesmo é cada vez
24 mais difícil escolher quem vale a pena ouvir.
25 Na busca da iluminação cotidiana, gosto de prestar
26 atenção em quem entende do riscado: arquitetos para
27 falar de arquitetura, médicos para falar de medicina,
28 juristas para falar de leis. Mas não basta entender do
29 assunto. Para conquistar o meu respeito, é preciso
30 conseguir construir argumentos que voem além dos
31 interesses de sua categoria. Médicos a favor do Mais
32 Médicos, jornalistas contra o diploma de jornalismo,
33 empresários dispostos a perder algum dinheiro: pode-se
34 concordar ou não com eles, mas ganham um crédito
35 adicional de confiança por pensarem com a cabeça e
36 não com o bolso ou o coração.
37 Quero que o formador de opinião seja coerente,
38 mas, se for dizer algo desatinadamente oposto _____
39 disse antes, que reconheça isso, com humildade, porque
40 mudar de opinião, às vezes, é um sinal de inteligência
41 e integridade. Quero ler opiniões _____ me surpreen-
42 dam de vez em quando, porque o pensador indepen-
43 dente não se torna refém de inclinações políticas ou
44 ideológicas – e nada é mais triste do que ver pessoas
45 inteligentes esforçando-se para tornar plausível um
46 pensamento torto apenas para justificar uma ideologia
47 ou um interesse particular. Ainda assim, quero o
48 conforto de saber que certas pessoas têm a capacidade
49 de iluminar os caminhos mais tortuosos, invariavel-
50 mente apontando para a trilha do que é justo, honesto,
51 honrado, coerente.
52 A polêmica recente envolvendo o grupo de artistas.
53 que defende restrições às biografias não autorizadas
54 talvez seja lembrada menos pelo assunto em si do
55 que pelo fato de ter colocado sob fogo cerrado dois
56 dos nomes mais emblemáticos da cultura brasileira.
57 Não me importa que Caetano Veloso e Chico Buarque
58 de Hollanda tenham opiniões diferentes das minhas –
59 muitas vezes tiveram, inclusive politicamente. O que é
60 triste é ver que emprestaram seu prestígio não a um
61 princípio ou a uma causa maior do que eles, mas a
62 interesses restritos ao seu cercadinho. Pois, levado ao
63 limite, o raciocínio da proteção à privacidade torna
64 impossível publicar qualquer coisa que contrarie o
65 interesse de qualquer pessoa – o que, vamos combinar,
66 é muito parecido com censura.
67 O mais irônico é que justamente esse gesto pode
68 vir a ser a nota mais embaraçosa das biografias dos
69 dois – quando, “apesar de você”, elas forem escritas.
70 E serão.
Adaptado de: LAITANO, Cláudia. Zero Hora, 12 out. 2012, n.º 17581.

Clarice Lispector. Felicidade clandestina.
In: Felicidade clandestina: pontos.
Rio de Janeiro: Rocco, 1998 (com adaptações).
Na oração “guiava-me a promessa do livro” (l.22), o pronome “me” exerce a função de complemento da forma verbal “guiava”.
No trecho “o não importar-se com o que ocorra” (l.7-8), é opcional a colocação do pronome “se” antes de “importar-se”: o não se importar com o que ocorra.

Clarice Lispector. O escrito.
In: A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 2008.
No trecho “Não porque escolheu, mas foi o que lhe restou” (l.1-2), o emprego da próclise relativa ao pronome “lhe” explica-se pela presença do pronome relativo.

Clarice Lispector. O escrito.
In: A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 2008.
No segmento “mas foi o que lhe restou” (l.2), a referência do pronome “o” é a expressão nominal “uma loja de sapatos” (l.1), e a do pronome “lhe” é o substantivo “gerente” (l.1).

A mulher e o assédio moral. Internet:
Na linha 3, a partícula “se”, em “em se tratando” poderia ser deslocada para imediatamente após a forma verbal “tratando”, sem prejuízo da correção gramatical do texto desde que empregado o hífen.
não me machucaria este siso,
doendo agudo na alma.
Desprezaria a abstrata
necessidade de dar certo
na vida e não faria nada.
Aprenderia a domar pulgas, engolir fogo,
adestrar poodles, fazer contorcionismo.
Dependuraria os sonhos no mais alto trapézio,
enfiaria o tédio na jaula dos ursos.
Usaria minhas habilidades
para equilibrar facas na língua
ou entreter o público.
Se eu tivesse nascido no circo,
não teria desejos imediatos ou deveres inadiáveis.
Deixaria cada coisa entregue a seu destino.
(BORGES, Kátia. Malabarismo. In: SOUZA, Adelice (et. al.). Autores baianos: um panorama. Salvador: P55 Edições, 2013. p. 75.
Disponível em:
Acesso em: 08/10/2013)
Substituem-se corretamente os termos em negrito por pronomes em:
Evitam-se as viciosas repetições da frase acima substituindo-se os elementos sublinhados, respectivamente, por:
No trecho “que se expressam na subjetividade da liberdade pessoal” (l.9-10), o emprego do pronome átono “se” após a forma verbal — expressam-se — prejudicaria a correção gramatical do texto, dada a presença de fator de próclise na estrutura apresentada.
Caso expressão “em que” (l.2) fosse substituída por o qual, seriam mantidas a correção e a coerência do texto.
Se, devido a uma hipotética alteração na redação do texto, o termo sublinhado no trecho “carecedor de trabalhadores aptos a desempenhar atividades de maior grau de intelectualização” (l.4-5) tivesse de ser substituído por um pronome, seria gramaticalmente correta a seguinte reescrita desse trecho: carecedor de trabalhadores aptos a desempenhá-las.
Drauzio Varella
Tensões e suspeições intergrupais são responsáveis pela violência entre muçulmanos e hindus, católicos e protestantes, palestinos e judeus, brancos e negros, heterossexuais e homossexuais, corintianos e palmeirenses.
Num experimento clássico dos anos 1950, psicólogos americanos levaram para um acampamento adolescentes que não se conheciam.
Ao descer do ônibus, cada participante recebeu aleatoriamente uma camiseta de cor azul ou vermelha. A partir desse momento, azuis e vermelhos faziam refeições em horários diferentes, dormiam em alojamentos separados e formavam equipes adversárias em todas as brincadeiras e práticas esportivas.
A observação precisou ser interrompida antes da data prevista, por causa da violência na disputa de jogos e das brigas que irrompiam entre azuis e vermelhos.
Nos anos que se seguiram, diversas experiências semelhantes, organizadas com desconhecidos reunidos de forma arbitrária, demonstraram que consideramos os membros de nosso grupo mais espertos, justos, inteligentes e honestos do que os "outros".
Parte desse prejulgamento que fazemos "deles" é inconsciente. Você se assusta quando um adolescente negro se aproxima da janela do carro, antes de tomar consciência de que ele é jovem e tem pele escura, porque o preconceito contra homens negros tem raízes profundas.
Nos últimos 40 anos, surgiu vasta literatura científica para explicar por que razão somos tão tribais. Que fatores em nosso passado evolutivo condicionaram a necessidade de armar coligações que não encontram justificativa na civilização moderna? Por que tanta violência religiosa? Qual o sentido de corintianos se amarem e odiarem palmeirenses?
Seres humanos são capazes de colaborar uns com os outros numa escala desconhecida no reino animal, porque viver em grupo foi essencial à adaptação de nossa espécie. Agruparse foi a necessidade mais premente para escapar de predadores, obter alimentos e construir abrigos seguros para criar os filhos.
A própria complexidade do cérebro humano evoluiu, pelo menos em parte, em resposta às solicitações da vida comunitária.
Pertencer a um agrupamento social, no entanto, muitas vezes significou destruir outros. Quando grupos antagônicos competem por território e bens materiais, a habilidade para formar coalizões confere vantagens logísticas capazes de assegurar maior probabilidade de sobrevivência aos descendentes dos vencedores.
A contrapartida do altruísmo em relação aos "nossos" é a crueldade dirigida contra os "outros".
Na violência intergrupal do passado remoto estão fincadas as raízes dos preconceitos atuais. As interações negativas entre nossos antepassados deram origem aos comportamentos preconceituosos de hoje, porque no tempo deles o contato com outros povos era tormentoso e limitado.
Foi com as navegações e a descoberta das Américas que indivíduos de etnias diversificadas foram obrigados a conviver, embora de forma nem sempre pacífica. Estaria nesse estranhamento a origem das idiossincrasias contra negros e índios, por exemplo, povos fisicamente diferentes dos colonizadores brancos.
Preconceito racial não é questão restrita ao racismo, faz parte de um fenômeno muito mais abrangente que varia de uma cultura para outra e que se modifica com o passar do tempo. Em apenas uma geração, o apartheid norte-americano foi combatido a ponto de um negro chegar à Presidência do país.
O preconceito contra "eles" cai mais pesado sobre os homens, porque eram do sexo masculino os guerreiros que atacavam nossos ancestrais. Na literatura, essa constatação recebeu o nome de hipótese do guerreiro masculino.
A evolução moldou nosso medo de homens que pertencem a outros grupos. Para nos defendermos deles, criamos fronteiras que agrupam alguns e separam outros em obediência a critérios de cor da pele, religião, nacionalidade, convicções políticas, dialetos e até times de futebol.
Demarcada a linha divisória entre "nós" e "eles", discriminamos os que estão do lado de lá. Às vezes com violência.
Os estudantes que praticam atividades físicas sempre sentem- se mais dispostos.
I. Se a oração subordinada fosse colocada entre vírgulas, não haveria qualquer alteração de sentido.
II. Deveria ter sido usada a próclise.
Está correto o que se afirma em
A correção gramatical do texto seria mantida, caso a mesma forma de colocação do pronome “se” no segmento “que se fazer esforço” (l.7-8) — anteposição à forma verbal — fosse empregada em “aumenta-se” (l.6), “notam-se” (l.16) e “Destacam-se” (l.20).
(Adaptado de: Flavio Gikovate, Ensaios sobre o a amor e a solidão.
São Paulo, MG Editores, 2006, 6. ed.)
que ocorre a ela / decodificamos tais experiências / influenciar [...] seus descendentes
(Adaptado de: Flavio Gikovate, Ensaios sobre o a amor e a solidão.
São Paulo, MG Editores, 2006, 6. ed.)
Não é assim que sentimos, pois temos a impressão de nos comunicarmos uns com os outros o tempo todo. Mas ela é falsa e deriva apenas de usarmos os mesmos símbolos - as palavras, ordenadas de uma mesma forma e regidas pela gramática de cada língua.
I. Sem prejuízo para a correção e sem que nenhuma outra alteração seja feita, o sinal de travessão pode ser suprimido, e o segmento as palavras isolado por parênteses.
II. Uma vírgula pode ser inserida imediatamente após falsa, sem prejuízo para a correção.
III. O termo que pode ser colocado imediatamente após a palavra pois, sem prejuízo para a correção e o sentido original.
Está correto o que se afirma APENAS em

