Questões de Concurso Comentadas sobre morfologia - pronomes em português

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Q3746661 Português
TEXTO 3


Insônia infeliz e feliz


De repente os olhos bem abertos. E a escuridão toda escura. Deve ser noite alta. Acendo a luz da cabeceira e para o meu desespero são duas horas da noite. E a cabeça clara e lúcida. Ainda arranjarei alguém igual a quem eu possa telefonar às duas da noite e que não me maldiga. Quem? Quem sofre de insônia? E as horas não passam. Saio da cama, tomo café. E ainda por cima com um desses horríveis substitutos do açúcar porque Dr. José Carlos Cabral de Almeida, dietista, acha que preciso perder os quatro quilos que aumentei com a superalimentação depois do incêndio. E o que se passa na luz acesa da sala? Pensa-se uma escuridão clara. Não, não se pensa. Sente-se. Sente-se uma coisa que só tem um nome: solidão. Ler? Jamais. Escrever? Jamais.  Passa-se um tempo, olha-se o relógio, quem sabe são cinco horas. Nem quatro chegaram. Quem estará acordado agora? E nem posso pedir que me telefonem no meio da noite pois posso estar dormindo e não perdoar. Tomar uma pílula para dormir? Mas e o vício que nos espreita? Ninguém me perdoaria o vício. Então fico sentada na sala, sentindo. Sentindo o quê? O nada. E o telefone à mão.


Mas quantas vezes a insônia é um dom. De repente acordar no meio da noite e ter essa coisa rara: solidão. Quase nenhum ruído. Só o das ondas do mar batendo na praia. E tomo café com gosto, toda sozinha no mundo. Ninguém me interrompe o nada. É um nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem aquele toque súbito que sobressalta. Depois vai amanhecendo. As nuvens se clareando sob um sol às vezes pálido como uma lua, às vezes de fogo puro. Vou ao terraço e sou talvez a primeira do dia a ver a espuma branca do mar. O mar é meu, o sol é meu, a terra é minha. E sinto-me feliz por nada, por tudo. Até que, como o sol subindo, a casa vai acordando e há o reencontro com meus filhos sonolentos.



Clarice Lispector. A descoberta do mundo. 2ª ed. Rio de 
Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

Qual das reescrituras abaixo mantém a correção e a colocação pronominal adequada do trecho “Ninguém me perdoaria o vício”?
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Q3746384 Português
O domínio das regras de colocação pronominal é essencial para o uso culto da língua portuguesa, especialmente em textos formais e acadêmicos. A posição dos pronomes oblíquos átonos em relação ao verbo depende de fatores sintáticos e estilísticos. Observe as orações a seguir e identifique a alternativa em que o uso do pronome oblíquo está de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa.
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Q3745662 Português
Exercício físico ajuda a prevenir demência 

    Com o envelhecimento populacional, os casos de demência têm aumentado no mundo todo. Uma das medidas recomendadas nesse sentido é o exercício físico, que não só reduz os riscos de desenvolver demência, como também é um aliado no tratamento de pacientes já diagnosticados. 
    “O exercício físico é uma explosão de coisas boas para o organismo. O nosso corpo não foi feito para ficar parado, ele foi feito para se movimentar. Musculatura é independência, não só física. Mas é independência para o idoso. Os idosos hoje têm mais medo de ficar dependentes do que de morrer, por exemplo. Dentro desse contexto, o exercício é a chave da independência desses pacientes”, afirma o dr. Charlys Barbosa, geriatra membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG).
    O exercício físico ajuda no controle da hipertensão, do diabetes e do colesterol alto, que são fatores de risco não apenas para doenças cardiovasculares, mas também para doenças degenerativas, como o Alzheimer.
    Se manter ativo é fundamental, mas o especialista destaca que é preciso saber diferenciar ser ativo de praticar exercício físico. “Ser ativo é você estar aqui no congresso e optar pela escada ao invés do elevador. Ser ativo é você resolver dar uma arrumação na casa e mudar as coisas de lugar, fazer algum serviço doméstico. Ser ativo é ir andar no shopping, olhando as lojas. É passear numa praça. Passear é ser ativo. Agora, sair de casa para fazer uma caminhada de 30, 40, 50 minutos todos os dias, sentir o coração bater mais forte, isso é exercício. Ir para academia, isso é exercício”. 

Fonte: Portal Drauzio Varella. Adaptado.
As palavras sublinhadas ao longo do texto (“populacional”, “nosso”, “independência” e “físico”), no contexto em que aparecem, são classificadas, respectivamente, em: 
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Q3744443 Português
Texto: Escrever para quê?

Itamar Vieira Jr.


      Este deveria ser um texto sobre o poder da literatura de nos deslocar para o lugar do outro. Como leitor e autor compreendo que esse talvez seja um dos sentidos mais proeminentes da ficção.

     Deslocar-se para o lugar do outro expande nosso horizonte, por natureza limitado, e reestabelece entre nós o exercício da alteridade. Sendo assim, é provável que, em um mundo onde vige o altericídio, a incapacidade de coexistir com o diferente, a literatura nos devolva algo importante. Mas, às vezes, a ficção parece ser apenas um grito no vão da vida, sem qualquer utilidade ou função, como dizem os que sempre tiveram voz.

      Enquanto escrevia para esta coluna, recebi uma mensagem de uma amiga, professora, liderança da comunidade quilombola de Iúna, localizada na Chapada Diamantina. Uma mensagem que me comoveu, porque neste país a vida dos que foram historicamente subalternizados permanece em risco, desde o nosso passado colonial e escravista que continua a nos assombrar.

       Precisei interromper minhas intenções iniciais para escrever sobre o que importa, sobre o agora, sobre os ameaçados, já que quem escreve, penso, deve refletir sobre seu tempo.

      Na mensagem, ela me relatava que a casa onde vive tinha sido incendiada. Tinha perdido quase tudo, restando alguns poucos utensílios da cozinha. Para os que vivem na comunidade quilombola, o incêndio criminoso transmite uma mensagem importante: a vida dos que defendem justiça social para os vulneráveis da história continua em risco.

       A literatura se alimenta da capacidade de observarmos o mundo à nossa volta, de evocarmos a memória e de, também, imaginarmos vidas e histórias. Essa liderança — que não se sente segura nem mesmo para revelar seu nome — é uma das muitas pessoas que me ensinaram sobre nós mesmos, sobre a relação dos quilombolas com a terra, e que me fez conhecer o Brasil em sua diversidade e profundidade.

       Graças à sua delicada paciência e capacidade de ensinar e envolver seus aprendizes, aprendi sobre o jarê, sobre o sistema de morada que substituiu o sistema escravista em muitas regiões do país após a Abolição.

     Muitos não sabem, mas seu rosto e sua voz de liderança se fundem aos de Bibiana, personagem de “Torto Arado”, na livre adaptação teatral da premiada diretora Christiane Jatahy — “Depois do Silêncio” —, que já percorreu mais de dez países na Europa e continua a encontrar seu público narrando uma das faces do drama fundiário brasileiro. Mesmo tendo emprestado seu corpo para contar o Brasil, ela se encontra em risco.

      Enquanto eu escrevia o romance, a mesma comunidade viveu um dos eventos mais tristes de sua história quando seis trabalhadores rurais foram assassinados em circunstâncias nunca esclarecidas. Muitos precisaram se afastar temporariamente do território onde nasceram e cresceram, sem que o poder público fizesse o suficiente para protegê-los. 

       A literatura registrou nas páginas do livro o drama humano que nos assola de forma aviltante, mas certamente não é capaz de atos práticos para proteger os que precisam ser protegidos. É preciso que as autoridades compreendam os riscos e se antecipem às ameaças que têm ceifado vidas desde que o Brasil é Brasil.

      Se a literatura pode suscitar a empatia dos que leem, escrever sobre a realidade, sobre os que têm suas vidas ameaçadas, pode nos convocar à responsabilidade pelos que continuam marcados para morrer?

      Escrevo para tornar a vida dessa liderança responsabilidade de todos nós que nos importamos com o outro e defendemos um país mais justo para todos.


Adaptada de:
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/itam
ar-vieira-junior/2024/02/escrever-para-
que.shtml 
No trecho Graças à sua delicada paciência e capacidade de ensinar e envolver seus aprendizes (7º parágrafo), o pronome “sua” faz referência à: 
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Q3744216 Português

Texto 1: Conceitos de Gramática



    A palavra gramática sempre nos leva a pensar nos manuais utilizados na escola, cheios de regras e exceções. Este é realmente um tipo de gramática entre outros. Antes, porém, de pensarmos em gramática como um compêndio que traz algum tipo de informação sobre determinada língua, é preciso lembrar um conceito de gramática que se sobrepõe a todos os outros. É aquilo que se costuma chamar de gramática internalizada, cuja aquisição se dá de forma natural, durante a infância, à medida que a criança é exposta aos dados de sua língua materna no meio em que é criada.

    Ao final do processo de aquisição, por volta dos cinco anos, a criança tem todos os valores de sua gramática fixados. Embora seu desempenho revele aspectos da fala que lhe serviu de fonte (de seus pais, parentes, cuidadores, etc., tais como supressões ou inserções de segmentos, como em “made[y]ra”, “do[w]ze”, “na[y]scimento”, “os menino[s]”, “eles me contou[contaram]”), todos adquirem as mesmas propriedades abstratas, no que se refere, por exemplo, à ordem dos constituintes dentro do sintagma nominal, dentro da oração, dentro do período; à constituição silábica; ao conjunto de melodias de sua língua; entre outros aspectos. Ninguém diz “menino o”; “você no viu cinema o João”; “o filme foi bom eu vi ontem que”. Todo falante do português rejeita essas estruturas, sabe que elas não são estruturas gramaticais, e esse conhecimento se constrói naturalmente.

    O contato com a escola e a leitura, caso o indivíduo tenha essa oportunidade, pode viabilizar o contato com outras estruturas e levá-lo, através da “aprendizagem”, a utilizar formas que não fazem parte da sua língua interna, mas que podem aparecer quando ele escreve ou quando monitora/controla sua fala em situações mais formais.

    Já os compêndios gramaticais apresentam um modelo de gramática que continua uma tradição gramatical europeia, pautada no modelo iniciado por gregos e continuado pelos romanos, que buscavam descrever a língua de sincronias mais antigas, que surgia em textos indecifráveis. Essas descrições eram feitas com base nos autores considerados “clássicos” e procuravam tomar como modelo de “bom uso” a gramática de sincronias anteriores. Essa tradição continuou durante a Idade Média, ainda que se renovando no Renascimento, quando as línguas vernáculas da România se impuseram naturalmente sobre o latim, mas a origem do modelo, a inspiração nos “clássicos”, nas sincronias mais antigas, perdurou.

    Em geral, nos referimos a essas gramáticas chamadas “tradicionais” (justamente porque remontam a uma tradição milenar) como normativas, esquecendo que elas são igualmente descritivas. É fácil perceber quando o gramático deixa de “descrever” e passa a elencar as “normas”. Costuma-se cobrar das gramáticas mais antigas uma consistência teórica de que não se dispunha quando da sua preparação. Muitas delas, entretanto, têm sido reeditadas sem incorporar os avanços dos estudos linguísticos e sem atualizar os dados relativos ao uso normal da escrita.

    Deixando de lado a descrição presente em nossas gramáticas tradicionais (sem esquecer que elas continuam a ser o ponto de partida das descrições linguísticas atuais) e voltando às normas que elas recomendam como reveladoras do bom uso da língua, é evidente que há uma imensa defasagem entre o que ali aparece e o que se pratica efetivamente na escrita contemporânea – seja porque algumas delas nunca fizeram parte da gramática do português do Brasil escrito, seja porque outras caíram em desuso, sendo substituídas por novos usos, novas normas. É preciso esclarecer um ponto: por escrita-padrão, entendem-se aqui as variedades de escrita veiculada em jornais e revistas de ampla circulação, em trabalhos acadêmicos, enfim a escrita produzida por indivíduos escolarizados e com contato frequente com a escrita. É preciso ainda lembrar que essa língua escrita não é uniforme. Embora em menor escala do que a fala, ela também apresenta significativa variação. E, a depender do gênero textual, muitos aspectos gramaticais da fala já ganham espaço na escrita.

    Ao longo de todo o século XX, as diferenças entre fala e escrita eram atribuídas a uma oposição formal versus informal. Lembre-se de que os gramáticos que chegaram a ver o florescimento da linguística não estavam ainda convencidos da precedência da fala sobre a escrita. Isso criou uma grande distância entre fala e escrita, e só os indivíduos que passam pela escola podem aprender formas ausentes da “primeira gramática” e “mudar de gramática” em situações mais formais.

    Isso tem sido confundido com adequação de linguagem, geralmente ilustrada com exemplos que mais se referem à polidez no tratamento, ao maior ou menor nível de educação do falante, do que propriamente à adequação. Um dos exemplos mais frequentes para os que desejam argumentar em favor da adequação linguística são as conversas depois de um jogo de futebol em oposição a uma comunicação num congresso. Colocam um indivíduo numa mesa de bar usando xingamentos para se referir ao juiz, naturalmente injusto com seu time por ter expulsado um jogador de campo. Ora, é óbvio que em qualquer lugar do mundo o torcedor faria o mesmo. Acontece que o exemplo dado no Brasil acompanha o xingamento ao juiz com um “mandou ele pra fora do campo” e atribui o uso de “ele” ao contexto informal. Na mesma situação, um indivíduo português, independentemente do seu nível de escolaridade, xingaria igualmente o juiz e acrescentaria, sem maiores problemas, “mandou-o para fora do campo”. Há aqui duas gramáticas diferentes: a do português do Brasil e a do português de Portugal.

    Outra forma equivocada de explicar “adequação linguística” é afirmar que, “assim como ninguém vai a um casamento de biquíni”, não se pode aprovar certos usos gramaticais em determinadas circunstâncias. Uma pessoa minimamente educada não vai a um casamento de biquíni, mas fala “eu vi ele ontem”, “teve baile ontem”, entre outras formas da gramática brasileira. Só um falante escolarizado ou com um longo contato com a leitura, portanto muito treinado, é capaz de monitorar sua fala a tal ponto de conseguir fazer essa “mudança de gramática”, que não se confunde com o uso de gírias, palavrões ou expressões inadequadas a determinados contextos.

    Portanto, é preciso ter muito cuidado com os exemplos que confundem adequação de linguagem (no sentido de cortesia, boa educação, se o momento pede, ou desembaraço, desabafo, irreverência, se o momento é descontraído) com mudança de gramática. Melhor seria, pois, abandonar o termo adequação, substituindo-o por mudança de gramática. E qualquer falante, com ou sem escolaridade, sabe se comportar de acordo com o contexto embora não possa mudar de gramática, o que não o torna “inadequado”.



Adaptado de DUARTE, M. E. L.; SERRA, C. R. S. Gramática(s), ensino de português e “adequação linguística”. Matraga, Rio de Janeiro, v. 22, nº 36, jan./jun. 2015.

“mandou ele pra fora do campo” / “mandou-o para fora do campo” (8º parágrafo)


De acordo com as autoras, a diferença entre as formulações acima se explica não por adequação de linguagem, mas sim por diferença entre gramáticas.


Essa diferença, considerando o português brasileiro, pode ser descrita como a possibilidade do uso de:  

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Q3744088 Português

A saudade como motor criativo da literatura


Luciana de Gnone


A saudade é mais do que um sentimento de falta, ela é também um dos grandes impulsionadores da literatura. Para os leitores, os livros muitas vezes saciam a nostalgia de vivências passadas. Para os escritores, a saudade é uma grande aliada da criação: molda lembranças, revive experiências e são fios condutores de grandes narrativas. Na literatura, a saudade é matéria-prima. Ela é capaz de transformar a ausência em presença e memória em palavras. 

São inúmeras as razões que levam os autores a transformar a saudade em narrativa. Há motivações políticas, como as dos exilados e refugiados. Existem os gatilhos emocionais, como a migração em busca de novas terras, ou mesmo o luto em suas inúmeras facetas. Em todos esses casos, a escrita se oferece como território aconchegante para reconstruir o que foi perdido.

No início da década de 1990, morei por um ano nos EUA. Estava no final do ensino médio e fui fazer um intercâmbio cultural. Em uma cidade do interior de Michigan, estudantes estrangeiros eram facilmente reconhecidos pela comunidade local. Éramos cinco intercambistas, digamos, "oficiais" — aqueles que estavam de passagem por um período determinado, geralmente de um ano. Mas havia também algumas dezenas de outros estrangeiros, residentes permanentes.

Eram todos filhos de imigrantes: alguns de primeira, outros de segunda geração nascida na América. Dentre eles, havia um menino que se destacava por ser um exilado de guerra. Embora tivesse entrado nos EUA como intercambista, assim como eu, havia chegado dois anos antes e permanecido indefinidamente. Foi acolhido pela família americana quando a guerra na Bósnia teve início, em 1992, sem jamais conseguir retornar ao seu país.

Ele não fazia ideia de como sua família estava. Não tinha notícias dos pais, dos irmãos, nem de qualquer outro parente. As informações simplesmente não chegavam. Canalizou toda a saudade — e também o medo — na escrita. Suas redações logo ficaram conhecidas na escola. Não me lembro do nome dele, infelizmente, o que é uma pena — é bem possível que tenha se tornado autor.

Escrever sobre o que ficou para trás é uma forma de habitar novamente o que já não está ao alcance. Ainda que em escala muito diferente da vivida pelo colega bósnio, posso dizer que algo semelhante aconteceu comigo, ao viver por quase treze anos fora do Brasil.

A distância física e emocional foi o estopim para que eu começasse a escrever — primeiro de forma despretensiosa; depois, o meu primeiro romance. A escrita tornou-se uma ferramenta de reconexão com minhas origens. Ao criar personagens e, principalmente, cenários, eu buscava reconstruir minhas próprias vivências, tentando suprir a saudade que sentia da minha terra.

Muitas vezes a saudade pode vir com uma enorme carga de desconforto, mas é preciso reconhecer a potência desse sentimento. É divino poder usar a saudade para revisitar o passado, questionar o presente e escrever o futuro. É um recurso para preencher lacunas e curar-se da ausência. Por essa razão, tantas obras nascem desse vazio. É nesse espaço que o escritor encontra liberdade criativa.

No gênero policial, muitos protagonistas são apresentados como pessoas disfuncionais — marcados pela saudade de uma família perdida, de um amor desfeito ou de um luto mal resolvido. Quebrar essa casca e revelar a vulnerabilidade do personagem é o que provoca conexão com o mundo real. A saudade é esse fragmento entre o que se viveu e o que continua a pulsar dentro de nós.


(Disponível em: https://www.publishnews.com.br/materias/2025/08/27/a-saudade-comomotor-criativo-da-literatura. Acesso em: 18 out. 2025. Adaptado.)

Para a análise das sentenças, considere o seguinte excerto, sem desconsiderar o contexto em que ele está inserido no texto base:


"Eram todos filhos de imigrantes: alguns de primeira, outros de segunda geração nascida na América. Dentre eles, havia um menino que se destacava por ser um exilado de guerra. Embora tivesse entrado nos EUA como intercambista, assim como eu, havia chegado dois anos antes e permanecido indefinidamente. Foi acolhido pela família americana quando a guerra na Bósnia teve início, em 1992, sem jamais conseguir retornar ao seu país."



I. O pronome indefinido "todos" tem como referente "algumas dezenas de outros estrangeiros, residentes permanentes" e estabelece uma relação coesiva referencial.


II. "Dentre eles" está ambíguo, pois pode se referir tanto a "alguns de primeira" quanto a "outros de segunda geração nascida na América".


III. "Embora" é uma conjunção concessiva e tem papel importante no excerto para estabelecer uma relação clara e coesa entre as ideias, dando sequência à reflexão da autora.



É correto o que se afirma em:

Alternativas
Q3743687 Português
Assinale a alternativa com erro de colocação pronominal:
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Q3742896 Português
As frases a seguir estão separadas por ponto final.
Considerando a possibilidade de unir as duas orações por meio de um pronome relativo, assinale a opção em que a construção resultante estaria correta, segundo a norma culta da língua portuguesa. 
Alternativas
Q3742889 Português
Os demonstrativos, quando usados em desacordo com a norma culta, podem comprometer a clareza e a correção do texto. As frases a seguir foram retiradas do livro Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida.
Assinale a frase em que o demonstrativo sublinhado está empregado de forma inadequada, segundo a norma culta da língua portuguesa.
Alternativas
Q3742876 Português
Leia o trecho da crônica a seguir.

INIMIGOS

O apelido de Maria Teresa, para Norberto, era “Quequinha”. Depois do casamento, sempre que queria contar para os outros uma da sua mulher, o Norberto pegava sua mão carinhosamente e começava:

— Pois a Quequinha…

E a Quequinha, dengosa, protestava:

— Ora, Beto!

Com o passar do tempo, o Norberto deixou de chamar a Maria Teresa de Quequinha; se ela estivesse ao seu lado e ele quisesse se referir a ela, dizia:

— A mulher aqui…

Ou, às vezes:

— Esta mulherzinha…

Mas nunca mais Quequinha.

(O tempo, o tempo. O amor tem mil inimigos, mas o pior deles é o tempo. O tempo ataca em silêncio. O tempo usa armas químicas.)

Com o tempo, Norberto passou a tratar a mulher por “Ela”.

— Ela odeia o Charles Bronson.

— Ah, não gosto mesmo.

Deve-se dizer que o Norberto, a esta altura, embora a chamasse de Ela, ainda usava um vago gesto da mão para indicá-la. Pior foi quando passou a dizer “essa aí” e apontar com o queixo.

— Essa aí…

E apontava com o queixo, até curvando a boca com um certo desdém.

(O tempo, o tempo. O tempo captura o amor e não o mata na hora. Vai tirando uma asa, depois a outra…)

Hoje, quando quer contar alguma coisa da mulher, o Norberto nem olha na sua direção. Faz um meneio de lado com a cabeça e diz:

— Aquilo…


(VERÍSSIMO, L. F. Novas comédias da vida privada. Porto Alegre: L&PM, 1996. p. 70-1)  
Em “Inimigos”, Veríssimo associa o passar do tempo às transformações nas relações amorosas por meio de recursos linguísticos e contextuais.
Assinale a opção em que se identifica o elemento linguístico que contribui diretamente para a construção da associação tempo-tratamento pretendida pelo autor. 
Alternativas
Q3742506 Português
Assinale a alternativa em que as duas formas destacadas estão de acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa em relação à colocação pronominal. 
Alternativas
Q3742504 Português
“Agosto nos levou Drummond, cuja ausência empobrece um pouco mais este País, já tão carente de ideias e de poesia.” (Newton Cardoso)
Assinale a alternativa em que as palavras completam corretamente as lacunas abaixo, na mesma ordem, em relação à análise da palavra destacada no período acima.
Trata-se de uma palavra de natureza _______ que possui o sentido de _______ e introduz uma oração _______ com o valor de _______.  
Alternativas
Q3742228 Português
Leia o texto a seguir:


SES distribui 500 mil doses e incentiva campanha de multivacinação de crianças e adolescentes de até 15 anos


    A Secretaria de Estado de Saúde (SES) distribuiu 500 mil doses de vacina para que os 142 municípios do Estado realizem ações da Campanha Nacional de Multivacinação, entre os dias 6 e 31 de outubro. A iniciativa do Ministério da Saúde, em parceria com Estados e prefeituras, é voltada para o público de até 15 anos de idade.

   O Dia D de mobilização está marcado para 18 de outubro (sábado), quando os postos de saúde ficarão abertos em todo o país para atender a população.

   "É muito importante que todos, em especial crianças e adolescentes, mantenham a caderneta atualizada. Todas as doses previstas no Calendário Nacional de Vacinação estarão à disposição da população de Mato Grosso. O Dia D, que vai ocorrer em um sábado, será mais uma oportunidade para que os pais e responsáveis possam proteger as nossas crianças", destacou o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo.

   Segundo a superintendente de Vigilância em Saúde da SES, Alessandra Moraes, os não vacinados contra o HPV (papilomavírus humano), febre amarela e sarampo estão entre as prioridades da campanha.

   "Precisamos reforçar a prevenção contra o sarampo em todo o Estado, principalmente pela proximidade com a Bolívia, onde houve um surto de casos. Por isso, essa vacina será oferecida também aos adultos até 59 anos. É muito importante que nós atinjamos alta cobertura vacinal para prevenir a reintrodução da doença no Brasil", esclareceu Alessandra.

   Até 1º de outubro de 2025, o Brasil confirmou 31 casos importados, quando a infecção ocorre fora do país. Em Mato Grosso, foram registrados três casos no município de Primavera do Leste.

   Durante a campanha, estarão disponíveis vacinas contra BCG, rotavírus, pneumocócica-10 valente, meningocócica C, meningocócica ACWY, pentavalente, poliomielite, febre amarela, tríplice viral, varicela, hepatite A, hepatite B, dupla adulto, HPV e dTpa.

   De acordo com o coordenador estadual de Imunização, Marx Camarão, a SES tem mantido um diálogo constante com os municípios para garantir que a vacinação seja ampliada de forma eficaz durante toda a campanha.

   "Trabalhamos juntos para otimizar a distribuição de doses e mobilizar as equipes de saúde, assegurando que todos os cidadãos tenham acesso a essa importante medida de proteção. O objetivo é alcançar o maior número de pessoas possível, priorizando as áreas com maior vulnerabilidade e garantindo a continuidade das ações de imunização", afirmou o coordenador.

   Com cobertura vacinal de 98,9%, a dose contra BCG é a única no Estado que está acima da ideal, de 90%. As vacinas contra rotavírus e HPV têm a mesma meta, mas estão, respectivamente, com cobertura de 84,13% e de 85,54% em meninas e de 72,23% em meninos.

   As outras vacinas têm cobertura ideal de 95%, mas, conforme atualização do painel nesta terça-feira (7.10), estão abaixo do desejado: pneumocócica-10: 87%; meningo C: 83,8%; poliomielite: 81,1%; febre amarela: 72,4%; pentavalente: 81,7%; tríplice viral: 89,9%; varicela: 67,8%; e hepatite A: 77,9%.


Fonte: https://jornaldematogrosso.com.br/noticia/136410/ses-distribui-500-mildoses-e-incentiva-campanha-de-multivacinacao-de-criancas-e-adolescentes-deate.html. Acesso em 09/10/2025 
No trecho “Precisamos reforçar a prevenção contra o sarampo em todo o Estado, principalmente pela proximidade com a Bolívia, onde houve um surto de casos. Por isso, essa vacina será oferecida também aos adultos até 59 anos” (5º parágrafo), o termo em destaque refere-se a:
Alternativas
Q3742208 Português
Qual o pronome de tratamento utilizado para o Papa? Assinale alternativa correta.
Alternativas
Q3741504 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


O ECA digital é um bom avanço


    O Congresso aprovou o Projeto de Lei no 2.628/2022, batizado de “Estatuto da Criança e do Adolescente Digital”, que aguarda a sanção do Executivo. Entre a versão que foi ao plenário da Câmara e a que saiu para a aprovação do Senado, o texto passou por transformações que merecem ser reconhecidas: afastaram-se riscos claros e imediatos à liberdade de expressão e foram refinadas medidas de proteção mais consistentes para crianças e adolescentes. No balanço geral, o resultado é positivo, mas poderia ter sido melhor, e, pelos riscos incorridos numa tramitação desnecessariamente atabalhoada, resta uma sensação de alívio por ter-se evitado um desastre.

    A Câmara quase entregou um arcabouço que permitiria remoções indiscriminadas de conteúdo, sem ordem judicial, a partir de denúncias genéricas. Quase concedeu ao Executivo poderes para suspender redes inteiras por ato administrativo. Quase institucionalizou uma guerra de denúncias, abrindo a porta à censura privada. Esses desastres foram revertidos, felizmente, por pressão da oposição: a legitimidade de denúncia foi limitada a vítimas, responsáveis e órgãos competentes, e a interrupção de plataformas ficou restrita ao Judiciário.

    Mas a tramitação açodada deixou lacunas e ambiguidades. Persistem conceitos vagos, como a exigência de evitar o “uso compulsivo”, que pode ser interpretado de múltiplas maneiras. Permanecem dúvidas sobre a futura “autoridade nacional” responsável por regulamentar e fiscalizar a lei: terá autonomia real, ou será capturada pelo governo de turno? Como se sabe, o diabo mora nos detalhes – mas também, às vezes, na falta deles. Um marco regulatório só se sustenta se for tecnicamente sólido e institucionalmente blindado contra arbitrariedades.

    Além disso, é preciso reconhecer que leis, sozinhas, não resolverão o problema. A exploração infantil nas redes é real e abjeta, mas não será contida apenas por notificações de conteúdo. O avanço regulatório sobre as plataformas não pode servir de pretexto para aliviar responsabilidades dos agentes públicos, transferir culpas e alimentar a ilusão de que a vigilância digital substitui a investigação criminal. Proteger os menores exige corresponsabilidade: família, escola, instituições públicas e empresas precisam agir em conjunto, cada qual no âmbito de sua função.

    O Brasil tem a chance de implementar uma regulação que concilie a proteção integral da infância com o respeito às liberdades. Para tanto, precisará resistir às tentações do sentimentalismo e do voluntarismo, e assumir que nenhum texto legal substituirá a “aldeia inteira” necessária para educar e proteger crianças. Uma lei robusta é um começo. Mas sua aplicação exigirá vigilância, prudência e a coragem de corrigir rumos quando for preciso.


(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 29.08.2025. Adaptado)
Assinale a alternativa em que a colocação pronominal está em conformidade com a norma-padrão.
Alternativas
Q3741193 Português
Assinale a alternativa em que a troca do termo destacado no enunciado pela forma sugerida entre parênteses mantém a frase de acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa. 
Alternativas
Q3741192 Português
Assinale a alternativa cujo enunciado se apresenta totalmente de acordo com a norma-padrão em relação ao emprego do pronome de tratamento. 
Alternativas
Q3740026 Português
Assinale a alternativa em que a palavra destacada retoma um termo anterior, sendo mais genérica e abrangente do que o termo retomado. 
Alternativas
Q3739150 Português

Em “Aquilo que ocorreu foi inusitado”, o pronome sublinhado é:


(todamateria.com.br/pronomes/) 

Alternativas
Q3738949 Português
Analise as sentenças a seguir quanto à colocação pronominal:

I.Nada a consolava naquele instante frio e solitário.
II.Quando lhe ofereci ajuda, ela recusou, virou as costas e saiu.
III.Perguntava-se sobre o limite do medo e da ousadia.
IV.Eu lhe escreverei tão logo chegue ao final da viagem.

É correta a colocação pronominal em:
Alternativas
Respostas
841: D
842: C
843: A
844: B
845: B
846: B
847: B
848: C
849: C
850: B
851: B
852: C
853: B
854: D
855: E
856: E
857: C
858: C
859: A
860: E