Questões de Concurso
Comentadas sobre morfologia - pronomes em português
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Amor-próprio
O grande cronista Rubem Braga cunha uma frase definitiva a respeito do “amor-próprio”: “Se eu conhecesse outro sujeito igual a mim, nossas relações nunca chegariam a ser grande coisa.” Isto não quer dizer, porém, que não goste de si mesmo. Significa apenas que ele é um homem que põe, sem medos tolos, a diversidade e a surpresa em primeiro lugar. O que mais o atrai na vida é, justamente, a imprevisibilidade. O amor-próprio lhe parece, então, monótono e desnecessário. Quase um vício. Ele evita essas pessoas saudáveis e resolvidas que estão sempre cuidando de si. O cuidado de si, para Braga, é uma forma de mascaramento.
O amor-próprio de Braga se revela no uso que faz da crônica. Em suas mãos, ela é, antes de tudo, uma máquina de confessar. Praticando-a, o cronista expõe as impressões, experiências e sentimentos que o atormentam; ao escrever, enxágua a alma até a mais absoluta transparência.
(CASTELLO, José. Na cobertura de Rubem Braga. Rio de Janeiro: José Olympio, 1996, p. 56-57)
A respeito dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto 1A9AAA, julgue os itens a seguir.
I Embora a correção gramatical e o sentido do texto fossem mantidos caso se substituísse o trecho “se lhes afigurava” (ℓ.29) por afigurava-se a elas, a linguagem resultaria informal e, consequentemente, inadequada ao gênero textual.
II Tanto na oração “que suponho de origem gauchesca” (ℓ. 22 e 23) quanto na oração “que desejo seja interpretada a frase” (ℓ.38), há elementos gramaticais elípticos.
III A repetição da palavra “mundo”, em “o que o Velho queria mesmo era um mundo que fosse de todo mundo” (ℓ. 36 a 38), torna o trecho redundante.
Assinale a opção correta.
Em relação às estruturas linguísticas e às ideias do texto 6A4AAA e aos múltiplos aspectos a ele relacionados, julgue o item seguinte.
A palavra “o” recebe a mesma classificação nos trechos “o do erro de revisão” (ℓ . 1 e 2) e em “Pode-se imaginar o que” (ℓ .11).
Com relação às estruturas linguísticas do texto 6A2AAA, julgue o item que se segue.
Sem alteração dos sentidos do texto, a oração “em que me pudesse fixar” (ℓ.25) poderia ser reescrita da seguinte forma: à qual eu pudesse ser fixado.
Ainda no que se refere aos aspectos linguísticos do texto 6A1AAA, julgue o item que se segue.
Na linha 39, o emprego de “neste” decorre da presença do
vocábulo “Aqui”, de modo que sua substituição por nesse
resultaria em incorreção gramatical.
Com relação à variação linguística bem como aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto 6A1AAA, julgue o próximo item.
A colocação pronominal observada no trecho “não se tenha insinuado” (ℓ.29) é frequente tanto na língua escrita, sendo utilizada em textos literários, artigos científicos e textos oficiais, quanto na variedade padrão formal falada no Brasil, como a utilizada em telejornais.
Texto 3 – A produção do conhecimento,
Flávio de Campos
Estudar é semelhante ao trabalho de um detetive que investiga um determinado assunto. O bom detetive é aquele que considera o maior número de hipóteses e escolhe aquelas que julgar mais convincentes. Para fazer isso, ao contrário do que se pode pensar, é importante ter dúvidas. Todos têm dúvidas. Do mais importante cientista ao mais humilde trabalhador.
O que faz um trabalho de investigação ser bom é a capacidade de organizar essas dúvidas e tentar solucionar o maior número delas. Em qualquer área profissional, há sempre questões em aberto, onde as reflexões e as investigações ainda não obtiveram respostas conclusivas. A pesquisa dá respostas sempre provisórias. Sempre é possível ampliar e reformular essas respostas obtidas anteriormente.
“A sociedade é que produz cultura. O Estado não pode produzir cultura, nem substituir a sociedade nessa tarefa. Mas ao Estado cabe o papel de animador, de difusor e promotor da democratização dos bens culturais”.
Em termos de língua culta, a substituição do termo sublinhado é INADEQUADA em:
Intercâmbio de alimentos
Renato Mocelline/Rosiane de Camargo, História em debate. São Paulo: Editora do Brasil, p. 72.
A chegada dos europeus à América foi o começo de uma das transformações mais revolucionárias nos hábitos alimentares dos seres humanos.
Nos primeiros anos da conquista, os espanhóis resistiram a comer produtos nativos americanos, por isso trouxeram consigo plantas e animais de sua terra natal. Todavia, os espanhóis enviavam à Europa todos os alimentos exóticos que os nativos lhes ofereciam para, de alguma forma, apaziguar a Coroa pelas dificuldades que tinham de encontrar os tão desejados metais preciosos.
Progressivamente, por meio dessa troca entre América e Europa, a flora e a fauna de ambos os continentes foram modificadas, pois diversas plantas e animais adaptaram-se aos novos climas. Com isso, a dieta dos habitantes das duas regiões foi enriquecida.
Observe os três segmentos abaixo, retirados do texto.
“por isso trouxeram consigo plantas e animais de sua terra natal”
“Progressivamente, por meio dessa troca entre América e Europa...”
“Com isso, a dieta dos habitantes das duas regiões foi enriquecida”.
Nessas ocorrências, os pronomes demonstrativos empregados:
Texto 2 – Violência: O Valor da vida
Kalina Vanderlei Silva / Maciel Henrique Silva, Dicionário de conceitos históricos. São Paulo: Contexto, 2006, p. 412
A violência é um fenômeno social presente no cotidiano de todas as sociedades sob várias formas. Em geral, ao nos referirmos à violência, estamos falando da agressão física. Mas violência é uma categoria com amplos significados. Hoje, esse termo denota, além da agressão física, diversos tipos de imposição sobre a vida civil, como a repressão política, familiar ou de gênero, ou a censura da fala e do pensamento de determinados indivíduos e, ainda, o desgaste causado pelas condições de trabalho e condições econômicas. Dessa forma, podemos definir a violência como qualquer relação de força que um indivíduo impõe a outro.
Consideremos o surgimento das desigualdades econômicas na história: a vida em sociedade sempre foi violenta, porque, para sobreviver em ambientes hostis, o ser humano precisou produzir violência em escala inédita no reino animal.
Por outro lado, nas sociedades complexas, a violência deixou de ser uma ferramenta de sobrevivência e passou a ser um instrumento da organização da vida comunitária. Ou seja, foi usada para criar uma desigualdade social sem a qual, acreditam alguns teóricos, a sociedade não se desenvolveria nem se complexificaria. Essa desigualdade social é o fenômeno em que alguns indivíduos ou grupos desfrutam de bens e valores exclusivos e negados à maioria da população de uma sociedade. Tal desigualdade aparece em condições históricas específicas, constituindo-se em um tipo de violência fundamental para a constituição de civilizações.
A respeito dos aspectos linguísticos do texto CB2A1AAA, julgue o seguinte item.
A palavra “que” (ℓ.4) retoma o termo que a antecede e relaciona duas orações no período.
Para se alfabetizar de verdade,
Brasil deve se livrar de algumas ideias tortas
Meses atrás, quando falei aqui do livro de Zinsser, um leitor deixou o seguinte comentário: “É de uma pretensão sem tamanho, a vaidade elevada ao maior grau, o sujeito se meter a querer ensinar os outros a escrever”.
Pois é. Muita gente acredita que, ao contrário de todas as demais atividades humanas, da música à mecânica de automóveis, do macramê à bocha, a escrita não pode ser ensinada. Por quê?
Porque é especial demais, elevada demais, dizem alguns. É o caso do leitor citado, que completou seu comentário com esta pérola: “Saber escrever é uma questão de talento, quem não tem, não vai nunca aprender…”
Há os que chegam à mesma conclusão pelo lado oposto, a ilusão de que toda pessoa alfabetizada domina a escrita, e o resto é joguinho de poder espúrio.
Talento literário é raro mesmo, mas não se trata disso. Também não estamos falando só de correção gramatical e ortográfica, aspecto que será cada vez mais delegado à inteligência artificial.
Estamos falando de pensamento. Escrever com clareza e precisão, sem matar o leitor de confusão ou tédio, é uma riqueza que deve ser distribuída de forma igualitária por qualquer sociedade que se pretenda civilizada e justa.
(Sérgio Rodrigues. Folha de S.Paulo, 07.12.2017)
Ensino com diretriz
Está quase pronto o documento que definirá o padrão nacional para o que crianças e jovens devem aprender até o 9° ano do ensino fundamental. Trata-se da quarta versão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
Caso aprovada até janeiro, a diretriz deve começar a ser implementada nos próximos dois anos.
A BNCC define conteúdos a serem estudados e competências e habilidades que os alunos devem demonstrar a cada passo da vida escolar. Soa como obviedade, mas não existe norma válida em todo o país que estabeleça de modo preciso a progressão do ensino e o que se deve esperar como resultado.
Note-se ainda que a base curricular não especifica como alcançar seus objetivos – isso será papel dos currículos a serem elaborados por estados e municípios, que podem fazer acréscimos conforme necessidades regionais.
A existência de um padrão pode permitir a correção de desigualdades do aprendizado e avaliações melhores. A partir de um limiar mediano de clareza, inteligência pedagógica e pragmatismo, qualquer modelo é melhor do que nenhum. Nesse aspecto, a nova versão da BNCC está perto de merecer nota de aprovação.
O programa ainda se mostra extenso em demasia, não muito diferente do que se viu nas escolas das últimas décadas, quando raramente foi cumprido. O excesso de assuntos dificulta abordagens mais aprofundadas e criativas.
A BNCC lembra a Constituição de 1988. Detalhista, arrojada e generosa, mas de difícil aplicação imediata e integral. É indiscutível, de todo modo, a urgência de pôr em prática esse plano que pode oferecer educação decente e igualitária às crianças.
(Editorial. Folha de S.Paulo, 10.12.2017. Adaptado)
TEXTO II
Caxambu, a cidade com a maior estância
hidromineral do mundo
A pequena cidade de Caxambu, localizada no sul de Minas Gerais, é a cidade com a maior estância hidromineral do Brasil. Segundo a prefeitura, é o maior complexo hidromineral do mundo! A cidade conta com 12 fontes de águas minerais em seu bucólico Parque das Águas, onde as pessoas podem experimentar as águas e fazer massagens e banhos com água mineral.
Podemos dizer que Caxambu é uma pacata cidade do interior. Com seus 20 mil habitantes, o município é tranquilo e possui uma população hospitaleira. Muitos turistas chegam à cidade com o intuito de descansar, afinal stress não é uma palavra comum no vocabulário dos moradores da cidade. Por isso, há quem desembarque em Caxambu fugindo da agitação dos grandes centros urbanos, mas ainda são os aposentados o principal público que visita a cidade.
O turismo na região é antigo. Já no século XIX, a família real saía do Rio de Janeiro para visitar Caxambu em busca das propriedades medicinais das águas da cidade. Devido a visitantes tão importantes, algumas fontes foram batizadas com nomes de membros da família real, com destaque para a fonte Dom Pedro, em que há uma coroa.
Uma história interessante: a visita da Princesa Isabel a Caxambu, em 1868. Ela visitou a cidade acompanhada de seu marido, Conde d’Eu, com a intenção de beber das águas terapêuticas e curar sua infertilidade. A Princesa bebeu águas ricas em ferro e reverteu seu quadro de anemia. Não se sabe se foi devido a isso, mas ela conseguiu engravidar e, por gratidão, presenteou a cidade com a Igreja de Santa Isabel.
ZIG, Felipe. Disponível em: < https://goo.gl/ptZorn>. Aceso em: 26 set. 2017 [Fragmento].
Releia o trecho a seguir.
“A cidade conta com 12 fontes de águas minerais em seu bucólico Parque das Águas, onde as pessoas podem experimentar as águas e fazer massagens e banhos com água mineral.”
Em relação ao uso da palavra destacada, assinale a alternativa CORRETA.
Analise as assertivas seguintes:
I. Caso o pronome indefinido alguém (l.08) fosse substituído por todos, alterar-se-iam outros quatro vocábulos visando à correção do período.
II. A supressão de O desenvolvimento de (l.18) implicaria apenas a adequação da forma verbal do período, desconsiderando-se questões de sentido.
III. A troca de questão (l.32) por dilema não acarretaria alteração na estrutura da frase.
Quais estão corretas?
Texto para responder às questões de 01 a 10.
O rapaz e ela se olharam por entre a chuva e se reconheceram como dois nordestinos, bichos da mesma espécie que se farejam. Ele a olhara enxugando o rosto molhado com as mãos. E a moça, bastou-lhe vê-lo para torná-lo imediatamente sua goiabada-com-queijo.
Ele... Ele se aproximou e com voz cantante de nordestino que a emocionou, perguntou-lhe:
— E se me desculpe, senhorinha, posso convidar a passear?
— Sim, respondeu atabalhoadamente com pressa antes que ele mudasse de ideia.
— E, se me permite, qual é mesmo a sua graça?
— Macabéa.
— Maca-—o quê?
— Béa, foi ela obrigada a completar.
— Me desculpe, mas até parece doença, doença de pele.
— Eu também acho esquisito, mas minha mãe botou ele por promessa a Nossa Senhora da Boa Morte se eu vingasse, até um ano de idade eu não era chamada porque não tinha nome, eu preferia continuar a nunca ser chamada em vez de ter um nome que ninguém tem mas parece que deu certo — parou um instante retomando o fôlego perdido e acrescentou desanimada e com pudor — pois como o senhor vê eu vinguei... pois é...
— Também no sertão da Paraíba promessa é questão de grande dívida de honra.
Eles não sabiam como se passeia. Andaram sob a chuva grossa e pararam diante da vitrine de uma loja de ferragem onde estavam expostos atrás do vidro canos, latas, parafusos grandes e pregos. E Macabéa, com medo de que o silêncio já significasse uma ruptura, disse ao recém-namorado:
— Eu gosto tanto de parafuso e prego, e o senhor?
Da segunda vez em que se encontraram caía uma chuva fininha que ensopava os ossos. Sem nem ao menos se darem as mãos caminhavam na chuva que na cara de Macabéa parecia lágrimas escorrendo. Da terceira vez que se encontraram — pois não é que estava chovendo? — o rapaz, irritado e perdendo o leve verniz de finura que o padrasto a custo lhe ensinara, disse-lhe:
— Você também só sabe é mesmo chover!
— Desculpe.
Mas ela já o amava tanto que não sabia mais como se livrar dele, estava em desespero de amor.
Numa das vezes em que se encontraram ela afinal perguntou-lhe o nome.
— Olímpico de Jesus Moreira Chaves — mentiu ele porque tinha como sobrenome apenas o de Jesus, sobrenome dos que não têm pai. Fora criado por um padrasto que lhe ensinara o modo fino de tratar pessoas para se aproveitar delas e lhe ensinara como pegar mulher.
— Eu não entendo o seu nome — disse ela. — Olímpico?
Macabéa fingia enorme curiosidade escondendo dele que ela nunca entendia tudo muito bem e que isso era assim mesmo. Mas ele, galinho de briga que era, arrepiou-se todo com a pergunta tola e que ele não sabia responder. Disse aborrecido: — Eu sei mas não quero dizer!
— Não faz mal, não faz mal, não faz mal... a gente não precisa entender o nome.
[...] Olímpico de Jesus trabalhava de operário numa metalúrgica e ela nem notou que ele não se chamava “operário” e sim “metalúrgico”. Macabéa ficava contente com a posição social dele porque tinha orgulho de ser datilógrafa, embora ganhasse menos que o salário mínimo. Mas ela e Olímpico eram alguém no mundo. “Metalúrgico e datilógrafa” formavam um casal de classe.
LISPECTOR, Clarice. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998, 30 jan. p. 43-45. (Fragmento)
Sobre os elementos destacados do trecho “E a moça, bastou-lhe vê-lo para torná-lo imediatamente sua goiabada-com-queijo.” é correto afirmar que:






