Questões de Concurso
Comentadas sobre morfologia - pronomes em português
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Em 1903 – ano do primeiro voo de avião –, um professor russo chamado Konstantin Tsiolkovsky terminou de escrever um livro bastante perspicaz, cujo título era “A Exploração do Espaço Cósmico. De acordo com seus cálculos, um foguete que usasse combustível líquido poderia subir alto o bastante para entrar em órbita ao redor da Terra. Durante os vinte anos que separaram as duas guerras mundiais, cientistas amadores e profissionais de vários países lançaram foguetes, muitos dos quais podiam ser facilmente carregados até os locais de lançamento. Alguns explodiram antes de decolar, outros não conseguiram subir, mas houve os que atingiram alturas consideráveis. Hitler incentivava esse tipo de teste, sob o comando de Walter R. Dornberger, em Peenemünde, uma aldeia costeira alemã no litoral do Báltico. Lá, foguetes cada vez maiores eram construídos no final da década de 1930. Em alguns testes, um míssil balístico de longo alcance era lançado de uma estrutura alta, parecida com os trampolins de piscina daquela época. Por volta de 1942, os veículos espaciais mais avançados viajavam a mais de 5 mil quilômetros por hora, uma velocidade supersônica que fazia o mais rápido dos aviões parecer uma tartaruga. Tratava-se de uma arma nova, capaz talvez de assegurar a vitória a Hitler, enquanto o exército alemão continuava a avançar em território russo e os japoneses estendiam seu império militar quase até a costa australiana. (BLAINEY, Geoffrey. Uma Breve História do Século XX. 2 ed. São Paulo: Fundamento, 2011, p. 202).
A palavra “daquela”, utilizada pelo autor na linha 25, possui a seguinte classe gramatical:
Leia com atenção o texto e responda o que se pede no comando das questões.
O ninho não mais vazio
Há dias, escrevi sobre uma amiga cujos filhos tinham acabado de sair de casa e que estava experimentando o que os psicólogos chamam de “síndrome do ninho vazio”. Aproveitei para contar que eu próprio entre o Natal e o Réveillon, vivera algo parecido, só que ao pé da letra. Uma rolinha — Lola, a rola — fizeram seu ninho no meu terraço e passara uma semana sentada sobre um ovo, do qual saiu Lolita, a Rolita. E, antes que eu tivesse o prazer de ver mãe e filha em ação, voando para lá e para cá, foram embora sem se despedir. Ali entendi a síndrome do ninho vazio.
Outro amigo, cujo conhecimento sobre os pássaros aprendi a admirar, me garantiu que Lola, a Rola não podia estar muito longe. "Ela gostou daqui”, ele disse. "Vai voltar para fazer outro ninho”. E, para que eu não me jactasse de minhas virtudes como anfitrião, explicou-me que isso é instintivo nos pássaros. Se se sentem seguros em algum lugar, elegem-no para se aninhar. Com isso, retomei meu posto de observação — e não é que meu amigo tinha razão?
Lola, a Rola reapareceu e logo começou os trabalhos. Reconheci-a pelo estilo de gravetos que recolhe — secos, fininhos e compridos. Em poucos dias o novo ninho ficou pronto, não muito distante do ninho original, este já em escombros. Só que, agora, com uma importante colaboração: a de seu marido Rollo, o Rola, talvez como mestre de obras. O fato é que, ao contrário da primeira vez, tive várias oportunidades de ver o casal empenhado na construção.
E assim, com duas semanas de intervalo, eis-me avô de mais um ovo. Que, pela lei das probabilidades, deverá produzir um macho. E, sendo filho de Lola, a Rola e Rollo, o Rola, só poderá se chamar — claro — Rolezinho.
Não vou dizer o nome de meu amigo amador de ornitologia. Só as iniciais: Janio de Freitas.
(CASTRO, Ruy. A arte de querer bem. 1, ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2018. p. 21/ 22)
Utilize o excerto a seguir para responder as questões de 5 a 8: "Se se sentem seguros em algum lugar, elegem-no para se aninhar".
A colocação do pronome em próclise, na primeira oração, deve-se:
“Uma revista publicou o escândalo.”
Na frase acima exerce a função de artigo a palavra:
O adjetivo, ao caracterizar o substantivo, pode indicar, exceto:
O jabuti
O funileiro desce a rua; não vai malsatisfeito porque sempre faz algum dinheiro em nossa esquina. Não se queixa da profissão, mas diz que é dura. Há os dias de chuva, por exemplo. Sim, existe um sindicato, mas ele não acredita que valha de nada. Enfim... Depois de arrumar suas ferramentas e suas folhas de zinco e alumínio ele se despediu com indiferença.
Em seu lugar, como em um ballet, aparecem três moças de short. Uma delas traz uma bola branca e as três ficam a jogá-la com as mãos, na esquina. Uma tem o corpo mais bem traçado que as outras; é mais linda quando ergue os braços para deter a bola, com um gesto ao mesmo tempo ágil e indolente. Depois elas somem, caminho da praia, e aparecem dois velhos, de guitarra e bandolim. O cego da guitarra já o conheço; não aparecia há algum tempo, e costumava passar acompanhado de uma velha. Ele tocava e os dois cantavam, com vozes finas, horríveis e tristes, os últimos sambas; a mulher vendia o jornal de modinhas e recolhia as moedas jogadas do alto dos apartamentos. Na voz daquele casal triste todos os sambas pareciam iguais, e nenhum parecia samba. Eram mais pungentes e ridículos quando tentavam cantar marchinhas alegres de carnaval. Terá morrido a velha portuguesa?
Os dois atravessam a rua vazia com um ar tão hesitante como se ambos fossem cegos. Param já longe de minha janela, e daqui ouço a mistura confusa e triste de suas vozes e instrumentos.
Um menino vem avisar que o nosso jabuti está fugindo: apanhou-o já na calçada, virado para cima; certamente perdeu o equilíbrio ao passar da soleira do portão para a calçada.
Esse filhote de jabuti tem um quintal para seu domínio, e uma casa inteira onde pode passear. Mas segue o exemplo de um outro jabuti que um vizinho deixou aqui nos meses do verão. Vem exatamente no mesmo rumo, atravessando a cozinha, a sala de jantar e o escritório até a varanda. Quando encontra uma porta fechada fica esperando. Desce penosamente os degraus, avança colado ao muro. Às vezes cai no caminho e fica de patas para cima, impotente: às vezes chega até a rua. Sempre que tem de se lançar de um degrau a outro se detém um pouco; mas sempre arrisca.
Aonde levará essa trilha secreta dos jabutis, essa linha misteriosa do destino que eles parecem obrigados a seguir com obstinação e sacrifício? Se eu os deixasse seguir, seriam levados para alguma outra casa, esmagados por algum carro ou comidos por algum bicho quando caíssem de barriga para o ar. Neste mundo de cimento e asfalto não há maiores esperanças para eles. Entretanto, o pequeno jabuti insiste sempre em sua aventura, com o passo penoso e lerdo. Há alguma fonte secreta, algum reino fabuloso, alguma coisa que o chama de longe; e lá vai ele carregando seu casco humilde, lentamente, para atender a esse apelo secreto...
(BRAGA, Rubem. 200 Crônicas Escolhidas. Círculo do Livro S.A.)
Em “Desce penosamente os degraus, avança colado ao muro. ” (5º§), o termo destacado exprime circunstância de:
Por um pé de feijão
Nunca mais haverá no mundo um ano tão bom. Pode até haver anos melhores, mas jamais será a mesma coisa. Parecia que a terra (a nossa terra, feinha, cheia de altos e baixos, esconsos, areia, pedregulho e massapê) estava explodindo em beleza. E nós todos acordávamos cantando, muito antes do sol raiar, passávamos o dia trabalhando e cantando e logo depois do pôr do sol desmaiávamos em qualquer canto e adormecíamos, contentes da vida.
Até me esqueci da escola, a coisa que mais gostava. Todos se esqueceram de tudo. Agora dava gosto trabalhar.
Os pés de milho cresciam desembestados, lançavam pendões e espigas imensas. Os pés de feijão explodiam as vagens do nosso sustento, num abrir e fechar de olhos. Toda a plantação parecia nos compreender, parecia compartilhar de um destino comum, uma festa comum, feito gente. O mundo era verde. Que mais podíamos desejar?
E assim foi até a hora de arrancar o feijão e empilhá-lo numa seva tão grande que nós, os meninos, pensávamos que ia tocar nas nuvens. Nossos braços seriam bastantes para bater todo aquele feijão? Papai disse que só íamos ter trabalho daí a uma semana e aí é que ia ser o grande pagode. Era quando a gente ia bater o feijão e iria medi-lo, para saber o resultado exato de toda aquela bonança. Não faltou quem fizesse suas apostas: uns diziam que ia dar trinta sacos, outros achavam que era cinquenta, outros falavam em oitenta.
No dia seguinte voltei para a escola. Pelo caminho também fazia os meus cálculos. Para mim, todos estavam enganados. Ia ser cem sacos. Daí para mais. Era só o que eu pensava, enquanto explicava à professora por que havia faltado tanto tempo. Ela disse que assim eu ia perder o ano e eu lhe disse que foi assim que ganhei um ano. E quando deu meio dia e a professora disse que podíamos ir, saí correndo. Corri até ficar com as tripas saindo pela boca, a língua parecendo que ia se arrastar pelo chão. Para quem vem da rua, há uma ladeira muito comprida e só no fim começa a cerca que separa o nosso pasto da estrada. E foi logo ali, bem no comecinho da cerca, que eu vi a maior desgraça do mundo: o feijão havia desaparecido. Em seu lugar, o que havia era uma nuvem negra, subindo do chão para o céu... Dentro da fumaça, uma língua de fogo devorava todo o nosso feijão.
Durante uma eternidade, só se falou nisso: que Deus põe e o diabo dispõe.
Fui o primeiro a ter coragem de ir até lá. Como a gente podia ver lá de cima, da porta da casa, não havia sobrado nada. Um vento leve soprava as cinzas e era tudo. Quando voltei, papai estava falando.
– Ainda temos um feijãozinho-de-corda no quintal das bananeiras, não temos? Ainda temos o quintal das bananeiras, não temos? Ainda temos o milho para quebrar,
despalhar, bater e encher o paiol, não temos? Como se diz, Deus tira os anéis, mas deixa os dedos.
E disse mais:
– Agora não se pensa mais nisso, não se fala mais nisso. Acabou. Então eu pensei: o velho está certo.
Eu já sabia que quando as chuvas voltassem, lá estaria ele, plantando um novo pé de feijão.
(Antônio Torres. Os cem melhores contos brasileiros do século. Adaptado.)
Considerando a classificação gramatical, assinale a associação INCORRETA.
Leia os enunciados a seguir.
I. Ontem, assisti a um filme que muito me encantou.
II. Sou quem sou hoje graças aos meus familiares.
III. Ainda procuro o livro que o professor recomendou.
IV. A garota a quem me referi durante a palestra chegou.
V. Não comente o assunto sobre o qual você tem dúvida.
VI. Comprei o livro cuja autora recebeu o Nobel de Literatura.
É correto afirmar que o pronome relativo destacado em
Em todas as afirmativas apresentadas a seguir, o termo destacado funciona como adjunto adnominal.
Assinale a alternativa em que, nos parênteses, está incorretamente identificada a classe gramatical desse termo em destaque.
Leia esta frase de Mário Quintana.
“Se me esqueceres, só uma coisa, esquece-me bem devagarinho.”
Nas alternativas a seguir, estão outras frases desse autor. Assinale a alternativa em que a palavra destacada não exerce a mesma função morfológica que “bem”.
AS QUESTÕES DE 1 A 15 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO
TEXTO
1 Não existe um único espaço por excelência para a política educacional. Ela se processa onde há pessoas imbuídas
2 da intenção de aos poucos conduzir a criança a ser o modelo social de adolescente e, posteriormente, de jovem e adulto
3 idealizado pelo grupo social em que está situado.
4 A intenção de uma política educacional pode ser clara e visível, ou então obscura e camuflada. Conhecendo a
5 intenção de uma política educacional, poderá ser compreendido outro aspecto que a envolve – o poder. Esse aspecto da
6 elaboração da política educacional permite associá-la, para uma melhor interpretação, a duas antiquíssimas e também muito
7 atuais vertentes da práxis política.
8 Pelo fato de a política educacional ser estabelecida por meio do poder de definição do processo pedagógico, em
9 função de um grupo, de uma comunidade ou de setores dessa comunidade, ela tanto pode ser resultado de um amplo
10 processo participativo, em que todos os membros envolvidos com a tarefa pedagógica (professores (as), alunos (as) e seus
11 pais) debatem e opinem sobre como ela é, como deverá ser e a que fim deverá atender, como também pode ser imposição
12 de um pequeno grupo que exerce o poder sobre a grande maioria coletiva.
13 Atualmente, existem duas versões de política educacional correspondentes às práxis políticas aristotélicas e
14 platônicas. Na linha platônica, há a política educacional tecnocrática, e, na vertente aristotélica, há a política educacional
15 municipalizante.
16 Na vertente platônica, aqueles que elaboram a política educacionalsão representantes do Estado – um pequeno grupo
17 de pessoas que também desenvolve a atividade normativa sobre o sistema de ensino público, sem, contudo, ser responsável
18 pelo fornecimento do ensino.
19 Essa elite é conhecida como representante da tecnocracia. Na esfera educacional, a tecnocracia tem um perfil
20 antidemocrático, já que continuamente reserva para si o monopólio das virtudes necessárias para a direção da educação.
21 O planejamento, um instrumento para a concretização da política educacional, quando é tecnocrático, obedece a
22 uma orientação platônica, ou seja, não é flexível e não sofre mudanças de acordo com a dinâmica da realidade.
23 A legislação educacional é outro instrumento técnico da política educacional, que garante a homogeneização
24 ideológica na educação e a centralização administrativa.
25 Uma alternativa à política educacional tecnocrática de inspiração platônica é a política municipalizante. Ela implica
26 um poder maior em favor doslocais onde se estabelece a autonomia do complexo escolar, o que comumente é compreendido
27 como municipalização do ensino.
28 A política educacional municipalizante assegura recursos públicos desvinculados de posições político-partidárias e
29 pressupõe participação, controle e comprometimento por parte da comunidade com o motivo educacional.
30 Essa descentralização não requer a existência da dispendiosa burocracia. Há bastante flexibilidade nos currículos
31 escolares, permitindo que ocorram mudanças quando e onde elas se fizerem necessárias. A gestão de cada unidade escolar
32 é bastante democrática, pois os (as) diretores (as) de cada escola pertencem à comunidade em que ela está localizada, o que
33 faz da figura do administrador escolar uma espécie de ponte entre a instituição e o contexto em que ela está inserida.
34 Assim, a política educacional tem muito a ver com o contexto e a organização política de cada sociedade, e o seu
35 perfil depende em grande parte desse aspecto da sociedade em que ela existe.
36 Se a cultura de um povo é democrática e ele atua nas decisões políticas, é provável que sua política educacional
37 acate as sugestões e os anseios da população, mas em contextos autoritários, nos quais o povo é subjugado por uma cultura
38 extremamente dominadora, é comum predominar uma política educacional de cunho platônico.
Por Eliane da Costa Bruini - Colaboradora Brasil Escola Graduada em Pedagogia Pelo Centro Universitário Salesiano de São Paulo – UNISAL FONTE: https://educador.brasilescola.uol.com.br/politica-educacional/o-que-politica-educacional.htm |
A base primitiva da qual procedem as palavras “idealizado” (L.3) “ e “descentralização” (L.30) é
Leia o texto a seguir para responder as questões de 01 a 08.
Por que Tarsila do Amaral inspira?
Nascida no final do século XIX, foi criada para ser esposa e mãe. Ousou fazer diferente. Ousou escolher o lugar que queria ocupar no mundo, agiu para isso.
O MASP inaugurou em abril deste ano a mais ampla exposição de Tarsila do Amaral já realizada na história. A mais numerosa foi a da Pinacoteca de São Paulo, em 2008. Depois outras duas exposições potentes, realizadas pelo Art Institute of Chicago e pelo MoMA de Nova York, têm colocado a obra da artista brasileira em um novo patamar de reconhecimento global.
Como sua sobrinha-neta homônima, conheço e contemplo a obra de Tarsila desde muito pequena. Ao entrar na exposição montada com maestria pelo MASP, lembro-me da casa dela e das paredes das casas de meus familiares, que já foram decoradas com as peças, hoje valorizadas internacionalmente. Tarsila adorava presentear os parentes com seus trabalhos.
Mas muito além de rever estas cores e formas tão peculiares, além de rememorar tantas histórias íntimas envolvendo minha tia-avó, essas grandes exposições (e os olhares que tais mostras suscitam em torno da obra) me fazem rever a dimensão desta mulher no mundo.
É uma obviedade dizer que dos anos 20 para cá muita coisa mudou. Olhar a criação de qualquer artista sob as perspectivas de comportamento atualizadas para 2019 poderia revelar uma obra datada.
Tenho feito isso com Tarsila. E ao rever sua obra, entendo cada vez mais seu vanguardismo feito em voz baixa. Digo isso porque Tarsila era discreta. A partir da mais icônica de suas obras, Abaporu, Tarsila inspirou o manifesto Antropófago, de Oswald de Andrade. Não o escreveu, nem o leu em voz alta no Theatro Municipal de São Paulo. Inspirou-o.
Em uma tela em branco, Tarsila escolheu pintar com cores que seus professores diziam “feias”, de mau gosto. Cores fortes, cheias de luz, do jeito que ela enxergava nas paisagens do interior do Brasil, seu habitat natural, as cores caipiras.
Em uma época na qual a pintura retratava majoritariamente personagens brancos, Tarsila criou “A Negra”, exposta no MoMA e agora no MASP com a devida importância afetiva que a personagem ali representada tinha para a artista.
Ao longo da exposição no MoMA, conversei com diversos frequentadores da mostra e não posso esquecer um funcionário do museu, senhor negro americano, que sorriu ao dizer que a obra que ele mais tinha gostado era “A Negra”, porque se sentiu representado nela. Quantos personagens negros já ocuparam as paredes do MoMA?
Tarsila era filha de aristocratas. Nascida no final do século XIX, foi criada para ser esposa e mãe. Ousou fazer diferente. Ousou escolher o lugar que queria ocupar no mundo, agiu para isso. Ousou escolher as cores caipiras, a despeito dos grandes mestres com quem estudou.
Tarsila ousou dizer publicamente que queria ser a pintora do Brasil. Não teve medo de dizer isso em Paris, a cidade onde passou grande parte dos anos 20, que era a capital do mundo artístico na época.
A despeito de todos os papéis pensados para uma mulher filha de fazendeiros nascida em 1886 na cidade de Capivari, interior de São Paulo, a exposição “Tarsila Popular” em cartaz no MASP mostra que ela conquistou o lugar que desejou para sua existência. Por tudo isso, Tarsila inspira.
(Tarsilinha do Amaral é advogada, sobrinhaneta da artista e representante do espólio de Tarsila do Amaral. Texto adaptado. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2019/04/16/ opinion/1555368121_160698.html)
“Não o escreveu, nem o leu em voz alta no Theatro Municipal de São Paulo. Inspirou-o.”
Releia o 5º parágrafo do texto para identificar o termo ao qual os pronomes oblíquos do trecho acima se referem e assinale a alternativa correta.
AS QUESTÕES DE 1 A 15 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO
TEXTO
1 [...] Cientistas, intelectuais e cientistas sociais esperavam que o avanço da ciência moderna incentivaria a
2 secularização – que a ciência seria uma força da secularização. Mas isso simplesmente não vem acontecendo. As
3 características principais que as sociedades em que a religião continua forte têm em comum estão ligadas menos à
4 ciência do que a sentimentos de segurança existencial e proteção contra algumas das incertezas fundamentais da vida,
5 sob a forma de bens públicos.
6 Uma rede de seguridade social pode estar correlacionada a avanços científicos, mas apenas de maneira fraca,
7 e, mais uma vez, o caso dos Estados Unidos é instrutivo. Os EUA podem ser descritos como a sociedade científica e
8 tecnologicamente mais avançada do mundo, mas, ao mesmo tempo, é a mais religiosa das sociedades ocidentais. Como
9 concluiu o sociólogo britânico David Martin em "The Future of Christianity" (o futuro do cristianismo, 2011), "não
10 existe uma relação consistente entre o grau de avanço científico e um perfil reduzido de influência de crenças e práticas
11 religiosas".
12 A história da ciência e da secularização torna-se ainda mais intrigante quando refletimos sobre as sociedades
13 em que ocorreram reações importantes contra agendas secularistas.
14 O primeiro premiê da Índia, Jawaharlal Nehru (1889-1964), defendeu ideais seculares e científicos e incluiu a
15 educação científica no projeto de modernização do país. Nehru acreditava que as visões hindus de um passado védico
16 e ossonhos muçulmanos de uma teocracia islâmica sucumbiriam diante do avanço histórico inexorável da secularização.
17 "O tempo avança apenas em mão única", declarou. Mas, como atesta a subsequente ascensão dos
18 fundamentalismos hindu e islâmico, Nehru se equivocou. Além disso, a vinculação da ciência com uma agenda de
19 secularização teve efeito contrário ao desejado; uma das baixas colaterais da resistência ao secularismo foi a ciência.
20 [...]
21 Os Estados Unidos representam um contexto cultural diferente, onde pode parecer que a questão crucial é um
22 conflito entre as leituras literais do Livro de Gênesis e aspectos chaves da história da evolução. Na realidade, porém,
23 boa parte do discurso criacionista trata de valores morais. Também no caso dos EUA, vemos o antievolucionismo sendo
24 motivado, pelo menos em parte, pela ideia de que a teoria da evolução é um pretexto para a promoção do materialismo
25 secular e seus valores. Como acontece na Índia e na Turquia, o secularismo está, na realidade, prejudicando a ciência.
26 Para resumir, a secularização global não é inevitável, e, quando acontece, não é causada pela ciência. Além
27 disso, quando se procura usar a ciência para promover o secularismo, os resultados podem prejudicar a ciência. A tese
28 de que "a ciência causa secularização" não passa no teste empírico, e recrutar a ciência como instrumento de
29 secularização é uma estratégia que deixa a desejar. A combinação de ciência e secularização é tão inapta que levanta a
30 pergunta de por que alguém chegou a pensar que não fosse. [...]
31 Hoje as pessoas sentem menos certeza de que a história avança rumo a um destino único, passando por uma
32 série determinada de etapas. E, apesar da persistência popular da ideia de um conflito duradouro entre ciência e religião,
33 a maioria dos historiadores da ciência não defende essa visão.
34 Colisões renomadas, como o caso de Galileu, foram determinadas pela política e pelas personalidades
35 envolvidas, não apenas pela ciência e pela religião. Darwin teve defensores religiosos importantes e detratores
36 científicos, além de detratores religiosos e defensores científicos. Muitas outras supostas instâncias de conflito entre
37 ciência e religião foram expostas como sendo pura invenção.
38 Na realidade, contrariando o conflito, a norma histórica muitas vezes tem sido de apoio mútuo entre ciência e
39 religião. Em seus anos formativos, no século 17, a ciência moderna dependeu da legitimação religiosa. Nos séculos 18
40 e 19, a teologia natural ajudou a popularizar a ciência.
41 O modelo de conflito ciência-religião nos deu uma visão equivocada do passado e, quando somado a
42 expectativas de secularização, levou a uma visão falha do futuro. A teoria da secularização fracassou como descrição e
43 como previsão. A pergunta real é por que continuamos a nos deparar com proponentes do conflito entre ciência e
44 religião.
45 Muitos são cientistas renomados. Seria supérfluo repetir as reflexões de Richard Dawkins sobre esse tema, mas
46 ele está longe de ser uma voz solitária. Stephen Hawking acha que "a ciência vai sair ganhando porque ela funciona";
47 Sam Harris declarou que "a ciência precisa destruir a religião"; Stephen Weinberg pensa que a ciência enfraqueceu as
48 certezas religiosas; Colin Blakemore prevê que, com o tempo, a ciência acabará tornando a religião desnecessária. As
49 evidências históricas não fundamentam essas alegações. Na realidade, sugerem que elas são equivocadas.
50 Então por que elas persistem? As respostas são políticas. Deixando de lado qualquer apreço remanescente por
51 visões oitocentistas ultrapassadas da história, precisamos pensar no medo do fundamentalismo islâmico, na rejeição ao
52 criacionismo, na aversão às alianças entre a direita religiosa e a negação da mudança climática e nos temores de erosão
53 da autoridade científica. Podemos nos solidarizar com essas preocupações, mas não há como disfarçar o fato de que elas
54 nascem de uma intrusão indesejável de compromissos normativos na discussão.
55 O pensamento fantasioso, pautado pelo que se deseja – esperar que a ciência seja vitoriosa sobre a religião –
56 não substitui uma avaliação sóbria e refletida das realidades atuais. Levar essa defesa da causa da ciência adiante
57 provavelmente terá efeito oposto ao pretendido.
58 A religião não vai desaparecer no futuro próximo, e a ciência não vai destruí-la. Na realidade, é a ciência que
59 sofre ameaças crescentes à sua autoridade e legitimidade social. Em vista disso, a ciência precisa de todos os aliados
60 possíveis. Seus defensores fariam bem em parar de retratar a religião como sua inimiga ou de insistir que o único
61 caminho para um futuro seguro está no casamento entre ciência e secularismo.
POR PETER HARRISON - Tradução de CLARA ALLAIN. FONTE: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2017/09/1917894-a-religiao-nao-vai-desaparecer-e-a-ciencianao-vai-acabar-com-ela.shtml
No texto, o pronome
AS QUESTÕES DE 1 A 15 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO
TEXTO
O termo affluenza - uma contração de afluência e influenza, definida como uma “condição dolorosa e contagiosa
2 de sobrecarga, dívida, ansiedade e desperdício, resultante da busca incessante por mais” – costuma ser considerado
3 meramente uma palavra da moda, criada para expressar nosso desdém pelo consumismo. Apesar de usado em tom de
4 brincadeira, o termo pode conter mais verdades que muitos de nós gostaríamos de acreditar.
5 A palavra foi até mesmo usada na defesa de um motorista embriagado no Texas, no ano passado. O réu, um
6 garoto de 16 anos, afirmava que a riqueza de sua família deveria eximi-lo da morte de quatro pessoas. O rapaz foi condenado
7 a dez anos de liberdade vigiada e terapia (paga por sua família), enfurecendo muitos por causa de uma suposta leniência da
8 lei.
9 O psicólogo G. Dick Miller, um dos especialistas que testemunharam no julgamento, argumentou que o jovem
10 sofria de affluenza, o que pode tê-lo impedido de compreender as consequências de seus atos.
11 “Me arrependi de usar o termo”, disse Miller, mais tarde, à CNN. “Todo mundo parece ter se concentrado nisso.”
12 A affluenza pode ser real ou imaginária, mas o dinheiro de fato muda tudo – e aqueles de classes sociais mais
13 altas tendem a se enxergar de maneira diferente. A riqueza (a busca dela) já foi ligada a comportamentos imorais – e não
14 só em filmes como O Lobo de Wall Street.
15 Psicólogos que estudam o impacto da riqueza e da desigualdade no comportamento humano descobriram que o
16 dinheiro tem uma influência poderosa em nossos pensamentos e ações, muitas vezes sem que percebamos e
17 independentemente das nossas circunstâncias econômicas. Apesar de riqueza ser um conceito subjetivo, a maioria das
18 pesquisas atuais mede a riqueza em escalas de renda, status do emprego ou circunstâncias socioeconômicas, como nível
19 educacional e riqueza passada de geração para geração.
20 Vários estudos apontam que a riqueza pode não combinar com a empatia e a compaixão. Uma pesquisa publicada
21 na revista Psychological Science indicou que pessoas de menor renda conseguem ler melhor as expressões faciais dos outros
22 - um indicador importante de empatia – do que as mais ricas.
23 “Muito do que vemos é uma orientação básica das classes mais baixas a serem mais empáticas que as classes
24 mais altas”, disse à Time Michael Kraus, co-autor do estudo. “Os indivíduos que possuem renda mais baixa têm de
25 responder cronicamente a inúmeras vulnerabilidades e ameaças sociais. Você precisa confiar nos outros para que eles te
26 digam se existe uma ameaça social ou uma oportunidade, e isso faz de você uma pessoa mais apta a perceber emoções.”
27 Apesar de a falta de recursos levar a uma maior inteligência emocional, ter mais recursos pode levar a maus
28 comportamentos. Pesquisadores da Universidade de Berkeley apontaram que até mesmo dinheiro de mentira pode levar as
29 pessoas a agir com menos consideração em relação aos outros. Os pesquisadores observaram que, quando dois estudantes
30 jogam Banco Imobiliário e um deles recebe muito mais dinheiro que o outro, o jogador mais rico demonstra certo
31 desconforto inicial, mas depois passa a agir agressivamente, ocupando mais espaço, movimentando suas peças
32 ruidosamente e provocando o jogador com menos dinheiro.
33 Não é surpresa neste mundo descobrir que a riqueza pode causar uma sensação de “direitos morais adquiridos”
34 Um estudo feito por pesquisadores de Harvard e da Universidade de Utah constatou que só de pensar em dinheiro,
35 algumas pessoas adotam comportamentos antiéticos. Depois de serem expostos a palavras relacionadas a dinheiro, os
36 participantes se mostraram mais propensos a mentir e a se comportar imoralmente.
37 “Mesmo se formos todos bem intencionados, e mesmo que acreditemos poder discernir entre o certo e o errado,
38 há fatores que influenciam nossas decisões além de nossa percepção”, disse Kristin Smith-Crowe, professora-associada de
39 administração da Universidade de Utah e uma das co-autoras do estudo, ao MarketWatch.
40 O dinheiro pode não causar vício ou abuso de substâncias, mas a riqueza já foi ligada a uma maior
41 susceptibilidade a problemas de vício. Vários estudos apontam que crianças ricas são mais vulneráveis a problemas de
42 abuso de substâncias, potencialmente por causa da pressão para ser bem-sucedidas e do isolamento dos pais. Estudos
43 também indicam que filhos de pais ricos não estão necessariamente livres de problemas de adequação – na verdade, há
44 pesquisas que mostram que, em várias medidas de inadequação, adolescentes de alto status socioeconômico têm índices
45 mais altos que colegas pobres. Os pesquisadores acreditam que essas crianças têm maiores chances de internalizar o
46 problema, o que pode estar relacionado a abuso de substâncias.
47 A busca da riqueza pode se tornar um comportamento compulsivo. Como explica a psicóloga Tian Dayton, a
48 necessidade compulsiva de obter dinheiro é muitas vezes considerada parte de uma classe de comportamentos conhecida
49 como vício processual, ou “vício comportamental”, que é diferente do abuso de substâncias:
50 [...]
51 Não há correlação direta entre renda e felicidade. Após um certo nível de renda, suficiente para atender
52 necessidades básicas, a riqueza não faz tanta diferença no bem-estar geral e na felicidade. Pelo contrário, ela pode até ser
53 prejudicial: pessoas extremamente ricas sofrem mais de depressão. Alguns dados sugerem que o dinheiro em si não causa
54 insatisfação – mas a busca incessante por riqueza e bens materiais pode levar à infelicidade. Valores materialistas já foram
55 ligados à baixa satisfação nos relacionamentos.
DISPONÍVEL EM: https://www.huffpostbrasil.com/2014/04/16/a-influencia-que-o-dinheiro-exerce-sobre-o-nossopensamento-e-co_a_21668240/
Exerce a mesma função de “de classes” (L.12) a expressão
AS QUESTÕES DE 1 A 15 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO
TEXTO
O termo affluenza - uma contração de afluência e influenza, definida como uma “condição dolorosa e contagiosa
2 de sobrecarga, dívida, ansiedade e desperdício, resultante da busca incessante por mais” – costuma ser considerado
3 meramente uma palavra da moda, criada para expressar nosso desdém pelo consumismo. Apesar de usado em tom de
4 brincadeira, o termo pode conter mais verdades que muitos de nós gostaríamos de acreditar.
5 A palavra foi até mesmo usada na defesa de um motorista embriagado no Texas, no ano passado. O réu, um
6 garoto de 16 anos, afirmava que a riqueza de sua família deveria eximi-lo da morte de quatro pessoas. O rapaz foi condenado
7 a dez anos de liberdade vigiada e terapia (paga por sua família), enfurecendo muitos por causa de uma suposta leniência da
8 lei.
9 O psicólogo G. Dick Miller, um dos especialistas que testemunharam no julgamento, argumentou que o jovem
10 sofria de affluenza, o que pode tê-lo impedido de compreender as consequências de seus atos.
11 “Me arrependi de usar o termo”, disse Miller, mais tarde, à CNN. “Todo mundo parece ter se concentrado nisso.”
12 A affluenza pode ser real ou imaginária, mas o dinheiro de fato muda tudo – e aqueles de classes sociais mais
13 altas tendem a se enxergar de maneira diferente. A riqueza (a busca dela) já foi ligada a comportamentos imorais – e não
14 só em filmes como O Lobo de Wall Street.
15 Psicólogos que estudam o impacto da riqueza e da desigualdade no comportamento humano descobriram que o
16 dinheiro tem uma influência poderosa em nossos pensamentos e ações, muitas vezes sem que percebamos e
17 independentemente das nossas circunstâncias econômicas. Apesar de riqueza ser um conceito subjetivo, a maioria das
18 pesquisas atuais mede a riqueza em escalas de renda, status do emprego ou circunstâncias socioeconômicas, como nível
19 educacional e riqueza passada de geração para geração.
20 Vários estudos apontam que a riqueza pode não combinar com a empatia e a compaixão. Uma pesquisa publicada
21 na revista Psychological Science indicou que pessoas de menor renda conseguem ler melhor as expressões faciais dos outros
22 - um indicador importante de empatia – do que as mais ricas.
23 “Muito do que vemos é uma orientação básica das classes mais baixas a serem mais empáticas que as classes
24 mais altas”, disse à Time Michael Kraus, co-autor do estudo. “Os indivíduos que possuem renda mais baixa têm de
25 responder cronicamente a inúmeras vulnerabilidades e ameaças sociais. Você precisa confiar nos outros para que eles te
26 digam se existe uma ameaça social ou uma oportunidade, e isso faz de você uma pessoa mais apta a perceber emoções.”
27 Apesar de a falta de recursos levar a uma maior inteligência emocional, ter mais recursos pode levar a maus
28 comportamentos. Pesquisadores da Universidade de Berkeley apontaram que até mesmo dinheiro de mentira pode levar as
29 pessoas a agir com menos consideração em relação aos outros. Os pesquisadores observaram que, quando dois estudantes
30 jogam Banco Imobiliário e um deles recebe muito mais dinheiro que o outro, o jogador mais rico demonstra certo
31 desconforto inicial, mas depois passa a agir agressivamente, ocupando mais espaço, movimentando suas peças
32 ruidosamente e provocando o jogador com menos dinheiro.
33 Não é surpresa neste mundo descobrir que a riqueza pode causar uma sensação de “direitos morais adquiridos”
34 Um estudo feito por pesquisadores de Harvard e da Universidade de Utah constatou que só de pensar em dinheiro,
35 algumas pessoas adotam comportamentos antiéticos. Depois de serem expostos a palavras relacionadas a dinheiro, os
36 participantes se mostraram mais propensos a mentir e a se comportar imoralmente.
37 “Mesmo se formos todos bem intencionados, e mesmo que acreditemos poder discernir entre o certo e o errado,
38 há fatores que influenciam nossas decisões além de nossa percepção”, disse Kristin Smith-Crowe, professora-associada de
39 administração da Universidade de Utah e uma das co-autoras do estudo, ao MarketWatch.
40 O dinheiro pode não causar vício ou abuso de substâncias, mas a riqueza já foi ligada a uma maior
41 susceptibilidade a problemas de vício. Vários estudos apontam que crianças ricas são mais vulneráveis a problemas de
42 abuso de substâncias, potencialmente por causa da pressão para ser bem-sucedidas e do isolamento dos pais. Estudos
43 também indicam que filhos de pais ricos não estão necessariamente livres de problemas de adequação – na verdade, há
44 pesquisas que mostram que, em várias medidas de inadequação, adolescentes de alto status socioeconômico têm índices
45 mais altos que colegas pobres. Os pesquisadores acreditam que essas crianças têm maiores chances de internalizar o
46 problema, o que pode estar relacionado a abuso de substâncias.
47 A busca da riqueza pode se tornar um comportamento compulsivo. Como explica a psicóloga Tian Dayton, a
48 necessidade compulsiva de obter dinheiro é muitas vezes considerada parte de uma classe de comportamentos conhecida
49 como vício processual, ou “vício comportamental”, que é diferente do abuso de substâncias:
50 [...]
51 Não há correlação direta entre renda e felicidade. Após um certo nível de renda, suficiente para atender
52 necessidades básicas, a riqueza não faz tanta diferença no bem-estar geral e na felicidade. Pelo contrário, ela pode até ser
53 prejudicial: pessoas extremamente ricas sofrem mais de depressão. Alguns dados sugerem que o dinheiro em si não causa
54 insatisfação – mas a busca incessante por riqueza e bens materiais pode levar à infelicidade. Valores materialistas já foram
55 ligados à baixa satisfação nos relacionamentos.
DISPONÍVEL EM: https://www.huffpostbrasil.com/2014/04/16/a-influencia-que-o-dinheiro-exerce-sobre-o-nossopensamento-e-co_a_21668240/
A base primitiva da qual procedem as palavras “meramente” (L.3) “ e “desigualdade” (L.15) é
Pesquisa revela que maioria dos brasileiros se automedica
A automedicação é um hábito comum a 77% dos brasileiros, segundo uma pesquisa realizada pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF). Quase metade da população, ou seja, 47% faz uso de medicamentos sem prescrição médica ao menos uma vez por mês e 25% o faz todos os dias ou pelo menos uma vez por semana.
O estudo aponta que as mulheres são a parcela da população que mais usa medicamento por conta própria, com registro de 53%. Familiares e amigos são os principais influenciadores na escolha dos medicamentos usados sem prescrição e representam cerca de 25%.
O uso de medicamentos sem a avaliação de um profissional de saúde pode trazer consequências, como sensibilização do organismo, surgimento de alergias e irritações, desordens fisiológicas metabólicas e hormonais e redução do efeito de fármacos importantes como antibióticos, criando a resistência bacteriana.
De acordo com o farmacêutico Rafael Ferreira, a automedicação pode ainda retardar ou mascarar a detecção de patologias mais severas. “Ao aliviar sintomas como a dor, o usuário pode camuflar uma doença mais séria. As dores no corpo ou na cabeça, irritações na pele, acidez estomacal, constipação ou até mesmo intestino solto podem ser alguns dos sintomas iniciais de muitas doenças graves. Ao camuflar os primeiros sinais, a pessoa faz com que a patologia seja diagnosticada tardiamente e em estados mais severos”, alerta.
O hábito de usar diversos medicamentos ao mesmo tempo e sem prescrição também pode fazer com que o tratamento não tenha o resultado esperado. “Misturar medicamentos faz com que eles interajam entre si, podendo causar alteração no seu efeito protetor, ou seja, um antibiótico pode ser neutralizado e não conseguir combater as bactérias e com isso levar a um agravo da doença”, explica o farmacêutico. “O uso de fármacos de forma inapropriada também pode comprometer algumas intervenções clínicas, por exemplo, o uso errôneo de ácido acetilsalicílico, um analgésico muito comum, pode favorecer processos de sangramentos e atrapalhar intervenções invasivas”, acrescenta.
Segundo Ferreira, o hábito que os brasileiros têm de se automedicar é antigo e também pode ser explicado pelas propagandas, que elevam o consumo. “Antigamente, existia uma problemática com o atendimento médico, que era muito demorado e a medicação era escassa, então esse costume vem de outras gerações, que procuravam por soluções imediatas para os problemas”, afirma. “A evolução populacional e o conhecimento medicamentoso fizeram desnecessário esse tipo de hábito, que deve cair no abandono para o bem da população. Por isso é importante conscientizar as pessoas que medicamentos são somente indicados para tratamento de doenças e não para banalidades, pois o tratamento errado de hoje e sem orientação pode se transformar na doença de amanhã”, pondera.
http://www.leiaja.com/noticias
Assinale a alternativa correta.
Assinale a alternativa em que a colocação pronominal está de acordo com a norma-padrão.
Leia o texto a seguir, reproduzido do romance O Ateneu, de Raul Pompeia, para responder à questão 07:
Havia no Ateneu, fora desta regra, alunos gratuitos, dóceis criaturas, escolhidas a dedo para o papel de complemento objetivo de caridade, tímidos como se os abatesse o peso do benefício, com todos os deveres, nenhum direito, nem mesmo o de não prestar para nada. Em retorno, os professores tinham obrigação de os fazer brilhar, porque caridade que não brilha é caridade em pura perda.
Os vocábulos o e os, em “como se os abatesse”, “nem mesmo o de não prestar para nada” e “de os fazer brilhar”, são, respectivamente:
O HOMEM E A GALINHA
Era uma vez um homem que tinha uma galinha. Era uma galinha como as outras.
Um dia a galinha botou um ovo de ouro. O homem ficou contente. Chamou a mulher:
- Olha o ovo que a galinha botou.
A mulher ficou contente:
- Vamos ficar ricos!
E a mulher começou a tratar bem da galinha. Todos os dias a mulher dava mingau para a galinha. Dava pão de ló, dava até sorvete. E todos os dias a galinha botava um ovo de ouro. Vai que o marido disse:
- Pra que esse luxo com a galinha? Nunca vi galinha comer pão de ló... Muito menos tomar sorvete!
- É, mas esta é diferente! Ela bota ovos de ouro!
O marido não quis conversa: -
- Acaba com isso mulher. Galinha come é farelo.
Aí a mulher disse:
- E se ela não botar mais ovos de ouro?
- Bota sim - o marido respondeu.
A mulher todos os dias dava farelo à galinha. E a galinha botava um ovo de ouro. Vai que o marido disse:
- Farelo está muito caro, mulher, um dinheirão! A galinha pode muito bem comer milho.
- E se ela não botar mais ovos de ouro?
- Bota sim - o marido respondeu.
Aí a mulher começou a dar milho pra galinha. E todos os dias a galinha botava um ovo de ouro. Vai que o marido disse:
- Pra que esse luxo de dar milho pra galinha? Ela que procure o de-comer no quintal!
- E se ela não botar mais ovos de ouro? - a mulher perguntou.
- Bota sim - o marido falou.
E a mulher soltou a galinha no quintal. Ela catava sozinha a comida dela. Todos os dias a galinha botava um ovo de ouro. Um dia a galinha encontrou o portão aberto. Foi embora e não voltou mais.
Dizem, eu não sei, que ela agora está numa boa casa onde tratam dela a pão de ló.
Ruth Rocha
Leia a frase abaixo:
“E a mulher soltou a galinha no quintal. Ela catava sozinha a comida dela. Todos os dias a galinha botava um ovo de ouro. Um dia a galinha encontrou o portão aberto. Foi embora e não voltou mais.”
Assinale a alternativa que indique de forma CORRETA e respectivamente a classe gramatical das palavras sublinhadas:
Para onde vão as palavras
Como se sabe, a palavra durante algum tempo foi obrigada a recuar diante da imagem, e o mundo escrito e impresso diante do falado na tela. Tiras de quadrinhos e livros ilustrados com um mínimo de texto hoje não se destinam mais somente a iniciantes que estão aprendendo a soletrar. De muito mais peso, no entanto, é o recuo da notícia impressa em face da notícia falada e ilustrada. A imprensa, principal veículo da esfera pública no século XIX assim como em boa parte do século XX, dificilmente será capaz de manter sua posição no século XXI.
Mas nada disso pode deter a ascensão quantitativa da literatura. A rigor, eu quase diria que - apesar dos prognósticos pessimistas - o mais importante veículo tradicional da literatura, o livro impresso, sobreviverá sem grande dificuldade, com poucas exceções, como as das enciclopédias, dos dicionários, dos compêndios de informação etc., os queridinhos da internet.
Fonte: HOBSBAWM, Eric. Tempos fraturados. São Paulo: Companhia das Letras, 2013, p. 29-30. (trecho adaptado)
No trecho “o mais importante veículo tradicional da literatura, o livro impresso” os elementos destacados são, respectivamente:
Para onde vão as palavras
Como se sabe, a palavra durante algum tempo foi obrigada a recuar diante da imagem, e o mundo escrito e impresso diante do falado na tela. Tiras de quadrinhos e livros ilustrados com um mínimo de texto hoje não se destinam mais somente a iniciantes que estão aprendendo a soletrar. De muito mais peso, no entanto, é o recuo da notícia impressa em face da notícia falada e ilustrada. A imprensa, principal veículo da esfera pública no século XIX assim como em boa parte do século XX, dificilmente será capaz de manter sua posição no século XXI.
Mas nada disso pode deter a ascensão quantitativa da literatura. A rigor, eu quase diria que - apesar dos prognósticos pessimistas - o mais importante veículo tradicional da literatura, o livro impresso, sobreviverá sem grande dificuldade, com poucas exceções, como as das enciclopédias, dos dicionários, dos compêndios de informação etc., os queridinhos da internet.
Fonte: HOBSBAWM, Eric. Tempos fraturados. São Paulo: Companhia das Letras, 2013, p. 29-30. (trecho adaptado)
Analise as afirmativas, tendo em vista questões gramaticais:
I. Em ‘como se sabe’ o termo destacado é partícula apassivadora.
II. Em ‘no século XIX’ o algarismo em destaque denomina-se ‘arábico’.
III. Em ‘Mas nada disso pode deter’ ocorrem dois pronomes.
IV. Em ‘De muito mais peso, no entanto,’ a expressão destacada denomina-se conjunção.
Assinale a alternativa correta: