Questões de Concurso Comentadas sobre morfologia - pronomes em português

Foram encontradas 10.198 questões

Q1961200 Português

INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.


Em busca de cinco ciprestes

Marina Colasanti

Não era um homem rico, tampouco era pobre. Vivia sua vida, e parecia-lhe bem. Até a noite em que teve um sonho.

Sonhou que um pássaro entrava em voo pela porta aberta e pousando na cabeceira da cama lhe dizia: “Um tesouro te espera na cidade dos cinco ciprestes”. Viu-se estender a mão para afagar o inesperado visitante, mas com o gesto espantou sonho e mensageiro. Sem que, entretanto, se espantasse a mensagem. 

De nada adiantou, nos dias que se seguiram, pedir a quantos conhecia informações sobre aquela cidade. Ninguém havia cruzado com ela em seu caminho, não fazia parte das recordações de quem quer que fosse.

O homem não sonhou mais com o pássaro. Pelo menos, não à noite. Muitas vezes, de dia, pareceu-lhe ouvir aquele canto que não era canto, mas fala. Porém, embora procurasse no azul e nas ramagens, nunca mais viu o mensageiro que lhe havia trazido a boa-nova.

Empreendeu várias viagens breves. A pé, pois não tinha cavalo, e para que o teria, ele que só lavrava sua pequena horta e assava pão? Caminhava pelas estradas até onde suas forças o levavam, visitava uma ou outra cidade, uma ou outra aldeia, esperando encontrar não os cinco ciprestes que ninguém havia visto, mas alguém que soubesse deles. E a cada viagem, sem nada ter conseguido, retornava à sua casa levando consigo um desejo que tanto mais crescia quanto mais esbarrava em negativas. 

A vida que havia sido suficiente para ele já não bastava.

Vendeu primeiro a colheita da horta – precisava de roupas mais quentes. Depois vendeu tudo o que a sua casa continha, os móveis toscos, os canecos e pratos de estanho, as poucas panelas de barro – precisava de arreios para o cavalo que ainda não tinha. Só no fim, como uma concha vazia, vendeu a casa. Com o dinheiro comprou o cavalo, colocou numa sacola de couro o pouco que sobrou, prendeu-a na cintura. E partiu.

O homem que havia comprado a casa ficou olhando da porta, até vê-lo desaparecer na curva do caminho. Então entrou e começou a arrumar suas coisas.

Alguns meses se passaram. Já tendo cuidado de casa e horta, e querendo talvez marcar sua posse, o novo dono da casa plantou junto à cerca seis mudas de cipreste. Cinco cresceram verdejantes para fazer sombra e cantar no vento. Uma secou aos poucos, ainda jovem, e ele a abateu para fazer lenha, sem procurar saber a origem do seu mal.

Tivesse cavado, teria encontrado ao fundo, o velho baú cheio de moedas que com seus humores metálicos contaminavam as raízes. Mas o pássaro viera cedo demais, pousando no sonho de outro homem, e enquanto aquele cavalgava em busca do que nunca encontraria, este perdia a fortuna que lhe havia sido destinada.

COLASANTI, Marina. In: Quando a primavera chegar. São Paulo: Global Editora, 2017.

A palavra em destaque na frase “Vivia sua vida, e parecia-lhe bem” exerce função
Alternativas
Q1960156 Português

Texto I

Inverno


        A família estava reunida em torno do fogo, Fabiano sentado no pilão caído, sinhá Vitória de pernas cruzadas, as coxas servindo de travesseiros aos filhos. A cachorra Baleia, com o traseiro no chão e o resto do corpo levantado, olhava as brasas que se cobriam de cinza.

        Estava um frio medonho, as goteiras pingavam lá fora, o vento sacudia os ramos das catingueiras, e o barulho do rio era como um trovão distante.

        Fabiano esfregou as mãos satisfeito e empurrou os tições com a ponta da alpercata. As brasas estalaram, a cinza caiu, um círculo de luz espalhou-se em redor da trempe de pedra, clareando vagamente os pés do vaqueiro, os joelhos da mulher e os meninos deitados. De quando em quando estes se mexiam, porque o lume era fraco e apenas aquecia pedaços deles. Outros pedaços esfriavam recebendo o ar que entrava pela rachadura das paredes e pelas gretas da janela. Por isso não podiam dormir. Quando iam pegando no sono, arrepiavam-se, tinham precisão de virar-se, chegavam-se à trempe e ouviam a conversa dos pais. Não era propriamente conversa: eram frases soltas, espaçadas, com repetições e incongruências. Às vezes uma interjeição gutural dava energia ao discurso ambíguo. Na verdade nenhum deles prestava atenção às palavras do outro: iam exibindo as imagens que lhes vinham ao espírito, e as imagens sucediam-se, deformavam-se, se não havia meio de dominá-las. Como os recursos de expressão eram minguados, tentavam remediar a deficiência falando alto. [...]

(RAMOS, Graciliano. Vidas Secas. Rio de Janeiro: Record, 2009, p. 63-64)

Considerando-se o contexto, verifica-se que o pronome demonstrativo destacado em “De quando em quando estes se mexiam, porque o lume era fraco e apenas aquecia pedaços deles.” (3º§), foi empregado em uma referência:
Alternativas
Q1960037 Português

Texto CG1A1-I



       A linguagem usada para descrever os alimentos que comemos pode ter um grande efeito em como os percebemos: orgânicos, artesanais, caseiros e selecionados soam um pouco mais tentadores que os prosaicos enlatados ou reidratados. Outro adjetivo que pode abrir nosso apetite é natural, enquanto tendemos a associar processado a produtos com uma longa lista de ingredientes impronunciáveis. Mas, no que diz respeito à nossa saúde, será que o natural é sempre melhor do que o processado? 


       Na verdade, o fato de um alimento estar in natura não significa automaticamente que ele é saudável. Alimentos naturais podem conter toxinas, e um processamento mínimo pode torná-los mais seguros. O feijão, por exemplo, contém lectinas, que podem causar vômitos e diarreia. Elas são eliminadas quando os grãos ficam de molho durante horas e depois são cozidos na água fervente. 


       O processamento também torna seguro o consumo de leite de vaca. O leite é pasteurizado desde o fim do século 19, para matar bactérias nocivas à saúde humana. Antes disso, era distribuído localmente, porque não havia uma boa refrigeração nas casas. As vacas eram ordenhadas todos os dias, e as pessoas levavam leite para vender nos bairros, mas as cidades ficaram maiores, o leite ficou mais distante e demorou mais para chegar ao consumidor, o que favorecia a multiplicação dos patógenos. As evidências crescentes de que alguns organismos presentes no leite pudessem ser prejudiciais à saúde levaram ao desenvolvimento de dispositivos para aquecimento do líquido e à invenção da pasteurização, que logo foi adotada na Europa e, mais tarde, nos Estados Unidos da América. 


       O processamento também pode ajudar a preservar os alimentos e torná-los mais acessíveis. A fermentação faz com que o queijo se mantenha estável por mais tempo e, em alguns casos, reduz a quantidade de lactose, tornando-o mais digerível para quem tem uma intolerância leve à presença desse tipo de açúcar. 


       No passado, o processamento dos alimentos era feito principalmente para aumentar sua vida útil. Por muito tempo, conservar os alimentos com a adição de ingredientes como açúcar ou sal foi essencial para as pessoas sobreviverem ao inverno. O processamento nos permitiu estar onde estamos hoje, pois evitou que passássemos fome. Muitos alimentos devem ser processados para ser consumidos, como o pão. Não poderíamos sobreviver apenas com grãos. 


       O processamento permite que vitaminas e minerais, como vitamina D, cálcio e ácido fólico, sejam adicionados a certos alimentos processados, incluindo-se pães e cereais. Iniciativas como essas ajudaram a reduzir várias deficiências de nutrientes entre a população em geral — mas não tornaram necessariamente a comida nutricionalmente equilibrada. 


       É preciso observar que alguns alimentos ultraprocessados podem estar associados a consequências indesejadas para a saúde, mas nem todos os alimentos processados são ruins. Os legumes e verduras congelados, o leite pasteurizado e a batata cozida, por exemplo, podem ser melhores para nós do que seus equivalentes não processados. Mas aqui está o segredo: todos esses alimentos também se parecem muito com sua forma natural, e é isso que precisamos ter em mente. Sempre que formos capazes de reconhecer que um alimento processado está próximo da sua forma natural, incluí-lo em nossa dieta pode até ser benéfico para nós.



Internet: <www.bbc.com/portuguese> (com adaptações)

Julgue o seguinte item, a respeito de aspectos linguísticos do texto CG1A1-I.



No segundo parágrafo, o vocábulo “Elas” (último período) faz referência ao termo “toxinas” (segundo período). 

Alternativas
Q1959764 Português
A questão refere-se ao texto a seguir.

Redação do Enem anuncia que vem aí um país muito mal escrito

Ademais, eu sempre quis escrever um texto que começasse com “ademais” e faço isso agora não por um capricho, não para imitar João Ubaldo que começou outro com “Aliás”, mas porque acabou de sair o resultado das provas de redação do Enem 2021. De novo deu o mesmo pão com ovo – uma das palavras favoritas dos estudantes que tiraram a nota mil do concurso foi justo o “ademais”.

“Ademais” transpira afetação ultrapassada e todo ano, masoquista que sou, procuro por ele no vestibular que define os futuros líderes do país. O tadinho está sempre lá em seu brilhareco constrangedor, um tantinho espantado com a súbita lembrança por gente tão jovem.

O resultado é aborrecidíssimo, mas quem segue a ordem unida da introdução, do desenvolvimento e da conclusão, a marcha militar ensinada nas apostilas, é consagrado com o mil da nota mil. As redações parecem iguais, “ademais” ribombando orgulho para tudo que é lado, polissílabos gigantescos – tudo indicando para o futuro de um país muito mal escrito.

(Joaquim Ferreira dos Santos. Disponível em: https://oglobo.globo.com. Acesso em 19 abr. 2022)
Nessa crônica, os recursos linguísticos usados na apresentação da tese foram: 
Alternativas
Q1959126 Português

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo. 



       O animal humano, que é parte da natureza e que dela depende, não se resignou a viver para sempre à mercê dos frutos espontâneos da terra. O desafio que desde logo se insinuou foi: como induzir o mundo natural a somar forças e multiplicar o resultado do esforço humano? Como colocá-lo a serviço do homem? O passo decisivo nessa busca foi a descoberta, antes prática que teórica, de que “domina-se a natureza obedecendo-se a ela”. A sagacidade do animal humano soube encontrar nos caminhos do mundo como ele se põe (natura naturans: “a natureza causando a natureza”) as chaves de acesso ao mundo como ele pode ser (natura naturata: “a natureza causada”). 


       Processos naturais, desde que devidamente sujeitos à observação e direcionamento pela mão do homem, podiam se tornar inigualáveis aliados na luta pelo sustento diário. Em vez de tão somente surpreender e pilhar os seres vivos que a natureza oferece para uso e desfrute imediato, como fazia o caçador-coletor, tratava-se de compreender suas regularidades, acatar sua lógica, identificar e aprimorar suas espécies mais promissoras e, desse modo, cooptá-los em definitivo para a tarefa de potencializar os meios de vida. Se a realidade designada pelo termo civilização não se deixa definir com facilidade, uma coisa é certa: nenhum conceito que deixe de dar o devido peso a essa mudança na relação homem-natureza poderá ser julgado completo. A domesticação sistemática, em larga escala, de plantas e animais deu à humanidade maior segurança alimentar e trouxe extraordinárias conquistas materiais. Mas ela não veio só. O advento da sociedade agropastoril teve como contrapartida direta e necessária uma mudança menos saliente à primeira vista, mas nem por isso de menor monta: a profunda transformação da psicologia temporal do animal humano.


       A domesticação da natureza externa exigiu um enorme empenho na domesticação da natureza interna do homem. Pois a prática da agricultura e do pastoreio implicou uma vasta readaptação dos valores, crenças, instituições e formas de vida aos seus métodos e exigências. Entre os acontecimentos da história mundial que modificaram de maneira permanente os hábitos mentais do homem, seria difícil encontrar algum que pudesse rivalizar com o impacto da transição para a sociedade de base agrícola e pastoril em toda a forma como percebemos e lidamos com a dimensão temporal da vida prática.



(GIANNETTI, Eduardo. O valor do amanhã. São Paulo: Companhia das Letras, edição digital. Adaptado) 

Como colocá-lo a serviço do homem? (1° parágrafo)


O pronome sublinhado refere-se a:

Alternativas
Q1958952 Português
No que se refere às ideias e a aspectos linguísticos do texto anterior, julgue o item a seguir.

No trecho “quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta” (primeiro parágrafo), o vocábulo “se”, em suas três ocorrências, está empregado como pronome reflexivo. 
Alternativas
Q1958621 Português

O fim do sistema solar?



Quão estável é o sistema solar? Se considerarmos apenas o curto período de tempo em que os humanos habitaram a Terra, o sistema solar é bastante estável; no entanto, só é possível devido ao complexo equilíbrio atingido pelos planetas que orbitam o Sol ao longo de muitos, muitos anos e pelo papel que cada um desempenha neste sistema.


Se o sistema no qual vivemos pode ser considerado estável, que alterações seriam necessárias para o desestabilizar? Em uma tentativa de responder concretamente à questão, os pesquisadores Garett Brown e Hanno Rein, da Universidade de Toronto, no Canadá, desenvolveram um conjunto de cerca de 3 mil simulações de possíveis alterações às órbitas dos planetas do sistema solar de modo a perceberem quais as consequências e de que forma estas poderiam afetar o equilíbrio do mesmo. "Descobrimos que pequenas perturbações nas órbitas dos planetas externos são transferidas entre planetas, aumentando a probabilidade de que o sistema planetário interno se desestabilize", escreveram no seu relatório publicado recentemente na Arxiv.


 A maioria das simulações resultou em algum tipo de consequência significativa para o sistema solar. As boas notícias são que, ainda assim, cerca de 960 cenários analisados pelos pesquisadores não deram origem a mudanças que possam ser consideradas significativas para o equilíbrio do sistema. Além disso, quaisquer consequências que pudessem advir da alteração da órbita de um planeta, fossem estas negativas ou não, só se fariam sentir muitos milhões de anos mais tarde, pelo que, mesmo no pior cenário, não resultaria no imediato colapso do sistema solar. 


O estudo examinou, inclusive, os efeitos com um intervalo de até 4,8 mil milhões de anos depois. "Essas perturbações fracas não destroem o sistema solar imediatamente, apenas o agitam um pouco e só nos milhões ou mil milhões de anos seguintes é que algo fica instável", explica Rein à New Scientist.



(Disponível em: O fim do sistema solar? Basta que Netuno altere a sua órbita em apenas 0,1% (msn.com). Adaptado.)

Se considerarmos apenas o curto período de tempo em que os humanos habitaram a Terra, o sistema solar é bastante estável.

A sequência que contém um pronome, uma conjunção e uma preposição, respectivamente, é: 
Alternativas
Q1958475 Português

Texto para o item. 



Considerados os mecanismos de coesão no texto, julgue o item, no que diz respeito à correta correspondência entre o termo destacado e o respectivo elemento de referência.


“seus” (linha 21) — “pacientes do grupo comunitário” (linhas 20 e 21) 

Alternativas
Q1958276 Português

Peixe estranho associado à lenda de atrair tsunami é capturado no Chile



Um peixe estranho de seis metros que os nativos associam à crença da chegada de tsunami, terremoto ou ciclone foi capturado na costa de Arica, no Chile, na manhã de segunda-feira, segundo o La Nación. O animal, chamado de peixe-remo, é incomum na região.


Segundo o IFOP (Instituto de Desenvolvimento Pesqueiro), ele pertence a uma classe de peixes com ossos grandes e costumam viver entre 200 e 500 metros de profundidade, mas já foram encontrados a 1000 metros.


O pesquisador do IFOP, Gonzalo Muñoz, disse que esses peixes têm bocas salientes e pequenas, barbatana dorsal avermelhada e uma pele viscosa de cor prateada sem escamas.


Segundo o La Nación, o peixe está associado a uma lenda popular japonesa que diz que ele vivia nas profundezas de uma ilha no Japão; quando subia à superfície, causava terremotos. Ele também era chamado de "mensageiro" do palácio do deus do mar.


O mito ressurgiu em 2011, quando apareceu um tsunami na ilha de Honshu, na costa do Pacífico. Antes dessa catástrofe, peixes-remo não eram avistados na costa, mas após esse episódio, começaram a aparecer. 


 A ciência ainda não confirmou essas crenças populares e os pesquisadores do IFOP coletaram amostras do peixe para analisar o porquê de ele ter aparecido na costa.



(Disponível em: Peixe estranho associado a lenda de atrair tsunami é capturado no Chile (msn.com). Adaptado.)

Ele pertence a uma classe de peixes com ossos grandes e costuma viver entre 200 e 500 metros de profundidade.

Assinale a opção CORRETA que contenha preposição e pronome, independente da ordem.
Alternativas
Q1957888 Português
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE CAXIAS DO SUL

Leia abaixo a redação de Larissa Freisleben, que recebeu nota mil no Enem.

Publicidade Infantil: perigoso artifício

   Uma criança imitando os sons emitidos por porcos já foi atitude considerada como falta de educação. No entanto, após a popularização do programa infantil "Peppa Pig", essa passou a ser uma cena comum no Brasil. O desenho animado sobre uma família de porcos falantes não apenas mudou o comportamento dos pequenos como também aumentou o lucro de uma série de marcas que se utilizaram do encantamento infantil para impulsionar a venda de produtos relacionados ao tema. Peppa é apenas mais um exemplo do poder que a publicidade exerce sobre as crianças.

   Os nazistas já conheciam os efeitos de uma boa publicidade: são inúmeros os casos de pais delatados pelos próprios filhos − o que mostra a facilidade com que as crianças são influenciadas. Essa vulnerabilidade é maior até os sete anos de idade, quando a personalidade ainda não está formada. Muitas redes de lanchonetes, por exemplo, valem-se disso para persuadir seus jovens clientes: seus produtos vêm acompanhados por brindes e brinquedos. Assim, muitas vezes a criança acaba se alimentando de maneira inadequada na ânsia de ganhar um brinquedo.

   A publicidade interfere no julgamento das crianças. No entanto, censurar todas as propagandas não é a solução. É preciso, sim, que haja uma regulamentação para evitar a apelação abusiva − tarefa destinada aos órgãos responsáveis. No caso da alimentação, a questão é especialmente grave, uma vez que pesquisas mostram que os hábitos alimentares mantidos até os dez anos de idade são cruciais para definir o estilo de vida que o indivíduo terá quando adulto. Uma boa solução, nesse caso, seria criar propagandas enaltecendo o consumo de frutas, verduras e legumes. Os próprios programas infantis poderiam contribuir nesse sentido, apresentando personagens com hábitos saudáveis. Assim, os pequenos iriam tentar imitar os bons comportamentos.

   Contudo, nenhum controle publicitário ou bom exemplo sob a forma de um desenho animado é suficiente sem a participação ativa da família. É essencial ensinar as crianças a diferenciar bons produtos de meros golpes publicitários. Portanto, em se tratando de propaganda infantil, assim como em tantos outros casos, a educação vinda de casa é a melhor solução.


(Texto publicado na folha de São Paulo)
“Essa vulnerabilidade é maior até os sete anos de idade, quando a personalidade ainda não está formada”. A palavra destacada:
Alternativas
Q1957309 Português
Brio das estrelas


   Quanto mais escuro o céu, maior a possibilidade de se ouvir estrelas. Ora, direis... Quantas vezes não conseguimos ver uma saída para os desafios da vida. Aos nossos olhos parece impossível. Mas talvez não aos nossos ouvidos.
     Ainda que o momento seja engolido pela escuridão do desespero, adentrando-se, cada vez mais, à treva da melancolia, há um insólito tinir que aguarda o ouvido atento. Quando estamos cabisbaixos, olhando só para o fundo do poço, talvez não escutemos o que retine no imo do escuro e tenebroso. Assim nos tornamos escravos do abismo e nos afundamos em nós mesmos.
     Todavia, somente a ousadia e o querer mudar nos permitirá olhar para cima e escutar a imensidão de estrelas que aguardam nossa atenção. E é nesse escuro que devemos fixar a mente para percebermos a sinfonia de possibilidades que ecoam. Basta armar-se da intrepidez e novamente crer no céu. Nenhuma nebulosidade será suficiente para demover quem percebe o brilho mais intenso: aquele que refulge no silêncio de nós mesmos.
     E o brio de novas estrelas se fará ouvir, engendrando noites mais serenas, trevas mais sonoras. Então perceberemos que todo dia precisa de uma noite e que toda noite tem estrelas, mesmo que não as enxerguemos, à espera apenas da vontade para apreciá-las.


(MENDONÇA, Tulius – Livro Entreatos – Páginas Editora – p.33)
“Todavia, somente a ousadia e o querer mudar nos permitirá olhar para cima e escutar a imensidão de estrelas que aguardam nossa atenção.” As palavras destacadas são respectivamente: 
Alternativas
Ano: 2022 Banca: VUNESP Órgão: PC-SP Prova: VUNESP - 2022 - PC-SP - Médico Legista |
Q1955363 Português

      Um homem sem perna, agarrando-se numa muleta, parou diante dela e disse:

      – Moça, me dá um dinheiro para eu comer?

      “Socorro!!!” gritou para si mesma ao ver a enorme ferida na perna do homem. “Socorre-me, Deus”, disse baixinho. 

      Estava exposta àquele homem. Estava completamente exposta. Se tivesse marcado com “seu” José na saída da Avenida Atlântica, o hotel onde ficava o cabeleireiro não permitiria que “essa gente” se aproximasse. Mas na Avenida Copacabana tudo era possível: pessoas de toda a espécie. Pelo menos de espécie diferente da dela. “Da dela?” “Que espécie de ela era para ser ‘da dela’?”

      Pensamento do mendigo: “essa dona de cara pintada com estrelinhas douradas na testa, ou não me dá ou me dá muito pouco”. Ocorreu-lhe então, um pouco cansado: “ou dará quase nada”.

      Ela estava espantada: como praticamente não andava na rua – era de carro de porta a porta – chegou a pensar: ele vai me matar? Estava atarantada e perguntou:

      – Quanto é que se costuma dar?

      – O que a pessoa pode dar e quer dar – respondeu o mendigo espantadíssimo.

      Ela, que não pagava salão de beleza, o gerente deste mandava cada mês sua conta para a secretária de seu marido. “Marido”. Ela pensou: o marido o que faria com o mendigo? Sabia que: nada. Eles não fazem nada. E ela – ela era “eles” também.

      Perguntou:

      – Quinhentos cruzeiros basta? É só o que eu tenho.

      O mendigo olhou-a espantado.

      – Está rindo de mim, moça?

      – Eu?? Não estou não, eu tenho mesmo os quinhentos na bolsa... 

      Abriu-a, tirou a nota e estendeu-a humildemente ao homem, quase lhe pedindo desculpas.

      O homem perplexo.

      E depois rindo, mostrando as gengivas quase vazias:

      – Olhe – disse ele –, ou a senhora é muito boa ou não está bem da cabeça... Mas, aceito, não vá dizer depois que a roubei, ninguém vai me acreditar.

      – Eu não tenho trocado, só tenho essa nota de quinhentos.



(Clarice Lispector, “A Bela e a Fera ou a Ferida Grande Demais”. O primeiro beijo e outros contos. Fragmento)


Assinale a alternativa em que o enunciado está em conformidade com a norma-padrão de colocação pronominal.
Alternativas
Ano: 2022 Banca: VUNESP Órgão: PC-SP Prova: VUNESP - 2022 - PC-SP - Médico Legista |
Q1955359 Português

Atrasado e desigual



      Todos os dias, mais de 5.300 piscinas olímpicas de esgoto são despejadas sem tratamento nos rios e no litoral brasileiros. Chocante, o dado dá a dimensão do atraso nacional no saneamento básico, verdadeiro déficit civilizacional que o país segue longe de superar.

      Uma nova radiografia desse fracasso – que, além de afetar a saúde pública e o bem-estar humano, tem consequências deletérias sobre o ambiente – está em ranking do Instituto Trata Brasil.

      Por meio de 12 indicadores, baseados em dados de 2020, o instituto expôs o cenário – e a desigualdade – do saneamento nas cem cidades mais populosas do país.

      Se é verdade que, nesse grupo, 94,4% da população conta com acesso à água tratada, marca próxima da universalização, também é fato que capitais como Porto Velho e Macapá ostentam índices vexaminosos, abaixo de 38%. No país, o atendimento fica em 84,1%.

      Água encanada, ressalte-se, é o quesito em que a situação se encontra melhor. Quando se consideram coleta e tratamento de dejetos, o quadro se mostra desolador.

      A média nacional de coleta de esgoto é de 55%, ante 75,7% na média dos cem maiores municípios. Contudo, apenas duas cidades da amostra, as paulistas Piracicaba e Bauru, atendem 100% de suas populações. Na ponta de baixo, aparece Santarém (PA), onde menos de 5% têm acesso ao serviço. 



(Editorial. Folha de S.Paulo, 22.03.2022. Adaptado)

Considerados os aspectos de pontuação, conjunção, emprego de pronomes e de sentido do texto, assinale a alternativa em que se reescreve corretamente a passagem do 2° parágrafo: Uma nova radiografia desse fracasso – que, além de afetar a saúde pública e o bem-estar humano, tem consequências deletérias sobre o ambiente – está em ranking do Instituto Trata Brasil.
Alternativas
Ano: 2022 Banca: FURB Órgão: FURB - SC Prova: FURB - 2022 - FURB - SC - Fisioterapeuta |
Q1954263 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Internet das coisas: o que é e como funciona

O que você sabe sobre a Internet das Coisas? Já ouviu falar nesse termo antes? Será que é algo novo? É bem provável que você já tenha tido contato com esse modelo de tecnologia em algum momento durante a sua vida.

A expressão foi criada no ano de 1999 por Kevin Ashton, pesquisador britânico do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Sendo assim, é possível perceber que esse conceito não é uma novidade, já existe há mais de 20 anos.


O que é Internet das Coisas?

A Internet das Coisas, em inglês Internet of Things (IoT), é uma referência à habilidade de diferentes tipos de objetos conseguirem estabelecer conexão com a internet - desde eletrodomésticos até carros. Portanto, esses itens conseguem coletar e transmitir dados a partir da nuvem.

Atualmente, já é possível encontrar dispositivos IoT sendo utilizados tanto em situações comuns da vida diária como no âmbito profissional. Desse modo, essas ferramentas tecnológicas estão contribuindo para o acontecimento da transformação digital no mundo.

Os recursos desse modelo de tecnologia estão presentes em diversas áreas, dentre elas, estão os seguintes exemplos:

-Casa: existem inúmeros aparelhos baseados em IoT, por exemplo, a Smart TV, termostatos, geladeiras e fechaduras inteligentes.

-Wearable: são equipamentos "vestíveis", ou seja, acessórios que utilizamos no corpo, como os smartwatches e fones de ouvido.

-Saúde: a tecnologia ajuda na integração com o prontuário do paciente. Com isso, alterações no estado clínico, como na pressão sanguínea e frequência cardíaca são rapidamente atualizadas no registro, otimizando o atendimento médico.

-Agricultura: os sensores IoT ajudam no monitoramento da temperatura, umidade do solo e do ar, ativando automaticamente os sistemas de irrigação, quando necessário.


Como é o funcionamento da IoT?

De maneira resumida, um dispositivo inteligente é equipado com determinados mecanismos que possibilitam a conexão com uma rede, podendo ser tanto Wi-Fi como Bluetooth e dados móveis (3G, 4G e 5G). 

Desde a sua criação até agora, porém, a IoT sofreu vários progressos e passou a agrupar diferentes funções de outras tecnologias aos seus métodos de funcionamento, dentre elas, a Inteligência Artificial (IA).

Desse modo, os objetos conseguem acessar diversas informações armazenadas na nuvem e aprendem com esses dados, já que utilizam os princípios de Machine Learning, ou Aprendizado de Máquina.

Além disso, muitos aparelhos também recorrem ao Processamento de Linguagem Natural (PLN). Por isso, conseguem reconhecer a escrita em idioma humano ou um comando de voz e compreender o objetivo da solicitação, agindo em harmonia com o pedido.

Entretanto, vale ressaltar que, apesar de a IoT ter ligação com a IA, as duas concepções são distintas, cada uma tem as suas próprias particularidades. 


Texto retirado e adaptado de: TECMUNDO. Internet das coisas: entenda o que é e como
funciona. Disponível em: https://www.tecmundo.com.br/internet/230884
-internet-coisas-entenda-funciona.htm Acesso em: 20 mar., 2022.
A respeito dos efeitos de sentido criados por distintos vocábulos no texto "Internet das coisas: o que é e como funciona", assinale a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q1954045 Português

Velha história


        Era uma vez um homem que estava pescando, Maria. Até que apanhou um peixinho! Mas o peixinho era tão pequenininho e inocente, e tinha um azulado tão indescritível nas escamas, que o homem ficou com pena. E retirou cuidadosamente o anzol e pincelou com iodo a garganta do coitadinho. Depois guardou-o no bolso traseiro das calças, para que o animalzinho sarasse no quente. E desde então ficaram inseparáveis. Aonde o homem ia, o peixinho o acompanhava a trote, que nem um cachorrinho. Pelas calçadas. Pelos elevadores. Pelo café. Como era tocante vê-los no "17"! – o homem, grave, de preto, com uma das mãos segurando a xícara de fumegante moca, com a outra lendo o jornal, com a outra fumando, com a outra cuidando do peixinho, enquanto este, silencioso e levemente melancólico, tomava laranjada por um canudinho especial...

        Ora, um dia o homem e o peixinho passeavam à margem do rio onde o segundo dos dois fora pescado. E eis que os olhos do primeiro se encheram de lágrimas. E disse o homem ao peixinho:

        “Não, não me assiste o direito de te guardar comigo. Por que roubar-te por mais tempo ao carinho do teu pai, da tua mãe, dos teus irmãozinhos, da tua tia solteira? Não, não e não! Volta para o seio da tua família. E viva eu cá na terra sempre triste!...”

        Dito isso, verteu copioso pranto e, desviando o rosto, atirou o peixinho n’água. E a água fez redemoinho, que foi depois serenando, serenando até que o peixinho morreu afogado...

(Mario Quintana. Eu passarinho. São Paulo: Ática, 2014)

Aonde o homem ia, o peixinho o acompanhava a trote, que nem um cachorrinho. (1º parágrafo)


Considerando o contexto, os termos sublinhados constituem, respectivamente,

Alternativas
Q1954041 Português

Atenção: Para responder à questão, considere um trecho do romance Quincas Borba, de Machado de Assis. 


        Rubião fitava a enseada, – eram oito horas da manhã. Quem o visse, com os polegares metidos no cordão do chambre, à janela de uma grande casa de Botafogo, cuidaria que ele admirava aquele pedaço de água quieta; mas, em verdade, vos digo que pensava em outra coisa. Cotejava o passado com o presente. Que era, há um ano? Professor. Que é agora? Capitalista. Olha para si, para as chinelas (umas chinelas de Túnis, que lhe deu recente amigo, Cristiano Palha), para a casa, para o jardim, para a enseada, para os morros e para o céu; e tudo, desde as chinelas até o céu, tudo entra na mesma sensação de propriedade.

        – Vejam como Deus escreve direito por linhas tortas, pensa ele. Se mana Piedade tem casado com Quincas Borba, apenas me daria uma esperança colateral. Não casou; ambos morreram, e aqui está tudo comigo; de modo que o que parecia uma desgraça...

        Que abismo que há entre o espírito e o coração! O espírito do ex-professor, vexado daquele pensamento, arrepiou caminho, buscou outro assunto, uma canoa que ia passando; o coração, porém, deixou-se estar a bater de alegria. Que lhe importa a canoa nem o canoeiro, que os olhos de Rubião acompanham, arregalados? Ele, coração, vai dizendo que, uma vez que a mana Piedade tinha de morrer, foi bom que não casasse; podia vir um filho ou uma filha... – Bonita canoa! – Antes assim! – Como obedece bem aos remos do homem! – O certo é que eles estão no Céu!

        Um criado trouxe o café. Rubião pegou na xícara e, enquanto lhe deitava açúcar, ia disfarçadamente mirando a bandeja, que era de prata lavrada. Prata, ouro, eram os metais que amava de coração; não gostava de bronze, mas o amigo Palha disse-lhe que era matéria de preço, e assim se explica este par de figuras que aqui está na sala, um Mefistófeles e um Fausto. Tivesse, porém, de escolher, escolheria a bandeja, – primor de argentaria, execução fina e acabada.

(Machado de Assis. Quincas Borba. São Paulo: Companhia das Letras, 2012)

Um criado trouxe o café. Rubião pegou na xícara e, enquanto lhe deitava açúcar, ia disfarçadamente mirando a bandeja, que era de prata lavrada. (4º parágrafo)


Os termos sublinhados referem-se, respectivamente, a

Alternativas
Q1953761 Português

COMO ATINGIR UM SUPERENVELHECIMENTO?


Por que algumas pessoas mais velhas permanecem mentalmente ágeis, enquanto outras não? “Superagers” – termo criado pelo neurologista Marsel Mesulam, que denomina pessoas com um envelhecimento saudável, ativo e produtivo – são aqueles cuja memória e atenção não estão apenas acima da média para a sua idade, mas estão realmente como a de pessoas de 25 anos saudáveis e ativas. No Hospital Geral de Massachusetts (EUA), foi estudado recentemente os “Superagers” para entender o que os faz assim tão fortes mentalmente.

O laboratório do hospital americano utilizou ressonância magnética funcional para fazer a varredura e comparar os cérebros de 17 dessas pessoas mais velhas e mentalmente ágeis com os de outras pessoas de idade similar, mas apresentando envelhecimento padrão. Foi identificado um conjunto de regiões cerebrais que distinguem os dois grupos. Essas regiões eram mais finas para os mais velhos com envelhecimento padrão, um resultado da atrofia relacionada com a idade. Mas, nos indivíduos com um superenvelhecimento, as regiões cerebrais eram indistinguíveis daquelas de adultos jovens – aparentemente intocadas pelos sinais do tempo.

Quais são essas regiões cruciais do cérebro? Se você pedisse à maioria dos cientistas para adivinhar, eles poderiam nomear regiões que são pensadas como “cognitivas” ou dedicadas ao pensamento, como o córtex pré-frontal lateral. No entanto, isso não é o que foi encontrado. Quase toda a ação foi em regiões “emocionais”, como o giro do cíngulo médio do córtex e a porção anterior da ínsula.

O laboratório não foi surpreendido por esta descoberta, porque a neurociência moderna desacreditou da noção de que há uma distinção entre as regiões “cognitivas” e “emocionais” do cérebro. A pesquisa demonstra que essas regiões principais atuam significativamente para um superenvelhecimento. Quanto mais grossas são essas regiões do córtex, melhor o desempenho de uma pessoa em testes de memória e atenção, como memorizar uma lista de substantivos e relembrá-la 20 minutos depois.

Quais as atividades, se houver, que aumentariam suas chances de permanecer mentalmente afiado na velhice? Esta questão ainda é estudada, mas a melhor resposta no momento é: trabalhar ou se empenhar duro em algo. Muitos laboratórios observaram que essas regiões críticas do cérebro aumentam sua atividade quando as pessoas realizam tarefas difíceis, quer o esforço seja físico ou mental. Você pode, portanto, ajudar a manter essas regiões espessas e saudáveis através de exercício vigoroso e ataques de esforço mental extenuante.

No entanto, a estrada para um superenvelhecimento é difícil porque estas regiões do cérebro têm outra propriedade intrigante: quando aumentam sua atividade, você tende a se sentir consideravelmente mal – cansado, frustrado. Pense na última vez que você lutou com um problema de matemática ou empurrou-se para seus limites físicos. O trabalho duro faz você se sentir mal no momento. O Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos tem um lema que incorpora este princípio: “A dor é a fraqueza deixando o corpo”. Ou seja, o desconforto do esforço significa que você está construindo músculo e disciplina. Os “superagers” são como fuzileiros navais: eles se sobressaem ao não desistir de uma atividade por causa do desagrado temporário do esforço intenso.

Estudos sugerem que o resultado é um cérebro mais jovem, que ajuda a manter uma memória mais nítida e uma maior capacidade de prestar atenção. Isso significa que quebra-cabeças agradáveis como o Sudoku não são suficientes para proporcionar os benefícios de um superenvelhecimento. Nem os sites populares de “jogos cerebrais”. Você deve fazer uma atividade que exija bastante esforço, tipo “Faça-a até que doa, e então um pouco mais”.

À medida que as pessoas envelhecem, a pesquisa mostra que se cultiva a felicidade evitando situações desagradáveis. Isso às vezes é uma boa ideia, como quando você evita um vizinho rude. Mas se as pessoas contornarem consistentemente o desconforto do esforço mental ou físico, esta restrição pode ser prejudicial para o cérebro, pois o seu tecido se torna mais fino com o desuso. Se você não usá-lo, você o perderá.

Então, assuma uma atividade desafiadora. Aprenda uma língua estrangeira. Faça um curso universitário on-line. Domine um instrumento musical. Trabalhe seu cérebro.

(www.essentialnutrition.com.br/conteudos/superenvelh ecimento)

No trecho: “Quanto mais grossas são essas regiões do córtex, melhor o desempenho de uma pessoa em testes de memória e atenção, como memorizar uma lista de substantivos e relembrá-la 20 minutos depois.”, o termo em destaque faz referência ao vocábulo:
Alternativas
Q1953450 Português
“O gingar é a essência da capoeira” A função gramatical do vocábulo em destaque é:
Alternativas
Q1953448 Português
Assinale a alternativa que contenha um pronome pessoal em destaque.
Alternativas
Q1953349 Português

        Minha primeira tentativa de ler Dom Quixote de la Mancha, de Miguel de Cervantes, foi um fracasso. Eu ainda estava na escola e me confundia com as frases longas e as palavras antigas. Acabei desistindo.

        Anos depois, li do começo ao fim, desfrutando cada página da história daquela dupla inusitada: o cavaleiro idealista determinado a transformar a realidade para que se assemelhe à de seus livros e seus sonhos; e o escudeiro pragmático que tenta manter seu mestre na dura realidade para que ele não se perca nas nuvens da fantasia.

        Tudo é deslumbrante nesse livro, que simboliza melhor do que qualquer outro a infinita variedade da língua espanhola para expressar a condição humana com todas as nuances, a fantasia que leva o ser humano a transformar a vida. Em outras palavras, a forma como a literatura nos defende da frustração, do fracasso e da mediocridade.

        O mundo estreito e provinciano de La Mancha, pelo qual Dom Quixote e Sancho fazem sua peregrinação, pouco a pouco se torna, graças à coragem do determinado cavaleiro andante, um universo de aventuras insólitas, em que se entrelaçam audácia, absurdo e humor, para nos mostrar como a imaginação pode transformar o tédio em aventura e converter o cotidiano em uma peripécia inusitada em que se alternam o maravilhoso, o milagroso, o patético – todos os matizes de que se faz a vida.

        Em livro recente, o crítico Santiago Muñoz Machado analisa as biografias mais importantes do escritor Miguel de Cervantes para saber em que sociedade surgiu Dom Quixote. O leitor da obra de Muñoz Machado encontrará tudo: o aparato jurídico que reinava na Espanha enquanto Cervantes escrevia as aventuras de Dom Quixote, as festas populares, a propagação da feitiçaria, os crimes da Inquisição, a vida elevada dos artistas, a mentalidade militar à sombra da Coroa.

        Cervantes era um homem simples e miserável, aparentemente desde muito jovem. No começo da vida, um crime o leva para a Itália. Como todos os humildes, ele se torna soldado. E guerreia em Lepanto contra os turcos, quando não deveria, por causa de condição de que sofria. E, então, devido a raptores berberiscos, ele passou cinco anos em Argel, onde deve ter sofrido o indescritível, sobretudo depois de suas tentativas de fuga. Padres trinitarianos o salvaram, pagando seu resgate. Na Espanha, tentou ir para a América, mas o Estado sequer respondeu às suas cartas. Ou seja, com ele tudo acontecia de maneira tal que ele poderia muito bem se tornar ressentido. E, no entanto, a generosidade e a hombridade de Cervantes estão mais do que garantidas. Era um homem sem remorso, preocupado em elevar a vida de seus concidadãos. Um homem bom e idealista.

        Quando li Dom Quixote, já havia muito tempo que lia romances de cavalaria, nos quais o formalismo tentava frear os excessos da época. Sob a ferocidade das batalhas, surgiu um mundo de paz e ordem, segundo um plano rígido destinado a acabar com a espontaneidade que mostrava o mundo como ele é: pútrido e irremediável. Será que, depois de tanto sofrer na vida, Cervantes também não tivesse buscado a mesma coisa?

(Adaptado de: LLOSA, Mario Vargas. Disponível em: www.cultura.estadao.com.br. Acessado em: 05.05.2022) 

Tudo é deslumbrante nesse livro, que simboliza melhor do que qualquer outro a infinita variedade da língua espanhola para expressar a condição humana com todas as nuances, a fantasia que leva o ser humano a transformar a vida.


Os termos sublinhados acima constituem, respectivamente,  

Alternativas
Respostas
4321: B
4322: B
4323: E
4324: C
4325: E
4326: E
4327: D
4328: C
4329: A
4330: B
4331: B
4332: A
4333: A
4334: B
4335: E
4336: D
4337: E
4338: A
4339: A
4340: E