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Questões de Concurso Comentadas sobre morfologia - pronomes em português

Questões Discursivas

Foram encontradas 10.461 questões

Q2118295 Português
Leia o texto para responder a questão.

Tempo incerto

        A minha esperança estava no fim do mundo, com anjos descendo do céu; anjos suaves e anjos terríveis; os suaves para conduzirem os que se sentarão à direita de Deus, e os terríveis para os que se dirigem ao lado oposto. Mas até o fim do mundo falhou; até os profetas se enganam, a menos que as rezas dos justos tenham podido adiar a catástrofe que, afinal, seria também uma apoteose. E assim continuaremos a quebrar a cabeça com estes enigmas cotidianos.
        No tempo de Molière, quando um criado dava para pensar, atrapalhava tudo. Mas agora, além dos criados, pensam os patrões, as patroas, os amigos e inimigos de uns e de outros e todo o resto da massa humana. E não só pensam, como também pensam que pensam! E além de pensarem que pensam, pensam que têm razão! E cada um é o detentor exclusivo da razão!
        Pois de tal abundância de razão é que se faz a loucura. Os pedestres pensam que devem andar pelo meio da rua. Os motoristas pensam que devem pôr os veículos nas calçadas. Até os bondes, que mereciam a minha confiança, deram para sair dos trilhos. Os analfabetos, que deviam aprender, ensinam! Os ladrões vestem-se de policiais, e saem por aí a prender os inocentes! Os revólveres, que eram considerados armas perigosas, e para os quais se olhava a distância, como quem contempla a Revolução Francesa ou a Guerra do Paraguai – pois os revólveres andam agora em todos os bolsos, como troco miúdo. E a vocação das pessoas, hoje em dia, não é para o diálogo com ou sem palavras, mas para balas de diversos calibres. Perto disso, a carestia da vida é um ramo de flores. O que anda mesmo caro é a alma. E o Demônio passeia pelo mundo, glorioso e impune.
(Cecília Meireles, Escolha o seu Sonho)
Assinale a alternativa em que a colocação pronominal está em conformidade com a norma-padrão.
Alternativas
Q2118294 Português
Leia o texto para responder a questão.

Tempo incerto

        A minha esperança estava no fim do mundo, com anjos descendo do céu; anjos suaves e anjos terríveis; os suaves para conduzirem os que se sentarão à direita de Deus, e os terríveis para os que se dirigem ao lado oposto. Mas até o fim do mundo falhou; até os profetas se enganam, a menos que as rezas dos justos tenham podido adiar a catástrofe que, afinal, seria também uma apoteose. E assim continuaremos a quebrar a cabeça com estes enigmas cotidianos.
        No tempo de Molière, quando um criado dava para pensar, atrapalhava tudo. Mas agora, além dos criados, pensam os patrões, as patroas, os amigos e inimigos de uns e de outros e todo o resto da massa humana. E não só pensam, como também pensam que pensam! E além de pensarem que pensam, pensam que têm razão! E cada um é o detentor exclusivo da razão!
        Pois de tal abundância de razão é que se faz a loucura. Os pedestres pensam que devem andar pelo meio da rua. Os motoristas pensam que devem pôr os veículos nas calçadas. Até os bondes, que mereciam a minha confiança, deram para sair dos trilhos. Os analfabetos, que deviam aprender, ensinam! Os ladrões vestem-se de policiais, e saem por aí a prender os inocentes! Os revólveres, que eram considerados armas perigosas, e para os quais se olhava a distância, como quem contempla a Revolução Francesa ou a Guerra do Paraguai – pois os revólveres andam agora em todos os bolsos, como troco miúdo. E a vocação das pessoas, hoje em dia, não é para o diálogo com ou sem palavras, mas para balas de diversos calibres. Perto disso, a carestia da vida é um ramo de flores. O que anda mesmo caro é a alma. E o Demônio passeia pelo mundo, glorioso e impune.
(Cecília Meireles, Escolha o seu Sonho)
Identifica-se pronome demonstrativo no trecho:
Alternativas
Q2118247 Português
Leia o texto para responder a questão.

Fumaça proibicionista

         Os cigarros eletrônicos encontram-se à venda em toda parte pelo Brasil. Entram no país por meio de contrabando, crime que as autoridades têm notória dificuldade em combater.

        As danosas engenhocas se tornaram bem populares entre adolescentes. Além de simbolizar status social, carregam como atrativo a adição de sabores de fruta ou refrescantes ao líquido vaporizado.

    Em mais de uma década de proibição no território nacional, autoridades se mostraram impotentes em coibir a comercialização. Renovar a proibição, apenas, não terá o condão de produzir tal resultado.

        Informar, restringir e desestimular o consumo pode ser mais produtivo que tentar erradicá-lo. Com álcool e outras drogas, o proibicionismo já se comprovou ineficaz e de alto custo social.

        A solução racional é regulamentar o uso adulto, dado que não cabe ao Estado determinar o que indivíduos autônomos decidem sobre o próprio corpo. Mas há que prover meios para a fiscalização de normas rigorosas quanto a teores e vendas, além de campanhas educativas sobre malefícios à saúde.

(Editorial. Folha de S.Paulo, 07.07.2022. Adaptado) 
A colocação pronominal atende à norma-padrão em:
Alternativas
Q2117755 Português
Leia o texto para responder à questão.

Redes sem lei

   A esta altura estão mapeados os dissabores trazidos pelas redes sociais ao cotidiano social e político das nações. Se a dominância dessas plataformas digitais impulsionou e adensou as interações entre as pessoas em escala planetária, de outro lado acarretou oligopolização, manipulação dos fatos, fraudes e assédio também em profusão.
   Testemunha e vítima dessa faceta ameaçadora das mídias sociais, perseguida pelo governo autoritário de Rodrigo Duterte nas Filipinas, a jornalista Maria Ressa, Nobel da Paz de 2021, descreveu-as em entrevista à Folha como “uma bomba atômica que explodiu em nosso ecossistema de informação”.
    O mecanismo de reiterações labirínticas empregado pelos algoritmos, ao premiar os discursos ofensivos e as elucubrações fantásticas e mentirosas, estaria minando as bases da própria democracia, como os sistemas de pesos e contrapesos, de acordo com Ressa.
      Ilegalidades que não se praticavam na mesma extensão e profundidade antes da hegemonia das redes sociais tornaram-se lugar-comum. As autoridades incumbidas de fazer cumprir a lei onde quer que seja ainda comem poeira quando se trata dessas plataformas.
     Corresponsabilizá-las pelos crimes cometidos por meio dos seus serviços é providência básica para limpar o terreno bárbaro. Também é elementar evitar que seu enorme poderio de mercado seja usado para esterilizar a competição, pela qual poderão florescer opções de melhor qualidade informativa.
      Não há dúvida de que o combate ao turbilhão de falsificações oportunistas que jorra nas redes passa pelo exercício do jornalismo profissional, que questiona os poderosos com base na apuração e na publicação de fatos objetivamente verificáveis e se exerce em praça pública, não nos escaninhos ensimesmados das aldeias digitais.
        A sociedade aos poucos vai percebendo que não se substitui jornalista por influencer sem dano ao patrimônio comum da civilização.
(Editorial. Folha de S.Paulo, 25.06.2022. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o enunciado atende à norma-padrão quanto à colocação pronominal.
Alternativas
Q2117742 Português

Leia a tira.


Imagem associada para resolução da questão

(M. Schulz, “Minduim Charles”. https://cultura.estadao.com.br/ quadrinhos. 28.08.2022. Adaptado)



De acordo com a norma-padrão, as lacunas da tira devem ser preenchidas, respectivamente, com: 

Alternativas
Q2117704 Português

Leia a tira para responder a questão..


(Charles M. Schulz. Snoopy. Assim é a vida, Charlie Brown. L&PM Pocket, 2007)

Na frase “Faltei à escola ontem porque estava resfriada”, o trecho em destaque pode ser corretamente substituído, sem prejuízo da correção gramatical e do sentido original da tira, por
Alternativas
Q2116961 Português
Assinale a alternativa que preenche, na sequência, as lacunas do texto a seguir, de acordo com a norma-padrão de concordância e colocação pronominal.
_________________ as condições que envolvem o conflito, não __________________ descartar questões de soberania, as quais ________________ na discussão de soluções o mais _____________________  conciliadoras. 
Alternativas
Q2116959 Português

Leia o texto, para responder à questão.


    Nas últimas semanas, o cenário no TikTok mudou. Entre dancinhas, piadas, dicas de moda e receitas improváveis, estão tiros, tanques e bombas. Com forte apelo visual, aura de consumo instantâneo e algoritmo de recomendações afiado, o app chinês de vídeos curtos virou uma das mais importantes fontes de imagens da guerra na Ucrânia. Em uma batalha travada também no meio digital, a plataforma passou a moldar e a influenciar o conflito de maneira tão veloz quanto zapear pelo aplicativo.

     Em 24 de fevereiro, quando o país foi invadido, perfis de cidadãos nativos transmitiram ao vivo o ataque. Fileiras de tanques, colunas de fumaça e explosões se infiltraram na plataforma – e as visualizações pularam para os milhões com o crescimento da apreensão global. Inevitavelmente, as imagens se espalharam por outras redes sociais, com ângulos exclusivos que nenhum veículo de mídia do mundo pode oferecer.

     Com a ascensão do TikTok, os recursos como texto e fotos perdem o protagonismo para os vídeos curtos feitos rapidamente com o celular. O poder da imagem durante uma guerra sempre foi decisivo para a mobilização popular: de corpos de soldados americanos no Vietnã a até as explosões captadas pela CNN na Guerra do Golfo.

    No TikTok, a comoção acontece também porque os vídeos revelam a rotina de cidadãos tentando viver em meio ao conflito. É uma janela para lembrar que, por trás da decisão de líderes políticos, existem pessoas normais – a identificação entre quem vê os vídeos e quem produz os vídeos é imediata.

(Bruna Arimathea, Bruno Romani, Guilherme Guerra, TikTok molda a narrativa da guerra na Ucrânia. O Estado de S.Paulo, 06-03-22. Adaptado)

     Para responder a esta questão, considere os trechos destacados nas seguintes passagens.

    ... o app chinês de vídeos curtos virou uma das mais importantes fontes de imagens da guerra na Ucrânia.

       as visualizações pularam para os milhões com o crescimento da apreensão global.

        a identificação entre quem vê os vídeos e quem produz os vídeos é imediata.

A alternativa que apresenta, nos colchetes, substituição do trecho destacado empregando os pronomes de acordo com a norma-padrão é: 
Alternativas
Q2116951 Português
Leia o texto, para responder a questão.

        Desde o fim do século XVIII, o ser humano tenta usar a tecnologia para replicar a voz. O exemplo mais antigo de que se tem notícia é o dispositivo criado por Wolfgang von Kempelen, oficial da corte austríaca e inventor amador. A máquina falante de Kempelen, como ficou conhecida, usava um fole, tubos, pedaços de madeira e uma caixa de ressonância para replicar a emissão vocal a partir da circulação de ar – é mais ou menos o mesmo processo do corpo humano. O sistema, embora primitivo, era capaz de emitir alguns fonemas e até palavras simples, como “mama” e “papa”. Duzentos e cinquenta anos depois da invenção de Kempelen, a tecnologia de reprodução da voz humana avançou tanto que, agora, é quase impossível para um leigo diferenciar um discurso real, feito por uma pessoa de carne, osso e cordas vocais, de outro criado em computador.
        O notável desenvolvimento de vozes sintéticas deu origem, por sinal, a um mercado bilionário – e perigoso. De acordo com dados do instituto de pesquisa MarketsandMarkets, o setor movimentou 8,3 bilhões de dólares em 2021 e deverá alcançar 22 bilhões de dólares até 2026. É uma área que inclui assistentes virtuais como Siri e Alexa, sistemas de atendimento virtual de bancos e até celebridades que emprestam a voz para aplicativos. O perigo reside na possibilidade de replicar vozes reais para, por exemplo, fins políticos, fraudes ou ataques a reputações.
      No vale-tudo da arena política, as vozes sintéticas podem causar enormes estragos. O cineasta Jordan Peele, do aclamado Corra!, criou um vídeo do ex-presidente Barack Obama usando a tecnologia deepfake, que mescla imagens reais com falas falsas, para alertar sobre os riscos. “Estamos entrando em uma era em que nossos inimigos podem fazer com que qualquer um pareça dizer qualquer coisa”, disse a voz fake de Obama.
       Nesse contexto, plataformas como WhatsApp e Telegram, nas quais mensagens de áudio são amplamente usadas, representam um perigo adicional.
           A tecnologia tem sido explorada também na área da saúde. Foi graças aos avanços na criação de vozes sintéticas que o ator Val Kilmer, vitimado por um câncer na garganta, recuperou parte da capacidade de se expressar. As novas tecnologias, vale ressaltar, são capazes de realizar feitos únicos – e positivos. O que não é certo é usá-la para propagar mentiras. Cada vez mais será preciso manter os ouvidos bem atentos.

(André Sollitto, Voz ativa. Veja, 23.02.2022. Adaptado)
Assinale a alternativa que substitui, de acordo com a norma-padrão e respectivamente, os trechos destacados no primeiro e no terceiro parágrafo do texto:
•  O exemplo mais antigo de que se tem notícia... •  “Estamos entrando em uma era em que nossos inimigos podem fazer com que qualquer um pareça dizer qualquer coisa”.
Alternativas
Q2116909 Português
A desafiadora etapa do ensino na pré-adolescência

    Quem acompanha o crescimento de uma criança sabe que uma das fases em que ocorre a maior transformação é a pré-adolescência, período entre os 11 anos e 14 anos. Grandes mudanças físicas, emocionais e comportamentais na passagem da infância para o início da puberdade desafiam todos: aqueles que passam por ela e também os que estão próximos, como família e amigos.
    Neste contexto estão os estudantes dos anos finais do ensino fundamental – também conhecido por fundamental 2 e compreendido entre o 6o e o 9o anos. Essa etapa é uma das mais complexas da educação e precisa urgentemente ser priorizada nas políticas públicas em busca de soluções práticas. São 12 milhões de estudantes.
    Os desafios já começam na transição do 5o para o 6o ano. Há uma ruptura significativa quando estudantes deixam de ter vínculo com apenas um professor, para se relacionar com diversos docentes especialistas. Além disso, é quando os alunos se transferem de escolas e, muitas vezes, de rede municipal para a estadual. Para que a transição ocorra com sucesso, recomenda-se construir um sentimento de pertencimento à nova fase.

(Angela Dannemann. O Estado de S.Paulo, 29 de agosto de 2022. Adaptado) 
Identifica-se pronome demonstrativo no trecho:
Alternativas
Q2116810 Português
Assinale a alternativa em que o termo entre parênteses substitui corretamente a expressão.
Alternativas
Q2116759 Português
• Como podemos agir rápido, principalmente nas escolas  de periferia, _________ o domínio das ferramentas tecnológicas é ainda mais incipiente? Como usar a tecnologia para buscar a equidade?

Assinale a alternativa que completa, corretamente, a lacuna. 
Alternativas
Q2116755 Português

Leia a tirinha.


Imagem associada para resolução da questão


Assinale a alternativa que completa, corretamente, as lacunas das frases.

Alternativas
Q2116754 Português
    Há 18 meses, todas as escolas do País fecharam as portas, o ensino remoto e mediado pela tecnologia foi o único caminho possível para que o aprendizado não fosse paralisado. O uso das ferramentas tecnológicas, que ainda engatinhava no sistema educacional brasileiro, foi disseminado. Mas do jeito que deu.
    Você e outros especialistas são categóricos ao afirmar que, por mais sedutora e avançada que pareça, nenhuma s olução tecnológica é capaz de substituir a mediação humana na educação. Acreditou-se que isso seria possível?
    Havia a ilusão, principalmente no mundo das empre sas de tecnologia, de que, quando o aluno pudesse estudar no seu tempo e no lugar que escolhesse, isso o liberaria das amarras da educação tradicional, iria personalizar a educação. Isso foi um grande fracasso, porque o que determina a quali dade da educação é a pedagogia, não a tecnologia.
    Pesquisas mostram que, para as crianças, a mediação humana é muito importante. Nessa fase, não se aprendem somente conteúdos, mas também práticas de aprendizagem. Ainda se está aprendendo a aprender, ou seja, como monitorar o próprio aprendizado, quais fontes de conhecimento são mais adequadas para diferentes situações. Quando você é adulto e faz um mestrado a distância, tais habilidades já estão estabelecidas, por isso um modelo de aprendizagem autônomo funciona. O que vemos nas pesquisas é que, para alunos com melhor desempenho, a questão entre usar ou não o ensino digital representa pouca diferença. Já para os estudantes com mais dificuldade, a transição do modo presencial para o remoto ou híbrido é mais difícil; eles precisam mais da mediação humana. Não podemos tratar todos os alunos da mesma forma. Se a gente está pensando em soluções híbridas, precisa desenhar mecanismos de compensação, como tutoriais e diagnósticos mais rápidos.
    O professor deve estar no centro do processo que mescla interação e aprendizado mediado pela tecnologia. Ele é o maestro que combina diferentes mídias e formas de aprendizagem. Por isso, me preocupo bastante com sistemas que pensam em fórmulas únicas de ensino híbrido.
    Quais ações práticas as redes de ensino devem adotar para manter professores em sintonia com o universo digital?
É preciso criar uma integração com universidade, terceiro setor, governo… Tudo para gerar pesquisa e programas para formação de professores e gestores. Há 15 anos, dar formação em tecnologia educacional era fácil. Você ensinava o professor a usar duas tecnologias e pronto. Hoje a exigência é um treinamento muito avançado. As teorias educacionais continuam com seu papel essencial, podendo agora se v aler do universo digital para complementar o que já sabemos s obre aprendizagem humana e expandir nossas possibilidades. Por isso, volto a frisar: o professor, que deve ser o arquiteto das experiências de aprendizagem, tem de conhecer as ferramentas tecnológicas para aplicar um sólido desenho pedagógico.

(O Estado de S.Paulo, 24 set. 2021. Adaptado) 
Considerando o emprego e a colocação pronominal, assinale a alternativa em que as palavras ou expressões em destaque na frase apresentam-­se corretamente substituídas no parêntese.
Alternativas
Q2114348 Português
Os saltos da natureza

    “Natura non facit saltus” (a natureza não dá pulos). A frase é do filósofo alemão Leibniz, mas quem a popularizou foi Charles Darwin, que a repete seis vezes em “A Origem das Espécies”. Não é para menos. A lição fundamental do darwinismo é que a evolução ocorre através de pequenas modificações que se acumulam na profundidade do tempo geológico. Todavia, quando se discute o lugar do homem no mundo biológico, esquecemos esse princípio e embarcamos em narrativas que nos colocam no ápice da criação.
      Esse suposto excepcionalismo humano fica escancarado na questão da consciência. Por muito tempo a descrevemos como atributo exclusivamente humano. Melhores e mais recentes pesquisas, entretanto, vão revelando que não é bem assim. Ainda que bichos não se mostrem capazes de perguntar pelo sentido da vida, há indícios de que boa parte do reino animal apresenta algum grau de consciência.
       O livro “Super Fly” (supermosca), de Jonathan Balcombe, estende esse esforço aos Diptera, ordem que inclui moscas, mosquitos, mutucas e borrachudos. O autor descreve vários experimentos sugestivos de que até as modestas moscas de fruta são capazes de comportamentos flexíveis e com intencionalidade – marcas da consciência. Parentes delas, três tipos de formiga passariam até no teste de se reconhecer no espelho, categoria em que está a elite intelectual da bicharada, representada por humanos, chimpanzés, golfinhos e mais poucas espécies.
      As repercussões desses achados para a ética não são desprezíveis. Fica mais difícil encontrar limites naturais para definir quais animais devem ser objeto de nossa consideração moral e quais não precisam. Qualquer decisão aí soará caprichosamente arbitrária.
       Os Diptera saem em desvantagem. Eles não despertam muita solidariedade humana. Não sem motivos. Metade de todos os diagnósticos clínicos de doenças feitos no mundo tem insetos como agente causador, a maior parte mosquitos.

(Hélio Schwartsman. https://www1.folha.uol.com.br. 09.07.2022. Adaptado)
Com a mudança da posição do pronome conforme indicado nos parênteses, a frase permanece de acordo com a norma-padrão de colocação pronominal em:
Alternativas
Q2114302 Português
    Enquanto os deuses dormem, ou fingem dormir, as pessoas caminham. É dia de feira neste povoado perdido nos arredores de Totonicapán e o vaivém é grande. De outras aldeias chegam mulheres carregando pacotes pelas veredas verdes. Elas se encontram na feira, hoje aqui, amanhã acolá, neste povoado e em outro, como dentes que vão rumo à boca, e conversando vão sabendo das novidades, lentamente, enquanto vendem, pouco a pouco, uma coisinha ou outra.
      Uma velha senhora estende seu lenço no chão e ali deita sua mercadoria: defumador feito de um cacto chamado nopal, tinturas de anil e de cochonilha, algumas pimentas bem picantes, ervas coloridas, um jarro de mel silvestre, uma boneca de pano e um boneco de barro pintado, faixas, cordões, fitas, colares de sementes, pentes de osso, espelhinhos...
       Um turista, recém-chegado à Guatemala, quer comprar tudo. Como ela não entende, ele explica com as mãos: tudo. Ela nega com a cabeça. Ele insiste: você me diz quanto quer, eu digo quanto pago. E repete: compro tudo. Fala cada vez mais alto. Grita. Ela, estátua sentada, se cala.
      O turista, exausto, vai embora. Pensa: Este país não vai chegar a lugar nenhum. Ela vê como ele se afasta. Pensa: Minhas coisas não querem ir embora com você.

(Eduardo Galeano, Bocas do Tempo)
Leia os trechos e assinale a alternativa em que as expressões em destaque foram reescritas de acordo com a norma-padrão de emprego e colocação pronominal.
•  De outras aldeias chegam mulheres carregando pacotes... •  ...e ali deita sua mercadoria...
Alternativas
Q2112318 Português

     Os que se empenham em examinar as ações humanas jamais ficam tão atrapalhados como para juntá-las e apresentá-las sob a mesma luz, pois comumente elas se contradizem de modo tão estranho que parece impossível que venham da mesma matriz. O jovem Mário ora parece filho de Marte, ora filho de Vênus. Dizem que o papa Bonifácio VIII assumiu seu cargo como uma raposa, portou-se como um leão e morreu como um cão. E quem diria que foi Nero, essa verdadeira imagem da crueldade, quem respondeu, quando lhe apresentaram para assinar, seguindo a praxe, a sentença de um criminoso condenado: “Prouvera a Deus que eu jamais tivesse aprendido a escrever”, de tal forma lhe apertava o coração condenar à morte um homem? Tudo está tão cheio de exemplos assim, e até mesmo qualquer um de nós pode encontrar tantos outros por si mesmo, que estranho ver gente de bom senso ter às vezes trabalho para juntar essas peças, visto que a irresolução me parece o vício mais comum e aparente de nossa natureza.


(MONTAIGNE, Michel de. Os ensaios: uma seleção. São Paulo: Companhia das Letras, 2010)

quando lhe apresentaram para assinar de tal forma lhe apertava o coração
 Os pronomes sublinhados acima referem-se, respectivamente, a
Alternativas
Q2103261 Português
O jargão

   Nenhuma figura é tão fascinante quanto o Falso Entendido. É o cara que não sabe nada de nada, mas sabe o jargão. E passa por autoridade no assunto. Um refinamento ainda maior da espécie é o tipo que não sabe nem o jargão. Mas inventa.
   – Ó Matias, você entende de mercado de capitais…
   – Nem tanto, nem tanto…
   (Uma das características do Falso Entendido é a falsa modéstia.)
   – Você, no momento, aconselharia que tipo de aplicação?
   – Bom. Depende do yield pretendido, do throwback e do ciclo refratário. Na faixa de papéis top market – ou o que nós chamamos de topi-maque –, o throwback recai sobre o repasse e não sobre o release, entende?
    – Francamente, não.
    Aí o Falso Entendido sorri com tristeza e abre os braços como quem diz “É difícil conversar com leigos…”.
   Uma variação do Falso Entendido é o sujeito que sempre parece saber mais do que ele pode dizer. A conversa é sobre política, os boatos cruzam os ares, mas ele mantém um discreto silêncio. Até que alguém pede a sua opinião e ele pensa muito antes de se decidir a responder:
   – Há muito mais coisa por trás disso do que vocês pensam…
   Ou então, e esta é mortal:
   – Não é tão simples assim…
   Faz-se aquele silêncio que precede as grandes revelações, mas o falso informado não diz nada. Fica subentendido que ele está protegendo as suas fontes em Brasília.
   E há o falso que interpreta. Para ele tudo o que acontece deve ser posto na perspectiva de vastas transformações históricas que só ele está sacando.
   – O avanço do socialismo na Europa ocorre em proporções diretas ao declínio no uso da gordura animal nos países do Mercado Comum. Só não vê quem não quer.
  E se alguém quer mais detalhes sobre a sua insólita teoria ele vê a pergunta como manifestação de uma hostilidade bastante significativa a interpretações não ortodoxas, e passa a interpretar os motivos de quem o questiona, invocando a Igreja medieval, os grandes hereges da história, e vocês sabiam que toda a Reforma se explica a partir da prisão de ventre de Lutero?
   Mas o jargão é uma tentação. Eu, por exemplo, sou fascinado pela linguagem náutica, embora minha experiência no mar se resuma a algumas passagens em transatlânticos onde a única linguagem técnica que você precise saber é “Que horas servem o bufê?”. Nunca pisei num veleiro e se pisasse seria para dar vexame na primeira onda. Eu enjoo em escada rolante. Mas, na minha imaginação, sou um marinheiro de todos os calados. Senhor de ventos e de velas e, principalmente, dos especialíssimos nomes de equipagem.
   Me imagino no leme do meu grande veleiro, dando ordens à tripulação:
   – Recolher a traquineta!
   – Largar a vela bimbão, não podemos perder esse Vizeu.
  O Vizeu é um vento que nasce na costa ocidental da África, faz a volta nas Malvinas e nos ataca a boribordo, cheirando a especiarias, carcaças de baleia e, estranhamente, a uma professora que eu tive no primário.
   – Quebrar o lume da alcatra e baixar a falcatrua!
   – Cuidado com a sanfona de Abelardo!
   A sanfona é um perigoso fenômeno que ocorre na vela parruda em certas condições atmosféricas e que, se não contido a tempo, pode decapitar o piloto. Até hoje não encontraram a cabeça do comodoro Abelardo.
   – Cruzar a spínola! Domar a espátula! Montar a sirigaita! Tudo a macambúzio e dois quartos de trela senão afundamos, e o capitão é o primeiro a pular.
   – Cortar o cabo de Eustáquio!


(Luís Fernando Veríssimo. Publicada em “As Mentiras que os homens contam”.)
De acordo com a norma padrão gramatical, há uma inadequação em:
Alternativas
Q2102059 Português
O texto seguinte servirá de base para responder a questão.

O poder da doçura

O viajante caminhava pela estrada, quando observou o pequeno rio que começava tímido por entre as pedras.

Foi seguindo-o por muito tempo. Aos poucos ele foi tomando volume e se tornando um rio maior.

O viajante continuou a segui-lo. Bem mais adiante, o que era um pequeno rio se dividiu em dezenas de cachoeiras num espetáculo de águas cantantes.

A música das águas atraiu mais o viajante que se aproximou e foi descendo pelas pedras, ao lado de uma das cachoeiras. Descobriu, finalmente, uma gruta. A natureza criara com paciência caprichosas formas na gruta. Ele a foi adentrando, admirando sempre mais as pedras gastas pelo tempo.

De repente, descobriu uma placa. Alguém estivera ali antes dele. Com a lanterna, iluminou os versos que nela estavam escritos. Eram versos do grande escritor Tagore, prêmio Nobel de literatura de 1913: "Não foi o martelo que deixou perfeitas estas pedras, mas a água, com sua doçura, sua dança, e sua canção. Onde a dureza só faz destruir, a suavidade consegue esculpir."

Assim também acontece na vida. Existem pessoas que explodem por coisa nenhuma e que desejam tudo arrumar aos gritos e pancadas.

E existem as pessoas suaves que sabem dosar a energia e tudo conseguem. São as criaturas que não falam muito, mas agem bastante. Enquanto muitos ainda se encontram à mesa das discussões para a tomada de decisões, elas já se encontram a postos, agindo. E conseguem modificar muitas coisas.

(...)

https://www.contandohistorias.com.br/html/contandohistorias.html - Adaptado
No trecho: "Ele a foi adentrando, admirando sempre MAIS as pedras gastas pelo tempo", a palavra MAIS pertence a seguinte classe gramatical:
Alternativas
Q2101975 Português
Na frase: "Em time QUE ganha não se mexe", a palavra em destaque, no contexto em que está sendo utilizada, é classificada gramaticalmente como: 
Alternativas
Respostas
4301: A
4302: B
4303: A
4304: A
4305: E
4306: A
4307: E
4308: C
4309: C
4310: B
4311: B
4312: B
4313: E
4314: D
4315: E
4316: E
4317: E
4318: C
4319: B
4320: C