Questões de Concurso
Sobre interpretação de textos em português
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Mas quando o poeta diz:
Lata Pode estar querendo dizer o incontível”
(“Metáfora”, de Gilberto Gil)
Em relação aos sentidos das palavras na estrofe acima, assinale a análise correta.
Assinale a alternativa que apresenta, na mesma ordem, palavras sinônimas para os vocábulos destacados no trecho acima.
(__) É associado às tecnologias da informação, típico da comunicação eletrônica.
(__) Apresenta correção gramatical estrita, o que justifica o sentido do prefixo “hiper-”.
(__) É linear e sequencial.
(__) Apresenta percurso de leitura dependente das escolhas do leitor/usuário.
BROWNE, Dik. Hagar o horrível. Disponível em <https://ensinarhoje.com/wpcontent/uploads/2020/09/PET-4-4o-ano.pdf>.
O humor presente nesses quadrinhos é decorrente de:
O tipo textual _______ caracteriza-se por apresentar _______, com o objetivo de que alguma atitude seja tomada pelo _______. Em sua estrutura, é normalmente marcado pela ocorrência de _______.
(I) Estou com uma ferida bem no céu da boca.
(II) Nós garantimos o pão de cada dia com o suor do nosso rosto.
(III) O bem e o mal são duas faces de uma mesma moeda.
(IV) Tal coisa só vai acontecer se eu passar desta para melhor.
(a) Eufemismo
(b) Metonímia
(c) Disfemismo
(d) Catacrese
(e) Prosopopeia
(f) Antítese

(“Ver navios”, de Haroldo de Campos)
Em relação ao poema acima, é correto afirmar que o autor:
Em relação ao trecho acima, transcrito do texto, é correto afirmar que:
As palavras destacadas no trecho acima, transcrito do texto, na mesma ordem em que se apresentam, têm o mesmo sentido de:
(BRAGA, Rubem. Recado ao Sr. 903. Disponível: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/11526/recado-aosr-903)
No trecho acima, o que o narrador e o oceano Atlântico têm em comum?
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Meu coração
No fim, desculpe a literatura, é tudo entre nós e o nosso coração. Depois do dito e do feito, depois da paixão e da razão, depois da vida das células e da vida social e da vida cívica e das idas e das voltas, e da História e da biografia, e do que os outros fizeram conosco e nós fizemos com os outros, é tudo entre nós e ele. Segundos fora. Nós e ele. A única conversa que vale, a única intimidade que conta. O coração não tem nada a ver com nada, fora a sístole e a diástole e a sua fisiologia medíocre. Ele nem nos daria conversa, se não dependesse de nós, se não precisasse da embalagem, dos terminais e de alguém que cuide dele. Tudo que lhe atribuem, do mais romântico ao mais calhorda, é falso. Trata-se de um mero músculo, e de um músculo egoísta, que só quer saber da sua própria sobrevivência. Da qual, por uma cruel coincidência, depende a nossa.
Fala-se do “time do coração”. Mentira. O coração não tem time. O coração não se interessa por futebol. Só hoje, por exemplo, o meu se deu conta de onde estava. Paris, Nantes, Marselha ou qualquer outra cidade, é tudo o mesmo para ele, desde que ele tenha um lugar seguro onde possa bater e cuidar da sua vidinha. Mas de repente ele se deu conta e pediu satisfações. Para onde eu o tinha trazido? Expliquei. A França, a Copa, o Brasil, os jogos, a beleza dos jogos...
Meu coração não quis ouvir falar da beleza dos jogos. Ele não tem nenhum senso estético. Quis saber que história era aquela de morte súbita.
— É uma maneira nova de decidir as partidas que acabam empatadas. Há uma prorrogação e quem marcar o primeiro gol ganha.
Meu coração não quis acreditar.
— Quer dizer que, se esse time pelo qual você torce, como é mesmo o nome?
— Brasil.
— Quer dizer que, se o Brasil empatar com algum outro time, tem prorrogação com morte súbita?
— É...
— Você sabia disso quando me trouxe para cá?
— Sabia.
— Você deliberadamente me trouxe a um evento em que eu posso parar de repente, mesmo não tendo nada a ver com isso? Não era para ser um campeonato de futebol, um esporte, um divertimento, enfim, nada que me dissesse respeito?
— Desculpe. Eu tentei substituí-lo pelo distanciamento crítico, mas...
— Só me diz uma coisa. Se a prorrogação terminar sem que ninguém marque gol, o que acontece?
— Aí decidem nos pênaltis.
— Me leva pra casa. Me leva pra casa imediatamente. E pare de me envolver nos seus divertimentos. Você parece que não tem coração.
— Mas nada disso vai acontecer com o Brasil. Prorrogação, pênaltis, nada disso.
— Quase aconteceu contra a Dinamarca!
— É, mas...
— Me tira daqui!
VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Meu coração
No fim, desculpe a literatura, é tudo entre nós e o nosso coração. Depois do dito e do feito, depois da paixão e da razão, depois da vida das células e da vida social e da vida cívica e das idas e das voltas, e da História e da biografia, e do que os outros fizeram conosco e nós fizemos com os outros, é tudo entre nós e ele. Segundos fora. Nós e ele. A única conversa que vale, a única intimidade que conta. O coração não tem nada a ver com nada, fora a sístole e a diástole e a sua fisiologia medíocre. Ele nem nos daria conversa, se não dependesse de nós, se não precisasse da embalagem, dos terminais e de alguém que cuide dele. Tudo que lhe atribuem, do mais romântico ao mais calhorda, é falso. Trata-se de um mero músculo, e de um músculo egoísta, que só quer saber da sua própria sobrevivência. Da qual, por uma cruel coincidência, depende a nossa.
Fala-se do “time do coração”. Mentira. O coração não tem time. O coração não se interessa por futebol. Só hoje, por exemplo, o meu se deu conta de onde estava. Paris, Nantes, Marselha ou qualquer outra cidade, é tudo o mesmo para ele, desde que ele tenha um lugar seguro onde possa bater e cuidar da sua vidinha. Mas de repente ele se deu conta e pediu satisfações. Para onde eu o tinha trazido? Expliquei. A França, a Copa, o Brasil, os jogos, a beleza dos jogos...
Meu coração não quis ouvir falar da beleza dos jogos. Ele não tem nenhum senso estético. Quis saber que história era aquela de morte súbita.
— É uma maneira nova de decidir as partidas que acabam empatadas. Há uma prorrogação e quem marcar o primeiro gol ganha.
Meu coração não quis acreditar.
— Quer dizer que, se esse time pelo qual você torce, como é mesmo o nome?
— Brasil.
— Quer dizer que, se o Brasil empatar com algum outro time, tem prorrogação com morte súbita?
— É...
— Você sabia disso quando me trouxe para cá?
— Sabia.
— Você deliberadamente me trouxe a um evento em que eu posso parar de repente, mesmo não tendo nada a ver com isso? Não era para ser um campeonato de futebol, um esporte, um divertimento, enfim, nada que me dissesse respeito?
— Desculpe. Eu tentei substituí-lo pelo distanciamento crítico, mas...
— Só me diz uma coisa. Se a prorrogação terminar sem que ninguém marque gol, o que acontece?
— Aí decidem nos pênaltis.
— Me leva pra casa. Me leva pra casa imediatamente. E pare de me envolver nos seus divertimentos. Você parece que não tem coração.
— Mas nada disso vai acontecer com o Brasil. Prorrogação, pênaltis, nada disso.
— Quase aconteceu contra a Dinamarca!
— É, mas...
— Me tira daqui!
VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.


A história é a matéria-prima para as __________ nacionalistas ou étnicas ou fundamentalistas, tal como as papoulas são a matéria-prima para o vício da heroína. O passado é um elemento essencial, talvez o elemento essencial nessas ideologias. Se não há nenhum __________ satisfatório, sempre é possível inventá-lo. De fato, na natureza das coisas não costuma haver nenhum passado completamente __________, porque o fenômeno que essas ideologias pretendem justificar não é antigo ou eterno mas historicamente novo.

