Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

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Q4052405 Português

Ensine seu filho a se valorizar pelo que ele é


Rosely Sayão



Os filhos são um poço sem fim de demandas: eles querem ter coisas, eles querem fazer coisas, eles querem, eles querem e eles pedem tudo o que querem sem o menor constrangimento. Alguns são bastante enfáticos nos pedidos que fazem, outros são sedutores, e outros, por puro aprendizado, fruto da observação da atitude dos adultos, são capazes de fazer chantagens que pegam fundo na alma da maioria dos pais. Mas o resultado é quase sempre o mesmo: os pais acham difícil resistir ao pedido que o filho faz. Afinal, quem é que não quer ver o filho satisfeito e feliz?


O problema é que nem sempre é possível atender a todos os pedidos, principalmente quando eles se referem – e quase sempre se referem – ao consumo.


Quem não conhece pais que já fizeram um esforço imenso – muito maior do que poderiam ou deveriam – para comprar um determinado brinquedo para o filho, para dar a ele uma roupa ou um calçado de grife, para possibilitar uma viagem especial ou coisa que o valha? É sobre essa situação que vamos falar aqui. Ou seja, quando o pedido do filho se transforma em prioridade ou em meta financeira para os pais, ainda que o estilo de vida deles não combine com esse pedido.


A criança não vem ao mundo com qualquer noção da realidade de vida que a espera. Ela deve ser introduzida por meio da ação dos pais, aos poucos, à realidade, ao mundo que tem limites e regras, que exige espera para a satisfação dos impulsos, que provoca frustrações e que nem sempre permite que as pessoas tenham boa parte daquilo que está disponível para o consumo.


Pois bem: se não se defrontar com esses limites desde cedo, com essas impossibilidades que terá necessariamente de enfrentar no futuro, a criança vai construir uma imagem bastante deturpada de si mesma, de sua relação com os pais e, consequentemente, da vida. Ela vai achar que os pais têm a obrigação de fazer tudo, de passar por qualquer sacrifício, para atender suas demandas. Pode parecer que essa situação tem relação direta apenas com tudo o que se relaciona ao consumo, porém o alcance dessa história é muito maior.


Em geral, os pais querem oferecer ao filho tudo do bom e do melhor – e com razão. Essa expectativa é muito positiva, pois expressa a importância que os pais dão ao filho que tiveram. Mas acontece que oferecer à criança ou ao adolescente tudo do bom e do melhor não deve se restringir a objetos, coisas, produtos, consumo de qualquer tipo. Isso se refere também – e principalmente – aos cuidados com saúde e a educação do filho. E é bom marcar que educação não se restringe, por sua vez, à escolarização.


É preciso bastante cuidado para que o filho tenha condições de aprender a se perceber e a se valorizar pelo que ele é, pelo que pensa, pela maneira como se relaciona com os outros e com a vida, e não pelo que tem. E isso não é nada fácil de conseguir com o estilo de vida que adotamos atualmente. Mas, mesmo com dificuldade, os pais têm muitas chances de ajudar o filho a crescer valorizando o que há de humano na vida.


Querer ter coisas é salutar, desde que isso tenha uma medida – a da realidade da pessoa e de suas possibilidades, por exemplo – e desde que não se transforme no aspecto mais importante da vida da pessoa. As crianças e os adolescentes são bombardeados diariamente pelo mercado de consumo. Cabe aos pais a formação para que o filho não sucumba sem crítica a tais apelos.

Leia as seguintes afirmações:

I- De acordo com o texto, logo no início a autora afirma que os filhos aprendem a pedir coisas pelo exemplo dos adultos.

II- A autora defende a ideia de que existem muitos apelos ao consumo em nossa sociedade.

III- Os pais encontram dificuldades para ensinar aos filhos a valorizar os bens que não são materiais.

IV- É necessário que as crianças saibam que querer ter muitas coisas é natural, pois faz parte do aprendizado.

V- Chantagem, sedução e falta de constrangimento são atitudes assumidas pelos filhos diante de seus pais na hora de pedir-lhes coisas.

VI- Os pais devem se preocupar com a formação de valores humanos, em ajudar o filho a crescer valorizando-se pelo que é, pelo que pensa e não pelo que tem.

Estão corretas, apenas:
Alternativas
Q4052404 Português

Ensine seu filho a se valorizar pelo que ele é


Rosely Sayão



Os filhos são um poço sem fim de demandas: eles querem ter coisas, eles querem fazer coisas, eles querem, eles querem e eles pedem tudo o que querem sem o menor constrangimento. Alguns são bastante enfáticos nos pedidos que fazem, outros são sedutores, e outros, por puro aprendizado, fruto da observação da atitude dos adultos, são capazes de fazer chantagens que pegam fundo na alma da maioria dos pais. Mas o resultado é quase sempre o mesmo: os pais acham difícil resistir ao pedido que o filho faz. Afinal, quem é que não quer ver o filho satisfeito e feliz?


O problema é que nem sempre é possível atender a todos os pedidos, principalmente quando eles se referem – e quase sempre se referem – ao consumo.


Quem não conhece pais que já fizeram um esforço imenso – muito maior do que poderiam ou deveriam – para comprar um determinado brinquedo para o filho, para dar a ele uma roupa ou um calçado de grife, para possibilitar uma viagem especial ou coisa que o valha? É sobre essa situação que vamos falar aqui. Ou seja, quando o pedido do filho se transforma em prioridade ou em meta financeira para os pais, ainda que o estilo de vida deles não combine com esse pedido.


A criança não vem ao mundo com qualquer noção da realidade de vida que a espera. Ela deve ser introduzida por meio da ação dos pais, aos poucos, à realidade, ao mundo que tem limites e regras, que exige espera para a satisfação dos impulsos, que provoca frustrações e que nem sempre permite que as pessoas tenham boa parte daquilo que está disponível para o consumo.


Pois bem: se não se defrontar com esses limites desde cedo, com essas impossibilidades que terá necessariamente de enfrentar no futuro, a criança vai construir uma imagem bastante deturpada de si mesma, de sua relação com os pais e, consequentemente, da vida. Ela vai achar que os pais têm a obrigação de fazer tudo, de passar por qualquer sacrifício, para atender suas demandas. Pode parecer que essa situação tem relação direta apenas com tudo o que se relaciona ao consumo, porém o alcance dessa história é muito maior.


Em geral, os pais querem oferecer ao filho tudo do bom e do melhor – e com razão. Essa expectativa é muito positiva, pois expressa a importância que os pais dão ao filho que tiveram. Mas acontece que oferecer à criança ou ao adolescente tudo do bom e do melhor não deve se restringir a objetos, coisas, produtos, consumo de qualquer tipo. Isso se refere também – e principalmente – aos cuidados com saúde e a educação do filho. E é bom marcar que educação não se restringe, por sua vez, à escolarização.


É preciso bastante cuidado para que o filho tenha condições de aprender a se perceber e a se valorizar pelo que ele é, pelo que pensa, pela maneira como se relaciona com os outros e com a vida, e não pelo que tem. E isso não é nada fácil de conseguir com o estilo de vida que adotamos atualmente. Mas, mesmo com dificuldade, os pais têm muitas chances de ajudar o filho a crescer valorizando o que há de humano na vida.


Querer ter coisas é salutar, desde que isso tenha uma medida – a da realidade da pessoa e de suas possibilidades, por exemplo – e desde que não se transforme no aspecto mais importante da vida da pessoa. As crianças e os adolescentes são bombardeados diariamente pelo mercado de consumo. Cabe aos pais a formação para que o filho não sucumba sem crítica a tais apelos.

A palavra destacada não está corretamente interpretada, de acordo com o seu sentido no texto, na alternativa:  
Alternativas
Q4051868 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Bonitas mesmo


Quando é que uma mulher é realmente bonita? No momento em que sai do cabeleireiro? Quando está numa festa? Quando posa para uma foto? Clic, clic, clic. Sorriso amarelo, postura artificial, desempenho para o público. Bonitas mesmo somos quando ninguém está nos vendo.

Atirada no sofá, com uma calça de ficar em casa, uma blusa faltando um botão, as pernas enroscadas uma na outra, o cabelo caindo de qualquer jeito pelo ombro, nenhuma preocupação se o batom resistiu ou não à longa passagem do dia. Um livro nas mãos, o olhar perdido dentro de tantas palavras, um ar de descoberta no rosto. Linda.

(...)

Saindo do banho, a toalha abandonada no chão, o corpo ainda úmido, as mãos desembaçando o espelho, creme hidratante nas pernas, desodorante, um último minuto de relaxamento, há um dia inteiro pra percorrer e assim que a porta do banheiro for aberta já não será mais dona de si mesma. Escovar o respirar fundo. Espetacular.

(...)

O carro estacionado às pressas numa rua desconhecida, uma necessidade urgente de chorar por causa de uma música ou de uma lembrança, a cabeça jogada sobre o volante, as lágrimas quentes, fartas, um lenço de papel catado na bolsa, o nariz sendo assoado, os dedos limpando as pálpebras, o retrovisor acusando os olhos vermelhos e mesmo assim servindo de amparo, estou aqui com você, só eu estou te vendo. Encantadora.


Martha Medeiros. https://www.culturagenial.com/cronicas-curtas-com-interpretacao/
Em todas as alternativas as palavras destacadas podem ser substituidas, mantendo o mesmo sentido, pela palavra entre parênteses, EXCETO:
Alternativas
Q4051792 Português

Leia a tirinha a seguir.


LEITE, Will. Anésia #510. Disponível em: http://www.willtirando.com.br/anesia-510/.  

A partir da fala de Anésia, no último quadrinho, pressupõe-se que
Alternativas
Q4051787 Português

Leia o texto a seguir para responder às questões.

Trata-se de dar um trato na língua



Escreve bem quem escreve claro, não quem tenta emperiquitar o verbo.

Sérgio Rodrigues

Escritor e jornalista, autor de "O Drible"  e  "Viva a Língua Brasileira".


"Os livros da coleção tratam-se de obras-primas da literatura." Pode ser, mas quando formula desse jeito seu veredito empolgado, o crítico cai em descrédito como juiz de trabalhos que envolvam linguagem.


Usada de forma incorreta, como na frase acima, a locução "trata-se de" é um dos casos mais comuns de hipercorreção no português brasileiro de hoje. Ao tratar dela, pago uma dívida antiga da coluna.


Ao contrário do que pode parecer à primeira vista, a palavra hipercorreção não se refere ao que está muito certo. Damos esse nome à escolha linguística do falante que, ansioso por acertar – mas sem saber como –, recorre àquilo que parece mais rebuscado, mais difícil, menos popular. E erra.


Esse tipo de erro é especialmente constrangedor porque representa uma traição à gramática intuitiva, familiar, "natural", sem chegar a merecer as graças da gramática normativa a que aspira. Fica no meio do caminho.


Convém deixar claro que a palavra erro, aqui, não significa delito, pecado ou deficiência cognitiva, mas simplesmente desvio da norma culta.


Nas palavras do linguista Marcos Bagno em sua Gramática de Bolso do Português Brasileiro (Parábola), "é considerado erro tudo aquilo que não pertence às variedades urbanas de prestígio".


Vale notar que Bagno, expoente da sociolinguística brasileira, costuma ser citado – em vão, como se vê – por quem reage a textos como o desta coluna com variações da seguinte bronca: "Se você estudasse mais, saberia que erro não existe!".


Estudar mais é sempre bom. No referido livro, Bagno dedica um capítulo inteiro ao fenômeno da hipercorreção e suas manifestações mais frequentes, que chama de "erros a corrigir".


Segundo ele, a hipercorreção, que é filha da insegurança linguística, aparece "com muito mais força nas classes médias baixas" e em grupos socialmente discriminados.


Bagno não diz, mas digo eu, que o fenômeno parece estar em alta acentuada no Brasil, país violentamente estratificado e de educação precária, onde a insegurança linguística é mato.


[...]


Valeria investigar como todo esse entulho vocabular se relaciona com a crescente – e desoladora – valorização de breguices juridiquentas como "outrossim" em redações de vestibular.


No caso específico de "trata-se de", dois tipos de uso equivocado andam na moda – a frase lá de cima faz uma combinação deles. Sendo uma locução impessoal, ela deve estar sempre no singular e não tem sujeito.


Não dizemos "tratam-se de usos incorretos", mas "trata-se de usos incorretos". E mergulha fundo na hipercorreção quem usa a locução para substituir o verbo ser numa frase como "o filme trata-se de uma comédia" em vez de "o filme é uma comédia".


A boa notícia sobre a hipercorreção é que esse tipo de erro, por mais enrolado que seja em suas raízes psicossociais, é sempre fácil de corrigir do ponto de vista da gramática.


Basta dar preferência às formulações mais simples e "naturais", ou seja, próximas da oralidade. Aquilo é. Eu tenho. Você está. Escreve e fala bem quem se expressa de forma clara e fluente, não quem tenta emperiquitar o verbo.


Trata-se de uma lei universal: quer dar um trato na língua, chame-a de você e não de Vossa Senhoria. 


https://www1.folha.uol.com.br


Observe a frase que segue:

“Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.” Augusto Cury

Na frase – É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no RECÔNDITO da sua alma – o termo destacado significa 
Alternativas
Q4051784 Português

Leia o texto a seguir para responder às questões.

Trata-se de dar um trato na língua



Escreve bem quem escreve claro, não quem tenta emperiquitar o verbo.

Sérgio Rodrigues

Escritor e jornalista, autor de "O Drible"  e  "Viva a Língua Brasileira".


"Os livros da coleção tratam-se de obras-primas da literatura." Pode ser, mas quando formula desse jeito seu veredito empolgado, o crítico cai em descrédito como juiz de trabalhos que envolvam linguagem.


Usada de forma incorreta, como na frase acima, a locução "trata-se de" é um dos casos mais comuns de hipercorreção no português brasileiro de hoje. Ao tratar dela, pago uma dívida antiga da coluna.


Ao contrário do que pode parecer à primeira vista, a palavra hipercorreção não se refere ao que está muito certo. Damos esse nome à escolha linguística do falante que, ansioso por acertar – mas sem saber como –, recorre àquilo que parece mais rebuscado, mais difícil, menos popular. E erra.


Esse tipo de erro é especialmente constrangedor porque representa uma traição à gramática intuitiva, familiar, "natural", sem chegar a merecer as graças da gramática normativa a que aspira. Fica no meio do caminho.


Convém deixar claro que a palavra erro, aqui, não significa delito, pecado ou deficiência cognitiva, mas simplesmente desvio da norma culta.


Nas palavras do linguista Marcos Bagno em sua Gramática de Bolso do Português Brasileiro (Parábola), "é considerado erro tudo aquilo que não pertence às variedades urbanas de prestígio".


Vale notar que Bagno, expoente da sociolinguística brasileira, costuma ser citado – em vão, como se vê – por quem reage a textos como o desta coluna com variações da seguinte bronca: "Se você estudasse mais, saberia que erro não existe!".


Estudar mais é sempre bom. No referido livro, Bagno dedica um capítulo inteiro ao fenômeno da hipercorreção e suas manifestações mais frequentes, que chama de "erros a corrigir".


Segundo ele, a hipercorreção, que é filha da insegurança linguística, aparece "com muito mais força nas classes médias baixas" e em grupos socialmente discriminados.


Bagno não diz, mas digo eu, que o fenômeno parece estar em alta acentuada no Brasil, país violentamente estratificado e de educação precária, onde a insegurança linguística é mato.


[...]


Valeria investigar como todo esse entulho vocabular se relaciona com a crescente – e desoladora – valorização de breguices juridiquentas como "outrossim" em redações de vestibular.


No caso específico de "trata-se de", dois tipos de uso equivocado andam na moda – a frase lá de cima faz uma combinação deles. Sendo uma locução impessoal, ela deve estar sempre no singular e não tem sujeito.


Não dizemos "tratam-se de usos incorretos", mas "trata-se de usos incorretos". E mergulha fundo na hipercorreção quem usa a locução para substituir o verbo ser numa frase como "o filme trata-se de uma comédia" em vez de "o filme é uma comédia".


A boa notícia sobre a hipercorreção é que esse tipo de erro, por mais enrolado que seja em suas raízes psicossociais, é sempre fácil de corrigir do ponto de vista da gramática.


Basta dar preferência às formulações mais simples e "naturais", ou seja, próximas da oralidade. Aquilo é. Eu tenho. Você está. Escreve e fala bem quem se expressa de forma clara e fluente, não quem tenta emperiquitar o verbo.


Trata-se de uma lei universal: quer dar um trato na língua, chame-a de você e não de Vossa Senhoria. 


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“Damos esse nome à escolha linguística do falante que, ansioso por acertar – mas sem saber como [...].” 3°§
Assinale a alternativa em que a substituição da palavra destacada nesse trecho altera seu sentido original.
Alternativas
Q4051783 Português

Leia o texto a seguir para responder às questões.

Trata-se de dar um trato na língua



Escreve bem quem escreve claro, não quem tenta emperiquitar o verbo.

Sérgio Rodrigues

Escritor e jornalista, autor de "O Drible"  e  "Viva a Língua Brasileira".


"Os livros da coleção tratam-se de obras-primas da literatura." Pode ser, mas quando formula desse jeito seu veredito empolgado, o crítico cai em descrédito como juiz de trabalhos que envolvam linguagem.


Usada de forma incorreta, como na frase acima, a locução "trata-se de" é um dos casos mais comuns de hipercorreção no português brasileiro de hoje. Ao tratar dela, pago uma dívida antiga da coluna.


Ao contrário do que pode parecer à primeira vista, a palavra hipercorreção não se refere ao que está muito certo. Damos esse nome à escolha linguística do falante que, ansioso por acertar – mas sem saber como –, recorre àquilo que parece mais rebuscado, mais difícil, menos popular. E erra.


Esse tipo de erro é especialmente constrangedor porque representa uma traição à gramática intuitiva, familiar, "natural", sem chegar a merecer as graças da gramática normativa a que aspira. Fica no meio do caminho.


Convém deixar claro que a palavra erro, aqui, não significa delito, pecado ou deficiência cognitiva, mas simplesmente desvio da norma culta.


Nas palavras do linguista Marcos Bagno em sua Gramática de Bolso do Português Brasileiro (Parábola), "é considerado erro tudo aquilo que não pertence às variedades urbanas de prestígio".


Vale notar que Bagno, expoente da sociolinguística brasileira, costuma ser citado – em vão, como se vê – por quem reage a textos como o desta coluna com variações da seguinte bronca: "Se você estudasse mais, saberia que erro não existe!".


Estudar mais é sempre bom. No referido livro, Bagno dedica um capítulo inteiro ao fenômeno da hipercorreção e suas manifestações mais frequentes, que chama de "erros a corrigir".


Segundo ele, a hipercorreção, que é filha da insegurança linguística, aparece "com muito mais força nas classes médias baixas" e em grupos socialmente discriminados.


Bagno não diz, mas digo eu, que o fenômeno parece estar em alta acentuada no Brasil, país violentamente estratificado e de educação precária, onde a insegurança linguística é mato.


[...]


Valeria investigar como todo esse entulho vocabular se relaciona com a crescente – e desoladora – valorização de breguices juridiquentas como "outrossim" em redações de vestibular.


No caso específico de "trata-se de", dois tipos de uso equivocado andam na moda – a frase lá de cima faz uma combinação deles. Sendo uma locução impessoal, ela deve estar sempre no singular e não tem sujeito.


Não dizemos "tratam-se de usos incorretos", mas "trata-se de usos incorretos". E mergulha fundo na hipercorreção quem usa a locução para substituir o verbo ser numa frase como "o filme trata-se de uma comédia" em vez de "o filme é uma comédia".


A boa notícia sobre a hipercorreção é que esse tipo de erro, por mais enrolado que seja em suas raízes psicossociais, é sempre fácil de corrigir do ponto de vista da gramática.


Basta dar preferência às formulações mais simples e "naturais", ou seja, próximas da oralidade. Aquilo é. Eu tenho. Você está. Escreve e fala bem quem se expressa de forma clara e fluente, não quem tenta emperiquitar o verbo.


Trata-se de uma lei universal: quer dar um trato na língua, chame-a de você e não de Vossa Senhoria. 


https://www1.folha.uol.com.br


Pelas características da organização do discurso, classifica-se o texto acima como predominantemente:
Alternativas
Q4051658 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


O pavão


Eu considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros; e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d'água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas. Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.

Considerei, por fim, que assim é o amor. Oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico.


Rubem Braga. https://www.culturagenial.com/cronicas-curtas-com-interpretacao/
Acerca da crônica O pavão de Rubem Braga, julgue as afirmações que seguem:
A crônica parte de uma descoberta curiosa acerca do pavão, animal conhecido pela sua beleza.

I.Na verdade, as cores dos pavões não dependeriam das suas penas, mas do modo como a luz é refletida por elas.
II.Isso leva o autor a fazer considerações sobre a criação artística e a importância da simplicidade. Logo depois, utiliza a metáfora para se dirigir à mulher que ama e se compara ao próprio animal.
III.Declarando que o seu brilho depende da forma como é olhado por ela, sublinha a delícia de ser amado, a felicidade e a confiança que isso traz às nossas vidas.

Está CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q4051616 Português
Todos os anos são registrados no Brasil milhares de casos de (X), seja pela ingestão de alimentos contaminados, de medicamentos, uso de agrotóxicos, produtos de limpeza doméstica, de uso veterinário e outras substâncias químicas. No ano de 2003, foram 82.716 casos, dos quais apenas 15,1 mil tiveram cura confirmada; outros 416 deixaram sequelas e 530 terminaram em óbito. O maior número de (X) foi provocada por medicamentos, com 28% dos casos registrados. Em segundo lugar estavam os produtos usados na higiene doméstica (os chamados saneantes), como água sanitária e desinfetantes, com 6,8 mil casos; e na sequência vinham os agrotóxicos, com 5,9 mil casos; e os produtos químicos industriais, com 4,5 mil.
Fonte: Vigilância Sanitária - Guia Didático.
De acordo com o contexto, marque a alternativa que substitui corretamente o (X) do texto. 
Alternativas
Q4051302 Português
O Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) de pneus passou a valer oficialmente em abril de 2018, instituído pela Portaria nº 544 do Inmetro e tem como objetivo fornecer ao consumidor informações sobre o desempenho dos pneus por meio de uma etiqueta colada ao produto. Visto isso quais são os critérios avaliados pelo PBE em relação a pneus, marque as alternativas CORRETAS.

I.Resistência ao rolamento.
II.Aderência em pista molhada.
III.Ruído externo.
IV.Vibração excessiva.

É CORRETO o que afirma em:
Alternativas
Q4051201 Português
O criar pontes entre os corações me parece uma maneira simples de compreender a questão. Quanto mais pontes criamos, mais opções teremos por onde transitar. Lembrando sempre que cada qual passeia pelas pontes sem aprisionar ninguém em seu "território" e nem abandonar o seu em detrimento do outro. Este ir e vir entre o coração das pessoas é, em verdade, a base do movimento social autêntico. Quando as pessoas convivem dentro deste trânsito parece haver naturalmente harmonia e entendimento. A conversa, é o meio do qual dispomos a nos fazer entender e possui regras que asseguram um bom desempenho.

Fonte: Escola Estadual de Educação Profissional - EEEP. Ensino Médio Integrado à Educação Profissional. Curso Técnico em Secretaria Escolar. Governo do Estado do Ceará (modificado).

Sobre qual tema do presente certame, o texto acima discorre? Marque a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4051190 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Paula Mendonça, coordenadora de educação e cidades do programa Criança e Natureza, do Instituto Alana, reforça as potências do espaço escolar como lugar de relação com a natureza e seus aprendizados. "A gente chama atenção para dois aspectos que é o aprender com a natureza e na natureza. Este primeiro está muito no campo das investigações e aprendizados da própria ciência da natureza. É quando o próprio espaço é por si só potente para o aprendizado. A natureza como objeto de pesquisa com as plantas, os micro-organismos, enfim. E tem uma segunda possibilidade que é onde temos chamado à atenção das escolas que é para o uso como ambiente para aulas, um espaço com possibilidade para aprender qualquer tipo de conteúdo", ressalta.


Por Carolina Delboni. 09/08/2021. Aulas presenciais: uso de espaços abertos é recurso nas escolas. Disponível em: 
O texto acima descreve os ambientes externos como locais de recreação e de aprendizagem. Identifique abaixo, a frase que expressa corretamente essa relação.
Alternativas
Q4051098 Português

Leia o texto abaixo.


Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil


Em “Vidas secas”, obra literária de Graciliano Ramos, Fabiano e sua família vivem uma situação degradante marcada pela miséria. Na trama, os filhos do protagonista não recebem nomes, sendo chamados apenas como o “mais velho” e o “mais novo”, recurso usado pelo autor para evidenciar a desumanização do indivíduo. Ao sair da ficção, sem desconsiderar o contexto histórico da obra, nota-se que a problemática apresentada ainda percorre a atualidade: a não garantia de cidadania pela invisibilidade da falta de registro civil. A partir desse contexto, não se pode hesitar: é imprescindível compreender os impactos gerados pela falta de identificação oficial da população.


Com efeito, é nítido que o deficitário registro civil repercute, sem dúvida, na persistente falta de pertencimento como cidadão brasileiro. Isso acontece, porque, como já estudado pelo historiador José Murilo de Carvalho, para que haja uma cidadania completa no Brasil é necessária a coexistência dos direitos sociais, políticos e civis. Sob essa ótica, percebe-se que, quando o pilar civil não é garantido – em outras palavras, a não efetivação do direito devido à falta do registro em cartório –, não é possível fazer com que a cidadania seja alcançada na sociedade. Dessa forma, da mesma maneira que o “mais novo” e o “mais velho” de Graciliano Ramos, quase 3 milhões de brasileiros continuam por ser invisibilizados: sem nome oficial, sem reconhecimento pelo Estado e, por fim, sem a dignidade de um cidadão.


(...)


Portanto, ao entender que a falta de cidadania gerada pela invisibilidade do não registro está diretamente ligada à exclusão social, é preciso de um combate efetivo a esse grave problema. Assim, cabe ao Poder Executivo Federal, mais especificamente o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, ampliar o acesso aos cartórios de registro civil. Tal ação deverá ocorrer por meio da implantação de um Projeto Nacional de Incentivo à Identidade Civil, o qual irá articular, junto aos gestores dos municípios brasileiros, campanhas, divulgadas pela mídia socialmente engajada, que expliquem sobre a importância do registro oficial para garantia da cidadania, além de instruções para realizar o processo, a fim de mitigar as desigualdades geradas pela falta dessa documentação. Afinal, assim como os meninos em “Vidas secas”, toda a população merece ter a garantia e o reconhecimento do seu nome e identidade.


Autora: Fernanda Quaresma, 20, Iguaracy (PE).
Adaptado

Fonte: https://guiadoestudante.abril.com.br

Tendo em vista o sentido global do texto, o seu PRINCIPAL objetivo comunicativo é:
Alternativas
Q4051097 Português

Leia o texto abaixo.


Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil


Em “Vidas secas”, obra literária de Graciliano Ramos, Fabiano e sua família vivem uma situação degradante marcada pela miséria. Na trama, os filhos do protagonista não recebem nomes, sendo chamados apenas como o “mais velho” e o “mais novo”, recurso usado pelo autor para evidenciar a desumanização do indivíduo. Ao sair da ficção, sem desconsiderar o contexto histórico da obra, nota-se que a problemática apresentada ainda percorre a atualidade: a não garantia de cidadania pela invisibilidade da falta de registro civil. A partir desse contexto, não se pode hesitar: é imprescindível compreender os impactos gerados pela falta de identificação oficial da população.


Com efeito, é nítido que o deficitário registro civil repercute, sem dúvida, na persistente falta de pertencimento como cidadão brasileiro. Isso acontece, porque, como já estudado pelo historiador José Murilo de Carvalho, para que haja uma cidadania completa no Brasil é necessária a coexistência dos direitos sociais, políticos e civis. Sob essa ótica, percebe-se que, quando o pilar civil não é garantido – em outras palavras, a não efetivação do direito devido à falta do registro em cartório –, não é possível fazer com que a cidadania seja alcançada na sociedade. Dessa forma, da mesma maneira que o “mais novo” e o “mais velho” de Graciliano Ramos, quase 3 milhões de brasileiros continuam por ser invisibilizados: sem nome oficial, sem reconhecimento pelo Estado e, por fim, sem a dignidade de um cidadão.


(...)


Portanto, ao entender que a falta de cidadania gerada pela invisibilidade do não registro está diretamente ligada à exclusão social, é preciso de um combate efetivo a esse grave problema. Assim, cabe ao Poder Executivo Federal, mais especificamente o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, ampliar o acesso aos cartórios de registro civil. Tal ação deverá ocorrer por meio da implantação de um Projeto Nacional de Incentivo à Identidade Civil, o qual irá articular, junto aos gestores dos municípios brasileiros, campanhas, divulgadas pela mídia socialmente engajada, que expliquem sobre a importância do registro oficial para garantia da cidadania, além de instruções para realizar o processo, a fim de mitigar as desigualdades geradas pela falta dessa documentação. Afinal, assim como os meninos em “Vidas secas”, toda a população merece ter a garantia e o reconhecimento do seu nome e identidade.


Autora: Fernanda Quaresma, 20, Iguaracy (PE).
Adaptado

Fonte: https://guiadoestudante.abril.com.br

O texto “Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil” é predominantemente: 
Alternativas
Q4051096 Português

Leia o texto abaixo e marque a afirmação incorreta:


Queremos rir


Um mágico trabalhava em um navio. Como o público era diferente a cada semana, ele sempre repetia os mesmos números. O papagaio do capitão, que assistia a todos os shows, começou a descobrir os truques do mágico.


Durante as apresentações, o papagaio dizia:


– Ele está escondendo as flores debaixo da mesa!
– Ei, por que todas as cartas são ases de espadas?
– Atenção, não olhem para a mesma cartola!


O mágico ficava fulo da vida, mas não podia fazer nada – afinal, o papagaio era do capitão.


Um dia o navio afundou. O mágico se salvou, agarrando-se a um pedaço de madeira. Por um capricho do destino, viu-se junto do papagaio. Os dois passaram dois dias boiando no mar, olhando-se com desprezo e sem dizer uma palavra.


Finalmente, no terceiro dia, o papagaio não se conteve e disse para o mágico:


– O.k., seu safado! Eu desisto! Onde você enfiou a porcaria do navio?


Otávio Praxedes, Revista Época, 05/06/2006, p. 15.

Alternativas
Q4051094 Português

Leia o texto “O problema ecológico”


Se uma nave extraterrestre invadisse o espaço aéreo da Terra, com certeza seus tripulantes diriam que neste planeta não habita uma civilização inteligente, tamanho é o grau de destruição dos recursos naturais. Essas são palavras de um renomado cientista americano. Apesar dos avanços ___________, a humanidade ainda não descobriu os valores fundamentais da existência. O que chamamos orgulhosamente de civilização nada mais é do que uma _____________ às coisas naturais. A grosso modo, a tal civilização significa a devastação das florestas, a poluição dos rios, o envenenamento das terras e a deterioração da qualidade do ar. O que chamamos de progresso não passa de uma degradação deliberada e sistemática que o homem vem promovendo há muito tempo, uma autêntica guerra contra a natureza.


Afrânio Primo. Jornal Madhva (adaptado)


Assinale a afirmativa incorreta:


Alternativas
Q4051087 Português

Prova falsa


            Quem teve a ideia foi o padrinho do caçula – ele me conta. Trouxe o cachorro de presente e logo a família inteira se apaixonou pelo bicho. Ele até que não é contra isso de se ter um animalzinho em casa, desde que seja obediente e com um mínimo de educação.

            – Mas o cachorro era um chato – desabafou.


            Desses cachorrinhos de raça, cheios de nhém-nhém-nhém, que comem comidinha especial, precisam de muitos cuidados, enfim, um chato de galocha. E, como se isto não bastasse, implicava com o dono da casa.


            – Vivia de rabo abanando para todo mundo, mas quando eu entrava em casa vinha logo com aquele latido fininho e antipático, de cachorro de francesa.


            Ainda por cima era puxa-saco. Lembrava certos políticos da oposição, que espinafram o ministro, mas quando estão com o ministro ficam mais por baixo que tapete de porão. Quando cruzavam num corredor ou qualquer outra dependência da casa, o desgraçado rosnava ameaçador, mas quando a patroa estava perto abanava o rabinho, fingindo-se seu amigo.

– Quando eu reclamava, dizendo que o cachorro era um cínico, minha mulher brigava comigo, dizendo que nunca houve cachorro fingido e eu é que implicava com o “pobrezinho”.


            Num rápido balanço, poderia assinalar: o cachorro comeu oito meias suas, roeu a manga de um paletó de casimira inglesa, rasgara diversos livros, não podia ver um pé de sapato que arrastava para locais incríveis. A vida lá em sua casa estava se tornando insuportável. Estava vendo a hora em que se desquitava por causa daquele bicho cretino. Tentou mandá-lo embora umas vinte vezes e era uma choradeira das crianças e uma espinafração da mulher.


            – Você é um desalmado – disse ela, uma vez.


            Venceu a guerra fria com o cachorro graças à má educação do adversário. O cãozinho começou a fazer pipi onde não devia. Várias vezes exemplado, prosseguiu no feio vício. Fez diversas vezes no tapete da sala. Fez duas na boneca da filha maior. Quatro ou cinco vezes fez nos brinquedos do caçula. E tudo culminou com o pipi que fez em cima do vestido novo de sua mulher.


            – Aí mandaram o cachorro embora? – perguntei.


            – Mandaram. Mas eu fiz questão de dá-lo de presente a um amigo que adora cachorros. Ele está levando um vidão em sua nova residência.


            – Ué... mas você não o detestava? Como é que ainda arranjou essa sopa para ele?


            – Problema de consciência – explicou. – O pipi não era dele.

             E suspirou cheio de remorso.



(PONTE PRETA, Stanislaw. Gol de padre e outras crônicas. São Paulo: Ática, 1997)

Leia as seguintes afirmações:


I- A “guerra fria” foi vencida de fato graças a uma artimanha do dono da cassa.


II- De acordo com o significado no texto, um chato de galocha” é alguém que detesta o convívio com as pessoas.


III- Pelo texto, percebe-se que, ao ser “várias vezes exemplado”, o cachorro não corrigia os seus péssimos hábitos.


IV- No final do texto percebemos que o cachorro foi embora da casa injustamente, pois na realidade o pipi encontrado em lugares indevidos não era dele.


Estão corretas apenas:

Alternativas
Q4051086 Português

Prova falsa


            Quem teve a ideia foi o padrinho do caçula – ele me conta. Trouxe o cachorro de presente e logo a família inteira se apaixonou pelo bicho. Ele até que não é contra isso de se ter um animalzinho em casa, desde que seja obediente e com um mínimo de educação.

            – Mas o cachorro era um chato – desabafou.


            Desses cachorrinhos de raça, cheios de nhém-nhém-nhém, que comem comidinha especial, precisam de muitos cuidados, enfim, um chato de galocha. E, como se isto não bastasse, implicava com o dono da casa.


            – Vivia de rabo abanando para todo mundo, mas quando eu entrava em casa vinha logo com aquele latido fininho e antipático, de cachorro de francesa.


            Ainda por cima era puxa-saco. Lembrava certos políticos da oposição, que espinafram o ministro, mas quando estão com o ministro ficam mais por baixo que tapete de porão. Quando cruzavam num corredor ou qualquer outra dependência da casa, o desgraçado rosnava ameaçador, mas quando a patroa estava perto abanava o rabinho, fingindo-se seu amigo.

– Quando eu reclamava, dizendo que o cachorro era um cínico, minha mulher brigava comigo, dizendo que nunca houve cachorro fingido e eu é que implicava com o “pobrezinho”.


            Num rápido balanço, poderia assinalar: o cachorro comeu oito meias suas, roeu a manga de um paletó de casimira inglesa, rasgara diversos livros, não podia ver um pé de sapato que arrastava para locais incríveis. A vida lá em sua casa estava se tornando insuportável. Estava vendo a hora em que se desquitava por causa daquele bicho cretino. Tentou mandá-lo embora umas vinte vezes e era uma choradeira das crianças e uma espinafração da mulher.


            – Você é um desalmado – disse ela, uma vez.


            Venceu a guerra fria com o cachorro graças à má educação do adversário. O cãozinho começou a fazer pipi onde não devia. Várias vezes exemplado, prosseguiu no feio vício. Fez diversas vezes no tapete da sala. Fez duas na boneca da filha maior. Quatro ou cinco vezes fez nos brinquedos do caçula. E tudo culminou com o pipi que fez em cima do vestido novo de sua mulher.


            – Aí mandaram o cachorro embora? – perguntei.


            – Mandaram. Mas eu fiz questão de dá-lo de presente a um amigo que adora cachorros. Ele está levando um vidão em sua nova residência.


            – Ué... mas você não o detestava? Como é que ainda arranjou essa sopa para ele?


            – Problema de consciência – explicou. – O pipi não era dele.

             E suspirou cheio de remorso.



(PONTE PRETA, Stanislaw. Gol de padre e outras crônicas. São Paulo: Ática, 1997)

Assinale a alternativa em que o trecho transcrito justifica o título da história:  
Alternativas
Q4051085 Português

Prova falsa


            Quem teve a ideia foi o padrinho do caçula – ele me conta. Trouxe o cachorro de presente e logo a família inteira se apaixonou pelo bicho. Ele até que não é contra isso de se ter um animalzinho em casa, desde que seja obediente e com um mínimo de educação.

            – Mas o cachorro era um chato – desabafou.


            Desses cachorrinhos de raça, cheios de nhém-nhém-nhém, que comem comidinha especial, precisam de muitos cuidados, enfim, um chato de galocha. E, como se isto não bastasse, implicava com o dono da casa.


            – Vivia de rabo abanando para todo mundo, mas quando eu entrava em casa vinha logo com aquele latido fininho e antipático, de cachorro de francesa.


            Ainda por cima era puxa-saco. Lembrava certos políticos da oposição, que espinafram o ministro, mas quando estão com o ministro ficam mais por baixo que tapete de porão. Quando cruzavam num corredor ou qualquer outra dependência da casa, o desgraçado rosnava ameaçador, mas quando a patroa estava perto abanava o rabinho, fingindo-se seu amigo.

– Quando eu reclamava, dizendo que o cachorro era um cínico, minha mulher brigava comigo, dizendo que nunca houve cachorro fingido e eu é que implicava com o “pobrezinho”.


            Num rápido balanço, poderia assinalar: o cachorro comeu oito meias suas, roeu a manga de um paletó de casimira inglesa, rasgara diversos livros, não podia ver um pé de sapato que arrastava para locais incríveis. A vida lá em sua casa estava se tornando insuportável. Estava vendo a hora em que se desquitava por causa daquele bicho cretino. Tentou mandá-lo embora umas vinte vezes e era uma choradeira das crianças e uma espinafração da mulher.


            – Você é um desalmado – disse ela, uma vez.


            Venceu a guerra fria com o cachorro graças à má educação do adversário. O cãozinho começou a fazer pipi onde não devia. Várias vezes exemplado, prosseguiu no feio vício. Fez diversas vezes no tapete da sala. Fez duas na boneca da filha maior. Quatro ou cinco vezes fez nos brinquedos do caçula. E tudo culminou com o pipi que fez em cima do vestido novo de sua mulher.


            – Aí mandaram o cachorro embora? – perguntei.


            – Mandaram. Mas eu fiz questão de dá-lo de presente a um amigo que adora cachorros. Ele está levando um vidão em sua nova residência.


            – Ué... mas você não o detestava? Como é que ainda arranjou essa sopa para ele?


            – Problema de consciência – explicou. – O pipi não era dele.

             E suspirou cheio de remorso.



(PONTE PRETA, Stanislaw. Gol de padre e outras crônicas. São Paulo: Ática, 1997)

A palavra destacada no trecho “A vida lá em sua casa estava se tornando insuportável” pode ser substituída, sem prejuízo do sentido da frase, por:  
Alternativas
Q4051084 Português

Prova falsa


            Quem teve a ideia foi o padrinho do caçula – ele me conta. Trouxe o cachorro de presente e logo a família inteira se apaixonou pelo bicho. Ele até que não é contra isso de se ter um animalzinho em casa, desde que seja obediente e com um mínimo de educação.

            – Mas o cachorro era um chato – desabafou.


            Desses cachorrinhos de raça, cheios de nhém-nhém-nhém, que comem comidinha especial, precisam de muitos cuidados, enfim, um chato de galocha. E, como se isto não bastasse, implicava com o dono da casa.


            – Vivia de rabo abanando para todo mundo, mas quando eu entrava em casa vinha logo com aquele latido fininho e antipático, de cachorro de francesa.


            Ainda por cima era puxa-saco. Lembrava certos políticos da oposição, que espinafram o ministro, mas quando estão com o ministro ficam mais por baixo que tapete de porão. Quando cruzavam num corredor ou qualquer outra dependência da casa, o desgraçado rosnava ameaçador, mas quando a patroa estava perto abanava o rabinho, fingindo-se seu amigo.

– Quando eu reclamava, dizendo que o cachorro era um cínico, minha mulher brigava comigo, dizendo que nunca houve cachorro fingido e eu é que implicava com o “pobrezinho”.


            Num rápido balanço, poderia assinalar: o cachorro comeu oito meias suas, roeu a manga de um paletó de casimira inglesa, rasgara diversos livros, não podia ver um pé de sapato que arrastava para locais incríveis. A vida lá em sua casa estava se tornando insuportável. Estava vendo a hora em que se desquitava por causa daquele bicho cretino. Tentou mandá-lo embora umas vinte vezes e era uma choradeira das crianças e uma espinafração da mulher.


            – Você é um desalmado – disse ela, uma vez.


            Venceu a guerra fria com o cachorro graças à má educação do adversário. O cãozinho começou a fazer pipi onde não devia. Várias vezes exemplado, prosseguiu no feio vício. Fez diversas vezes no tapete da sala. Fez duas na boneca da filha maior. Quatro ou cinco vezes fez nos brinquedos do caçula. E tudo culminou com o pipi que fez em cima do vestido novo de sua mulher.


            – Aí mandaram o cachorro embora? – perguntei.


            – Mandaram. Mas eu fiz questão de dá-lo de presente a um amigo que adora cachorros. Ele está levando um vidão em sua nova residência.


            – Ué... mas você não o detestava? Como é que ainda arranjou essa sopa para ele?


            – Problema de consciência – explicou. – O pipi não era dele.

             E suspirou cheio de remorso.



(PONTE PRETA, Stanislaw. Gol de padre e outras crônicas. São Paulo: Ática, 1997)

Assinale a afirmativa incorreta:  
Alternativas
Respostas
92061: D
92062: E
92063: A
92064: C
92065: A
92066: E
92067: C
92068: D
92069: D
92070: B
92071: B
92072: D
92073: C
92074: A
92075: D
92076: B
92077: E
92078: B
92079: C
92080: E