Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

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Ano: 2023 Banca: FADESP Órgão: Prefeitura de Bagre - PA
Q3895677 Português
LEIA O TEXTO E DEPOIS RESPONDA À QUESTÃO A SEGUIR

Cabo de guerra

-Material utilizado: Uma corda bem forte.

-Número de participantes: 4 ou mais.

- Objetivo: Puxar a corda até ultrapassar um ponto demarcado.
O cabo de guerra é uma disputa entre duas equipes, que ao puxar uma corda (cada equipe para um lado) tentam deslocar ao máximo a corda em seu favor.

Vence a equipe que puxar a corda para seu lado.

A brincadeira, além de ser uma atividade física, estimula a organização de estratégias e o trabalho em equipe.

(https://www.todamateria.com.br/jogos-e-brincadeiras) 
Segundo o texto, cabo de guerra é um(a)
Alternativas
Q3895478 Português
Deixar, pela primeira vez, um filho de colo aos cuidados de funcionárias de um berçário é uma experiência traumática para qualquer mãe. E, quanto menor a criança, maior a angústia. Mas a separação é uma etapa importante no desenvolvimento do bebê. Apesar do sofrimento, é possível encarar com naturalidade esse período tão complicado. Assinale a alternativa ERRADA com respeito a procedimento de Adaptação da criança na creche.
Alternativas
Q3894117 Português

As vítimas


     Viralizou nas redes sociais o vídeo que mostra uma motorista em Brasília, abordada pela fiscalização de rânsito da PM, jogando a bolsa no chão e dirigindose a uma árvore, na qual, por várias vezes, arremessa seu rosto contra o tronco, de casca grossa. Depois ela se volta, pedindo para os acompanhantes dela gravarem: lo" olha aqui, ele me agrediu, filme aqui". Insistia em que fora agredida pelo PM, sem saber que havia sido filmada batendo o rosto na árvore. A tentativa era inverter a condição de agressora da lei para a de agredida pelo agente da lei. Isso é mais comum do que se imagina. Contou-me um delegado da Polícia Federal que um detido no compartimento de trás da viatura havia sucessivamente golpeado o nariz com o joelho, para se mostrar como vítima ao juiz da audiência de custódia. Em outra ocasião, já dentro do fórum, um detido se feriu jogando-se na quina da porta por onde passariam. A Mariana, que jogou o rosto na árvore, já estava formada em vitimização.


       Bandidos devem ter aprendido esse argumento com intelectuais que defendem a tese de que todos são vítimas. Em geral, vítimas da sociedade opressora, burguesa e fascista. Vítimas do preconceito, das desigualdades sociais. Por isso, a idosa de Caxias do Sul, que atirou e matou um ladrão que invadira sua casa, acabou indiciada por usar um velho revólver com munição ultravencida. Defensores de bandidos aplaudiram: afinal, ele só queria roubar. Logo vão defender o livre exercício da profissão de assaltante, ou de vendedor de cocaína. Vão justificar que o latrocida apenas atirou e matou porque o assaltado não seguiu a recomendação da polícia para não resistir. A velhinha de Caxias não cumpriu a lei do desarmamento, pois tinha revólver em casa. Ora já se viu ter o direito de se preparar para defender seu refúgio, seu abrigo, sua caverna, sua cidadela, que é seu lar? Ou reagir ante o ladrão que quer apenas equilibrar uma injustiça social, tirando de quem tem?

   

       No Rio, essa cultura é soberana. Com isso, as vítimas reais dessa criminosa ideologia estão enjauladas em casa, onde, mesmo assim, são vítimas de balas perdidas. Todos foram desarmados, menos os bandidos, que usam ostensivamente fuzis, metralhadoras e granadas. Tudo gente boa, que sofre da síndrome de não dar valor à vida dos outros. Nem se importam de vender drogas em torno de escolas. Assim como os que sustentam os bandos de criminosos não se sentem constrangi ngidos em fazer passeatas pedindo paz.A cocaína não os deixa pensar que são eles que sustentam a guerra.

   

    Defensores de bandidos, felizmente, são minoria. Fico observando a reação das pessoas quando a Polícia Civil de São Paulo elimina um bando de assaltantes de residência, todos bem armados; ou, como aconteceu esta semana em Brasília, quando um Cabo PM à paisana reagiu a um assalto em ônibus e matou os dois assaltantes armados. A maioria aplaude, mas nos meios de informação teme-se encorajar a morte de nossos queridos bandidos de estimação. No Congresso, os que querem representar maioria estão reagindo. Embora o jornalista os chame pejorativamente de "bancada da bala”, a maioria torce por mudanças no Estatuto do Desarmamento e nos direitos dos que nos aprisionam pelo medo ou nos fazem chorar a perda de bens e, principalmente, de amigos e parentes.


Alexandre Garcia

www.sonoticias.com.br,27/09/201

Analise as afirmativas abaixo, com base no texto, e assinale a alternativa INCORRETА
Alternativas
Q3893702 Português
Leia o texto e responda à questão

As vítimas

    Viralizou nas redes sociais o vídeo que mostra uma motorista em Brasília, abordada pela fiscalização de trânsito da PM, jogando a bolsa no chão e dirigindo-se a uma árvore, na qual, por várias vezes, arremessa seu rosto contra o tronco, de casca grossa. Depois ela se volta, pedindo para os acompanhantes dela gravarem: “olha aqui, ele me agrediu, filme aqui”. Insistia em que fora agredida pelo PM, sem saber que havia sido filmada batendo o rosto na árvore. A tentativa era inverter a condição de agressora da lei para a de agredida pelo agente da lei. Isso é mais comum do que se imagina. Contou-me um delegado da Polícia Federal que um detido no compartimento de trás da viatura havia sucessivamente golpeado o nariz com o joelho, para se mostrar como vítima ao juiz da audiência de custódia. Em outra ocasião, já dentro do fórum, um detido se feriu jogando-se na quina da porta por onde passariam. A Mariana, que jogou o rosto na árvore, já estava formada em vitimização.

      Bandidos devem ter aprendido esse argumento com intelectuais que defendem a tese de que todos são vítimas. Em geral, vítimas da sociedade opressora, burguesa e fascista. Vítimas do preconceito, das desigualdades sociais. Por isso, a idosa de Caxias do Sul, que atirou e matou um ladrão que invadira sua casa, acabou indiciada por usar um velho revólver com munição ultravencida. Defensores de bandidos aplaudiram: afinal, ele só queria roubar. Logo vão defender o livre exercício da profissão de assaltante, ou de vendedor de cocaína. Vão justificar que o latrocida apenas atirou e matou porque o assaltado não seguiu a recomendação da polícia para não resistir. A velhinha de Caxias não cumpriu a lei do desarmamento, pois tinha revólver em casa. Ora já se viu ter o direito de se preparar para defender seu refúgio, seu abrigo, sua caverna, sua cidadela, que é seu lar? Ou reagir ante o ladrão que quer apenas equilibrar uma injustiça social, tirando de quem tem?

     No Rio, essa cultura é soberana. Com isso, as vítimas reais dessa criminosa ideologia estão enjauladas em casa, onde, mesmo assim, são vítimas de balas perdidas. Todos foram desarmados, menos os bandidos, que usam ostensivamente fuzis, metralhadoras e granadas. Tudo gente boa, que sofre da síndrome de não dar valor à vida dos outros. Nem se importam de vender drogas em torno de escolas. Assim como os que sustentam os bandos de criminosos não se sentem constrangidos em fazer passeatas pedindo paz. À cocaína não os deixa pensar que são eles que sustentam a guerra.

       Defensores de bandidos, felizmente, são minoria. Fico observando a reação das pessoas quando a Polícia Civil de São Paulo elimina um bando de assaltantes de residência, todos bem armados; ou, como aconteceu esta semana em Brasília, quando um Cabo PM à paisana reagiu a um assalto em ônibus e matou os dois assaltantes armados. A maioria aplaude, mas nos meios de informação teme-se encorajar a morte de nossos queridos bandidos de estimação. No Congresso, os que querem representar maioria estão reagindo. Embora o jornalista os chame pejorativamente de “bancada da bala”, a maioria torce por mudanças no Estatuto do Desarmamento e nos direitos dos que nos aprisionam pelo medo ou nos fazem chorar a perda de bens e, principalmente, de amigos e parentes.

Alexandre Garcia

www.sonoticias.com.br,27/09/2017
Analise as afirmativas abaixo, com base no texto, e assinale a alternativa INCORRETA. 
Alternativas
Q3893690 Português
Após a trágica morte da professora Elizabeth Tenreiro, 71 anos, assassinada por um adolescente de 13 anos, na segunda-feira (27/3/2023), na Escola Estadual Thomazia Montoro, o estado de São Paulo decretou luto oficial de três dias. A escola, que fica no bairro Vila Sônia, Zona Oeste de São Paulo, ficara fechada e a sua reabertura deverá ser gradual. As primeiras noticias apontam como causa:  
Alternativas
Q3893196 Português
“(...) Durante sua longa e expressiva trajetória, embora atuasse em diversas áreas do saber, Cãmara Cascudo privilegiou o estudo da Etnografia e do folclore como fontes para a compreensão da diversidade cultural brasileira e foi com os estudos sobre as tradições populares que ganhou notoriedade e reconhecimento. Neste sentido, o escritor criou a Sociedade Brasileira de Folclore, em 1941, a primeira iniciativa de institucionalizar a pesquisa folclórica no Brasil. Com mais de uma centena de publicações, a extensa produção intelectual de Luís da Câmara Cascudo se revela como um convite para conhecer o Brasil através do universo da oralidade e da valorização das diversidades regionais. Sua intenção de recolher, organizar e documentar a riqueza folclórica do Brasil foi coroada com a edição, em 1954, de sua obra maisfamosa: o Dicionário do Folclore Brasileiro, conhecido apenas como "o Cascudo". A palavra folklore foi criada pelo inglês William John Thoms quando publicou, em 1846, um artigo na revista The Atheneum, de Londres. O uso deste vocábulo tornou-se definitivo e englobou diversas denominações como superstições, antiguidades populares, costumes, provérbios, práticas, etc.”

FERNANDEZ, Jenny Iglesias Polydoro. O FOLCLORE NA OBRA DE LUÍS DA CÂMARA CASCUDO. Universidade Federal Fluminense Instituto de Letras Pós-Graduação em Literatura Brasileira. Niterói Abril/2004

(...) As pesquisas esclareceram que os contos populares, nas áreas estudadas do mundo, não são incontáveis nem demasiado complexos. Partem de temas primitivos e obedecem a uma seriação articulada de elementos de soluções psicológicas, uso de objeto, encontro de obstáculos, comuns e semelhantes. (...) A variedade dos fios formadores dá a ilusão do inesgotável na imaginação popular. A variedade está limitada aos processos de articulação, de engrenagem psicológica, de um episódio no outro, através de raças, idiomas e sèculos”.

CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do folclore brasileiro. Rio de Janeiro. Ediouro, s.d.

Etimologicamente , a respeito da palavra folclore pode-se dizer que:
Alternativas
Q3893165 Português
Experiência nova


Pegaram o cara em flagrante roubando galinhas de um galinheiro e levaram para a delegacia.

— Que vida mansa, hein, vagabundo? Roubando galinha pra ter o que comer sem precisar trabalhar. Vai pra cadeia!

— Não era pra mim não. Era pra vender.

— Pior. Venda de artigo roubado. Concorrência desleal com o comércio estabelecido. Semvergonha!

— Mas eu vendia mais caro.

— Mais caro?

— Espalhei o boato de que as galinhas do galinheiro eram bichadas e as minhas não. E que as do galinheiro botavam ovos brancos enquanto as minhas botavam ovos marrons.

— Mas eram as mesmas galinhas, safado.

— Os ovos das minhas eu pintava.

— Que grande pilantra...

Mas já havia um certo respeito no tom do delegado.

— Ainda bem que tu vai preso. Se o dono do galinheiro te pega...

— Já me pegou. Fiz um acerto com ele. Me comprometi a não espalhar mais boato sobre as galinhas dele, e ele se comprometeu a aumentar os preços dos produtos dele para ficarem iguais aos meus. Convidamos outros donos de galinheiro a entrar no nosso esquema. Formamos um oligopólio. Ou, no caso, um ovigopólio.

— E o que você faz com o lucro do seu negócio?

— Especulo com dólar. Invisto alguma coisa no tráfico de drogas. Comprei alguns deputados. Dois ou três ministros. Consegui a exclusividade no suprimento de galinhas e ovos para os programas de alimentação do governo e superfaturo os preços.

O delegado mandou pedir um cafezinho para o preso e perguntou se a cadeira estava confortável, se ele não queria uma almofada. Depois perguntou:

— Doutor, não me leve a mal, mas com tudo isso, o senhor não está milionário?

— Trilionário. Sem contar o que eu sonego do Imposto de Renda e o que tenho depositado ilegalmente no exterior.

— E, com tudo isso, o senhor continua roubando galinhas?

— Às vezes. Sabe como é.

— Não sei não, excelência. Me explique.

—É que, em todas essas minhas atividades, eu sinto falta de uma coisa. Do risco, entende? Daquela sensação de perigo, de estar fazendo uma coisa proibida, da iminência do castigo. Só roubando galinhas eu me sinto realmente um ladrão, e isso é excitante. Como agora. Fui pego, finalmente. Vou para a cadeia. É uma experiência nova.

— O que é isso, excelência? O senhor não vai ser preso não.

— Mas fui pego em flagrante pulando a cerca do galinheiro!

— Sim. Mas primário, e com esses antecedentes. ..


VERISSIMO, L. F. Verissimo antolégico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.  
Considere o excerto: “Convidamos outros donos de galinheiro a entrar no nosso esquema. Formamos um oligopólio. Ou, no caso, um ovigopólio.” Nesse contexto, decodifica-se o significado do trocadilho com as palavras ‘oligopólio’ e ‘ovigopólio’ porque esta expressão: 
Alternativas
Q3893164 Português
Experiência nova


Pegaram o cara em flagrante roubando galinhas de um galinheiro e levaram para a delegacia.

— Que vida mansa, hein, vagabundo? Roubando galinha pra ter o que comer sem precisar trabalhar. Vai pra cadeia!

— Não era pra mim não. Era pra vender.

— Pior. Venda de artigo roubado. Concorrência desleal com o comércio estabelecido. Semvergonha!

— Mas eu vendia mais caro.

— Mais caro?

— Espalhei o boato de que as galinhas do galinheiro eram bichadas e as minhas não. E que as do galinheiro botavam ovos brancos enquanto as minhas botavam ovos marrons.

— Mas eram as mesmas galinhas, safado.

— Os ovos das minhas eu pintava.

— Que grande pilantra...

Mas já havia um certo respeito no tom do delegado.

— Ainda bem que tu vai preso. Se o dono do galinheiro te pega...

— Já me pegou. Fiz um acerto com ele. Me comprometi a não espalhar mais boato sobre as galinhas dele, e ele se comprometeu a aumentar os preços dos produtos dele para ficarem iguais aos meus. Convidamos outros donos de galinheiro a entrar no nosso esquema. Formamos um oligopólio. Ou, no caso, um ovigopólio.

— E o que você faz com o lucro do seu negócio?

— Especulo com dólar. Invisto alguma coisa no tráfico de drogas. Comprei alguns deputados. Dois ou três ministros. Consegui a exclusividade no suprimento de galinhas e ovos para os programas de alimentação do governo e superfaturo os preços.

O delegado mandou pedir um cafezinho para o preso e perguntou se a cadeira estava confortável, se ele não queria uma almofada. Depois perguntou:

— Doutor, não me leve a mal, mas com tudo isso, o senhor não está milionário?

— Trilionário. Sem contar o que eu sonego do Imposto de Renda e o que tenho depositado ilegalmente no exterior.

— E, com tudo isso, o senhor continua roubando galinhas?

— Às vezes. Sabe como é.

— Não sei não, excelência. Me explique.

—É que, em todas essas minhas atividades, eu sinto falta de uma coisa. Do risco, entende? Daquela sensação de perigo, de estar fazendo uma coisa proibida, da iminência do castigo. Só roubando galinhas eu me sinto realmente um ladrão, e isso é excitante. Como agora. Fui pego, finalmente. Vou para a cadeia. É uma experiência nova.

— O que é isso, excelência? O senhor não vai ser preso não.

— Mas fui pego em flagrante pulando a cerca do galinheiro!

— Sim. Mas primário, e com esses antecedentes. ..


VERISSIMO, L. F. Verissimo antolégico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.  
As palavras ‘doutor’, ‘excelência’ e ‘senhor’, utilizadas no diálogo entre os personagens do texto, são formas de tratamento que indicam: 
Alternativas
Q3893163 Português
Experiência nova


Pegaram o cara em flagrante roubando galinhas de um galinheiro e levaram para a delegacia.

— Que vida mansa, hein, vagabundo? Roubando galinha pra ter o que comer sem precisar trabalhar. Vai pra cadeia!

— Não era pra mim não. Era pra vender.

— Pior. Venda de artigo roubado. Concorrência desleal com o comércio estabelecido. Semvergonha!

— Mas eu vendia mais caro.

— Mais caro?

— Espalhei o boato de que as galinhas do galinheiro eram bichadas e as minhas não. E que as do galinheiro botavam ovos brancos enquanto as minhas botavam ovos marrons.

— Mas eram as mesmas galinhas, safado.

— Os ovos das minhas eu pintava.

— Que grande pilantra...

Mas já havia um certo respeito no tom do delegado.

— Ainda bem que tu vai preso. Se o dono do galinheiro te pega...

— Já me pegou. Fiz um acerto com ele. Me comprometi a não espalhar mais boato sobre as galinhas dele, e ele se comprometeu a aumentar os preços dos produtos dele para ficarem iguais aos meus. Convidamos outros donos de galinheiro a entrar no nosso esquema. Formamos um oligopólio. Ou, no caso, um ovigopólio.

— E o que você faz com o lucro do seu negócio?

— Especulo com dólar. Invisto alguma coisa no tráfico de drogas. Comprei alguns deputados. Dois ou três ministros. Consegui a exclusividade no suprimento de galinhas e ovos para os programas de alimentação do governo e superfaturo os preços.

O delegado mandou pedir um cafezinho para o preso e perguntou se a cadeira estava confortável, se ele não queria uma almofada. Depois perguntou:

— Doutor, não me leve a mal, mas com tudo isso, o senhor não está milionário?

— Trilionário. Sem contar o que eu sonego do Imposto de Renda e o que tenho depositado ilegalmente no exterior.

— E, com tudo isso, o senhor continua roubando galinhas?

— Às vezes. Sabe como é.

— Não sei não, excelência. Me explique.

—É que, em todas essas minhas atividades, eu sinto falta de uma coisa. Do risco, entende? Daquela sensação de perigo, de estar fazendo uma coisa proibida, da iminência do castigo. Só roubando galinhas eu me sinto realmente um ladrão, e isso é excitante. Como agora. Fui pego, finalmente. Vou para a cadeia. É uma experiência nova.

— O que é isso, excelência? O senhor não vai ser preso não.

— Mas fui pego em flagrante pulando a cerca do galinheiro!

— Sim. Mas primário, e com esses antecedentes. ..


VERISSIMO, L. F. Verissimo antolégico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.  
Na linguagem coloquial, ‘ladrão de galinhas’ è o termo utilizado para se referir àqueles que cometem roubos de objetos de pouco ou nenhum valor. No texto, por outro lado, ocorre uma quebra de expectativas em relação ao personagem que comete tal crime, isso porque: 
Alternativas
Q3893162 Português
Experiência nova


Pegaram o cara em flagrante roubando galinhas de um galinheiro e levaram para a delegacia.

— Que vida mansa, hein, vagabundo? Roubando galinha pra ter o que comer sem precisar trabalhar. Vai pra cadeia!

— Não era pra mim não. Era pra vender.

— Pior. Venda de artigo roubado. Concorrência desleal com o comércio estabelecido. Semvergonha!

— Mas eu vendia mais caro.

— Mais caro?

— Espalhei o boato de que as galinhas do galinheiro eram bichadas e as minhas não. E que as do galinheiro botavam ovos brancos enquanto as minhas botavam ovos marrons.

— Mas eram as mesmas galinhas, safado.

— Os ovos das minhas eu pintava.

— Que grande pilantra...

Mas já havia um certo respeito no tom do delegado.

— Ainda bem que tu vai preso. Se o dono do galinheiro te pega...

— Já me pegou. Fiz um acerto com ele. Me comprometi a não espalhar mais boato sobre as galinhas dele, e ele se comprometeu a aumentar os preços dos produtos dele para ficarem iguais aos meus. Convidamos outros donos de galinheiro a entrar no nosso esquema. Formamos um oligopólio. Ou, no caso, um ovigopólio.

— E o que você faz com o lucro do seu negócio?

— Especulo com dólar. Invisto alguma coisa no tráfico de drogas. Comprei alguns deputados. Dois ou três ministros. Consegui a exclusividade no suprimento de galinhas e ovos para os programas de alimentação do governo e superfaturo os preços.

O delegado mandou pedir um cafezinho para o preso e perguntou se a cadeira estava confortável, se ele não queria uma almofada. Depois perguntou:

— Doutor, não me leve a mal, mas com tudo isso, o senhor não está milionário?

— Trilionário. Sem contar o que eu sonego do Imposto de Renda e o que tenho depositado ilegalmente no exterior.

— E, com tudo isso, o senhor continua roubando galinhas?

— Às vezes. Sabe como é.

— Não sei não, excelência. Me explique.

—É que, em todas essas minhas atividades, eu sinto falta de uma coisa. Do risco, entende? Daquela sensação de perigo, de estar fazendo uma coisa proibida, da iminência do castigo. Só roubando galinhas eu me sinto realmente um ladrão, e isso é excitante. Como agora. Fui pego, finalmente. Vou para a cadeia. É uma experiência nova.

— O que é isso, excelência? O senhor não vai ser preso não.

— Mas fui pego em flagrante pulando a cerca do galinheiro!

— Sim. Mas primário, e com esses antecedentes. ..


VERISSIMO, L. F. Verissimo antolégico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.  
No texto ‘Experiência nova’, de Luís Fernando Veríssimo, o humor é desencadeado, principalmente:
Alternativas
Q3893097 Português

Leia o texto a seguir.



Prêmio Nobel de Medicina reconhece pesquisas que

possibilitaram o desenvolvimento da vacina contra a

covid-19



Por Malena Stariolo 



O Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2023 será dividido entre a bioquímica húngara Katalin Karikó e o médico norte- americano Drew Weissman, por suas descobertas sobre como o RNA mensageiro (mRNA) interage com nosso sistema imunológico, o que possibilitou o desenvolvimento de vacinas com essa tecnologia durante a pandemia de covid-19. Segundo a comissão do Nobel, graças às descobertas sobre como modificar o mRNA para que ele pudesse ser utilizado em terapias, os laureados deste ano contribuíram de maneira essencial para o desenvolvimento das vacinas durante “uma das maiores crises de saúde do nosso tempo”.



Disponível em: <https://jornal.unesp.br/2023/10/02/premio-nobel-de-medicina-reconhece-pesquisas-que-possibilitaram-o-desenvolvimento-da-vacina-contra-a-covid-19>. Acesso em: 07 de out. 2023.

No contexto da inovação social e desenvolvimento, a premiação colocou em evidência qual capacidade da atividade científica?
Alternativas
Q3893081 Português
Há uma visão de autonomia que pode ser definida assim: ser autônomo é fazer o que quer, do jeito que quer, na hora em que quer. Ser autônomo é ser livre dos outros. Não concordo com essa noção de autonomia: nem o pior dos ditadores faz o que quer, do jeito que quer, na hora em que quer. Ele pensa que faz. Para mim, o conceito construtivo de autonomia é: ser autônomo é ser parte e todo, ao mesmo tempo.

Nessa dimensão, ressalta-se que a ideia de “Educação inclusiva” precisa ser entendida como:
Marque a expressão que completa coerentemente a visão do enunciado da mensagem textual. 
Alternativas
Q3893018 Português

Leia o texto a seguir.



Algoritmização da vida: Implementação de IAs na

segurança pública e seus impactos



Por Ana Carolina Ferreira  



“Muda-se a tecnologia, mas o racismo estrutural presente no policiamento continua o mesmo. Vemos que o uso da Inteligência Artificial (IA), na verdade, tira a responsabilidade da polícia, porque se houve erro foi culpa do algoritmo e não de quem programou” – Paulo Cruz Terra, docente do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense.


Disponível em: <https://www.uff.br/?q=noticias/27-09-2023/algoritmizacao-da-vida-implementacao-de-ias-na-seguranca-publica-e-seus-impactos>. Acesso em: 08 de out. de 2023.

O texto trata de racismo estrutural para abordar qual erro no uso da IAs na segurança pública?
Alternativas
Q3892833 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


A MAIOR IRONIA PRESENCIADA POR TODOS NÓS 


(1º§) Com o ensino cada vez pior - e ainda por cima sendo mais difícil conseguir uma reprovação, temos gente saindo das universidades quase sem saber coordenar pensamentos e expressá-los por escrito, ou melhor: sem saber o que pensar das coisas, desinformados e desinteressados de quase tudo.

(2º§) Fico imaginando como será em algumas décadas. A ignorância alastrando-se pelas casas, escolas, universidades, escritórios, congressos, senados... Multidões consumistas ululando nas portas e corredores de gigantescos shoppings, países inteiros saindo da obscuridade - não pela democracia, mas para participar da orgia de aquisições, e entrar na modernidade. 

(3º§) Em algumas coisas sou tão pessimista: essa é uma delas. Mas acredito que os que ainda quiserem pensar, estudar, descobrir, inventar, pintar, dançar, cantar ou escrever vão viver numa espécie de ilha. Talvez em universidades tradicionais ou ultra adiantadas, ou no aconchego de bibliotecas em casa, praticamente todas de e-books ou recursos com que nem sonhamos, exigindo pouco espaço. Já existem em países adiantados intelectuais, pensadores, pesquisadores, cientistas pagos simplesmente para pensar.

(4º§) Criar, inventar, descobrir. Um deles, meu conhecido, cujo hobby é tocar piano, conseguiu, sem ter de pedir, uma sala enorme à prova de som, para tocar altas horas ou de dia, sem incomodar vizinhos.

(5º§) As atuais agitações em países do Oriente me fizeram pensar que a filosofia (os gregos) foi substituída pela religião, a religião pelas ideologias, e as ideologias, atualmente, pelo consumismo.

(6º§) Não sou contra consumir, gosto do meu celular eficiente e relativamente moderno, embora saiba que em poucas semanas, ou dias, ele estará ultrapassado. Isso não me incomoda. Não me deixa ansiosa por trocar este por outro, que em pouco tempo também deverá ser substituído, numa compulsão idiota. Não gosto é dessa compulsão idiota. Meu computador e meu notebook são atualizados e eficientes, mas não me importa que em algumas semanas estejam superados, desde que funcionem bem. Gosto de poder trocar de carro quando o outro bate biela (não sei o que é biela mas ouvi falar). Porém, nem posso nem desejo estar sempre com o último modelo, ou o mais luxuoso. Diante da miséria de meu país, acho que isso me envergonharia, como caríssimas joias e bolsas ou roupas de grife.

(7º§) Vivo uma busca de simplicidade, que ajuda bastante a viver curtindo mais e melhor as coisas boas que existem no meio do horror. Podem ser simplíssimas, como um livro interessante, um Mozart profundo, as crianças que correm no jardim de uma casinha que temos na montanha. Um casal de guaxinins fez seu ninho embaixo da varanda, nosso novo encantamento. Se a gente não consegue coisas desse tipo, a vida fica pesada demais. Corrida demais. Relógios demais, compromissos demais, bebida, comida, contas demais, e de repente a velha que chamamos Morte revira seus olhos sinistros de gato, limpa os bigodes e prepara o bote.

(8º§) E nós, onde estamos? Em casa, na cama, na loja, no bar, na praia, na multidão enlouquecida, na solidão do hospital - ou rodeados de alguns afetos essenciais? Ou sozinhos, mas apaziguados? Ou em alguma ilha, que pode ser de artistas ou pensadores dignamente valorizados, ou no minúsculo escritório, ou quarto, em casa, sentindo o contentamento de alguns momentos bons, ou simplesmente refletindo, contemplando?

(9º§) Vamos ter "aproveitado" a vida, coisa que se aconselha aos jovens desde o tempo de minhas avós - aos rapazes naturalmente, naqueles tempos de moças recatadíssimas-, vamos continuar infantilizados, ou vamos melhorar um pouco como seres humanos?

(10º§) Ou isso tudo não nos interessa nadinha (o que é mais provável)?


(Lya Luft. Professora. Palestrante. Escritora) − (Adaptado)
Analise as assertivas com V (Verdadeiro) ou F (Falso):

(__)A palavra "ironia", usada no texto, comprova o descaso pessoal da voz do texto em relação à vida que ela leva de excessiva esnobação.
(__)O uso de verbos e pronomes em primeira pessoa tanto do singular quanto do plural comprovam que a voz do texto se inclui nas ideias que apresenta para comprovar o que chama de ironia.
(__)Com o trecho: "Com o ensino cada vez pior - e ainda por cima sendo mais difícil conseguir uma reprovação", - a voz do texto desfaz a ideia de ironia apresentada a partir da frase que dá título ao texto.
(__)O trecho: "sem saber o que pensar das coisas" − sugere falta de noção, comprovada pela desinformação para construir um pensamento coerente.

Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA dos itens acima, de cima para baixo:
Alternativas
Q3892783 Português
À MARGEM DE UM SONHO

(1º§) Lá se vai uma estória.

(2º§) Menino, magricelo e desdentado, reclamava da encurvada chatice em volta. Ninguém o ouvia, por estarem ocupados com a mesmice de sempre: juros bancários exorbitantes, dívidas vergonhosas, empréstimos. Lengalengas de barbas espessas – geração em geração. Velhacas!

(3º§) Apareceu um sujeitinho de meia idade, simpático, a oferecer uma viagem e tanto: ao reino unido do Sonho. Pedia segredo absoluto, bagagem só de mão, muita delicadeza. Os daqui seriam avisados a não se preocuparem com nada, esperança trotava manso. De trem o percurso, um alerta de vez em quando, céus e céus. Alegria. Marota a moçoila – mãos dadas com o sujeitinho ainda de meia idade.

(4º§) Largada a partida de manhã, névoa negra a esconder o trem das delícias – ao todo eram seis os viajantes. Paisagens, alaranjadas rubras rosáceas, desenhando vales e montanhas comoventes, natureza íntima. 
Menino, confortavelzinho, se perguntava o porquê da escolha, mal acreditando no que escolhera. Atribui às repetidas orações, rezas repletas de fé, a todos os santos. Todinhos. Não queria a ralha descontente de alguém.

(5º§) Com tamanhas interrogações adormeceu o menino, sonhando com o raro voo dos anjos rumo ao irreverente lago dos santos. Assustouse lago? Irreverente? Anjos? Novas e milhares de incertezas povoaram-lhe a cabeçola, crescia e crescia de tamanho, ocupando, gratuito, o assento inteiro da locomotiva. Menino, (lhe eram oferecidas revistas aos montes, para que nada escapasse aos tediosos olhos.)

(6º§) No caudaloso lago, surge uma neguinha, ares de donzela, a lançar o seminu corpo num canto enfeitiçado pelos santos. Quem diria, “o pecado não mora ao lado”, nem debaixo da mesa, tampouco na lousa mágica. Menino – exausto com inúmeras magias, oxalá um tediozinho, saudades.

(7º§) E o senhor de meia idade? Sumira? Sonhara com as revistas ou não?

(8º§) Canto do lago guardava um mistério e um tesouro – cisnes brincalhões a trancafiar as esguias neguinhas de caracóis trançados. Bonitíssimos. Menino louco de vontade em possuí-las, embora não mais o peito franzino, por um viés homem. Chaves só com os santos, infinitos em número, com qual deles? Realidade maldita? Mais vale um feitiço na alma do que dois dedos de prosa. Perderam-se os anéis.

(9º§) Menino jurou ao primeiro santo da pecaminosa fila, um majestoso anel de jade, extraído da terra. Imaginava e acontecia. Modelando com farta paixão a cobiça. Nos sonhos as ideias ganham, ternas e ferrenhas.

(10º§) Apesar das profundas olheiras, menino insistia na viagem lá atrás, desconhecendo, talvez, a estrada de volta. Ou não. O primeiro santo acenou um suplício: numa linguagem oblíqua, requisitava simples perdão. Foi-se uma estória...

(AMBRÓSIO, Ana Lia Vianna. Escritora. Jornal A Tarde Salvador. Bahia) – (Adaptado)
Sobre a composição estrutural do texto, marque a alternativa incorreta
Alternativas
Q3892620 Português
A maçã


No outro dia eu estava traindo o meu médico com um apfelstrudel quando comecei a pensar seriamente na maçã. Na importância da maçã na história do mundo e nos seus significados para a humanidade, nunca muito bem explicados. Dois-pontos. A Bíblia não especifica qual era o fruto proibido que Adão e Eva comeram naquele dia fatídico em que, desobedecendo a Deus, perdemos o Paraíso e em troca ganhamos a mortalidade, o sexo e a indústria do vestuário. Pensando bem, a única fruta que era certo que havia no Paraíso era o figo, pois foi com folhas de figueira que cobriram a nossa protonudez. Só muito mais tarde convencionou-se que, para provocar tanto estrago de uma vez só, a fruta proibida do Paraíso tinha que ser uma maçã. Como a maçã não tem propriedades afrodisíacas nem, que se saiba, estimula a inteligência ou o desrespeito à autoridade, conclui-se que sua reputação se deve à sua aparência, ao seu rubor lustroso e à rigidez das suas formas, que de algum modo simbolizam rebeldia e luxúria. A maçã é um triunfo da sugestão sobre a verdade. Existem frutas muito mais lúbricas, como o próprio figo e a escandalosa romã, enquanto a maçã é recomendada para crianças e convalescentes (no erótico “Cãntico dos cãnticos” ela só entra como terapia: “Confortai-me com maçãs, pois desfaleço de amor”), e mesmo assim a sua fama de provocadora persiste. Também não se sabe ao certo que fruta caiu na cabeça de Newton para que ele descobrisse a gravidade, mas na história ficou que era uma maçã. A maçã parece que está sempre querendo nos dizer alguma coisa. E, no meu caso pessoal, continua induzindo à desobediência e ao pecado. A fruta não me seduz, mas não resisto a nenhum doce feito com maçã, que é a maçã com ainda mais culpa. Não tem sido fácil conciliar a necessidade da dieta e do combate ao colesterol com a minha busca do apfelstrudel perfeito. Mas todos temos uma missão a cumprir neste mundo.


VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
Considere o excerto: “Existem frutas muito mais lúbricas, como o próprio figo e a escandalosa romã, enquanto a maçã é recomendada para crianças e convalescentes”. Neste contexto, a conjunção ‘enquanto’ è responsável por estabelecer uma relação de proporcionalidade com a oração anterior, já que:
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Q3892619 Português
A maçã


No outro dia eu estava traindo o meu médico com um apfelstrudel quando comecei a pensar seriamente na maçã. Na importância da maçã na história do mundo e nos seus significados para a humanidade, nunca muito bem explicados. Dois-pontos. A Bíblia não especifica qual era o fruto proibido que Adão e Eva comeram naquele dia fatídico em que, desobedecendo a Deus, perdemos o Paraíso e em troca ganhamos a mortalidade, o sexo e a indústria do vestuário. Pensando bem, a única fruta que era certo que havia no Paraíso era o figo, pois foi com folhas de figueira que cobriram a nossa protonudez. Só muito mais tarde convencionou-se que, para provocar tanto estrago de uma vez só, a fruta proibida do Paraíso tinha que ser uma maçã. Como a maçã não tem propriedades afrodisíacas nem, que se saiba, estimula a inteligência ou o desrespeito à autoridade, conclui-se que sua reputação se deve à sua aparência, ao seu rubor lustroso e à rigidez das suas formas, que de algum modo simbolizam rebeldia e luxúria. A maçã é um triunfo da sugestão sobre a verdade. Existem frutas muito mais lúbricas, como o próprio figo e a escandalosa romã, enquanto a maçã é recomendada para crianças e convalescentes (no erótico “Cãntico dos cãnticos” ela só entra como terapia: “Confortai-me com maçãs, pois desfaleço de amor”), e mesmo assim a sua fama de provocadora persiste. Também não se sabe ao certo que fruta caiu na cabeça de Newton para que ele descobrisse a gravidade, mas na história ficou que era uma maçã. A maçã parece que está sempre querendo nos dizer alguma coisa. E, no meu caso pessoal, continua induzindo à desobediência e ao pecado. A fruta não me seduz, mas não resisto a nenhum doce feito com maçã, que é a maçã com ainda mais culpa. Não tem sido fácil conciliar a necessidade da dieta e do combate ao colesterol com a minha busca do apfelstrudel perfeito. Mas todos temos uma missão a cumprir neste mundo.


VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
A palavra ‘lúbrica’, no excerto “Existem frutas muito mais lúbricas”, è empregada com sentido conotativo, e é sinônimo de:
Alternativas
Q3892618 Português
A maçã


No outro dia eu estava traindo o meu médico com um apfelstrudel quando comecei a pensar seriamente na maçã. Na importância da maçã na história do mundo e nos seus significados para a humanidade, nunca muito bem explicados. Dois-pontos. A Bíblia não especifica qual era o fruto proibido que Adão e Eva comeram naquele dia fatídico em que, desobedecendo a Deus, perdemos o Paraíso e em troca ganhamos a mortalidade, o sexo e a indústria do vestuário. Pensando bem, a única fruta que era certo que havia no Paraíso era o figo, pois foi com folhas de figueira que cobriram a nossa protonudez. Só muito mais tarde convencionou-se que, para provocar tanto estrago de uma vez só, a fruta proibida do Paraíso tinha que ser uma maçã. Como a maçã não tem propriedades afrodisíacas nem, que se saiba, estimula a inteligência ou o desrespeito à autoridade, conclui-se que sua reputação se deve à sua aparência, ao seu rubor lustroso e à rigidez das suas formas, que de algum modo simbolizam rebeldia e luxúria. A maçã é um triunfo da sugestão sobre a verdade. Existem frutas muito mais lúbricas, como o próprio figo e a escandalosa romã, enquanto a maçã é recomendada para crianças e convalescentes (no erótico “Cãntico dos cãnticos” ela só entra como terapia: “Confortai-me com maçãs, pois desfaleço de amor”), e mesmo assim a sua fama de provocadora persiste. Também não se sabe ao certo que fruta caiu na cabeça de Newton para que ele descobrisse a gravidade, mas na história ficou que era uma maçã. A maçã parece que está sempre querendo nos dizer alguma coisa. E, no meu caso pessoal, continua induzindo à desobediência e ao pecado. A fruta não me seduz, mas não resisto a nenhum doce feito com maçã, que é a maçã com ainda mais culpa. Não tem sido fácil conciliar a necessidade da dieta e do combate ao colesterol com a minha busca do apfelstrudel perfeito. Mas todos temos uma missão a cumprir neste mundo.


VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
Ao mencionar que ‘A maçã è um triunfo da sugestão sobre a verdade’, o autor se refere:
Alternativas
Q3892617 Português
A maçã


No outro dia eu estava traindo o meu médico com um apfelstrudel quando comecei a pensar seriamente na maçã. Na importância da maçã na história do mundo e nos seus significados para a humanidade, nunca muito bem explicados. Dois-pontos. A Bíblia não especifica qual era o fruto proibido que Adão e Eva comeram naquele dia fatídico em que, desobedecendo a Deus, perdemos o Paraíso e em troca ganhamos a mortalidade, o sexo e a indústria do vestuário. Pensando bem, a única fruta que era certo que havia no Paraíso era o figo, pois foi com folhas de figueira que cobriram a nossa protonudez. Só muito mais tarde convencionou-se que, para provocar tanto estrago de uma vez só, a fruta proibida do Paraíso tinha que ser uma maçã. Como a maçã não tem propriedades afrodisíacas nem, que se saiba, estimula a inteligência ou o desrespeito à autoridade, conclui-se que sua reputação se deve à sua aparência, ao seu rubor lustroso e à rigidez das suas formas, que de algum modo simbolizam rebeldia e luxúria. A maçã é um triunfo da sugestão sobre a verdade. Existem frutas muito mais lúbricas, como o próprio figo e a escandalosa romã, enquanto a maçã é recomendada para crianças e convalescentes (no erótico “Cãntico dos cãnticos” ela só entra como terapia: “Confortai-me com maçãs, pois desfaleço de amor”), e mesmo assim a sua fama de provocadora persiste. Também não se sabe ao certo que fruta caiu na cabeça de Newton para que ele descobrisse a gravidade, mas na história ficou que era uma maçã. A maçã parece que está sempre querendo nos dizer alguma coisa. E, no meu caso pessoal, continua induzindo à desobediência e ao pecado. A fruta não me seduz, mas não resisto a nenhum doce feito com maçã, que é a maçã com ainda mais culpa. Não tem sido fácil conciliar a necessidade da dieta e do combate ao colesterol com a minha busca do apfelstrudel perfeito. Mas todos temos uma missão a cumprir neste mundo.


VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
O autor faz referência à história bíblica no excerto “continua induzindo â desobediência e ao pecado” porque:
Alternativas
Q3892571 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

 

O AVANÇO DA TECNOLOGIA E AS TRANSFORMAÇÕES NA SOCIEDADE

 

(1º§) Mudar é preciso, sendo imprescindível estarmos preparados para lidar com a velocidade em que ocorrem as transformações na sociedade. É algo surpreendente e sem precedentes o quanto mudamos na forma de comunicar, relacionar, produzir, consumir e se informar. Podemos perceber isso no mundo do trabalho, no consumo e nos hábitos da população, como exemplo pedir uma refeição, um transporte, fazer uma compra, uma transferência bancária e realizar uma reunião pelo celular.


(2º§) Estamos conectados 24 horas por cada dia e podemos acompanhar em tempo real tudo que ocorre do outro lado do mundo. A tecnologia e a inovação são dois itens que proporcionam evolução e revolução. Quem não acompanhar esse ritmo de transformação ficará desatualizado e fora do contexto social.


(3º§) Há um tempo, falava-se em globalização, que era a quebra de barreiras entre países. Chegamos à era digital, em que suas informações transitam em velocidade instantânea e há comunicação direta entre as pessoas, sem limites de tempo e espaço, estamos falando da quarta revolução industrial e na indústria.


(4º§) Por muito tempo temia-se o avanço tecnológico e não tínhamos a noção de aonde chegaríamos. Falava-se em substituir o homem pela máquina, mas o que podemos perceber é que houve uma integração entre eles.


(5º§) O maior patrimônio das empresas é seu capital intelectual e de seus colaboradores. O ser humano, principalmente dotado de conhecimento, será sempre necessário na concepção de produtos, serviços e na interface com a máquina.


(5º§) Além de lutar pela sobrevivência em mercado acirrado e de elevados custos, as empresas precisam intensificar essa cultura de inovação para se tornarem competitivas. O grande diferencial é criar meios inteligentes de gerar informações, integrar sistemas e oferecer soluções. São necessárias políticas de incentivo à pesquisa e à ciência.


(6º§) Essa é uma realidade em vários países, que, ao longo dos anos, têm investido em avanços tecnológicos e na inovação, como: Alemanha, Estados Unidos, Japão, Coreia. São nações que valorizam e têm orgulho de suas empresas.


(7º§) É importante entender que a tecnologia avança com muita rapidez. Não temos noção de aonde chegaremos com o avanço da tecnologia, mas precisamos estar preparados.

 

(O avanço da tecnologia e as transformações na sociedade - Agência de Notícias da Indústria (portaldaindustria.com.br)) − (Adaptado) - (Disponível 10.11.2023).

Marque a alternativa com o trecho escrito com um pronome que remete o leitor à ideia de ambiguidade. 
Alternativas
Respostas
36241: B
36242: A
36243: B
36244: B
36245: A
36246: C
36247: B
36248: B
36249: C
36250: B
36251: D
36252: D
36253: A
36254: B
36255: A
36256: A
36257: C
36258: B
36259: C
36260: C