Questões de Concurso Comentadas sobre interpretação de textos em português

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Q3988359 Português
TEXTO I


Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz - Lya Luft



    No mês de setembro, ocorre a maioria dos aniversários de minha família: eu mesma, netas, filho, irmão, além dos que já se foram, como mãe e avó materna, sem contar os amigos. Suponho que tenhamos sido inventados nos cálidos meses de verão. Tenho, em relação ao correr do tempo, não amargura ou medo real, mas curiosidade – desde quando, menina mimada, bati o pé porque queria alguma coisa “agora”. Algum adulto presente achou graça e resolveu liquidar a minha manhã: “Deixa de ser boba, o agora nem existe”.

        Iniciou-se um diálogo surreal: a menina curiosa e teimosa insistia em saber que história era aquela. Explicaram que o tempo passa constantemente, de modo que, quando pronunciamos a última letra da palavra “agora”, esse agora já é passado. Obstinada, várias vezes tentei pensar a palavra “agora” empilhando as letras numa coisa só – mas desisti.

       Então, a cada momento, tudo passava, mudava e já era outro? Eu já era outra? Comecei a me angustiar, eu me angustiava com coisas que pouco tinham a ver com crianças, que, segundo adultos de então, deviam brincar, comer, dormir e se portar bem. Ainda por cima, alguém com humor macabro me alertou: “O tempo só para de passar quando a gente morre”. (Assunto para outra crônica.)

      Sempre tive vontade de ser adulta: achava a vida e os assuntos dos “grandes” muito mais interessantes do que os infantis. Detestava ser comandada, numa época de educação bastante severa: por que ir para a cama às sete e meia? Por que só comer comidinha inocente, como purê de batata e carne de frango? Por que não falar muito à mesa? Por que ter de aprender prendas domésticas como toda boa menina? Eu não queria ser uma boa menina: queria ser a Emília do Monteiro Lobato.

        Aí fui vendo que a passagem do tempo não apenas significava transformação e novidades (parte boa para quem facilmente se entediava), mas também perdas, e para muitos o terror da perda da juventude. Tornou-se uma epidemia a busca desesperada por deter a qualquer custo os sinais do tempo: parecer trinta aos sessenta, ter lábios sensuais aos setenta – vale a pena?

       A velhice (desde que não com o detestável nome de melhor idade) é uma fase natural da vida – um dom a ser curtido. Dor e doença não escolhem idade. Nem sempre a juventude é linda. No avançar do tempo, importa preservar certa elegância (quando dá…) e cultivar o bom humor (quando possível…). [...]

      Que se arrume o que nos incomoda, mas dentro de alguma normalidade. Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz, que a gente vai tentar não ficar ainda por cima rabugenta. E quem sabe o rio do tempo desemboca em algum mistério mais interessante do que nossas trapalhadas de agora? 


Fonte: LUFT, Lya. Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz. Disponível em: https://50emais.com.br/lya-luft-deixem-a-gente-ter-o-privilegio-deenvelhecer-em-paz/ Acesso em: 08 fev. 2026 [Fragmento].
Ao longo do Texto I, a autora constrói sua visão sobre o tempo a partir de memórias da infância. Esse recurso contribui para: 
Alternativas
Q3988358 Português
TEXTO I


Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz - Lya Luft



    No mês de setembro, ocorre a maioria dos aniversários de minha família: eu mesma, netas, filho, irmão, além dos que já se foram, como mãe e avó materna, sem contar os amigos. Suponho que tenhamos sido inventados nos cálidos meses de verão. Tenho, em relação ao correr do tempo, não amargura ou medo real, mas curiosidade – desde quando, menina mimada, bati o pé porque queria alguma coisa “agora”. Algum adulto presente achou graça e resolveu liquidar a minha manhã: “Deixa de ser boba, o agora nem existe”.

        Iniciou-se um diálogo surreal: a menina curiosa e teimosa insistia em saber que história era aquela. Explicaram que o tempo passa constantemente, de modo que, quando pronunciamos a última letra da palavra “agora”, esse agora já é passado. Obstinada, várias vezes tentei pensar a palavra “agora” empilhando as letras numa coisa só – mas desisti.

       Então, a cada momento, tudo passava, mudava e já era outro? Eu já era outra? Comecei a me angustiar, eu me angustiava com coisas que pouco tinham a ver com crianças, que, segundo adultos de então, deviam brincar, comer, dormir e se portar bem. Ainda por cima, alguém com humor macabro me alertou: “O tempo só para de passar quando a gente morre”. (Assunto para outra crônica.)

      Sempre tive vontade de ser adulta: achava a vida e os assuntos dos “grandes” muito mais interessantes do que os infantis. Detestava ser comandada, numa época de educação bastante severa: por que ir para a cama às sete e meia? Por que só comer comidinha inocente, como purê de batata e carne de frango? Por que não falar muito à mesa? Por que ter de aprender prendas domésticas como toda boa menina? Eu não queria ser uma boa menina: queria ser a Emília do Monteiro Lobato.

        Aí fui vendo que a passagem do tempo não apenas significava transformação e novidades (parte boa para quem facilmente se entediava), mas também perdas, e para muitos o terror da perda da juventude. Tornou-se uma epidemia a busca desesperada por deter a qualquer custo os sinais do tempo: parecer trinta aos sessenta, ter lábios sensuais aos setenta – vale a pena?

       A velhice (desde que não com o detestável nome de melhor idade) é uma fase natural da vida – um dom a ser curtido. Dor e doença não escolhem idade. Nem sempre a juventude é linda. No avançar do tempo, importa preservar certa elegância (quando dá…) e cultivar o bom humor (quando possível…). [...]

      Que se arrume o que nos incomoda, mas dentro de alguma normalidade. Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz, que a gente vai tentar não ficar ainda por cima rabugenta. E quem sabe o rio do tempo desemboca em algum mistério mais interessante do que nossas trapalhadas de agora? 


Fonte: LUFT, Lya. Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz. Disponível em: https://50emais.com.br/lya-luft-deixem-a-gente-ter-o-privilegio-deenvelhecer-em-paz/ Acesso em: 08 fev. 2026 [Fragmento].
No trecho final do Texto I, ao afirmar “E quem sabe o rio do tempo desemboca em algum mistério mais interessante do que nossas trapalhadas de agora?”, a autora:
Alternativas
Q3988357 Português
TEXTO I


Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz - Lya Luft



    No mês de setembro, ocorre a maioria dos aniversários de minha família: eu mesma, netas, filho, irmão, além dos que já se foram, como mãe e avó materna, sem contar os amigos. Suponho que tenhamos sido inventados nos cálidos meses de verão. Tenho, em relação ao correr do tempo, não amargura ou medo real, mas curiosidade – desde quando, menina mimada, bati o pé porque queria alguma coisa “agora”. Algum adulto presente achou graça e resolveu liquidar a minha manhã: “Deixa de ser boba, o agora nem existe”.

        Iniciou-se um diálogo surreal: a menina curiosa e teimosa insistia em saber que história era aquela. Explicaram que o tempo passa constantemente, de modo que, quando pronunciamos a última letra da palavra “agora”, esse agora já é passado. Obstinada, várias vezes tentei pensar a palavra “agora” empilhando as letras numa coisa só – mas desisti.

       Então, a cada momento, tudo passava, mudava e já era outro? Eu já era outra? Comecei a me angustiar, eu me angustiava com coisas que pouco tinham a ver com crianças, que, segundo adultos de então, deviam brincar, comer, dormir e se portar bem. Ainda por cima, alguém com humor macabro me alertou: “O tempo só para de passar quando a gente morre”. (Assunto para outra crônica.)

      Sempre tive vontade de ser adulta: achava a vida e os assuntos dos “grandes” muito mais interessantes do que os infantis. Detestava ser comandada, numa época de educação bastante severa: por que ir para a cama às sete e meia? Por que só comer comidinha inocente, como purê de batata e carne de frango? Por que não falar muito à mesa? Por que ter de aprender prendas domésticas como toda boa menina? Eu não queria ser uma boa menina: queria ser a Emília do Monteiro Lobato.

        Aí fui vendo que a passagem do tempo não apenas significava transformação e novidades (parte boa para quem facilmente se entediava), mas também perdas, e para muitos o terror da perda da juventude. Tornou-se uma epidemia a busca desesperada por deter a qualquer custo os sinais do tempo: parecer trinta aos sessenta, ter lábios sensuais aos setenta – vale a pena?

       A velhice (desde que não com o detestável nome de melhor idade) é uma fase natural da vida – um dom a ser curtido. Dor e doença não escolhem idade. Nem sempre a juventude é linda. No avançar do tempo, importa preservar certa elegância (quando dá…) e cultivar o bom humor (quando possível…). [...]

      Que se arrume o que nos incomoda, mas dentro de alguma normalidade. Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz, que a gente vai tentar não ficar ainda por cima rabugenta. E quem sabe o rio do tempo desemboca em algum mistério mais interessante do que nossas trapalhadas de agora? 


Fonte: LUFT, Lya. Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz. Disponível em: https://50emais.com.br/lya-luft-deixem-a-gente-ter-o-privilegio-deenvelhecer-em-paz/ Acesso em: 08 fev. 2026 [Fragmento].
O Texto I constrói uma reflexão sobre o tempo e o envelhecimento. Considerando o desenvolvimento das ideias ao longo do texto, é CORRETO afirmar que se defende:
Alternativas
Q3987672 Português
Observemos o seguinte relato do paciente, Sr. P, de 67 anos, num hospital:

Essa coisa de WhatsApp é muito boa. Podem dizer o que quiserem, mas, para mim, é excelente. Converso e bato papo sobre bobagens e até me encontro com pessoas. Antes ficava esperando quem me ligasse. Hoje, não. Nada doentio, tudo saudável. Estou mais perto, muito mais, da minha família.

Podemos dizer, segundo o texto, que o Sr. Paulo tem no WhatsApp um dispositivo que o ajuda no monitoramento da sua vida, ou seja, que lhe permite o(a) 

I. planejamento financeiro e previdencial.
II. manutenção de hábitos saudáveis ao longo da vida.
III. estabelecimento de uma rede de apoio social.
IV. adaptação às inovações tecnológicas.
V. educação contínua e flexibilidade.

Podemos constatar, CORRETAMENTE, o alcance dos seguintes objetivos: 
Alternativas
Q3985526 Português
Leia o trecho abaixo, retirado dos Parâmetros Curriculares Nacionais.

"É, nesse contexto, portanto, que devem ser compreendidos os ____________: por um lado, como aprendizagens indispensáveis ao final de um período; por outro, como referências que permitem - se comparados aos objetivos do ensino e ao conhecimento prévio com que o aluno iniciou a aprendizagem - a análise dos seus avanços ao longo do processo, considerando que as manifestações desses avanços não são lineares, nem idênticas." (BRASIL, 1997, p. 64)
Assinale a alternativa que preenche corretamente a lacuna no texto acima. 
Alternativas
Q3985523 Português
Quais as duas crenças, de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa, que “produziram uma prática de mutilação cultural que, além de desvalorizar a fala do aluno, tratando sua comunidade como se fosse formada por incapazes, denota desconhecimento de que a escrita de uma língua não corresponde inteiramente a nenhum de seus dialetos por mais prestígio que um deles tenha em um dado momento histórico” (BRASIL, 1997, p. 26)?
Alternativas
Q3985520 Português
Leia o trecho abaixo, retirado da BNCC.

“Em tese, a Web é democrática: todos podem acessá-la e alimentá-la continuamente. Mas se esse espaço é livre e bastante familiar para crianças, adolescentes e jovens de hoje, por que a escola teria que, de alguma forma, considerá-lo?” (BRASIL, 2018, p. 68)
Para a Base Nacional, o papel da área de linguagens frente à Web é:
Alternativas
Q3985518 Português
Ao colocar o estudo do texto e dos gêneros discursivos, de diferentes esferas, no centro do ensino de língua portuguesa, a Base Nacional Comum Curricular atesta “Não se trata de deixar de privilegiar o escrito/ impresso nem de deixar de considerar gêneros e práticas consagrados pela escola” (BRASIL, 2018, p. 69). Selecione a alternativa que não apresenta um dos gêneros/ práticas consagrados pela escola segundo a BNCC: 
Alternativas
Q3985512 Português
Segundo a Base Nacional Comum Curricular, em relação ao eixo análise linguística/ semiótica, o trecho "Em especial, devem ser objeto de reflexão [...] o valor social atribuído às variedades de prestígio e às variedades estigmatizadas, que está relacionado a preconceitos sociais" (BRASIL, 2018, p. 81). O referido trecho trata de:
Alternativas
Q3985511 Português
Leia o trecho abaixo:

“__________ nos são dados quase da mesma forma que nos é dada a língua materna, a qual dominamos livremente até começarmos o estudo teórico da gramática. A língua materna - sua composição vocabular e sua estrutura gramatical - não chega ao nosso conhecimento a partir de dicionários e gramáticas, mas de enunciações concretas que nós mesmos reproduzimos na comunicação discursiva com as pessoas que nos rodeiam. Assimilamos as formas da língua somente nas formas assumidas pelo enunciado e juntamente com essas formas.”

(BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1997, p. 301-302)
O sintagma que preenche corretamente a lacuna do texto é:
Alternativas
Q3985509 Português
Selecione a alternativa que não apresenta uma dimensão inter-relacionada às práticas de uso e reflexão do eixo leitura de acordo com a BNCC.
Alternativas
Q3985508 Português
Leia os dois trechos abaixo, retirados da Base Nacional Comum Curricular.

“Tal proposta assume a centralidade do ________ como unidade de trabalho e as perspectivas enunciativo-discursivas na abordagem, de forma a sempre relacionar os textos a seus contextos de produção e o desenvolvimento de habilidades ao uso significativo da linguagem em atividades de leitura, escuta e produção de textos em várias mídias e semioses” (BRASIL, 2018, p. 67)

“Na esteira do que foi proposto nos Parâmetros Curriculares Nacionais, ________ ganha centralidade na definição dos conteúdos, habilidades e objetivos, considerando a partir de seu pertencimento a um gênero discursivo que circula em diferentes esferas/campos sociais de atividade/comunicação/uso da linguagem” (BRASIL, 2018, p. 67) 
A palavra que preenche corretamente as lacunas dos textos é: 
Alternativas
Q3984755 Português

Para responder à questão, leia o texto abaixo.

 

O combinado que nunca fizemos

 

No restaurante, da mesa ao lado, eu via o pai no celular, os dois filhos no celular e a mãe ali, presente, comendo sozinha no meio da própria família. Não consegui me desligar da cena. Ela já desistiu de competir com as telas? Está com raiva? Está acostumada? Nem percebe mais?

Eu não a conheço, mas reconheço o que vi. Você, provavelmente, também.

Aquela mesa é um retrato silencioso de algo que aconteceu sem que ninguém tenha decidido que deveria acontecer. O celular não está na vida das famílias brasileiras por decisão pedagógica, recomendação médica ou escolha consciente. Está por conveniência, por cansaço, porque a criança está entediada, porque a refeição fica mais tranquila, porque os pais precisavam de dez minutos de paz... E o celular entrega isso de graça, na hora, sem esforço.

Nunca combinamos nada. E quando não se combina nada, o padrão vence. O padrão, hoje, é tela.

E o Brasil já tem números para provar que essa não é uma impressão de quem almoça ao lado de uma família fora da regra. Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024, do Cetic.br, 93% das crianças e adolescentes de nove a 17 anos usam a internet. São 24,5 milhões de pessoas. Dessas, 98% acessam pelo celular. Aos nove anos, 60% têm perfil em rede social. Aos 15, são 99%.

Mas o dado que mais me assusta não é esse.

É que 72% das crianças e adolescentes têm permissão dos pais para usar redes sociais quando estão sozinhos. E apenas um quarto dos responsáveis usa alguma ferramenta para limitar o tempo de uso.

A maioria das famílias brasileiras não tem um combinado claro. E, sem combinado, o padrão vence.

Para piorar: quando os próprios jovens tentam reagir, não conseguem. A mesma pesquisa mostra que 24% dos adolescentes de 11 a 17 anos tentaram passar menos tempo na internet e falharam. Cerca de um em cada cinco admite ter passado menos tempo com família, amigos ou lição de casa por causa do uso excessivo. Uma parcela semelhante relata ter deixado de comer ou dormir.

Esses não são adultos com anos de hábito acumulado. São crianças e adolescentes que já se percebem presos em um vício, que não conseguem sair sozinhos.

A situação começa antes do que a maioria imagina. Uma pesquisa da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal com o Datafolha, publicada em 2025, revelou que 78% das crianças de zero a três anos já estão expostas a telas todos os dias. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda, para essa faixa etária, zero. Não é uma hora, nem meia. É zero.

Estamos tão longe da recomendação que ela virou ficção.

E aqui preciso fazer uma pausa para falar de algo que os dados brasileiros deixam claro e que poucos comentam: a solidão das mães nessa luta. Em praticamente todas as perguntas da TIC Kids Online sobre quem orienta, quem conversa, quem supervisiona o uso de internet dos filhos, as mães aparecem em maioria. São elas que mais checam o celular dos filhos, que mais estabelecem regras, que mais tentam acompanhar o que acontece nas telas. A mãe daquele restaurante, comendo sozinha enquanto o marido e os filhos estão presos em seus aparelhos, não é uma exceção. É um padrão.

Em janeiro de 2025, a Lei 15.100 restringiu o uso de celulares por estudantes nas escolas brasileiras. Foi um passo importante: a escola fez o combinado que podia fazer. Mas a lei termina no portão da escola. Quando a criança chega em casa, quem decide?

Não estou aqui para culpar os pais. Eu consigo me colocar no lugar de um pai. Sei o que é o fim de um dia longo, o cansaço que transforma qualquer tela num salva-vidas. Sei que muitas vezes o celular é a única ferramenta disponível para entreter enquanto se cozinha, se trabalha, se sobrevive. Não é justo fingir que a realidade é simples.

Mas também não podemos fingir que não há consequências.

O combinado que falta não precisa seguir manual. Precisa existir. Uma conversa entre os adultos da casa sobre quanto tempo é razoável. Uma conversa com os filhos, adequada ____ idade, sobre o que é permitido e o que não é. Zonas da casa e momentos do dia em que o celular deve ficar guardado. Durante refeições, por exemplo. Na hora de dormir. No trajeto até ____ escola.

São coisas pequenas, mas são decisões fundamentais. E decisão é o oposto do que temos hoje, que é rendição.

 

Autor: Rafael Parente - GZH (adaptado).

No encerramento do texto, o autor contrapõe decisão e rendição ao afirmar que, na prática cotidiana, decisão é o oposto do que temos hoje, que é rendição. Considerando o contexto argumentativo e a crítica ao uso do celular por conveniência, assinale a alternativa que expressa CORRETAMENTE o sentido de rendição nesse trecho.
Alternativas
Q3984751 Português

Para responder à questão, leia o texto abaixo.

 

O combinado que nunca fizemos

 

No restaurante, da mesa ao lado, eu via o pai no celular, os dois filhos no celular e a mãe ali, presente, comendo sozinha no meio da própria família. Não consegui me desligar da cena. Ela já desistiu de competir com as telas? Está com raiva? Está acostumada? Nem percebe mais?

Eu não a conheço, mas reconheço o que vi. Você, provavelmente, também.

Aquela mesa é um retrato silencioso de algo que aconteceu sem que ninguém tenha decidido que deveria acontecer. O celular não está na vida das famílias brasileiras por decisão pedagógica, recomendação médica ou escolha consciente. Está por conveniência, por cansaço, porque a criança está entediada, porque a refeição fica mais tranquila, porque os pais precisavam de dez minutos de paz... E o celular entrega isso de graça, na hora, sem esforço.

Nunca combinamos nada. E quando não se combina nada, o padrão vence. O padrão, hoje, é tela.

E o Brasil já tem números para provar que essa não é uma impressão de quem almoça ao lado de uma família fora da regra. Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024, do Cetic.br, 93% das crianças e adolescentes de nove a 17 anos usam a internet. São 24,5 milhões de pessoas. Dessas, 98% acessam pelo celular. Aos nove anos, 60% têm perfil em rede social. Aos 15, são 99%.

Mas o dado que mais me assusta não é esse.

É que 72% das crianças e adolescentes têm permissão dos pais para usar redes sociais quando estão sozinhos. E apenas um quarto dos responsáveis usa alguma ferramenta para limitar o tempo de uso.

A maioria das famílias brasileiras não tem um combinado claro. E, sem combinado, o padrão vence.

Para piorar: quando os próprios jovens tentam reagir, não conseguem. A mesma pesquisa mostra que 24% dos adolescentes de 11 a 17 anos tentaram passar menos tempo na internet e falharam. Cerca de um em cada cinco admite ter passado menos tempo com família, amigos ou lição de casa por causa do uso excessivo. Uma parcela semelhante relata ter deixado de comer ou dormir.

Esses não são adultos com anos de hábito acumulado. São crianças e adolescentes que já se percebem presos em um vício, que não conseguem sair sozinhos.

A situação começa antes do que a maioria imagina. Uma pesquisa da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal com o Datafolha, publicada em 2025, revelou que 78% das crianças de zero a três anos já estão expostas a telas todos os dias. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda, para essa faixa etária, zero. Não é uma hora, nem meia. É zero.

Estamos tão longe da recomendação que ela virou ficção.

E aqui preciso fazer uma pausa para falar de algo que os dados brasileiros deixam claro e que poucos comentam: a solidão das mães nessa luta. Em praticamente todas as perguntas da TIC Kids Online sobre quem orienta, quem conversa, quem supervisiona o uso de internet dos filhos, as mães aparecem em maioria. São elas que mais checam o celular dos filhos, que mais estabelecem regras, que mais tentam acompanhar o que acontece nas telas. A mãe daquele restaurante, comendo sozinha enquanto o marido e os filhos estão presos em seus aparelhos, não é uma exceção. É um padrão.

Em janeiro de 2025, a Lei 15.100 restringiu o uso de celulares por estudantes nas escolas brasileiras. Foi um passo importante: a escola fez o combinado que podia fazer. Mas a lei termina no portão da escola. Quando a criança chega em casa, quem decide?

Não estou aqui para culpar os pais. Eu consigo me colocar no lugar de um pai. Sei o que é o fim de um dia longo, o cansaço que transforma qualquer tela num salva-vidas. Sei que muitas vezes o celular é a única ferramenta disponível para entreter enquanto se cozinha, se trabalha, se sobrevive. Não é justo fingir que a realidade é simples.

Mas também não podemos fingir que não há consequências.

O combinado que falta não precisa seguir manual. Precisa existir. Uma conversa entre os adultos da casa sobre quanto tempo é razoável. Uma conversa com os filhos, adequada ____ idade, sobre o que é permitido e o que não é. Zonas da casa e momentos do dia em que o celular deve ficar guardado. Durante refeições, por exemplo. Na hora de dormir. No trajeto até ____ escola.

São coisas pequenas, mas são decisões fundamentais. E decisão é o oposto do que temos hoje, que é rendição.

 

Autor: Rafael Parente - GZH (adaptado).

O autor reconhece que, em muitas rotinas familiares, o celular é a única ferramenta disponível para entreter enquanto se cozinha, se trabalha, se sobrevive. Considerando o sentido de entreter nesse contexto, assinale a alternativa em que a palavra proposta pode substituí-la sem alterar a ideia central do período.

Alternativas
Q3984750 Português

Para responder à questão, leia o texto abaixo.

 

O combinado que nunca fizemos

 

No restaurante, da mesa ao lado, eu via o pai no celular, os dois filhos no celular e a mãe ali, presente, comendo sozinha no meio da própria família. Não consegui me desligar da cena. Ela já desistiu de competir com as telas? Está com raiva? Está acostumada? Nem percebe mais?

Eu não a conheço, mas reconheço o que vi. Você, provavelmente, também.

Aquela mesa é um retrato silencioso de algo que aconteceu sem que ninguém tenha decidido que deveria acontecer. O celular não está na vida das famílias brasileiras por decisão pedagógica, recomendação médica ou escolha consciente. Está por conveniência, por cansaço, porque a criança está entediada, porque a refeição fica mais tranquila, porque os pais precisavam de dez minutos de paz... E o celular entrega isso de graça, na hora, sem esforço.

Nunca combinamos nada. E quando não se combina nada, o padrão vence. O padrão, hoje, é tela.

E o Brasil já tem números para provar que essa não é uma impressão de quem almoça ao lado de uma família fora da regra. Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024, do Cetic.br, 93% das crianças e adolescentes de nove a 17 anos usam a internet. São 24,5 milhões de pessoas. Dessas, 98% acessam pelo celular. Aos nove anos, 60% têm perfil em rede social. Aos 15, são 99%.

Mas o dado que mais me assusta não é esse.

É que 72% das crianças e adolescentes têm permissão dos pais para usar redes sociais quando estão sozinhos. E apenas um quarto dos responsáveis usa alguma ferramenta para limitar o tempo de uso.

A maioria das famílias brasileiras não tem um combinado claro. E, sem combinado, o padrão vence.

Para piorar: quando os próprios jovens tentam reagir, não conseguem. A mesma pesquisa mostra que 24% dos adolescentes de 11 a 17 anos tentaram passar menos tempo na internet e falharam. Cerca de um em cada cinco admite ter passado menos tempo com família, amigos ou lição de casa por causa do uso excessivo. Uma parcela semelhante relata ter deixado de comer ou dormir.

Esses não são adultos com anos de hábito acumulado. São crianças e adolescentes que já se percebem presos em um vício, que não conseguem sair sozinhos.

A situação começa antes do que a maioria imagina. Uma pesquisa da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal com o Datafolha, publicada em 2025, revelou que 78% das crianças de zero a três anos já estão expostas a telas todos os dias. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda, para essa faixa etária, zero. Não é uma hora, nem meia. É zero.

Estamos tão longe da recomendação que ela virou ficção.

E aqui preciso fazer uma pausa para falar de algo que os dados brasileiros deixam claro e que poucos comentam: a solidão das mães nessa luta. Em praticamente todas as perguntas da TIC Kids Online sobre quem orienta, quem conversa, quem supervisiona o uso de internet dos filhos, as mães aparecem em maioria. São elas que mais checam o celular dos filhos, que mais estabelecem regras, que mais tentam acompanhar o que acontece nas telas. A mãe daquele restaurante, comendo sozinha enquanto o marido e os filhos estão presos em seus aparelhos, não é uma exceção. É um padrão.

Em janeiro de 2025, a Lei 15.100 restringiu o uso de celulares por estudantes nas escolas brasileiras. Foi um passo importante: a escola fez o combinado que podia fazer. Mas a lei termina no portão da escola. Quando a criança chega em casa, quem decide?

Não estou aqui para culpar os pais. Eu consigo me colocar no lugar de um pai. Sei o que é o fim de um dia longo, o cansaço que transforma qualquer tela num salva-vidas. Sei que muitas vezes o celular é a única ferramenta disponível para entreter enquanto se cozinha, se trabalha, se sobrevive. Não é justo fingir que a realidade é simples.

Mas também não podemos fingir que não há consequências.

O combinado que falta não precisa seguir manual. Precisa existir. Uma conversa entre os adultos da casa sobre quanto tempo é razoável. Uma conversa com os filhos, adequada ____ idade, sobre o que é permitido e o que não é. Zonas da casa e momentos do dia em que o celular deve ficar guardado. Durante refeições, por exemplo. Na hora de dormir. No trajeto até ____ escola.

São coisas pequenas, mas são decisões fundamentais. E decisão é o oposto do que temos hoje, que é rendição.

 

Autor: Rafael Parente - GZH (adaptado).

Para ampliar a discussão, o autor menciona outros levantamentos e marcos normativos e os relaciona a escolhas familiares e rotinas domésticas. Com base nas informações expressas no texto, assinale a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Q3984749 Português

Para responder à questão, leia o texto abaixo.

 

O combinado que nunca fizemos

 

No restaurante, da mesa ao lado, eu via o pai no celular, os dois filhos no celular e a mãe ali, presente, comendo sozinha no meio da própria família. Não consegui me desligar da cena. Ela já desistiu de competir com as telas? Está com raiva? Está acostumada? Nem percebe mais?

Eu não a conheço, mas reconheço o que vi. Você, provavelmente, também.

Aquela mesa é um retrato silencioso de algo que aconteceu sem que ninguém tenha decidido que deveria acontecer. O celular não está na vida das famílias brasileiras por decisão pedagógica, recomendação médica ou escolha consciente. Está por conveniência, por cansaço, porque a criança está entediada, porque a refeição fica mais tranquila, porque os pais precisavam de dez minutos de paz... E o celular entrega isso de graça, na hora, sem esforço.

Nunca combinamos nada. E quando não se combina nada, o padrão vence. O padrão, hoje, é tela.

E o Brasil já tem números para provar que essa não é uma impressão de quem almoça ao lado de uma família fora da regra. Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024, do Cetic.br, 93% das crianças e adolescentes de nove a 17 anos usam a internet. São 24,5 milhões de pessoas. Dessas, 98% acessam pelo celular. Aos nove anos, 60% têm perfil em rede social. Aos 15, são 99%.

Mas o dado que mais me assusta não é esse.

É que 72% das crianças e adolescentes têm permissão dos pais para usar redes sociais quando estão sozinhos. E apenas um quarto dos responsáveis usa alguma ferramenta para limitar o tempo de uso.

A maioria das famílias brasileiras não tem um combinado claro. E, sem combinado, o padrão vence.

Para piorar: quando os próprios jovens tentam reagir, não conseguem. A mesma pesquisa mostra que 24% dos adolescentes de 11 a 17 anos tentaram passar menos tempo na internet e falharam. Cerca de um em cada cinco admite ter passado menos tempo com família, amigos ou lição de casa por causa do uso excessivo. Uma parcela semelhante relata ter deixado de comer ou dormir.

Esses não são adultos com anos de hábito acumulado. São crianças e adolescentes que já se percebem presos em um vício, que não conseguem sair sozinhos.

A situação começa antes do que a maioria imagina. Uma pesquisa da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal com o Datafolha, publicada em 2025, revelou que 78% das crianças de zero a três anos já estão expostas a telas todos os dias. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda, para essa faixa etária, zero. Não é uma hora, nem meia. É zero.

Estamos tão longe da recomendação que ela virou ficção.

E aqui preciso fazer uma pausa para falar de algo que os dados brasileiros deixam claro e que poucos comentam: a solidão das mães nessa luta. Em praticamente todas as perguntas da TIC Kids Online sobre quem orienta, quem conversa, quem supervisiona o uso de internet dos filhos, as mães aparecem em maioria. São elas que mais checam o celular dos filhos, que mais estabelecem regras, que mais tentam acompanhar o que acontece nas telas. A mãe daquele restaurante, comendo sozinha enquanto o marido e os filhos estão presos em seus aparelhos, não é uma exceção. É um padrão.

Em janeiro de 2025, a Lei 15.100 restringiu o uso de celulares por estudantes nas escolas brasileiras. Foi um passo importante: a escola fez o combinado que podia fazer. Mas a lei termina no portão da escola. Quando a criança chega em casa, quem decide?

Não estou aqui para culpar os pais. Eu consigo me colocar no lugar de um pai. Sei o que é o fim de um dia longo, o cansaço que transforma qualquer tela num salva-vidas. Sei que muitas vezes o celular é a única ferramenta disponível para entreter enquanto se cozinha, se trabalha, se sobrevive. Não é justo fingir que a realidade é simples.

Mas também não podemos fingir que não há consequências.

O combinado que falta não precisa seguir manual. Precisa existir. Uma conversa entre os adultos da casa sobre quanto tempo é razoável. Uma conversa com os filhos, adequada ____ idade, sobre o que é permitido e o que não é. Zonas da casa e momentos do dia em que o celular deve ficar guardado. Durante refeições, por exemplo. Na hora de dormir. No trajeto até ____ escola.

São coisas pequenas, mas são decisões fundamentais. E decisão é o oposto do que temos hoje, que é rendição.

 

Autor: Rafael Parente - GZH (adaptado).

O texto apresenta resultados de uma pesquisa nacional (TIC Kids Online Brasil 2024, do Cetic.br) para sustentar a ideia de que o uso de telas por crianças e adolescentes deixou de ser uma impressão e passou a ser um fenômeno mensurável. Considerando apenas os dados explicitados, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3983568 Português
Os símbolos municipais — brasão, bandeira, hino e gentílico — não se restringem a elementos meramente decorativos, mas desempenham papel relevante na construção da identidade coletiva, na valorização da memória histórica e no fortalecimento do sentimento de pertencimento da população ao espaço político-administrativo local. Nesse sentido, os símbolos do Município de São João da Baliza cumprem função relacionada principalmente à:
Alternativas
Q3983565 Português
"A Usurpadora": o que aconteceu com a mansão Bracho na vida real?

Propriedade serviu de cenário externo para a novela mexicana e destino da mansão da família Bracho é surpreendente após o fim da novela exibida pelo SBT (Felipe Carvalho, da CNN)

A novela "A Usurpadora" é um verdadeiro sucesso desde que estreou no Brasil em 2000, e continua no mesmo caminho em sua 8ª exibição no SBT. A trama -- que conta a história de Paulina (Gabriela Spanic), que ocupa o lugar de Paola na mansão da família Bracho, enquanto a irmã gêmea viaja com amantes pelo mundo -- foi produzida pela Televisa, no México, em 1998.

Boa parte das histórias da novela aconteciam na mansão da família Bracho e eram gravadas em uma casa gigante no bairro nobre Polanco, na Cidade do México, capital do país. A propriedade amarela era muito marcante durante todo o enredo e simbolizava o poder e a riqueza da família Bracho.

Mas o que aconteceu com a mansão Bracho após o fim das gravações da novela "A Usurpadora"? A casa de Carlos Daniel (Fernando Colunga) ficava na Rua Rubén Darío, 225, mas quem tentar visitar a propriedade não a encontrará mais por lá.

O local passou 15 anos abandonado, sem manutenção, o mato tomou conta do jardim que era cuidado pelo jardineiro Seu Chico (Tito Guízar) e a pintura da mansão perdeu a intensidade. O terreno foi vendido para uma construtora, que demoliu a mansão e levantou um prédio de luxo no local em 2014. De acordo com o site oficial da imobiliária que negocia os apartamentos no local, a região é uma das mais privilegiadas da capital mexicana e os apartamentos têm uma metragem mínima de 450 m² e podem chegar a 565 m².

Cada apartamento é vendido por preços que vão de 3,3 a 4,9 milhões de dólares, o equivalente a 18,3 a 27,3 milhões de reais, de acordo com informações da imobiliária Inmuebles Hahn y Casane Properties, que negocia imóveis de luxo na região. Os preços podem variar de acordo com a metragem, acabamento e as características de cada imóvel.


Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/ a-usurpadora-o-que-aconteceu-com-amansao-bracho-na-vida-real/ acesso jan, 2026.
A partir da leitura do texto, é possível depreender que a mansão Bracho:
Alternativas
Q3983418 Português
        Fabiano estava de bom humor. Dias antes a enchente havia coberto as marcas postas no fim da terra de aluvião, alcançava as catingueiras, que deviam estar submersas. Certamente só apareciam as folhas, a espuma subia, lambendo ribanceiras que se desmoronavam.

        Dentro em pouco o despotismo de água ia acabar, mas Fabiano não pensava no futuro. Por enquanto a inundação crescia, matava bichos, ocupava grotas e várzeas. Tudo muito bem. E Fabiano esfregava as mãos. Não havia o perigo da seca imediata, que aterrorizara a família durante meses. A catinga amarelecera, avermelhara-se, o gado principiara a emagrecer e horríveis visões de pesadelo tinham agitado o sono das pessoas. De repente um traço ligeiro rasgara o céu para os lados da cabeceira do rio, outros surgiram mais claros, o trovão roncara perto, na escuridão da meia-noite rolaram nuvens cor de sangue. A ventania arrancara sucupiras e imburanas, houvera relâmpagos em demasia – e Sinha Vitória se escondera na camarinha com os filhos, tapando as orelhas, enrolando-se nas cobertas. Mas aquela brutalidade findara de chofre, a chuva caíra, a cabeça da cheia aparecera arrastando troncos e animais mortos. A água tinha subido, alcançado a ladeira, estava com vontade de chegar aos juazeiros do fim do pátio. Sinha Vitória andava amedrontada. Seria possível que a água topasse os juazeiros? Se isto acontecesse, a casa seria invadida, os moradores teriam de subir o morro, viver uns dias no morro, como preás.

        Suspirava atiçando o fogo com o cabo da quenga de coco. Deus não permitiria que sucedesse tal desgraça.

(Graciliano Ramos, Vidas Secas, 1998)
Considere as passagens do texto:
•  Dias antes a enchente havia coberto as marcas postas no fim da terra de aluvião... (1º parágrafo)
•  Dentro em pouco o despotismo de água ia acabar, mas Fabiano não pensava no futuro. (2º parágrafo)
•  Seria possível que a água topasse os juazeiros? (2º parágrafo)

No contexto em que estão empregadas, as expressões destacadas exprimem, correta e respectivamente, sentidos de:
Alternativas
Q3983417 Português
        Fabiano estava de bom humor. Dias antes a enchente havia coberto as marcas postas no fim da terra de aluvião, alcançava as catingueiras, que deviam estar submersas. Certamente só apareciam as folhas, a espuma subia, lambendo ribanceiras que se desmoronavam.

        Dentro em pouco o despotismo de água ia acabar, mas Fabiano não pensava no futuro. Por enquanto a inundação crescia, matava bichos, ocupava grotas e várzeas. Tudo muito bem. E Fabiano esfregava as mãos. Não havia o perigo da seca imediata, que aterrorizara a família durante meses. A catinga amarelecera, avermelhara-se, o gado principiara a emagrecer e horríveis visões de pesadelo tinham agitado o sono das pessoas. De repente um traço ligeiro rasgara o céu para os lados da cabeceira do rio, outros surgiram mais claros, o trovão roncara perto, na escuridão da meia-noite rolaram nuvens cor de sangue. A ventania arrancara sucupiras e imburanas, houvera relâmpagos em demasia – e Sinha Vitória se escondera na camarinha com os filhos, tapando as orelhas, enrolando-se nas cobertas. Mas aquela brutalidade findara de chofre, a chuva caíra, a cabeça da cheia aparecera arrastando troncos e animais mortos. A água tinha subido, alcançado a ladeira, estava com vontade de chegar aos juazeiros do fim do pátio. Sinha Vitória andava amedrontada. Seria possível que a água topasse os juazeiros? Se isto acontecesse, a casa seria invadida, os moradores teriam de subir o morro, viver uns dias no morro, como preás.

        Suspirava atiçando o fogo com o cabo da quenga de coco. Deus não permitiria que sucedesse tal desgraça.

(Graciliano Ramos, Vidas Secas, 1998)
O trecho da narrativa mostra um cenário
Alternativas
Respostas
1281: E
1282: D
1283: E
1284: D
1285: C
1286: B
1287: B
1288: D
1289: C
1290: B
1291: C
1292: B
1293: A
1294: B
1295: D
1296: B
1297: A
1298: A
1299: C
1300: E