Questões de Concurso Comentadas sobre interpretação de textos em português

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Q3645390 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:

    O século 21, tudo indica, não será mais predominantemente norte-americano e menos ainda europeu. Com velocidade surpreendente, envelheceu a ideia de uma modernidade baseada na expansão contínua da mercantilização de todas as coisas e de todas as relações humanas. Já podemos dizer com certeza que a modernidade dita neoliberal, que se disseminou com o colapso do socialismo de Estado, pecou por déficit crescentemente intolerável de imaginação política. A interdependência entre os sistemas econômicos deu muitíssimos passos à frente, com a circulação instantânea do dinheiro, a mundialização das cadeias de valor, a mobilidade intensa de mercadorias e pessoas. E uma vasta classe média global, apesar das desigualdades, apareceu no cenário.
    Tornamo-nos, existencialmente, interdependentes, até mesmo num sentido particularmente negativo, com a crise – inédita e crescente – das relações com a natureza, a disseminação de armas nucleares e a possibilidade de aplicação de inteligência artificial aos conflitos armados. De nenhum desses possíveis desastres, como é óbvio, estará a salvo qualquer povo eleito ou nação excepcional. Sem política, e deixado a si mesmo, esse movimento das coisas pareceu, e parece, dotado de uma inquietante autonomia, acontecendo fantasmagoricamente acima da consciência e da ação coletiva.
    Sempre se soube que a unidade tendencial do gênero humano, este belo sonho multissecular, não se daria como um processo automático e sem turbulência, ainda que a complexidade das situações recorrentemente nos espante. O descompasso entre o mundo amplo da economia e o âmbito estritamente nacional da política terminou por produzir seus frutos daninhos na forma de uma imensa crise da globalização.

(Luiz Sérgio Henriques, “O Brasil no espelho do mundo”. Disponível em: https://www.estadao.com.br/opinião)
A expressão destacada, do 1º parágrafo, que está empregada em sentido próprio é:
Alternativas
Q3645022 Português
Leia o Texto I e responda à questão:


Texto I


Felicidade clandestina - Clarice Lispector


    [...] No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.

    Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo.

    E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.

    Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.

    Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler! [...]

    Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.

Fonte: LISPECTOR, Clarisse. Felicidade clandestina. In: O Primeiro Beijo. São Paulo, Ed. Ática, 1996. [adaptado].
Sobre o Texto I, marque a alternativa que indica o momento que a narradora-personagem recebe o livro.
Alternativas
Q3645021 Português
Leia o Texto I e responda à questão:


Texto I


Felicidade clandestina - Clarice Lispector


    [...] No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.

    Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo.

    E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.

    Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.

    Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler! [...]

    Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.

Fonte: LISPECTOR, Clarisse. Felicidade clandestina. In: O Primeiro Beijo. São Paulo, Ed. Ática, 1996. [adaptado].
Analise as afirmações que seguem, com base no fragmento do Texto I: “Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa” (1º§).

I- A expressão “e sim” assume valor semântico de contraste.
II- A expressão “e sim” assume valor semântico de adição.
III- A expressão “e sim” foi empregada para introduzir uma ideia que apresenta uma informação diferente da informação mencionada anteriormente.
IV- A expressão “e sim” foi empregada para introduzir uma ideia que reforça a informação mencionada anteriormente.

É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas
Q3645018 Português
Leia o Texto I e responda à questão:


Texto I


Felicidade clandestina - Clarice Lispector


    [...] No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.

    Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo.

    E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.

    Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.

    Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler! [...]

    Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.

Fonte: LISPECTOR, Clarisse. Felicidade clandestina. In: O Primeiro Beijo. São Paulo, Ed. Ática, 1996. [adaptado].
Marque a alternativa CORRETA acerca das relações lógico-semânticas, unidade textual e progressão temática do Texto I. 
Alternativas
Q3645017 Português
Leia o Texto I e responda à questão:


Texto I


Felicidade clandestina - Clarice Lispector


    [...] No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.

    Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo.

    E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.

    Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.

    Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler! [...]

    Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.

Fonte: LISPECTOR, Clarisse. Felicidade clandestina. In: O Primeiro Beijo. São Paulo, Ed. Ática, 1996. [adaptado].
Analise as assertivas que seguem a respeito do Texto I.

I- A narrativa é construída em terceira pessoa, com uma narradora onisciente.
II- O emprego de elementos como tempo e espaço é marcante, conferindo unidade ao texto.
III- O texto não apresenta uma progressão de eventos, sendo estruturado como um relato atemporal.
IV- O texto apresenta um conflito central, relacionado à busca do livro pela protagonista.

É CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q3645016 Português
Leia o Texto I e responda à questão:


Texto I


Felicidade clandestina - Clarice Lispector


    [...] No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.

    Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo.

    E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.

    Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.

    Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler! [...]

    Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.

Fonte: LISPECTOR, Clarisse. Felicidade clandestina. In: O Primeiro Beijo. São Paulo, Ed. Ática, 1996. [adaptado].
Marque a alternativa CORRETA no que se refere à tipologia textual predominante no Texto I.
Alternativas
Q3645015 Português
Leia o Texto I e responda à questão:


Texto I


Felicidade clandestina - Clarice Lispector


    [...] No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.

    Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo.

    E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.

    Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.

    Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler! [...]

    Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.

Fonte: LISPECTOR, Clarisse. Felicidade clandestina. In: O Primeiro Beijo. São Paulo, Ed. Ática, 1996. [adaptado].
Em relação ao Texto I, marque a afirmativa CORRETA.
Alternativas
Q3645014 Português
Leia o Texto I e responda à questão:


Texto I


Felicidade clandestina - Clarice Lispector


    [...] No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.

    Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo.

    E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.

    Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.

    Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler! [...]

    Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.

Fonte: LISPECTOR, Clarisse. Felicidade clandestina. In: O Primeiro Beijo. São Paulo, Ed. Ática, 1996. [adaptado].
Analise as assertivas a seguir referente às ideias apresentadas no Texto I.

I- A narradora visitava diariamente a casa da filha do dono da livraria, impulsionada pela expectativa de obter emprestado um livro.
II- A narradora sabia que a filha do dono da livraria estava apenas brincando com seus sentimentos, mas decidiu continuar insistindo por curiosidade.
III- A narradora desistiu de buscar o livro quando percebeu que a menina não pretendia emprestá-lo.

É CORRETO o que se afirma em: 
Alternativas
Q3644967 Português
Leia o texto a seguir:

“Acultura é entendida como um conjunto de práticas, objetos, relações, valores e costumes que caracterizam determinadas sociedades ou grupos sociais. A cultura está presente nos mais diversos espectros da vida em sociedade e molda, por meio das instituições e das relações que estabelece, o modo como enxergamos o mundo. A experiência humana, pautada na cultura, manifesta a cultura de diferentes formas e dá significado à vida em sociedade.”
Fonte: Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/cultura. Acesso em: 21 jul. 2025.

Considerando o texto sobre cultura e sua manifestação no Brasil, assinale a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q3644952 Português
Atente aos textos a seguir para responder à questão.


Texto IV

Q16_19.png (225×204)

Fonte: Disponível em: https://br.pinterest.com/pin/AfPVy9YKADEK2fSMuQ3P8jaXnGC6Ntlo2OqUY31xNSUqSXXD_Fig02c/. Acesso em: 06 jul. 2025.


Texto V

Q16_19_.png (276×204)

Fonte: Disponível em: https://incrivel.club/articles/20-placas-e-cartazes-que-sao-um-desafio-para-quem-le-mas-um-prato-cheio-para-o-bom-humor-1131410/. Acesso em: 06 jul. 2025.
Os desvios diversos da norma padrão, verificados na escrita do texto V, apontam para um produtor provavelmente com certas limitações – quer sejam de alfabetização ou de letramento. Com base nesta informação, é CORRETO afirmar que:
Alternativas
Q3644941 Português
Leia com atenção o texto abaixo para responder à questão.


Texto I


Honestidade


    O tema da honestidade tem sido abordado transversalmente dentro dos estudos sobre moral e ética, de Sócrates a Platão. O filósofo alemão Immanuel Kant, já na era moderna, vinculou o conceito a uma esfera maior, de organização da sociedade, em que a honestidade está associada ao respeito ao que é particular, público e coletivo. Assim, ser honesto é “praticar o que é racionalmente correto ainda que ninguém esteja observando” e “preservar-se dos conflitos de interesses para não se deixar contaminar pelas tentações individuais”, como definiu Patrícia Elisabeth Ferreira em sua dissertação de mestrado apresentada à faculdade na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) em 2018.

    A honestidade é um valor partilhado. Ou seja: o modo como o outro a exerce (ou não) impacta mais as pessoas do que se imagina. É o que a psicologia define como “intersubjetivação dos valores”, um conceito que estuda fenômenos sociais. Isso significa que quanto mais situações desonestas vivenciamos no dia a dia, mais acreditamos que o ato desonesto compensa.

    Eu tinha 11 anos, ali pelo começo dos anos 2000, quando um técnico da NET ofereceu ao meu pai os canais de tevê por assinatura. Bastava lhe pagar 50 reais, que ele puxaria o fio do apartamento do vizinho e poderíamos assistir a todos os canais sem pagar nada. Meu pai recusou, falou que era errado. Ele já sabia que outros porteiros aceitavam o trambique, mas não quis compactuar. Eu queria assistir aos canais de desenho – Cartoon Network, Fox Kids, Nickelodeon – que tanto ouvia falar quando brincava com outras crianças, filhas de moradores. Meses depois, minha mãe ligou para a Central da NET, escolheu o plano mais barato e o técnico veio instalar corretamente sem puxar fio de nenhum lugar.


Fonte: Disponível em: https://piaui.folha.uol.com.br/vale-a-pena-ser-honesto-no-brasil/. (Fragmento). Data da consulta: 04 jul. 2025.
No enunciado “Ele já sabia que outros porteiros aceitavam o trambique”, a palavra sublinhada pode ser substituída, sem prejuízo de sentido ao enunciado, por: 
Alternativas
Q3644938 Português
Leia com atenção o texto abaixo para responder à questão.


Texto I


Honestidade


    O tema da honestidade tem sido abordado transversalmente dentro dos estudos sobre moral e ética, de Sócrates a Platão. O filósofo alemão Immanuel Kant, já na era moderna, vinculou o conceito a uma esfera maior, de organização da sociedade, em que a honestidade está associada ao respeito ao que é particular, público e coletivo. Assim, ser honesto é “praticar o que é racionalmente correto ainda que ninguém esteja observando” e “preservar-se dos conflitos de interesses para não se deixar contaminar pelas tentações individuais”, como definiu Patrícia Elisabeth Ferreira em sua dissertação de mestrado apresentada à faculdade na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) em 2018.

    A honestidade é um valor partilhado. Ou seja: o modo como o outro a exerce (ou não) impacta mais as pessoas do que se imagina. É o que a psicologia define como “intersubjetivação dos valores”, um conceito que estuda fenômenos sociais. Isso significa que quanto mais situações desonestas vivenciamos no dia a dia, mais acreditamos que o ato desonesto compensa.

    Eu tinha 11 anos, ali pelo começo dos anos 2000, quando um técnico da NET ofereceu ao meu pai os canais de tevê por assinatura. Bastava lhe pagar 50 reais, que ele puxaria o fio do apartamento do vizinho e poderíamos assistir a todos os canais sem pagar nada. Meu pai recusou, falou que era errado. Ele já sabia que outros porteiros aceitavam o trambique, mas não quis compactuar. Eu queria assistir aos canais de desenho – Cartoon Network, Fox Kids, Nickelodeon – que tanto ouvia falar quando brincava com outras crianças, filhas de moradores. Meses depois, minha mãe ligou para a Central da NET, escolheu o plano mais barato e o técnico veio instalar corretamente sem puxar fio de nenhum lugar.


Fonte: Disponível em: https://piaui.folha.uol.com.br/vale-a-pena-ser-honesto-no-brasil/. (Fragmento). Data da consulta: 04 jul. 2025.
No enunciado “Bastava lhe pagar 50 reais, que ele puxaria o fio do apartamento do vizinho e poderíamos assistir a todos os canais sem pagar nada” (3º parágrafo), a parte sublinhada pode ser substituída, sem prejudicar o sentido, por: 
Alternativas
Q3644937 Português
Leia com atenção o texto abaixo para responder à questão.


Texto I


Honestidade


    O tema da honestidade tem sido abordado transversalmente dentro dos estudos sobre moral e ética, de Sócrates a Platão. O filósofo alemão Immanuel Kant, já na era moderna, vinculou o conceito a uma esfera maior, de organização da sociedade, em que a honestidade está associada ao respeito ao que é particular, público e coletivo. Assim, ser honesto é “praticar o que é racionalmente correto ainda que ninguém esteja observando” e “preservar-se dos conflitos de interesses para não se deixar contaminar pelas tentações individuais”, como definiu Patrícia Elisabeth Ferreira em sua dissertação de mestrado apresentada à faculdade na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) em 2018.

    A honestidade é um valor partilhado. Ou seja: o modo como o outro a exerce (ou não) impacta mais as pessoas do que se imagina. É o que a psicologia define como “intersubjetivação dos valores”, um conceito que estuda fenômenos sociais. Isso significa que quanto mais situações desonestas vivenciamos no dia a dia, mais acreditamos que o ato desonesto compensa.

    Eu tinha 11 anos, ali pelo começo dos anos 2000, quando um técnico da NET ofereceu ao meu pai os canais de tevê por assinatura. Bastava lhe pagar 50 reais, que ele puxaria o fio do apartamento do vizinho e poderíamos assistir a todos os canais sem pagar nada. Meu pai recusou, falou que era errado. Ele já sabia que outros porteiros aceitavam o trambique, mas não quis compactuar. Eu queria assistir aos canais de desenho – Cartoon Network, Fox Kids, Nickelodeon – que tanto ouvia falar quando brincava com outras crianças, filhas de moradores. Meses depois, minha mãe ligou para a Central da NET, escolheu o plano mais barato e o técnico veio instalar corretamente sem puxar fio de nenhum lugar.


Fonte: Disponível em: https://piaui.folha.uol.com.br/vale-a-pena-ser-honesto-no-brasil/. (Fragmento). Data da consulta: 04 jul. 2025.
De acordo com o texto, o conceito de honestidade, ao ser associado, no primeiro parágrafo, a uma esfera maior, refere-se ao: 
Alternativas
Q3644936 Português
Leia com atenção o texto abaixo para responder à questão.


Texto I


Honestidade


    O tema da honestidade tem sido abordado transversalmente dentro dos estudos sobre moral e ética, de Sócrates a Platão. O filósofo alemão Immanuel Kant, já na era moderna, vinculou o conceito a uma esfera maior, de organização da sociedade, em que a honestidade está associada ao respeito ao que é particular, público e coletivo. Assim, ser honesto é “praticar o que é racionalmente correto ainda que ninguém esteja observando” e “preservar-se dos conflitos de interesses para não se deixar contaminar pelas tentações individuais”, como definiu Patrícia Elisabeth Ferreira em sua dissertação de mestrado apresentada à faculdade na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) em 2018.

    A honestidade é um valor partilhado. Ou seja: o modo como o outro a exerce (ou não) impacta mais as pessoas do que se imagina. É o que a psicologia define como “intersubjetivação dos valores”, um conceito que estuda fenômenos sociais. Isso significa que quanto mais situações desonestas vivenciamos no dia a dia, mais acreditamos que o ato desonesto compensa.

    Eu tinha 11 anos, ali pelo começo dos anos 2000, quando um técnico da NET ofereceu ao meu pai os canais de tevê por assinatura. Bastava lhe pagar 50 reais, que ele puxaria o fio do apartamento do vizinho e poderíamos assistir a todos os canais sem pagar nada. Meu pai recusou, falou que era errado. Ele já sabia que outros porteiros aceitavam o trambique, mas não quis compactuar. Eu queria assistir aos canais de desenho – Cartoon Network, Fox Kids, Nickelodeon – que tanto ouvia falar quando brincava com outras crianças, filhas de moradores. Meses depois, minha mãe ligou para a Central da NET, escolheu o plano mais barato e o técnico veio instalar corretamente sem puxar fio de nenhum lugar.


Fonte: Disponível em: https://piaui.folha.uol.com.br/vale-a-pena-ser-honesto-no-brasil/. (Fragmento). Data da consulta: 04 jul. 2025.
O fato relatado no 3º parágrafo ilustra exemplo de: 
Alternativas
Q3644935 Português
Leia com atenção o texto abaixo para responder à questão.


Texto I


Honestidade


    O tema da honestidade tem sido abordado transversalmente dentro dos estudos sobre moral e ética, de Sócrates a Platão. O filósofo alemão Immanuel Kant, já na era moderna, vinculou o conceito a uma esfera maior, de organização da sociedade, em que a honestidade está associada ao respeito ao que é particular, público e coletivo. Assim, ser honesto é “praticar o que é racionalmente correto ainda que ninguém esteja observando” e “preservar-se dos conflitos de interesses para não se deixar contaminar pelas tentações individuais”, como definiu Patrícia Elisabeth Ferreira em sua dissertação de mestrado apresentada à faculdade na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) em 2018.

    A honestidade é um valor partilhado. Ou seja: o modo como o outro a exerce (ou não) impacta mais as pessoas do que se imagina. É o que a psicologia define como “intersubjetivação dos valores”, um conceito que estuda fenômenos sociais. Isso significa que quanto mais situações desonestas vivenciamos no dia a dia, mais acreditamos que o ato desonesto compensa.

    Eu tinha 11 anos, ali pelo começo dos anos 2000, quando um técnico da NET ofereceu ao meu pai os canais de tevê por assinatura. Bastava lhe pagar 50 reais, que ele puxaria o fio do apartamento do vizinho e poderíamos assistir a todos os canais sem pagar nada. Meu pai recusou, falou que era errado. Ele já sabia que outros porteiros aceitavam o trambique, mas não quis compactuar. Eu queria assistir aos canais de desenho – Cartoon Network, Fox Kids, Nickelodeon – que tanto ouvia falar quando brincava com outras crianças, filhas de moradores. Meses depois, minha mãe ligou para a Central da NET, escolheu o plano mais barato e o técnico veio instalar corretamente sem puxar fio de nenhum lugar.


Fonte: Disponível em: https://piaui.folha.uol.com.br/vale-a-pena-ser-honesto-no-brasil/. (Fragmento). Data da consulta: 04 jul. 2025.
Para fundamentar a sua tese, a autora recorre, no primeiro parágrafo do texto, a:
Alternativas
Q3644934 Português
Leia com atenção o texto abaixo para responder à questão.


Texto I


Honestidade


    O tema da honestidade tem sido abordado transversalmente dentro dos estudos sobre moral e ética, de Sócrates a Platão. O filósofo alemão Immanuel Kant, já na era moderna, vinculou o conceito a uma esfera maior, de organização da sociedade, em que a honestidade está associada ao respeito ao que é particular, público e coletivo. Assim, ser honesto é “praticar o que é racionalmente correto ainda que ninguém esteja observando” e “preservar-se dos conflitos de interesses para não se deixar contaminar pelas tentações individuais”, como definiu Patrícia Elisabeth Ferreira em sua dissertação de mestrado apresentada à faculdade na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) em 2018.

    A honestidade é um valor partilhado. Ou seja: o modo como o outro a exerce (ou não) impacta mais as pessoas do que se imagina. É o que a psicologia define como “intersubjetivação dos valores”, um conceito que estuda fenômenos sociais. Isso significa que quanto mais situações desonestas vivenciamos no dia a dia, mais acreditamos que o ato desonesto compensa.

    Eu tinha 11 anos, ali pelo começo dos anos 2000, quando um técnico da NET ofereceu ao meu pai os canais de tevê por assinatura. Bastava lhe pagar 50 reais, que ele puxaria o fio do apartamento do vizinho e poderíamos assistir a todos os canais sem pagar nada. Meu pai recusou, falou que era errado. Ele já sabia que outros porteiros aceitavam o trambique, mas não quis compactuar. Eu queria assistir aos canais de desenho – Cartoon Network, Fox Kids, Nickelodeon – que tanto ouvia falar quando brincava com outras crianças, filhas de moradores. Meses depois, minha mãe ligou para a Central da NET, escolheu o plano mais barato e o técnico veio instalar corretamente sem puxar fio de nenhum lugar.


Fonte: Disponível em: https://piaui.folha.uol.com.br/vale-a-pena-ser-honesto-no-brasil/. (Fragmento). Data da consulta: 04 jul. 2025.
O texto apresenta como tema central:
Alternativas
Q3644707 Português
Leia o Texto II para responder à questão.


Texto II - Aentomologia



    É a especialidade da biologia que estuda os insetos sob todos os seus aspectos e relações com o homem, as plantas, os animais e o meio ambiente. Apalavra Entomologia é proveniente da união de dois radicais gregos, entomon (inseto) e logos (estudo) e vem sendo empregada desde Aristóteles (384-322 a.C.) para designar “estudo dos insetos”.

    Entomologia é uma palavra que vem do idioma grego antigo. Entomom significa inseto e é derivado do radical entomos, que significa cortado, dividido. A maioria dos insetos apresenta o corpo dividido em numerosos anéis ou segmentos. Logos significa fala, discurso, estudo de algo. Sendo assim Entomologia significa estudo dos insetos. Inseto é outra palavra, derivada do latim Animale insectum, significa animal segmentado.

    As coleções científicas formadas por insetos são chamadas entomológicas. Nestes acervos encontram-se armazenados, ordenados e preservados espécimes ou estruturas de espécimes mortos para pesquisas. As coleções são importantes registros da existência de espécies no tempo e no espaço, sendo também repositórios dos espécimes-tipo, os quais são imprescindíveis para a identificação correta de exemplares. Atividades como a manutenção, preservação e desenvolvimento de acervos científicos são indispensáveis e não podem ser interrompidas. As coleções são ainda testemunhos da fauna de áreas protegidas, de áreas impactadas ou mesmo em via de desaparecimento e, portanto, são a base para pesquisas em biodiversidade, sistemática e evolução.

    Uma das mais importantes e maiores coleções entomológicas da América Latina é a Coleção Entomológica do Instituto Oswaldo Cruz devido à dimensão de seu acervo, valor científico, histórico e educativo. Menciona-se ainda sua grande importância para a saúde pública já que muitos dos exemplares lá depositados servem como referência para a identificação de vetores de doenças infecciosas.


Fonte: A entomologia. Disponível em: https://www.saude.ba.gov.br/suvisa/vigilancia-epidemiologica/doencas-de-transmissao-vetorial/entomologia/. Acesso em: 17 de jul. de 2025.
Considerando as informações apresentadas no texto, marque a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3644706 Português
Leia o Texto II para responder à questão.


Texto II - Aentomologia



    É a especialidade da biologia que estuda os insetos sob todos os seus aspectos e relações com o homem, as plantas, os animais e o meio ambiente. Apalavra Entomologia é proveniente da união de dois radicais gregos, entomon (inseto) e logos (estudo) e vem sendo empregada desde Aristóteles (384-322 a.C.) para designar “estudo dos insetos”.

    Entomologia é uma palavra que vem do idioma grego antigo. Entomom significa inseto e é derivado do radical entomos, que significa cortado, dividido. A maioria dos insetos apresenta o corpo dividido em numerosos anéis ou segmentos. Logos significa fala, discurso, estudo de algo. Sendo assim Entomologia significa estudo dos insetos. Inseto é outra palavra, derivada do latim Animale insectum, significa animal segmentado.

    As coleções científicas formadas por insetos são chamadas entomológicas. Nestes acervos encontram-se armazenados, ordenados e preservados espécimes ou estruturas de espécimes mortos para pesquisas. As coleções são importantes registros da existência de espécies no tempo e no espaço, sendo também repositórios dos espécimes-tipo, os quais são imprescindíveis para a identificação correta de exemplares. Atividades como a manutenção, preservação e desenvolvimento de acervos científicos são indispensáveis e não podem ser interrompidas. As coleções são ainda testemunhos da fauna de áreas protegidas, de áreas impactadas ou mesmo em via de desaparecimento e, portanto, são a base para pesquisas em biodiversidade, sistemática e evolução.

    Uma das mais importantes e maiores coleções entomológicas da América Latina é a Coleção Entomológica do Instituto Oswaldo Cruz devido à dimensão de seu acervo, valor científico, histórico e educativo. Menciona-se ainda sua grande importância para a saúde pública já que muitos dos exemplares lá depositados servem como referência para a identificação de vetores de doenças infecciosas.


Fonte: A entomologia. Disponível em: https://www.saude.ba.gov.br/suvisa/vigilancia-epidemiologica/doencas-de-transmissao-vetorial/entomologia/. Acesso em: 17 de jul. de 2025.
No trecho “A palavra Entomologia é proveniente da união de dois radicais gregos, entomon (inseto) e logos (estudo)...”, observa-se o uso da etimologia para esclarecer o significado de um termo técnico. Com base em todo o texto, marque a alternativa que contém a explicação CORRETAsobre um dos mecanismos semânticos ou lexicais.
Alternativas
Q3644704 Português
Leia o Texto II para responder à questão.


Texto II - Aentomologia



    É a especialidade da biologia que estuda os insetos sob todos os seus aspectos e relações com o homem, as plantas, os animais e o meio ambiente. Apalavra Entomologia é proveniente da união de dois radicais gregos, entomon (inseto) e logos (estudo) e vem sendo empregada desde Aristóteles (384-322 a.C.) para designar “estudo dos insetos”.

    Entomologia é uma palavra que vem do idioma grego antigo. Entomom significa inseto e é derivado do radical entomos, que significa cortado, dividido. A maioria dos insetos apresenta o corpo dividido em numerosos anéis ou segmentos. Logos significa fala, discurso, estudo de algo. Sendo assim Entomologia significa estudo dos insetos. Inseto é outra palavra, derivada do latim Animale insectum, significa animal segmentado.

    As coleções científicas formadas por insetos são chamadas entomológicas. Nestes acervos encontram-se armazenados, ordenados e preservados espécimes ou estruturas de espécimes mortos para pesquisas. As coleções são importantes registros da existência de espécies no tempo e no espaço, sendo também repositórios dos espécimes-tipo, os quais são imprescindíveis para a identificação correta de exemplares. Atividades como a manutenção, preservação e desenvolvimento de acervos científicos são indispensáveis e não podem ser interrompidas. As coleções são ainda testemunhos da fauna de áreas protegidas, de áreas impactadas ou mesmo em via de desaparecimento e, portanto, são a base para pesquisas em biodiversidade, sistemática e evolução.

    Uma das mais importantes e maiores coleções entomológicas da América Latina é a Coleção Entomológica do Instituto Oswaldo Cruz devido à dimensão de seu acervo, valor científico, histórico e educativo. Menciona-se ainda sua grande importância para a saúde pública já que muitos dos exemplares lá depositados servem como referência para a identificação de vetores de doenças infecciosas.


Fonte: A entomologia. Disponível em: https://www.saude.ba.gov.br/suvisa/vigilancia-epidemiologica/doencas-de-transmissao-vetorial/entomologia/. Acesso em: 17 de jul. de 2025.
No trecho: “As coleções são importantes registros da existência de espécies no tempo e no espaço, sendo também repositórios dos espécimes-tipo (...).”, a expressão “sendo também” introduz uma relação de:
Alternativas
Q3644701 Português
Leia o Texto I para responder à questão.


Texto I – As formigas, de Lygia Fagundes Telles


(...)

Ficamos olhando a trilha rapidíssima, tão apertada que nela não caberia sequer um grão de poeira. Pulei-a com o maior cuidado quando fui esquentar o chá. Uma formiguinha desgarrada (a mesma daquela noite?) sacudia a cabeça entre as mãos. Comecei a rir e tanto que se o chão não estivesse ocupado, rolaria por ali de tanto rir. Dormimos juntas na minha cama. Ela dormia ainda quando saí para a primeira aula. No chão, nem sombra de formiga, mortas e vivas desapareciam com a luz do dia.

Voltei tarde essa noite, um colega tinha se casado e teve festa. Vim animada, com vontade de cantar, passei da conta. Só na escada é que me lembrei: o anão. Minha prima arrastara a mesa para a porta e estudava com o bule fumegando no fogareiro.

— Hoje não vou dormir, quero ficar de vigia — ela avisou.

O assoalho ainda estava limpo. Me abracei ao urso.

— Estou com medo.

Ela foi buscar uma pílula para atenuar minha ressaca, me fez engolir a pílula com um gole de chá e ajudou a me despir.

— Fico vigiando, pode dormir sossegada. Por enquanto não apareceu nenhuma, não está na hora delas, é daqui a pouco que começa. Examinei com a lupa debaixo da porta, sabe que não consigo descobrir de onde brotam?

Tombei na cama, acho que nem respondi. No topo da escada o anão me agarrou pelos pulsos e rodopiou comigo até o quarto.

Acorda, acorda! Demorei para reconhecer minha prima que me segurava pelos cotovelos. Estava lívida. E vesga.

— Voltaram — ela disse.

Apertei entre as mãos a cabeça dolorida.

— Estão aí?

Ela falava num tom miúdo, como se uma formiguinha falasse com sua voz.

— Acabei dormindo em cima da mesa, estava exausta.

Quando acordei, a trilha já estava em plena movimentação.

Então fui ver o caixotinho, aconteceu o que eu esperava...


Fonte: TELLES, Lygia Fagundes. As formigas. In: Seminário dos Ratos: contos. p. 15-16. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
Marque a alternativa que apresenta um sinônimo adequado para o termo “atenuar”, empregado no trecho: “Ela foi buscar uma pílula para atenuar minha ressaca” (6º parágrafo), mantendo o sentido no contexto.
Alternativas
Respostas
10881: B
10882: D
10883: E
10884: E
10885: A
10886: B
10887: D
10888: C
10889: D
10890: C
10891: E
10892: A
10893: D
10894: B
10895: A
10896: B
10897: D
10898: D
10899: A
10900: C