Questões de Concurso
Comentadas sobre interpretação de textos em português
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
O que odores corporais revelam sobre a saúde — e como podem ajudar a diagnosticar doenças
A enfermeira aposentada Joy Milne revelou possuir um olfato extraordinariamente sensível ao notar, anos antes do diagnóstico médico, que seu marido apresentava um odor almiscarado diferente, que mais tarde se confirmou como indício do mal de Parkinson.
Posteriormente, Milne percebeu o mesmo cheiro em outros pacientes e foi convidada a participar de experimentos científicos. Em um teste, identificou corretamente camisetas usadas por pessoas com Parkinson, incluindo um caso ainda não diagnosticado na época, demonstrando a precisão de sua percepção. Esse episódio ganhou repercussão internacional e despertou o interesse da comunidade científica, que passou a investigar sistematicamente a relação entre odores corporais e doenças.
O corpo humano libera milhares de compostos químicos que variam de acordo com o metabolismo. Alterações nessas substâncias sinalizam desequilíbrios orgânicos e revelam enfermidades diversas, como diabetes, doenças hepáticas e renais, tuberculose, malária e até alguns tipos de câncer. Certos odores são percebidos por qualquer pessoa — como o hálito adocicado de diabéticos em hipoglicemia —, enquanto outros exigem olfato extremamente apurado ou tecnologias especializadas. Animais, sobretudo cães, já foram treinados para identificar doenças com alto índice de acerto, reforçando o potencial diagnóstico associado ao olfato.
Atualmente, pesquisadores dedicam-se ao desenvolvimento de aparelhos capazes de reproduzir essa habilidade. Eles utilizam técnicas como cromatografia e espectrometria de massa para isolar e analisar compostos voláteis, aliados a sistemas de inteligência artificial que reconhecem padrões de moléculas relacionados a doenças. Esses avanços visam à criação de testes rápidos, não invasivos e de baixo custo, aplicáveis à pele, ao hálito ou à urina dos pacientes. Dessa forma, espera-se facilitar diagnósticos precoces, acelerar tratamentos e reduzir a necessidade de procedimentos invasivos.
O estudo dos odores corporais mostra-se, portanto, uma área promissora para transformar a medicina diagnóstica. Além de permitir a detecção ágil e acessível de condições graves, valoriza a atenção a sinais sutis do corpo que, muitas vezes, passam despercebidos. Tal perspectiva fortalece a ideia de que a observação cotidiana, aliada à ciência, torna-se uma ferramenta essencial no cuidado da saúde, ampliando as chances de intervenção precoce, dignidade no tratamento e melhor qualidade de vida para os pacientes.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cev2mjjp748o.ADAPTADO.
De acordo com o texto base, assinale a alternativa correta.
“É uma verdade que o _____________ é apenas o suporte do jogo, do brincar, e que é possível brincar com a imaginação. Mas é verdade, também, que sem ele é muito mais difícil realizar a atividade lúdica, porque é ele que permite simular situações”.
A expressão demarcada está em sentido figurado. Assim sendo, seu sentido próprio se encontra em destaque na alternativa:
A criança aprende a informar-se, a conhecer os outros, o mundo e a si mesma. A relação com a mídia eletrônica é prazerosa e _________ , mesmo durante o período escolar, a mídia mostra o mundo de outra forma, mais fácil, _________ . A mídia continua educando como contraposto à educação convencional, educa enquanto _________ .
A Didática Magna, escrita por Comênius, é uma obra de referência para todos os que buscam compreender o sentido mais profundo do humanismo na educação, ressaltando que ‘não se deve, pois, ____________ ninguém dos benefícios da educação e da instrução’.
(ILARI, Rodolfo. Por que (não) ensinar gramática na escola, p. 177)
Com base no excerto acima, assinale a afirmativa correta.
SOUSA, Maurício de. Chico Bento. Disponível em .https://www.todamateria.com.br/figuras-de-linguagem/
A expressão “cabeças de gado”, empregada no quadrinho acima, apresenta a figura de linguagem conhecida por:
Assinale a alternativa cuja forma reescrita do pensamento acima mantém o mesmo sentido básico original.
- João, meu amor, não tire os olhos do Juninho, enquanto vou ao mercado, certo?
- Oh, Maria, você sabe que eu não mato uma mosca. Acha que teria a coragem de tirar os olhos do meu próprio filho?”
(ILARI, Rodolfo. Introdução à semântica, p. 81 – Adaptado)
No texto acima, o humor decorre do seguinte recurso de linguagem:
I. Desfiz-me de tanto chorar.
II. A lua lhe mostrava o caminho, no meio da escuridão da noite.
III. Viajaremos para a Cidade Maravilhosa.
Ocorre a figura de linguagem denominada hipérbole apenas em:
Leia o texto a seguir para responder à questão:
Jean Cocteau aconselhava aos jovens escritores que fizessem a seguinte invocação: livrai-me, Senhor, de escrever o livro esperado.
Na verdade, o livro esperado é uma tentação muito veemente. Há um estilo esperado, há um ritmo esperado, há imagens esperadas, adjetivos esperados. Há sobretudo ideias, sentimentos e emoções ansiosamente esperados. Em resumo, quer nos círculos em que os best-sellers triunfam, quer nas rodas intelectuais mais requintadas, há, em cada época, um conjunto de necessidades ideais ou estilísticas que configuram as obras antes que elas sejam escritas. Escrevê-las, o que é um certo modo plagiá-las, é tornar-se imediatamente um contemporâneo. O contemporâneo não precisa entregar-se ao hábito de pensar: tudo está pensado para ele. Não precisa encontrar a sua forma, o seu estilo: ambos estão feitos. O contemporâneo, entretanto, é um ser de excepcional habilidade: tem um invejável faro, um instinto apurado. Ele equaciona o seu problema pessoal nos seguintes termos: produzir a obra que não seja uma cópia de outra qualquer, mas que obtenha resultados idênticos àqueles conseguidos por este ou aquele livro já consagrado manifestamente.
Outra questão se coloca diante do contemporâneo: para acertar mais de cheio no alvo, ele deve distinguir o seu público. E ele o escolhe entre a meia dúzia de grupos que reconhece, separadamente, a meia dúzia de escritores mais expressivos ou mais aclamados. Em outras palavras, o contemporâneo visa penetrar clandestinamente numa freguesia alheia, obtendo para si um pouco dos aplausos que um escritor mais antigo monopoliza totalmente. Sendo esperto, ele consegue imediatamente atrair a simpatia de um grupo, um grupo inexoravelmente convicto de suas ideias morais, estéticas e políticas.
(Paulo Mendes Campos, “Os contemporâneos”, 27.10.1946. Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br. Adaptado)
Leia o texto a seguir para responder à questão:
“Passou em Engenharia na Federal. Está com a vida feita.” “Coitado, entrou numa faculdade caça-níqueis. Vai enriquecer um ‘tubarão do ensino’ e vai se dar mal.”
Essas frases são fictícias, mas representam percepções entranhadas no nosso imaginário. A primeira descreve o caminho incensado e vitorioso de um jovem bem-nascido. A segunda refere-se aos milhões de criaturas, bem mais modestas, que precisam trabalhar para pagar uma faculdade noturna de duvidosa reputação. Dinheiro perdido, pois ficarão infelizes, subempregados ou desempregados.
Sobre sua infelicidade não me arrisco a especular. Porém, sucesso ou fracasso profissional se mede. E temos os números. A partir dos anos 60, alastra-se uma sequência de estudos tentando medir os rendimentos daqueles que cursaram este ou aquele nível de educação. Pelo mundo afora, ficou claro: quem tem mais escolaridade ganha mais. Aplicando aos gastos com educação o mesmo que se faz com capital físico, podemos calcular as taxas de retorno. Demonstrou-se que são maiores do que aquelas de investimentos em negócios. E, a despeito do rápido crescimento do ensino superior, esse diploma continua sendo um excelente investimento.
Tais resultados progressivamente se tornaram conhecidos. Porém, como nosso modelo de universidade pública é extravagante e caro, não houve e não haverá recursos para ser replicado. Daí a expansão fenomenal da rede privada, matriculando hoje 80% dos alunos.
Salário futuro tem algo de loteria, um diploma nunca produz 100% de vencedores. Sorte e geografia contam, bem como outros fatores. De fato, fracassam até mesmo alguns dos mais brilhantes graduados das mais celebradas universidades. Não obstante, mostram os números, quem passou quatro anos numa faculdade, mesmo que não seja das melhores, tem uma probabilidade elevada de sucesso.
Portanto, está equivocado quem proclama ser má ideia entrar numa faculdade, ainda que seja fraca. Na loteria do destino, as cartas estão marcadas, favorecendo quem decidiu passar mais tempo estudando, não importa onde.
Tenho sérias críticas quanto ao que se ensina e como se ensina na maioria dessas faculdades. Sobretudo porque há desencontro com o perfil dos seus alunos. Sem custar mais, poderiam ser muito melhores. Ainda assim, estão oferecendo um poderoso canal de mobilidade ascendente. São muitos os vitoriosos e poucos os fracassados.
(Claudio de Moura Castro, “Coitado, entrou numa faculdade ruim”,
03.08.2025. Disponível em: www.estadao.com.br. Adaptado