Questões de Concurso Comentadas sobre interpretação de textos em português

Foram encontradas 98.895 questões

Q3688661 Português
A questão refere-se ao texto reproduzido a seguir.


A educação e a formação já dançaram?


Dirce Waltrick do Amarante e Fedra Rodríguez


     Um jovem no primeiro ano do ensino médio é um aluno exemplar. Certo dia, ao se levantar para receber a nota máxima na feira de ciências de sua escola, ouve, entre assobios e vaias, diversos comentários. Até que uma das agressões verbais se torna o "grito de guerra" dos colegas: "Vai ser CLT! Vai ser CLT!". Deram-lhe a pena máxima, a predição de um futuro de miséria, além de colocar-lhe a pecha de fracassado. O apreço pelo estudo é um sinal claro de falta de ambição e incapacidade de faturar milhões - e, portanto, de "ter sucesso" na vida - para essa multidão berrante. Certamente, é um "crime" que merece tamanha punição, claro.

   Cenas semelhantes, embora não tenham acontecido exatamente da forma como a ficção contada aqui, já são um fato corriqueiro entre crianças, adolescentes e jovens do Brasil. Por si só, esse dado já seria de extrema preocupação, revelando o desprezo das novas gerações - doutrinadas pelo panorama contemporâneo - pelo modelo de trabalho que garante o sustento de milhões de brasileiros. Mas o problema, neste caldo de tigrinhos, dancinhas, jogadores que não jogam nem declaram impostos e que estão bilionários, é justamente o trabalho. O trabalho, da forma como até pouco tempo o concebíamos, se tornou sinônimo de burrice, por conseguinte, о conhecimento e a responsabilidade também. E não, não culpemos esses jovens, supostamente de "cabeça fraca", como já ouvimos de nossos pais e eles de nossos avós. A crise civilizatória de nosso tempo é feita de uma miríade de "subcrises", inclusive éticas e intelectuais, que envolvem e repercutem em diversas camadas sociais.

   Os mais novos, em formação, revelam o contexto complexo em que estamos imersos e reagem a ele com a prontidão e a insensatez típicas da juventude. Porém, na era das big techs megalomaníacas, dos coaches de soluções milagrosas e das celebridades instantâneas, a insensatez não é mais uma prerrogativa juvenil, embora as atitudes observadas entre indivíduos da geração alpha sejam os sintomas mais emblemáticos.

   De acordo com o Inep, entre 2013 e 2023, houve uma queda de 45,6% de inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Um declínio que se acentuou com os anos de pandemia e com a crescente febre de influencers e de investidores mágicos que dão inveja a Houdini. A desvalorização do ensino superior - refletido no desmonte das universidades - e do modelo convencional de trabalho, a ameaça da inteligência artificial aos atuais postos de emprego e o incentivo ao lucro rápido tiveram peso considerável para que alcançássemos esse resultado. 

   Um fato curioso ajuda a corroborar esta análise: as páginas de grandes universidades brasileiras nas mídias sociais têm menos seguidores do que as páginas de influenciadores digitais. Vejamos, por exemplo, três instituições de diferentes estados: no Instagram, a página da USP, uma das maiores e mais bem conceituadas da América Latina, tem 421 mil seguidores; a de outra grande universidade brasileira, a PUC/RIO tem minguados 18.700; já a da UFSC tem apenas 154 mil seguidores. O número de seguidores dessas três instituições de ensino juntas é menor do que o número de seguidores de uma influenciadora como Virgínia Fonseca (a que chupou o microfone do Senado), que tem 56 milhões. A PUC/RIO consegue ter menos seguidores do que a influenciadora mirim Vicky Justus, que começou ontem na "profissão", mas já é seguida por 125 mil pessoas. Se compararmos a Carlinhos Maia, com seus 35,6 milhões de fãs de Instagram, a situação se torna vexatória.

    Há, é claro, todo tipo de influenciador digital. Alguns promovem grandes debates e reflexões, outros dançam, cantam e perguntam para os seguidores que roupa devem vestir. Aqueles que promovem o debate contribuem para a sociedade e também para as universidades, pois acabam remetendo a elas ou são, muitas vezes, frutos delas. Esse é o caso, por exemplo, de Rita von Hunty, nome artístico de Guilherme Terreri Lima Pereira, Bacharel em atuação cênica pela UNIRIO, e em literatura inglesa pela USP.

    Mas e os outros influenciadores? Como é possível explicar que aqueles que dançam ou compartilham seu dia a dia, geralmente bastante glamourosos, consigam chamar mais atenção do que uma instituição de ensino com cursos e saberes variados?

    Vilém Flusser, o pensador checo-brasileiro, talvez explique o fenômeno no livro A filosofia da Caixa Preta, publicado em 1985. Com um olhar muito à frente de seu tempo, Flusser reflete sobre o poder das imagens técnicas, ou seja, daquelas produzidas por aparelhos, em contraponto às imagens tradicionais. Enquanto "as imagens tradicionais imaginam o mundo", as imagens técnicas, de "carácter aparentemente não-simbólico, objetivo", fazem com que "seu observador as olhe como se fossem janelas e não imagens. O observador confia nas imagens técnicas tanto quanto confia em seus próprios olhos". A função por trás das imagens técnicas, de acordo com Flusser, seria então a de "emancipar a sociedade da necessidade de pensar conceitualmente".

    Dos anos 1980 até os dias de hoje, houve uma proliferação de imagens técnicas, que culmina agora na chegada das imagens produzidas pelas inteligências artificiais. Ao longo dessas últimas décadas, a "liberdade" de não precisar pensar conceitualmente, parece ter provocado uma onda de comodismo ou preguiça, que levou à perda do senso crítico. Desse modo, as pessoas passaram a confiar cada vez mais nessas imagens, sem colocá-las em xeque, ou melhor, sem considerar que elas devem, como qualquer imagem, "ser decifradas por quem deseja captar-lhe o significado", como alerta Flusser. Segundo o pensador, aliás, "decifrá-las é reconstituir os textos que tais imagens significam. Quando as imagens técnicas são corretamente decifradas, surge o mundo conceitual como sendo o seu universo de significado". Portanto, quando se contempla uma imagem técnica, como diz Flusser, o que vemos, na verdade, "não é 'o mundo', mas determinados conceitos relativos ao mundo, a despeito da automaticidade da impressão do mundo sobre a superfície da imagem".

    As redes sociais estão inundadas de imagens técnicas. Os influenciadores abusam delas, talvez não tão ingenuamente quanto se pensa. Eles parecem confiar na "magia" que elas provocam nos seguidores. A respeito dessa magia, ou "nova magia", como afirma Flusser, ela não tem a ver com ideia de elaboração de um mito, mas com a simples ritualização de um programa que não tem por objetivo "modificar o mundo lá fora", mas criar "seus receptores para um comportamento mágico programado". Em um efeito manada, influenciadores angariam novos "receptores" programados, que se encantam com aquilo que lhes é oferecido como verdade e possibilidade.

   Os influenciadores entenderam como lidar com as imagens técnicas e manipular seus seguidores, cooptando cada vez mais deles. As universidades, ao contrário, em vez de angariar mais seguidores, parecem cada vez mais encantadas com as imagens técnicas, principalmente depois das lAs, e com a sua revolução que, como disse Flusser nos anos 1980, tomou rumo diferente: as imagens técnicas "não tornam visível o conhecimento científico, mas o falseiam; não reintroduzem as imagens tradicionais, mas as substituem; não tornam visível a magia subliminar, mas a substituem por outra. Nesse sentido, as imagens técnicas passam a ser 'falsas', 'feias' e 'ruins', além de não terem sido capazes de reunificar a cultura, mas apenas de fundir a sociedade em massa amorfa".

   Como introduzir nas imagens técnicas a magia da busca pelo conhecimento se "ter" é melhor do que "ser" e até mesmo "estar"? Como reprogramar seus observadores para que ponham em xeque o que veem?

    Nesse momento, nos vem à mente uma tirinha da pequena intelectual Mafalda, criação do argentino Quino. Em um diálogo com Susanita - epítome da frivolidade -, Mafalda confessa que, quando crescer, quer "ter cultura". Susanita, por sua vez, declara que prefere vestidos e então provoca: "Se sair na rua sem cultura, você é presa?". Mafalda responde que não. E Susanita, triunfante, finaliza: "Experimente sair na rua sem vestidos". Como Mafalda, acabamos admitindo - ainda que com revolta - que Susanita tem razão. Em 2025, experimente dizer que é CLT.


Disponível em: https://revistacult.uol.com.br/. Acesso em: 02 set. 2025.
De acordo com as autoras, o problema tematizado no texto
Alternativas
Q3688660 Português
A questão refere-se ao texto reproduzido a seguir.


A educação e a formação já dançaram?


Dirce Waltrick do Amarante e Fedra Rodríguez


     Um jovem no primeiro ano do ensino médio é um aluno exemplar. Certo dia, ao se levantar para receber a nota máxima na feira de ciências de sua escola, ouve, entre assobios e vaias, diversos comentários. Até que uma das agressões verbais se torna o "grito de guerra" dos colegas: "Vai ser CLT! Vai ser CLT!". Deram-lhe a pena máxima, a predição de um futuro de miséria, além de colocar-lhe a pecha de fracassado. O apreço pelo estudo é um sinal claro de falta de ambição e incapacidade de faturar milhões - e, portanto, de "ter sucesso" na vida - para essa multidão berrante. Certamente, é um "crime" que merece tamanha punição, claro.

   Cenas semelhantes, embora não tenham acontecido exatamente da forma como a ficção contada aqui, já são um fato corriqueiro entre crianças, adolescentes e jovens do Brasil. Por si só, esse dado já seria de extrema preocupação, revelando o desprezo das novas gerações - doutrinadas pelo panorama contemporâneo - pelo modelo de trabalho que garante o sustento de milhões de brasileiros. Mas o problema, neste caldo de tigrinhos, dancinhas, jogadores que não jogam nem declaram impostos e que estão bilionários, é justamente o trabalho. O trabalho, da forma como até pouco tempo o concebíamos, se tornou sinônimo de burrice, por conseguinte, о conhecimento e a responsabilidade também. E não, não culpemos esses jovens, supostamente de "cabeça fraca", como já ouvimos de nossos pais e eles de nossos avós. A crise civilizatória de nosso tempo é feita de uma miríade de "subcrises", inclusive éticas e intelectuais, que envolvem e repercutem em diversas camadas sociais.

   Os mais novos, em formação, revelam o contexto complexo em que estamos imersos e reagem a ele com a prontidão e a insensatez típicas da juventude. Porém, na era das big techs megalomaníacas, dos coaches de soluções milagrosas e das celebridades instantâneas, a insensatez não é mais uma prerrogativa juvenil, embora as atitudes observadas entre indivíduos da geração alpha sejam os sintomas mais emblemáticos.

   De acordo com o Inep, entre 2013 e 2023, houve uma queda de 45,6% de inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Um declínio que se acentuou com os anos de pandemia e com a crescente febre de influencers e de investidores mágicos que dão inveja a Houdini. A desvalorização do ensino superior - refletido no desmonte das universidades - e do modelo convencional de trabalho, a ameaça da inteligência artificial aos atuais postos de emprego e o incentivo ao lucro rápido tiveram peso considerável para que alcançássemos esse resultado. 

   Um fato curioso ajuda a corroborar esta análise: as páginas de grandes universidades brasileiras nas mídias sociais têm menos seguidores do que as páginas de influenciadores digitais. Vejamos, por exemplo, três instituições de diferentes estados: no Instagram, a página da USP, uma das maiores e mais bem conceituadas da América Latina, tem 421 mil seguidores; a de outra grande universidade brasileira, a PUC/RIO tem minguados 18.700; já a da UFSC tem apenas 154 mil seguidores. O número de seguidores dessas três instituições de ensino juntas é menor do que o número de seguidores de uma influenciadora como Virgínia Fonseca (a que chupou o microfone do Senado), que tem 56 milhões. A PUC/RIO consegue ter menos seguidores do que a influenciadora mirim Vicky Justus, que começou ontem na "profissão", mas já é seguida por 125 mil pessoas. Se compararmos a Carlinhos Maia, com seus 35,6 milhões de fãs de Instagram, a situação se torna vexatória.

    Há, é claro, todo tipo de influenciador digital. Alguns promovem grandes debates e reflexões, outros dançam, cantam e perguntam para os seguidores que roupa devem vestir. Aqueles que promovem o debate contribuem para a sociedade e também para as universidades, pois acabam remetendo a elas ou são, muitas vezes, frutos delas. Esse é o caso, por exemplo, de Rita von Hunty, nome artístico de Guilherme Terreri Lima Pereira, Bacharel em atuação cênica pela UNIRIO, e em literatura inglesa pela USP.

    Mas e os outros influenciadores? Como é possível explicar que aqueles que dançam ou compartilham seu dia a dia, geralmente bastante glamourosos, consigam chamar mais atenção do que uma instituição de ensino com cursos e saberes variados?

    Vilém Flusser, o pensador checo-brasileiro, talvez explique o fenômeno no livro A filosofia da Caixa Preta, publicado em 1985. Com um olhar muito à frente de seu tempo, Flusser reflete sobre o poder das imagens técnicas, ou seja, daquelas produzidas por aparelhos, em contraponto às imagens tradicionais. Enquanto "as imagens tradicionais imaginam o mundo", as imagens técnicas, de "carácter aparentemente não-simbólico, objetivo", fazem com que "seu observador as olhe como se fossem janelas e não imagens. O observador confia nas imagens técnicas tanto quanto confia em seus próprios olhos". A função por trás das imagens técnicas, de acordo com Flusser, seria então a de "emancipar a sociedade da necessidade de pensar conceitualmente".

    Dos anos 1980 até os dias de hoje, houve uma proliferação de imagens técnicas, que culmina agora na chegada das imagens produzidas pelas inteligências artificiais. Ao longo dessas últimas décadas, a "liberdade" de não precisar pensar conceitualmente, parece ter provocado uma onda de comodismo ou preguiça, que levou à perda do senso crítico. Desse modo, as pessoas passaram a confiar cada vez mais nessas imagens, sem colocá-las em xeque, ou melhor, sem considerar que elas devem, como qualquer imagem, "ser decifradas por quem deseja captar-lhe o significado", como alerta Flusser. Segundo o pensador, aliás, "decifrá-las é reconstituir os textos que tais imagens significam. Quando as imagens técnicas são corretamente decifradas, surge o mundo conceitual como sendo o seu universo de significado". Portanto, quando se contempla uma imagem técnica, como diz Flusser, o que vemos, na verdade, "não é 'o mundo', mas determinados conceitos relativos ao mundo, a despeito da automaticidade da impressão do mundo sobre a superfície da imagem".

    As redes sociais estão inundadas de imagens técnicas. Os influenciadores abusam delas, talvez não tão ingenuamente quanto se pensa. Eles parecem confiar na "magia" que elas provocam nos seguidores. A respeito dessa magia, ou "nova magia", como afirma Flusser, ela não tem a ver com ideia de elaboração de um mito, mas com a simples ritualização de um programa que não tem por objetivo "modificar o mundo lá fora", mas criar "seus receptores para um comportamento mágico programado". Em um efeito manada, influenciadores angariam novos "receptores" programados, que se encantam com aquilo que lhes é oferecido como verdade e possibilidade.

   Os influenciadores entenderam como lidar com as imagens técnicas e manipular seus seguidores, cooptando cada vez mais deles. As universidades, ao contrário, em vez de angariar mais seguidores, parecem cada vez mais encantadas com as imagens técnicas, principalmente depois das lAs, e com a sua revolução que, como disse Flusser nos anos 1980, tomou rumo diferente: as imagens técnicas "não tornam visível o conhecimento científico, mas o falseiam; não reintroduzem as imagens tradicionais, mas as substituem; não tornam visível a magia subliminar, mas a substituem por outra. Nesse sentido, as imagens técnicas passam a ser 'falsas', 'feias' e 'ruins', além de não terem sido capazes de reunificar a cultura, mas apenas de fundir a sociedade em massa amorfa".

   Como introduzir nas imagens técnicas a magia da busca pelo conhecimento se "ter" é melhor do que "ser" e até mesmo "estar"? Como reprogramar seus observadores para que ponham em xeque o que veem?

    Nesse momento, nos vem à mente uma tirinha da pequena intelectual Mafalda, criação do argentino Quino. Em um diálogo com Susanita - epítome da frivolidade -, Mafalda confessa que, quando crescer, quer "ter cultura". Susanita, por sua vez, declara que prefere vestidos e então provoca: "Se sair na rua sem cultura, você é presa?". Mafalda responde que não. E Susanita, triunfante, finaliza: "Experimente sair na rua sem vestidos". Como Mafalda, acabamos admitindo - ainda que com revolta - que Susanita tem razão. Em 2025, experimente dizer que é CLT.


Disponível em: https://revistacult.uol.com.br/. Acesso em: 02 set. 2025.
De forma global, o texto objetiva
Alternativas
Q3688618 Português
A questão refere-se ao texto a seguir.


Além das leis, precisamos promover o desejo por bibliotecas


Leonardo Assis


    Nos últimos 30 anos, temos acompanhado a criação de leis relacionadas às bibliotecas públicas, passando pelas escolares e, mais recentemente, chegando àquelas previstas nos empreendimentos do programa Minha Casa, Minha Vida. Essas medidas buscam garantir espaços legítimos de existência e atuação para as bibliotecas. Esse crescimento do interesse pela instituição é fruto do trabalho de muitos profissionais que lutam para criar espaços de fruição da informação e, consequentemente, da cultura em nossa sociedade.

    Iniciativas como essas são fundamentais. Elas expressam posicionamentos estratégicos para assegurar que a população tenha acesso a ambientes propícios ao desenvolvimento pleno do ser. Esses guerreiros, como gosto de chamá-los, são aqueles que compreenderam e valorizam o poder transformador das bibliotecas na vida em sociedade.

    Neste momento, em que um mínimo legal foi e está sendo garantido, é necessário que a sociedade compreenda a importância das bibliotecas, ou melhor, da informação, para a sua vida, tanto no aspecto material quanto simbólico. Só esse espaço plural, onde diferentes discursos coexistem e o autoritarismo não encontra lugar, pode levar a sociedade à compreensão das desigualdades e à busca por uma prosperidade que, mesmo quando individual, tem reflexos coletivos. 

    O grande desafio atual, no processo de institucionalização das leis sobre bibliotecas, é tornar esses espaços relevantes e significativos para os contextos em que estão inseridos. E isso exige uma formação profissional na área de biblioteconomia e de estudos da informação que vá além da técnica e abrace o contexto social.

    Apenas um olhar atento às comunidades atendidas poderá transformar essa realidade, fazendo com que leis e decretos deixem de ser apenas formalidades para se tornarem ações concretas. É assim que as bibliotecas, especialmente as públicas e escolares, podem assumir um papel protagonista em nossa sociedade.

    Ao olharmos para a história da humanidade, da Mesopotâmia às redes de informação contemporâneas, percebemos que o desenvolvimento das nações sempre esteve ligado ao fortalecimento de suas instituições de informação. Esse ensinamento nos coloca diante de um momento ímpar. Se já temos leis que favorecem as bibliotecas, por que elas ainda não se tornaram plenamente efetivas?

    A resposta, ainda que parcial, é clara: falta engajamento. A atuação profissional no campo das bibliotecas ainda é falha em muitos contextos. É preciso reduzir o tempo, aqui entendido como o tempo de formação, que o profissional leva para encarar o cenário real de sua prática. E essa formação não pode se restringir a métodos e formas; ela precisa instigar o desejo. Um desejo que seja coletivo, que nasça da comunidade, e não apenas da atuação isolada de um profissional diante de um acervo que, por si só, não tem valor.

    Profissionais, é preciso buscar a instalação desse desejo por bibliotecas em nossas comunidades. E esse desejo vem a partir do momento em que a sociedade percebe que os ganhos, não apenas no sentido material, são muitos quando proporcionados por uma biblioteca.


Disponível em: https://jornal.usp.br/. Acesso em: 01 set. 2025.
Considerando a sua totalidade, o texto apresenta, de maneira
Alternativas
Q3688614 Português
A questão refere-se ao texto a seguir.


Além das leis, precisamos promover o desejo por bibliotecas


Leonardo Assis


    Nos últimos 30 anos, temos acompanhado a criação de leis relacionadas às bibliotecas públicas, passando pelas escolares e, mais recentemente, chegando àquelas previstas nos empreendimentos do programa Minha Casa, Minha Vida. Essas medidas buscam garantir espaços legítimos de existência e atuação para as bibliotecas. Esse crescimento do interesse pela instituição é fruto do trabalho de muitos profissionais que lutam para criar espaços de fruição da informação e, consequentemente, da cultura em nossa sociedade.

    Iniciativas como essas são fundamentais. Elas expressam posicionamentos estratégicos para assegurar que a população tenha acesso a ambientes propícios ao desenvolvimento pleno do ser. Esses guerreiros, como gosto de chamá-los, são aqueles que compreenderam e valorizam o poder transformador das bibliotecas na vida em sociedade.

    Neste momento, em que um mínimo legal foi e está sendo garantido, é necessário que a sociedade compreenda a importância das bibliotecas, ou melhor, da informação, para a sua vida, tanto no aspecto material quanto simbólico. Só esse espaço plural, onde diferentes discursos coexistem e o autoritarismo não encontra lugar, pode levar a sociedade à compreensão das desigualdades e à busca por uma prosperidade que, mesmo quando individual, tem reflexos coletivos. 

    O grande desafio atual, no processo de institucionalização das leis sobre bibliotecas, é tornar esses espaços relevantes e significativos para os contextos em que estão inseridos. E isso exige uma formação profissional na área de biblioteconomia e de estudos da informação que vá além da técnica e abrace o contexto social.

    Apenas um olhar atento às comunidades atendidas poderá transformar essa realidade, fazendo com que leis e decretos deixem de ser apenas formalidades para se tornarem ações concretas. É assim que as bibliotecas, especialmente as públicas e escolares, podem assumir um papel protagonista em nossa sociedade.

    Ao olharmos para a história da humanidade, da Mesopotâmia às redes de informação contemporâneas, percebemos que o desenvolvimento das nações sempre esteve ligado ao fortalecimento de suas instituições de informação. Esse ensinamento nos coloca diante de um momento ímpar. Se já temos leis que favorecem as bibliotecas, por que elas ainda não se tornaram plenamente efetivas?

    A resposta, ainda que parcial, é clara: falta engajamento. A atuação profissional no campo das bibliotecas ainda é falha em muitos contextos. É preciso reduzir o tempo, aqui entendido como o tempo de formação, que o profissional leva para encarar o cenário real de sua prática. E essa formação não pode se restringir a métodos e formas; ela precisa instigar o desejo. Um desejo que seja coletivo, que nasça da comunidade, e não apenas da atuação isolada de um profissional diante de um acervo que, por si só, não tem valor.

    Profissionais, é preciso buscar a instalação desse desejo por bibliotecas em nossas comunidades. E esse desejo vem a partir do momento em que a sociedade percebe que os ganhos, não apenas no sentido material, são muitos quando proporcionados por uma biblioteca.


Disponível em: https://jornal.usp.br/. Acesso em: 01 set. 2025.
A palavra em destaque autoriza o resgate de uma informação implícita em:
Alternativas
Q3688611 Português
A questão refere-se ao texto a seguir.


Além das leis, precisamos promover o desejo por bibliotecas


Leonardo Assis


    Nos últimos 30 anos, temos acompanhado a criação de leis relacionadas às bibliotecas públicas, passando pelas escolares e, mais recentemente, chegando àquelas previstas nos empreendimentos do programa Minha Casa, Minha Vida. Essas medidas buscam garantir espaços legítimos de existência e atuação para as bibliotecas. Esse crescimento do interesse pela instituição é fruto do trabalho de muitos profissionais que lutam para criar espaços de fruição da informação e, consequentemente, da cultura em nossa sociedade.

    Iniciativas como essas são fundamentais. Elas expressam posicionamentos estratégicos para assegurar que a população tenha acesso a ambientes propícios ao desenvolvimento pleno do ser. Esses guerreiros, como gosto de chamá-los, são aqueles que compreenderam e valorizam o poder transformador das bibliotecas na vida em sociedade.

    Neste momento, em que um mínimo legal foi e está sendo garantido, é necessário que a sociedade compreenda a importância das bibliotecas, ou melhor, da informação, para a sua vida, tanto no aspecto material quanto simbólico. Só esse espaço plural, onde diferentes discursos coexistem e o autoritarismo não encontra lugar, pode levar a sociedade à compreensão das desigualdades e à busca por uma prosperidade que, mesmo quando individual, tem reflexos coletivos. 

    O grande desafio atual, no processo de institucionalização das leis sobre bibliotecas, é tornar esses espaços relevantes e significativos para os contextos em que estão inseridos. E isso exige uma formação profissional na área de biblioteconomia e de estudos da informação que vá além da técnica e abrace o contexto social.

    Apenas um olhar atento às comunidades atendidas poderá transformar essa realidade, fazendo com que leis e decretos deixem de ser apenas formalidades para se tornarem ações concretas. É assim que as bibliotecas, especialmente as públicas e escolares, podem assumir um papel protagonista em nossa sociedade.

    Ao olharmos para a história da humanidade, da Mesopotâmia às redes de informação contemporâneas, percebemos que o desenvolvimento das nações sempre esteve ligado ao fortalecimento de suas instituições de informação. Esse ensinamento nos coloca diante de um momento ímpar. Se já temos leis que favorecem as bibliotecas, por que elas ainda não se tornaram plenamente efetivas?

    A resposta, ainda que parcial, é clara: falta engajamento. A atuação profissional no campo das bibliotecas ainda é falha em muitos contextos. É preciso reduzir o tempo, aqui entendido como o tempo de formação, que o profissional leva para encarar o cenário real de sua prática. E essa formação não pode se restringir a métodos e formas; ela precisa instigar o desejo. Um desejo que seja coletivo, que nasça da comunidade, e não apenas da atuação isolada de um profissional diante de um acervo que, por si só, não tem valor.

    Profissionais, é preciso buscar a instalação desse desejo por bibliotecas em nossas comunidades. E esse desejo vem a partir do momento em que a sociedade percebe que os ganhos, não apenas no sentido material, são muitos quando proporcionados por uma biblioteca.


Disponível em: https://jornal.usp.br/. Acesso em: 01 set. 2025.
De forma global, o texto propõe-se a
Alternativas
Q3688610 Português
A questão refere-se ao texto a seguir.


Além das leis, precisamos promover o desejo por bibliotecas


Leonardo Assis


    Nos últimos 30 anos, temos acompanhado a criação de leis relacionadas às bibliotecas públicas, passando pelas escolares e, mais recentemente, chegando àquelas previstas nos empreendimentos do programa Minha Casa, Minha Vida. Essas medidas buscam garantir espaços legítimos de existência e atuação para as bibliotecas. Esse crescimento do interesse pela instituição é fruto do trabalho de muitos profissionais que lutam para criar espaços de fruição da informação e, consequentemente, da cultura em nossa sociedade.

    Iniciativas como essas são fundamentais. Elas expressam posicionamentos estratégicos para assegurar que a população tenha acesso a ambientes propícios ao desenvolvimento pleno do ser. Esses guerreiros, como gosto de chamá-los, são aqueles que compreenderam e valorizam o poder transformador das bibliotecas na vida em sociedade.

    Neste momento, em que um mínimo legal foi e está sendo garantido, é necessário que a sociedade compreenda a importância das bibliotecas, ou melhor, da informação, para a sua vida, tanto no aspecto material quanto simbólico. Só esse espaço plural, onde diferentes discursos coexistem e o autoritarismo não encontra lugar, pode levar a sociedade à compreensão das desigualdades e à busca por uma prosperidade que, mesmo quando individual, tem reflexos coletivos. 

    O grande desafio atual, no processo de institucionalização das leis sobre bibliotecas, é tornar esses espaços relevantes e significativos para os contextos em que estão inseridos. E isso exige uma formação profissional na área de biblioteconomia e de estudos da informação que vá além da técnica e abrace o contexto social.

    Apenas um olhar atento às comunidades atendidas poderá transformar essa realidade, fazendo com que leis e decretos deixem de ser apenas formalidades para se tornarem ações concretas. É assim que as bibliotecas, especialmente as públicas e escolares, podem assumir um papel protagonista em nossa sociedade.

    Ao olharmos para a história da humanidade, da Mesopotâmia às redes de informação contemporâneas, percebemos que o desenvolvimento das nações sempre esteve ligado ao fortalecimento de suas instituições de informação. Esse ensinamento nos coloca diante de um momento ímpar. Se já temos leis que favorecem as bibliotecas, por que elas ainda não se tornaram plenamente efetivas?

    A resposta, ainda que parcial, é clara: falta engajamento. A atuação profissional no campo das bibliotecas ainda é falha em muitos contextos. É preciso reduzir o tempo, aqui entendido como o tempo de formação, que o profissional leva para encarar o cenário real de sua prática. E essa formação não pode se restringir a métodos e formas; ela precisa instigar o desejo. Um desejo que seja coletivo, que nasça da comunidade, e não apenas da atuação isolada de um profissional diante de um acervo que, por si só, não tem valor.

    Profissionais, é preciso buscar a instalação desse desejo por bibliotecas em nossas comunidades. E esse desejo vem a partir do momento em que a sociedade percebe que os ganhos, não apenas no sentido material, são muitos quando proporcionados por uma biblioteca.


Disponível em: https://jornal.usp.br/. Acesso em: 01 set. 2025.
De acordo com o texto,
Alternativas
Q3687960 Português
O regime de progressão continuada não significa aprovação automática, muito menos desconsidera etapas de escolaridade a serem vencidas. Ele é, sim, um novo conceito a ser dado à avaliação na escola. A avaliação passa a ser o instrumento guia na progressão do aluno no seu percurso escolar, apontando as diferenças na aquisição de habilidades e conhecimentos entre os alunos e orientando o trabalho do professor na condução desse processo. Deixa de ser repressora, castradora e comparativa para ser ________ e estimuladora do processo ensino-aprendizagem.

Assinale a alternativa que preenche corretamente a lacuna do texto:
Alternativas
Q3686433 Português
Segundo Marcuschi (2008), os gêneros digitais não são simples transposições, mas formas discursivas específicas, estruturadas pela multimodalidade, pela hipertextualidade e pela interatividade. Considerando os estudos da linguagem digital e a teoria dos gêneros, qual alternativa expressa interpretação mais rigorosa dessa concepção teórica?
Alternativas
Q3686426 Português
Leia: “O projeto foi elogiado pelos professores, mas não recebeu apoio da secretaria. Os alunos, portanto, ficaram sem os recursos prometidos.” A interpretação adequada exige análise semântica dos conectores. Considerando sua função sintático-discursiva, qual alternativa apresenta explicação correta para o funcionamento dos termos destacados no enunciado?
Alternativas
Q3686422 Português

Leia o fragmento de uma postagem em rede social:


“Texto sem pontuação parece que não termina nunca e a gente vai lendo sem parar, sem respirar e às vezes até perde o sentido…”


Considerando os multiletramentos e a inserção de gêneros digitais no ensino, qual proposição reflete uma prática pedagógica alinhada à BNCC?

Alternativas
Q3686417 Português
A tradição gramatical ocidental fragmentou a língua em sintaxe, morfologia e semântica, mas abordagens modernas defendem articulação indissociável entre oralidade, leitura, escrita e reflexão metalinguística. Essas dimensões interdependentes constituem o cerne da formação linguística contemporânea. Nesse sentido, qual alternativa melhor representa tal concepção integradora? 
Alternativas
Q3686416 Português
A leitura já foi concebida como simples decodificação gráfica, como interação entre texto e leitor ou como processo construtivo de sentidos. A perspectiva atual, influenciada pela linguística textual e pela hermenêutica, articula conhecimentos linguísticos, memória discursiva, cultura e práticas sociais. Qual alternativa expressa rigorosamente essa concepção?
Alternativas
Q3686103 Português
Mas o que é mesmo variação linguística?

Marcos Bagno


A ilusão da língua homogênea As pessoas que vivem em sociedades com uma longa tradição escrita, com uma história literária de muitos séculos e um sistema educacional organizado se acostumaram a ter uma ideia de uma língua muito influenciada por todas essas instituições. Para elas, só merece o nome de língua um conjunto muito particular de pronúncias, de palavras e de regras gramaticais que foram cuidadosamente selecionadas para compor o que vamos chamar nesse livro aqui de norma-padrão, isto é, o modelo de língua “certa”, de “bem falar” que, nessas sociedades, constitui uma espécie de tesouro nacional, de patrimônio cultural que, assim como as florestas, os rios, a flora, a fauna e os monumentos arquitetônicos, precisaria ser preservado da ruína e da extinção...

Ora, a escrita, a literatura e a escola são instituições eminentemente sociais, são invenções culturais, criações artificiais e muito recentes na história da humanidade ̶ as formas mais antigas de escrita têm menos de 56.000 anos, ou seja, durante 99% da história da nossa espécie ninguém escreveu nem leu nada, e até hoje uma grande parcela dos seres humanos permanece assim, excluída da escrita e da leitura! 

Portanto, o que se convencionou chamar de “língua” nas sociedades letradas é, na verdade, um produto social, artificial, que não corresponde àquilo que a língua realmente é. Mas será que a gente pode mesmo pensar nesse modelo de língua como um produto, semelhante ao iogurte, ao vinho, à borracha, ao papel, ao azeite e a tantas outras invenções humanas? Pode, mas com uma diferença: essa “língua” é um produto de um tipo diferente, um produto sociocultural, elaborado ao longo de muito tempo, pelo esforço de muita gente ̶ por isso ela é uma abstração ou, como se diz hoje em dia, um patrimônio imaterial.

Bom, então, se o que nós chamamos de “língua” é só uma aparência, uma ilusão nascida dos nossos hábitos culturais e das nossas relações sociais, como é a língua, de fato?


A realidade heterogênea das línguas

Ao contrário da norma-padrão, que é tradicionalmente concebida como um produto homogêneo, como um jogo de armar em que todas as peças se encaixam perfeitamente umas nas outras, sem faltar nenhuma, a língua, na concepção dos sociolinguistas, é intrinsecamente heterogênea, múltipla, variável, instável e está sempre em desconstrução e reconstrução. Ao contrário de um produto pronto e acabado, de um monumento histórico feito de pedra e cimento, a língua é um processo, um fazer-se permanente e nunca concluído. A língua é uma atividade social, um trabalho coletivo, empreendido por todos os seus falantes, cada vez que eles se põem a interagir por meio da fala ou da escrita.

Justamente pelo caráter heterogêneo, instável e mutante das línguas humanas, a grande maioria das pessoas acha muito mais confortável e tranquilizador pensar na língua como algo que já terminou de se construir, como uma ponte firme e sólida, por onde a gente pode caminhar sem medo de cair e de se afogar na correnteza vertiginosa que corre lá embaixo. Mas essa ponte não é feita de concreto, é feita de abstrato... O real estado da língua é o das águas de um rio, que nunca param de correr e de se agitar, que sobem e descem conforme o regime das chuvas, sujeitas a se precipitar por cachoeiras, a se estreitar entre as montanhas e a se alargar pelas planícies...

Também ao contrário do que muita gente acredita, a língua não está registrada por inteiro nos dicionários, nem suas regras de funcionamento são exatamente (nem somente) aquelas que aparecem nos livros chamados gramáticas. É mais ilusão social acreditar que é possível encerrar num único livro a verdade definitiva e eterna sobre uma língua.

Com tudo isso, a gente está querendo dizer que, na contramão das crenças mais difundidas, a variação e a mudança linguísticas é que são o “estado natural” das línguas, o seu jeito próprio de ser. Se a língua é falada por seres humanos que vivem em sociedades, se esses seres humanos e essas sociedades são sempre, em qualquer lugar e em qualquer época, heterogêneos, diversificados, instáveis, sujeitos a conflitos e a transformações, o estranho, o paradoxal, o impensável seria justamente que as línguas permanecessem estáveis e homogêneas!

Fonte: BAGNO, Marcos. Nada na Língua é por acaso. São Paulo: Parábola Editorial, 2007, p. 35-37.
Do texto de Marcos Bagno, pode-se depreender que 
Alternativas
Q3686102 Português
Mas o que é mesmo variação linguística?

Marcos Bagno


A ilusão da língua homogênea As pessoas que vivem em sociedades com uma longa tradição escrita, com uma história literária de muitos séculos e um sistema educacional organizado se acostumaram a ter uma ideia de uma língua muito influenciada por todas essas instituições. Para elas, só merece o nome de língua um conjunto muito particular de pronúncias, de palavras e de regras gramaticais que foram cuidadosamente selecionadas para compor o que vamos chamar nesse livro aqui de norma-padrão, isto é, o modelo de língua “certa”, de “bem falar” que, nessas sociedades, constitui uma espécie de tesouro nacional, de patrimônio cultural que, assim como as florestas, os rios, a flora, a fauna e os monumentos arquitetônicos, precisaria ser preservado da ruína e da extinção...

Ora, a escrita, a literatura e a escola são instituições eminentemente sociais, são invenções culturais, criações artificiais e muito recentes na história da humanidade ̶ as formas mais antigas de escrita têm menos de 56.000 anos, ou seja, durante 99% da história da nossa espécie ninguém escreveu nem leu nada, e até hoje uma grande parcela dos seres humanos permanece assim, excluída da escrita e da leitura! 

Portanto, o que se convencionou chamar de “língua” nas sociedades letradas é, na verdade, um produto social, artificial, que não corresponde àquilo que a língua realmente é. Mas será que a gente pode mesmo pensar nesse modelo de língua como um produto, semelhante ao iogurte, ao vinho, à borracha, ao papel, ao azeite e a tantas outras invenções humanas? Pode, mas com uma diferença: essa “língua” é um produto de um tipo diferente, um produto sociocultural, elaborado ao longo de muito tempo, pelo esforço de muita gente ̶ por isso ela é uma abstração ou, como se diz hoje em dia, um patrimônio imaterial.

Bom, então, se o que nós chamamos de “língua” é só uma aparência, uma ilusão nascida dos nossos hábitos culturais e das nossas relações sociais, como é a língua, de fato?


A realidade heterogênea das línguas

Ao contrário da norma-padrão, que é tradicionalmente concebida como um produto homogêneo, como um jogo de armar em que todas as peças se encaixam perfeitamente umas nas outras, sem faltar nenhuma, a língua, na concepção dos sociolinguistas, é intrinsecamente heterogênea, múltipla, variável, instável e está sempre em desconstrução e reconstrução. Ao contrário de um produto pronto e acabado, de um monumento histórico feito de pedra e cimento, a língua é um processo, um fazer-se permanente e nunca concluído. A língua é uma atividade social, um trabalho coletivo, empreendido por todos os seus falantes, cada vez que eles se põem a interagir por meio da fala ou da escrita.

Justamente pelo caráter heterogêneo, instável e mutante das línguas humanas, a grande maioria das pessoas acha muito mais confortável e tranquilizador pensar na língua como algo que já terminou de se construir, como uma ponte firme e sólida, por onde a gente pode caminhar sem medo de cair e de se afogar na correnteza vertiginosa que corre lá embaixo. Mas essa ponte não é feita de concreto, é feita de abstrato... O real estado da língua é o das águas de um rio, que nunca param de correr e de se agitar, que sobem e descem conforme o regime das chuvas, sujeitas a se precipitar por cachoeiras, a se estreitar entre as montanhas e a se alargar pelas planícies...

Também ao contrário do que muita gente acredita, a língua não está registrada por inteiro nos dicionários, nem suas regras de funcionamento são exatamente (nem somente) aquelas que aparecem nos livros chamados gramáticas. É mais ilusão social acreditar que é possível encerrar num único livro a verdade definitiva e eterna sobre uma língua.

Com tudo isso, a gente está querendo dizer que, na contramão das crenças mais difundidas, a variação e a mudança linguísticas é que são o “estado natural” das línguas, o seu jeito próprio de ser. Se a língua é falada por seres humanos que vivem em sociedades, se esses seres humanos e essas sociedades são sempre, em qualquer lugar e em qualquer época, heterogêneos, diversificados, instáveis, sujeitos a conflitos e a transformações, o estranho, o paradoxal, o impensável seria justamente que as línguas permanecessem estáveis e homogêneas!

Fonte: BAGNO, Marcos. Nada na Língua é por acaso. São Paulo: Parábola Editorial, 2007, p. 35-37.
A partir da leitura do texto de Marcos Bagno, analise as assertivas a seguir:

I. Muitas comunidades acreditam que língua é um conjunto muito particular de pronúncias, de palavras e de regras gramaticais.
II. O modelo de língua de determinadas sociedades, denominado tesouro nacional, é baseado em uma cultura arraigada na tradição escrita e literária.
III. A escrita, a literatura e a escola devem influenciar a maneira como os cidadãos de uma comunidade devem falar, determinando as regras predominantes do “bem falar”.
IV. Apesar de quase todas as sociedades do mundo serem letradas, as comunidades são muito artificiais e são excluídas da escrita e da leitura.

Estão CORRETAS apenas as assertivas
Alternativas
Q3686101 Português
Mas o que é mesmo variação linguística?

Marcos Bagno


A ilusão da língua homogênea As pessoas que vivem em sociedades com uma longa tradição escrita, com uma história literária de muitos séculos e um sistema educacional organizado se acostumaram a ter uma ideia de uma língua muito influenciada por todas essas instituições. Para elas, só merece o nome de língua um conjunto muito particular de pronúncias, de palavras e de regras gramaticais que foram cuidadosamente selecionadas para compor o que vamos chamar nesse livro aqui de norma-padrão, isto é, o modelo de língua “certa”, de “bem falar” que, nessas sociedades, constitui uma espécie de tesouro nacional, de patrimônio cultural que, assim como as florestas, os rios, a flora, a fauna e os monumentos arquitetônicos, precisaria ser preservado da ruína e da extinção...

Ora, a escrita, a literatura e a escola são instituições eminentemente sociais, são invenções culturais, criações artificiais e muito recentes na história da humanidade ̶ as formas mais antigas de escrita têm menos de 56.000 anos, ou seja, durante 99% da história da nossa espécie ninguém escreveu nem leu nada, e até hoje uma grande parcela dos seres humanos permanece assim, excluída da escrita e da leitura! 

Portanto, o que se convencionou chamar de “língua” nas sociedades letradas é, na verdade, um produto social, artificial, que não corresponde àquilo que a língua realmente é. Mas será que a gente pode mesmo pensar nesse modelo de língua como um produto, semelhante ao iogurte, ao vinho, à borracha, ao papel, ao azeite e a tantas outras invenções humanas? Pode, mas com uma diferença: essa “língua” é um produto de um tipo diferente, um produto sociocultural, elaborado ao longo de muito tempo, pelo esforço de muita gente ̶ por isso ela é uma abstração ou, como se diz hoje em dia, um patrimônio imaterial.

Bom, então, se o que nós chamamos de “língua” é só uma aparência, uma ilusão nascida dos nossos hábitos culturais e das nossas relações sociais, como é a língua, de fato?


A realidade heterogênea das línguas

Ao contrário da norma-padrão, que é tradicionalmente concebida como um produto homogêneo, como um jogo de armar em que todas as peças se encaixam perfeitamente umas nas outras, sem faltar nenhuma, a língua, na concepção dos sociolinguistas, é intrinsecamente heterogênea, múltipla, variável, instável e está sempre em desconstrução e reconstrução. Ao contrário de um produto pronto e acabado, de um monumento histórico feito de pedra e cimento, a língua é um processo, um fazer-se permanente e nunca concluído. A língua é uma atividade social, um trabalho coletivo, empreendido por todos os seus falantes, cada vez que eles se põem a interagir por meio da fala ou da escrita.

Justamente pelo caráter heterogêneo, instável e mutante das línguas humanas, a grande maioria das pessoas acha muito mais confortável e tranquilizador pensar na língua como algo que já terminou de se construir, como uma ponte firme e sólida, por onde a gente pode caminhar sem medo de cair e de se afogar na correnteza vertiginosa que corre lá embaixo. Mas essa ponte não é feita de concreto, é feita de abstrato... O real estado da língua é o das águas de um rio, que nunca param de correr e de se agitar, que sobem e descem conforme o regime das chuvas, sujeitas a se precipitar por cachoeiras, a se estreitar entre as montanhas e a se alargar pelas planícies...

Também ao contrário do que muita gente acredita, a língua não está registrada por inteiro nos dicionários, nem suas regras de funcionamento são exatamente (nem somente) aquelas que aparecem nos livros chamados gramáticas. É mais ilusão social acreditar que é possível encerrar num único livro a verdade definitiva e eterna sobre uma língua.

Com tudo isso, a gente está querendo dizer que, na contramão das crenças mais difundidas, a variação e a mudança linguísticas é que são o “estado natural” das línguas, o seu jeito próprio de ser. Se a língua é falada por seres humanos que vivem em sociedades, se esses seres humanos e essas sociedades são sempre, em qualquer lugar e em qualquer época, heterogêneos, diversificados, instáveis, sujeitos a conflitos e a transformações, o estranho, o paradoxal, o impensável seria justamente que as línguas permanecessem estáveis e homogêneas!

Fonte: BAGNO, Marcos. Nada na Língua é por acaso. São Paulo: Parábola Editorial, 2007, p. 35-37.
Atente para os excertos, em que foram destacados alguns vocábulos e propostos sinônimos para eles:

I. ... a escrita, a literatura e a escola são instituições eminentemente sociais, ... > ... a escrita, a literatura e a escola são instituições urgentemente sociais, ...
II. A realidade heterogênea das línguas > A realidade variada das línguas
III. ... um produto homogêneo ... > ... um produto complicado ...
IV. ... afogar na correnteza vertiginosa que corre lá embaixo. > ... afogar na correnteza descontrolada que corre lá embaixo.

Estão CORRETOS apenas os sinônimos apresentados em
Alternativas
Q3685379 Português
DE QUEM É ESTE TEXTO?

Rafaela Lôbo


    Outro dia descobri um site que tem a finalidade de verificar se o texto foi realizado por um humano ou pela Inteligência Artificial (IA). Então, resolvi enviar um artigo meu para verificação. O resultado? O site afirmou que 81% do texto havia sido realizado por IA. Tentei outro texto, e, segundo o site, 93% teriam sido escritos por uma IA. Mas como assim? Teria eu tido uma alucinação quando me sentei para escrever? Seria eu uma máquina?

    Resolvi conversar com outra IA, o GPT. Coloquei o primeiro texto e perguntei se era humano ou não; o chat respondeu que havia características humanas, como uma reflexão profunda e intimidade, mas, ao mesmo tempo, segundo o chat, “a falta de erros ou inconsistências maiores e a lógica clara ao longo do texto são típicas de IA bem treinada”.

    Continuei a conversa, escrevi ao chat que o texto era meu, 100% humano, mas que, antes daquele diálogo, eu o havia colocado em um site que detectava IA e o site havia identificado mais de 80% do texto como se fosse IA, e eu me perguntava o porquê. Foi então que o chat me deu a seguinte devolutiva: “Além da ausência de erros, o texto possui uma construção coerente do argumento com ligação clara entre os parágrafos, o que nem sempre ocorre em textos humanos”. Entendi que, para a IA, um texto bem-escrito tem grandes chances de não ser humano.

    Ao mesmo tempo, se a IA tem como aprender um estilo de escrita, ela pode emular esse estilo em um novo texto. Nova ideia, perguntei ao chat se, após ter acesso a vários textos de minha autoria, ele conseguiria criar um novo texto com o mesmo estilo. “Claro, quer que eu escreva um texto no seu estilo agora?” Melhor não, pensei, se um texto com minhas características de escrita pode não ser escrito por mim, onde vai parar a minha autoria? Se o estilo é meu, mas não o escrevi, o texto ainda seria meu de alguma forma? As questões ainda são complexas para mim, não estou pronta para o texto que ele me ofereceu, e encerrei a conversa.

    No Brasil, a Lei 9.610/1998 rege os direitos autorais e tem o objetivo de “proteger os direitos de autores de obras literárias, artísticas e científicas, incluindo direitos morais (como ser reconhecido como autor) e direitos patrimoniais”. Mas, se a IA pode criar, quem será o autor? E quem terá direito sobre a obra?

    Porém, a questão vai além dos textos escritos, ampliando-se para imagens e vídeos. Assim, aumentam os desafios jurídicos e éticos.

    Quem gosta de redes sociais viu tubarão de sapato, apresentadora de maiô e personagens históricos em vídeos como se fossem influencers. Os vídeos são feitos por IA, mas será que eles não têm dono? Alguém teve a ideia de fazer o tal tubarão andar, alguém escreveu o prompt inicial, não seria ele o autor? Os direitos patrimoniais deixam de existir quando alguém escreve um prompt para a IA usar? E se o estilo é meu, eu teria algum direito moral?

    Não tenho ainda uma opinião formada, mas me parece que quem teve a ideia tem autoria; ao mesmo tempo, seria uma cocriação? E este artigo, será mesmo meu ou sou uma IA e não estou sabendo?

Disponível em: https://www.otempo.com.br/opiniao/rafaela-lobo/2025/6/11/de-quem-e-este-texto
Acesso em: 13 set. 2025 (adaptado)
A principal preocupação da autora, após a interação com o IA, foi 
Alternativas
Q3685378 Português
DE QUEM É ESTE TEXTO?

Rafaela Lôbo


    Outro dia descobri um site que tem a finalidade de verificar se o texto foi realizado por um humano ou pela Inteligência Artificial (IA). Então, resolvi enviar um artigo meu para verificação. O resultado? O site afirmou que 81% do texto havia sido realizado por IA. Tentei outro texto, e, segundo o site, 93% teriam sido escritos por uma IA. Mas como assim? Teria eu tido uma alucinação quando me sentei para escrever? Seria eu uma máquina?

    Resolvi conversar com outra IA, o GPT. Coloquei o primeiro texto e perguntei se era humano ou não; o chat respondeu que havia características humanas, como uma reflexão profunda e intimidade, mas, ao mesmo tempo, segundo o chat, “a falta de erros ou inconsistências maiores e a lógica clara ao longo do texto são típicas de IA bem treinada”.

    Continuei a conversa, escrevi ao chat que o texto era meu, 100% humano, mas que, antes daquele diálogo, eu o havia colocado em um site que detectava IA e o site havia identificado mais de 80% do texto como se fosse IA, e eu me perguntava o porquê. Foi então que o chat me deu a seguinte devolutiva: “Além da ausência de erros, o texto possui uma construção coerente do argumento com ligação clara entre os parágrafos, o que nem sempre ocorre em textos humanos”. Entendi que, para a IA, um texto bem-escrito tem grandes chances de não ser humano.

    Ao mesmo tempo, se a IA tem como aprender um estilo de escrita, ela pode emular esse estilo em um novo texto. Nova ideia, perguntei ao chat se, após ter acesso a vários textos de minha autoria, ele conseguiria criar um novo texto com o mesmo estilo. “Claro, quer que eu escreva um texto no seu estilo agora?” Melhor não, pensei, se um texto com minhas características de escrita pode não ser escrito por mim, onde vai parar a minha autoria? Se o estilo é meu, mas não o escrevi, o texto ainda seria meu de alguma forma? As questões ainda são complexas para mim, não estou pronta para o texto que ele me ofereceu, e encerrei a conversa.

    No Brasil, a Lei 9.610/1998 rege os direitos autorais e tem o objetivo de “proteger os direitos de autores de obras literárias, artísticas e científicas, incluindo direitos morais (como ser reconhecido como autor) e direitos patrimoniais”. Mas, se a IA pode criar, quem será o autor? E quem terá direito sobre a obra?

    Porém, a questão vai além dos textos escritos, ampliando-se para imagens e vídeos. Assim, aumentam os desafios jurídicos e éticos.

    Quem gosta de redes sociais viu tubarão de sapato, apresentadora de maiô e personagens históricos em vídeos como se fossem influencers. Os vídeos são feitos por IA, mas será que eles não têm dono? Alguém teve a ideia de fazer o tal tubarão andar, alguém escreveu o prompt inicial, não seria ele o autor? Os direitos patrimoniais deixam de existir quando alguém escreve um prompt para a IA usar? E se o estilo é meu, eu teria algum direito moral?

    Não tenho ainda uma opinião formada, mas me parece que quem teve a ideia tem autoria; ao mesmo tempo, seria uma cocriação? E este artigo, será mesmo meu ou sou uma IA e não estou sabendo?

Disponível em: https://www.otempo.com.br/opiniao/rafaela-lobo/2025/6/11/de-quem-e-este-texto
Acesso em: 13 set. 2025 (adaptado)
A conversa da autora com o GPT revelou que a IA pode confundir um texto bem escrito com um texto gerado por ela mesma.

Que característica a IA citou para justificar essa conclusão?
Alternativas
Q3685377 Português
DE QUEM É ESTE TEXTO?

Rafaela Lôbo


    Outro dia descobri um site que tem a finalidade de verificar se o texto foi realizado por um humano ou pela Inteligência Artificial (IA). Então, resolvi enviar um artigo meu para verificação. O resultado? O site afirmou que 81% do texto havia sido realizado por IA. Tentei outro texto, e, segundo o site, 93% teriam sido escritos por uma IA. Mas como assim? Teria eu tido uma alucinação quando me sentei para escrever? Seria eu uma máquina?

    Resolvi conversar com outra IA, o GPT. Coloquei o primeiro texto e perguntei se era humano ou não; o chat respondeu que havia características humanas, como uma reflexão profunda e intimidade, mas, ao mesmo tempo, segundo o chat, “a falta de erros ou inconsistências maiores e a lógica clara ao longo do texto são típicas de IA bem treinada”.

    Continuei a conversa, escrevi ao chat que o texto era meu, 100% humano, mas que, antes daquele diálogo, eu o havia colocado em um site que detectava IA e o site havia identificado mais de 80% do texto como se fosse IA, e eu me perguntava o porquê. Foi então que o chat me deu a seguinte devolutiva: “Além da ausência de erros, o texto possui uma construção coerente do argumento com ligação clara entre os parágrafos, o que nem sempre ocorre em textos humanos”. Entendi que, para a IA, um texto bem-escrito tem grandes chances de não ser humano.

    Ao mesmo tempo, se a IA tem como aprender um estilo de escrita, ela pode emular esse estilo em um novo texto. Nova ideia, perguntei ao chat se, após ter acesso a vários textos de minha autoria, ele conseguiria criar um novo texto com o mesmo estilo. “Claro, quer que eu escreva um texto no seu estilo agora?” Melhor não, pensei, se um texto com minhas características de escrita pode não ser escrito por mim, onde vai parar a minha autoria? Se o estilo é meu, mas não o escrevi, o texto ainda seria meu de alguma forma? As questões ainda são complexas para mim, não estou pronta para o texto que ele me ofereceu, e encerrei a conversa.

    No Brasil, a Lei 9.610/1998 rege os direitos autorais e tem o objetivo de “proteger os direitos de autores de obras literárias, artísticas e científicas, incluindo direitos morais (como ser reconhecido como autor) e direitos patrimoniais”. Mas, se a IA pode criar, quem será o autor? E quem terá direito sobre a obra?

    Porém, a questão vai além dos textos escritos, ampliando-se para imagens e vídeos. Assim, aumentam os desafios jurídicos e éticos.

    Quem gosta de redes sociais viu tubarão de sapato, apresentadora de maiô e personagens históricos em vídeos como se fossem influencers. Os vídeos são feitos por IA, mas será que eles não têm dono? Alguém teve a ideia de fazer o tal tubarão andar, alguém escreveu o prompt inicial, não seria ele o autor? Os direitos patrimoniais deixam de existir quando alguém escreve um prompt para a IA usar? E se o estilo é meu, eu teria algum direito moral?

    Não tenho ainda uma opinião formada, mas me parece que quem teve a ideia tem autoria; ao mesmo tempo, seria uma cocriação? E este artigo, será mesmo meu ou sou uma IA e não estou sabendo?

Disponível em: https://www.otempo.com.br/opiniao/rafaela-lobo/2025/6/11/de-quem-e-este-texto
Acesso em: 13 set. 2025 (adaptado)
A principal razão pela qual a autora ficou surpresa com o resultado dos sites detectores de IA foi ela 
Alternativas
Q3685376 Português
DE QUEM É ESTE TEXTO?

Rafaela Lôbo


    Outro dia descobri um site que tem a finalidade de verificar se o texto foi realizado por um humano ou pela Inteligência Artificial (IA). Então, resolvi enviar um artigo meu para verificação. O resultado? O site afirmou que 81% do texto havia sido realizado por IA. Tentei outro texto, e, segundo o site, 93% teriam sido escritos por uma IA. Mas como assim? Teria eu tido uma alucinação quando me sentei para escrever? Seria eu uma máquina?

    Resolvi conversar com outra IA, o GPT. Coloquei o primeiro texto e perguntei se era humano ou não; o chat respondeu que havia características humanas, como uma reflexão profunda e intimidade, mas, ao mesmo tempo, segundo o chat, “a falta de erros ou inconsistências maiores e a lógica clara ao longo do texto são típicas de IA bem treinada”.

    Continuei a conversa, escrevi ao chat que o texto era meu, 100% humano, mas que, antes daquele diálogo, eu o havia colocado em um site que detectava IA e o site havia identificado mais de 80% do texto como se fosse IA, e eu me perguntava o porquê. Foi então que o chat me deu a seguinte devolutiva: “Além da ausência de erros, o texto possui uma construção coerente do argumento com ligação clara entre os parágrafos, o que nem sempre ocorre em textos humanos”. Entendi que, para a IA, um texto bem-escrito tem grandes chances de não ser humano.

    Ao mesmo tempo, se a IA tem como aprender um estilo de escrita, ela pode emular esse estilo em um novo texto. Nova ideia, perguntei ao chat se, após ter acesso a vários textos de minha autoria, ele conseguiria criar um novo texto com o mesmo estilo. “Claro, quer que eu escreva um texto no seu estilo agora?” Melhor não, pensei, se um texto com minhas características de escrita pode não ser escrito por mim, onde vai parar a minha autoria? Se o estilo é meu, mas não o escrevi, o texto ainda seria meu de alguma forma? As questões ainda são complexas para mim, não estou pronta para o texto que ele me ofereceu, e encerrei a conversa.

    No Brasil, a Lei 9.610/1998 rege os direitos autorais e tem o objetivo de “proteger os direitos de autores de obras literárias, artísticas e científicas, incluindo direitos morais (como ser reconhecido como autor) e direitos patrimoniais”. Mas, se a IA pode criar, quem será o autor? E quem terá direito sobre a obra?

    Porém, a questão vai além dos textos escritos, ampliando-se para imagens e vídeos. Assim, aumentam os desafios jurídicos e éticos.

    Quem gosta de redes sociais viu tubarão de sapato, apresentadora de maiô e personagens históricos em vídeos como se fossem influencers. Os vídeos são feitos por IA, mas será que eles não têm dono? Alguém teve a ideia de fazer o tal tubarão andar, alguém escreveu o prompt inicial, não seria ele o autor? Os direitos patrimoniais deixam de existir quando alguém escreve um prompt para a IA usar? E se o estilo é meu, eu teria algum direito moral?

    Não tenho ainda uma opinião formada, mas me parece que quem teve a ideia tem autoria; ao mesmo tempo, seria uma cocriação? E este artigo, será mesmo meu ou sou uma IA e não estou sabendo?

Disponível em: https://www.otempo.com.br/opiniao/rafaela-lobo/2025/6/11/de-quem-e-este-texto
Acesso em: 13 set. 2025 (adaptado)
O propósito do texto é: 
Alternativas
Q3685319 Português
Analise a tirinha apresentada a seguir:

Q19.png (692×202)
Fonte: TIRAS ARMANDINHO. Facebook, 29 mar. 2018. Disponível em: https://www.facebook.com/tirasarmandinho/posts/1895481693830461/

Assinale a alternativa que melhor expressa o principal ponto criticado na tirinha. 
Alternativas
Respostas
10381: E
10382: E
10383: D
10384: A
10385: E
10386: D
10387: C
10388: E
10389: A
10390: C
10391: B
10392: C
10393: B
10394: A
10395: C
10396: A
10397: A
10398: D
10399: D
10400: E