Questões de Concurso
Comentadas sobre interpretação de textos em português
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Comemora-se nesta quinta-feira, 1º de maio, o Dia da Literatura Brasileira. A data, que coincide com o feriado do Dia do Trabalho, foi escolhida em homenagem ao escritor José de Alencar. Um dos principais nomes da literatura nacional, Alencar nasceu neste dia em 1829, no Ceará. Ele também foi jornalista, advogado e político. Considerado o “pai do Romantismo” e fundador da literatura genuinamente brasileira, José de Alencar publicou clássicos até hoje estudados nas escolas e na Academia, como O Guarani, Iracema, Ubirajara, Lucíola, Til e Senhora.
(Disponível em: https://www.terra.com.br/diversao/. Acesso em: maio de 2025.)
A leitura é um hábito fundamental para o desenvolvimento cognitivo e social. Nesse sentido, o Dia da Literatura Brasileira, além de homenagear José de Alencar e os escritores do país, mostra-se como fundamental para:
A canção “Lo que le Pasó a Hawaii”, do renomado artista porto-riquenho Bad Bunny, embora escrita com Porto Rico em mente, tornou-se um símbolo de resistência e identificação para muitos imigrantes latino-americanos, incluindo venezuelanos, cubanos e nicaraguenses. Desde seu lançamento no álbum “Debí Tirar Más Fotos”, há apenas dez dias, a música tem sido amplamente compartilhada nas redes sociais por aqueles que vivem sob regimes autoritários em suas nações de origem. Um dos trechos mais impactantes da canção aborda a dor do exílio: “Aqui ninguém quis ir [embora], e os que foram sonham em voltar”. Este lamento ressoa especialmente entre os quase 8 milhões de migrantes e refugiados venezuelanos que fugiram da crise política e econômica exacerbada pela administração do presidente Nicolás Maduro.
(Disponível em: https://abcdoabc.com.br/musica/. Acesso em: maio de 2025.)
A arte tem o poder de traduzir sentimentos humanos, mesmo em situações de vulnerabilidade no contexto social. Assim, Bad Bunny se destacou pela sua obra, uma vez que, ao retratar a realidade de imigrantes, o artista promoveu:
(CARNEIRO, Raquel. O discurso que Walter Salles pretendia fazer no Oscar [2025]. Disponível em: https://veja.abril.com.br/coluna/em-cartaz/. Acesso em: abril de 2025.)
Em 2025, o Brasil conquistou seu primeiro Oscar através do filme “Ainda estou aqui”, considerado um grande sucesso mundial. Dirigido por Walter Salles no ano de 2024, a obra narra a vida e história da família de Eunice Paiva e Marcelo Rubens Paiva durante um contexto histórico marcado pela ditadura militar. De acordo com as informações apresentadas, qual foi a principal razão pela qual o filme “Ainda Estou Aqui” conquistou tanta visibilidade?
Julgue o item que se segue, relativo a aspectos linguísticos do texto CG1A1 e ao vocabulário nele empregado.
A correção gramatical do texto e o seu sentido original seriam mantidos caso o vocábulo “aleatórios” (primeiro período do último parágrafo) fosse substituído pela expressão sem sentido.
Julgue o item que se segue, relativo a aspectos linguísticos do texto CG1A1 e ao vocabulário nele empregado.
A forma verbal “adverte” (primeiro período do terceiro parágrafo) poderia ser substituída por ensina, mantendo-se a correção gramatical e os sentidos originais do texto.
I.Pela leitura do excerto é possível inferir que, se não houver liberdade para atuar e pesquisar dentro da universidade, ela não cumprirá suas funções, uma vez que essa condição é primordial e, sem ela, não se cria conhecimento, logo, não há o que transmitir nem preservar.
II.Em "As disputas de ideias são centrais nesse processo, mas devem estar sempre alicerçadas em evidências", a conjunção adversativa "mas" não relaciona ideias opostas, em que a ideia da segunda oração anula a da primeira. O que temos no texto é uma relação de restrição.
III.Em "diversidade leva à eficiência", o uso da crase está correto e se justifica porque o verbo "levar" é transitivo indireto, logo seu complemento pede uma preposição para conectar-se a ele. A crase é o resultado da contração entre a preposição "a" e o artigo definido que acompanha o substantivo "eficiência".
É correto o que se afirma em:
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
[...] seu impactante romance Torto arado (2018) conquistou em Portugal o prestigioso Prêmio LeYa, concedido por unanimidade pelo modo como representa de forma sólida e realista o universo rural brasileiro. O enredo enfatiza trabalhadores sem-terra remanescentes do regime escravista, em especial as personagens femininas duplamente vítimas da violência que impera nos grotões mais afastados, realidade representada por meio de uma sensível e sofisticada escrita, como bem notaram os jurados do concurso em sua nota de justificativa:
"O Prémio LeYa 2018 é atribuído ao romance 'Torto Arado', de Itamar Vieira Junior, pela solidez da construção, o equilíbrio da narrativa e a forma como aborda o universo rural do Brasil, colocando ênfase nas figuras femininas, na sua liberdade e na violência exercida sobre o corpo num contexto dominado pela sociedade patriarcal. Sendo um romance que parte de uma realidade concreta, em que situações de opressão quer social quer do homem em relação à mulher, a narrativa encontra um plano alegórico, sem entrar num estilo barroco, que ganha contornos universais. Destaca-se a qualidade literária de uma escrita em que se reconhece plenamente o escritor. Todos estes motivos justificam a atribuição por unanimidade deste prémio."
Situando a história em uma região remota e imaginária do nordeste brasileiro, Itamar Vieira Junior abrange problemáticas que envolvem proporções maiores ligadas tanto ao modo de funcionamento histórico e social do país quanto à complexa e intrincada rede de sentimentos e emoções intrínsecas ao ser humano. Em concomitância, temos um romance que fornece elementos para debate sobre as desigualdades e violências entre cidade e campo, as desigualdades de gênero, as formas de resistência das religiões de matriz africana e indígena, as permanências e continuidades da escravidão simbolizadas na relação de mando inviolável entre patrão/dono e trabalhador/agregado, assim como do tríplice espólio sobre o trabalhador: sua mão de obra, seu produto final e seu tempo. Somada a esses fatores há também na narrativa uma implícita, mas potente reflexão sobre os sentidos da posse de terra e de uma necessária reforma agrária no território nacional. Ao mesmo tempo, portanto, em que há um "Brasil profundo" sendo problematizado, somos convidados a sentir de maneira pungente o caótico estado emocional de personagens que, mesmo vivendo sobre constante tensão, manifestam complexos e contraditórios estados emocionais.
(Disponível em: http://www.letras.ufmg.br/literafro/autores/1270-itamar-vieira-junior. Acesso em 23 jul. 2025. Adaptado.)
"Em concomitância, temos um romance que fornece elementos para debate sobre as desigualdades e violências entre cidade e campo, as desigualdades de gênero, as formas de resistência das religiões de matriz africana e indígena, as permanências e continuidades da escravidão simbolizadas na relação de mando inviolável entre patrão/dono e trabalhador/agregado, assim como do tríplice espólio sobre o trabalhador: sua mão de obra, seu produto final e seu tempo."
No trecho anterior, a expressão "Em concomitância" pode ser substituída, sem alteração no sentido do texto, por: