Questões de Concurso Comentadas sobre interpretação de textos em português

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Q3764997 Português
Deixou de ser medo mesmo?


Imagina dar de cara com um medo de infância. Você acha que vai rir e seguir em frente, até que você resolve voltar um pouco à infância e percebe que o medo não ficou tão para trás conforme cresceu. Vi no Twitter uma corrente sobre medos irracionais e encontrei a imagem do lobo mau do Castelo Rá Tim Bum, que já tinha me tirado o sono. Decidi rever o episódio para ver se ele era mesmo tão assustador quanto eu lembrava.

Revendo hoje, aos 23, notei que tudo era divertido até o lobo aparecer. Quando surgiu em close, fechei os olhos como se fosse criança, mesmo sabendo que era só uma fantasia. O episódio continuou, os conflitos se resolveram e eu ainda olhava para a tela com os olhos entreabertos sempre que o lobo surgia.

A fantasia era realmente muito feia, e entendi por que meu eu pequeno teve pesadelos. Ainda assim, reencontrei uma memória afetiva e até engraçada. Acho que hoje o lobo já não me tira o sono − os medos de gente grande fazem isso, mas rendeu uma boa história para guardar e contar.

Texto Adaptado

BARBOSA, Catarina Virginia. Deixou de ser medo mesmo? In: Livros Abertos USP. São Paulo: Universidade de São Paulo. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/downlo ad/730/648/2404?inline=1 . Acesso em: 12 nov. 2025
Com base no texto apresentado, assinale a alternativa cuja interpretação revela maior consonância com o sentido global do relato e com os recursos discursivos empregados pelo enunciador. 
Alternativas
Q3764995 Português
Deixou de ser medo mesmo?


Imagina dar de cara com um medo de infância. Você acha que vai rir e seguir em frente, até que você resolve voltar um pouco à infância e percebe que o medo não ficou tão para trás conforme cresceu. Vi no Twitter uma corrente sobre medos irracionais e encontrei a imagem do lobo mau do Castelo Rá Tim Bum, que já tinha me tirado o sono. Decidi rever o episódio para ver se ele era mesmo tão assustador quanto eu lembrava.

Revendo hoje, aos 23, notei que tudo era divertido até o lobo aparecer. Quando surgiu em close, fechei os olhos como se fosse criança, mesmo sabendo que era só uma fantasia. O episódio continuou, os conflitos se resolveram e eu ainda olhava para a tela com os olhos entreabertos sempre que o lobo surgia.

A fantasia era realmente muito feia, e entendi por que meu eu pequeno teve pesadelos. Ainda assim, reencontrei uma memória afetiva e até engraçada. Acho que hoje o lobo já não me tira o sono − os medos de gente grande fazem isso, mas rendeu uma boa história para guardar e contar.

Texto Adaptado

BARBOSA, Catarina Virginia. Deixou de ser medo mesmo? In: Livros Abertos USP. São Paulo: Universidade de São Paulo. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/downlo ad/730/648/2404?inline=1 . Acesso em: 12 nov. 2025
No texto, a narradora declara que reencontrou "uma memória afetiva e até engraçada", mesmo após recordar o medo que sentia do lobo. Considerando o valor semântico das palavras no contexto, o emprego da expressão "memória afetiva": 
Alternativas
Q3764959 Português
Leia as afirmativas a seguir e analise quais são problemas de ensino e de aprendizagem em leitura e produção de textos:

I. Atividade de leitura centrada nas habilidades mecânicas de decodificação da escrita, sem dirigir a aquisição dessas habilidades para a dimensão da interação verbal.
II. Atividades de leitura desvinculadas dos usos sociais que se faz da leitura, sem função e sem interesse.
III. Atividade de leitura convertida em momento de treino, de avaliação e em oportunidade apenas de futuras cobranças.
IV. Atividade que suscita no aluno a compreensão das múltiplas funções sociais da leitura.

Assinale a alternativa a seguir que contém afirmativas que refletem problemas de ensino-aprendizagem em leitura e produção de textos:
Alternativas
Q3764955 Português
Entre os gêneros e tipos textuais sugeridos para trabalhar a compreensão de textos em língua escrita estão os abaixo descritos, EXCETO:
Alternativas
Q3764953 Português
A retextualização não é um processo mecânico, mas envolve operações complexas que evidenciam aspectos da relação entre oralidade e escrita. Assinale a alternativa correta a respeito dos aspectos envolvidos nos processos de retextualização:
Alternativas
Q3764889 Português
Observe o trecho, analise as afirmativas e marque-as como verdadeiras (V) ou falsas (F).

Considero muito importante ressaltar, desde logo, que a consolidação da música popular constitui uma criação que é contemporânea ao aparecimento das cidades. E deve-se deixar claro também que música popular só pode existir ou florescer quando há povo. (ALBIN, 2003)

( ) O texto relaciona o surgimento da música popular ao processo de urbanização.
( ) Segundo o trecho, a música popular poderia florescer mesmo sem a existência do povo.
( ) A consolidação da música popular é apresentada como um fenômeno histórico e social.

Assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q3764882 Português
No que diz respeito à cultura local, pode-se constatar que quase sempre apenas o nível _________ dessa cultura é admitido na escola (Tarsila, Portinari etc.). As culturas de classes sociais economicamente desfavorecidas continuam a ser ignoradas pelas instituições educacionais, mesmo pelos que estão envolvidos na educação dessas classes.

Assinale a alternativa que preenche corretamente a lacuna do texto acima:
Alternativas
Q3764829 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão abaixo.


Não olhe, eles estão te julgando


As pessoas não gostam de ver outras pessoas sozinhas. O garçom pergunta se a mesa é para um, a atendente confirma se é só um ingresso, e até em um bar alguém questiona o que uma mulher bonita faz sozinha, como se estar só fosse um convite para abordagens. Em lugares públicos, os olhares continuam esbarrando, e o celular vira escudo para amenizar o incômodo causado pelo olhar alheio.


Andar sozinha em uma grande cidade pode ser assustador, e talvez por isso surja a necessidade de buscar companhia. Lembro-me da primeira vez que fui ao cinema sozinha: comprei meu ingresso, esperei a sessão e me sentei com meu balde de pipoca, sem ninguém ao lado. Durante o filme, ria e chorava, sempre conferindo a cadeira vazia e olhando para trás, como se precisasse garantir que ninguém reparasse na minha solidão momentânea.


Quando o filme terminou, percebi que tudo bem não ter companhia às vezes. Estar sozinha não significa ser solitária, e reconhecer isso faz com que a gente valorize mais a própria presença. O alerta sempre vai existir — o medo de abordagens ou de olhares julgadores, mas nada disso deve impedir que você escolha a si mesma.


Texto Adaptado


OLIVEIRA, Gabrielle Abreu de. Não olhe, eles estão te julgando. In: Livros Abertos USP. São Paulo: Universidade de São Paulo.

Disponível em:

https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/downlo ad/730/648/2404?inline=1 . Acesso em: 12 nov. 2025.

Com base na leitura do excerto a seguir, identifique a alternativa que apresenta uma análise correta e teoricamente fundamentada da figura de linguagem predominante, considerando seus efeitos de sentido e seu papel na construção do argumento no texto.
"Durante o filme, ria e chorava, sempre conferindo a cadeira vazia e olhando para trás, como se precisasse garantir que ninguém reparasse na minha solidão momentânea." 
Alternativas
Q3764621 Português
Leia o trecho:

“A aventura cortou para sempre a carreira de um entusiasta da aviação, o Otto. Dentro de um avião, este se portava, até aquela data, com uma inconveniência admirável, divertindo-se em amedrontar amigos e conhecidos. Pois terminou ali a carreira do gozador, que amava até as tempestades no ar e se ria a valer com a paura dos outros.”

CAMPOS, Paulo Mendes. Medo de avião. Manchete, n. 625, Rio de Janeiro, 11 abr. 1964. Disponível em: <https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/7151/medo-deaviao>. 

Assinale a seguir um termo que NÃO é um elemento de coesão no trecho acima:
Alternativas
Q3764617 Português
Assinale a alternativa que nomeia corretamente duas figuras de linguagem que ocorrem no trecho a seguir:

“A agulha vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic plic-plic da agulha no pano.”

ASSIS, Machado de. Um apólogo. Disponível em:  <https://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv0 00269.pdf>. 
Alternativas
Q3764613 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Adamastor - O Estranho Homem Puro


    “O de que eu não gosto é, exatamente, tudo o de que os outros não gostam e têm medo de dizer” – disse Adamastor, odiando Jayne Mansfield.

     Adamastor é um homem magro, seco, que usa óculos e sardas. Ou, se não é assim, gostaria de sê-lo. Veste calças escuras de brim grosso, camisa de malha de algodão, preta, meias de longo curso e botinas de cano curto. Eis Adamastor, o estranho homem puro de quem o único juiz é a sensibilidade:

    Não sente o menor carinho por velhos e crianças de colo. Para ele, homem que dança muito bem não tem caráter. Diz: “O homem, a não ser que seja de balé, precisa dançar apenas direitinho.” Odeia as mulheres que usam spray net (laquê), anáguas (saias rodadas) e bordado inglês. As pessoas que contam anedotas ou que só contam anedotas estão a um minuto da paralisia geral. (...) Discurso, não pode nem ouvir falar e acha que todo bom orador é, no fundo, mau pai de família. Não tem a menor admiração por Castro Alves, Rui Barbosa e Afonso Arinos. Sai da sala onde há homem de pernas cruzadas e lhes aparece (entre a calça e a meia) os cabelos da canela. Acha, Adamastor, que os homens devem usar meias tão compridas que, sendo preciso, possam sair sem calças. Ou, então, que andem logo sem meias e de sapatilhas “sete vidas”. Está absolutamente certo de que homem de ligas não dá sorte com mulher. Sustenta a tese de que mulher não deve fazer samba e desafia quem lhe mostre um samba, realmente bonito, feito por mulher. Gosta dos cegos, ajuda-os em tudo, mas acha que cego é muito intrigante. É generoso com os autores das canções, mas abomina aqueles que usam as expressões “própria natureza” e “própria dor”. Tem o maior desprezo pelas pessoas que sabem consertar isqueiros. Odeia entrevistas de jogador de futebol, que começam em: “antes, porém, meu boa-tarde aos senhores telespectadores”, seguem dizendo que “o adversário é um adversário cem por cento” e terminam com “o meu boa-tarde para minha senhora e minha mãe”. Sobre o tratamento “minha senhora” e a palavra “telespectadores” não quer nem falar. Acha que as pessoas que falam em “bater papinho”, “essa não”, “bárbaro” e “cobra” deviam ir para Bananal, tirar retrato com os índios. Detesta as canções Dindi e Teté e não tem a menor pena de mudo, porque mudo não tem palavra.


MARIA, Antônio. Seja feliz e faça os outros felizes: as crônicas de humor de Antônio Maria. Civilização Brasileira, 2005, p. 43-44. Disponível em: . 
O termo “anedotas”, no trecho “As pessoas que contam anedotas ou que só contam anedotas estão a um minuto da paralisia geral”, pode ser corretamente substituído, sem prejuízo do sentido, por qual dos termos a seguir?
Alternativas
Q3764612 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Adamastor - O Estranho Homem Puro


    “O de que eu não gosto é, exatamente, tudo o de que os outros não gostam e têm medo de dizer” – disse Adamastor, odiando Jayne Mansfield.

     Adamastor é um homem magro, seco, que usa óculos e sardas. Ou, se não é assim, gostaria de sê-lo. Veste calças escuras de brim grosso, camisa de malha de algodão, preta, meias de longo curso e botinas de cano curto. Eis Adamastor, o estranho homem puro de quem o único juiz é a sensibilidade:

    Não sente o menor carinho por velhos e crianças de colo. Para ele, homem que dança muito bem não tem caráter. Diz: “O homem, a não ser que seja de balé, precisa dançar apenas direitinho.” Odeia as mulheres que usam spray net (laquê), anáguas (saias rodadas) e bordado inglês. As pessoas que contam anedotas ou que só contam anedotas estão a um minuto da paralisia geral. (...) Discurso, não pode nem ouvir falar e acha que todo bom orador é, no fundo, mau pai de família. Não tem a menor admiração por Castro Alves, Rui Barbosa e Afonso Arinos. Sai da sala onde há homem de pernas cruzadas e lhes aparece (entre a calça e a meia) os cabelos da canela. Acha, Adamastor, que os homens devem usar meias tão compridas que, sendo preciso, possam sair sem calças. Ou, então, que andem logo sem meias e de sapatilhas “sete vidas”. Está absolutamente certo de que homem de ligas não dá sorte com mulher. Sustenta a tese de que mulher não deve fazer samba e desafia quem lhe mostre um samba, realmente bonito, feito por mulher. Gosta dos cegos, ajuda-os em tudo, mas acha que cego é muito intrigante. É generoso com os autores das canções, mas abomina aqueles que usam as expressões “própria natureza” e “própria dor”. Tem o maior desprezo pelas pessoas que sabem consertar isqueiros. Odeia entrevistas de jogador de futebol, que começam em: “antes, porém, meu boa-tarde aos senhores telespectadores”, seguem dizendo que “o adversário é um adversário cem por cento” e terminam com “o meu boa-tarde para minha senhora e minha mãe”. Sobre o tratamento “minha senhora” e a palavra “telespectadores” não quer nem falar. Acha que as pessoas que falam em “bater papinho”, “essa não”, “bárbaro” e “cobra” deviam ir para Bananal, tirar retrato com os índios. Detesta as canções Dindi e Teté e não tem a menor pena de mudo, porque mudo não tem palavra.


MARIA, Antônio. Seja feliz e faça os outros felizes: as crônicas de humor de Antônio Maria. Civilização Brasileira, 2005, p. 43-44. Disponível em: . 
No texto, o personagem Adamastor é um homem crítico e diversas de suas insatisfações em relação às outras pessoas são descritas ao longo do texto. De acordo com o autor, as críticas de Adamastor não têm fundamento lógico ou racional. Qual trecho do texto evidencia essa interpretação?
Alternativas
Q3764510 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Nevoeiro


    Coisas estranhas estão acontecendo na Zona Sul: a cidade inteira se abrasa em calor, e esse trecho do Rio desaparece no nevoeiro. Não estou pregando mentira, vejam as fotos que aí estão honrando minha palavra. Primeiro, um anel de bruma envolveu calmamente o Pão de Açúcar; a Urca e o bondinho aéreo foram tragados pela transformação do anel em muralha branca. Daí a bruma avançou para o Leme e papou a praia; foi seguindo e comendo um por um os postos de Copacabana, que não ofereceram resistência. O Arpoador, pensando que o Forte lhe daria apoio, protestou sem êxito; Ipanema e Leblon foram varridos da face da Guanabara.

    Tudo que eram cores e formas afundou num branco de espuma de sabão, inclusive o mar. Os brotos entreolharam-se, assombrados. Não havia mais nem onda nem surfe nem nada. Na areia, sumiu o frescobol e sumiu a própria areia. Em duas horas, se tanto, a névoa liquidou a vaidosa, a sensual, a existencialista orla marítima que constitui a pompa do Rio de Janeiro. 

    Saíram a campo, imediatamente, pessoas especializadas em achar explicação para tudo, e recorrendo a seus conhecimentos meteorológicos, sacaram de lá o encontro da massa fria com a massa quente, espécie de pacto de Lisboa aplicado ao tempo na Guanabara. Explicação nebulosa como a própria névoa assaltante, pois aludia ao recuo da frente fria diante da frente cálida, quando o que todo mundo presenciou foi a derrota da frente cálida pela frente fria no espaço de horas em que esta última ocupou e dissolveu as seletas imagens do Rio, criando um vácuo na paisagem.

    É verdade que, à noite, as montanhas, o mar, as praias e o bondinho reapareceram, mas ninguém é capaz de informar o que sucedeu com eles no intervalo em que ficamos privados desses elementos cariocas, nem dar explicação plausível para o ato mágico atestado pelos fotógrafos. Pois a verdade é que tudo sumiu por encanto e espanto, e era como se estivéssemos assistindo ao fim silencioso de um mundo que parecia eterno, de tanto que o trazíamos de cor na lembrança e conferido pelos olhos. (...)

    Não era ainda a eliminação. Era talvez um ensaio geral, ou nem isto: simples teste, experiência de magia alva, quem sabe mesmo se divertimento de altos poderes, a medir a fortaleza de alma dos moradores da costa? Se não foi — pois tudo pode acontecer na Zona Sul — promoção de objetivo turístico ou mera publicidade de alguma nova marca de sabão em pó, a ser lançada pelo Natal.


ANDRADE, Carlos Drummond. Nevoeiro. Rio de Janeiro: Correio da Manhã, 4 dez. 1966. Disponível em:<https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/17477/nevoeiro
>.  . 
Assinale a alternativa que nomeia corretamente a figura de linguagem que ocorre no trecho: “O Arpoador, pensando que o Forte lhe daria apoio, protestou sem êxito.”:
Alternativas
Q3764509 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Nevoeiro


    Coisas estranhas estão acontecendo na Zona Sul: a cidade inteira se abrasa em calor, e esse trecho do Rio desaparece no nevoeiro. Não estou pregando mentira, vejam as fotos que aí estão honrando minha palavra. Primeiro, um anel de bruma envolveu calmamente o Pão de Açúcar; a Urca e o bondinho aéreo foram tragados pela transformação do anel em muralha branca. Daí a bruma avançou para o Leme e papou a praia; foi seguindo e comendo um por um os postos de Copacabana, que não ofereceram resistência. O Arpoador, pensando que o Forte lhe daria apoio, protestou sem êxito; Ipanema e Leblon foram varridos da face da Guanabara.

    Tudo que eram cores e formas afundou num branco de espuma de sabão, inclusive o mar. Os brotos entreolharam-se, assombrados. Não havia mais nem onda nem surfe nem nada. Na areia, sumiu o frescobol e sumiu a própria areia. Em duas horas, se tanto, a névoa liquidou a vaidosa, a sensual, a existencialista orla marítima que constitui a pompa do Rio de Janeiro. 

    Saíram a campo, imediatamente, pessoas especializadas em achar explicação para tudo, e recorrendo a seus conhecimentos meteorológicos, sacaram de lá o encontro da massa fria com a massa quente, espécie de pacto de Lisboa aplicado ao tempo na Guanabara. Explicação nebulosa como a própria névoa assaltante, pois aludia ao recuo da frente fria diante da frente cálida, quando o que todo mundo presenciou foi a derrota da frente cálida pela frente fria no espaço de horas em que esta última ocupou e dissolveu as seletas imagens do Rio, criando um vácuo na paisagem.

    É verdade que, à noite, as montanhas, o mar, as praias e o bondinho reapareceram, mas ninguém é capaz de informar o que sucedeu com eles no intervalo em que ficamos privados desses elementos cariocas, nem dar explicação plausível para o ato mágico atestado pelos fotógrafos. Pois a verdade é que tudo sumiu por encanto e espanto, e era como se estivéssemos assistindo ao fim silencioso de um mundo que parecia eterno, de tanto que o trazíamos de cor na lembrança e conferido pelos olhos. (...)

    Não era ainda a eliminação. Era talvez um ensaio geral, ou nem isto: simples teste, experiência de magia alva, quem sabe mesmo se divertimento de altos poderes, a medir a fortaleza de alma dos moradores da costa? Se não foi — pois tudo pode acontecer na Zona Sul — promoção de objetivo turístico ou mera publicidade de alguma nova marca de sabão em pó, a ser lançada pelo Natal.


ANDRADE, Carlos Drummond. Nevoeiro. Rio de Janeiro: Correio da Manhã, 4 dez. 1966. Disponível em:<https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/17477/nevoeiro
>.  . 
No primeiro parágrafo, o termo “papou”, no trecho “Daí a bruma avançou para o Leme e papou a praia”, pode ser corretamente substituído, sem prejuízo do sentido, por qual dos termos a seguir?
Alternativas
Q3764507 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Nevoeiro


    Coisas estranhas estão acontecendo na Zona Sul: a cidade inteira se abrasa em calor, e esse trecho do Rio desaparece no nevoeiro. Não estou pregando mentira, vejam as fotos que aí estão honrando minha palavra. Primeiro, um anel de bruma envolveu calmamente o Pão de Açúcar; a Urca e o bondinho aéreo foram tragados pela transformação do anel em muralha branca. Daí a bruma avançou para o Leme e papou a praia; foi seguindo e comendo um por um os postos de Copacabana, que não ofereceram resistência. O Arpoador, pensando que o Forte lhe daria apoio, protestou sem êxito; Ipanema e Leblon foram varridos da face da Guanabara.

    Tudo que eram cores e formas afundou num branco de espuma de sabão, inclusive o mar. Os brotos entreolharam-se, assombrados. Não havia mais nem onda nem surfe nem nada. Na areia, sumiu o frescobol e sumiu a própria areia. Em duas horas, se tanto, a névoa liquidou a vaidosa, a sensual, a existencialista orla marítima que constitui a pompa do Rio de Janeiro. 

    Saíram a campo, imediatamente, pessoas especializadas em achar explicação para tudo, e recorrendo a seus conhecimentos meteorológicos, sacaram de lá o encontro da massa fria com a massa quente, espécie de pacto de Lisboa aplicado ao tempo na Guanabara. Explicação nebulosa como a própria névoa assaltante, pois aludia ao recuo da frente fria diante da frente cálida, quando o que todo mundo presenciou foi a derrota da frente cálida pela frente fria no espaço de horas em que esta última ocupou e dissolveu as seletas imagens do Rio, criando um vácuo na paisagem.

    É verdade que, à noite, as montanhas, o mar, as praias e o bondinho reapareceram, mas ninguém é capaz de informar o que sucedeu com eles no intervalo em que ficamos privados desses elementos cariocas, nem dar explicação plausível para o ato mágico atestado pelos fotógrafos. Pois a verdade é que tudo sumiu por encanto e espanto, e era como se estivéssemos assistindo ao fim silencioso de um mundo que parecia eterno, de tanto que o trazíamos de cor na lembrança e conferido pelos olhos. (...)

    Não era ainda a eliminação. Era talvez um ensaio geral, ou nem isto: simples teste, experiência de magia alva, quem sabe mesmo se divertimento de altos poderes, a medir a fortaleza de alma dos moradores da costa? Se não foi — pois tudo pode acontecer na Zona Sul — promoção de objetivo turístico ou mera publicidade de alguma nova marca de sabão em pó, a ser lançada pelo Natal.


ANDRADE, Carlos Drummond. Nevoeiro. Rio de Janeiro: Correio da Manhã, 4 dez. 1966. Disponível em:<https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/17477/nevoeiro
>.  . 
O autor da crônica, relata ter ocorrido um nevoeiro na Zona Sul do Rio de Janeiro. A respeito desse nevoeiro, ele afirma que:
Alternativas
Q3764264 Português

Nos versos do poema:



Querida, ao pé do leito derradeiro


Em que descansas dessa longa vida…


Machado de Assis



Assinale a alternativa que indica corretamente a figura de linguagem que ocorre nesses versos.

Alternativas
Q3763720 Português

Captura_de tela 2025-12-10 151840.png (367×488)



Disponível em: https://4.bp.blogspot.com/- 6bHbIIzRXyE/Ws0p8SDCndI/AAAAAAAAAWA/tYYw8yGvc J0x82QJiIN2T61QFwNBvTtkwCLcBGAs/s1600/KISUCO.pn g. Acesso em: 16 out. 2025



Na frase do cartaz publicitário: “O refresco da Jarrinha Sorridente”, há a presença de uma figura de linguagem que consiste em: 

Alternativas
Q3763719 Português

Massa de Panqueca Simples


Ingredientes:



1 ovo


1 xícara de farinha de trigo


1 xícara de leite


1 pitada de sal


1 colher de sopa de óleo



Modo de preparo: bata todos os ingredientes no liquidificador. A seguir, aqueça uma frigideira untada com um fio de óleo em fogo baixo.


Coloque um pouco da massa na frigideira não muito quente e esparrame de modo a cobrir todo o fundo e ficar só uma camada fina de massa.


Deixe igualar os dois lados, até que fiquem levemente douradas. Retire com a espátula, e sirva com o recheio de sua preferência.


Sugestão de recheio: carne moída, queijo e geleia.



Disponível em: https://www.tudogostoso.com.br/receita/113143-massa-depanqueca-simples.html. Acesso em: 15 out. 2025



Um texto que tem como finalidade principal instruir o leitor sobre a execução de uma tarefa, utilizando linguagem clara e direta, com verbos frequentemente no modo imperativo, pertence à tipologia textual: 

Alternativas
Q3763711 Português

Leia o texto:



“A recente popularização dos aplicativos de mobilidade urbana não pode ser vista como uma mera substituição de um serviço por outro. Trata-se de um fenômeno complexo que redefine a relação das pessoas com o espaço da cidade, impacta a economia informal e gera novos debates sobre legislação trabalhista. Embora ofereça praticidade, sua atuação em áreas periféricas ainda é incipiente, o que acentua desigualdades territoriais preexistentes”.


COSTA, M. Urbanidade e Tecnologia. São Paulo: Editora Moderna, 2023.



Com base no texto, é INCORRETO afirmar que:

Alternativas
Respostas
7681: B
7682: D
7683: B
7684: E
7685: D
7686: D
7687: D
7688: C
7689: C
7690: E
7691: A
7692: D
7693: D
7694: A
7695: D
7696: C
7697: E
7698: D
7699: E
7700: C