Questões de Concurso Comentadas sobre interpretação de textos em português

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Q3809353 Português
Não existe uma idade certa para introduzir as crianças na educação musical, mas sim fases propícias e requisitos físicos e psicológicos que variam de acordo com cada instrumento [...]. "O ideal é combinar a exposição precoce (lúdica) com avaliação individualizada para o início formal. Sugiro não atrasar este período por medo de 'perder a janela', mas também não é válido forçar se perceber que a criança não está pronta", destaca Moisés Cantos, maestro e educador musical.
(Disponível em: https://vidasimples.co/morar/quando-comecar-educacao-musical-na-inf ancia/. Acesso em 20 nov. 2025. Adaptado.)
I."Se" pode ser tanto pronome, por exemplo, complementando o verbo e expressando reflexividade, quanto conjunção, estabelecendo relações e sentidos diversos entre as orações. No excerto, não é possível compreendê-lo como pronome que completa o verbo "forçar", uma vez que ele é uma conjunção, estabelecendo uma relação condicional, hipotética na construção do período.
II.A partir da leitura do excerto, é possível inferir que a expressão "perder a janela" não se refere à janela como objeto, mas tem o sentido de interstício, de intervalo temporal que compreende um período da infância.
III.O professor propõe uma série de fatores que, em conjunto, ajudam a definir o melhor momento para introduzir crianças na educação musical. Esses fatores são temporais, físicos e psicológicos dessas crianças, relacionados aos instrumentos musicais pretendidos.

É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3809350 Português
Uma nova pesquisa Ipsos-Ipec, realizada a pedido do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), confirma um movimento que já aparecia no comportamento cotidiano de milhões de brasileiros: 64% dos adultos afirmaram não beber em 2025, um avanço expressivo em relação aos 55% registrados em 2023. Entre os mais jovens, a mudança é ainda mais acentuada. A abstinência passou de 46% para 64% entre pessoas de 18 a 24 anos e de 47% para 61% no grupo de 25 a 34 anos.

Esses números ajudam a explicar histórias como a de Gabrielle Ribeiro, que aos 23 anos decidiu parar de consumir bebidas alcoólicas. Reuniu todas as garrafas que tinha em casa e as colocou dentro de um saco de lixo. A influenciadora digital trocou as festas por noites de sono, os dias de ressaca por trilhas matinais e os copos de drinks por suplementos. Perdeu 16 quilos, passou a economizar até R$ 300 por semana e, de quebra, conquistou milhares de seguidores ao compartilhar a sua história nas redes sociais.

"Parar de beber foi a melhor coisa que eu fiz por mim. É mais interessante acordar no domingo e postar foto de uma medalha de corrida do que ficar com aquela ressaca moral", conta.

Gabrielle não está sozinha na decisão de não ingerir bebidas alcoólicas. Rayane Moreira, que afirma nunca ter se identificado com o álcool, diz que cresceu vendo os conflitos que a bebida causava em casa. "Como é que eu vou beber para espairecer e trazer problemas para dentro de casa?", questionava ainda na adolescência. Mesmo depois de deixar a religião que proibia o consumo, ela manteve a decisão de não beber. Hoje, em encontros sociais, prefere sucos, água ou drinks sem álcool — os chamados mocktails.

Histórias como as de Rayane e Gabrielle mostram um comportamento que tem sido mais frequente em gerações mais novas — e que tem mexido no mercado: os brasileiros estão bebendo menos e, quando bebem, consomem com mais critério. [...] Entre os motivos apontados pelos jovens para reduzir o consumo, aparecem frases como: "Estou gastando muito dinheiro" e "Menos gasto com bebidas". Além disso, a geração Z tem menor renda disponível, o que influencia diretamente a frequência e o volume de consumo.

Crise ou oportunidade?

De maneira geral, a mudança no comportamento dos consumidores não necessariamente representa uma ameaça à indústria de bebidas, mas sim uma reconfiguração do mercado, impulsionada por consumidores mais exigentes, moderados e abertos à experimentação.

Dados da Nielsen, por exemplo, indicam que o segmento de cervejas sem álcool é o que mais cresce no país, com desempenho anual três vezes superior ao das cervejas tradicionais. Mesmo entre quem ainda consome álcool, há sinais de mudança: 41% dos entrevistados disseram ter alterado a frequência de consumo no último ano, e 43% pretendem reduzir ainda mais, motivados principalmente por saúde e questões econômicas [...]

Outro indicativo importante da mudança no perfil de consumo é a prática que ficou conhecida como "zebra stripe" — que é quando o consumidor alterna entre bebidas com e sem álcool. A prática, segundo especialistas, tem ganhado força no mercado, especialmente entre os jovens.

"A pessoa vai intercalando e, no final da noite, tomou seis cervejas, mas só três tinham álcool (...) isso permite prolongar o tempo de consumo sem perder o controle, reforçando a ideia de equilíbrio, que não significa restrição total, mas moderação consciente", explica o diretor de estratégia da Ambev, Gustavo Castro.

[...]

"Não é porque ele é um drink não alcoólico que ele tem que ser um negócio doce de grudar o paladar. Paladar infantil e não alcoólico não são a mesma coisa", pontua Maurício Porto, proprietário do bar Caledonia. A proposta é criar bebidas que sejam gostosas e complexas por si só, sem a pretensão de imitar os alcoólicos. [...] Maurício vê essa transformação como parte de um movimento maior, em que o beber se torna um hobby. "Você não tá bebendo pra ficar doidão. Você tá bebendo pra entender um negócio, pra descobrir", resume.


(Rafaela Zem. Disponível em: https://g1.globo.com/empreendedorismo/noticia/2025/11/16/consumo-al cool-brasil-pesquisa-impactos.ghtml. Acesso em 16 nov. 2025. Adaptado.)
A partir da leitura do texto e da mobilização de conhecimentos prévios, analise as sentenças e registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:
(__)Entre 2023 e 2025, houve um aumento no percentual de jovens e adultos que não consomem bebidas alcoólicas.
(__)Entre os motivos que impulsionam a redução no consumo de álcool entre jovens e adultos está evitar os conflitos em casa.
(__)Essa mudança no perfil de jovens e adultos, reduzindo o consumo de álcool, ecoou no desempenho da indústria de bebidas alcoólicas que se viu obrigada a mudar o nicho para não sofrer com mais perdas de capital.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
Alternativas
Q3809349 Português
Uma nova pesquisa Ipsos-Ipec, realizada a pedido do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), confirma um movimento que já aparecia no comportamento cotidiano de milhões de brasileiros: 64% dos adultos afirmaram não beber em 2025, um avanço expressivo em relação aos 55% registrados em 2023. Entre os mais jovens, a mudança é ainda mais acentuada. A abstinência passou de 46% para 64% entre pessoas de 18 a 24 anos e de 47% para 61% no grupo de 25 a 34 anos.

Esses números ajudam a explicar histórias como a de Gabrielle Ribeiro, que aos 23 anos decidiu parar de consumir bebidas alcoólicas. Reuniu todas as garrafas que tinha em casa e as colocou dentro de um saco de lixo. A influenciadora digital trocou as festas por noites de sono, os dias de ressaca por trilhas matinais e os copos de drinks por suplementos. Perdeu 16 quilos, passou a economizar até R$ 300 por semana e, de quebra, conquistou milhares de seguidores ao compartilhar a sua história nas redes sociais.

"Parar de beber foi a melhor coisa que eu fiz por mim. É mais interessante acordar no domingo e postar foto de uma medalha de corrida do que ficar com aquela ressaca moral", conta.

Gabrielle não está sozinha na decisão de não ingerir bebidas alcoólicas. Rayane Moreira, que afirma nunca ter se identificado com o álcool, diz que cresceu vendo os conflitos que a bebida causava em casa. "Como é que eu vou beber para espairecer e trazer problemas para dentro de casa?", questionava ainda na adolescência. Mesmo depois de deixar a religião que proibia o consumo, ela manteve a decisão de não beber. Hoje, em encontros sociais, prefere sucos, água ou drinks sem álcool — os chamados mocktails.

Histórias como as de Rayane e Gabrielle mostram um comportamento que tem sido mais frequente em gerações mais novas — e que tem mexido no mercado: os brasileiros estão bebendo menos e, quando bebem, consomem com mais critério. [...] Entre os motivos apontados pelos jovens para reduzir o consumo, aparecem frases como: "Estou gastando muito dinheiro" e "Menos gasto com bebidas". Além disso, a geração Z tem menor renda disponível, o que influencia diretamente a frequência e o volume de consumo.

Crise ou oportunidade?

De maneira geral, a mudança no comportamento dos consumidores não necessariamente representa uma ameaça à indústria de bebidas, mas sim uma reconfiguração do mercado, impulsionada por consumidores mais exigentes, moderados e abertos à experimentação.

Dados da Nielsen, por exemplo, indicam que o segmento de cervejas sem álcool é o que mais cresce no país, com desempenho anual três vezes superior ao das cervejas tradicionais. Mesmo entre quem ainda consome álcool, há sinais de mudança: 41% dos entrevistados disseram ter alterado a frequência de consumo no último ano, e 43% pretendem reduzir ainda mais, motivados principalmente por saúde e questões econômicas [...]

Outro indicativo importante da mudança no perfil de consumo é a prática que ficou conhecida como "zebra stripe" — que é quando o consumidor alterna entre bebidas com e sem álcool. A prática, segundo especialistas, tem ganhado força no mercado, especialmente entre os jovens.

"A pessoa vai intercalando e, no final da noite, tomou seis cervejas, mas só três tinham álcool (...) isso permite prolongar o tempo de consumo sem perder o controle, reforçando a ideia de equilíbrio, que não significa restrição total, mas moderação consciente", explica o diretor de estratégia da Ambev, Gustavo Castro.

[...]

"Não é porque ele é um drink não alcoólico que ele tem que ser um negócio doce de grudar o paladar. Paladar infantil e não alcoólico não são a mesma coisa", pontua Maurício Porto, proprietário do bar Caledonia. A proposta é criar bebidas que sejam gostosas e complexas por si só, sem a pretensão de imitar os alcoólicos. [...] Maurício vê essa transformação como parte de um movimento maior, em que o beber se torna um hobby. "Você não tá bebendo pra ficar doidão. Você tá bebendo pra entender um negócio, pra descobrir", resume.


(Rafaela Zem. Disponível em: https://g1.globo.com/empreendedorismo/noticia/2025/11/16/consumo-al cool-brasil-pesquisa-impactos.ghtml. Acesso em 16 nov. 2025. Adaptado.)
Os textos são marcados sócio-historicamente, visto que estão diretamente relacionados às diferentes situações sociais, as quais determinam o gênero mais adequado para a comunicação, com características composicionais próprias, com enfoque temático específico, linguagem coerente com o projeto de texto. Nesse sentido, os gêneros textuais não são engessados, apresentando características próprias, mas com certa fluidez.
A respeito do texto em análise, é correto afirmar que ele é: 
Alternativas
Q3809324 Português
"Racismo não deveria ter acontecido, então você não ganha biscoito por reduzi-lo" , diz Chimamanda Adichie.
O excerto é uma fala de Chimamanda Adichie, escritora nigeriana, em entrevista à Folha de São Paulo. Considere a leitura dele e a mobilização de seus conhecimentos prévios e registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:
(__)A palavra "biscoito", nesse contexto, não significa literalmente alimento feito com farinha e outros ingredientes, mas curtidas, atenção no contexto das redes sociais virtuais especialmente.
(__)Em "reduzi-lo", tem-se o pronome oblíquo átono "o", que substitui "racismo" evitando sua repetição. O pronome está posposto ao verbo porque, quando se tem verbo no infinitivo, antecedido por preposição, é preferível que esse pronome em específico fique após o verbo.
(__)De acordo com a declaração de Chimamanda Adichie, lutar contra o racismo é uma forma de evitar que ele se estabeleça em nossa sociedade atual, em uma corrida contra o tempo, uma vez que, no passado, o racismo não deveria ter acontecido.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
Alternativas
Q3809323 Português
Não existe uma idade certa para introduzir as crianças na educação musical, mas sim fases propícias e requisitos físicos e psicológicos que variam de acordo com cada instrumento [...]. "O ideal é combinar a exposição precoce (lúdica) com avaliação individualizada para o início formal. Sugiro não atrasar este período por medo de 'perder a janela', mas também não é válido forçar se perceber que a criança não está pronta", destaca Moisés Cantos, maestro e educador musical.
(Disponível em: https://vidasimples.co/morar/quando-comecar-educacao-musical-na-inf ancia/. Acesso em 20 nov. 2025. Adaptado.)
I."Se" pode ser tanto pronome, por exemplo, complementando o verbo e expressando reflexividade, quanto conjunção, estabelecendo relações e sentidos diversos entre as orações. No excerto, não é possível compreendê-lo como pronome que completa o verbo "forçar", uma vez que ele é uma conjunção, estabelecendo uma relação condicional, hipotética na construção do período.
II.A partir da leitura do excerto, é possível inferir que a expressão "perder a janela" não se refere à janela como objeto, mas tem o sentido de interstício, de intervalo temporal que compreende um período da infância.
III.O professor propõe uma série de fatores que, em conjunto, ajudam a definir o melhor momento para introduzir crianças na educação musical. Esses fatores são temporais, físicos e psicológicos dessas crianças, relacionados aos instrumentos musicais pretendidos.

É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3809322 Português
Leia o excerto a seguir:
Brasil vai com 6 duplas ao mata-mata do Mundial de vôlei de praia
Duas delas disputam a fase eliminatória a partir de 3h desta terça
[...] Das 96 duplas (masculinas e femininas) que iniciaram o Mundial, 32 lutarão por vaga nas oitavas: 12 delas se classificaram de forma direta (primeiro e segundo lugares de cada chave) e as quatro melhores terceiras colocadas também carimbaram a vaga. Outras quatro terão de vencer a repescagem (com as demais terceiras colocadas) para seguir no Mundial. Todos os jogos a partir dos 32 avos de final serão eliminatórios até o fim da competição.
(Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/esportes/noticia/2025-11/brasil-vai-com -6-duplas-ao-mata-mata-do-mundial-de-volei-de-praia. Acesso em: 19 nov. 2025. Adaptado.) O tempo e o modo verbais marcam posição importante na construção textual e dos sentidos pretendidos pelo autor. O excerto é parte de uma notícia publicada entre a primeira fase do Mundial de vôlei de praia e as oitavas de final. Isso exige do autor escolhas temporais e de modo para que o leitor consiga transitar entre o que é passado, presente e futuro, sem confusão em sua leitura e entendimento. Dito isso, analise as sentenças e registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:
(__)Os verbos "iniciar", "classificar" e "carimbar" estão no pretérito perfeito do indicativo, pois se referem a ações já concluídas no passado; no caso, o referente é a primeira fase do Mundial.
(__)O verbo "lutar" está no futuro do presente do indicativo e se refere à etapa posterior à primeira fase e ainda não executada. O mesmo ocorre com os verbos "ter" e "ser".
(__)A forma como o texto foi construído, no que se refere aos tempos verbais, possibilita ao leitor perceber anterioridade e posterioridade em relação ao tempo de enunciação. Isso inclui os verbos "ir" e "disputar", no título e subtítulo respectivamente, que estão no presente do indicativo, exprimindo uma ideia de "futuro". Exprimir o sentido de futuro é uma das possibilidades desse tempo verbal.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
Alternativas
Q3809318 Português
Uma nova pesquisa Ipsos-Ipec, realizada a pedido do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), confirma um movimento que já aparecia no comportamento cotidiano de milhões de brasileiros: 64% dos adultos afirmaram não beber em 2025, um avanço expressivo em relação aos 55% registrados em 2023. Entre os mais jovens, a mudança é ainda mais acentuada. A abstinência passou de 46% para 64% entre pessoas de 18 a 24 anos e de 47% para 61% no grupo de 25 a 34 anos.

Esses números ajudam a explicar histórias como a de Gabrielle Ribeiro, que aos 23 anos decidiu parar de consumir bebidas alcoólicas. Reuniu todas as garrafas que tinha em casa e as colocou dentro de um saco de lixo. A influenciadora digital trocou as festas por noites de sono, os dias de ressaca por trilhas matinais e os copos de drinks por suplementos. Perdeu 16 quilos, passou a economizar até R$ 300 por semana e, de quebra, conquistou milhares de seguidores ao compartilhar a sua história nas redes sociais.

"Parar de beber foi a melhor coisa que eu fiz por mim. É mais interessante acordar no domingo e postar foto de uma medalha de corrida do que ficar com aquela ressaca moral", conta.

Gabrielle não está sozinha na decisão de não ingerir bebidas alcoólicas. Rayane Moreira, que afirma nunca ter se identificado com o álcool, diz que cresceu vendo os conflitos que a bebida causava em casa. "Como é que eu vou beber para espairecer e trazer problemas para dentro de casa?", questionava ainda na adolescência. Mesmo depois de deixar a religião que proibia o consumo, ela manteve a decisão de não beber. Hoje, em encontros sociais, prefere sucos, água ou drinks sem álcool — os chamados mocktails.

Histórias como as de Rayane e Gabrielle mostram um comportamento que tem sido mais frequente em gerações mais novas — e que tem mexido no mercado: os brasileiros estão bebendo menos e, quando bebem, consomem com mais critério. [...] Entre os motivos apontados pelos jovens para reduzir o consumo, aparecem frases como: "Estou gastando muito dinheiro" e "Menos gasto com bebidas". Além disso, a geração Z tem menor renda disponível, o que influencia diretamente a frequência e o volume de consumo.

Crise ou oportunidade?

De maneira geral, a mudança no comportamento dos consumidores não necessariamente representa uma ameaça à indústria de bebidas, mas sim uma reconfiguração do mercado, impulsionada por consumidores mais exigentes, moderados e abertos à experimentação.

Dados da Nielsen, por exemplo, indicam que o segmento de cervejas sem álcool é o que mais cresce no país, com desempenho anual três vezes superior ao das cervejas tradicionais. Mesmo entre quem ainda consome álcool, há sinais de mudança: 41% dos entrevistados disseram ter alterado a frequência de consumo no último ano, e 43% pretendem reduzir ainda mais, motivados principalmente por saúde e questões econômicas [...]

Outro indicativo importante da mudança no perfil de consumo é a prática que ficou conhecida como "zebra stripe" — que é quando o consumidor alterna entre bebidas com e sem álcool. A prática, segundo especialistas, tem ganhado força no mercado, especialmente entre os jovens.

"A pessoa vai intercalando e, no final da noite, tomou seis cervejas, mas só três tinham álcool (...) isso permite prolongar o tempo de consumo sem perder o controle, reforçando a ideia de equilíbrio, que não significa restrição total, mas moderação consciente", explica o diretor de estratégia da Ambev, Gustavo Castro.

[...]

"Não é porque ele é um drink não alcoólico que ele tem que ser um negócio doce de grudar o paladar. Paladar infantil e não alcoólico não são a mesma coisa", pontua Maurício Porto, proprietário do bar Caledonia. A proposta é criar bebidas que sejam gostosas e complexas por si só, sem a pretensão de imitar os alcoólicos. [...] Maurício vê essa transformação como parte de um movimento maior, em que o beber se torna um hobby. "Você não tá bebendo pra ficar doidão. Você tá bebendo pra entender um negócio, pra descobrir", resume.


(Rafaela Zem. Disponível em: https://g1.globo.com/empreendedorismo/noticia/2025/11/16/consumo-al cool-brasil-pesquisa-impactos.ghtml. Acesso em 16 nov. 2025. Adaptado.)
Os textos são marcados sócio-historicamente, visto que estão diretamente relacionados às diferentes situações sociais, as quais determinam o gênero mais adequado para a comunicação, com características composicionais próprias, com enfoque temático específico, linguagem coerente com o projeto de texto. Nesse sentido, os gêneros textuais não são engessados, apresentando características próprias, mas com certa fluidez.
A respeito do texto em análise, é correto afirmar que ele é: 
Alternativas
Q3809294 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Sob os trilhos do metrô, hortas urbanas combatem avanço de ultraprocessados na periferia de São Paulo


Moradores do Jardim Ibirapuera plantam legumes e verduras sem agrotóxico como alternativa à pobreza de nutrientes identificada em estudo inédito conduzido pela comunidade.


Adriano Wilkson



Debaixo dos trilhos do metrô de São Paulo, quatro agricultores urbanos observam o lento crescimento de mudas de milho cuidadosamente organizadas em um canteiro montado com restos de construção civil. Alguns metros adiante, pés de alface, couve, banana e erva-cidreira dividem terreno com uma vaca que pasta displicente.


Ao caminhar em meio ao verde, por um momento você até poderia supor que saiu da capital paulista, mas o frenesi do trânsito da avenida Guido Caloi, que dá acesso à Marginal Pinheiros, logo chama à realidade. Essa é uma das vias mais movimentadas e caóticas de São Paulo. Mas é ali, no meio de um conjunto de favelas chamado Jardim Ibirapuera, que os moradores decidiram construir uma alternativa à pobreza alimentar que assola a comunidade.


Dos 41 mil moradores do bairro, 13 mil, ou 31%, passam fome. Tecnicamente, essas pessoas vivem em "insegurança alimentar grave", o que significa que a falta de renda as impede de fazer todas as refeições que gostariam. Essa taxa é maior do que a registrada no município de São Paulo como um todo, onde 12% da população passa fome [...]. A conclusão consta em uma pesquisa inédita feita pelo Observatório Ibira30, um braço do Bloco do Beco, organização não governamental que atua no Jardim Ibirapuera desde 2003. Durante seis meses, entre janeiro e junho de 2025, pesquisadores do observatório bateram de porta em porta para entrevistar moradores e investigar seus hábitos alimentares.


As 382 entrevistas revelaram a presença da fome não apenas na ausência de alimentos, mas também no avanço de ultraprocessados e de opções menos nutritivas entre os moradores. Por exemplo, 86% dos entrevistados disseram já terem precisado trocar alimentos saudáveis por opções mais baratas e menos nutritivas.


A situação piorou durante a pandemia, quando muitos moradores perderam renda e precisaram contar com doações para sobreviver. Biscoitos, bebidas açucaradas e alimentos instantâneos se tornaram então ainda mais comuns nas despensas do bairro. Segundo a pesquisa, dois em cada três deles disseram que seus hábitos alimentares pioraram com a chegada da covid.


Foi após esse cenário de crise que um cozinheiro pernambucano viu em um terreno abandonado a chance de produzir comida de qualidade.[...] É nesse pequeno espaço que ele tenta construir, junto com os vizinhos, uma alternativa limpa e natural para substituir o avanço dos ultraprocessados. [...] Hoje as três hortas do bairro produzem verduras, legumes, frutas e plantas para chá, dos quais a população faz uso medicinal.


"Eu me considero hoje outra pessoa mexendo com a terra, trabalhando no ritmo da natureza e sabendo exatamente o que tem no alimento que eu como", afirma Neto, que, assim como os demais agricultores, não usa agrotóxico na produção e adota princípios da agroecologia para fazer a gestão de pragas. "Demora mais, às vezes a gente erra, mas vale a pena porque é saudável." [...]


A etnografia do observatório identificou que no Jardim Ibirapuera 29% dos moradores têm origem no Nordeste e três em cada quatro são pessoas pretas ou pardas. Para muitas delas os hábitos alimentares refletem a cultura e as tradições que a vida e a rotina em uma cidade como São Paulo ainda não foram capazes de apagar.


"Na São Paulo urbana e formalizada, as gôndolas dos mercados podem até ocultar as origens dos ingredientes", escreveu Marcelo Zarzuela Coelho, o Lelo, um dos coordenadores do estudo. "Mas nas periferias, o cuscuz de milho ainda é memória nordestina em estado sólido, o leite de coco ainda carrega o sopro da diáspora africana, o azeite de dendê resiste ao embranquecimento do paladar urbano, e a mandioca segue sendo mais que raiz: é símbolo de autonomia e continuidade." [...]


"Nosso sonho até 2030 é construir um tripé", explica Luiz Claudio de Souza, articulador institucional do Observatório. "Potencializar as hortas, criar um banco de alimentos, também com a contribuição de mercados e hortifrutis do bairro, e construir uma cozinha comunitária que possa manipular esses alimentos junto com a comunidade. Mas pra isso precisamos de parceiros."


Enquanto esse sonho não se concretiza, os agricultores urbanos colhem das hortas frutos que não se resumem aos vegetais que crescem ali. São valores intangíveis que se espalham pela comunidade como sementes levadas pelo vento. [...]



(Disponível em: https://ojoioeotrigo.com.br/2025/11/sob-os-trilhos-do-metro-hortas-urba nas-combatem-avanco-de-ultraprocessados-na-periferia-de-sao-paulo/. Acesso em: 25 nov. 2025. Adaptado.)

De acordo com o texto, analise as sentenças e registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:



(__) A fome não está apenas na falta de acesso a alimentos. Diante da impossibilidade de adquirir alimentos mais nutritivos, as pessoas os trocam por ultraprocessados, que são opções mais baratas. Isso também é entendido como fome.


(__) Os planos futuros dos agricultores se estruturam em três frentes: o fortalecimento da produção nas hortas, a criação de um fundo, uma reserva de alimentos e a construção de uma cozinha comunitária para manipulação dos alimentos.


(__) O principal objetivo dos agricultores ao construir as hortas é impedir a entrada de ultraprocessados na comunidade, criando uma barreira natural e limpa e obrigando a comunidade a mudar seus hábitos alimentares.


(__) A maioria dos moradores do Jardim Ibirapuera é constituída por pessoas negras.



Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta: 

Alternativas
Q3809290 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Sob os trilhos do metrô, hortas urbanas combatem avanço de ultraprocessados na periferia de São Paulo


Moradores do Jardim Ibirapuera plantam legumes e verduras sem agrotóxico como alternativa à pobreza de nutrientes identificada em estudo inédito conduzido pela comunidade.


Adriano Wilkson



Debaixo dos trilhos do metrô de São Paulo, quatro agricultores urbanos observam o lento crescimento de mudas de milho cuidadosamente organizadas em um canteiro montado com restos de construção civil. Alguns metros adiante, pés de alface, couve, banana e erva-cidreira dividem terreno com uma vaca que pasta displicente.


Ao caminhar em meio ao verde, por um momento você até poderia supor que saiu da capital paulista, mas o frenesi do trânsito da avenida Guido Caloi, que dá acesso à Marginal Pinheiros, logo chama à realidade. Essa é uma das vias mais movimentadas e caóticas de São Paulo. Mas é ali, no meio de um conjunto de favelas chamado Jardim Ibirapuera, que os moradores decidiram construir uma alternativa à pobreza alimentar que assola a comunidade.


Dos 41 mil moradores do bairro, 13 mil, ou 31%, passam fome. Tecnicamente, essas pessoas vivem em "insegurança alimentar grave", o que significa que a falta de renda as impede de fazer todas as refeições que gostariam. Essa taxa é maior do que a registrada no município de São Paulo como um todo, onde 12% da população passa fome [...]. A conclusão consta em uma pesquisa inédita feita pelo Observatório Ibira30, um braço do Bloco do Beco, organização não governamental que atua no Jardim Ibirapuera desde 2003. Durante seis meses, entre janeiro e junho de 2025, pesquisadores do observatório bateram de porta em porta para entrevistar moradores e investigar seus hábitos alimentares.


As 382 entrevistas revelaram a presença da fome não apenas na ausência de alimentos, mas também no avanço de ultraprocessados e de opções menos nutritivas entre os moradores. Por exemplo, 86% dos entrevistados disseram já terem precisado trocar alimentos saudáveis por opções mais baratas e menos nutritivas.


A situação piorou durante a pandemia, quando muitos moradores perderam renda e precisaram contar com doações para sobreviver. Biscoitos, bebidas açucaradas e alimentos instantâneos se tornaram então ainda mais comuns nas despensas do bairro. Segundo a pesquisa, dois em cada três deles disseram que seus hábitos alimentares pioraram com a chegada da covid.


Foi após esse cenário de crise que um cozinheiro pernambucano viu em um terreno abandonado a chance de produzir comida de qualidade.[...] É nesse pequeno espaço que ele tenta construir, junto com os vizinhos, uma alternativa limpa e natural para substituir o avanço dos ultraprocessados. [...] Hoje as três hortas do bairro produzem verduras, legumes, frutas e plantas para chá, dos quais a população faz uso medicinal.


"Eu me considero hoje outra pessoa mexendo com a terra, trabalhando no ritmo da natureza e sabendo exatamente o que tem no alimento que eu como", afirma Neto, que, assim como os demais agricultores, não usa agrotóxico na produção e adota princípios da agroecologia para fazer a gestão de pragas. "Demora mais, às vezes a gente erra, mas vale a pena porque é saudável." [...]


A etnografia do observatório identificou que no Jardim Ibirapuera 29% dos moradores têm origem no Nordeste e três em cada quatro são pessoas pretas ou pardas. Para muitas delas os hábitos alimentares refletem a cultura e as tradições que a vida e a rotina em uma cidade como São Paulo ainda não foram capazes de apagar.


"Na São Paulo urbana e formalizada, as gôndolas dos mercados podem até ocultar as origens dos ingredientes", escreveu Marcelo Zarzuela Coelho, o Lelo, um dos coordenadores do estudo. "Mas nas periferias, o cuscuz de milho ainda é memória nordestina em estado sólido, o leite de coco ainda carrega o sopro da diáspora africana, o azeite de dendê resiste ao embranquecimento do paladar urbano, e a mandioca segue sendo mais que raiz: é símbolo de autonomia e continuidade." [...]


"Nosso sonho até 2030 é construir um tripé", explica Luiz Claudio de Souza, articulador institucional do Observatório. "Potencializar as hortas, criar um banco de alimentos, também com a contribuição de mercados e hortifrutis do bairro, e construir uma cozinha comunitária que possa manipular esses alimentos junto com a comunidade. Mas pra isso precisamos de parceiros."


Enquanto esse sonho não se concretiza, os agricultores urbanos colhem das hortas frutos que não se resumem aos vegetais que crescem ali. São valores intangíveis que se espalham pela comunidade como sementes levadas pelo vento. [...]



(Disponível em: https://ojoioeotrigo.com.br/2025/11/sob-os-trilhos-do-metro-hortas-urba nas-combatem-avanco-de-ultraprocessados-na-periferia-de-sao-paulo/. Acesso em: 25 nov. 2025. Adaptado.)

Considerando o texto como um todo, no excerto: "Enquanto esse sonho não se concretiza, os agricultores urbanos colhem das hortas frutos que não se resumem aos vegetais que crescem ali. São valores intangíveis que se espalham pela comunidade como sementes levadas pelo vento", a palavra intangíveis tem o mesmo sentido de:
Alternativas
Q3809288 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Sob os trilhos do metrô, hortas urbanas combatem avanço de ultraprocessados na periferia de São Paulo


Moradores do Jardim Ibirapuera plantam legumes e verduras sem agrotóxico como alternativa à pobreza de nutrientes identificada em estudo inédito conduzido pela comunidade.


Adriano Wilkson



Debaixo dos trilhos do metrô de São Paulo, quatro agricultores urbanos observam o lento crescimento de mudas de milho cuidadosamente organizadas em um canteiro montado com restos de construção civil. Alguns metros adiante, pés de alface, couve, banana e erva-cidreira dividem terreno com uma vaca que pasta displicente.


Ao caminhar em meio ao verde, por um momento você até poderia supor que saiu da capital paulista, mas o frenesi do trânsito da avenida Guido Caloi, que dá acesso à Marginal Pinheiros, logo chama à realidade. Essa é uma das vias mais movimentadas e caóticas de São Paulo. Mas é ali, no meio de um conjunto de favelas chamado Jardim Ibirapuera, que os moradores decidiram construir uma alternativa à pobreza alimentar que assola a comunidade.


Dos 41 mil moradores do bairro, 13 mil, ou 31%, passam fome. Tecnicamente, essas pessoas vivem em "insegurança alimentar grave", o que significa que a falta de renda as impede de fazer todas as refeições que gostariam. Essa taxa é maior do que a registrada no município de São Paulo como um todo, onde 12% da população passa fome [...]. A conclusão consta em uma pesquisa inédita feita pelo Observatório Ibira30, um braço do Bloco do Beco, organização não governamental que atua no Jardim Ibirapuera desde 2003. Durante seis meses, entre janeiro e junho de 2025, pesquisadores do observatório bateram de porta em porta para entrevistar moradores e investigar seus hábitos alimentares.


As 382 entrevistas revelaram a presença da fome não apenas na ausência de alimentos, mas também no avanço de ultraprocessados e de opções menos nutritivas entre os moradores. Por exemplo, 86% dos entrevistados disseram já terem precisado trocar alimentos saudáveis por opções mais baratas e menos nutritivas.


A situação piorou durante a pandemia, quando muitos moradores perderam renda e precisaram contar com doações para sobreviver. Biscoitos, bebidas açucaradas e alimentos instantâneos se tornaram então ainda mais comuns nas despensas do bairro. Segundo a pesquisa, dois em cada três deles disseram que seus hábitos alimentares pioraram com a chegada da covid.


Foi após esse cenário de crise que um cozinheiro pernambucano viu em um terreno abandonado a chance de produzir comida de qualidade.[...] É nesse pequeno espaço que ele tenta construir, junto com os vizinhos, uma alternativa limpa e natural para substituir o avanço dos ultraprocessados. [...] Hoje as três hortas do bairro produzem verduras, legumes, frutas e plantas para chá, dos quais a população faz uso medicinal.


"Eu me considero hoje outra pessoa mexendo com a terra, trabalhando no ritmo da natureza e sabendo exatamente o que tem no alimento que eu como", afirma Neto, que, assim como os demais agricultores, não usa agrotóxico na produção e adota princípios da agroecologia para fazer a gestão de pragas. "Demora mais, às vezes a gente erra, mas vale a pena porque é saudável." [...]


A etnografia do observatório identificou que no Jardim Ibirapuera 29% dos moradores têm origem no Nordeste e três em cada quatro são pessoas pretas ou pardas. Para muitas delas os hábitos alimentares refletem a cultura e as tradições que a vida e a rotina em uma cidade como São Paulo ainda não foram capazes de apagar.


"Na São Paulo urbana e formalizada, as gôndolas dos mercados podem até ocultar as origens dos ingredientes", escreveu Marcelo Zarzuela Coelho, o Lelo, um dos coordenadores do estudo. "Mas nas periferias, o cuscuz de milho ainda é memória nordestina em estado sólido, o leite de coco ainda carrega o sopro da diáspora africana, o azeite de dendê resiste ao embranquecimento do paladar urbano, e a mandioca segue sendo mais que raiz: é símbolo de autonomia e continuidade." [...]


"Nosso sonho até 2030 é construir um tripé", explica Luiz Claudio de Souza, articulador institucional do Observatório. "Potencializar as hortas, criar um banco de alimentos, também com a contribuição de mercados e hortifrutis do bairro, e construir uma cozinha comunitária que possa manipular esses alimentos junto com a comunidade. Mas pra isso precisamos de parceiros."


Enquanto esse sonho não se concretiza, os agricultores urbanos colhem das hortas frutos que não se resumem aos vegetais que crescem ali. São valores intangíveis que se espalham pela comunidade como sementes levadas pelo vento. [...]



(Disponível em: https://ojoioeotrigo.com.br/2025/11/sob-os-trilhos-do-metro-hortas-urba nas-combatem-avanco-de-ultraprocessados-na-periferia-de-sao-paulo/. Acesso em: 25 nov. 2025. Adaptado.)

A partir da leitura do texto e da mobilização de seus conhecimentos, analise as sentenças a seguir:



I. A pesquisa que identifica a realidade de pessoas em "insegurança alimentar grave" foi um estudo conduzido pela própria comunidade. 


II. No contexto da comunidade, estar entre aquelas pessoas que vivem em "insegurança alimentar grave" é resultado da falta de renda, ou seja, sem renda elas não podem fazer todas as refeições diárias.


III. No Jardim Ibirapuera há, proporcionalmente, mais pessoas em situação de vulnerabilidade alimentar do que em toda a cidade de São Paulo.



É correto o que se afirma em:

Alternativas
Q3809253 Português
Em O Perigo de uma História Única, Chimamanda Ngozi Adichie afirma que “Há pouco tempo dei uma palestra numa universidade e um aluno me disse que era uma grande pena que os homens nigerianos fossem agressivos como o personagem do pai no meu romance. Eu disse a ele que tinha acabado de ler um livro chamado O psicopata americano e que achava uma grande pena que os jovens americanos fossem assassinos em série. Bem, obviamente eu disse isso num leve ataque de irritação. Mas jamais teria me ocorrido pensar que, só porque li um romance no qual o personagem era um assassino em série, ele de alguma maneira representava todos os americanos. Não digo isso porque me considero uma pessoa melhor do que esse aluno (...). Já tinha lido Tyler, Updike, Steinbeck e Gaitskill. Não tinha uma história única dos Estados Unidos”.
Nesse livro, como no trecho de O Estado de S. Paulo citado na questão 23, pode-se afirmar que a versão de um fato será tanto mais disseminada quanto
Alternativas
Q3809250 Português
“ChatGPT, DeepSeek e similares pertencem à classe de LLMs, avançados modelos de linguagem treinados a partir de grandes bancos de dados – majoritariamente em inglês. Os mais populares pertencem a empresas norte-americanas. E assim como os algoritmos de pesquisa e redes sociais, não são neutros. Ou seja, podem reproduzir vieses, preconceitos e estereótipos de seus programadores, que por sua vez podem receber ordens dos donos das empresas e de outros atores – na China, por exemplo, empresas devem passar por análise de segurança e obter aprovações do governo antes de lançar produtos (...).
Nesse cenário, como ficam os países que não têm plataformas nacionais de alcance global, como é o caso do Brasil? E mais: o que acontecerá com a História e a memória desses países diante de uma população cada vez mais conectada a LLMs estrangeiras globais que acredita mais no que encontra nos apps e sites de busca do que nos livros de História? ”
Luciana Garbin, IAs estão apagando e reescrevendo pedaços da História. E o Brasil com isso?, O Estado de S. Paulo (on-line), 29/01/2025 (Adaptado)

O texto apresentado traz uma crítica
Alternativas
Q3809234 Português
Mal o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, anunciou as mudanças nas políticas de moderação de suas plataformas, muitos educadores, comunicadores e jornalistas presentes nos diferentes grupos dos quais faço parte começaram a questionar a eficácia da Educação Midiática. O que podemos diante de um Musk e um Zuckerberg? De que adianta educar para a checagem de notícias se agora “abriram-se as porteiras” e nenhum de nós vai dar conta de distinguir o que é verdadeiro ou falso, de remover conteúdos agressivos, preconceituosos, de construir referenciais seguros para obtermos informações íntegras e confiáveis? É enxugar gelo, nadar contra a corrente, melhor a gente se preparar para viver no caos, diziam alguns, já ameaçando sair de vez das redes, boicotar a Meta, banir o digital de vez do seu cotidiano. Entendo a Educação Midiática como um importante e potente elemento para que possamos lidar com todos os desafios presentes no mundo digital – e de resto, no mundo real, que o reflete. Ela é uma alternativa viável e segura que todos nós, que desejamos continuar a viver civilizadamente em sociedade, podemos tomar em nossas mãos. Se as chamadas big techs nos abandonam à própria sorte, cabe a cada um de nós entender qual é o nosso papel nesse ecossistema.


Adaptado de: Januária Cristina Alves. “Novas diretrizes da Meta: será o fim da Educação Midiática?” Nexo Jornal. 16 de janeiro de 2025.
No trecho, e em relação ao contexto em que se insere, “o mundo real, que o reflete”, a oração após a vírgula tem a função de 
Alternativas
Q3809233 Português
Mal o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, anunciou as mudanças nas políticas de moderação de suas plataformas, muitos educadores, comunicadores e jornalistas presentes nos diferentes grupos dos quais faço parte começaram a questionar a eficácia da Educação Midiática. O que podemos diante de um Musk e um Zuckerberg? De que adianta educar para a checagem de notícias se agora “abriram-se as porteiras” e nenhum de nós vai dar conta de distinguir o que é verdadeiro ou falso, de remover conteúdos agressivos, preconceituosos, de construir referenciais seguros para obtermos informações íntegras e confiáveis? É enxugar gelo, nadar contra a corrente, melhor a gente se preparar para viver no caos, diziam alguns, já ameaçando sair de vez das redes, boicotar a Meta, banir o digital de vez do seu cotidiano. Entendo a Educação Midiática como um importante e potente elemento para que possamos lidar com todos os desafios presentes no mundo digital – e de resto, no mundo real, que o reflete. Ela é uma alternativa viável e segura que todos nós, que desejamos continuar a viver civilizadamente em sociedade, podemos tomar em nossas mãos. Se as chamadas big techs nos abandonam à própria sorte, cabe a cada um de nós entender qual é o nosso papel nesse ecossistema.


Adaptado de: Januária Cristina Alves. “Novas diretrizes da Meta: será o fim da Educação Midiática?” Nexo Jornal. 16 de janeiro de 2025.
No trecho “Mal o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, anunciou as mudanças nas políticas de moderação de suas plataformas”, o termo “Mal” estabelece uma relação de 
Alternativas
Q3809232 Português
      Cuidar da nossa saúde às vezes lembra aquela olhadela que damos na cabine do avião a caminho de nosso assento. Por todo lado só vemos coisas complicadas: telas, indicadores, alavancas, luzes piscantes, manivelas, interruptores, mais alavancas... botões do lado esquerdo, botões do lado direito, botões no teto (não, fala sério, Por que eles põem botões no teto?). Desviamos o olhar, agradecidos pelo fato de os pilotos saberem o que estão fazendo. Como passageiros tudo que nos importa é se o avião vai ficar no céu. Quando a questão é nosso corpo, somos nós os passageiros ignorantes. Porém - reviravolta na história -, os pilotos também somos nós. E quando não sabemos como nosso corpo funciona, é como se estivéssemos em voo cego. Nós sabemos como queremos nos sentir. Queremos acordar com um sorriso, animados e empolgados para o novo dia. Queremos ter uma alegria no andar, livres de qualquer dor. Queremos passar momentos agradáveis com nossa família, com uma sensação de gratidão positividade. Mas pode ser complicado descobrir como chegar lá. São tantos botões que nos sentimos esmagados. O que fazer? Por onde começar? Temos que começar pela glicose. Por quê? Porque ela é a alavanca da cabine com o maior custo-benefício. É a mais fácil de compreender (graças aos monitores contínuos de glicose), afeta instantaneamente nossas sensações (porque influencia nossa fome e nosso humor), e muita coisa passa a se encaixar a partir do momento em que conseguimos controlá-la.


Adaptado de Inchauspé, Jessie. A revolução da glicose: equilibre os níveis de açúcar no sangue e mude sua saúde e sua vida. Trad. André Fontenelle. Objetiva, 2022.
O texto se organiza essencialmente por meio de:
Alternativas
Q3809230 Português
      Cuidar da nossa saúde às vezes lembra aquela olhadela que damos na cabine do avião a caminho de nosso assento. Por todo lado só vemos coisas complicadas: telas, indicadores, alavancas, luzes piscantes, manivelas, interruptores, mais alavancas... botões do lado esquerdo, botões do lado direito, botões no teto (não, fala sério, Por que eles põem botões no teto?). Desviamos o olhar, agradecidos pelo fato de os pilotos saberem o que estão fazendo. Como passageiros tudo que nos importa é se o avião vai ficar no céu. Quando a questão é nosso corpo, somos nós os passageiros ignorantes. Porém - reviravolta na história -, os pilotos também somos nós. E quando não sabemos como nosso corpo funciona, é como se estivéssemos em voo cego. Nós sabemos como queremos nos sentir. Queremos acordar com um sorriso, animados e empolgados para o novo dia. Queremos ter uma alegria no andar, livres de qualquer dor. Queremos passar momentos agradáveis com nossa família, com uma sensação de gratidão positividade. Mas pode ser complicado descobrir como chegar lá. São tantos botões que nos sentimos esmagados. O que fazer? Por onde começar? Temos que começar pela glicose. Por quê? Porque ela é a alavanca da cabine com o maior custo-benefício. É a mais fácil de compreender (graças aos monitores contínuos de glicose), afeta instantaneamente nossas sensações (porque influencia nossa fome e nosso humor), e muita coisa passa a se encaixar a partir do momento em que conseguimos controlá-la.


Adaptado de Inchauspé, Jessie. A revolução da glicose: equilibre os níveis de açúcar no sangue e mude sua saúde e sua vida. Trad. André Fontenelle. Objetiva, 2022.
No texto, a relação entre a complexidade da cabine de um avião e a administração da saúde humana evidencia
Alternativas
Q3809228 Português
Em silêncio


       Precisava de silêncio para pensar, ordenar sua vida e rumos. Juntou poucas coisas, navegou até uma ilha deserta. Mas a gritaria das aves marinhas fundia-se com o farfalhar do vento nas palmeiras, e quando ambos se calavam, batiam inevitáveis as ondas contra as pedras. Silêncio não havia. Tomou suas coisas, voltou ao continente, recolheu-se numa gruta em montanha distante. Embora isolado, logo se viu rodeado de ruídos, pequenos alguns, minúsculos outros, que o aparente silêncio circundante agigantava. Era o gotejar do excesso de umidade, o esvoejar dos morcegos ao anoitecer, o zumbir de um ou outro inseto, um gorjear lá fora, um escavar cá dentro, um rastejar, e o ronco majestoso dos trovões, o estalar dos relâmpagos. Novamente arrebanhou seus poucos pertences. E desceu a montanha, regressou à cidade. As chaves da sua casa tilintavam no bolso, não atendeu ao apelo. Tomou ônibus e metrô, caminhou até a praça mais central. Ali, onde tantos passavam e as buzinas dos carros e os apitos dos guardas e o gritar dos ambulantes e o chamado das sirenes se entrecruzavam, sentou-se. Assim como havia ignorado as chaves, ignorou os sons todos que lhe atingiam a cabeça, esqueceu os ouvidos. E, vagarosamente, começou a descida em seu silêncio interior.


Marina Colasanti. Hora de alimentar serpentes. Global, 2013
No conto, a busca do protagonista está relacionada à tentativa de
Alternativas
Q3809167 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Sob os trilhos do metrô, hortas urbanas combatem avanço de ultraprocessados na periferia de São Paulo



Moradores do Jardim Ibirapuera plantam legumes e verduras sem agrotóxico como alternativa à pobreza de nutrientes identificada em estudo inédito conduzido pela comunidade.


Adriano Wilkson



Debaixo dos trilhos do metrô de São Paulo, quatro agricultores urbanos observam o lento crescimento de mudas de milho cuidadosamente organizadas em um canteiro montado com restos de construção civil. Alguns metros adiante, pés de alface, couve, banana e erva-cidreira dividem terreno com uma vaca que pasta displicente.


Ao caminhar em meio ao verde, por um momento você até poderia supor que saiu da capital paulista, mas o frenesi do trânsito da avenida Guido Caloi, que dá acesso à Marginal Pinheiros, logo chama à realidade. Essa é uma das vias mais movimentadas e caóticas de São Paulo. Mas é ali, no meio de um conjunto de favelas chamado Jardim Ibirapuera, que os moradores decidiram construir uma alternativa à pobreza alimentar que assola a comunidade.


Dos 41 mil moradores do bairro, 13 mil, ou 31%, passam fome. Tecnicamente, essas pessoas vivem em "insegurança alimentar grave", o que significa que a falta de renda as impede de fazer todas as refeições que gostariam. Essa taxa é maior do que a registrada no município de São Paulo como um todo, onde 12% da população passa fome [...]. A conclusão consta em uma pesquisa inédita feita pelo Observatório Ibira30, um braço do Bloco do Beco, organização não governamental que atua no Jardim Ibirapuera desde 2003. Durante seis meses, entre janeiro e junho de 2025, pesquisadores do observatório bateram de porta em porta para entrevistar moradores e investigar seus hábitos alimentares.


As 382 entrevistas revelaram a presença da fome não apenas na ausência de alimentos, mas também no avanço de ultraprocessados e de opções menos nutritivas entre os moradores. Por exemplo, 86% dos entrevistados disseram já terem precisado trocar alimentos saudáveis por opções mais baratas e menos nutritivas.


A situação piorou durante a pandemia, quando muitos moradores perderam renda e precisaram contar com doações para sobreviver. Biscoitos, bebidas açucaradas e alimentos instantâneos se tornaram então ainda mais comuns nas despensas do bairro. Segundo a pesquisa, dois em cada três deles disseram que seus hábitos alimentares pioraram com a chegada da covid.


Foi após esse cenário de crise que um cozinheiro pernambucano viu em um terreno abandonado a chance de produzir comida de qualidade.[...] É nesse pequeno espaço que ele tenta construir, junto com os vizinhos, uma alternativa limpa e natural para substituir o avanço dos ultraprocessados. [...] Hoje as três hortas do bairro produzem verduras, legumes, frutas e plantas para chá, dos quais a população faz uso medicinal.


"Eu me considero hoje outra pessoa mexendo com a terra, trabalhando no ritmo da natureza e sabendo exatamente o que tem no alimento que eu como", afirma Neto, que, assim como os demais agricultores, não usa agrotóxico na produção e adota princípios da agroecologia para fazer a gestão de pragas. "Demora mais, às vezes a gente erra, mas vale a pena porque é saudável." [...]


A etnografia do observatório identificou que no Jardim Ibirapuera 29% dos moradores têm origem no Nordeste e três em cada quatro são pessoas pretas ou pardas. Para muitas delas os hábitos alimentares refletem a cultura e as tradições que a vida e a rotina em uma cidade como São Paulo ainda não foram capazes de apagar.


"Na São Paulo urbana e formalizada, as gôndolas dos mercados podem até ocultar as origens dos ingredientes", escreveu Marcelo Zarzuela Coelho, o Lelo, um dos coordenadores do estudo. "Mas nas periferias, o cuscuz de milho ainda é memória nordestina em estado sólido, o leite de coco ainda carrega o sopro da diáspora africana, o azeite de dendê resiste ao embranquecimento do paladar urbano, e a mandioca segue sendo mais que raiz: é símbolo de autonomia e continuidade." [...]


"Nosso sonho até 2030 é construir um tripé", explica Luiz Claudio de Souza, articulador institucional do Observatório. "Potencializar as hortas, criar um banco de alimentos, também com a contribuição de mercados e hortifrutis do bairro, e construir uma cozinha comunitária que possa manipular esses alimentos junto com a comunidade. Mas pra isso precisamos de parceiros."


Enquanto esse sonho não se concretiza, os agricultores urbanos colhem das hortas frutos que não se resumem aos vegetais que crescem ali. São valores intangíveis que se espalham pela comunidade como sementes levadas pelo vento. [...]



(Disponível em: https://ojoioeotrigo.com.br/2025/11/sob-os-trilhos-do-metro-hortas-urba nas-combatem-avanco-de-ultraprocessados-na-periferia-de-sao-paulo/. Acesso em: 25 nov. 2025. Adaptado.)

A partir da leitura do texto e da mobilização de seus conhecimentos, analise as sentenças a seguir:



I. A pesquisa que identifica a realidade de pessoas em "insegurança alimentar grave" foi um estudo conduzido pela própria comunidade.


II. No contexto da comunidade, estar entre aquelas pessoas que vivem em "insegurança alimentar grave" é resultado da falta de renda, ou seja, sem renda elas não podem fazer todas as refeições diárias.


III. No Jardim Ibirapuera há, proporcionalmente, mais pessoas em situação de vulnerabilidade alimentar do que em toda a cidade de São Paulo.



É correto o que se afirma em:

Alternativas
Q3809165 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Sob os trilhos do metrô, hortas urbanas combatem avanço de ultraprocessados na periferia de São Paulo



Moradores do Jardim Ibirapuera plantam legumes e verduras sem agrotóxico como alternativa à pobreza de nutrientes identificada em estudo inédito conduzido pela comunidade.


Adriano Wilkson



Debaixo dos trilhos do metrô de São Paulo, quatro agricultores urbanos observam o lento crescimento de mudas de milho cuidadosamente organizadas em um canteiro montado com restos de construção civil. Alguns metros adiante, pés de alface, couve, banana e erva-cidreira dividem terreno com uma vaca que pasta displicente.


Ao caminhar em meio ao verde, por um momento você até poderia supor que saiu da capital paulista, mas o frenesi do trânsito da avenida Guido Caloi, que dá acesso à Marginal Pinheiros, logo chama à realidade. Essa é uma das vias mais movimentadas e caóticas de São Paulo. Mas é ali, no meio de um conjunto de favelas chamado Jardim Ibirapuera, que os moradores decidiram construir uma alternativa à pobreza alimentar que assola a comunidade.


Dos 41 mil moradores do bairro, 13 mil, ou 31%, passam fome. Tecnicamente, essas pessoas vivem em "insegurança alimentar grave", o que significa que a falta de renda as impede de fazer todas as refeições que gostariam. Essa taxa é maior do que a registrada no município de São Paulo como um todo, onde 12% da população passa fome [...]. A conclusão consta em uma pesquisa inédita feita pelo Observatório Ibira30, um braço do Bloco do Beco, organização não governamental que atua no Jardim Ibirapuera desde 2003. Durante seis meses, entre janeiro e junho de 2025, pesquisadores do observatório bateram de porta em porta para entrevistar moradores e investigar seus hábitos alimentares.


As 382 entrevistas revelaram a presença da fome não apenas na ausência de alimentos, mas também no avanço de ultraprocessados e de opções menos nutritivas entre os moradores. Por exemplo, 86% dos entrevistados disseram já terem precisado trocar alimentos saudáveis por opções mais baratas e menos nutritivas.


A situação piorou durante a pandemia, quando muitos moradores perderam renda e precisaram contar com doações para sobreviver. Biscoitos, bebidas açucaradas e alimentos instantâneos se tornaram então ainda mais comuns nas despensas do bairro. Segundo a pesquisa, dois em cada três deles disseram que seus hábitos alimentares pioraram com a chegada da covid.


Foi após esse cenário de crise que um cozinheiro pernambucano viu em um terreno abandonado a chance de produzir comida de qualidade.[...] É nesse pequeno espaço que ele tenta construir, junto com os vizinhos, uma alternativa limpa e natural para substituir o avanço dos ultraprocessados. [...] Hoje as três hortas do bairro produzem verduras, legumes, frutas e plantas para chá, dos quais a população faz uso medicinal.


"Eu me considero hoje outra pessoa mexendo com a terra, trabalhando no ritmo da natureza e sabendo exatamente o que tem no alimento que eu como", afirma Neto, que, assim como os demais agricultores, não usa agrotóxico na produção e adota princípios da agroecologia para fazer a gestão de pragas. "Demora mais, às vezes a gente erra, mas vale a pena porque é saudável." [...]


A etnografia do observatório identificou que no Jardim Ibirapuera 29% dos moradores têm origem no Nordeste e três em cada quatro são pessoas pretas ou pardas. Para muitas delas os hábitos alimentares refletem a cultura e as tradições que a vida e a rotina em uma cidade como São Paulo ainda não foram capazes de apagar.


"Na São Paulo urbana e formalizada, as gôndolas dos mercados podem até ocultar as origens dos ingredientes", escreveu Marcelo Zarzuela Coelho, o Lelo, um dos coordenadores do estudo. "Mas nas periferias, o cuscuz de milho ainda é memória nordestina em estado sólido, o leite de coco ainda carrega o sopro da diáspora africana, o azeite de dendê resiste ao embranquecimento do paladar urbano, e a mandioca segue sendo mais que raiz: é símbolo de autonomia e continuidade." [...]


"Nosso sonho até 2030 é construir um tripé", explica Luiz Claudio de Souza, articulador institucional do Observatório. "Potencializar as hortas, criar um banco de alimentos, também com a contribuição de mercados e hortifrutis do bairro, e construir uma cozinha comunitária que possa manipular esses alimentos junto com a comunidade. Mas pra isso precisamos de parceiros."


Enquanto esse sonho não se concretiza, os agricultores urbanos colhem das hortas frutos que não se resumem aos vegetais que crescem ali. São valores intangíveis que se espalham pela comunidade como sementes levadas pelo vento. [...]



(Disponível em: https://ojoioeotrigo.com.br/2025/11/sob-os-trilhos-do-metro-hortas-urba nas-combatem-avanco-de-ultraprocessados-na-periferia-de-sao-paulo/. Acesso em: 25 nov. 2025. Adaptado.)

De acordo com o texto, analise as sentenças e registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:



(__) A fome não está apenas na falta de acesso a alimentos. Diante da impossibilidade de adquirir alimentos mais nutritivos, as pessoas os trocam por ultraprocessados, que são opções mais baratas. Isso também é entendido como fome.


(__) Os planos futuros dos agricultores se estruturam em três frentes: o fortalecimento da produção nas hortas, a criação de um fundo, uma reserva de alimentos e a construção de uma cozinha comunitária para manipulação dos alimentos.


(__) O principal objetivo dos agricultores ao construir as hortas é impedir a entrada de ultraprocessados na comunidade, criando uma barreira natural e limpa e obrigando a comunidade a mudar seus hábitos alimentares.


(__) A maioria dos moradores do Jardim Ibirapuera é constituída por pessoas negras.



Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:

Alternativas
Q3809164 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Sob os trilhos do metrô, hortas urbanas combatem avanço de ultraprocessados na periferia de São Paulo



Moradores do Jardim Ibirapuera plantam legumes e verduras sem agrotóxico como alternativa à pobreza de nutrientes identificada em estudo inédito conduzido pela comunidade.


Adriano Wilkson



Debaixo dos trilhos do metrô de São Paulo, quatro agricultores urbanos observam o lento crescimento de mudas de milho cuidadosamente organizadas em um canteiro montado com restos de construção civil. Alguns metros adiante, pés de alface, couve, banana e erva-cidreira dividem terreno com uma vaca que pasta displicente.


Ao caminhar em meio ao verde, por um momento você até poderia supor que saiu da capital paulista, mas o frenesi do trânsito da avenida Guido Caloi, que dá acesso à Marginal Pinheiros, logo chama à realidade. Essa é uma das vias mais movimentadas e caóticas de São Paulo. Mas é ali, no meio de um conjunto de favelas chamado Jardim Ibirapuera, que os moradores decidiram construir uma alternativa à pobreza alimentar que assola a comunidade.


Dos 41 mil moradores do bairro, 13 mil, ou 31%, passam fome. Tecnicamente, essas pessoas vivem em "insegurança alimentar grave", o que significa que a falta de renda as impede de fazer todas as refeições que gostariam. Essa taxa é maior do que a registrada no município de São Paulo como um todo, onde 12% da população passa fome [...]. A conclusão consta em uma pesquisa inédita feita pelo Observatório Ibira30, um braço do Bloco do Beco, organização não governamental que atua no Jardim Ibirapuera desde 2003. Durante seis meses, entre janeiro e junho de 2025, pesquisadores do observatório bateram de porta em porta para entrevistar moradores e investigar seus hábitos alimentares.


As 382 entrevistas revelaram a presença da fome não apenas na ausência de alimentos, mas também no avanço de ultraprocessados e de opções menos nutritivas entre os moradores. Por exemplo, 86% dos entrevistados disseram já terem precisado trocar alimentos saudáveis por opções mais baratas e menos nutritivas.


A situação piorou durante a pandemia, quando muitos moradores perderam renda e precisaram contar com doações para sobreviver. Biscoitos, bebidas açucaradas e alimentos instantâneos se tornaram então ainda mais comuns nas despensas do bairro. Segundo a pesquisa, dois em cada três deles disseram que seus hábitos alimentares pioraram com a chegada da covid.


Foi após esse cenário de crise que um cozinheiro pernambucano viu em um terreno abandonado a chance de produzir comida de qualidade.[...] É nesse pequeno espaço que ele tenta construir, junto com os vizinhos, uma alternativa limpa e natural para substituir o avanço dos ultraprocessados. [...] Hoje as três hortas do bairro produzem verduras, legumes, frutas e plantas para chá, dos quais a população faz uso medicinal.


"Eu me considero hoje outra pessoa mexendo com a terra, trabalhando no ritmo da natureza e sabendo exatamente o que tem no alimento que eu como", afirma Neto, que, assim como os demais agricultores, não usa agrotóxico na produção e adota princípios da agroecologia para fazer a gestão de pragas. "Demora mais, às vezes a gente erra, mas vale a pena porque é saudável." [...]


A etnografia do observatório identificou que no Jardim Ibirapuera 29% dos moradores têm origem no Nordeste e três em cada quatro são pessoas pretas ou pardas. Para muitas delas os hábitos alimentares refletem a cultura e as tradições que a vida e a rotina em uma cidade como São Paulo ainda não foram capazes de apagar.


"Na São Paulo urbana e formalizada, as gôndolas dos mercados podem até ocultar as origens dos ingredientes", escreveu Marcelo Zarzuela Coelho, o Lelo, um dos coordenadores do estudo. "Mas nas periferias, o cuscuz de milho ainda é memória nordestina em estado sólido, o leite de coco ainda carrega o sopro da diáspora africana, o azeite de dendê resiste ao embranquecimento do paladar urbano, e a mandioca segue sendo mais que raiz: é símbolo de autonomia e continuidade." [...]


"Nosso sonho até 2030 é construir um tripé", explica Luiz Claudio de Souza, articulador institucional do Observatório. "Potencializar as hortas, criar um banco de alimentos, também com a contribuição de mercados e hortifrutis do bairro, e construir uma cozinha comunitária que possa manipular esses alimentos junto com a comunidade. Mas pra isso precisamos de parceiros."


Enquanto esse sonho não se concretiza, os agricultores urbanos colhem das hortas frutos que não se resumem aos vegetais que crescem ali. São valores intangíveis que se espalham pela comunidade como sementes levadas pelo vento. [...]



(Disponível em: https://ojoioeotrigo.com.br/2025/11/sob-os-trilhos-do-metro-hortas-urba nas-combatem-avanco-de-ultraprocessados-na-periferia-de-sao-paulo/. Acesso em: 25 nov. 2025. Adaptado.)

Considerando o texto como um todo, no excerto: "Enquanto esse sonho não se concretiza, os agricultores urbanos colhem das hortas frutos que não se resumem aos vegetais que crescem ali. São valores intangíveis que se espalham pela comunidade como sementes levadas pelo vento", a palavra intangíveis tem o mesmo sentido de:
Alternativas
Respostas
7441: D
7442: A
7443: A
7444: D
7445: E
7446: A
7447: D
7448: A
7449: A
7450: E
7451: A
7452: E
7453: D
7454: E
7455: E
7456: B
7457: D
7458: A
7459: A
7460: E