Questões de Concurso Comentadas sobre interpretação de textos em português

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Q3976112 Português

Em tempos de colapso, uma rede de luta ancestral


40 anos depois da Aliança dos Povos da Floresta, nossos corpos, saberes e cantos se unem novamente, agora pela justiça climática e pela diversidade.


Em 1984, eles e elas chegaram de vários caminhos. Porongas alumiando os varadouros, canoas riscando os rios, maracas ecoando e vozes se confluindo. Do encontro entre diferentes povos, nasceu a Aliança dos Povos da Floresta, que ecoou até Brasília e ajudou a inscrever na Constituição o artigo 231, que garante o direito à terra, às reservas extrativistas e ao modo de vida dos povos tradicionais. Nós somos frutos daquela semente.


Se você parar para pensar, 40 anos passam rápido. É quase o tempo de vida de um jacaré. É o tempo de uma criança nascer, crescer e, no meio do caminho, já carregar um filho na tipoia. É o tempo de uma mangueira dar frutos ano após ano até sombrear uma casa inteira. Mas também passam devagar, porque nesse meio-tempo vimos muita coisa ser devastada. Se parte da floresta ainda está de pé, é porque houve quem a segurasse.


Não é mais possível falar em futuro distante. As consequências já estão aqui. Rios estão virando leitos secos, frutas não caem mais na água e secam no chão. Sem a fruta, o peixe perde alimento. Sem o alimento, o peixe desaprende a nadar. E, quando o peixe desaprende a nadar, o rio desaprende a correr. Por isso, hoje, quatro décadas depois, nós, jovens descendentes desse legado, lançamos o Manifesto Aliança dos Povos pelo Clima - ou, em mebêngôkre, língua falada pelo povo Kayapó: "Me bik prõj kam, me aminejê kabem".


Nossos nomes carregam a continuidade, mas também a urgência do agora. A nova Aliança nasce diversa: indígenas, quilombolas, extrativistas, ribeirinhos, beiradeiros, pescadores artesanais. Cada um com sua voz, cada território com sua força. Juntos, levantamos o corpo coletivo que protege os biomas. A floresta fala através de nós. 


O desafio agora é global. O colapso do clima que atinge nossas florestas alcança também o resto do planeta. Tudo está interligado. E são os nossos povos que sentem primeiro, no corpo, as maiores perdas. Sentimos a seca, a fumaça, a perda da roça, a morte dos rios. Não aceitamos mais o silêncio.


Aos educadores, pensadores, ativistas, jornalistas, artistas e todos que leem este artigo: abram espaço para nossas vozes, como este importante jornal do país faz agora. Assim como escolhemos publicar um trecho desse artigo em mebêngôkre, saibam que muitos dos nossos saberes que protegem a vida ainda não foram traduzidos e estão prontos para serem compartilhados. Nossa resposta é política, cultural e espiritual, escrita com palavras, mas também com cantos, rituais e memória.


Dessa forma, afirmamos que esta Aliança dos Povos pelo Clima é um chamado à união entre povos, territórios e saberes para defender os modos de vida que nos mantêm vivos neste planeta. Um pacto pela justiça climática, pela diversidade e pela dignidade ecológica.


(Texto de Angélica Mendes. Matsi Waura Txucarramãe. Silvia Rocha. Sara Lima. Disponível em https://www1.folha.uol. com.br/opiniao/2025/09/em-tempos de-colapso-uma-rede-deluta-ancestral.shtml, acesso em 11 de setembro de 2025. [texto adaptado])

Ao afirmar que “a floresta fala através de nós”, os autores do texto, no seu objetivo comunicativo,
Alternativas
Q3976111 Português

Em tempos de colapso, uma rede de luta ancestral


40 anos depois da Aliança dos Povos da Floresta, nossos corpos, saberes e cantos se unem novamente, agora pela justiça climática e pela diversidade.


Em 1984, eles e elas chegaram de vários caminhos. Porongas alumiando os varadouros, canoas riscando os rios, maracas ecoando e vozes se confluindo. Do encontro entre diferentes povos, nasceu a Aliança dos Povos da Floresta, que ecoou até Brasília e ajudou a inscrever na Constituição o artigo 231, que garante o direito à terra, às reservas extrativistas e ao modo de vida dos povos tradicionais. Nós somos frutos daquela semente.


Se você parar para pensar, 40 anos passam rápido. É quase o tempo de vida de um jacaré. É o tempo de uma criança nascer, crescer e, no meio do caminho, já carregar um filho na tipoia. É o tempo de uma mangueira dar frutos ano após ano até sombrear uma casa inteira. Mas também passam devagar, porque nesse meio-tempo vimos muita coisa ser devastada. Se parte da floresta ainda está de pé, é porque houve quem a segurasse.


Não é mais possível falar em futuro distante. As consequências já estão aqui. Rios estão virando leitos secos, frutas não caem mais na água e secam no chão. Sem a fruta, o peixe perde alimento. Sem o alimento, o peixe desaprende a nadar. E, quando o peixe desaprende a nadar, o rio desaprende a correr. Por isso, hoje, quatro décadas depois, nós, jovens descendentes desse legado, lançamos o Manifesto Aliança dos Povos pelo Clima - ou, em mebêngôkre, língua falada pelo povo Kayapó: "Me bik prõj kam, me aminejê kabem".


Nossos nomes carregam a continuidade, mas também a urgência do agora. A nova Aliança nasce diversa: indígenas, quilombolas, extrativistas, ribeirinhos, beiradeiros, pescadores artesanais. Cada um com sua voz, cada território com sua força. Juntos, levantamos o corpo coletivo que protege os biomas. A floresta fala através de nós. 


O desafio agora é global. O colapso do clima que atinge nossas florestas alcança também o resto do planeta. Tudo está interligado. E são os nossos povos que sentem primeiro, no corpo, as maiores perdas. Sentimos a seca, a fumaça, a perda da roça, a morte dos rios. Não aceitamos mais o silêncio.


Aos educadores, pensadores, ativistas, jornalistas, artistas e todos que leem este artigo: abram espaço para nossas vozes, como este importante jornal do país faz agora. Assim como escolhemos publicar um trecho desse artigo em mebêngôkre, saibam que muitos dos nossos saberes que protegem a vida ainda não foram traduzidos e estão prontos para serem compartilhados. Nossa resposta é política, cultural e espiritual, escrita com palavras, mas também com cantos, rituais e memória.


Dessa forma, afirmamos que esta Aliança dos Povos pelo Clima é um chamado à união entre povos, territórios e saberes para defender os modos de vida que nos mantêm vivos neste planeta. Um pacto pela justiça climática, pela diversidade e pela dignidade ecológica.


(Texto de Angélica Mendes. Matsi Waura Txucarramãe. Silvia Rocha. Sara Lima. Disponível em https://www1.folha.uol. com.br/opiniao/2025/09/em-tempos de-colapso-uma-rede-deluta-ancestral.shtml, acesso em 11 de setembro de 2025. [texto adaptado])

O texto faz referência à “Aliança dos Povos da Floresta”, de 1984, e ao novo manifesto de 2024. Essa estratégia empregada pelos autores à retomada histórica leva-nos à compreensão de que se constitui como um(a)
Alternativas
Q3975317 Português
“O Espelho”


     Jacobina encontrava-se, naquela noite, em profunda reflexão. Estava sentado ao lado da lareira, observando o brilho elusivo do fogo que lançava sombras oscilantes nas paredes. De súbito, levantou-se e dirigiu-se ao espelho pendurado sobre o aparador, imóvel como um guardião das formas que ocultavam sua alma.

    À luz bruxuleante, seu rosto revelou linhas inexoráveis: uma testa franzida em curiosidade e um olhar que oscilava entre a dúvida e a certeza. A alma externa — aquela moldada pelos olhares alheios — reluzia tanto quanto a chama refletida no vidro. Entretanto, a alma interna, a mais profunda, permanecia inacessível, como um lago escondido sob o espelho.

    Recordou-se do dia em que foi nomeado alferes da Guarda Nacional. Sentira-se elevado, prestigiado, admirado por familiares e conhecidos. Recebera elogios, saudações e olhares reverentes. Nesse instante, percebeu que era somente a projeção desse reconhecimento que preenchia seu ser, enquanto a essência humana permanecia em silêncio ao fundo.

   Quando sua tia trouxe-lhe um espelho de grande porte, herdado de gerações, sentiu o peso e o desejo refletidos nos olhos alheios. Já não era apenas Jacobina, mas a figura que se acomodava ao reflexo da vaidade coletiva. Nesse jogo entre o interior e o exterior, sua identidade começava a se desvanecer.

    Meses se passaram, e Jacobina percebeu o distanciamento de si mesmo. Olhava no espelho e não reconhecia o homem que o encobria; tornara-se sombra de um prestígio social momentâneo, sem vínculos com o seu eu original.

    A alma externa, outrora radiosa, desvanecia-se como a chama que se apaga sem aviso. Jacobina viu, naquela imagem esmaecida, a consequência amarga do abandono de seu centro humano. O que se revelava ali era um vazio que nem o prestígio podia preencher.

   Em desalento, vestiu novamente a farda de alferes — tentativa de reintegrar a alma exterior — e ficou perante o espelho, imóvel. A farda restituíra temporariamente a aparência de poder, mas não resgatara a alma interna que permanecia ausente, como uma presença invisível.

   Então, compreendeu que a imagem exterior jamais poderia ser mais que um espelho: refletia os anseios e os valores alheios, mas jamais revelava o âmago. Ao se afastar do vidro, Jacobina deixou não apenas a farda e o reflexo, mas a ilusão de si, iniciando uma caminhada rumo ao reencontro de sua essência oculta. 


Machado de Assis. Fonte: ASSIS, M. de. O Espelho. In:
Papéis Avulsos. Rio de Janeiro: Garnier, 1882. Publicado
originalmente em Gazeta de Noticias, 8 set. 1882. (Adaptado) 
A decisão final de Jacobina, ao se afastar do espelho, representa simbolicamente: 
Alternativas
Q3975316 Português
“O Espelho”


     Jacobina encontrava-se, naquela noite, em profunda reflexão. Estava sentado ao lado da lareira, observando o brilho elusivo do fogo que lançava sombras oscilantes nas paredes. De súbito, levantou-se e dirigiu-se ao espelho pendurado sobre o aparador, imóvel como um guardião das formas que ocultavam sua alma.

    À luz bruxuleante, seu rosto revelou linhas inexoráveis: uma testa franzida em curiosidade e um olhar que oscilava entre a dúvida e a certeza. A alma externa — aquela moldada pelos olhares alheios — reluzia tanto quanto a chama refletida no vidro. Entretanto, a alma interna, a mais profunda, permanecia inacessível, como um lago escondido sob o espelho.

    Recordou-se do dia em que foi nomeado alferes da Guarda Nacional. Sentira-se elevado, prestigiado, admirado por familiares e conhecidos. Recebera elogios, saudações e olhares reverentes. Nesse instante, percebeu que era somente a projeção desse reconhecimento que preenchia seu ser, enquanto a essência humana permanecia em silêncio ao fundo.

   Quando sua tia trouxe-lhe um espelho de grande porte, herdado de gerações, sentiu o peso e o desejo refletidos nos olhos alheios. Já não era apenas Jacobina, mas a figura que se acomodava ao reflexo da vaidade coletiva. Nesse jogo entre o interior e o exterior, sua identidade começava a se desvanecer.

    Meses se passaram, e Jacobina percebeu o distanciamento de si mesmo. Olhava no espelho e não reconhecia o homem que o encobria; tornara-se sombra de um prestígio social momentâneo, sem vínculos com o seu eu original.

    A alma externa, outrora radiosa, desvanecia-se como a chama que se apaga sem aviso. Jacobina viu, naquela imagem esmaecida, a consequência amarga do abandono de seu centro humano. O que se revelava ali era um vazio que nem o prestígio podia preencher.

   Em desalento, vestiu novamente a farda de alferes — tentativa de reintegrar a alma exterior — e ficou perante o espelho, imóvel. A farda restituíra temporariamente a aparência de poder, mas não resgatara a alma interna que permanecia ausente, como uma presença invisível.

   Então, compreendeu que a imagem exterior jamais poderia ser mais que um espelho: refletia os anseios e os valores alheios, mas jamais revelava o âmago. Ao se afastar do vidro, Jacobina deixou não apenas a farda e o reflexo, mas a ilusão de si, iniciando uma caminhada rumo ao reencontro de sua essência oculta. 


Machado de Assis. Fonte: ASSIS, M. de. O Espelho. In:
Papéis Avulsos. Rio de Janeiro: Garnier, 1882. Publicado
originalmente em Gazeta de Noticias, 8 set. 1882. (Adaptado) 
Por que, segundo o texto, a alma externa de Jacobina começou a se desvanecer com o passar do tempo? 
Alternativas
Q3975315 Português
“O Espelho”


     Jacobina encontrava-se, naquela noite, em profunda reflexão. Estava sentado ao lado da lareira, observando o brilho elusivo do fogo que lançava sombras oscilantes nas paredes. De súbito, levantou-se e dirigiu-se ao espelho pendurado sobre o aparador, imóvel como um guardião das formas que ocultavam sua alma.

    À luz bruxuleante, seu rosto revelou linhas inexoráveis: uma testa franzida em curiosidade e um olhar que oscilava entre a dúvida e a certeza. A alma externa — aquela moldada pelos olhares alheios — reluzia tanto quanto a chama refletida no vidro. Entretanto, a alma interna, a mais profunda, permanecia inacessível, como um lago escondido sob o espelho.

    Recordou-se do dia em que foi nomeado alferes da Guarda Nacional. Sentira-se elevado, prestigiado, admirado por familiares e conhecidos. Recebera elogios, saudações e olhares reverentes. Nesse instante, percebeu que era somente a projeção desse reconhecimento que preenchia seu ser, enquanto a essência humana permanecia em silêncio ao fundo.

   Quando sua tia trouxe-lhe um espelho de grande porte, herdado de gerações, sentiu o peso e o desejo refletidos nos olhos alheios. Já não era apenas Jacobina, mas a figura que se acomodava ao reflexo da vaidade coletiva. Nesse jogo entre o interior e o exterior, sua identidade começava a se desvanecer.

    Meses se passaram, e Jacobina percebeu o distanciamento de si mesmo. Olhava no espelho e não reconhecia o homem que o encobria; tornara-se sombra de um prestígio social momentâneo, sem vínculos com o seu eu original.

    A alma externa, outrora radiosa, desvanecia-se como a chama que se apaga sem aviso. Jacobina viu, naquela imagem esmaecida, a consequência amarga do abandono de seu centro humano. O que se revelava ali era um vazio que nem o prestígio podia preencher.

   Em desalento, vestiu novamente a farda de alferes — tentativa de reintegrar a alma exterior — e ficou perante o espelho, imóvel. A farda restituíra temporariamente a aparência de poder, mas não resgatara a alma interna que permanecia ausente, como uma presença invisível.

   Então, compreendeu que a imagem exterior jamais poderia ser mais que um espelho: refletia os anseios e os valores alheios, mas jamais revelava o âmago. Ao se afastar do vidro, Jacobina deixou não apenas a farda e o reflexo, mas a ilusão de si, iniciando uma caminhada rumo ao reencontro de sua essência oculta. 


Machado de Assis. Fonte: ASSIS, M. de. O Espelho. In:
Papéis Avulsos. Rio de Janeiro: Garnier, 1882. Publicado
originalmente em Gazeta de Noticias, 8 set. 1882. (Adaptado) 
No contexto do texto, o espelho herdado de gerações simboliza:
Alternativas
Q3975314 Português
“O Espelho”


     Jacobina encontrava-se, naquela noite, em profunda reflexão. Estava sentado ao lado da lareira, observando o brilho elusivo do fogo que lançava sombras oscilantes nas paredes. De súbito, levantou-se e dirigiu-se ao espelho pendurado sobre o aparador, imóvel como um guardião das formas que ocultavam sua alma.

    À luz bruxuleante, seu rosto revelou linhas inexoráveis: uma testa franzida em curiosidade e um olhar que oscilava entre a dúvida e a certeza. A alma externa — aquela moldada pelos olhares alheios — reluzia tanto quanto a chama refletida no vidro. Entretanto, a alma interna, a mais profunda, permanecia inacessível, como um lago escondido sob o espelho.

    Recordou-se do dia em que foi nomeado alferes da Guarda Nacional. Sentira-se elevado, prestigiado, admirado por familiares e conhecidos. Recebera elogios, saudações e olhares reverentes. Nesse instante, percebeu que era somente a projeção desse reconhecimento que preenchia seu ser, enquanto a essência humana permanecia em silêncio ao fundo.

   Quando sua tia trouxe-lhe um espelho de grande porte, herdado de gerações, sentiu o peso e o desejo refletidos nos olhos alheios. Já não era apenas Jacobina, mas a figura que se acomodava ao reflexo da vaidade coletiva. Nesse jogo entre o interior e o exterior, sua identidade começava a se desvanecer.

    Meses se passaram, e Jacobina percebeu o distanciamento de si mesmo. Olhava no espelho e não reconhecia o homem que o encobria; tornara-se sombra de um prestígio social momentâneo, sem vínculos com o seu eu original.

    A alma externa, outrora radiosa, desvanecia-se como a chama que se apaga sem aviso. Jacobina viu, naquela imagem esmaecida, a consequência amarga do abandono de seu centro humano. O que se revelava ali era um vazio que nem o prestígio podia preencher.

   Em desalento, vestiu novamente a farda de alferes — tentativa de reintegrar a alma exterior — e ficou perante o espelho, imóvel. A farda restituíra temporariamente a aparência de poder, mas não resgatara a alma interna que permanecia ausente, como uma presença invisível.

   Então, compreendeu que a imagem exterior jamais poderia ser mais que um espelho: refletia os anseios e os valores alheios, mas jamais revelava o âmago. Ao se afastar do vidro, Jacobina deixou não apenas a farda e o reflexo, mas a ilusão de si, iniciando uma caminhada rumo ao reencontro de sua essência oculta. 


Machado de Assis. Fonte: ASSIS, M. de. O Espelho. In:
Papéis Avulsos. Rio de Janeiro: Garnier, 1882. Publicado
originalmente em Gazeta de Noticias, 8 set. 1882. (Adaptado) 

A atitude de Jacobina em vestir novamente a farda de alferes representa uma tentativa de:  

Alternativas
Q3975313 Português
“O Espelho”


     Jacobina encontrava-se, naquela noite, em profunda reflexão. Estava sentado ao lado da lareira, observando o brilho elusivo do fogo que lançava sombras oscilantes nas paredes. De súbito, levantou-se e dirigiu-se ao espelho pendurado sobre o aparador, imóvel como um guardião das formas que ocultavam sua alma.

    À luz bruxuleante, seu rosto revelou linhas inexoráveis: uma testa franzida em curiosidade e um olhar que oscilava entre a dúvida e a certeza. A alma externa — aquela moldada pelos olhares alheios — reluzia tanto quanto a chama refletida no vidro. Entretanto, a alma interna, a mais profunda, permanecia inacessível, como um lago escondido sob o espelho.

    Recordou-se do dia em que foi nomeado alferes da Guarda Nacional. Sentira-se elevado, prestigiado, admirado por familiares e conhecidos. Recebera elogios, saudações e olhares reverentes. Nesse instante, percebeu que era somente a projeção desse reconhecimento que preenchia seu ser, enquanto a essência humana permanecia em silêncio ao fundo.

   Quando sua tia trouxe-lhe um espelho de grande porte, herdado de gerações, sentiu o peso e o desejo refletidos nos olhos alheios. Já não era apenas Jacobina, mas a figura que se acomodava ao reflexo da vaidade coletiva. Nesse jogo entre o interior e o exterior, sua identidade começava a se desvanecer.

    Meses se passaram, e Jacobina percebeu o distanciamento de si mesmo. Olhava no espelho e não reconhecia o homem que o encobria; tornara-se sombra de um prestígio social momentâneo, sem vínculos com o seu eu original.

    A alma externa, outrora radiosa, desvanecia-se como a chama que se apaga sem aviso. Jacobina viu, naquela imagem esmaecida, a consequência amarga do abandono de seu centro humano. O que se revelava ali era um vazio que nem o prestígio podia preencher.

   Em desalento, vestiu novamente a farda de alferes — tentativa de reintegrar a alma exterior — e ficou perante o espelho, imóvel. A farda restituíra temporariamente a aparência de poder, mas não resgatara a alma interna que permanecia ausente, como uma presença invisível.

   Então, compreendeu que a imagem exterior jamais poderia ser mais que um espelho: refletia os anseios e os valores alheios, mas jamais revelava o âmago. Ao se afastar do vidro, Jacobina deixou não apenas a farda e o reflexo, mas a ilusão de si, iniciando uma caminhada rumo ao reencontro de sua essência oculta. 


Machado de Assis. Fonte: ASSIS, M. de. O Espelho. In:
Papéis Avulsos. Rio de Janeiro: Garnier, 1882. Publicado
originalmente em Gazeta de Noticias, 8 set. 1882. (Adaptado) 
Ao afirmar que sua alma interna permanecia inacessível como um "lago escondido sob o espelho”, o narrador revela que: 
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Q3974707 Português
“O Alienista”


    No vilarejo de Itaguaí, o renomado Dr. Simão Bacamarte decide construir a Casa Verde, um espaço dedicado ao estudo da mente humana. Sua intenção é diagnosticar e acolher os chamados "loucos", buscando delimitar os domínios da razão e da loucura.
    Inicialmente, são internados indivíduos com comportamentos realmente anômalos, mas logo o alienista amplia os critérios, incluindo sutis excêntricas. Isso provoca estranhamento na comunidade, que passa a questionar sua sanidade e autoridade científica.
    A Casa Verde logo se enche, e a população local começa a temer o poder arbitrário do médico. O barbeiro Porfirio, figura influente na vila, lidera manifestações contra aqueles que são internados sem justificativa clara.
    Em resposta, Bacamarte reafima seu compromisso com a ciência e a seriedade de seus atos, recusando justificações a leigos. Isso intensifica o atrito entre a prática científica e a sensibilidade social dos moradores.
    As tensões culminam na chamada "Revolta dos Canijicas", organizada por Porfirio, que deseja destruir a Casa Verde para retomar o controle cívico do vilarejo. No entanto, o conflito expõe a fragilidade da racionalidade em meio à mobilização popular.
    Curiosamente, Bacamarte não recua, e sua dedicação extrema reforça tanto a crítica ao cientificismo quanto o questionamento da própria sanidade do alienista — afinal, quem define o padrão da normalidade?
   Em seguida, a maioria da população é acometida por critérios diagnósticos flexíveis e internada, demonstrando o absurdo do método. A Casa Verde se torna símbolo de controle e opressão travestida de ciência.
      Por fim, Bacamarte conclui que a sanidade é praticamente impossível — ele decide internar a si mesmo, isolando-se, até o fim de seus dias. O leitor é deixado a refletir sobre os limites do saber humano e seu potencial opressivo.



(Machado de Assis. Fonte: ASSIS, M. de. O Alienista. In: Papéis Avulsos. Rio de Janeiro: Garnier, 1882. Adaptado.) 
As reações do barbeiro Porfirio revelam, principalmente, que tipo de preocupação dos moradores de Itaguai: 
Alternativas
Q3974706 Português
“O Alienista”


    No vilarejo de Itaguaí, o renomado Dr. Simão Bacamarte decide construir a Casa Verde, um espaço dedicado ao estudo da mente humana. Sua intenção é diagnosticar e acolher os chamados "loucos", buscando delimitar os domínios da razão e da loucura.
    Inicialmente, são internados indivíduos com comportamentos realmente anômalos, mas logo o alienista amplia os critérios, incluindo sutis excêntricas. Isso provoca estranhamento na comunidade, que passa a questionar sua sanidade e autoridade científica.
    A Casa Verde logo se enche, e a população local começa a temer o poder arbitrário do médico. O barbeiro Porfirio, figura influente na vila, lidera manifestações contra aqueles que são internados sem justificativa clara.
    Em resposta, Bacamarte reafima seu compromisso com a ciência e a seriedade de seus atos, recusando justificações a leigos. Isso intensifica o atrito entre a prática científica e a sensibilidade social dos moradores.
    As tensões culminam na chamada "Revolta dos Canijicas", organizada por Porfirio, que deseja destruir a Casa Verde para retomar o controle cívico do vilarejo. No entanto, o conflito expõe a fragilidade da racionalidade em meio à mobilização popular.
    Curiosamente, Bacamarte não recua, e sua dedicação extrema reforça tanto a crítica ao cientificismo quanto o questionamento da própria sanidade do alienista — afinal, quem define o padrão da normalidade?
   Em seguida, a maioria da população é acometida por critérios diagnósticos flexíveis e internada, demonstrando o absurdo do método. A Casa Verde se torna símbolo de controle e opressão travestida de ciência.
      Por fim, Bacamarte conclui que a sanidade é praticamente impossível — ele decide internar a si mesmo, isolando-se, até o fim de seus dias. O leitor é deixado a refletir sobre os limites do saber humano e seu potencial opressivo.



(Machado de Assis. Fonte: ASSIS, M. de. O Alienista. In: Papéis Avulsos. Rio de Janeiro: Garnier, 1882. Adaptado.) 
Nos acontecimentos descritos, a Casa Verde torna-se simbolo principal de quê? 
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Q3974705 Português
“O Alienista”


    No vilarejo de Itaguaí, o renomado Dr. Simão Bacamarte decide construir a Casa Verde, um espaço dedicado ao estudo da mente humana. Sua intenção é diagnosticar e acolher os chamados "loucos", buscando delimitar os domínios da razão e da loucura.
    Inicialmente, são internados indivíduos com comportamentos realmente anômalos, mas logo o alienista amplia os critérios, incluindo sutis excêntricas. Isso provoca estranhamento na comunidade, que passa a questionar sua sanidade e autoridade científica.
    A Casa Verde logo se enche, e a população local começa a temer o poder arbitrário do médico. O barbeiro Porfirio, figura influente na vila, lidera manifestações contra aqueles que são internados sem justificativa clara.
    Em resposta, Bacamarte reafima seu compromisso com a ciência e a seriedade de seus atos, recusando justificações a leigos. Isso intensifica o atrito entre a prática científica e a sensibilidade social dos moradores.
    As tensões culminam na chamada "Revolta dos Canijicas", organizada por Porfirio, que deseja destruir a Casa Verde para retomar o controle cívico do vilarejo. No entanto, o conflito expõe a fragilidade da racionalidade em meio à mobilização popular.
    Curiosamente, Bacamarte não recua, e sua dedicação extrema reforça tanto a crítica ao cientificismo quanto o questionamento da própria sanidade do alienista — afinal, quem define o padrão da normalidade?
   Em seguida, a maioria da população é acometida por critérios diagnósticos flexíveis e internada, demonstrando o absurdo do método. A Casa Verde se torna símbolo de controle e opressão travestida de ciência.
      Por fim, Bacamarte conclui que a sanidade é praticamente impossível — ele decide internar a si mesmo, isolando-se, até o fim de seus dias. O leitor é deixado a refletir sobre os limites do saber humano e seu potencial opressivo.



(Machado de Assis. Fonte: ASSIS, M. de. O Alienista. In: Papéis Avulsos. Rio de Janeiro: Garnier, 1882. Adaptado.) 
Considerando as ações de Simão Bacamarte ao longo do texto, qual motivo mais evidente o leva a internar a si mesmo ao final da história? 
Alternativas
Q3974703 Português
“O Alienista”


    No vilarejo de Itaguaí, o renomado Dr. Simão Bacamarte decide construir a Casa Verde, um espaço dedicado ao estudo da mente humana. Sua intenção é diagnosticar e acolher os chamados "loucos", buscando delimitar os domínios da razão e da loucura.
    Inicialmente, são internados indivíduos com comportamentos realmente anômalos, mas logo o alienista amplia os critérios, incluindo sutis excêntricas. Isso provoca estranhamento na comunidade, que passa a questionar sua sanidade e autoridade científica.
    A Casa Verde logo se enche, e a população local começa a temer o poder arbitrário do médico. O barbeiro Porfirio, figura influente na vila, lidera manifestações contra aqueles que são internados sem justificativa clara.
    Em resposta, Bacamarte reafima seu compromisso com a ciência e a seriedade de seus atos, recusando justificações a leigos. Isso intensifica o atrito entre a prática científica e a sensibilidade social dos moradores.
    As tensões culminam na chamada "Revolta dos Canijicas", organizada por Porfirio, que deseja destruir a Casa Verde para retomar o controle cívico do vilarejo. No entanto, o conflito expõe a fragilidade da racionalidade em meio à mobilização popular.
    Curiosamente, Bacamarte não recua, e sua dedicação extrema reforça tanto a crítica ao cientificismo quanto o questionamento da própria sanidade do alienista — afinal, quem define o padrão da normalidade?
   Em seguida, a maioria da população é acometida por critérios diagnósticos flexíveis e internada, demonstrando o absurdo do método. A Casa Verde se torna símbolo de controle e opressão travestida de ciência.
      Por fim, Bacamarte conclui que a sanidade é praticamente impossível — ele decide internar a si mesmo, isolando-se, até o fim de seus dias. O leitor é deixado a refletir sobre os limites do saber humano e seu potencial opressivo.



(Machado de Assis. Fonte: ASSIS, M. de. O Alienista. In: Papéis Avulsos. Rio de Janeiro: Garnier, 1882. Adaptado.) 
A internação progressiva de indivíduos cada vez menos excêntricos por Bacamarte pode ser interpretada como uma crítica à 
Alternativas
Q3972154 Português
A abordagem contemporânea do ensino de Língua Portuguesa reconhece a língua como um fenômeno social, dinâmico e heterogêneo. Nesse contexto, é essencial compreender a relação entre a norma-padrão e as múltiplas manifestações da variação linguística no espaço escolar. Nesse sentido, analise o que é afirmado nas alternativas a seguir e assinale a que apresenta a concepção mais adequada sobre o tratamento da variação linguística no ensino da Língua Portuguesa.
Alternativas
Q3972153 Português
Durante a correção de uma redação, o professor de Língua Portuguesa depara-se com o seguinte trecho escrito por um aluno: A cidade, com suas ruas vazias e seus prédios desmoronando, parecia chorar silenciosamente. Considerando os recursos expressivos empregados na construção dessa frase, responda: Que figura de linguagem está presente nessa frase e qual o efeito de sentido gerado?
Alternativas
Q3972152 Português

Sobre os aspectos que envolvem a leitura e interpretação de textos, analise as assertivas abaixo:


I. A leitura crítica envolve a compreensão do texto a partir da identificação das intenções do autor e do contexto social e histórico em que foi produzido, o que permite ao leitor interpretar as entrelinhas da mensagem.


II. A leitura superficial é mais aprofundada que a leitura crítica, pois considera não apenas as intenções do autor, mas também as estratégias discursivas e a construção do texto em seu nível linguístico e retórico.


III. A leitura crítica exige que o leitor analise as relações de sentido entre as partes do texto, compreendendo suas implicações ideológicas, sociais e culturais.


IV. A leitura técnica de um texto se limita à busca pela identificação das informações explícitas e pela compreensão literal do conteúdo, sendo totalmente irrelevante para as aulas de Língua Portuguesa, que devem se concentrar exclusivamente em análises interpretativas profundas.


Das assertivas, NÃO se pode afirmar que:



Alternativas
Q3972150 Português

Ao orientar seus alunos sobre a produção de textos dissertativo-argumentativos, o professor de Língua Portuguesa enfatiza a relevância da clareza, da coesão e da objetividade na construção dos argumentos, a fim de garantir a persuasão e a consistência do texto.


Considerando os princípios que regem uma argumentação eficaz, assinale a alternativa CORRETA.


Alternativas
Q3972149 Português

A coerência textual é um dos pilares fundamentais para a construção de sentidos no discurso. Acerca dos aspectos que envolvem a coerência, analise:


I. A coerência textual depende da possibilidade de o leitor ou interlocutor estabelecer conexões semânticas e pragmáticas entre as partes do texto, o que permite a construção de uma unidade de sentido global.


II. A coerência está diretamente relacionada à interpretabilidade do texto, sendo determinada tanto por fatores linguísticos quanto por elementos extralinguísticos, como o conhecimento de mundo e o contexto da situação comunicativa.


III. A coerência textual é determinada apenas pelos mecanismos linguísticos explícitos presentes no texto, sendo, portanto, independente dos conhecimentos prévios do leitor ou das condições de produção e recepção textual.


Considerando que cada afirmativa correta vale dois pontos e cada afirmativa incorreta vale um ponto, qual é a soma total da pontuação atribuída às três afirmativas?



Alternativas
Q3972148 Português

O ensino de gêneros textuais tem papel central na formação da competência discursiva dos alunos, pois contribui para o desenvolvimento de habilidades de leitura, escrita, escuta e oralidade em contextos reais de uso da língua. Com base nessa perspectiva, analise as afirmativas a seguir:


I. O ensino de gêneros textuais deve restringir-se à reprodução de modelos fixos, sem considerar a variação linguística ou os contextos sociocomunicativos, a fim de garantir a normatização da escrita formal.


II. A abordagem de gêneros textuais no ensino da Língua Portuguesa permite que os estudantes reconheçam as intenções do autor, a organização estrutural e os elementos linguísticos característicos de cada tipo textual, ampliando sua competência comunicativa.


III. O trabalho com gêneros textuais no ambiente escolar deve considerar as condições de produção, circulação e recepção dos textos, possibilitando ao aluno compreender suas finalidades comunicativas e o papel social que desempenham.


Com base na análise das afirmativas, pode-se afirmar que:


Alternativas
Q3972147 Português

A análise e a compreensão dos gêneros textuais são essenciais para o desenvolvimento das habilidades de leitura e produção textual. Esses gêneros, presentes tanto na língua falada quanto na escrita, apresentam características distintas e se adaptam conforme o contexto comunicativo. A seguir, são apresentadas algumas afirmativas sobre aspectos dos gêneros textuais e da linguagem, que envolvem suas características, funções e formas de uso. Com base nos conhecimentos adquiridos sobre o tema, julgue as assertivas como verdadeiras (V) ou falsas (F).


( ) O texto descritivo é utilizado apenas para narrar fatos, sem a necessidade de detalhamento de personagens ou ambientes, como no texto narrativo.

( ) O mesmo gênero textual pode assumir diferentes formatos e estruturas, dependendo do suporte em que é veiculado e das práticas sociais que o constituem.

( ) A linguagem oral não exige coesão nem coerência, já que as interações orais são menos formais e, portanto, mais flexíveis.

( ) O desenvolvimento de diferentes gêneros textuais exige a adequação da linguagem ao contexto e à finalidade comunicativa.

( ) Os gêneros textuais são estruturas fixas e invariáveis, sendo definidos unicamente por sua forma linguística e gramatical.

Qual alternativa preenche, CORRETAMENTE, de cima para baixo, os parênteses acima?


Alternativas
Q3972136 Português

Nos termos do texto intitulado Introdução ao Desenvolvimento Urbano Sustentável – Módulo 3, analise as assertivas que seguem:


I. A predominância de dinâmicas urbanas ou rurais em um município influencia diretamente tanto a organização espacial quanto os tipos de práticas econômicas desenvolvidas em seu território.


II. Municípios com maior porte populacional, além de disporem de instrumentos que favorecem a implementação de políticas públicas, tendem a registrar menor incidência de impactos ambientais em razão de sua maior capacidade técnica e administrativa.


III. A diversidade territorial brasileira deve ser reconhecida como uma potencialidade, sendo essencial que as estratégias de desenvolvimento urbano adotem enfoques que sejam colaborativos, assim como territorializados.


IV. Diante da heterogeneidade dos municípios brasileiros, faz-se necessária a adoção de estratégias padronizadas e centralizadas, capazes de uniformizar as ações de desenvolvimento urbano em âmbito nacional.


Considerando que cada assertiva correta equivale a dois pontos, e que cada assertiva incorreta equivale a um ponto, qual a soma de todas as assertivas?


Alternativas
Q3970023 Português
Leia o trecho a seguir:

"Economizar água é fundamental para garantir o abastecimento da cidade durante períodos de seca. Cada pessoa pode colaborar tomando atitudes simples, como fechar a torneira ao escovar os dentes e reutilizar a água da chuva."

Com base no texto, assinale a alternativa que indica corretamente o tema e a finalidade do texto: 
Alternativas
Respostas
6201: D
6202: E
6203: D
6204: B
6205: C
6206: D
6207: A
6208: E
6209: B
6210: A
6211: E
6212: D
6213: C
6214: C
6215: C
6216: B
6217: B
6218: A
6219: B
6220: B