Questões de Concurso
Comentadas sobre interpretação de textos em português
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O jornal Folha de S. Paulo introduziu com o seguinte comentário uma entrevista com o professor Paulo Freire: “A gente cheguemos’ não será uma construção errada na gestão do Partido dos Trabalhadores em São Paulo.”
Os trechos da entrevista nos quais a Folha de S. Paulo se baseou foram os seguintes:
A criança terá uma escola na qual a sua linguagem seja respeitada (...) Uma escola em que a criança aprenda a sintaxe dominante, mas sem desprezo pela sua (...) Esses oito milhões de meninos vêm da periferia do Brasil (...) Precisamos respeitar a (sua) sintaxe mostrando que sua linguagem é bonita e gostosa, às vezes é mais bonita que a minha. E, mostrando tudo isso, dizer a ele: “Mas para a tua própria vida tu precisas dizer ‘a gente chegou’, em vez de ‘a gente cheguemos’. Isso é diferente, ‘a abordagem’ é diferente”. É assim que queremos trabalhar, com a abertura, mas dizendo a verdade.
FOLHA DE S. PAULO. Entrevista com Paulo Freire. São Paulo, 18 out. 1990. Caderno Educação. [Adaptado].
No trecho, a posição de Paulo Freire sobre a linguagem evidencia que o ensino da língua deve
AS PALAVRAS QUE NINGUÉM DIZ
— Sabe o que é diadelfo? Não sabe? É isso aí: ninguém aprende mais nada na escola, não há professor que ensine o que é diadelfo. Entretanto, basta você sair por aí, na Gávea, e dá de cara com pencas de diadelfos. Tão fácil distingui-los. Pelo visto, sou capaz de jurar que você também nunca experimentou a emoção do ilapso. Ou por outra: pode ter experimentado, mas sem identificá-lo pelo nome. Não alcançou a maravilhosa consciência de haver merecido o ilapso. Conheci um nordestino que na mocidade exercera a profissão de ultor, e que ignorava o que é ultor; como é que pode ser tão mau profissional?
ANDRADE, Carlos Drummond de. Os dias lindos. Rio de Janeiro: Record, 1998.
No fragmento, Drummond ironiza o uso de palavras incomuns e mostra que seu desconhecimento não impede a comunicação. Para o ensino de Língua Portuguesa, esse texto evidencia que o desenvolvimento do vocabulário ocorre sobretudo quando o aluno
PALAVREADO
Gosto da palavra “fornida”. É uma palavra que diz tudo o que quer dizer. Se você lê que uma mulher é “bem fornida”, sabe exatamente como ela é. Não gorda mas cheia, roliça, carnuda. E quente. Talvez seja a semelhança com “forno”. Talvez seja apenas o tipo de mente que eu tenho. Não posso ver a palavra “lascívia” sem pensar numa mulher, não fornida mas magra e comprida. Lascívia, imperatriz de Cântaro, filha de Pundonor. Imagino-a atraindo todos os jovens do reino para a cama real, decapitando os incapazes pelo fracasso e os capazes pela ousadia.
Um dia chega a Cântaro um jovem trovador, Lipídio de Albornoz. Ele cruza a Ponte de Safena e entra na cidade montado no seu cavalo Escarcéu. Avista uma mulher vestindo uma bandalheira
preta e lhe lança um olhar cheio de betume e cabriolé. Seguea através dos becos de Cântaro até um sumário – uma espécie de jardim enclausurado – onde ela deixa cair a bandalheira. É Lascívia. Ela sobe por um escrutínio, pequena escada estreita, e desaparece por uma porciúncula.
VERISSIMO, Luis Fernando. O analista de Bagé. Porto Alegre: L&PM, 2002.
A compreensão do texto permanece possível, mesmo que as palavras estejam deslocadas de seus sentidos originais, porque
Os seres humanos têm a capacidade de representar o pensamento por meio de sinais codificados que permitem a comunicação e a interação entre eles. Essa capacidade chamase linguagem. As várias formas de linguagem criadas pelo ser humano podem ser identificadas em dois grupos: o da linguagem verbal, como a língua, que tem a palavra por sinal, e o das linguagens não verbais, como a música, que tem o som por sinal; a dança, que tem o movimento por sinal; a mímica, que tem o gesto por sinal; e a pintura, a fotografia e a escultura, que têm a imagem por sinal.
FIORIN, José Luiz. Linguagem e discurso: modos de organização. São Paulo: Contexto, 2014. Adaptado.
Com base no texto, entende-se que a linguagem
— Minha filha, você me deu sua palavra que a sua festa ia acabar às duas horas. — E acabou, papai. — Sim, mas às duas da tarde! Nós estávamos almoçando, hoje, e ainda estava chegando gente pra festa de ontem! — É que a turma se excedeu um pouco, papai, qualé? — Outra coisa, você jurou que seus amigos iam ficar na sala e não invadiriam os outros aposentos. — E, então? — Então que eu fui acordado no meio da noite por um cabeludo me perguntando se não tinha vodca em casa. — Ele se perdeu, só isso. — Tudo bem. Mas ele precisava me chamar de “ó do pijama”? — Papai...
VERISSIMO, Luis Fernando. Pais e filhos. Porto Alegre: LP&M, 1999.
O modo como os jovens dialogam – com expressões como “qualé?” e “ó do pijama” – revela que a variação linguística presente no texto está associada
Leia o texto a seguir.

A construção do humor na tirinha depende da compreensão de que a linguagem
Leia o texto a seguir.
O bêbado e a equilibrista
E nuvens lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas
Que sufoco!
Louco!
O bêbado com chapéu-coco
Fazia irreverências mil
Pra noite do Brasil
Meu Brasil!
Que sonha com a volta do irmão do Henfil
Com tanta gente que partiu
Num rabo de foguete
Chora
A nossa Pátria mãe gentil
Choram Marias e Clarisses
No solo do Brasil
(Aldir Blanc e João Bosco, 1975)
Disponível em: https://www.todamateria.com.br/musicas-da-ditadura-militar/. Acesso em: 15 nov. 2025.
A canção citada foi eternizada por Elis Regina e tornou-se um hino de esperança durante a ditadura militar brasileira. Seu significado central é simbólico e político. O bêbado representa o povo sofrido, mas que ainda sonha e resiste. A equilibrista representa a
Segundo meu avô – gosto sempre de repetir – o único tempo que temos é o tempo presente. Ele até perguntava com certa frequência: por que o presente se chama presente? Dava um pouco de tempo e depois respondia: é porque é um presente que ganhamos do Criador. Quem ganha um objeto de presente tem que abrir na mesma hora para poder dar alegria a quem o deu. A vida é o presente que o Grande Espírito nos dá todos os dias, e viver esse presente alegra o coração do nosso Pai Primeiro. Meu avô era como um sábio que possuía todo o conhecimento de nossa gente. Qualquer coisa que a gente queria saber era só recorrer a ele que logo tinha uma história para contar. Foi ele que me ensinou que era preciso, de vez em quando, mudar. Disse isso pensando no rio. Fez-me olhar o rio que corria.
MUNDURUKU, Daniel. Antologia de contos indígenas de ensinamento: tempo de histórias. São Paulo: Moderna, 2005, p.19.
O trecho citado foi extraído de uma obra que compõe um conjunto de narrativas, textos, poemas, cantos, mitos, histórias orais, performances e produções escritas elaboradas por autores e autoras pertencentes aos diversos povos indígenas. Ela se caracteriza por expressar cosmovisões próprias, valores, memórias coletivas, modos de viver, relações com a natureza, com o território e com o sagrado, além de refletir questões políticas, históricas e identitárias desses povos. Trata-se da literatura
Deslocamentos caracterizam os ímpetos da concepção urbana de Anápolis, com os tropeiros que ali passavam, instalavam-se nessas localidades e, consequentemente, geravam trocas de mercadorias favoráveis ao comércio. Outro fator relevante foi a construção da Capela em honra a Sant’Ana, por Gomes de Sousa Ramos, em 1871. Isso potencializa o adensamento populacional na região de Anápolis, já que em 1871 existiam apenas sete casas, no ano seguinte esse número foi para 20 moradias, com uma população estimada em 120 pessoas só no povoado.
Amaral, L. F.; Lopes Filho, J. J. Estranhar e reconhecer: um processo de descontinuidades na paisagem urbana de Anápolis-GO (1870-2022). Paranoá, v. 17, e45325, 2024, p. 6. [Adaptado].
O crescimento populacional se associa com qual característica da população mencionada?

BECK, Alexandre. Tiras de Armandinho. Disponível em .<https://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/27431-tirasde-armandinho>.
As expressões “dente de alho”, “pé de alface” e “cabeça de repolho”, empregadas na tirinha acima, remetem à seguinte figura de linguagem:
I. A recorrência da morte de personagens e instituições reforça a ideia de transitoriedade da vida e da memória cultural.
II. A noção de “imortalidade” é tratada de modo irônico, especialmente no contexto das academias e do desejo de consagração literária.
III. O narrador assume postura distanciada e impessoal, evitando envolver-se emocionalmente com os episódios narrados.
IV. A crônica sugere que falar mal pode funcionar como mecanismo de sociabilidade e de afirmação de laços afetivos.
Assinale a alternativa que indica a(s) afirmativa(s) CORRETA(S):