Questões de Concurso
Comentadas sobre interpretação de textos em português
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Leia o texto a seguir para responder à questão:
EDITAL IFSP Nº 100, DE 05 DE MAIO DE 2025
1. DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
1.1. O planejamento e a coordenação deste processo seletivo estão sob a responsabilidade do IFSP, por intermédio da Diretoria de Gestão Acadêmica e Processos Seletivos (DGAP).
1.2. É obrigatório ao candidato, ao seu responsável (pai, mãe, curador ou tutor) ou representante legal, tomar conhecimento de todas as normas e procedimentos indicados neste Edital e nas demais publicações pertinentes, sendo que a inscrição implicará a aceitação das normas definidas, sobre as quais não poderá alegar desconhecimento.
1.3. O Vestibular Enem, objeto deste edital, para ingresso no segundo semestre de 2025, nos Cursos Superiores de Graduação ofertados neste edital, utilizará para classificação dos candidatos, exclusivamente, as notas obtidas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), edições de 2009 a 2024, tendo em vista que o Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) adota, na elaboração das provas, a teoria de resposta ao item (TRI), baseada no conjunto de modelos matemáticos que permite que os exames tenham o mesmo grau de dificuldade.
1.4. Os Resultados das Edições do Enem estão disponíveis na Página do Participante, no endereço eletrônico: https://www.gov.br/inep/pt-br/areas--de-atuacao/avaliacao-e-exames-educacionais/ enem/resultados/boletins-individuais-de-resultado
1.5. Somente poderão concorrer ao Vestibular Enem IFSP 02/2025, os candidatos que tiveram sua participação confirmada em uma das edições do Enem consideradas no item 1.3., e que não tenham sido eliminados em alguma das provas ou obtido nota zero (0,00) na redação.
1.6. Não caberão recursos contra o IFSP no que se refere às provas do Enem, considerando que sua responsabilidade recai unicamente sobre o Ministério da Educação.
Disponível em: https://processoseletivo.ifsp.edu.br/ media/public/7/7qunqhbvvmq87xbumwwc6losy/c0/ c0uicsqudzokjbasw632jbs2i.pdf. Acesso em: 08 nov. 2025
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Nem impostoras, nem rainhas solitárias
Mulheres negras que chegam ao cargos de liderança não são impostoras. Temos bagagem, entrega, preparo e, principalmente, as competências que o mundo do trabalho mais valoriza
A mulher negra que chega à liderança carrega mais do que seu crachá. Ela traz consigo a força de uma ancestralidade que resistiu ao peso de uma estrutura que insiste em negá-la e, muitas vezes, uma dúvida que sussurra: “Será que eu mereço estar aqui?” Esse sussurro tem nome: síndrome da impostora. E, embora a psicologia a descreva como um sentimento de inadequação, entre nós, mulheres negras, ela ganha contornos ainda mais profundos porque a sociedade, de forma direta, individualizada, recorrente e sistêmica, vive a pro clamar que não somos nem fazemos o suficiente.
Essa sensação de desencaixe tem um outro lado, quase que um lado oposto, no qual a mulher negra que “chegou lá” não se questiona, mas também não se incomoda de ser a única. Aparece, então, a síndrome da abelha rainha — aquela que chegou lá, senta sozinha no trono e, muitas vezes, reproduz a lógica excludente para manter sua posição. O isolamento no topo não é só emocional, é estrutural, e traz consequências. Quando a mulher negra que ascende não olha para o lado, não cria pontes nem redes, ela perde a chance de fazer o que nossas “mais velhas” sempre fizeram: cuidar, dividir e multiplicar. E é justamente por isso que estamos aqui.
Esses fenômenos não nascem do nada. São efeitos de vieses inconscientes, presentes nos processos seletivos, nas promoções concorridas, nas reuniões em que falamos e não somos ouvi das. Estudos mostraram que, mesmo quando mulheres negras possuem as competências exigidas, elas são vistas como “potenciais em desenvolvi mento”, enquanto colegas brancos são tratados como “talentos promissores”. A régua nunca é a mesma.
Mas aqui vai um lembrete importante: nós não somos impostoras. Temos bagagem, entrega, preparo e, principalmente, as competências que o mundo do trabalho mais valoriza hoje: empatia, escuta ativa, colaboração, resiliência. Muitas de nós aprendemos isso fora das salas de MBA, no chão de fábrica da vida, na gestão de famílias, de comunidades, de nós mesmas. Somos líderes porque desenvolvemos essas habilidades na prática, nos diversos processos sociais de que participamos — sem crachá, mas com muita potência.
(...)
Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/ opiniao/2025/11/7287978-nem-impostoras-nem-rainhas solitarias.html. Acesso em: 08 nov. 2025. (FRAGMENTO)
Assinale a opção em que o vocábulo destacado acima foi substituido sem alteração de sentido.
Contextualmente, a palavra destacada no trecho acima tem como sinônimo:
O termo sublinhado, no contexto, significa:
Leia o texto para responder à questão.
Um país de escolas inseguras não tem futuro
Quem reconhece que a educação é a base de tudo, na
certeza de que tal premissa vai muito além de um mantra superficial sem amparo
na realidade, sabe que a instituição escolar, se boa e bem estruturada, é a
garantia mínima de acesso a chances reais para cada indivíduo e, em
consequência, para o Brasil. A escola é o locus da formação
intelectual e social de crianças e adolescentes, imprescindível para formar uma
nação desenvolvida, digna e sustentável. Sendo assim, imagine-se o que
significa para o Brasil quando grande parte dos jovens estudantes enxerga a
escola não como um ambiente de aprendizado, convívio, respeito, valorização e
crescimento pessoal, e sim um lugar de incerteza e insegurança. É uma tragédia
silenciosa e inconcebível.
Pois sabe-se agora, graças a uma pesquisa realizada
pelo Ministério da Educação (MEC), que quase metade dos alunos do 8º e do 9º
ano do ensino fundamental da rede pública diz não encontrar um ambiente seguro
na escola. Conforme avança a idade dos estudantes, reduz-se a percepção de que
a escola é um espaço de aprendizado, acolhimento, socialização e participação.
Há duas frentes centrais de preocupação inspiradas
pelos números dessa pesquisa: primeiro, a ideia de uma escola segura stricto
sensu, visão em grande medida maculada por contextos de violência
(doméstica ou na comunidade escolar), bullying, discriminação,
gravidez precoce, falta de vagas, problemas de transporte e questões de saúde;
segundo, o tipo de escola pública, por vezes desinteressante, que estamos
oferecendo aos nossos adolescentes.
O Brasil universalizou o ensino fundamental só nos
anos 1990, desde então continua a expandir lentamente a educação na pré-escola
e no ensino médio, e não só patina no freio à evasão escolar como ainda está a
anos-luz do que seria o ideal para ofertar uma escola atraente para a formação
de um adolescente. Isso passa por currículos atualizados, estrutura adequada,
qualidade dos serviços prestados e cumprimento mais pleno dos objetivos de
desenvolvimento e aprendizado. Convém sublinhar que a necessidade de adequar
melhor a escola aos novos contextos de vida dos jovens estudantes não significa
fazer concessões a modismos pedagógicos e políticas demagógicas, e sim ajustar
currículos e práticas escolares e tornar os gastos no setor mais produtivos,
mediante aprimoramento da formação de professores.
A pesquisa ilustra outros caminhos, como convivência,
inovação e participação dos alunos. É eloquente, por exemplo, o reconhecimento
do papel das disciplinas tradicionais para ajudá-los no desenvolvimento para a
vida. Mas, antes de tudo, é um convite à ação, num país onde um a cada cinco
jovens não conclui a educação básica, para que cuidemos melhor desse momento
tão difícil de transição da infância para a adolescência.
(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 15.09.2025. Adaptado)
SOLO DE CLARINETA
Lembro-me de que certa noite – eu teria uns quatorze anos, quando muito – encarregaram-me de segurar uma lâmpada elétrica à cabeceira da mesa de operações, enquanto um médico fazia os primeiros curativos num pobre-diabo que soldados da Polícia Municipal haviam carneado. (…) Apesar do horror e da náusea, continuei firme onde estava, talvez pensando assim: se esse caboclo pode aguentar tudo isso sem gemer, por que não hei de poder ficar segurando esta lâmpada para ajudar o doutor a costurar esses talhos e salvar essa vida?
Desde que, adulto, comecei a escrever romances, tem-me animado até hoje a ideia de que o menos que o escritor pode fazer, numa época de atrocidades e injustiças como a nossa, é acender a sua lâmpada, fazer luz sobre a realidade de seu mundo, evitando que sobre ele caia a escuridão, propícia aos ladrões, aos assassinos e aos tiranos. Sim, segurar a lâmpada, a despeito da náusea e do horror. Se não tivermos uma lâmpada elétrica, acendamos o nosso toco de vela ou, em último caso, risquemos fósforos repetidamente, como um sinal de que não desertamos nosso posto.
Érico Veríssimo. Solo de Clarineta. Tomo I. Porto Alegre: Globo, 1978.
I. “Lembro-me de que certa noite – eu teria uns quatorze anos, quando muito – encarregaram-me de segurar uma lâmpada elétrica à cabeceira da mesa de operações [...]”
II. “[...] o menos que o escritor pode fazer, numa época de atrocidades e injustiças como a nossa, é acender a sua lâmpada, fazer luz sobre a realidade de seu mundo [...]”