Questões de Concurso Comentadas sobre interpretação de textos em português

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Ano: 2022 Banca: MetroCapital Soluções Órgão: Prefeitura de Nova Odessa - SP Provas: MetroCapital Soluções - 2022 - Prefeitura de Nova Odessa - SP - Contador | MetroCapital Soluções - 2022 - Prefeitura de Nova Odessa - SP - Analista de Sistemas | MetroCapital Soluções - 2022 - Prefeitura de Nova Odessa - SP - Arquiteto | MetroCapital Soluções - 2022 - Prefeitura de Nova Odessa - SP - Bibliotecário | MetroCapital Soluções - 2022 - Prefeitura de Nova Odessa - SP - Biólogo | MetroCapital Soluções - 2022 - Prefeitura de Nova Odessa - SP - Médico do Trabalho | MetroCapital Soluções - 2022 - Prefeitura de Nova Odessa - SP - Assistente Social | MetroCapital Soluções - 2022 - Prefeitura de Nova Odessa - SP - Coordenador do CRAS | MetroCapital Soluções - 2022 - Prefeitura de Nova Odessa - SP - Médico Ginecologista Mensalista | MetroCapital Soluções - 2022 - Prefeitura de Nova Odessa - SP - Cirurgião Dentista da Família | MetroCapital Soluções - 2022 - Prefeitura de Nova Odessa - SP - Enfermeiro | MetroCapital Soluções - 2022 - Prefeitura de Nova Odessa - SP - Fonoaudiólogo | MetroCapital Soluções - 2022 - Prefeitura de Nova Odessa - SP - Médico Clínico Geral Plantonista | MetroCapital Soluções - 2022 - Prefeitura de Nova Odessa - SP - Médico Neurologista Mensalista | MetroCapital Soluções - 2022 - Prefeitura de Nova Odessa - SP - Médico Pediatra Mensalista | MetroCapital Soluções - 2022 - Prefeitura de Nova Odessa - SP - Nutricionista | MetroCapital Soluções - 2022 - Prefeitura de Nova Odessa - SP - Terapeuta Ocupacional |
Q1928840 Português
O que você fez com o seu primeiro salário?
A resposta para essa pergunta carrega sinais das motivações que cada um de nós tem para trabalhar – ou pelo menos tinha no começo da carreira. 
João Branco 11 de fevereiro de 2022 Atualizado há 2 meses

   Com quantos anos você começou a trabalhar? Você se lembra como foi o seu primeiro dia? Eu guardo muito bem as memórias do meu: nesse dia, o jovem Joãozinho acordou mais cedo que o normal, colocou uma “roupa mais séria” e se preparou para ir descobrir o que era esse mundo dos adultos independentes. Quando cheguei na cozinha, minha mãe e meu saudoso pai estavam me esperando com um sorriso no rosto. Ele me disse: “Parabéns filho, você está começando para nunca mais parar”. Ouvir isso me deu uma mistura de sensações. Foi como comer melancia com sal. Um emaranhado de alegria e medo. Isso parecia ser um elogio, mas ao mesmo tempo um alerta. De certa forma, ele estava certo. O trabalho é mesmo essa mistura. Ao mesmo tempo em que ele nos traz a satisfação de conquistar o sustento, ele nos desgasta. É uma rotina espinhenta.
  Mas, no meio dessa jornada, há um dia que sempre traz boas notícias: o dia do pagamento. Para alguns, ele acontece na data combinada. Para outros, depende do dia em que o cliente deposita. E ainda há os que têm que esperar mais do que deveriam. Mas o momento em que finalmente seu serviço foi remunerado provoca boas sensações. Não apenas a alegria de ver uma “chuva na sua horta”, mas também um sentimento de “hoje estou podendo”. Você se recorda quando isso aconteceu pela primeira vez? Como você se sentiu?
  Lembro claramente da minha reação quando alguns reais foram depositados e estrearam a minha conta bancária. Fiz algo que sempre quis, mas nunca tinha conseguido: comprei um “engradado” de Yakult e tomei inteirinho, sozinho, de uma vez. Engraçado, não? Mas também fiz algo para agradecer a Deus pelo meu emprego. E você, o que fez com o seu primeiro salário? Já ouvi histórias incríveis sobre isso. Entre coisas divertidas e emocionantes, percebi que essa resposta também carrega sinais das motivações que cada um de nós tem para trabalhar – ou pelo menos as que tínhamos no começo da carreira.
    Com o passar dos anos, nossa relação com o “ganhar dinheiro” vai se aprofundando. Para algumas pessoas, o salário se transforma em uma dose de algo viciante que entra direto na veia todo mês e provoca um forte instinto de “quero mais”. No outro extremo estão as pessoas que só reparam nas finanças quando o extrato bancário está no vermelho. Há os que querem ficar milionários antes dos 30 anos e os que só se lembram de se preocupar com o patrimônio quando estão pensando em aposentadoria. E, entre eles, milhares de diferentes relações com os cifrões.
    Saber interagir de maneira saudável com as suas receitas financeiras é um desafio. Talvez por isso esse seja um dos assuntos mais abordados nos canais do Youtube, nos livros mais vendidos do Brasil e até na Bíblia – que registra um grande conselho: “Quem ama o dinheiro jamais terá o suficiente; quem ama as riquezas jamais ficará satisfeito com os seus rendimentos”.
    Dinheiro não é por si só uma coisa ruim e eu desejo que você consiga ganhar bastante. Mas desejo ainda mais que você tenha uma porção de dias mais felizes do que o dia do pagamento ao longo da sua jornada. Como diria Dorothy L. Sayers: “o trabalho não é o que se faz para viver, mas o que se vive para fazer”. Do primeiro ao último salário.

João Branco é CMO do McDonald’s. linkedin.com/in/falajoaobranco / Instagram @falajoaobranco

BRANCO, João. O que você fez com o seu primeiro
salário? Forbes Brasil, 11 de fevereiro de 2022. Colunas. Disponível em:
https://forbes.com.br/colunas/2022/02/joao-branco-o
que-voce-fez-com-o-seu-primeiro-salario/.
Para explicar o que a fala do pai causou em si, no trecho “Foi como comer melancia com sal. Um emaranhado de alegria e medo. Isso parecia ser um elogio, mas ao mesmo tempo um alerta.” (1º parágrafo), o autor se vale de
Alternativas
Ano: 2022 Banca: MetroCapital Soluções Órgão: Prefeitura de Nova Odessa - SP Provas: MetroCapital Soluções - 2022 - Prefeitura de Nova Odessa - SP - Contador | MetroCapital Soluções - 2022 - Prefeitura de Nova Odessa - SP - Analista de Sistemas | MetroCapital Soluções - 2022 - Prefeitura de Nova Odessa - SP - Arquiteto | MetroCapital Soluções - 2022 - Prefeitura de Nova Odessa - SP - Bibliotecário | MetroCapital Soluções - 2022 - Prefeitura de Nova Odessa - SP - Biólogo | MetroCapital Soluções - 2022 - Prefeitura de Nova Odessa - SP - Médico do Trabalho | MetroCapital Soluções - 2022 - Prefeitura de Nova Odessa - SP - Assistente Social | MetroCapital Soluções - 2022 - Prefeitura de Nova Odessa - SP - Coordenador do CRAS | MetroCapital Soluções - 2022 - Prefeitura de Nova Odessa - SP - Médico Ginecologista Mensalista | MetroCapital Soluções - 2022 - Prefeitura de Nova Odessa - SP - Cirurgião Dentista da Família | MetroCapital Soluções - 2022 - Prefeitura de Nova Odessa - SP - Enfermeiro | MetroCapital Soluções - 2022 - Prefeitura de Nova Odessa - SP - Fonoaudiólogo | MetroCapital Soluções - 2022 - Prefeitura de Nova Odessa - SP - Médico Clínico Geral Plantonista | MetroCapital Soluções - 2022 - Prefeitura de Nova Odessa - SP - Médico Neurologista Mensalista | MetroCapital Soluções - 2022 - Prefeitura de Nova Odessa - SP - Médico Pediatra Mensalista | MetroCapital Soluções - 2022 - Prefeitura de Nova Odessa - SP - Nutricionista | MetroCapital Soluções - 2022 - Prefeitura de Nova Odessa - SP - Terapeuta Ocupacional |
Q1928839 Português
O que você fez com o seu primeiro salário?
A resposta para essa pergunta carrega sinais das motivações que cada um de nós tem para trabalhar – ou pelo menos tinha no começo da carreira. 
João Branco 11 de fevereiro de 2022 Atualizado há 2 meses

   Com quantos anos você começou a trabalhar? Você se lembra como foi o seu primeiro dia? Eu guardo muito bem as memórias do meu: nesse dia, o jovem Joãozinho acordou mais cedo que o normal, colocou uma “roupa mais séria” e se preparou para ir descobrir o que era esse mundo dos adultos independentes. Quando cheguei na cozinha, minha mãe e meu saudoso pai estavam me esperando com um sorriso no rosto. Ele me disse: “Parabéns filho, você está começando para nunca mais parar”. Ouvir isso me deu uma mistura de sensações. Foi como comer melancia com sal. Um emaranhado de alegria e medo. Isso parecia ser um elogio, mas ao mesmo tempo um alerta. De certa forma, ele estava certo. O trabalho é mesmo essa mistura. Ao mesmo tempo em que ele nos traz a satisfação de conquistar o sustento, ele nos desgasta. É uma rotina espinhenta.
  Mas, no meio dessa jornada, há um dia que sempre traz boas notícias: o dia do pagamento. Para alguns, ele acontece na data combinada. Para outros, depende do dia em que o cliente deposita. E ainda há os que têm que esperar mais do que deveriam. Mas o momento em que finalmente seu serviço foi remunerado provoca boas sensações. Não apenas a alegria de ver uma “chuva na sua horta”, mas também um sentimento de “hoje estou podendo”. Você se recorda quando isso aconteceu pela primeira vez? Como você se sentiu?
  Lembro claramente da minha reação quando alguns reais foram depositados e estrearam a minha conta bancária. Fiz algo que sempre quis, mas nunca tinha conseguido: comprei um “engradado” de Yakult e tomei inteirinho, sozinho, de uma vez. Engraçado, não? Mas também fiz algo para agradecer a Deus pelo meu emprego. E você, o que fez com o seu primeiro salário? Já ouvi histórias incríveis sobre isso. Entre coisas divertidas e emocionantes, percebi que essa resposta também carrega sinais das motivações que cada um de nós tem para trabalhar – ou pelo menos as que tínhamos no começo da carreira.
    Com o passar dos anos, nossa relação com o “ganhar dinheiro” vai se aprofundando. Para algumas pessoas, o salário se transforma em uma dose de algo viciante que entra direto na veia todo mês e provoca um forte instinto de “quero mais”. No outro extremo estão as pessoas que só reparam nas finanças quando o extrato bancário está no vermelho. Há os que querem ficar milionários antes dos 30 anos e os que só se lembram de se preocupar com o patrimônio quando estão pensando em aposentadoria. E, entre eles, milhares de diferentes relações com os cifrões.
    Saber interagir de maneira saudável com as suas receitas financeiras é um desafio. Talvez por isso esse seja um dos assuntos mais abordados nos canais do Youtube, nos livros mais vendidos do Brasil e até na Bíblia – que registra um grande conselho: “Quem ama o dinheiro jamais terá o suficiente; quem ama as riquezas jamais ficará satisfeito com os seus rendimentos”.
    Dinheiro não é por si só uma coisa ruim e eu desejo que você consiga ganhar bastante. Mas desejo ainda mais que você tenha uma porção de dias mais felizes do que o dia do pagamento ao longo da sua jornada. Como diria Dorothy L. Sayers: “o trabalho não é o que se faz para viver, mas o que se vive para fazer”. Do primeiro ao último salário.

João Branco é CMO do McDonald’s. linkedin.com/in/falajoaobranco / Instagram @falajoaobranco

BRANCO, João. O que você fez com o seu primeiro
salário? Forbes Brasil, 11 de fevereiro de 2022. Colunas. Disponível em:
https://forbes.com.br/colunas/2022/02/joao-branco-o
que-voce-fez-com-o-seu-primeiro-salario/.
Nesse texto, o articulista
Alternativas
Q1928808 Português

Use o parágrafo, abaixo, para responder à questão.


No que se refere aos estudos sobre o conceito de campo, Michel Paty observa que o fato de Einstein não compartilhar de uma "visão eletromagnética do mundo" pode ter sido importante para a crítica que vai operar na construção da teoria da relatividade. Na verdade, Einstein considerava que tanto a teoria eletromagnética quanto a mecânica clássica não eram absolutas e definitivas. A conclusão de Paty é clara: "a insatisfação com referência à teoria eletromagnética de então foi o ponto de partida do raciocínio de Einstein". Gostaríamos, no entanto, de nossa parte, de observar que na medida em que as equações exprimissem domínios bem estabelecidos de fenômenos da natureza, elas seriam um ponto de partida sólido para as futuras reformulações teóricas, como Einstein deixa claro em suas Notas autobiográficas em relação à transição da mecânica newtoniana à relatividade geral.


Fonte adaptada:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678- 31662005000400013#:~:text=No%20que%20se%20refere%20aos,constru%C 3%A7%C3%A3o%20da%20teoria%20da%20relatividade

A expressão “No que se refere a” assume sentido e estrutura equivalente a:
Alternativas
Q1928806 Português

Use o texto para responder à questão.

Vieses Ideológicos O vocábulo ideologia é um dos mais complexos em ciências sociais. Foi criado e apresentado por Destutt de Tracy em seu livro Eléments d’Idéologie, publicado em 1801. Tracy tinha a pretensão de elaborar uma ciência da gênese das ideias. Porém, no decorrer do tempo, o vocábulo adquiriu significados os mais diversos, particularmente, no contexto do pensamento sociológico. Aparece na literatura como expressão das ideias de uma época ou como o conjunto da elaboração teórica dos pensadores de um dado período histórico (Augusto Comte); como preconceitos ou pré-noções subjetivas (Emile Durkeim); como expressão de sistemas de crenças (Vilfredo Pareto) ou como falsa consciência das condições materiais de existência e de domínio entre as classes sociais (Karl Marx). Além desses significados, o conceito também adquiriu o sentido de representação da sociedade, base de orientação de programas políticos e, não raras as vezes, é tomado como sinônimo de cosmovisão (visão de mundo). O debate em torno do conceito, portanto, não é trivial. Ao mencionarmos a expressão vieses ideológicos, pressupomos a ideologia como uma forma de justificação de valores, que pode fundamentar não só posições sociais, mas, sobretudo, discursos. Nesse caso, a ideia reporta-se a outra – à impossibilidade da plena neutralidade -, condição que cabe inclusive ao discurso científico.

Fonte:

https://repositorio.enap.gov.br/bitstream/1/2260/1/1.%20Apostila%20- %20M%C3%B3dulo%201%20- %20Administra%C3%A7%C3%A3o%20P%C3%BAblica.pdf 

No relato textual, lê-se que o termo ideologia “é tomado como sinônimo de cosmovisão”, logo, é correto afirmar que o termo é tomado como:
Alternativas
Q1928805 Português

Use o texto para responder à questão.

Vieses Ideológicos O vocábulo ideologia é um dos mais complexos em ciências sociais. Foi criado e apresentado por Destutt de Tracy em seu livro Eléments d’Idéologie, publicado em 1801. Tracy tinha a pretensão de elaborar uma ciência da gênese das ideias. Porém, no decorrer do tempo, o vocábulo adquiriu significados os mais diversos, particularmente, no contexto do pensamento sociológico. Aparece na literatura como expressão das ideias de uma época ou como o conjunto da elaboração teórica dos pensadores de um dado período histórico (Augusto Comte); como preconceitos ou pré-noções subjetivas (Emile Durkeim); como expressão de sistemas de crenças (Vilfredo Pareto) ou como falsa consciência das condições materiais de existência e de domínio entre as classes sociais (Karl Marx). Além desses significados, o conceito também adquiriu o sentido de representação da sociedade, base de orientação de programas políticos e, não raras as vezes, é tomado como sinônimo de cosmovisão (visão de mundo). O debate em torno do conceito, portanto, não é trivial. Ao mencionarmos a expressão vieses ideológicos, pressupomos a ideologia como uma forma de justificação de valores, que pode fundamentar não só posições sociais, mas, sobretudo, discursos. Nesse caso, a ideia reporta-se a outra – à impossibilidade da plena neutralidade -, condição que cabe inclusive ao discurso científico.

Fonte:

https://repositorio.enap.gov.br/bitstream/1/2260/1/1.%20Apostila%20- %20M%C3%B3dulo%201%20- %20Administra%C3%A7%C3%A3o%20P%C3%BAblica.pdf 

Emile Durkeim é associada a qual dos pressupostos de ideologia, abaixo?
Alternativas
Q1928766 Português


Dez minutos de idade


Fernando Sabino


        A enfermeira surgida de uma porta me impôs silêncio com o dedo junto aos lábios e mandou-me entrar. Estava nascendo! Era um menino.


        Nem bonito nem feio; tem boca, orelhas, sexo e nariz no seu devido lugar, cinco dedos em cada mão e em cada pé. Realizou a grande temeridade de nascer, e saiu-se bem da empreitada. Já enfrentou dez minutos de vida. Ainda traz consigo, nos olhinhos esgazeados, um resto de eternidade.


        Portanto, alegremo-nos. A vida também não é bonita nem feia. Tem bocas que murmuram preces, orelhas sábias no escutar, sexos que se contentam, perfumes vários para o nariz, mãos que se apertam, dedos que acariciam, múltiplos caminhos para os pés. É verdade que algumas palavras, melhor fora nunca dizê-las, outras nunca escutá-las. Olhos há que procuram ver o que não podem, alguns narizes se metem onde não devem. Há muito prazer insatisfeito, muito desejo vão. Mãos que se fecham. Pés que se atropelam. Mas o simples ato de nascer já pressupõe tudo isso, o primeiro ar que se respira já contém as impurezas do mundo. O primeiro vagido é um desafio. A vida aceitou um novo corpo e o batismo vai traçar-lhe um destino. A luta se inicia: mais um que será salvo. Portanto, alegremo-nos.


        Menino sem nome ainda, não te prometo nada. Não sei se terás infância: brinquedos, quintal, monte de areia, fruta verde, casca de árvore, passarinho, porão de fantasmas, formigas em fila, beira de rio, galinha no choco, caco de vidro, pé machucado. O mundo de hoje, tal como o estou vendo da janela do meu apartamento, desconfio que te reserva para a infância um miraculoso aparelho eletrocosmogônico de brincar. Ou apenas uma eterna garrafa de Coca-Cola e um delicioso Chicabon.


        Aceita, menino, esses inofensivos divertimentos. Leva-os a sério, com toda aquela seriedade grave da infância, chupa o Chicabon, bebe a Coca-Cola, desmonta e torna a montar a miraculosa máquina de brincar de nosso século que a imaginação de teu pai jamais poderia sequer conceber. Impõe a essas coisas e a essa vida que te oferecerão como infância a sofreguidão da tua boca, a ousadia de teus olhos e a força de tuas mãos. Imprime a tudo que tocares a alegria que me deste por nasceres. Qualquer que seja tua infância, conquista-a, que te abençoo. Dela te nascerá uma convicção. Conquista-a também – e vá viver, em meu nome. Nada te posso dar senão um nome.


        Nada te posso dar. No teu primeiro instante de vida minha estrela não se apagou. Partiu-se em duas e lá no alto uma delas te espera, será tua. Nada te posso dar senão um nome e esta estrela. Se acreditares em estrela, vai buscá-la. 



SABINO, Fernando. Dez minutos de idade. In: A mulher do vizinho. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1962. p. 216-218.

Disponível em:

https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/13156/dez-minutos-de-idade. Acesso em: 08 abr. 2022.

O tema dessa crônica pode ser resumido da seguinte forma:
Alternativas
Q1928765 Português


Dez minutos de idade


Fernando Sabino


        A enfermeira surgida de uma porta me impôs silêncio com o dedo junto aos lábios e mandou-me entrar. Estava nascendo! Era um menino.


        Nem bonito nem feio; tem boca, orelhas, sexo e nariz no seu devido lugar, cinco dedos em cada mão e em cada pé. Realizou a grande temeridade de nascer, e saiu-se bem da empreitada. Já enfrentou dez minutos de vida. Ainda traz consigo, nos olhinhos esgazeados, um resto de eternidade.


        Portanto, alegremo-nos. A vida também não é bonita nem feia. Tem bocas que murmuram preces, orelhas sábias no escutar, sexos que se contentam, perfumes vários para o nariz, mãos que se apertam, dedos que acariciam, múltiplos caminhos para os pés. É verdade que algumas palavras, melhor fora nunca dizê-las, outras nunca escutá-las. Olhos há que procuram ver o que não podem, alguns narizes se metem onde não devem. Há muito prazer insatisfeito, muito desejo vão. Mãos que se fecham. Pés que se atropelam. Mas o simples ato de nascer já pressupõe tudo isso, o primeiro ar que se respira já contém as impurezas do mundo. O primeiro vagido é um desafio. A vida aceitou um novo corpo e o batismo vai traçar-lhe um destino. A luta se inicia: mais um que será salvo. Portanto, alegremo-nos.


        Menino sem nome ainda, não te prometo nada. Não sei se terás infância: brinquedos, quintal, monte de areia, fruta verde, casca de árvore, passarinho, porão de fantasmas, formigas em fila, beira de rio, galinha no choco, caco de vidro, pé machucado. O mundo de hoje, tal como o estou vendo da janela do meu apartamento, desconfio que te reserva para a infância um miraculoso aparelho eletrocosmogônico de brincar. Ou apenas uma eterna garrafa de Coca-Cola e um delicioso Chicabon.


        Aceita, menino, esses inofensivos divertimentos. Leva-os a sério, com toda aquela seriedade grave da infância, chupa o Chicabon, bebe a Coca-Cola, desmonta e torna a montar a miraculosa máquina de brincar de nosso século que a imaginação de teu pai jamais poderia sequer conceber. Impõe a essas coisas e a essa vida que te oferecerão como infância a sofreguidão da tua boca, a ousadia de teus olhos e a força de tuas mãos. Imprime a tudo que tocares a alegria que me deste por nasceres. Qualquer que seja tua infância, conquista-a, que te abençoo. Dela te nascerá uma convicção. Conquista-a também – e vá viver, em meu nome. Nada te posso dar senão um nome.


        Nada te posso dar. No teu primeiro instante de vida minha estrela não se apagou. Partiu-se em duas e lá no alto uma delas te espera, será tua. Nada te posso dar senão um nome e esta estrela. Se acreditares em estrela, vai buscá-la. 



SABINO, Fernando. Dez minutos de idade. In: A mulher do vizinho. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1962. p. 216-218.

Disponível em:

https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/13156/dez-minutos-de-idade. Acesso em: 08 abr. 2022.

No terceiro parágrafo do texto, a vida é descrita pelo cronista como 
Alternativas
Q1928764 Português


Dez minutos de idade


Fernando Sabino


        A enfermeira surgida de uma porta me impôs silêncio com o dedo junto aos lábios e mandou-me entrar. Estava nascendo! Era um menino.


        Nem bonito nem feio; tem boca, orelhas, sexo e nariz no seu devido lugar, cinco dedos em cada mão e em cada pé. Realizou a grande temeridade de nascer, e saiu-se bem da empreitada. Já enfrentou dez minutos de vida. Ainda traz consigo, nos olhinhos esgazeados, um resto de eternidade.


        Portanto, alegremo-nos. A vida também não é bonita nem feia. Tem bocas que murmuram preces, orelhas sábias no escutar, sexos que se contentam, perfumes vários para o nariz, mãos que se apertam, dedos que acariciam, múltiplos caminhos para os pés. É verdade que algumas palavras, melhor fora nunca dizê-las, outras nunca escutá-las. Olhos há que procuram ver o que não podem, alguns narizes se metem onde não devem. Há muito prazer insatisfeito, muito desejo vão. Mãos que se fecham. Pés que se atropelam. Mas o simples ato de nascer já pressupõe tudo isso, o primeiro ar que se respira já contém as impurezas do mundo. O primeiro vagido é um desafio. A vida aceitou um novo corpo e o batismo vai traçar-lhe um destino. A luta se inicia: mais um que será salvo. Portanto, alegremo-nos.


        Menino sem nome ainda, não te prometo nada. Não sei se terás infância: brinquedos, quintal, monte de areia, fruta verde, casca de árvore, passarinho, porão de fantasmas, formigas em fila, beira de rio, galinha no choco, caco de vidro, pé machucado. O mundo de hoje, tal como o estou vendo da janela do meu apartamento, desconfio que te reserva para a infância um miraculoso aparelho eletrocosmogônico de brincar. Ou apenas uma eterna garrafa de Coca-Cola e um delicioso Chicabon.


        Aceita, menino, esses inofensivos divertimentos. Leva-os a sério, com toda aquela seriedade grave da infância, chupa o Chicabon, bebe a Coca-Cola, desmonta e torna a montar a miraculosa máquina de brincar de nosso século que a imaginação de teu pai jamais poderia sequer conceber. Impõe a essas coisas e a essa vida que te oferecerão como infância a sofreguidão da tua boca, a ousadia de teus olhos e a força de tuas mãos. Imprime a tudo que tocares a alegria que me deste por nasceres. Qualquer que seja tua infância, conquista-a, que te abençoo. Dela te nascerá uma convicção. Conquista-a também – e vá viver, em meu nome. Nada te posso dar senão um nome.


        Nada te posso dar. No teu primeiro instante de vida minha estrela não se apagou. Partiu-se em duas e lá no alto uma delas te espera, será tua. Nada te posso dar senão um nome e esta estrela. Se acreditares em estrela, vai buscá-la. 



SABINO, Fernando. Dez minutos de idade. In: A mulher do vizinho. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1962. p. 216-218.

Disponível em:

https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/13156/dez-minutos-de-idade. Acesso em: 08 abr. 2022.

Nessa crônica, nota-se que a paternidade é encarada pelo autor com
Alternativas
Q1928502 Português

Leia atentamente o texto a seguir e responda à questão.


O que se sabe sobre casos suspeitos de varíola dos macacos no Brasil




 


(https://www.msn.com/pt-br/saude/medicina/o-que-se-sabe-sobre-casossuspeitos-de-var%

c3%adola-dos-macacos-no-brasil/ar-AAXTh9L?ocid=msedgntp. 30/5/22)

“Eu não acredito nisso, mas nada é impossível...” (L.60)


Em relação ao termo grifado no período acima, é correto afirmar que ele desempenha função

Alternativas
Q1928453 Português
“A fórmula da estabilidade democrática europeia está no equilíbrio em torno de duas grandes forças políticas: de um lado, os social-democratas e, de outro, os liberais”.
Esse segmento serve de introdução a um texto jornalístico; nesse caso, a introdução segue o modelo de uma: 
Alternativas
Q1928452 Português
Nas opções abaixo, há comparações entre dois elementos; a opção em que o fator de comparação entre esses elementos está corretamente identificado, é:
Alternativas
Q1928451 Português
O pensamento abaixo que mostra a presença de palavras sublinhadas de sentido oposto, é:
Alternativas
Q1928449 Português
Entre as opções abaixo, aquela que exemplifica o tipo de texto argumentativo, é:
Alternativas
Q1928446 Português
Um leitor observou num jornal a seguinte frase:
“Brasil está importando computadores moderníssimos”. Dessa frase, o leitor elaborou mentalmente uma série de deduções ou inferências; a opção que mostra uma inferência logicamente impossível, é:
Alternativas
Q1928445 Português
Num samba popular de Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho há uma descrição da favela da Mangueira, nos seguintes versos:
“Vista assim do alto Mais parece o céu no chão”
Sobre esse pequeno texto, é correto afirmar que:
Alternativas
Q1928444 Português
Observe o seguinte texto descritivo:
“Olhou o objeto por trás da cadeira que estava diante dele. Contornou-a e aproximou-se da mesa. Cuidadosamente, pegou o pequeno pássaro esculpido em madeira e, voltando para a cadeira, girou-o entre os dedos, examinando a pequena base pintada de azul”.
A técnica descritiva empregada nesse texto, é:
Alternativas
Q1928442 Português
Observe o trecho inicial do romance Dom Casmurro:
Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei no trem da Central um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu. Cumprimentou-me, sentou-se ao pé de mim, falou da Lua e dos ministros, e acabou recitando-me versos. A viagem era curta, e os versos pode ser que não fossem inteiramente maus. Sucedeu, porém, que, como eu estava cansado, fechei os olhos três ou quatro vezes; tanto bastou para que ele interrompesse a leitura e metesse os versos no bolso. — Continue, disse eu acordando. — Já acabei, murmurou ele. — São muito bonitos. Vi-lhe fazer um gesto para tirá-los outra vez do bolso, mas não passou do gesto; estava amuado. No dia seguinte entrou a dizer de mim nomes feios, e acabou alcunhando-me Dom Casmurro”.

Como sabemos, a narração é caracterizada basicamente pela sucessão cronológica de ações ou acontecimentos e essa passagem de tempo é obtida por meio de vários fatores; a opção abaixo em que o fator indicado está exemplificado adequadamente, é: 
Alternativas
Q1928441 Português
A opção abaixo em que uma expressão popular foi substituída inadequadamente por linguagem formal, é:
Alternativas
Q1928440 Português
A frase abaixo que contém marcas do enunciador, é:
Alternativas
Q1928439 Português
Observe o início do seguinte texto narrativo:
“Um homem tinha uma fazenda perto de um rio, mas essa proximidade nunca havia trazido problema. Certo dia o rio começou a crescer e ele percebeu que sua fazenda ia ficar submersa”.
A frase que inicia propriamente a narração, é:
Alternativas
Respostas
43641: A
43642: B
43643: A
43644: B
43645: C
43646: A
43647: B
43648: E
43649: A
43650: B
43651: A
43652: D
43653: D
43654: A
43655: C
43656: B
43657: C
43658: A
43659: C
43660: C