Questões de Concurso
Comentadas sobre interpretação de textos em português
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Quando era criança, Louise Glück brincava de fazer concursos para eleger o poema mais bonito do mundo, mas sempre mudava de ideia. No discurso da cerimônia em que recebeu o Nobel de literatura, no ano passado, ela finalmente anunciou o vencedor: em sua opinião, é “O Garotinho Negro”, de William Blake. No mundo real, a americana é que levou o prêmio. Ela recebeu o Nobel “por sua voz poética inconfundível que, com austera beleza, transforma a existência individual em universal”, segundo a Academia Sueca. Foi apenas o ápice da carreira de uma autora agraciada com os principais prêmios do mundo, do Pulitzer ao National Book Award.
Felipe Machado. Revista IstoÉ. “Refinada poesia entre nós”. Adaptado. 18 de junho de 2021. Edição nº 2683.
I. São prêmios mencionados no texto o Nobel da Paz, o Pulitzer e o National Book Award.
II. Na frase Ela recebeu o Nobel, o pronome refere-se aos termos a americana.
III. O termo ápice poderia ser substituído, sem alterar o sentido expresso no texto, pelo termo auge.
Pode-se afirmar que:


I. Observar a inquietude por esse ângulo de "potência a ser revelada" deve levar nos além, visto que revela a direção de para onde nossa alma está apontando para criar e atuar.
II. Revelar a direção de para onde nossa alma está apontando para criar e atuar, nos fará observar a inquietude por esse ângulo de "potência a ser revelada", podendo nos levar aquém.
III. Observar a inquietude por esse ângulo de "potência a ser revelada" pode nos levar além, porque mostra a direção de para onde nossa alma está apontando para que criemos e atuemos.
Quais estão corretas?
Estão CORRETAS, apenas:
A afirmação contida na oração destacada exprime ideia de:
I. A frase Ana sempre tivera necessidade de sentir a raiz firme das coisas atesta que o texto está narrado em primeira pessoa.
II. Os elementos apresentados no texto indicam que a personagem é casada, possui filhos e que, ao longo de sua existência, teve uma vida sem grandes embaraços ou necessidades existenciais.
III. Há, no texto, muitos verbos conjugados no pretérito mais-que-perfeito, cuja utilização é muito limitada e, portanto, são verbos pouco utilizados na linguagem coloquial.
Pode-se afirmar que:


Assinale a alternativa que completa a lacuna do texto acima de forma CORRETA:
Leia o trecho do romance Bom-Crioulo, de Adolfo Caminha, a seguir, e responda à questão.
Agora compreendia nitidamente que só no homem, no próprio homem, ele podia encontrar aquilo que debalde procurara nas mulheres.
Nunca se apercebera de semelhante anomalia, nunca em sua vida tivera a lembrança de perscrutar suas tendências em matéria de sexualidade. As mulheres o desarmavam para os combates do amor, é certo, mas também não concebia, por forma alguma, esse comércio grosseiro entre indivíduos do mesmo sexo; entretanto, quem diria!, o fato passava-se agora consigo próprio, sem premeditação, inesperadamente. E o mais interessante é que “aquilo” ameaçava ir longe, para mal de seus pecados... Não havia jeito, senão ter paciência, uma vez que a “natureza” impunha-lhe esse castigo...
(CAMINHA, Adolfo. Bom-Crioulo. Rio de Janeiro: Ediouro, s.d. p. 32-33.)
Leia os fragmentos do romance Quarenta dias, de Maria Valéria Rezende, a seguir, e responda à questão.
Um rumo vago. Que eu seguiria se quisesse. Talvez tenha sido o nome estranho do lugar que me despertou da letargia. Talvez tenha sido, sem que eu percebesse, a dor da outra mãe tomando lugar da minha, um alívio esquisito, uma distração, e eu quis, sim, sair por aí, à toa, por ruas que não conheço atrás do rastro borrado de alguém que nunca vi. (p.92)
Pela primeira vez, desde que começou essa minha migração forçada, tive vontade de chorar e fiquei um bom tempo com a cara virada pra fora, fungando, querendo esconder as lágrimas, fingindo que olhava pela janela, vendo vagamente passarem avenidas e prédios que não mediziamnada, unscomessacara de luxo padronizado que se espalha igualmente de Dubai a Xangai passando até pelo “edifício mais alto do Brasil”, em João Pessoa, outros em construção ou abandonados, sei lá, com aspecto de ruína, tudo tão misturado que a gente fica sem saber se a cidade está nascendo ou morrendo, fui pensando à toa, até o vento da janela secar minhas lágrimas ou eu me lembrar das lágrimas da mãe de Cícero Araújo. (p. 99)
(REZENDE, Maria Valéria. Quarenta dias. Rio de Janeiro: Objetiva, 2014.)
I. A expressão “à toa”, no primeiro fragmento, indica que faltava propósito para a protagonista sair às ruas.
II. A expressão “à toa”, no segundo fragmento, aponta para o desligamento entre as reflexões sobre as cidades e as experiências pessoais da protagonista.
III. A expressão “rumo vago”, no primeiro fragmento, corresponde à precariedade de informações disponíveis para localizar alguém.
IV. A expressão “sei lá”, no segundo fragmento, externa a dificuldade para interpretar, com convicção e autoridade, a paisagem urbana.
Assinale a alternativa correta.
Leia os fragmentos do romance Quarenta dias, de Maria Valéria Rezende, a seguir, e responda à questão.
Um rumo vago. Que eu seguiria se quisesse. Talvez tenha sido o nome estranho do lugar que me despertou da letargia. Talvez tenha sido, sem que eu percebesse, a dor da outra mãe tomando lugar da minha, um alívio esquisito, uma distração, e eu quis, sim, sair por aí, à toa, por ruas que não conheço atrás do rastro borrado de alguém que nunca vi. (p.92)
Pela primeira vez, desde que começou essa minha migração forçada, tive vontade de chorar e fiquei um bom tempo com a cara virada pra fora, fungando, querendo esconder as lágrimas, fingindo que olhava pela janela, vendo vagamente passarem avenidas e prédios que não mediziamnada, unscomessacara de luxo padronizado que se espalha igualmente de Dubai a Xangai passando até pelo “edifício mais alto do Brasil”, em João Pessoa, outros em construção ou abandonados, sei lá, com aspecto de ruína, tudo tão misturado que a gente fica sem saber se a cidade está nascendo ou morrendo, fui pensando à toa, até o vento da janela secar minhas lágrimas ou eu me lembrar das lágrimas da mãe de Cícero Araújo. (p. 99)
(REZENDE, Maria Valéria. Quarenta dias. Rio de Janeiro: Objetiva, 2014.)
Leia os fragmentos do romance Quarenta dias, de Maria Valéria Rezende, a seguir, e responda à questão.
Um rumo vago. Que eu seguiria se quisesse. Talvez tenha sido o nome estranho do lugar que me despertou da letargia. Talvez tenha sido, sem que eu percebesse, a dor da outra mãe tomando lugar da minha, um alívio esquisito, uma distração, e eu quis, sim, sair por aí, à toa, por ruas que não conheço atrás do rastro borrado de alguém que nunca vi. (p.92)
Pela primeira vez, desde que começou essa minha migração forçada, tive vontade de chorar e fiquei um bom tempo com a cara virada pra fora, fungando, querendo esconder as lágrimas, fingindo que olhava pela janela, vendo vagamente passarem avenidas e prédios que não mediziamnada, unscomessacara de luxo padronizado que se espalha igualmente de Dubai a Xangai passando até pelo “edifício mais alto do Brasil”, em João Pessoa, outros em construção ou abandonados, sei lá, com aspecto de ruína, tudo tão misturado que a gente fica sem saber se a cidade está nascendo ou morrendo, fui pensando à toa, até o vento da janela secar minhas lágrimas ou eu me lembrar das lágrimas da mãe de Cícero Araújo. (p. 99)
(REZENDE, Maria Valéria. Quarenta dias. Rio de Janeiro: Objetiva, 2014.)
Leia os textos a seguir e responda à questão.
I.
O ambiente dos tribunais é apenas o reflexo da sociedade. Na audiência de pensão para minha filha, a juíza– sim, era uma juíza– disse que um pai não é obrigado a amar a filha.
Carmen F.
Santa Rosa, RS
(via Instagram)
II.
Parabéns pela coragem de tratar desse tema em reportagem de capa. O crime de estupro é muito difícil de provar. A postura da sociedade, corroborada pela Justiça, encoraja os homens a não mudar e as mulheres a não denunciar.
Rodrigo H.
São Paulo, SP
(via Instagram)
III.
Para que um estuprador seja culpado no Brasil parece ser preciso, além de corpo de delito, vídeo do estupro, áudio da mulher pedindo socorro, duas testemunhas e outras cinco mulheres que também foram violenta das. Se não tiver isso, não há provas– o testemunho da vítima não vale. É triste.
Cecília R. V.
Juiz de Fora, MG
(via Instagram)
(Adaptado de: Seção Leitor. Veja. São Paulo, 18 nov. 2020. p.16.)
I. Os três textos são argumentativos, característica inerente ao gênero ao qual pertencem.
II. Os três textos apresentam a mesma temática explorada sob diferentes perspectivas.
III. Os textos I e II são descritivos, enquanto o texto III é essencialmente narrativo.
IV. Os textos apelam para recursos de linguagem como a exemplificação, no texto I, e a ironia no texto III.
Assinale a alternativa correta.
Leia os textos a seguir e responda à questão.
I.
O ambiente dos tribunais é apenas o reflexo da sociedade. Na audiência de pensão para minha filha, a juíza– sim, era uma juíza– disse que um pai não é obrigado a amar a filha.
Carmen F.
Santa Rosa, RS
(via Instagram)
II.
Parabéns pela coragem de tratar desse tema em reportagem de capa. O crime de estupro é muito difícil de provar. A postura da sociedade, corroborada pela Justiça, encoraja os homens a não mudar e as mulheres a não denunciar.
Rodrigo H.
São Paulo, SP
(via Instagram)
III.
Para que um estuprador seja culpado no Brasil parece ser preciso, além de corpo de delito, vídeo do estupro, áudio da mulher pedindo socorro, duas testemunhas e outras cinco mulheres que também foram violenta das. Se não tiver isso, não há provas– o testemunho da vítima não vale. É triste.
Cecília R. V.
Juiz de Fora, MG
(via Instagram)
(Adaptado de: Seção Leitor. Veja. São Paulo, 18 nov. 2020. p.16.)
Leia o texto a seguir e responda à questão.
O fascínio do homem pelo espaço, aliado ao desenvolvimento tecnológico dos últimos anos, foi o estopim para a retomada das corridas espaciais. De alguma forma, nunca estivemos tão perto de colonizar a Lua. Prova disso é que, recentemente, a Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA) anunciou a construção do primeiro sistema de internet 4G na superfície lunar, previsto para o fim de 2022.
Referência tecnológica no mercado de comunicação, a Nokia terá a responsabilidade de implantar o recurso junto com a americana Intuitive Machines, empresa que criará uma sonda especial para instalar a rede. O projeto permitirá que os astronautas controlem seus veículos robóticos de maneira remota, transmitam vídeos em alta resolução e se comuniquem com as bases na Terra em tempo real por vídeo e voz.
A iniciativa faz parte do programa Artemis, com uma viagem tripulada datada para 2024. Apoiada por dezenas de empresas, a NASA quer tornar a presença humana na Lua sustentável até o fim desta década. [...] Especialistas na área destacam os altos investimentos. “A NASA percebeu que trabalhar com empresas privadas é mais barato”, diz Lucas Fonseca, empresário e engenheiro espacial formado pela USP. “Eles irão investir cada vez mais dinheiro. A ideia não é mais ir pra Lua e ficar pouco tempo. É ir e permanecer longos períodos”, afirma. Se a rede 4G funcionar bem, a meta é migrar para o 5G num futuro próximo.
(Adaptado de: ALAN, Brian. A Lua conectada. IstoÉ. São Paulo, 18 nov. 2020. p.53.)
Leia o texto para responder à questão.
Proibido não ser perfeito
Em um belo artigo, o Estadão1 anunciou “A morte da voz humana”. Nenhum exagero no título. O Auto-Tune – o software que “corrige” a afinação dos cantores – está criando padrões de perfeição inatingíveis para humanos, oferecendo a recompensa sem esforço e tornando prescindíveis a vocação, o talento e o mérito na música popular.
O artigo foi escrito por quem tem toda autoridade para dizê-lo: João Marcello Bôscoli, músico, produtor e diretor de gravadora. Como se não bastasse, filho de Elis Regina e do compositor Ronaldo Bôscoli. Nunca houve gente mais exigente em música.
Para João Marcello, pior até do que dar afinação a quem não tem, o Auto-Tune está fazendo com a voz o que o Photoshop2 fez com a pele humana. Assim como o Photoshop “gerou um padrão estético em que poros, rugas de expressão, pelos e outras características se tornaram defeitos”, o Auto-Tune passa o rodo e “corrige” tudo o que considera imperfeito no cantor: afinação, respiração, pausas, volume, alcance – sem se importar se pertencem à sua expressão e emoção.
Ele vai mais longe: “Atualmente tomamos remédio quando sentimos tristeza, comemos lixo pré-mastigado quando temos fome, dopamos as crianças quando estão agitadas, passamos horas no computador quando nossa vida parece desinteressante” etc. – e “usamos softwares de afinação quando temos um cantor desafinado”.
O filho da cantora mais afinada do Brasil defende os desafinados no que eles têm de mais precioso: sua falível condição humana, essencial à obra de arte.
(Ruy Castro. A arte de querer bem. Rio de Janeiro: Estação Brasil, 2018. Adaptado)
1 Estadão: conhecido jornal brasileiro publicado na cidade de São Paulo.
2 Photoshop: software usado para editar imagens.