Questões de Concurso
Comentadas sobre interpretação de textos em português
Foram encontradas 91.827 questões
Leia a matéria jornalística a seguir como texto de referência para responder à questão.
Hábito de leitura no Brasil perde espaço para redes sociais e para o ritmo da vida moderna
Em quatro anos, houve uma redução de cerca de 6,7 milhões de leitores no Brasil. É o que mostra a sexta edição da Pesquisa Retratos da Leitura, realizada em 2024. De acordo com o relatório, a falta de tempo, o desinteresse pelo hábito e a preferência por outras atividades, como consumir conteúdos nas redes sociais, são os principais fatores que distanciam as páginas das pessoas.
Segundo a pesquisa, leitor é “aquele que leu, inteiro ou em partes, pelo menos um livro de qualquer gênero, impresso ou digital, nos últimos três meses”. Apenas 27% dos entrevistados terminaram a leitura de uma obra por completo, no período trimestral anterior às entrevistas. Para Carlota Boto, professora de Filosofia da Educação e diretora da Faculdade de Educação (FE) da USP, a prática de ler é importante pela conexão com sinais gráficos escritos. “Toda a nossa cultura da modernidade passa pelo acesso a um conjunto cultural que foi, digamos assim, acessado pelas letras, pela sistemática do impresso. E, nesse sentido, a leitura se torna um exercício importante para o acesso a esse legado cultural”, explica.
A especialista destaca que a ação de ler deve ser incentivada desde a infância: “A leitura possibilita para as crianças a independência em relação à cultura letrada. […] Possibilita o contato com o mundo da imaginação e com as narrativas”. Segundo ela, por meio da prática ocorre o desenvolvimento da postura crítico-criativa desde cedo.
Dos entrevistados pela Pesquisa Retratos da Leitura, 17% foram influenciados pela família para gostar da atividade: 9% pela mãe ou responsável do sexo feminino, 4% por algum parente e 4% pelo pai ou figura do sexo masculino. “É muito rica a prática de pais que, diante de crianças que ainda não estão alfabetizadas, leem o livro para elas. E depois, à medida que elas vão se alfabetizando, eles vão lendo juntos. Tudo isso facilita o encanto pela leitura.”
Carlota cita o papel da escola na promoção da literatura: “Cabe ao professor ler junto com os alunos, estimulá-los com a leitura em voz alta, a leitura silenciosa”. De acordo com um levantamento feito pela Associação dos Membros de Contas do Brasil (Atricon), três em cada dez escolas públicas brasileiras têm bibliotecas e 18 milhões de estudantes frequentam instituições de ensino que não as possuem. A diretora da Faculdade de Educação da USP salienta que a leitura feita por adolescentes está baseada nas obras indicadas pelos professores ou nas solicitadas pelos vestibulares.
Em relação aos adultos e idosos, ela afirma que as obras consumidas são mais próximas de seus gostos pessoais: “Um livro de romance, um clássico, um de suspense… Qual é o seu interesse maior?”. Além disso, para Carlota, é necessário esforço para manter o hábito. “Se o adolescente é cobrado pela leitura, o adulto não é. Quanto mais afastado da prática, mais afastado ele ficará.”
A Pesquisa Retratos da Leitura traz outro dado: a média de obras lidas por inteiro, nos três meses anteriores às entrevistas, foi de 2,04. Esse valor apresenta uma diminuição quando comparado com o que foi mostrado na edição de 2019 do relatório, na qual o número era de cerca de 2,6 obras.
Para a professora, a redução nos parâmetros apresentados se dá pela dinâmica da vida atual. “Somos uma sociedade multifacetada. Hoje, assistimos à televisão ao mesmo tempo que lemos um texto, ao mesmo tempo que estamos com o celular ligado ao lado, então, tudo isso vai, evidentemente, dispersar a concentração”, afirma. Segundo ela, as atividades digitais são mais atrativas pela conectividade rápida e imediata, primordiais na chamada era da dopamina. Os aplicativos e interações on-line são feitos como forma de estímulo à liberação da dopamina, hormônio que dá a sensação de prazer e a busca constante por recompensas.
Para quem deseja retomar o hábito da leitura ou pretende iniciar a prática, Carlota Boto faz recomendações: “Vá a uma livraria, reserve um dinheiro para fazer a compra de um bom livro e busque um que seja de interesse seu. […] Um livro é difícil de ler nas primeiras 20 páginas, depois ele se torna muito fácil de ser lido, quando interessa ao seu leitor”.
Fonte: LOPES, Isabella. Hábito de leitura no Brasil perde espaço para redes sociais e para o ritmo da vida moderna. Disponível em: https://jornal.usp.br/radio-usp/habito-de-leitura-no-brasil-perde-espaco-para-redes-sociais-e-para-oritmo-da-vida-moderna/. Acesso em: 5 jan. 2026 (adaptado).
Leia a matéria jornalística a seguir como texto de referência para responder à questão.
Hábito de leitura no Brasil perde espaço para redes sociais e para o ritmo da vida moderna
Em quatro anos, houve uma redução de cerca de 6,7 milhões de leitores no Brasil. É o que mostra a sexta edição da Pesquisa Retratos da Leitura, realizada em 2024. De acordo com o relatório, a falta de tempo, o desinteresse pelo hábito e a preferência por outras atividades, como consumir conteúdos nas redes sociais, são os principais fatores que distanciam as páginas das pessoas.
Segundo a pesquisa, leitor é “aquele que leu, inteiro ou em partes, pelo menos um livro de qualquer gênero, impresso ou digital, nos últimos três meses”. Apenas 27% dos entrevistados terminaram a leitura de uma obra por completo, no período trimestral anterior às entrevistas. Para Carlota Boto, professora de Filosofia da Educação e diretora da Faculdade de Educação (FE) da USP, a prática de ler é importante pela conexão com sinais gráficos escritos. “Toda a nossa cultura da modernidade passa pelo acesso a um conjunto cultural que foi, digamos assim, acessado pelas letras, pela sistemática do impresso. E, nesse sentido, a leitura se torna um exercício importante para o acesso a esse legado cultural”, explica.
A especialista destaca que a ação de ler deve ser incentivada desde a infância: “A leitura possibilita para as crianças a independência em relação à cultura letrada. […] Possibilita o contato com o mundo da imaginação e com as narrativas”. Segundo ela, por meio da prática ocorre o desenvolvimento da postura crítico-criativa desde cedo.
Dos entrevistados pela Pesquisa Retratos da Leitura, 17% foram influenciados pela família para gostar da atividade: 9% pela mãe ou responsável do sexo feminino, 4% por algum parente e 4% pelo pai ou figura do sexo masculino. “É muito rica a prática de pais que, diante de crianças que ainda não estão alfabetizadas, leem o livro para elas. E depois, à medida que elas vão se alfabetizando, eles vão lendo juntos. Tudo isso facilita o encanto pela leitura.”
Carlota cita o papel da escola na promoção da literatura: “Cabe ao professor ler junto com os alunos, estimulá-los com a leitura em voz alta, a leitura silenciosa”. De acordo com um levantamento feito pela Associação dos Membros de Contas do Brasil (Atricon), três em cada dez escolas públicas brasileiras têm bibliotecas e 18 milhões de estudantes frequentam instituições de ensino que não as possuem. A diretora da Faculdade de Educação da USP salienta que a leitura feita por adolescentes está baseada nas obras indicadas pelos professores ou nas solicitadas pelos vestibulares.
Em relação aos adultos e idosos, ela afirma que as obras consumidas são mais próximas de seus gostos pessoais: “Um livro de romance, um clássico, um de suspense… Qual é o seu interesse maior?”. Além disso, para Carlota, é necessário esforço para manter o hábito. “Se o adolescente é cobrado pela leitura, o adulto não é. Quanto mais afastado da prática, mais afastado ele ficará.”
A Pesquisa Retratos da Leitura traz outro dado: a média de obras lidas por inteiro, nos três meses anteriores às entrevistas, foi de 2,04. Esse valor apresenta uma diminuição quando comparado com o que foi mostrado na edição de 2019 do relatório, na qual o número era de cerca de 2,6 obras.
Para a professora, a redução nos parâmetros apresentados se dá pela dinâmica da vida atual. “Somos uma sociedade multifacetada. Hoje, assistimos à televisão ao mesmo tempo que lemos um texto, ao mesmo tempo que estamos com o celular ligado ao lado, então, tudo isso vai, evidentemente, dispersar a concentração”, afirma. Segundo ela, as atividades digitais são mais atrativas pela conectividade rápida e imediata, primordiais na chamada era da dopamina. Os aplicativos e interações on-line são feitos como forma de estímulo à liberação da dopamina, hormônio que dá a sensação de prazer e a busca constante por recompensas.
Para quem deseja retomar o hábito da leitura ou pretende iniciar a prática, Carlota Boto faz recomendações: “Vá a uma livraria, reserve um dinheiro para fazer a compra de um bom livro e busque um que seja de interesse seu. […] Um livro é difícil de ler nas primeiras 20 páginas, depois ele se torna muito fácil de ser lido, quando interessa ao seu leitor”.
Fonte: LOPES, Isabella. Hábito de leitura no Brasil perde espaço para redes sociais e para o ritmo da vida moderna. Disponível em: https://jornal.usp.br/radio-usp/habito-de-leitura-no-brasil-perde-espaco-para-redes-sociais-e-para-oritmo-da-vida-moderna/. Acesso em: 5 jan. 2026 (adaptado).
Leia a matéria jornalística a seguir como texto de referência para responder à questão.
Hábito de leitura no Brasil perde espaço para redes sociais e para o ritmo da vida moderna
Em quatro anos, houve uma redução de cerca de 6,7 milhões de leitores no Brasil. É o que mostra a sexta edição da Pesquisa Retratos da Leitura, realizada em 2024. De acordo com o relatório, a falta de tempo, o desinteresse pelo hábito e a preferência por outras atividades, como consumir conteúdos nas redes sociais, são os principais fatores que distanciam as páginas das pessoas.
Segundo a pesquisa, leitor é “aquele que leu, inteiro ou em partes, pelo menos um livro de qualquer gênero, impresso ou digital, nos últimos três meses”. Apenas 27% dos entrevistados terminaram a leitura de uma obra por completo, no período trimestral anterior às entrevistas. Para Carlota Boto, professora de Filosofia da Educação e diretora da Faculdade de Educação (FE) da USP, a prática de ler é importante pela conexão com sinais gráficos escritos. “Toda a nossa cultura da modernidade passa pelo acesso a um conjunto cultural que foi, digamos assim, acessado pelas letras, pela sistemática do impresso. E, nesse sentido, a leitura se torna um exercício importante para o acesso a esse legado cultural”, explica.
A especialista destaca que a ação de ler deve ser incentivada desde a infância: “A leitura possibilita para as crianças a independência em relação à cultura letrada. […] Possibilita o contato com o mundo da imaginação e com as narrativas”. Segundo ela, por meio da prática ocorre o desenvolvimento da postura crítico-criativa desde cedo.
Dos entrevistados pela Pesquisa Retratos da Leitura, 17% foram influenciados pela família para gostar da atividade: 9% pela mãe ou responsável do sexo feminino, 4% por algum parente e 4% pelo pai ou figura do sexo masculino. “É muito rica a prática de pais que, diante de crianças que ainda não estão alfabetizadas, leem o livro para elas. E depois, à medida que elas vão se alfabetizando, eles vão lendo juntos. Tudo isso facilita o encanto pela leitura.”
Carlota cita o papel da escola na promoção da literatura: “Cabe ao professor ler junto com os alunos, estimulá-los com a leitura em voz alta, a leitura silenciosa”. De acordo com um levantamento feito pela Associação dos Membros de Contas do Brasil (Atricon), três em cada dez escolas públicas brasileiras têm bibliotecas e 18 milhões de estudantes frequentam instituições de ensino que não as possuem. A diretora da Faculdade de Educação da USP salienta que a leitura feita por adolescentes está baseada nas obras indicadas pelos professores ou nas solicitadas pelos vestibulares.
Em relação aos adultos e idosos, ela afirma que as obras consumidas são mais próximas de seus gostos pessoais: “Um livro de romance, um clássico, um de suspense… Qual é o seu interesse maior?”. Além disso, para Carlota, é necessário esforço para manter o hábito. “Se o adolescente é cobrado pela leitura, o adulto não é. Quanto mais afastado da prática, mais afastado ele ficará.”
A Pesquisa Retratos da Leitura traz outro dado: a média de obras lidas por inteiro, nos três meses anteriores às entrevistas, foi de 2,04. Esse valor apresenta uma diminuição quando comparado com o que foi mostrado na edição de 2019 do relatório, na qual o número era de cerca de 2,6 obras.
Para a professora, a redução nos parâmetros apresentados se dá pela dinâmica da vida atual. “Somos uma sociedade multifacetada. Hoje, assistimos à televisão ao mesmo tempo que lemos um texto, ao mesmo tempo que estamos com o celular ligado ao lado, então, tudo isso vai, evidentemente, dispersar a concentração”, afirma. Segundo ela, as atividades digitais são mais atrativas pela conectividade rápida e imediata, primordiais na chamada era da dopamina. Os aplicativos e interações on-line são feitos como forma de estímulo à liberação da dopamina, hormônio que dá a sensação de prazer e a busca constante por recompensas.
Para quem deseja retomar o hábito da leitura ou pretende iniciar a prática, Carlota Boto faz recomendações: “Vá a uma livraria, reserve um dinheiro para fazer a compra de um bom livro e busque um que seja de interesse seu. […] Um livro é difícil de ler nas primeiras 20 páginas, depois ele se torna muito fácil de ser lido, quando interessa ao seu leitor”.
Fonte: LOPES, Isabella. Hábito de leitura no Brasil perde espaço para redes sociais e para o ritmo da vida moderna. Disponível em: https://jornal.usp.br/radio-usp/habito-de-leitura-no-brasil-perde-espaco-para-redes-sociais-e-para-oritmo-da-vida-moderna/. Acesso em: 5 jan. 2026 (adaptado).
Durante um estudo sobre indisciplina escolar, componentes de um grupo leram o artigo “Indisciplina escolar: uma construção coletiva”, de Boarini (2013), e apontaram possíveis causas para esse fenômeno, porém apenas uma resposta reflete com precisão as ideias da autora sobre indisciplina escolar:
Pedro: “Isso ocorre porque o aluno é o responsável pelo seu interesse nos estudos.”
Léa: “Porque os pais não cobram ou não acompanham as atividades escolares em casa.”
Lucas: “Essa geração atual apresenta menor concentração devido ao uso das redes sociais.”
João: “Penso que esse desinteresse corresponde às novas formas de aprendizagem digitais.”
Bia: “Acredito que a escola pode estar desatualizada e sem significado para os jovens.”
Nesse cenário, quem compreendeu com precisão as ideias da autora foi:
“Em uma cultura de paz não há ausência de conflitos, mas sim a busca ativa de sua resolução de forma construtiva por meio da negociação, do diálogo e da democracia. Em vista disso, a força mais poderosa, capaz de resolver desafios de maneira edificante é a não violência. Ela é o oposto da passividade, da obediência e da resignação. Trata-se de um processo dinâmico, que leva à ação, à resistência e ao engajamento. É uma busca permanente.”
Fonte: DISKIN, Lia. Paz, como se faz? Semeando a cultura de paz nas escolas. 4. ed. São Paulo: Palas Athena; Brasília: UNESCO, 2021, p. 11.
A leitura do trecho acima permite compreender que a concepção da proposta de cultura de paz na escola é aquela que:
“Maria pensou consigo mesma que talvez fosse melhor desistir, mas a voz da mãe ecoava em sua mente dizendo que os fracos não vencem.”
Esse fragmento caracteriza-se por:
(__)- O vocabulário verbal é voltado para o Presente;
(__)- O texto não permite a aplicação de antônimos e sinônimos aos seus termos;
(__)- O autor se inclui no texto a partir de um único termo;
(__)- Não é possível identificar a ideia principal do texto.
Qual alternativa preenche, correta e respectivamente, os parênteses acima?
LÍNGUA PORTUGUESA
Leia o texto abaixo para responder às questões de 1 a 7.
Segundo uma pesquisa do ONS, órgão oficial de estatísticas do Reino Unido, publicada em novembro, 33% dos britânicos de 16 a 29 anos relataram sentir solidão "com frequência, sempre ou às vezes" — a taxa mais alta entre todas as faixas etárias. Entre pessoas com mais de 70 anos, 17% disseram o mesmo. Neste ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) analisou diversos estudos publicados em diferentes países e constatou que jovens adultos e adolescentes relatam os níveis mais elevados de solidão.
Os dados são complexos, e há indícios de que, em alguns países, entre o grupo mais idoso, de pessoas com mais de 85 anos, a solidão aumenta de forma acentuada e pode se igualar à registrada entre jovens de 18 a 30 anos. Ainda assim, analistas afirmam que, na maior parte das pesquisas, os jovens adultos se destacam como um grupo particularmente isolado. “Os adultos entre 18 e 24 anos são os que se sentem mais solitários, seguidos pelos idosos”, afirma a professora Andrea Wigfield, diretora do Centro de Estudos da Solidão da Sheffield Hallam University, no Reino Unido. "É um problema crescente".
Cada vez mais, especialistas afirmam que o mundo moderno é o principal responsável pelo problema. Muitos jovens na faixa dos 20 anos vivem em casas compartilhadas nas quais não conhecem bem, ou não gostam, dos colegas de quarto. O trabalho, com frequência, passou a ser feito em casa, e o contato com os amigos muitas vezes ocorre pelas redes sociais. Nem tudo é desolador. Graças à internet, os jovens adultos têm acesso a amizades no mundo todo. Mas, de modo geral, dizem os especialistas, a imagem de uma vida social intensa entre jovens de 20 e poucos anos, apresentada em séries como Friends, da década de 90, precisa de uma correção urgente.
"Tendemos a romantizar o início da vida adulta como um período despreocupado, quando, na maioria das vezes, é o período mais miserável da vida das pessoas”, afirma o professor Richard Weissbourd, docente de educação na Universidade Harvard, nos EUA. Em alguns aspectos, o começo da vida adulta sempre foi um período de instabilidade. Os jovens adultos tendem a sair da casa dos pais e se mudar com frequência. Os amigos partem, e os laços familiares se enfraquecem. Esses eventos de transição podem, para algumas pessoas, levar a uma profunda solidão. “Um grande problema é a dispersão; todo mundo que você conheceu agora vive em um milhão de lugares diferentes”, diz a psicóloga clínica Meg Jay, autora do livro The Twenty-Something Treatment (O Tratamento para os 20 e Poucos, em tradução livre).
Hoje, há também um conjunto de novos fatores e claramente modernos que podem estar agravando o problema. Em muitas partes do mundo, as pessoas estão se casando e tendo filhos mais tarde (ou nem sequer os têm). No Reino Unido, a idade média do primeiro casamento hoje é de 31 anos, segundo o ONS. Em 1970, essa média era de 23 anos para homens e 21 para mulheres. Os jovens adultos tendem a depender mais dos amigos para estabelecer conexões emocionais e, à medida que essas relações não correspondem às expectativas, a solidão pode surgir.
O professor Weissbourd, da Universidade Harvard, também aponta para uma fragmentação mais ampla das comunidades. Em países ricos, a participação em instituições cívicas, como igrejas, grupos comunitários ou sindicatos, vem diminuindo desde a década de 1970. Esse fenômeno é conhecido como a tese chamada de "Jogando Boliche Sozinho" (Bowling Alone), nome inspirado em um ensaio famoso publicado em 1995 pelo cientista político Robert Putnam. No texto, ele observou que mais jovens americanos estavam jogando boliche sozinhos, e não em grupo; um símbolo de um colapso amplo das relações sociais.
Pessoas na faixa dos 20 anos, que podem ter deixado a casa da infância, mas ainda não formaram sua própria família, sentem essa perda de comunidade de forma mais aguda, afirma Weissbourd. “Vivemos em uma sociedade cada vez mais individualista. Acho que a solidão é um sintoma da nossa incapacidade em cuidar uns dos outros”.
(Jornal BBC News Brasil, 20.12.2025. Adaptado).
Analise as frases abaixo para responder à questão
“Mas”, de modo geral, dizem os especialistas, a imagem de uma vida social intensa entre jovens de 20 e poucos anos, apresentada em séries como Friends, da década de 90, precisa de uma correção urgente.
E, “à medida que” essas relações não correspondem às expectativas, a solidão pode surgir. 4.
Os termos destacados possuem, respectivamente, o sentido de
LÍNGUA PORTUGUESA
Leia o texto abaixo para responder às questões de 1 a 7.
Segundo uma pesquisa do ONS, órgão oficial de estatísticas do Reino Unido, publicada em novembro, 33% dos britânicos de 16 a 29 anos relataram sentir solidão "com frequência, sempre ou às vezes" — a taxa mais alta entre todas as faixas etárias. Entre pessoas com mais de 70 anos, 17% disseram o mesmo. Neste ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) analisou diversos estudos publicados em diferentes países e constatou que jovens adultos e adolescentes relatam os níveis mais elevados de solidão.
Os dados são complexos, e há indícios de que, em alguns países, entre o grupo mais idoso, de pessoas com mais de 85 anos, a solidão aumenta de forma acentuada e pode se igualar à registrada entre jovens de 18 a 30 anos. Ainda assim, analistas afirmam que, na maior parte das pesquisas, os jovens adultos se destacam como um grupo particularmente isolado. “Os adultos entre 18 e 24 anos são os que se sentem mais solitários, seguidos pelos idosos”, afirma a professora Andrea Wigfield, diretora do Centro de Estudos da Solidão da Sheffield Hallam University, no Reino Unido. "É um problema crescente".
Cada vez mais, especialistas afirmam que o mundo moderno é o principal responsável pelo problema. Muitos jovens na faixa dos 20 anos vivem em casas compartilhadas nas quais não conhecem bem, ou não gostam, dos colegas de quarto. O trabalho, com frequência, passou a ser feito em casa, e o contato com os amigos muitas vezes ocorre pelas redes sociais. Nem tudo é desolador. Graças à internet, os jovens adultos têm acesso a amizades no mundo todo. Mas, de modo geral, dizem os especialistas, a imagem de uma vida social intensa entre jovens de 20 e poucos anos, apresentada em séries como Friends, da década de 90, precisa de uma correção urgente.
"Tendemos a romantizar o início da vida adulta como um período despreocupado, quando, na maioria das vezes, é o período mais miserável da vida das pessoas”, afirma o professor Richard Weissbourd, docente de educação na Universidade Harvard, nos EUA. Em alguns aspectos, o começo da vida adulta sempre foi um período de instabilidade. Os jovens adultos tendem a sair da casa dos pais e se mudar com frequência. Os amigos partem, e os laços familiares se enfraquecem. Esses eventos de transição podem, para algumas pessoas, levar a uma profunda solidão. “Um grande problema é a dispersão; todo mundo que você conheceu agora vive em um milhão de lugares diferentes”, diz a psicóloga clínica Meg Jay, autora do livro The Twenty-Something Treatment (O Tratamento para os 20 e Poucos, em tradução livre).
Hoje, há também um conjunto de novos fatores e claramente modernos que podem estar agravando o problema. Em muitas partes do mundo, as pessoas estão se casando e tendo filhos mais tarde (ou nem sequer os têm). No Reino Unido, a idade média do primeiro casamento hoje é de 31 anos, segundo o ONS. Em 1970, essa média era de 23 anos para homens e 21 para mulheres. Os jovens adultos tendem a depender mais dos amigos para estabelecer conexões emocionais e, à medida que essas relações não correspondem às expectativas, a solidão pode surgir.
O professor Weissbourd, da Universidade Harvard, também aponta para uma fragmentação mais ampla das comunidades. Em países ricos, a participação em instituições cívicas, como igrejas, grupos comunitários ou sindicatos, vem diminuindo desde a década de 1970. Esse fenômeno é conhecido como a tese chamada de "Jogando Boliche Sozinho" (Bowling Alone), nome inspirado em um ensaio famoso publicado em 1995 pelo cientista político Robert Putnam. No texto, ele observou que mais jovens americanos estavam jogando boliche sozinhos, e não em grupo; um símbolo de um colapso amplo das relações sociais.
Pessoas na faixa dos 20 anos, que podem ter deixado a casa da infância, mas ainda não formaram sua própria família, sentem essa perda de comunidade de forma mais aguda, afirma Weissbourd. “Vivemos em uma sociedade cada vez mais individualista. Acho que a solidão é um sintoma da nossa incapacidade em cuidar uns dos outros”.
(Jornal BBC News Brasil, 20.12.2025. Adaptado).